Os filhos da anarquia antiga

Já tem algum tempo que eu ouço falar muito bem da série Sons Of Anarchy, o que sempre acabava me deixando bem curioso. Talvez eu tenha deixado para depois devido ao tema, uma gangue de motoqueiros violenta e que segue as suas próprias regras, algo que a princípio não me atraia muito. (mais ou menos neam? rs)

Até que na semana passada, com a pausa da maioria da séries por conta do Thanksgiving, eu resolvi dar uma chance para os motoqueiros de Sam Crow. Sábia decisão! O episódio piloto já é bem sensacional e já vale para dar uma prévia do que viria pela frente nos outros 12 eps da Season 1. Coisa phina, mas diferente do que eu costumo dizer com “coisa phina”.

Digo isso porque eles são sujos, usam praticamente o mesmo figurino em todos os eps, estão quase sempre bêbados ou fumando charutos, são preconceituosos, extremamente violentos e não tem a mínima chance como galãs (exceto o Jax e o half-sack, Höy!). Mas não é que aqueles homens daquele clube tem o seu charme? Mesmo sendo assumidamente os bad guys da história. Talvez isso se justifique na minha fascinação por vilões (rs). E aqueles coletes de couro com o símbolo do clube, inferninhos animados e todo aquele  ideal de vida só me faz sentir muita, mas muita vergonha dos nossos endinheirados que circulam pela cidade com suas Harleys polidas, fingindo que são badass, o que todo mundo sabe que eles não são. Tolos!

Sem julgar valores, ou quem esta certo e quem esta errado naquela história toda que envolve armamento pesado, tráfico e muita violência, vc até acaba “entendendo” de certa forma aqueles caras. Não que isso justifique qualquer uma das suas atitudes, mas vc acaba entendendo que aquele parece mesmo uma caminho sem saída e as vezes a única forma de sobreviver é mergulhar ainda mais naquela história sangrenta (uia, fui bem dramático hein?).

Interpretar aqueles caras também não deve ser nada fácil hein? Imagino que seja um bad karma, como disse o “half-sack” em um dos episódios. Ele que é o boy magia indie da série, uma espécie de Seth Cohen versão wannabe badass.

Confesso que como eu já disse em algum momento aqui no Guilt, que eu sempre achei essa história de irmandade, fraternidade ou clube, tudo uma grande bobagem (que costumamos ver muitos nos filmes e seriados americanos) e o assunto ou possibilidade nunca me encantou, fatão! Sempre achei algo um tanto quanto tolo demais e tenho uma teoria de que quem é realmente cool não pertence a nenhum desses clubes (algo que eu comparo também com times de futebol, por exemplo, rs). Na verdade, eu nunca consegui entender o que levava uma pessoa a acreditar e defender tão fielmente aquelas regras criadas sabe-se lá por quem. Em Sons Of Anarchy a série fala exatamente disso, dessa relação de irmandade e uma certa devoção que aquelas pessoas tem com aquele clube, algo que se torna perigoso com o tempo, como uma religião (…), mas ainda bem que o contraponto é feito através das memórias do pai do Jax (personagem principal), que foi o fundador do clube e que se sentiu assustado depois de perceber os rumos obscuros que aquilo que ele havia criado com outro propósito, acabou se tornando algo totalmente diferente com o tempo e que muito provavelmente por isso, ele tenha resolvido escrever uma espécie de diário onde ele relatava os seus verdadeiros ideais para o clube. Uma tentativa de passar a sua essência a diante, vamos dizer assim. Talvez esse contraponto seja o que não me fez desistir da série logo no começo, porque eu não sou do tipo que vê graça em uma violência gratuita ou qualquer coisa do tipo. (sorry Tropa de Elite…)

Jax (Charlie Hunnam), é o único galã da série e por isso eles capricharam na hora de construir o seu personagem. Höy! Tem um ar de Kurt Cobain nele, até o seu estilo é meio grunge, cabelo longo, barba, uma mistura de badboy + badass+ mocinho que funciona e muito bem eu diria. Höy de novo! A sequência final da Season 1, com ele no meio do cemitério, em meio a todos aqueles túmulos com a bandeira dos EUA e segurando as memórias do seu pai, foi uma das cenas mais lindas da história da tv, com uma fotografia absurda! Maravileeeandra!

Dentre os meus personagens preferidos está como eu já disse antes o half-sack (Johnny Lewis), que é uma espécie de “estagiário” tentando conquistar a sua cadeira no santuário dos Sons Of Anarchy. Foufo mil, ele é um dos mais novos e é claro que para ele só sobra os piores trabalhos, como desenterrar mortos ou pegar as armas que estão dentro do caminhão de esgoto. Ew! Gosto também da sua futura old lady, Cherry, que descobrimos perto do final ser Rita. E o que foi aquele skate na cara dela? Me-do!

Agora, a minha preferida ever é a mamma Gemma (Katey Sagal), a mãe do Jax e Sra Morrow, a primeira dama dos Sons. Com uma frieza absurda e um instinto de leoa, sempre tentando manipular as vidas de quem a interessa, ela se transformou facilmente na minha personagem preferida da série. É claro que eu sei que ela deve estar mais do que envolvida com a morte do pai do Jax e que talvez ela até seja a grande vilã da história. Mesmo assim, ela continua sendo a minha preferida. Que mulher, não?

E foi dela a line mais sensacional ever envolvendo um crucifixo, crenças e atos sexuais. Diálogo esse que deixaria qualquer Madonna ou Lady Gaga com vergonha de terem ido tão raso em suas performances, prontofalei.

Gosto da Dra Tara tmbm (Maggie Siff, que é a cara da January Jones, não?), a médica da história, mas que no passado também pertenceu ao clube e que é o amor da vida do Jax. Dra-ma! Duas cenas que eu gostaria de destacar envolvendo os dois personagens (Jax + Tara): a primeira, a sensacional cena com o Jax resolvendo o problema com o stalker da Dr Tara, com um tiro na cabeça dele. Uow! E na sequência, depois de um breve silêncio entre os dois personagens e o corpo do stalker assassinado ainda deitado no chão do mesmo quarto e coberto de sangue, o casal resolve se acertar e acaba resolvendo tudo por ali mesmo, na própria cena do crime. Howbadassisthat? Höy!

Outro momento do casal que eu também gostaria de destacar foi a cena em que Jax faz a declaração de amor mais sincera, menos romântica e mesmo assim mais sensacional de todos os tempos, que foi quando ele despeja na cara dela com toda sinceridade, toda a sua raiva por mais uma vez ela estar querendo fugir da relação dos dois, dizendo que ele já esteve com centenas de mulheres, muitas mesmo e que ele nem se lembra da cara da maioria delas, porque enquanto ele esteve dentro de todas elas (Höy!), o único rosto que ele conseguia imaginar era o da Tara.

Pausa: howbadassisthat?

Essas duas cenas eu destaquei só para vocês sentirem um gostinho do nível da série, que circula sempre por esse caminho.

Agora chegamos ao chefe, ao cabeça dos Sons Of Anarchy, Clay Morrow (Ron Perlman). Hmm mmm, quando eu o vi pela primeira vez, tinha certeza que já o tinha visto em algum outro lugar, mas não conseguia me lembrar exatamente de onde. Até que, pesquisando imagens para o post, eu acabei descobrindo que ele é ninguém menos do que o Hellboy! O HellfuckingBoy! Tem como ser mais cool? Eu acho que não…

E o Opie hein? Até agora, ele é quem mais perdeu com essa história toda, não? Fico só pensando o que vai acontecer com a cabeça dele quando ele de fato perceber o quanto da sua vida ele já perdeu em nome do clube…

Aproveitando que estamos vivendo tempos violentos por aqui, eu acho que a série levanta muito bem essa questão da corrupção entre bandidos e mocinhos e também a questão de que alguns tratos são necessários para a sobrevivência de ambas as partes, infelizmente. Não que eu ache essa a melhor solução para esse tipo de problema, mas levantar esse tipo de questionamento nos aproxima um pouco mais e talvez nos faça entender melhor essa onda de violência que nos cerca. Nos faz pensar pelo menos…

A trilha é bem boa também, com rock mais pesado + coisas antigas e tem cara de trilha de meninos, rs. Aliás, a série tem cara de série de meninos, o que é bom também só para variar um pouquinho de cenários, rs.

Devorei os 13 eps da Season 1 em pouco tempo (mesmo com eps de 45 min em média) e uma coisa não me saía da cabeça enquanto eu assistia a série. A todo momento a lembrança de Sopranos antiga passava pela minha cabeça. Pois bem, arrisco sem medo em dizer que a partir da semana passada eu já tenho o meu novo SopranosSons Of Anarchy! E recomendo a todos vocês, badass ou bunda molões, rs.

Na américa antiga a série encerrou na semana passada a sua Season 3 e agora uma nova temporada só mesmo no ano que vem. Mas Paolo Torrento já me trouxe tudo e eu estou ansioso mil para devorar todos os eps das outras duas temporadas, que eu espero que continuem sendo tão sensacionais como essa Season 1. Série para comprar e colocar na prateleira especial, ao lado de Sopranos (o que não é para qualquer um hein?),  vai por mim!

Garanto que vocês vão ficar colados no sofá…

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4 Respostas to “Os filhos da anarquia antiga”

  1. Steffi de Castro Says:

    Eu gosto muito da série. E recomendo. Concordo com suas opiniões no que diz respeito à violência gratuita também.
    Só não achei legal como você escreveu o tópico. Crítica construtiva, ok? Pode ser o seu estilo, e nisso ninguém deve meter o bedelho. Mas acho que isso deve ser revisto porque o texto tem tantas gírias e tantas coisinhas faladas no dia-a-dia por adolescentes úteis desocupados na internet…
    “Höy!” “Me-do” .
    Se você é gay isso se explica. Sem ofensas ^^

    • Essy Says:

      Sons Of Anarchy é realmente uma série muito boa, altamente recomendada pelo Guilt.
      Tentando não ficar ofendido com o seu ponto de vista, eu devo dizer que todos nós somo tendenciosos e acabamos representando um pouco do universo em que vivemos.
      O seu comment me fez ler novamente o post, o que eu costumo fazer normalmente quando tenho tempo, e que sempre me ajuda a corrigir alguns erros e tmbm a notar os meus exageros.
      Mas o Guilt é mesmo um blog pessoal, cheio de opiniões pessoais sobre a minha visão sobre as coisas. Não sou escritor, jornalista ou um intelectual e não tenho pretensão de ser, mas posso garantir que tenho um pouco de cada um deles.
      Os vícios de linguagem, gírias, ou a linguagem informal do blog é exatamente a voz dele, mais ou menos como se eu estivesse falando com os meus amigos e não escrevendo, sabe?
      Faz parte da minha identidade, do meu estilo, como vc mesmo observou. Se é uma linguagem informal, “de um adolescente desocupado na internet’ ou uma linguagem “gay”, que assim seja, afinal a gente pode até falar de formas diferentes, mas o fundamento é o mesmo e no final, com algum esforço, a gente acaba se comunicando, como estamos fazendo agora por ex.
      E um ALELUIA, para a diversidade. Höy! (tmbm sem ofenças)

  2. A crise em família na Season 4 de Sons Of Anarchy « The Modern Guilt Says:

    […] história (que apesar de bad, poderiam ser bem piores, fikdik). Já passamos por três temporadas. Já vimos Jax sofrer lendo o diário do seu pai no passado, ele que foi o fundador dos Sons e ao mesmo tempo […]

  3. SAMCRO sob nova direção na Season 5 de Sons Of Anarchy « The Modern Guilt Says:

    […] para quem se animar, aqui estão as reviews das temporadas anteriores – Season 1 (que é a introdução da série), Season 2 (por sinal, uma temporada excelente), Season 3 (essa […]

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