Eu quero dividir minha lata de leite condensado com Mary e Max

Quando a solidão e a tristeza mostram a sua beleza em forma de uma amizade foufa e improvável. Talvez eu tenha acabado de assistir a animação mais encantadora de todos os tempos. Logo eu, que tmbm pertenço a geração Disney de animações, que cresci ouvindo histórias de contos de fadas, princesas e seus príncipes corajosos. Pouco tempo depois uma nova geração de animações ganhava o reforço inevitável da tecnologia e tmbm me conquistava com uma série de novos clássicos que foram surgindo ao longo dos anos.

Até que eu me deparo com a história do filme “Mary And Max”, uma produção australiana, despretensiosa, franca e profundamente sentimental. Impossível de não se apaixonar e impossível também de conter as lágrimas, fatão!

Mary em seu universo australiano em tons de marrom, que vem a ser a sua cor preferida, uma jovem menina de 8 anos, tímida, com uma marca de nascença tmbm marrom em sua testa, extremamente curiosa e sem amigos, onde a sua maior alegria é assistir ao seu progama preferido na tv, devorando uma lata de leite condensado ao lado do seu inseparável galo de estimação. Howcuteisthat?

Max, um senhor de quarenta e poucos anos, escondido em seu apartamento minúsculo em NY, em meio aos seus animais de estimação, tmbm muito tímido e que sofre da mesma ausência de amigos em sua vida, assim como Mary. Max tmbm é viciado em uma de suas receitas preferida e inventada por ele mesmo: cachorro quente de chocolate.

As coincidências entre as vidas dos dois não param por ai. Ambos são apaixonados pelo mesmo desenho de tv, colecionam os seus personagens, cada um do seu jeito (euri dos brinquedos criativos que ela mesmo fazia) e que descobrem toda essa semelhança a partir da brilhante idéia dela de se comunicar com outras pessoas do mundo.

Max é escolhido aleatoriamente pela garota e a partir de uma simples primeira carta, ambos passaram a se corresponder com freqüência. Conversavam sobre tudo, tudo mesmo, trocavam experiências, lembranças, além de Mary deixa-lo completamente desconfortável com suas perguntas.

A minha pergunta preferida é sobre o táxi: se um táxi andar para trás é o taxista quem tem que nos pagar? Ro-lei

Até o dia em que ela resolve perguntar algo sobre o amor para Max, que faz com que  ele tenha uma de suas maiores crises de ansiedade e acaba entrando em colapso, que é quando descobrimos que Max sofre da Síndrome de Asperger (algo recorrente nas produções americanas atuais e que eu sinto que vem daqui o fundamento hein?). E essa pergunta leva a dupla a uma longa pausa de 8 meses sem trocar uma simples correspondência.

E o filme é recheado de cenas lindas, cheias de sentimento, com diálogos sinceros de situações do cotidiano dos dois personagens, que apesar da grande diferença de idade e cultural, parecem em alguns momentos ser a mesma pessoa, dividindo o mesmo tipo de sofrimento e dúvidas.

A amizade entre os dois é tão inocente e verdadeira, que acaba durando por anos, onde Max enquanto envelhece, acompanha o crescimento de Mary até ela se tornar uma mulher casada, formada e de sucesso com sua tese que seria lançada em breve onde o assunto era a Síndrome de Asperger, e que foi baseada na experiência da relação dos dois (pausa dramática).

O que leva a história do filme para caminhos mais obscuros e com assuntos mais pesados que acontece a partir da grande briga entre os dois devido ao lançamento do livro, algo que não deixa Max nem um pouco feliz. Mostrando-se completamente indignado ao ver a sua história sendo contada para o mundo todo, Max não vê outra forma de demonstrar a sua fúria a não ser enviando para Mary a letra M da sua velha máquina de escrever. Quer uma atitude mais dramática do que essa? Cool, penso em entregar umas letras do meu teclado tmbm por ai, fikfik… (talvez eu tenha que passar a escrever ikdik, rs)

Ela por sua vez, profundamente triste por ter magoado o seu amigo com o seu próprio trabalho, resolve então não lançar mais a sua publicação, deixando de lado uma carreira de sucesso e entrando em um nível de depressão assustador, que acaba levando-a até a uma tentativa de suicídio, em uma cena linda com Mary se despedindo das fotos das pessoas que passaram por sua vida ao som de “Que Será Será”, tudo isso com a corda no pescoço e a boca cheia de Valium. Dra-má-ti-co!

Mas uma simples atitude do seu vizinho, que demorou 45 anos para toma-la, acaba evitando um final trágico para a sua vida.

Um filme um tanto quanto “sombrio” para crianças, mas tudo é tão real e contemporâneo, mesmo com o filme se passando entre os 70’s e os 80’s. E como tudo é tratado tão naturalmente, a história pode sim ser retratada como um filme infantil, do tipo que não infantiliza as crianças e prefere mostrar a realidade. Digno, muito digno.

Os assuntos abordados no filme, apesar de serem considerados pesados, são todos tratados dignamente e de forma simples e sutil, talvez por isso eu considere o filme como uma das melhores animações que eu já assisti em toda a minha vida. Além de toda a beleza e melancolia da historia é claro.

Como nada na vida é perfeito, ambos acabam passando por grandes decepções, fracassos e até algumas tragédias em suas vidas, até que se dão conta que a imperfeição não pode ser uma barreira para que eles se relacionem com outras pessoas. Até o marido de Mary no filme, o seu amor desde criança a abandona para viver um amor gay com o seu amigo e agora parceiro, com quem ele também se correspondeu por anos. Dra-ma neam? Mas ele bem que deixava uns fikdik ae no meio do caminho, Mary é quem foi tola…

E o anel do humor vcs lembram? Pois é, esse é um dos itens preferidos de Mary, do qual ela só se desfaz no enterro da sua mãe.

O filme termina de forma triste é claro, mas com o aguardado encontro entre Max e Mary, onde a garota cumpre a sua promessa de visita-lo em NY, dessa vez carregando o seu próprio filho, já adulta e encontra em seu apartamento o lindo registro daquela amizade de anos, que de certa forma alimentava e conduzia a vida daqueles dois por todos esses anos. Objetos, as cartas, o livro com as faces e as suas lágrimas, tudo estava ali, no apartamento de quem ela descobriu ser o seu grande e melhor amigo durante quase toda a sua vida. (glupt!)

E com a devolução da letra M à máquina de Max, ambos se despedem de vez dessa grande história de uma amizade sincera e pura. Chorei, chorei em vários momentos durante o filme e estou chorando até agora só de lembrar dessa história enquanto escrevo o post. Se esse post fosse escrito no tempo deles no filme, estaria certamente todo manchado.  E se vc não chorar tmbm ao assistir o filme, pode ter certeza que vc não passa de um pobre alma sem coração. (rs, mas é verdade hein? Hmm)

Não tenho o DVD ainda, mas o vi em um supermercado um dia desses, vcs acreditam? Completamente perdido no meio a todos os outros, fazendo um contraste óbvio com todo o seu PB brigando com as capas hipercoloridas das demais aninações.

Ahhhh, e a dublagem da Mary e do Max é feita por ninguém menos do que Toni Collete e Philip Seymour Hoffman, tsá?

Claro que eu vou compra-lo e digo mais, vai para a minha prateleira especial como o meu novo preferido. Filme pra comprar a edição especial, guardar para sempre e assistir um dia emocionado e cercado dos meus filhos, dividindo dessa vez a nossa lata de leite condensado e quem sabe comendo um cachorro quente de chocolate rs.

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6 Respostas to “Eu quero dividir minha lata de leite condensado com Mary e Max”

  1. Sofia Says:

    Assisti no fim de semana retrasado, no final um choro baixinho e um coração bem pequenininho. Belíssimo filme.

    • Essy Says:

      Foufo mil e um final pra lá de digno. As minhas partes preferidas são 2: o pote com as lágrimas dela e a letra “M” que ele envia, simbolizando o que ele sentia naquele momento.
      Fiquei emocionado o filme todo, fatão!

  2. Luciano Says:

    Essa semana, minha irmã comprou o DVD e me emprestou. No minuto que que acabei de assistir, em meio às lágrimas, mandei uma mensagem pelo celular dizendo que gostei bastante! E vou emprestar a amigos importantes, pois gosto de compartilhar coisas boas, e essa é uma obra-prima! 🙂

    • Essy Says:

      Desde que eu assisti (tem umas 2 semanas) tenho recomendado o filme com frequência tmbm para os amigos. Acho ótima a idéia de compartilhar
      DVD para comprar e assistir com os netos no futuro, rs

  3. A-c-h-e-e-e-i! « The Modern Guilt Says:

    […] até abrir uma lata de leite condensado para assistir essa delícia de […]

  4. Muito bem acompanhado nessas férias « The Modern Guilt Says:

    […] Mary and Max […]

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