O lado negro da força de Natalie Portman em Black Swan

Um filme em busca da perfeição. O clima é de suspense, muitas alucinações, algumas imagens distorcidas e grandes closes nos pés sofridos das bailarinas em movimentos que quase representam “tortura” para os demais, simples mortais.

A câmera convida vc para esse ballet, acompanhando os movimentos precisos dos bailarinos, flutuando sobre os seus corpos, em alguns momentos causando até alguma vertigem de tantos giros no ar. Delicioso!

O trabalho do diretor Darren Aronofsky é primoroso, ele que já havia me emocionado em “Requiem For A Dream” (que é um dos meus filmes preferidos ever!) e também em “The Wrestler”, me conquistou de vez com o seu enlouquecido e dramático “Black Swan”. O filme é focado em detalhes, a trilha que acompanha a dramaticidade da cena, tornando-se mais intensa nos momentos mais sombrios, causando um certo desconforto com os estalos no dedos daquele bailarinha de aparência frágil, pequena, mas que se transforma em um belo cisne gigante quando esta no palco.

O foco são os  opostos, o branco e o preto, é a dor, o ruído e a parte de suspense da trama fica por conta das alucinações da protagonista, que vai encontrando aos poucos o seu lado negro da força durante o filme.

A competição esta presente no filme o tempo todo, os olhares de inveja para a escolhida da vez, as fofocas e a luta daquelas meninas (que já não são mais tão meninas assim até) para se destacar em uma grande companhia de ballet. Nada muito diferente do que qualquer ambiente de trabalho até…

Natalie Portman vive Nina Sayers, que é uma das bailarinas mais disciplinadas e completas do grupo. Em casa, ele vive uma relação meio assim com a sua mãe, com quem divide o mesmo sonho de se tornar a primeira bailarina do grupo. Mãe essa que também foi uma bailarina, porém em sua época,  teve que abandonar os seus sonhos e carreira para ter sua filha e assim, aproveita a chance de se realizar com a carreira da sua filha. Típico! Em casa tudo é meio estranho, Nina vive praticamente presa nesso sonho de perfeição e é totalmente controlada por sua mãe. Até o quarto dela, que já tem 28 anos, parece o quarto de uma menina de 6 anos que sonha um dia se tornar uma grande bailarina. To-la!

E a transição da personagem entre o cisne branco (que é a sua zona de conforto na verdade) para o cisne negro (que é na verdade o seu lado reprimido e mais obscuro) é feita de forma espetacular pela atriz (Portman), que passa o filme todo dentro desse desconforto em descobrir o que ela esconde dentro dela mesma.

Tudo isso com a ajuda do Vincent Cassel na pele de Thomas,  que é o diretor do grupo e é o responsável pelo despertar do lado sombrio da bailarina. Típico papel do homem no poder, com seu apartamento “moderno”, P&B + cromo, que tenta se aproveitar das situações, que enxerga a possibilidade de se dar bem a quilômetros de distância. Na verdade, ele é um excelente “professor”, do tipo que busca o que há de melhor em cada um, profundamente. O problema é quando essa busca é bem sucedida, mas o seu aluno não sabe muito bem como lidar com “o seu melhor”, que é exatamente o que acontece no filme.

Winona Ryder tem uma pequena participação no longa (bem pequena na verdade) na pele da bailarina Beth,  que já esta velha demais para a posição de primeira bailarina e que acaba não lidando muito bem com essa sua nova realidade de “aposentada”. Achei que ela poderia ter aparecido mais no filme e achei também essa uma “brincadeira” quase que cruel para a sua realidade, prontofalei (embora ela ainda seja bem jovem…)

Ao poucos vamos descobrindo as estranheza do personagem de Natalie, o porque dos seus machucados nas costas (alguns arranhões) e as unhas tão curtas. O que ela pratica com ela mesmo é mais comum do que a gente pode pensar, essa auto-sabotagem que muitas a gente pratica de vez em quando com a gente mesmo, mas não com tanta intensidade como no filme (assim espero, rs).

Para completar, ainda temos Mila Kunis interpretando uma sedutora ameaça para Nina dentro do grupo. Muito mais descolada, solta na vida, ela encanta por onde passa e acaba entrando na cabeça da personagem principal, mais como um desejo se ser um dia assim do que qualquer outra coisa. Pura inveja eu diria. Talvez por isso as projeções e o ciúme fique tão evidente no filme, criando um certo climão entre a duas e confundindo a nossa cabeça.

A cena em que as duas estão na boate dançando, em vermelho e preto, foi uma das cenas mais sexys que eu assisti esse ano no cinema. Höy!

A coreografia do filme fica por conta de Benjamin Millepied (Höy!)  com quem Natalie vem sido vista frequentemente e que talvez seja o futuro pai dos seus filhos (e eu acho muito chic ter como boy magia o primeiro bailarino do ballet de NY). Ele que é o primeiro bailarino do ballet de NY, trabalha lindamente as coreografias do filme, como já era de se esperar. E além disse, ele também atua no filme (David) e é o princípe da montagem do Lado do Cisne. E ao ver os dois dançando juntos durante o filme vc passa a entender esse romance e até pensa: #TEMCOMONAOAMAR

A minha única critica em relação ao filme são algumas cenas da alucinação dela se transformando em cisne. A única que eu gostei foi aquela enquanto ela dançava e a medida que girava, ganhava novas penas. As demais eu achei dispensáveis, porntofalei.

O legal do filme é que o inconsciente da personagem principal é quem pratica tudo de ruim que acontece em sua vida. Tudo o que ela mais teme, o que mais a assusta é externizado em imagens assustadoras criadas por ela mesmo e que acabam se confundindo com a realidade, levando a primeira bailarina a beira da loucura.

O desconforto com o próprio corpo, a falta de intimidade com ela mesmo (explorada em uma cena sensacional!), a insegurança, inveja, tudo isso acaba colaborando para o destino final da personagem, que em busca da perfeição se revela capaz de tudo, inclusive deixar a sua vida imitar a arte.

O final é perfeito, como a protagonista mesmo diz no final do filme e nada me surpreende se Natalie Portman desbancar todas as outras e levar todos os prêmios em que ela for indicada pelo seu primoroso trabalho. Clap Clap Clap!

ps: os créditos também são sensacionais e vale a pena esperar até o fim…

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Uma resposta to “O lado negro da força de Natalie Portman em Black Swan”

  1. E agora, a 2ª edição do The Modern Guilt Awards 2010 « The Modern Guilt Says:

    […] cabeças com todas as suas camadas. E Toy Story 3, que me fez chorar igual criança no cinema. Black Sawn também entraria fácil nessa lista e talvez eu esteja esquecendo de vários outros tão bons […]

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