Somewhere, ou no meu caso Anywhere com Sofia Coppola

Um silencio encantador. E não é que Sofia Coppola conseguiu de novo? Com poucas palavras e uma fotografia simples mas de muito bom gosto, ela deixa mais uma vez a sua identidade marcada em seu 4º longa, o aguardado  “Somewhere”, que foi a minha escolha para começar o ano no cinema. E eu diria que foi um ótimo começo de ano viu?

O primeiros 15 minutos do filme são quase sem diálogos, apenas um mix de cenas do dia a dia um tanto quanto “boring” de um ator de Hollywood. Monotonia, rotina, tudo perde a graça quando repetido por muitas vezes, ainda mais quando vc não se diverte mais com o que esta fazendo, como todos nós já sabemos ou iremos descobrir um dia (fikdik).

E essa parece ser a realidade do personagem Johnny Marco (Stephen Dorff), que mesmo envolto a toda aquela reliadade inquieta e sedutora de Hollywood, parece não se divertir tanto quanto a gente imagina que se divertiria no lugar dele (pelo menos eu sempre me imagino no lugar dos personagens, fatão!). O filme já começa com uma cena de mais ou menos 2 min, onde um carro gira em circulos em alta velocidade, repetidamente. Talvez, uma maneira sútil de Sofia ilustrar um homem girando em torno dele mesmo, sem destino ou sem ter onde chegar, o que é mais triste ainda.

Visivelmente cansado da sua vida, nem a sensacional pole dance sincronizada das gêmeas loiras ao som de “My Hero” do Foo Fighters” ou “One Thing” da Amerie parece anima-lo, humpf!

Até que todo esse silêncio é quebrado com a chegada de sua filha, Cleo (Elle Fanning), que é uma foufurice só. Ao contrário do que eu imaginava para o filme, os dois já tinham um passado juntos como pai e filha, mas a sensação que vc tem é que mesmo com esse passado, ambos estão se descobrindo, se conhecendo.

Elle Fanning me pareceu tão encantadora e angelical, quantos as “Virgens Suicidas” de Sofia do passado, mas dessa vez sem o status sedutor do outro filme. Embora o longa não tenha grandes diálogos ou cenas mais “pesadas”, ela carrega o trabalho no carisma e no charme escondido por sua timidez. E como ela apareceu maravileeeandra para acompanhar o pai na festa da tv italiana hein?

E por falar em Itália, que quarto de hotel era aquele? SONHO!

A sequência ao som the “I’ll try anything once” dos Strokes é pura foufurice e a forma como a diretora escolheu usar algumas músicas para ilustrar o filme, tocando elas do começo ao fim (como no caso dessa cena),  foi simplesmente brilhante!

Stephen Dorff, embora passe boa parte do filme entediado e com uma tristeza profunda em seu olhar, continua garantindo o seu lugar como boy magia que foi no passado (Höy!), mesmo não estando em sua melhor forma física (acho que até de propósito viu?) e interpretando um ator decadente e infeliz com o rumo da sua vida. Mas nada caricata, a decadência aqui é elegante, chic e nem um pouco apelativa. Até mesmo naquela cena em que ele esta visivelmente constrangido durante a entrega de prêmios da tv italiana.

Mania de perseguição, sms exóticos de números restritos que ele recebe o tempo todo, colaboram para a formação do seu personagem. E um amor incondicional (coisa de pai e mãe sabe?), que ele mantém com a sua filha, onde é visível a admiração e carinho que ele tem por ela.

Por exemplo quando Cleo esta praticando lindamente  patinação no gelo (ala Pepermint Patty, que eu adoro e já falei tanto por aqui e algo me diz que Sofia também deve gostar) ao som de “Cool” da Gwen Stefani e ele fica babando como qualquer pai babão ficaria, morrendo de orgulho de sua cria. Foufo mil!

As cenas do cotidiano são sensacionais e as minhas preferidas no filme, como quando ele esta tomando banho com cuidado para não molhar o seu gesso no braço, ou quando estão tirando um molde da sua cabeça para um trabalho como ator. Situações simples do dia a dia e da vida de um ator, que poucas vezes são retratadas tão honestamente no cinema ou na tv. Porque cá entre nós, deve ser um saco ter que fazer esse tipo de trabalho (o do molde), mesmo vc recebendo um cheque bem gordo no final do dia neam?

Outra cena que eu achei brilhantemente retratada e de uma forma tão simples, foi a cena com a coletiva de imprensa. Perguntas estúpidas, óbvias demais, um idioma que vc não domina, um ou outro que tenta parecer bem inteligente durante a coletiva de imprensa e vão todos, um a um recebendo de volta o sorriso forçado do ator, ou respostas monossilábicas de quem parece estar muito entediado com aquela situação tão comum em sua carreira. Mais uma vez a honestidade de Sofia aparece com diretora e talvez por isso, mesmo sendo um detalhe tão simples,  faça de  Sofia Coppola uma jovem diretora de talento que se destaca dos demais de sua geração. Clap Clap Clap!

A trilha dessa vez, mesmo tendo a contribuição pra lá de especial dos meninos do Phoenix, que é delicosa, conta também com algumas músicas pop, o que eu achei bem chic e inesperado.

O terceiro personagem dessa história é mesmo o Chateau Marmount com todo o seu charme e clima “cozzy” , que tem uma simplicidade encantadora, transformando-se facilmente em uma extensão de sua casa por exemplo, além de já ser bem famoso por sua histórias impublicáveis de festas privates de rockstars e artistas de Hollywood por seus corredores e sacadas. Realmente um lugar encantador que o filme vai te despertar a vontade de conhecer. Pelo menos em mim despertou. Penso até em ligar lá e reservar o quarto 59 para as minhas próximas férias, rs.

O filme fala basicamente da falta de apego, dessas relações distantes que nós insistimos em manter por algum motivo e também dessa falta de compromisso com a nossa própria vida. Todo mundo trabalha, conquista algumas coisas, algumas pessoas, mas no final, será que estamos no caminho certo?

Bom, se esse caminho parecer triste e solitário como no filme e essas relacões distantes não forem mais o suficiente, talvez seja mesmo a hora de fazer como no filme e procurar uma nova estrada para o seu  destino. Boa sorte!

O filme é reflexivo e leve ao mesmo tempo, faz pensar mas não cansa sabe? O  que eu achei ótimo, além de muito charmoso. E a assinatura de um Coppola já deve a essa altura garantir pelo menos alguma coisa a todos nós, não?

Para assistir no cinema, depois comprar o DVD e colocar na prateleira especial ao lado dos outro 3 grandes filmes de Sofia.

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5 Respostas to “Somewhere, ou no meu caso Anywhere com Sofia Coppola”

  1. Mônica Says:

    Ahhh, meu primeiro filme do ano também!
    Estou apaixonada pelo filme até agora! Amo a Sofia ainda mais!!
    E a Elle Fanning é FOFA!
    Beijo

    • Essy Says:

      Excelente começo para nós dois então hein? Filme do tipo que da vontade de assistir de novo logo que acaba, fatão!
      Elle Fanning patinadora ao som de “Cool” foi demais! E que foufura de menina não? Aliás, Sofia tem um dedo bom para casting de garotas talentosas.
      Vejo um futuro sensacional para as duas (Elle + Sofia). E ele tmbm merecia um papel melhor no cinema e até que enfim conseguiu.
      Filme para assistir e ficar encantado!!!

  2. Mônica Says:

    Sim, excelente!
    Nossa, a cena da patinação foi linda demais, Cool é uma das minhas músicas favoritas ever (e o clipe então!?)!
    Ah, e tenho uma super queda pelo Stephen Dorff desde que ele tirou a Britney da banheira: http://www.youtube.com/watch?v=fRHAXSRcSH0
    E o amigo dele que fazia Jackass? Ro-lei de rir quando ele diz que a professora de balé da Cleo deve ser alcoólatra! A cara dela é a melhor…
    Não sei se já viu esse link, mas check it out (você vai amar): http://www.scsomewhere.com/
    Beijo!!!

    • Essy Says:

      Linda mesmo e com a trilha ainda? Ficou perfeita. Amo Cool tmbm e o clipe eu tmbm acho ótimo. Aliás, AMO a Gwen!
      Stephen Dorff é boy magia antigo mesmo, lembro dele em Blade e tmbm em alguns filmes meio assim eu acho… Vi lá no IMDB que até em Blossom ele fez um ponta. Howcoolisthat?
      Everytime da Brit tmbm é ótimo e bem dramático. Acho que e ele faz bem esse lado mais bad boy neam?
      E eu senti que a Sofia escolheu ele por algum tipo de amor platônico de quando ela era mais jovem. Mas fiquei bem feliz com a escolha, achei merecido (no meu caso, eu teria escolhido o Scott Speedman, rs)
      Achei ótima a piada da professora e me surpreendi com ele no elenco.
      Já tinha visto o site, que é sensacional e o melhor são as legendas das fotos, com histórias impagáveis! Além de fotos lindas dos bastidores! (adoro aquela com a perna da stripper em primeiro plano e o Stephen de fundo)
      Ai ai, Sofia é mesmo muito cool não? AMO

  3. Easy A+ « The Modern Guilt Says:

    […] o cinema, a escolha foi “Somewhere” da Sofia Coppola, que eu já falei para vcs aqui, e de onde eu busquei um pouco desse olhar mais minimalista e silêncioso que o filme representou […]

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