O grande “C” da questão

Só mesmo uma série muito boa poderia fazer piada sobre um assunto tão sério.

E The Big C cumpre brilhantemente esse papel, nos apresentando mais uma das comédias mais deliciosas da temporada, com a diferença de que aqui, a sentença de morte da personagem principal nos é apresentada logo de cara.

Sim, Cathy (Laura Linney) é um mulher de 40 e poucos anos, que vive a sua vida quase perfeita no suburbio, em sua casa grande com marido e filho. Até que, ela descobre que esta com câncer, uma melanoma em estágio 4. Dra-ma!

Como se encontra em um estágio avançado da doença, Cathy decide não contar para ninguém, mas também não quer enfrentar nenhum tratamento e decide arrumar o que ela acha que não esta tão bem em  sua vida enquanto há tempo.

Ela percebe que a sua vida não é tão perfeita assim, com um marido que mais parece uma criança crescida, um filho de 14 anos que esta pretes a se tornar uma pessoa horrorosa, um irmão sem teto radical que vive nas ruas da sua cidade e a sua casa, que nem é tão grande assim e que ainda falta o seu grande sonho no quintal: uma piscina.

A partir disso, ela começa a direcionar um novo rumo para a sua vida, se “separa” do marido, começa a experimentar coisas novas, se dispõe a conhecer melhor as pessoas a sua volta e enxerga que ainda existe alguma esperança de salvar o seu filho de se tornar uma pessoa horrível. É claro que com toda essa impulsividade que ela passa a ter depois de ser diagnosticada nos faz ter a impressão de que ela esta meio perdida, mas ai vc pensa: e quem não ficaria? A única certeza que ela parece ter nesse momento é a de querer ser mais feliz e as sua tentativas em busca de meta nos garante a dose de diversão da série.

Apesar de ser uma comédia e com ótimos momentos de diversão, The Big C também se completa com o drama da questão, de saber que Cathy, sem tratamento, terá cada vez menos tempo de vida. Pelo menos eu pensava nisso a cada episódio, a medida em que passava a me apegar a sua personagem.

O irmão Sean (John Benjamin Hickey), sem teto e que se recusa a viver “the american dream” é um dos meus personagens preferidos. Sujo, vive comendo resto dos lixos, mora nas ruas, vive de doações e é o reponsável pela reciclagem do lixo da irmã, a qual ele condena o modo de vida e joga isso na cara dela o tempo todo. Uma delicia as mensagens ambientais/políticas/sociais escondidas no texto dele, algo muito inteligente e que não fica com cara de “certinho” ou tão politicamente correto assim.

Gabourey Sidibe também esta sensacional na pele da aluna espertona da classe de Cathy (já disse que ela é professora?). Outro personagem que busca o humor em sua condição, também bem inteligente. Diferente do seu drama em “Precious”, aqui ela vive Andrea e nesse caso ela é apenas alguém que precisa de um incentivo, rs.

Paul é o marido (Oliver Platt), que mas uma vez reforça o clichê do marido meio caído com a mulher gostosona do pedaço. Típico. Mas com o tempo vc passa a amar esse homem de alma infantil que tem um carisma absurdo e mesmo com tudo que a sua “ex espoda” apronta, ele continua  complemente apaixonado por ela (um tanto quanto compreensivo demais até…). A cena em que ele invade a sala de aula com uma máquina de cortar cabelo é hilária e até disso eles conseguem tirar uma piada inteligente.

Adam , filho do casal (Gabriel Basso) eu acho meio pé no saco demais, desde o começo. Mas  no piloto, aquela vingança que a mãe apronta com ele é sensacional. Os meus futuros filhos que nem se atrevam a brincar daquele jeito comigo que eu já tenho referência de como agir hein? Fikdik para o futuro.

Não entendi muito bem como ele não ficou nem um pouco  traumatizado quando a sua vizinha se suicidou (talvez ele ainda estivesse em “choque”?), pouco tempo antes de ter tentado mata-lo (blame Alzheimer) e também achei que o seu pai reagiu muito bem com todo esse drama na vizinhança (ainda mais depois do que ele disse para Marlene, pouco tempo antes dela se matar). Depois tivemos o casal contando para o filho sobre a realidade de sua mãe e ele não demonstrando grandes emoções. Mas a cena em que ele encontra a chave da garagem, onde esta o seu presente de aniversário para quando ele fizer 30 anos (que nós já vimos Cathy preparar lá no começo da série) e que para a nossa surpresa, lá não se encontra mais apenas esse presente e sim várias outras caixas que ela deixou para o garoto comemorar cada ano, cada data importante da sua vida e que provavelmente ela não vai poder estar por perto (glupt), por mais clichê que possa ter sido, me fez chorar de verdade. E nesse momento, nem ele e o seu coração gelado de adolescente tolo resistiram. Até que enfim!

Marlene (Phyllis Somerville) , a vizinha mais velha e pé no saco que com o tempo acaba virando a melhor amiga de Cathy e é a única que sabe da sua doença, também é muito boa. Uma pena o seu final trágico e com certeza vamos sentir falta da sua personagem, empolgada com os pirulitos exóticos do “clube das mulheres”, rs. Mas a continuação da sua história também foi muito boa. Comovente aquele final com o mural de imagens para bons pensamentos da Cathy, no teto do seu quarto (que foi uma idéia do Paul, uma linda idéia na verdade), com a foto da amiga completando as imagens em sua “árvore” de bons pensamentos. Outra cena linda da série que me deixou bem emocionado.

E é claro que como toda boa série precisa de um boy magia, temos o médico de Cathy, o Dr Todd (Reid Scott, Höy!) para preencher esse espaço. Desde o começo, existe algo mais no ar entre os dois, algo além da relação médico e paciente, mas achei bem digna a reação dela quando descobre as intenções do moço. Sem drama, dois adultos lidando muito bem com o problema e a frase “vc tem que escolher a garota que vai sobreviver” foi de cortar o coração. Mas todos nós entendemos a magia de um Dr. neam? (tisc tisc) E desde o começo tem um climão entre os dois…mas eu prefiro que eles continuem apenas bons amigos. (ou friends with benefits, talvez? rs)

Além de todos esses personagens deliciosos, ainda temos a volta da Cynthia Nixon à tv, encarnado Rebecca,  uma das melhores amigas de Cathy dos velhos tempos da faculdade e que acaba se envolvendo com o seu irmão, de quem ela engravida.

E isso é o que eu gosto na série. Embora tenhamos uma protagonista excelente, completa e que rouba a cena, ainda temos todos os outros personagens menores, que também são muito bons. Não consigo gostar de uma série de um homem só por exemplo…

Todas as presepadas em que Cathy se mete tentando recuperar o tempo perdido em sua vida são muito divertidas. A depilação, o carro novo, o tratamento mais rígido que ela aplica no seu filho, o resgate da lagosta, o tratamento com abelhas, o caso com o pintor, o primeiro extasy, os diálogos sinceros com o médico, a aula de educação sexual para o seu filho, tudo é muito bem humorado e o melhor de tudo são as suas próprias piadas sobre a doença. Um humor negro, mas de muito bom gosto eu diria.

A série é bem leve, embora o tema seja pesado para alguns, mas funciona também como uma alternativa para quem vive uma história parecida (ou que apenas tem um grande problema qualquer). Tão leve quanto aquele delicioso mergulho de Cathy na abertura da série, que toda vez  me da vontade de nadar  ao som da música de abertura, fatão. (e lá esta o fundamento do verde azulado + vermelho do qual eu tanto falei durante o ano passado, fikdik)

Só achei que ela demoraria um pouco mais para revelar a sua doença para a família, ou que começaria o tratamento mais tarde, mas entendo que precisamos encorajar os telespectadores e que cá entre nós, Cathy não é um exemplo perfeito a ser seguido em um caso como esse, mas mesmo assim não deixa de ser um ótimo exemplo. Mas isso acontece logo no Season Finale e agora teremos que aguardar até a Season 2 para acompanhar mais um pouco da vida dessa mulher encantadora.

Série curteeenha, 13 eps apenas, com mais ou menos 28 min cada, que da para vc devorar em pouco tempo. Emociona sem apelar, é engraçado sem exagerar. Mais do que recomendado!!! (meus novos 28 min preferidos na tv, rs)

Lembrando que o Showtime em sua leva mais recente já nos deu:

  • Tara (United States Of Tara)
  • Jackie (Nurse Jackie)
  • E agora  eu incluiria Cathy nessa lista hein?

Parece mesmo que eles estão se especializando em grandes mulheres, não?

Vejo vcs na Season 2… será que até lá, Cathy vai finalmente conseguir a sua piscina? Ou vai continuar com aquele buraco enorme no jardim? Hein?

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