My castle, my rules – O emocionado discurso do Rei

Um discurso emocionado e quase sufocante. “The Kings Speech” do diretor Tom Hooper, é o tipo de filme que é um prato cheio para o ator principal, feito para levar todos os prêmios possíveis, uma vez que em boas mãos. E esse certamente é o caso do Colin Firth, que vive lindamente o Duque de York, que mais tarde vem a se transformar no Rei George VI.

Uma interptetação linda de se ver, na medida, sem caricatura ou exageros. Como telespectador e apaixonado por cinema (que é um curso que eu adoraria fazer um dia e talvez acabe fazendo mais tarde na minha vida), fico imaginando como deve ter sido exaustiva essa experiência para o ele (Colin) como ator.

Aquela câmera em close, quase que o tempo todo, em um plano bem fechado e capaz de pegar os mais minunciosos detalhes, não deve ser nada agradável de se fazer. Mesmo com o resultado primoroso que temos no filme.

Como trata-se de um filme de época, os cenários, o figurino e os objetos de cena são um show a parte. Tudo no seu devido lugar e o contraste entre o rico e o pobre. Como no “consultório” de Lionel (Geoffrey Rush), com as paredes descascadas e suas camadas formando uma textura deliciosa, do tipo que da vontade de tocar. E aquele sofá lindo, meio acabado e muito abaixo do que se espera para receber um Rei, mas que mesmo assim possui o seu charme. E o tom azulado que preenche o filme com uma beleza melancólica, em cenários, planos de fundo ou até mesmo no figurino (como em um dos vestidos que a Helena Bonham Carter usa em uma cena dentro do carro, maravileeeandro!), que aparece para quebrar o que se espera do cinza da fria Inlgaterra. Cool!

Colin Firth empresta a sua doçura ao Duque de York, um homem contido, tímido e visivelmente desconfortável. É claro que ele vem de uma família real fria e com isso, os daddy issues vão aparecendo ao longo do filme, além do seu maior pesadelo que é a sua gagueira. Nada óbvia, mas uma gagueira de nervoso, desconforto, sem trejeitos óbvios ou algo parecido.

Desde o começo, fica bem claro que ele não tem a menor vontade de ser nobre, ou de herdar o poder do seu pai (Rei George V). Ele parece muito mais confortável em seu papel de homem de família comum, pai de duas filhas, vivendo o seu casamento feliz com a sua esposa Elizabeth, vivida pela atriz Helena Bonham Carter.

Sou muito fã do trabalho dela e acho que ela nasceu para ser rainha. Mas acho o seu papel pequeno demais no filme, de pouca importância para a história,mesmo tratando-se da Rainha Elizabeth e por isso, talvez eu esteja cometendo um crime contra os meus princípios, mas preciso dizer que achei um certo exagero a sua indicação ao Oscar por esse papel, sorry. Não me espanto se ela levar, pq afinal, a Academia deve essa pra ela já faz tempo, mas sinceramente o seu papel esta mais para coadjuvante nesse caso.

Enfim, em busca da cura para o seu problema, que o impede de falar em público para grandes multidões e tendo essa necessidade cada vez mais presente em sua vida, com a chegada da mídia a corte (transmissões de rádio ao vivo para todo o país), ele acaba que por sugestão de sua esposa (e essa foi a única importância do seu personagem para o filme) visitando uma espécie de fonoaudiólogo/terapeuta (que na verdade não passa de um ator decadente), que é o Lionel Logue, interpretado de forma encantadora pelo ator Geoffrey Rush.

Esse sim eu considero um injustiçado, ainda mais pelo tamanho do seu papel e significância para a história (embora eu não tenha visto o filme do Christian Bale ainda…)

E as sessões de terapia são divertidíssimas, com direito a um membro da família real rolando pelo chão da sua sala, ou até mesmo gritando palavrões compulsivamente. Divertidíssimo! E o clima entre os dois, é de provocação o tempo todo, funcionando como uma espécie terapia alternativa.

Com o tempo e a sua convivência com Bertie (que é o seu apelido para o cliente real), ele acaba enxergando naquele homem um lider honesto, de principios, um verdadeiro Rei. Convence-lo disso não é nada fácil, o que acaba levando os dois a um rompimento nessa relação Dr e paciente. Dra-ma!

Achei bem  digna a postura do irmão (que é o boy magia real), até então o escolhido para ser Rei, que prefere viver o amor da sua vida, ao contrário de se entregar as regras da sociedade careta daquela época (e se bobear até hoje).

Percebi tmbm alguns takes bem modernos do diretor durante o filme, como na cena da posse, onde a câmera esta em um ângulo de baixo para cima, mantendo os ricos detalhes do teto do palácio. E também um outro take, esse de cima, revelando os corredores do palácio em uma fotografia inesperada e linda. Cool!

Muito boa também foi aquela cena do Rei e Rainha indo até a humilde casa do terapeuta, para fazer as pazes e convida-lo a continuar o tratamento, que depois da posse passa a ser indispensável. Imagina se eu, estou na minha humilde casa e de repente, o princípe Harry me resolve aparecer com toda a sua ruivisse aqui em casa? Cataploft (o som do meu corpo duro atingindo o chão)

Embora o filme seja dramático, os pontos de comédia fazem toda a diferença na trama. Mas uma comédia inteligente, como Lionel sentado no trono da cerimônia de posse, algo inimaginável para uma plebeu. E vc, se tivesse a chance não faria o mesmo? Aposto que sim, e ainda tiraria uma foto com o seu iPhone, euri.

O final é emocionado, temos um Rei quebrando o protocolo e se aproximando ainda mais da imagem de um homem comum e reconhecendo a importância da companhia de Lionel em sua vida, mesmo não sendo “diplomado” (e quem disse que é necessário tem diploma para ter sabedoria, hein?). O prometido discurso do rei, como anuncia o título, fica para o final, em uma emocionada cena onde o brilhantismo e a delicadeza de Colin roubam a cena, em um close maior ainda do que em todo o resto do filme, com o Rei vencendo o seu maior desafio de encarar a sociedade de frente, de perto. E com a companhia daquele que se torna o seu amigo para toda a vida, anunciando para todo o pais que a Guerra esta declarada contra a Alemanha de Hitler. Emocionante!

Os americanos dizem que não, mas são sim preconceituosos com relação aos ingleses. Mas também adoram um filme de época. Se bem que, esse não é exatamente um filme de época. Hmm mmm

Ano passado o Colin Firth chegou perto de ganhar o seu merecido Oscar por “A Single Man”, que é outro filme maravileeeandro e altamente recomendado pelo Guilt, mas acabou perdendo para o Jeff Bridges, por “Crazy Heart”. Esse ano, de novo, ambos estão concorrendo na categoria de melhor ator, Colin vivendo um rei inglês e Jeff um cowboy típico americano. Mas nada mais  justo que dessa vez a vitória seja do Colin, que sinceramente, fez por merecer com o seu impecável Rei George VI.

Como o Guilt não confia em nenhuma premiação, com medo de que mais uma injustiça seja confirmada esse ano, vou dar eu mesmo o Oscar de Melhor Ator de 2011 para ele, Colin Firth, o eterno boy magia da Bridget Jones.

Segura que esse Oscar é seu Colin Firth. Clap Clap Clap!

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