Dior guardando a emoção para o final do seu desfile/velório Fall 2011

Climão de velório, nenhuma celebridade do momento implorando por um convite para a primeira fila, algo provavelmente para evitar a associação de imagem com o constraginmento total que John Galliano causou na última semama, envolvendo os seus comentários inaceitáveis de antissemistismo.

Um comportamento apropriado para uma marca tão importante quanto a Dior, que tomou a decisão certa demitindo imediatamente o estilista após a divulgação do tal video, onde ele encerra a sua carreira da pior maneira possível. Sem grandes protestos e apenas com um discurso sincero antes do desfile feito pelo seu CEO, a Dior coloca na passarela a sua última coleção, ainda sobre os cuidados do estilista. E o olhar baixo das modelos na entrada final revelavam um certo constrangimento que estava no ar…

Antes do video ser revelado, fiquei com medo de que o mundo estivesse cometendo uma grande injustiça com um dos maiores nomes da moda do nosso tempo. Depois do video achei mais do que necessário comentar o fato e achei também o climão de velório do desfile da Dior bem apropriado, estava na hora de aceitar os fatos. Enterrado vivo, existe algo mais terrível? Me-do

Fico triste e me sinto extremamente incomodado depois de tudo que aconteceu na última semana, principalmente quando escuto uma modelo dizer “mas ele sempre foi um doce comigo e também ele estava visivelmente alterado neam?” ou quando uma das maiores editoras de moda do nosso tempo diz “que os jovens e os seus gadgets ajudaram a arruinar a carreira do estilista”. Acho quase inaceitável alguém ainda tentar justificar esse erro grotesco com qualquer tipo de argumento, ainda mais se for desse tipo.

Galliano não foi vítima da modernidade e nem de um vício qualquer e sim, foi vítima da sua ignorância. Todo mundo sabe, que não é de hoje que o alcool é usado como combustível para deixar as pessoas menos inibidas, corajosas para ser (fazer, dizer)  aquilo que elas realmente são. No caso de John Galliano e o seu comentário anti-semita, isso só ajudou a provar que o gênio na verdade, não era tão genial assim.

Tão pouco foi vítima da modernidade e da velocidade da informação dos tempos atuais. Sorte nossa que em nosso tempo, temos a possibilidade de registrar algo desse tipo e revelar para o mundo o quanto a ignorância ainda faz parte da nossa realidade. Caso contrário, seria apenas mais um daqueles absurdos que vc ouve sentado na mesa do bar e que em outros tempos, acabaria passando desapercebido.

Sinto vergonha de saber que ainda há quem pensa assim, tanto quanto Galliano e seu discurso despresivo, quanto com a justificativa da tal editora, que além de também ser inaceitável, só revela a sua idade e a dificulade que as pessoas de mais velhas sentem quando precisam enfrentar as novas tecnologias. É claro que tudo em sua devida proporção.

Vivemos nos decepcionando com as pessoas e isso não é nada agradável (eu detesto passar por esse tipo de situação, humpf!), mas antes descobrir a verdade do que passar uma vida inteira enganado, não?

De qualquer forma, achei que foi um momento importante para a gente parar e começar a repensar quem são os nossos ídolos, ou se nós os conhecemos tão bem assim, a ponto de nos tornarmos fãs de seu trabalho. E não há genialidade ou tão pouco importância para o mundo da moda que resista a tamanha ignorância.

Mas, tentando se redimir com o público, a Dior que em nada teve culpa do comportamento inaceitável de Galliano, resolveu encerrar o seu desfile climão de Fall 2011 dessa forma:

Com quem realmente importa em uma marca: toda a sua equipe entre o pessoal da criação, design, costureiras, enfim, todos vestidos de branco, para mostrar que a genialidade da marca não pode ser creditada apenas a um nome.

Nome esse que a essa altura, perdeu toda a sua importância e encerra a sua carreira de forma vergonhosa. Tenho certeza que o mundo da moda vai fazer questão de superar essa perda. Uma triste perda, tanto por sua história, quanto pelo motivo.

A equipe foi aplaudida de pé, inclusive pela Anna Wintour que estava presente, causando uma verdadeira comoção ao final do desfile. Uma forma de homenagear a marca e quem trabalha por ela, que vai muito além do nome do estilista mais conhecido e que quase sempre acaba recebendo todo o crédito pelo trabalho. Algo também para se repensar…

E quem disse que o mundo da moda é apenas um mundo de futilidades, hein?

Clap Clap Clap!

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8 Respostas to “Dior guardando a emoção para o final do seu desfile/velório Fall 2011”

  1. Francine Barbosa Says:

    Sem querer comparar antissemitismo com sonegação de impostos, mas você não acha que a imprensa de moda brasileira deveria ser mais rigorosa com a Daslu também?
    Todo mundo aqui criticou o Galliano (com razão) mas sempre vejo notas simpáticas sobre a Eliana Tranchesi em todos os veículos. E oi? sonegar impostos (ainda mais num país com tantos problemas como o Brasil) não é nada bonito.
    Pra mim essa mulher deveria ir pro limbo e não voltar mais.

    Ah, e adoro o blog, parabéns!

    • Essy Says:

      Acho sim, me parece sempre que a imprensa de moda prefere não se meter nessa briga de cachorro grande, o que eu acho uma atitude bem covarde. Mas que na verdade tem um fundamento de business por trás de tudo e o dinheiro acaba falando mais alto.
      Detalhe que eles acabaram de vender a Daslu por 200 bilhões de zilhões de dólares.
      Eu sempre tive um pé atrás ali, além de valorizar muito mais o meu rico dinheireeenho é claro. Sempre tive medo de comprar algo bem caro e que na verdade veio direto de Chinatown, rs. Vai saber neam?
      Vai que eu compro uma pele de ricah e no final ela “mia”? Me-do! (jamais compraria uma pele…)

      Nesse caso a imprensa americana é bem mais corajosa…todas lembram do caso Martha Stewart, não? JAIL!

      Thnks querida! Mesmo quando eu falo sério, me divirto fazendo o Guilt

  2. Anna Says:

    Entendo seu ponto de vista, mas não concordo, pois acho que ele tem o direito de gostar de quem ele quiser, seja Hitler, o diabo ou Luã Santana. Assim como nós queremos esse direito. Vi que as pessoas que pregam tanto sobre liberdades individuais, condenaram o cara sem um julgamento oficial.
    Não sei se você é judeu (e se for, POR FAVOR não leve para o lado pessoal pq não estou aqui pra agredir ninguém e vou falar de algo particular) mas acho um saaaaaaaco esse marketing do Holocauso. Não desmereço o que houve e nem generalizo as pessoas pq vivo nesse meio e amo muitos deles e pq acredito que cada um é o que é independente de sua origem. Mas, se você falar algo de um judeu automaticamente virou nazista, porco, imundo, preconceituoso e assassino. Porém, quando um rabino não aceita um casamento entre judeu e uma católica, cumprimenta todos da casa e pula a moça católica, não lhe dirige a palavra, não cita seu nome, não reconhece seus filhos como judeus e os trata com muita diferença dos primos considerados pelo rabino como judeus ‘puros’, aí é tradição, não é agressão nem preconceito (isso é algo que eu vivo e citei apenas como exemplo da minha indignação pela diferença de peso das atitudes quando se muda de lado) Tudo tem dois pesos e duas medidas quando o assunto é esse. Por que o mundo não se manifesta com a mesma revolta quando a comunidade judaica proíbe o casamento da Bar Refaeli com o Leonardo di Caprio?? Não é um preconceito nojento, inadmissível nos dias de hoje??
    Mas, voltando ao Galliano, e a oriental que foi vítima também?? Ninguém fala sobre preconceito contra orientais… Ah, mas é pq o Japão pertencia ao Eixo, aí pode??? (Nem sei se ela é japonesa, pois nem se fala da pessoa). E o que desencadeou tudo isso? Ser chamado de gay perde a gravidade se vc responder chamando de judeu sujo então? O preconceito é medido por níveis?
    Por favor, não entenda que estou defendendo a atitude do Galliano, não é isso. Acho que qualquer agressão é desnecessária, porém, acho que preconceito têm o mesmo peso independente de tema. Acho tbm exagerada a condenação da mídia. Senti um ar de satisfação do pessoal da moda por ver um gênio sendo escorraçado. Acho um absurdo nós determinarmos de quem ele pode gostar, até pq ele não esta matando judeus nem comendo criancinhas, ele está vestindo lindamente todas as judias, orientais, negras, brancas, gordas, magras que têm $ pra usar um Dior.
    Entendo a atitude da Dior, mas não acredito que em 14 anos ninguém da casa conhecia esse lado ‘nazi’ do Galliano. Me parece um caso de pais que quando o filho faz algo na rua que alguém não gosta é punido, no entando, esses pais passam anos vendo o filho fazer a mesma coisa dentro de casa e ignoram ou dão risada. Acho que a Dior só tomou essa decisão por causa da $ das judias.
    Também gostaria de saber quantos daqueles que aplaudiram em pé no final, podem bater no peito e dizer: não falo de ninguém, não debocho de ninguém, não solto comentários preconceituosos entre amigos, não faço besteira quando bebo, não sou arrogante, prepotente e só desejo a paz mundial. Eu não teria a menor moral de estar lá, pq debocho das periguetes, das vulgares, das que usam batom snob, das que usam silicone pro lado de fora da roupa, das gatas que tiram foto mandando beijinho e em pose xícara, enfim, estou bem longe de ser uma Madre Tereza, pelo contrário, sou super ácida e sarcástica.
    Acho tudo bem hipocrita, sabe.
    Não acredito que a carreira dele tenha acabado. As pessoas visivelmente abaladas gostavam de trabalhar com ele, o que me parece controverso que um ‘nojento, preconceituoso, bla, bla, bla’ seja tão querido no seu meio.

    Mais uma vez, espero que não seja interpretada como defensora do que Galliano fez, o que mais me chocou nisso tudo foi a condenação instantânea das pessoas sem que desse chance dele se explicar, pois qualquer coisa que falasse não seria aceita em função do tema, e não do ato. o que eu acho muito mais perigoso, pois valorizar alguém ou algo em demasia, tbm é uma forma de segregar e cegar.

    • Essy Says:

      Acho mil coisas do seu comment e a mais importante nesse momento pra mim é que o Guilt tem leitores inteligentes e sendo bem egoísta, nesse momento isso me deixa feliz. rs
      Entendo o seu ponto de vista, a sua crítica e entendo que ela não foi direcionada pra mim. Estamos ok até aqui, gosto de gente que tem opinião, gente que vai mais fundo no pensamento. Cool!
      Mas tenho algumas coisas a dizer, agora do meu ponto de vista, o que também não é nenhuma crítica pessoal ao seu comment ou a vc e sim apenas um “ponto de vista diferente”, que fique bem claro desde já.

      Sou uma das pessoas que mais se importa com os direitos iguais para todos, com a liberdade e sempre fui um grande defensor dessa idéia e acredito que um dia chegaremos lá. Mas eu não consigo entender a justificativa do direito ao “ódio”, seja ela qual for. Não consigo entender e tão pouco aceitar que uma pessoa ache “ok” a idéia de extermínio de qualquer raça. Simplesmente não consigo!

      Não que essa limitação me faça uma pessoa intolerante, mas esse é o meu limite. Acredito que não há mais espaço no mundo para esse tipo de pensamento, não mesmo. Nós que lutamos para a liberdade em todos os sentidos, aceitando esse tipo de pensamento, sendo coniventes com o direito a esse ódio gratuito e ignorante, na minha concepção, seria como dar um zilhão de bilhões de passos para trás. E essa não é a minha idéia de liberdade.

      Não sou judeu, mas digamos que eu também tenho (ou tive) uma relação de amor com a comunidade. Quando vc comenta sobre o preconceito do rabino e a intolerância contra outras religiões, acho tão desprezível quanto a atitude de Galliano, tão inaceitável quanto e também não entendo o porque desse tipo de preconceito ser tão pouco comentado. Na verdade, acredito que religião em geral só serve para isso, para separar as pessoas e gerar esse desconforto enrtre elas. Por isso, não sigo nenhuma.

      Também não acho errado o direito de vc odiar alguém. Eu mesmo amo e odeio um monte de gente. Mas por um motivo ou outro, nunca porque a pessoa é judia, negra, muçulmana, amarela. Não porque é assim que deve ser, porque eu também não compartilho da sindrome de Madre Tereza, tão pouco tenho vontade de ser perfeito (algo a essa altura já bem impossível para mim, rs), mas simplesmente porque eu sou assim, livre desse tipo de sentimento. Acho que nesse caso posso dizer: sorte minha! rs

      Como vc já deve ter percebido, a minha personalidade também é super crítica, ácida e carregada no humor negro. Aqui no Guilt eu expresso um monte de opiniões da minha visão pessoal sobre tudo, uma distribuição de chochos para todos os lados. Mas existe um abismo de diferença do que a gente faz , que é achar um motivo de piada ou crítica para o comportamento das pessoas em geral do que o tipo de comentário nojento que o Galliano fez.

      Quando eu falo sobre os cafononas por ai, eu não desejo a morte deles, apenas um closet melhor, rs. Uma diferença profunda, não?

      Também acho suspeito que a Dior nunca tenha percebido essa tendência “nazi” de Galliano, mas digamos que todo mundo tenta parecer perfeito, pelo menos no trabalho, para garantir o seu. Pensando um pouco mais a fundo, acho quase inimaginável que uma pessoa que trabalhe com moda tenha esse tipo de pensamento e talvez por isso, nunca nem tenha passado pela cabeça da equipe da Dior que o seu criador seria preconceituoso, mesmo durante a sua longa relação com o estilista. Mas acho que o nome Christian Dior é mais forte e nesse caso eu duvido que eles arriscariam perder o prestígio de uma marca tão importante no mundo da moda, por uma genialidade imbecíl qualquer, mesmo que esse qualquer tenha o peso de um “Galliano”. E no fundo é tudo business mesmo, o que interessa no final das contas (para eles) é o $$$Cathing, que sempre fala mais alto do que o fundamento, do sonho ou de qualquer outra coisa.

      E é claro que eles não querem perder o rico dinheireeenho das judias ricas neam? Afinal, já é tão difícil de tirar algo das mãos delas (euri).

      Galliano teve uma importância enorme para o mundo da moda, sempre foi um dos mais criativos, inovadores e respeitado no meio. Mas não há amor que resista a tamanhã ignorância. Pelo menos pra mim esse tipo de comportamento indica fim de relação.

      No final do desfile da Dior, que ao meu ver tomou a atitude correta de se mostrar contra o acontecido, evitando uma crítica direta ao estilista nesse momento tão delicado, optando apenas por sua demissão. Das palmas que ouvimos, acho que ninguém ali poderia se garantir e dizer que nunca fez um comentário maldoso sobre alguém. Mas interpreto aquelas palmas como respeito em nome da maison que é feita por muito mais de uma única pessoa e acima de tudo, encaro aquelas palmas como um basta a disseminação do ódio, algo que eu repito que não podemos aceitar e acho importante que as pessoas tomem uma atitude de total repulsa contra tamanha ignorância.

      Como eu disse no meu texto, o colocón sempre foi desculpa para covarde virar corajoso em um curto espaço de tempo e já não serve mais de muleta para ninguém se apoiar para justificar os seus atos. Colocado ou não, vc continua sendo a mesma pessoa e ninguém se transforma em uma pessoa totalmente diferente quando esta nessa situação, mesmo do alto do maior colocón ever. Apenas acaba revelando a verdade da sua essência, que continua sendo a mesma após a ressaca. apenas um pouco mais enjoada e dependendo do tamanho da estupidez cometida, um tanto quanto arrependida.

      Também não acho que responder a um comentário preconceitiuoso usando argumentos tão preconceituosos quanto seja a melhor solução para esse tipo de problema. Acho tão burro quanto, na mesma medida para ambos os lados. Se vc é agredido de forma preconceituosa e revida da mesma forma, perde a razão e nivela a ignorância. Pode até aproveitar o momento para abraçar o agrerssor e relinchar juntos, rs.

      Entendo perfeitamente o tom do seu texto e espero que vc também entenda o meu. Compartilho também da sua indignação a diferença de tratamento entre judeus e não judeus, o que também é um absurdo. Acho que no final das contas, temos pontos de vistas parecidos, com direções diferentes, rs.

      Evitei de comentar o fato até que o video foi exibido, o que pra mim foi a sua condenação definitiva. E mesmo que o video não fosse divulgado, seria difícil pelo menos para mim, acreditar na inocencia de Galliano. Uma mancha impossível de ser apagada, onde nessas horas nem importa mais o tamanho do seu talento.

  3. Anna Says:

    E a Dior so lembrou de reconhecer o talento da equipe num momento desse, onde precisa ‘limpar’ seu nome.

  4. Anna Says:

    Ai como é bom trocar ideias com gente como vc. Por isso sou sua super fã!!
    Beijooosss

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