A divertidíssima tarefa de criar Hope

Comecei a assistir Raising Hope meio que as cegas e sem ter grandes expectativas. Não sabia  muito do que se tratava (além do óbvio) ou o que esperar, comecei a assistir mesmo apenas por ter ouvido alguém falar bem da série aqui e ali. E honestamente? Estava perdendo uma das comédias mais foufas e divertidas de todos os tempos!

Eu sei que a essa altura, vc que é leitor do Guilt e que sempre passa por aqui deve estar pensando “lá vem esse Essy tentando empurrar mais uma série sobre uma família engraçadona para a gente assistir, humpf…”, mas tenham certeza que Raising Hope é muito mais do que isso. A começar pelo cenário: sai a família rica do suburbio americano que estamos tão acostumados a ver a todo momento na tv e no cinema e entra uma família apatralhada, pobre e divertidíssima.

A história gira em torno de uma família moderna que cabe perfeitamente como exemplo dos novos modelos de famílias. Pais jovens, que tiveram um filho ainda quando adolescentes e com isso tiveram que aprender a lidar com todas as dificuladades de criar um filho ainda muito jovens, onde tiveram também que abandonar de certa forma alguns dos seus sonhos para realizar essa tarefa de criar um bebê  (embora sejam felizes com isso) e tudo isso  sem ter a menor preparação e nenhum suporte. Morando de favor na casa da avó, que sofre de “demência”, eles criaram Jimmy, o seu filho fruto da gravidez indesejada do tempo da adolescência. Jimmy por sua vez, em uma aventura de apenas uma noite, acaba engravidando uma procurada serial killer, que como esta próxima a ser executada, aguardando a sua vez no corredor da morte, acaba deixando a sua bebê para ele criar, bebê essa que nasceu após aquele tal “erro” de uma noite apenas, uma garoteeenha foufa com o nome de Princess Beyoncé. Howcoolisthat? Jimmy não pensa duas vezes e decide assumir a responsabilidade e criar a sua filha sozinho.

A partir disso, passamos a acompanhar a vida dessa família que acaba ganhando um novo membro, que no final do primeiro episódio acaba recebendo o novo nome de Hope. Mas Princess Beyoncé era um nome sensacional, hein? (rs)

Um dos pontos fortes da série é poder acompanhar o dia a dia de Jimmy tentando criar Hope e aprendendo a lidar com aquela nova realidade em sua vida, tudo isso sem muito dinheiro, algo que costuma facilitar e muito. Como “tutores” ele tem os próprios pais, que não foram assim grandes exemplos de pais no passado, pelo fato de serem jovens também e assim eles vivem relembrando das próprias situações que ambos tiveram que enfrentar para criar Jimmy no passado, lembrando de momentos do filho ainda bebê, ou criança, em situações que fazem um contraponto bem engraçado entre a forma de como tudo é diferente hoje em dia, porém permanece tudo igual, pq o fundamento é o mesmo quando se trata de criar uma criança. Tudo com muito humor e muita foufurice, em uma combinação perfeita.

Raising Hope me lembrou um pouco de “Juno” e esse climão de suburbio pobre americano vem da escola do criador da série, Gregory Garcia, que também foi a mente por trás de My Name is Earl. Inclusive durante essa primeira temporada, tivemos algumas participações do atores de sua série antiga, além da divertidíssima Rochelle de Everybody Hates Chris. (AMO a Rochelle, AMO! E meu marido tem dois empregos! rs)

E as situações são as mais aburdas possíveis, em meio a uma casa cheia de quinquilharias e pouca higiene (e o episódio em que eles descobrem esse fato é excelente!). Todas as situações são tão absurdas, que é impossível de se conter e não rolar de tanto rir com toda aquela pobreza, com direito a ferro de passar roupa que dá choque e vc tem que morder uma colher de pau para evitar de morder a própria língua enquanto é eletrocutado ao passar roupa (rs), trocar o vinho barato e colocar na garrafa vazia roubada do lixo de vinho caro para servir para os novos amigos ricos (euri) ou a tv que precisa de unas tapas para funcionar direito, rs. Tudo é decadente, com cara de sujo e as piadas são bem politicamente incorretas, detalhes que deixam a série ainda mais engraçada.

Além da família, a série ainda conta com vários personagens muito engraçados que são as figuras exóticas da vizinhança. Sério, o que é a garota do dente podre? Rolei! E na minha opinião, o único erro da série até agora foi ter arrumado o dente podre dela. Humpf!

Outro fato que eu acho bem aproveitado dentro de Raising Hope, é que eles usam referências de várias outras séries, citando o crédito (como por exemplo a garota do dente podre, que saiu de It’s Always Sunny In Philadelphia) e na maioria das vezes, eles conseguem fazer uma piada ainda mais engraçada sobre a referência alheia. Well Done!

Os episódios temáticos como o de Thanksgiving ou o de Natal são deliciosos, mas nada nesse mundo foi mais foufo do que o episódio de Halloween da série. Awnnn!

Eu geralmente não sou do tipo de pessoas que morre de rir com piadas sobre “pum” por exemplo, mas em Raising Hope eles conseguiram o impossível: fazer a piada de pum mais engraçada e ao mesmo tempo mais foufa ever, em um momento de foufurices entre pai e filho. Talvez esse seja até o meu episódio preferido (acho que empata com o episódio com todas as fotos do álbum de família, que  me fez ter um ataque incontrolável de riso com o Jimmy arrancando e comendo os próprios cabelos, ka ke ki ko ku).

E a graça de Raising Hope esta exatamente nessa mistura entre o humor escrachado e o humor foufo, que eles conseguem misturar e resolver muito bem na série. As situações são absurdas, os personagens são enlouquecidos, mas sempre no final, tem uma narrativa foufa que amarra toda a história e faz vc terminar o ep soltando um: Awnnn! Série foufa mil!

No começo, vc pode até achar tudo meio exagerado (característica do humor escrachado), mas com o pouco tempo da série, todos os personagens vão evoluindo, ganhando novas camadas e mais profundidade e todo aquele tom de “exagero” do começo da série passa a fazer todo o sentido para cada um dos personagens.

Sabe aquele tipo de série que vc não consegue escolher o seu personagem preferido? Então, eu já criei um amor especial por todos eles a essa altura no meu coração. Burt (Garret Dillahunt) que o pai meio goofy  mais foufo desse mundo (empatando em foufurice com o pai do Kurt em Glee) que no fundo é só uma criança grande, Virginia (Martha Plimpton) a mãe mais politicamente incorreta da história,  Maw Maw (Cloris Leachman) a avó mais sacudida do pedaço,  o adorável Jimmy (Lucas Neff), que é um dos personagens mais foufos e inocentes ever, Sabrina (Shannon Woodward),  a caixa do mercado que é o grande amor do Jimmy (e que nós descobrimos no final que ele já teve a sua chance com ela no passado sem saber, fikdik)  e Hope (Bayley e Rylie Crecut), que é a bebê mais foufa e careteira da tv.

AMO quando eles fazem ela falar com aquela boqueeenha tipo South Park. Euri

O melhor também é que vc passa a temporada inteira pensando que eles são uns encostados, meio preguiçosos e que estão morando naquela casa por estarem acostumados à aquela situação (o que de fato eles até são um pouco…), mas o episódio final é de uma foufurice absurda, além de ser muito, mas muito engraçacado e que acaba nos explicando que na verdade eles se encontram naquela situação pq a vida é mesmo uma troca e vc passa a amar ainda mais essa família.

Aliás, que final de temporada mais excelente foi esse com aquele flashback da vida deles 5 anos atrás hein? Muito, muito engraçado, rolei com a cena deles roubando comida no mercado e comendo nos corredores, rs. Agora, nada se compara com os pais do Jimmy morrendo de medo dele em sua fase Drakkar Noir, euri (uma mistura de Punk + Edward Scissor Hands + Kiss + Palhaço Antigo). Divertido mil!

E se tem uma série de comédia que soube encerrar bem a temporada, essa série foi Raising Hope, empatando com Parks And Recreation e Community, só para vcs sentirem o nível.

E não se espante se depois desses 22 episódios divertidíssimos (que valem super a pena e que me fizeram colocar Raising Hope no meu Top 5 das melhores comédias no ar atualmente) vc se ver na situação de querer muito ter uma Hope para chamar de sua.

Ansioso para a Season 2 em Setembro. Yei!

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3 Respostas to “A divertidíssima tarefa de criar Hope”

  1. E a tarefa de criar Hope continua sendo divertidíssima! « The Modern Guilt Says:

    […] sensacional quanto a primeira, algo que eu discordo totalmente e continuo com a sensação de me divertir muito com a tarefa de criar Hope, algo que eu já tinha sentido antes e na mesma intensidade de quando a série ainda era novidade […]

  2. Séries que a gente não precisa assistir na Summer Season = Bunheads + Men At Work + Baby Daddy « The Modern Guilt Says:

    […] por último temos Baby Daddy, também da ABC Family (ZzZZ), que é uma espécie de Raising Hope na sua versão mais careta possível e totalmente sem graça, misturada a uma tentativa falida de […]

  3. O adorável descontrole da Season 3 de Raising Hope | The Modern Guilt Says:

    […] a sua estréia, já passamos por três igualmente deliciosas temporadas. A primeira delas, onde fomos apresentados a família Chance e passamos a observar o Jimmy (Lucas Neff) ainda em fase […]

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