A versão de Barney para a sua própria vida

“Barney’s Version” é daquele tipo de filme que vc não consegue definir uma categoria logo de cara. Seria um drama? Uma comédia talvez? Bem, acho mesmo que o filme se encaixa nessa nova safra de filmes que nós tanto amamos, que são as deliciosas “dramédias”. Mas pode ser facilmente confundido com uma comédia romântica, como sugere o péssimo título em português (como sempre, humpf…) de “A minha versão para o amor”. Não caiam nesssa, porque o filme não é uma história de amor, ou melhor, pelo menos não é só isso.

O longa conta a história de Barney e as pessoas que o cercam, aqueles que cedo ou tarde ele acaba magoando. Barney é aquele tipíco protagonista que a princípio vc rejeita. Não tem cara de mocinho, as vzs é sincero demais, folgado demais, infiel demais,  mas que ao longo do filme, mesmo diante de suas inúmeras falhas, acaba se revelando ser uma pessoa adorável.

Além disso, ele reforça o estereótipo do homem que nunca esta feliz com o que tem, até acabar perdendo. Seguindo essa linha, ele vai se apaixonando loucamente por diversas mulheres ao longo de sua vida, até encontrar algum detalhe em suas personalidades que o faça desistir do seu amor precipitado. Até que em meio a um de seus casamentos, ainda na festa, ele acaba se arrependendo de ter casado pouco tempo depois do acontecido e o pior de tudo, acaba conhecendo ali mesmo a mulher da sua vida (que não é a sua noiva), naquela mesma noite dentre os convidados. DRA-MA.

A partir disso, Barney mesmo casado com outra, mantém um ritual de tentativas de conquistas do seu grande amor, a mulher que ele conheceu no dia do seu próprio casamento com outra. Pode? Ela por sua vez rejeita todas as suas tentativas, fazendo questão de lembra-lo que ele é um homem casado e sendo assim, jamais teria alguma chance com ela.

Em meio a perseguições  dentro do trem, centenas de milhares de rosas e presentes, anos depois e agora já devidamente divorciado, ele acaba conquistando a mulher da sua vida depois de persistir muito, com quem ele acaba criando uma família, com direito a filhos e casa no lago. Mas isso fica para a segunda parte do filme…

Antes desse quase “final perfeito do filme”, uma outra relação de Barney me chamou a atenção e essa foi a amizade com o seu inseparável amigo Boogie, interpretado lindamente pelo Scott Speedman (Höy!), que só me surpreende com suas escolhas para o cinema ultimamente. Höy!

Boogie é o seu melhor amigo, um brilhante escritor que acaba desperdiçando ou pelo menos prejudicando bastante (ou não, rs) o seu talento pelo seu vício em drogas. Scott Speedman interpreta muito bem o papel do cara que não se apega a nada, completamente drunk, que esta disponível para experimentar novas sensações a qualquer momento, mesmo que isso acabe lhe custando a sua própria vida ou até mesmo a sua amizade. Na metade do filme, ele acaba traindo a confiança do amigo, que o levou para sua casa por conta do seu vício para tentar recupera-lo, onde em uma noite qualquer ele acaba dormindo com a atual mulher do seu melhor amigo (aquela que ele esta arrependido de ter casado por ter encontrado a mulher da sua vida no dia do seu casamento). Talvez, a traição tenha mesmo sido provocada por Barney, que de certa forma previa que aquilo poderia acabar acontecendo se Boogie estive ali tão disponível (Höy!) e sendo assim essa situação  poderia acabar o livrando daquele casamento infeliz que ele se encontrava, o que de fato acabou acontecendo.

Obviamente que essa traição leva a uma profunda discussão entre melhores amigos, regada a muita bebida e um Scott Speedman possuído pelo vício, despejando algumas verdades um na cara do outro depois de todos esses anos de amizade e de certa forma eles acabam um culpando o outro pelo que eles se tornaram por conta dessa vida “incerta”. Durante essa confusão toda com direito a briga e queda de um barranco até a beira do lago (euri), o incontrolável Boogie acaba morto, entre um momento que fica no ar até o final do filme, se Boogie morreu mesmo por conta da sua queda embriagado no lago, ou se foi Barney quem atirou acidentalmente no amigo.

E essa dúvida acompanha Barney até quase o final de sua vida, uma vez que o corpo do seu amigo não é encontrado tão cedo. (triste mil)

Só acho que esse gancho da culpa aconteceu cedo demais no filme, poderiam ter esticado mais essa participação do Speedman hein? (precisando de um novo empresário, estamos ae! rs). Tanto que essa situação acaba levando Barney a se tornar o principal suspeito da morte do amigo, considerado culpado por um investigador local, que acaba inclusive escrevendo um livro sobre o assunto. Mas o suspense e o drama em relação a morte de Boogie acaba ficando quase que esquecido durante a segunda parte do filme, mas pelo menos  não sem uma conclusão no final da história.

E para essa segunda parte do longa, temos Barney construindo a sua vida ao lado da mulher dos seus sonhos, a quem ele finalmente conquistou e acabou criando uma vida juntos. Mas é claro que como o perfil dele do início do filme já indicava, Barney tinha algo que eu gosto de chamar de “alma inquieta” e aquela situação de família perfeita de comercial de margarina, embora o fizesse bem feliz, já não era mais o suficiente.

Nesse momento acaba acontecendo uma traição, por conta dele, já com os seus filhos crescidos e após anos de casamento. Na verdade, pra mim ficou claro nesse momento que ele se auto sabotou por não se achar bom o suficiente para a sua esposa, que até que aceitava muito bem as suas falhas e até mesmo a sua grosseria. Comportamento típico de quem não gosta de admitir que vai acabar perdendo, fikfik. Como ele sabia que iria acabar perdendo, ele abriu mão cometendo a traição e confessando logo depois, preferindo a culpa do que a derrota. Humpf!

Como já deu para perceber, o filme passeia por diversos momentos da vida desse homem e com isso vamos ganhando uma excelente caracterização dos personagens, que naturalmente vão envelhecendo com o desenrolar da história.

Como esse envelhecimento natural, a história vai ganhando novas camadas dramáticas, como a doença de Barney, que acaba aparecendo na sua velhice, que apesar de muito triste é recheada de cenas belíssimas, carregadas de um desespero absurdo por vc sentir a sua vida desaparecendo da sua memória aos poucos, algo que deve ser devastador. (e que me assusta muito)

O final da história, apesar de ser bem triste e assustador, acaba levando esse homem até a conclusão da sua vida (com uma interpretação primorosa do ator Paul Giamatti), que embora tenha tido altos e baixos, ele pode se considerar um homem feliz e marcante na vida de todos que passaram por seu caminho, sendo perdoado até mesmo por seus filhos, que acabam descobrindo em seu testamento que o seu pai foi um homem muito maior do que aquela traição que de certa forma acabou com a sua família, pelo menos a família que eles estavam acostumados até então. E 30 anos depois, Barney acaba recebendo uma notícia que cai como um alívio para a sua conclusão de vida, absolvendo o seu personagem de qualquer culpa em relação a morte do seu amigo no passado.

Uma história linda, com interpretações deliciosas e participações pra lá de especiais de atores como a Minnie Driver e o Dustin Hoffman, que eu recomendo para quem quiser se emocionar em um fim de noite fria.

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3 Respostas to “A versão de Barney para a sua própria vida”

  1. Citizen Gangster, o trailer « The Modern Guilt Says:

    […] realmente acho que ele se tornou um ator bem interessante ao longo do tempo. Assistiram “Barney’s Version“? Bem bom… Höy!Gostar disto:GostoBe the first to like this […]

  2. Lana Brasil Says:

    Um filme muito bom!! Que elenco fantástico. A atuação do talentoso Dustin Hoffman estava excelente assim como em Luck, seu mais novo trabalho. Ele é meu ator favorito!!

    • Essy Says:

      Bem bom mesmo, recomendo. Outro que ultimamente tem me surpreendido para o bem, é o Speedman, justificando a minha #CRUSH antiga nele desde Felicity, rs

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