Submarine – Será que eu ainda vou me importar quando tiver 38 anos?

Um representante masculino a altura para ser o novo Amélie Poulain. Ok, talvez possa soar como exagero a minha comparação, mas pelo menos essa foi a sensação que eu tive ao assistir “Submarine”, filme que eu encarei pela primeira vez,  sem grandes expectativas, inclusive sem saber do que se tratava, mas que logo percebi que talvez estivesse diante do novo “Le fabuleux destin d’Amélie Poulain”

Isso talvez porque a forma com que o filme é contada lembra muito a linguagem usada na história de Amelie. A direção de Richard Ayoade em “Submarine” também vem recheada de pequenos detalhes da história que parecem ser aleatórios, mas que de uma certa forma vão se completando e ajudando a construir a trama principal do filme, rico em enquadramentos de detalhes e um personagem que poderia ser muito bem a versão masculina de Amélie.

E ele é Oliver Tate (Craig Roberts),  um garoto incomum que gosta de se imaginar em uma realidade paralela e que de longe não é o garoto mais popular da escola. Obviamente que como todas as pessoas que não são reconhecidas facilmente como “pessoas comuns”, Oliver sofre inúmeras perseguições na escola e acaba vivendo quase que realmente em outro universo dentro da sua imaginação. Até que ele descobre o amor pela primeira vez e com isso, começa a perceber melhor o mundo em que vive, descobrindo novos sentimentos e experimentando melhor a vida.

A minha percepção quanto ao filme e a comparação com Amélie Poulain, que é um dos meus filmes preferidos na vida, não é negativa não, muito pelo contrário. Acho que ambos filmes marcam uma nova linguagem do cinema, recheado de propostas novas e uma vontade de fugir do óbvio, um francês e outro inglês. Clap Clap Clap para ambos, que apesar de ter um perfume parecido, são completamente diferentes.

Os enquadramentos do filme são perfeitos, com um olhar de arte delicioso e que remete ao passado. Pra mim, o filme pareceu atemporal, sem uma época definida. E mesmo coms os inúmeros objetos vintages e com ar retrô em cena compondo os cenários deliciosos do filme, a sensação que vc tem é a de que vc esta assistindo algo realmente moderno, fazendo assim um contraste primoroso entre o velho e o novo. Cool!

O filme se divide em alguns capítulos, muito bem construídos por sinal, que aproveitam para revelar as descobertas de Oliver através dos personagens que nos são apresentados em cada capítulo, como o seu grande amor Jordana Bevan (Yasmin Paige), que é a garota moderna da escola do tipo misteriosa, aquela que todo mundo imagina quem ela realmente é. Até o suposto amante da sua mãe, o vizinho esquisito Graham Purvis (Paddy Considine), que é uma fi-gu-ra.

E esses capítulos são perfeitamente amarrados a história, ajudando a construir o atual momento na vida daquele garoto.

O personagem de Oliver Tate é delicioso. Tem aquela alma sombria que a gente tanto gosta e que o figurino escuro ajuda a carregar no seu tom dramático. Oliver pode não ser o garoto mais popular do colégio e nem estar cercado de amigos, mas certamente é a pessoa mais interessante daquela escola. Um perfil que reforça a minha teoria de que os tímidos, também conhecidos como nerds, ou os “underdogs” (TGP feelings) são sempre os mais interessantes.

Até em um momento no começo do filme, onde ele sai do seus estereotipo de quem sofre bullying e passa a fazer parte do outro lado da história, só para agradar a garota por quem ele esta apaixonado, é um momento bem foufo apesar de tudo, mesmo com ele agindo como um total idiota só para se enturmar e tentar parecer legal (o que é sempre um erro, fikdik, mas quem nunca?). Algo do qual ele se arrepende logo em seguida e volta a merecer de novo o nosso carinho com a sua atitude pra lá de foufa em relação a sua vítima daquele momento vergonhoso. Foi cretino, mas pelo menos se arrependeu e logo, algo que eu considero importante para deixar o personagem ainda mais perto do que poderia ser real.

O pantone do filme é maravileeeandro tmbm. Como eles aproveitam aquele clima frio, quase sempre nublado e com algum ponto de luz aqui ou ali, as cores do filme circulam dentro do azul e o amarelo, em un constraste inspirador. E o vermelho aparece como ponto de luz nesse caso, em algum detalhe no figurino ou em algum objeto de cena, assim como foi o azul para o filme de Amelie, ou seja, mais uma boa semelhança. Confirmou! (e sim, eu gosto de detalhes. Blame o meu tipo de DDA)

O texto tmbm é bem direto, sem enrolações e sincero. Em que outro filme vc se lembra de ver uma mãe (Sally Hawkins) assumindo que traiu sim o pai (Noah Taylor), na cara do filho e ainda diante do próprio pai (mas sem o menor drama por ambas as partes), na maior naturalidade desse mundo  e ainda com detalhes, dizendo que foi apenas um “handjob” e nada mais, hein? (euri)

Os personagens do filme são todos dramáticos, mas sem grandes exageros, onde essa carga dramática fica mais por conta da postura ou da entonação. E cada um deles parece que carrega um certo peso no olhar, demonstrando que todos no fundo tem problemas. Seja o pai depressivo, a mãe infeliz no casamento ou a namorada, que esta passando por um momento difícil por conta da doença de sua mãe. Mesmo nos momentos de alegria no filme, como os dois jovens apaixonados em cenários lindos, a alegria não parece exgerada e só um meio sorriso ou aquele olhar foufo basta para vc entender que eles estão sim felizes, apesar de tudo. Uma honestidade que eu também acho importante para dar uma maior credibilidade para a história.

Toda aquela empolgação de personagens alegres gratuitamente no longa (que estamos todos tão acostumados a ver por ai) ficam por conta dos “vilões” da história, como o vizinho esquisito ou o garoto mais esquisito ainda, que é o rei do bullying no colégio. Totais idiotas, e isso fica bem claro.

Os dramas que Oliver Tate  carrega durante o filme são todos típicos da adolescência: o primeiro beijo, a primeira vez, a pressão dos amigos, a relação difícil com a família durante essa fase, que é inevitavelmente quando vc começa a perceber melhor a realidade a sua volta (humpf…). Tudo o que poderia cair facilmente em momentos recheados  clichês, mas que fogem completamente do que se espera e por isso levam o filme a esse nível tão alto, a ponto de poder ser comparado com Amélie (pelo menos por mim, é claro).

E todas as resoluções para os problemas ou situações em que Oliver  esta passando são apresentadas com uma doçura absurda, construindo o típico personagem que não tem como vc não se apaixonar ou se identificar (em alguns casos) logo de cara.

Entre os meus momentos preferidos no filme, estão as sequência em que Oliver e Jordana caminham pelas ruas, apaixonados e sempre começando um princípio de incêndio (e o que foi aquele primeiro beijo documentado com Polaroids, hein?)  e tmbm quando eles se separam e Oliver passa a entender o que é sofrer (pela primeira vez) por amor. Será que eu ainda vou me importar quando tiver 38 anos? Essa é a pergunta que Oliver faz aos seus pais, ao passar pela sua primeira desilusão amorosa causada por um erro seu e que eles respondem honestamente que “sim”. Howcuteisthat?

E esses momentos ganharam um importância ainda maior no meu coração porque eles tem como fundo a trilha sonora do filme que é deliciosa, além de ser assinada pelo Alex Turner (Arctic Monkeys) que eu recomendo que todos vcs ouçam imediatamente, pq é relamente especial, muito especial. Melancólica, doce e que ajuda a construir as imagens do filme como uma espécie de videoclipe dentro do próprio longa, em cenas lindas de serem vistas que vão acompanhar o seu subconsciente por um bom tempo. (AMO “Stuck On The Puzzle”, “Hiding Tonight” e “It’s Hard To Get Around The Wind”, que se tornaram trilha para a minha semana. AMO)

Imagens poéticas, como quando assistimos o garoto deitado em sua cama e vendo o seu mundo desabar, literalmente e terminando em um mar de lágrimas, outra vez literalmete. Maravileeeandro!

E sinceramente? Um dos filmes mais doce, sincero, moderno e honesto que eu já assisti em toda a minha vida e que para a minha total surpresa, tem em sua produção o nome do Ben Stiller (que até aparece no filme, mas tem que prestar bastante atenção hein?), algo totalmente inesperado, pelo menos por mim.

Curto, típico filme que vc termina de assistir e já quer logo assistir de novo. Me identifiquei do começo ao fim…

Com certeza, assim que for lançado por aqui em DVD, vai ganhar o seu merecido espaço na minha prateleira especial, ao lado de ninguém menos do que a própria Amélie. Companhia perfeita hein Oliver?

I ♥ Oliver Tate

ps:sim Oliver, vc com certeza ainda irá se importar…

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7 Respostas to “Submarine – Será que eu ainda vou me importar quando tiver 38 anos?”

  1. Jubs Says:

    Um filme que estava com vontade de ver, mas esqueci de colocar na minha lista… Até agora! Já tá na fila para download.
    Ah, e por falar em garotinhos que lembram a Amélie, eu me apaixonei por Valentín, Filme Argentino de 2002, já viu? Meu DVD de Valentín está juntinho com a Amélie. Apaixonante.

    • Essy Says:

      Maravileeeandro! Estou apaixonado até agora e não canso de ouvir a trilha
      Assisti Valentin, mas não tenho o DVD, humpf!
      Lembrar de colocar na minha lista para comprar, rs

  2. The Modern Guilt Awards 2011, a premiação mais aguardada do ano! « The Modern Guilt Says:

    […] eu achei “Submarine” um dos filmes mais deliciosos que eu assisti durante esse ano, mesmo com o IMDB dizendo que o longa […]

  3. Have you tried turning it off and on again? (The It Crowd) « The Modern Guilt Says:

    […] série foi ninguém menos do que o diretor de “Submarine” um filme sensacional do qual nós já falamos muito bem por aqui (e que eu AMO). Chris O’Dowd atualmente está envolvido em duas produções (e quem sabe ele […]

  4. And in that moment, I swear we were infinite « The Modern Guilt Says:

    […] AMO, por exemplo. Algo que eu até acho que poderia ter sido mais presente no filme (algo como em  “Submarine”, sabe?), mas que também não chega a prejudicar o longa, de tão especial que ele acabou […]

  5. Don’t want your picture on my cell phone/ I want you here with me/ I don’t want your memory in my head, no/ I want you here with me « The Modern Guilt Says:

    […] fato de ter reconhecido o Craig Roberts logo de cara e quase ter caído da cadeira. Sim, ele mesmo, o adorkable Oliver Tate de […]

  6. Skins Fire, o trailer | The Modern Guilt Says:

    […] sua produção. No trailer do primeiro episódio, encontramos os atores Craig Roberts (do excelente “Submarine”, que eu sonho em ter em DVD) e o Kayvan Novak, da série cancelada injustamente (que vai ganhar […]

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