Quando pegar uma carona com o Ryan Gosling pode se tornar algo bem perigoso

Mesmo que ele esteja totalmente disponível para vc por apenas 5 minutos, e qualquer coisa que aconteça antes ou depois disso fica por sua conta, a pergunta que importa é a seguinte: e quem não se arriscaria? Höy!

“Drive” é um filme silencioso, que tem uma trilha gostosa, personagens obscuros que vc pouco tem tempo para passar a gostar (além do protagonista é claro, Höy!) e que em algum momento resolve cobrir a tela de sangue.

A príncipio, essas foram as minhas primeiras impressões sobre o filme e os caminhos seguidos pela direção do Nicolas Winding Refn, diretor premiado por seu trabalho como diretor do longa esse ano em Cannes. Não que isso seja ruim, porque eu até gostei de “Drive” (racionalmente, sem me deixar ser influenciado pelo próprio Ryan, o cara mais cool do mundo atualmente, Höy), mas não que ele te traga algo novo, e isso é frustrante se vc pensar em todo o hype em torno do filme.

Sinceramente, eu estava esperando um pouco mais das cenas dentro do carro, na companhia do Ryan como motorista por exemplo. Algo como um olhar novo para esse tipo de cena, talvez? Não sei, acho que faltou alguma coisa nesse sentido, algo para deixar o filme realmente moderno para fazer valer o hype.

Mas em poucas palavras, “Drive” consegue passar a sua mensagem e tudo graças ao talento do Ryan Gosling, talento esse que quase foi desprezado nesse projeto, que exigiu muito mais de sua expressão corporal do que qualquer outra coisa.

Driver (Ryan Gosling) parece um ser atormentado o tempo todo no filme, sempre distante,  com um vazio quase que tenebroso no olhar. Até que ele “se apaixona”, se é que podemos dizer assim, por sua vizinha Irene (Carey Mulligan), ou pelo menos passa a gostar da tarefa de ter alguém para ele cuidar.

Mas Carey interpreta aquele tipo de mulher meio chave de cadeia, que apesar de inofensiva, foi capaz de se apaixonar por um marginal meia boca qualquer no passado, o que já indica pontos fracos no seu caráter. Esposa de um marido que se encontra na prisão, mas que esta preste a sair de lá em breve.

Carente, sozinha, com um filho para criar, qual mulher que não se renderia aos encantos de uma vizinho emprestando o corpo do Ryan Gosling, hein? Preciso mesmo responder?

E é claro que ela faz tudo errado e deixa o Driver se envolver logo de cara com o seu filho, o que é sempre um risco, mesmo quando o cara parece ser boa gente (como nesse caso), algo que eu não acho nunca recomendável para alguém dentro de uma situação como essas. Tudo bem que até então, ela e o Driver não tiveram nada, mas fica no ar o tempo todo que existe uma tensão entre aqueles dois, que vai desde ela observar toda a prestatividade dele carregando o seu filho nos braços para a cama, até toda a magia que nesse caso nós nem precisamos reforçar sobre o próprio Ryan. Höy!

Toda essa tranquilidade e climão de romance no ar tem data de validade e começa a expirar assim que o marido marginal sai da cadeia, prometendo uma mudança de vida, quando na verdade ele já se encontra cheio de dívidas antigas para pagar e já tem gente cobrando, ameaçando inclusive o seu filho pedindo para o moleque guardar uma bala. (sim, nesse nível…)

É ai que o filme ganha um novo ritmo, com direito a tiros que explodem a cabeça da Christina Hendrix (que praticamente apenas figurou no longa, e eu desconfio que apenas para a realização pessoal dos fetiches em seios fartos de algum dos envolvidos nesse casting) e a partir disso, um Ryan Gosling andando pelas ruas coberto de sangue (?), lutando para permanecer vivo e também manter as vidas de Irene e seu filho preservadas.

Sim, e essas cenas tem um cheiro de Tarantino no ar, misturados obviamente com algo de “Taxi Driver” e seria impossível não chegar a essa comparação, o que eu acredito que tenha sido mais como homenagem do que qualquer outra coisa.

As mortes no filme são extremamente violentas, mas nenhuma é gratuita e todas acontecem por uma razão, motivos de sobra para muito sangue na tela.

Uma das minhas cenas preferidas foi sem dúvida quando Driver resolve invadir com um martelo, o camarim repleto de moças de peitos de fora, do figurão que fazia chantagem com o tal marido de Irene, quebrando os dedos do cara à marteladas e ainda ameaçando pregar um prego no meio da sua testa. Howcoolisthat?

Nesse momento Driver continua parecendo atormentado, mas parece também preciso, determinado, justo, e os poucos momentos em que o seu personagem demonstra algum sentimento, estão todos relacionados com algum tipo de violência.

O personagem também reforça um estereótipo do homem protetor, capaz de tudo para proteger quem é importante para ele e a trilha sonora faz questão de reforçar isso, no começo e no final do filme. E se não fosse por um detalhe na carta de despedida que ele deixa para Irene, eu diria que ele se arriscou demais por pouco tempo de envolvimento…

Os coadjuvantes são todos ótimos e conhecidos de todos nós como o Bryan Cranston (Breaking Bad) e o Roy Perlman (Sons Of Anarchy), mas sobra pouco espaço para eles no filme, que é bem curto, com 1h30 mais ou menos de duração, infelizmente.

Mas a minha maior crítica ao longa esta relacionada na falha de construção do personagem. Apesar de ficar bem claro que ele não parece uma pessoa tão normal assim, ou pelo menos não em um estado mental normal e equilibrado, não fica muito claro o porque que ele faz tudo aquilo. Ele é assim? Ele ficou assim? Ele está assim? Why?

Que ele sinta que precisa proteger a vizinha “frágil” que fez péssimas escolhas na vida, ok, a gente até entende. Mas porque no começo do filme, temos Driver colaborando com o que parecia ser um crime e não mais uma das cenas do seu trabalho como dublê? Tudo bem que ele foi apenas o motorista (e a resolução do problema com a polícia foi ótima), mas já não seria o suficiente para ele ir para cadeia, ou quem sabe morrer durante a fuga? Seria mais interessante se os motivos que o levaram a agir daquela forma fossem mais explicados, ou será que ele fazia tudo aquilo apenas pela adrenalina, ou por ser de fato uma pessoa sem nenhum propósito na vida, completamente vazio? Hein? E esse tipo de detalhe diferencia claramente “Driver” de “Taxi Driver” por exemplo.

Eu teria perdido um pouco mais de tempo do vazio do filme, para explorar um pouco mais do personagem e fazê-lo ser melhor compreendido. E olha que eu nem sou do time daqueles que precisa de uma filme didático, explicado em detalhes frame por frame.

Mesmo com essas falhas, é possível reconhecer que o filme é bom, mesmo quando ele deixa a desejar. Pode parecer moderno a princípio, mas na verdade não estamos vendo nada de muito novo, apenas uma forma revisitada de fazer bons filmes, que é um dos problemas atuais em Hollywood (no cinema, na moda, no design…)

Podemos assim dizer que “Driver” aprendeu tudo direitinho na escola, prestou atenção e por isso tirou uma boa nota.

E se isso já for o suficiente para ganhar um beijeeenho do Ryan Gosling, já esta valendo. Höy!

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3 Respostas to “Quando pegar uma carona com o Ryan Gosling pode se tornar algo bem perigoso”

  1. The Modern Guilt Awards 2011, a premiação mais aguardada do ano! « The Modern Guilt Says:

    […] ao lado do seu George, ou no que realmente importa, que são as suas atuações deliciosas, como em “Drive”, “Blue Valentine” ou na surpreendente comédia romântica “Crazy, Stupid, […]

  2. Lars And The Real Girl – O dia em que o Ryan Gosling roubou de vez o meu ♡ « The Modern Guilt Says:

    […] o que vcs viram em “The Notebook”,  “My Blue Valentine” ou até mesmo em “Drive” e preparem-se para viver a paixão mais improvável de todos […]

  3. Only God Forgives, o trailer (vermelho) | The Modern Guilt Says:

    […] Gosling trabalhando novamente com o diretor  Nicolas Winding Refn (“Drive”) em um filme sobre o plot de uma vingança familiar envolvendo mãe e filhos, todo situado na […]

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