Mylo Xyloto e o otimismo do Coldplay

O Coldplay não é mais o mesmo, isso não tem como negar. Os meninos por trás das letras doces, tristes e melancólicas do passado, já não são mais tão meninos assim e talvez agora a realidade deles  seja outra. Com uma trajetória de sucesso, casamento, filhos, chegou a hora de amadurecer, experimentar um pouco mais e isso não significa que o fato deles não serem mais os meninos tristes de antes seja uma coisa ruim, pelo contrário, significa que eles evoluíram e isso é um bom sinal.

Mylo Xyloto, o novo álbum da banda (não tão novo, porque saiu tem mais de um mês e eu fiquei devendo essa resenha para mim mesmo, por isso estou pagando a minha promessa agora) é uma prova disso. Saem de vez as músicas mais melancólicas do passado, para entrar os grandes hits, letras mais otimistas, músicas que funcionam muito bem ao vivo por exemplo.

Não, eu não fui ao show dessa nova turnê ainda, apenas assisti pela tv. Mas ao ouvir o álbum pela primeira vez eu tive a nítida impressão que eles já criaram esse novo trabalho pensando no show, em momentos que funcionam maravilhosamente bem ao vivo. E como ninguém mais ganha tanto dinheiro assim com venda de discos, tenho quase certeza que esse meu pensamento tem fundamento.

Também vale dizer que nos shows, ao vivo, eles funcionam muito bem, mesmo em tempos de uma maior tristeza no som da banda. Sem contar que eles parecem se entregar no palco, o que eu sempre acho um sinal de respeito do artista com o público.

E o novo álbum vem nessa mesma onda mais feliz da banda, colorida, otimista, mesmo quando eles não conseguem abandonar a aura de meninos tristes do passado, com uma faixa como “Charlie Brown” por exemplo, a minha preferida desse novo trabalho da banda (porque será? Que puxa!)

Mas o que eu acho bacana mesmo é que a cada novo álbum, eles tem se arriscado um pouco mais, com novos instrumentos, uma nova sonoridade, o que eu acho que é um ganho para a banda (mesmo que eles explorem isso em muitas faixas de interlude,  que só nesse álbum são 3 de 14. E são elas,  “Mylo Xyloto”, “M.M.I.X” e “A Hopeful Trasmission”). Em Mylo Xyloto temos também o Chirs Martin se arriscando mais nos vocais, com variações da sua voz, provando que ele é sim um bom cantor, muito mais do que apenas um rostinho bonitinho da música  (Höy!), se é que eles ainda precisam provar alguma coisa neam? (e ele não é o único Coldplay magia, fikdik)

Senti algumas influências dos anos 80 na batida de algumas faixas, como “Hurts Like Heaven” por exemplo, que me lembrou alguma coisa do The Cure e do Culture Club antigo, que apesar de ter um título como esses, tem um ritmo também bem otimista, quase como se alguém estivesse nos falando “machuca, dói, mas vai passar”, rs.

Além dos anos 80, temos fortes influências asiáticas no som de várias faixas também (provavelmente influências da China), como o começo de “Paradise”, que a essa altura, já é o grande hit do álbum. Merecidamente, porque é deliciosa e ainda veio acompanhada daquele video pra lá de foufo com todos os integrantes da banda vestidos de elefantes.

“Every Teardrop is a Waterfall” foi mesmo o grande mico do cd. Eu pelo menos não consigo ouvi-la sem pensar em “Ritmo de la noche”, rs. Mas assistindo ao show pela tv, percebi que ela é muito melhor ao vivo e seria a tentativa descarada de um novo “Viva La Vida” da banda. Uma pena.

“Major Minus” eu acho bem U2. Bacana, mas me lembrou muito a outra banda, essa de bons jovens senhores (que seria o futuro do Coldplay) e isso talvez por conta do refrão meio Bono Vox, rs.

Temos algumas faixa mais leves também, como “Us Against The World” e “U.F.O”, mas sai o Chris Martin do piano e entra uma voz doce e violão. O tipo de música que eu tenho certeza que ele deve cantar para os seus filhos dormirem. Bem foufas, apesar de bem calmas também.

“Up In Flames” lembra um pouco mais do Coldplay antigo, embora tenha uma batida bem mais pop e marcada. E uma outra impressão que eu tive ao ouvir o Mylo Xyloto é que eles assumiram de vez o lado mais pop da banda, o que eu não acho de todo ruim, porque faz tempo que eles não são mais aquela banda que só a nossa meia duzia de amigos conhecia.

E isso fica cada vez mais claro, quando encontramos faixas como “Princess Of China”, que tem a participação preguiça da Rihanna, que tem uma voz bacana só em estúdio, porque ao vivo, respirar e cantar ao mesmo tempo não parece ser o seu forte e o Youtube esta ai, para quem quiser comprovar. Mas fiquei sabendo que a música foi oferecida primeiro para a Beyoncé…(suck it Riwanna)

Mantendo o clima otimista do álbum, mesmo com o título de “Don’t Let It Break Your Heart”, a faixa mantém aquela intenção de passar adiante que no final, tudo vai dar certo. Pelo menos parece que  foi assim para eles, não?

E com o mesmo clima, ainda temos “Up With The Birds”, que apesar de começar triste, mantém o climão de otimismo perto do final, para encerrar o álbum deixando a mensagem que talvez os antes meninos e agora homens do Coldplay quiseram nos passar.

Ou seja, Mylo Xyloto é mesmo um álbum mais otimistas e talvez os tempos tristes das letras melancólicas do Coldplay tenham mesmo ficado no passado. Mas a gente sempre pode gritar “Classic Coldplay”, em todos os shows da banda, para tentar ainda garantir um Chris Martin com cara de maluco ao piano, cantando as nossas faixas antigas, tristes e melancólicas preferidas. Mas é sempre bom ouvir algo novo, novas tentativas.

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3 Respostas to “Mylo Xyloto e o otimismo do Coldplay”

  1. ivanagiovanaz Says:

    Olá, leio sempre seu blog, porém, nunca escrevi um comentário. Adoro o jeito que você escreve, com personalidade. Me identifico com cada post e opinião sua. Escreva sempre para eu poder me deliciar no seu blog rsrs. Parabéns, Ivana.

  2. 5 bandas, álbuns ou artistas que vc deveria ter ouvido em 2011 « The Modern Guilt Says:

    […] and The Machine, ou também falar do novo dos Strokes ou sobre o otimismo foufo do novo álbum do Coldplay, mas esses nomes todos já ganharam toda a sua merecida atenção em 2011 e eu senti que alguém […]

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