The 9th Doctor

Comecei a assistir Doctor Who a partir da Season 5 e Season 6, já com o 11th Doctor (Matt Smith), mas como a minha relação de amor com a série foi praticamente imediata, uma relação sincera de amor a primeira vista, prometi para mim mesmo que ainda assistiria as temporadas anteriores, pelo menos do ano de 2005 para cá.

Coloquei o meu plano em ação a partir do primeiro dia de 2012 e sendo assim, decidi dividir com vcs um pouco mais do passado dessa que passou a ser a minha série Sci-Fi preferida ever, não tem jeito. (ao lado de Fringe, claro)

Sendo assim, confesso que não foi muito fácil me adaptar a Season 1, que é um tanto quanto diferente do que a gente vem assistindo atualmente em Doctor Who, começando é claro pelo próprio Doutor, que naquela época era o 9th Doctor, interpretado pelo ator Christopher Eccleston.

Eccleston tem um jeito bem diferente do Doutor do Matt Smith (porém com o mesmo tipo de humor já tão característico do personagem) e não tem como negar que o cara tem menos carisma, o que é um fato fácil de se ser notado. Assim, demorei um pouco para me acostumar com o novo (novo pra mim, mas que nessa cronologia nova a partir de 2005, seria o “primeiro” novo Doutor), menos carismático, mas nem por isso menos adorável Doctor Who.

E nessa hora eu descobri que definitivamente a força da série está na grandeza do personagem, sem a menor dúvida, mesmo que ele seja interpretado por diversos atores diferentes ao longo do tempo. Sempre teremos os nossos preferidos, o que é inevitável e até agora o Matt Smith continua sendo o meu, mas é inegável que a força da série esteja mesmo ligada ao Senhor do Tempo que tudo vê e a sua TARDIS, a máquina do tempo mais sensacional da história!

Naquela época, a sua companion era Rose Tyler (Billie Piper), uma garota loira que deixou o namorado e família para trás, para acompanhar o Doutor em suas viagens através do tempo. Um convite certamente irrecusável. (aguardo até hoje o meu…)

Rose lembra de longe a Amy Pond, pela sua postura diante do Doutor, sempre questionando o mesmo e fazendo aquela troca dentro do universo da comédia que nós também adoramos na série. Mas existe algo mais entre ela e o Doutor no ar, talvez por ela ter deixado o namorado para trás (diferente um pouco da Amy), mas ela troca uns olhares com o Doutor que vão além da admiração, tanto que para ser salva no final, o próprio Doutor acaba se sacrificando por ela e tudo “termina” de certa forma em um beijo. Mas ainda é cedo para falar mais sobre esse assunto.

Talvez isso tenha me incomodado um pouco na questão da companion da vez (isso e o fato dela usar muito rímel nos olhos, ficando com aquele olhar de boneca, sabe? rs). Tudo bem que seria bem difícil viajar pelo tempo e espaço acompanhado de um homem como o Doutor e não acabar se apaixonando por ele, mas eu engrosso o time de quem prefere a relação de “tutor” dele com suas companheiras de bordo, algo que pelo menos para mim funciona sempre muito melhor.

E diferente das temporadas atuais também, não tivemos exatamente uma história que acompanhasse toda a temporada para um desfecho final. Nada de fendas na parede, filhos roubados ou a longa espera pela morte do Doutor que tinha dia e hora marcada, como aconteceu durante as temporadas mais recentes (Seasons 5 e 6). Nesse caso, apenas uma palavra, “Bad Wolf”, nos perseguiu durante toda a temporada, mas talvez tivesse até passado despercebido se em um determinado momento eles não fizessem questão de lembrar desse plot “misterioso” e recorrente, que estava relacionado com a conclusão da história para a Season 1.

Mas isso não é de todo ruim e apesar da falta de um plot maior para que a gente pudesse acompanhar a temporada aguardando por sua resolução final mais grandiosa, amarrando toda a história da mesma, os episódios nesse caso funcionam muito bem como episódios soltos, que aproveitam o seu tempo para explicar um pouco da mitologia da série, algo importante para um programa de TV de 1963 que logo estará completando 50 anos e que passou tanto tempo sem ser produzido novamente para a TV até a BBC decidir voltar com a produção em 2005.

Entre os meus episódios preferidos estão aquele com o fim do mundo (1×02 End Of The World), onde encontramos o último sobrevivente da raça humana (ou o que sobrou dele, rs), que tem uma reunião deliciosa de personagens de diversos lugares do universo, assim como o episódio duplo (1×09 The Empty Child 1×10 The Doctor Dances) onde ganhamos a impagável entrada do Capitão Jack Harkness na série (John Barrowman), um viajante do tempo meio trapaceiro e avançadíssimo, vindo diretamente do século 51, que foi uma das melhores companhias a bordo da TARDIS ever, provando que não foi à toa que o seu personagem acabou ganhando mais tarde o seu próprio spin-off de Doctor Who, que é a série Torchwood.

Capitão Jack que acaba até ganhando um merecido beijinho do Doutor, um momento impagável e o melhor de tudo, sem frescura nenhuma. Howcoolisthat?

Durante essa temporada, um personagem real também circulou dentro do universo de Doctor Who, que foi Charles Dickens, um dos romancistas ingleses mais famosos de todos os tempos, responsável por histórias como “Oliver Twist” e “A Christmas Carol” (que já foi nome de episódio de Natal em DW), que o Doutor conheceu na série ainda naquele tempo antigo, sem que o escritor soubesse do tamanho da sua importância para a literatura inglesa e até mesmo no mundo, informação que o próprio Doutor acabou dando de presente para o personagem antes de encerrar o episódio com a sua participação mais do que especial, o que me lembrou muito o delicioso episódio com o Van Gogh da Season 5. Outro fator histórico que figurou na série dessa vez foi a primeira ligação telefônica do mundo, de Alexander Graham Bell.

Percebi também algumas curiosidades a respeito da série, como por exemplo que naquela época, o Doutor usava bem menos a sua chave de fenda sônica, assim como percebi que a atriz que faz a mãe da Rose na série (Camille Coduri) é também a Shelly, amiga da irmã do casal de Him & Her. Reparei também que a Rose mora em um prédio muito parecido com aquele do episódio com os bonecos da Season 6 (6×09 Night Terrors), retratando uma classe mais pobre do povo inglês e eu cheguei até a pensar que fosse o mesmo prédio (mas acho que esse do ep 6×09 foi o mesmo usando em Skins, onde o Maxxie morava/ensaiava, não?). Assim como também temos a participação da atriz Tamsin Greig, que é a mulher (insuportável!) do casal de Episodes.

Um dos últimos episódios da temporada (1×12  Bad Wolf) faz também uma crítica bem engraçada aos realitys shows que já eram bem populares naquela época, colocando cada um dos personagens principais em um cenário diferente dentro desse universo e foi bem divertido ver o Doutor sentado na cadeira do confessionário do Big Brother. Aliás, vale a pena dizer que o humor na série é sempre muito bem explorado, seja pelo Doutor, pela situação ou até mesmo pela própria história e esse recurso é sempre algo recorrente em Doctor Who, o que é sempre bem delicioso também.

Falando um pouco de detalhes mais técnicos, a essa altura eu já gosto bastante que a série não seja daquele tipo que tenta parecer perfeita, com efeitos cada vez mais cinematográficos, como temos visto na TV. Gosto que em Doctor Who tudo é mais fantasioso, porque não dizer “natural” até e acho que esse tipo de “defeito especial” funciona muito bem com o universo riquíssimo de Doctor Who. Não gosto muito do figurino do 9th Doctor, acho um tanto quanto “Matrix” demais para o meu gosto, mas achei bem divertido a brincadeira com a t-shirt da Rose com a bandeira do Reino Unido em uma Londres sendo atacada pelos alemães nos anos 40. Típico humor britânico indeed (rs). Outra coisa que eu preciso dizer é que a abertura da Season 1 tem a vórtice do tempo em uma velocidade acelerada que sempre me deixa meio tonto, rs.

Mas o meu episódio preferido dessa primeira temporada (e talvez seja o de muitos que já viram a série) foi aquele em que o Doutor volta no tempo até o exato momento da morte do pai da Rose (1×08 Father’s Day), onde em uma atitude impensada, ela acaba criando um paradoxo no universo (o que acaba explicando algumas coisas até). Foi lindo ver a filha tendo a chance de conhecer o seu pai, mesmo tendo ela descoberto que os seus pais não viviam aquela relação perfeita que a sua mãe sempre contou para ela e que seu pai não era exatamente como ela havia passado a vida imaginando. E foi sensacional ele ter conseguido reconhecer a filha que ele não teve a chance de ver crescer e no final ainda ter aceitado que aquele teria que ser o seu fim, recriando de certa forma a sua história, justamente por se tratar de um paradoxo. Um episódio excelente de Doctor Who, que eu recomendo até para quem tiver preguiça de assistir toda a série antiga como eu estou fazendo e que confesso estar me deliciando, por isso também recomendo a maratona para quem se animar um pouco mais.

O final da Season 1 acabou me levando para um momento que eu ainda não conhecia de Doctor Who, ou melhor, que eu ainda não havia vivenciado na série, que é a sua regeneração. Já sabia que era o que acontecia, já havia visto a transformação do 10th Doctor no 11th Doctor (apenas essa parte do ep), mas não depois de acompanhar toda a jornada do personagem e me envolver com ele, o que de fato muda tudo em relação ao sentimento de telespectador e fã da série. Um momento lindo, com o Doutor escolhendo ser um “covarde” para os Daleks (vilões pure evil que figuram nessa temporada em 3 episódios), mas que ele acabou ganhando naquele momento a ajuda da Rose, que precisou se tornar algo maior (e próximo ao próprio Doutor, o que eu achei ótimo porque nos deu a chance de conhecer um pouco da sua cabeça também) para conseguir salvá-lo e que mais tarde, em troca do favor que ela havia acabado de fazer para o Doutor, ele teria que se sacrificar para salvar a sua companion (glupt). Certamente um momento importante para a série, feito para emocionar mesmo e que funciona muito bem. E que já serviu também até de preparação para mim, sobre o que deve acontecer com o Matt Smith quando ele deixar a série (apesar dele ter declarado recentemente estar muito feliz continuando em Doctor Who, interpretando um personagem que ele AMA. Ufa!). Algo que eu já disse pelo menos 1 bilhão de zilhões de vezes não estar preparado para o momento da despedida do meu Doutor preferido.

Não sei se foi o nível do meu envolvimento com a série e toda a sua mitologia, mas eu senti que ambos os atores estavam mais do que emocionados naquele momento tão especial para a série, o que não poderia ser diferente para quem viveu um personagem de tamanha importância para a história da TV.

Assim, cheguei ao fim do começo dessa minha maratona de Doctor Who, com a saída de Chistopher Eccleston de cena para a entrada do 10th Doctor: David Tennant.

E será que eu vou me apaixonar pelo 10th Doctor?

To be continued…

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16 Respostas to “The 9th Doctor”

  1. Fernanda Says:

    Começar a série pela season 5 é um pecado. (involuntário, tenho que falar rs)

    O 9th foi o meu favorito por muito tempo. Aquela cara de bobão me encantava rs. Mas depois de passar duas temporadas com o Tennant, ele me conquistou de vez. Não sei porque eu sinto que o Matt não é tão caloroso quando os Doctors anteriores, mas gosto dele também. Como você disse, o ❤ Doctor ❤ está além dos atores que o interpretam rs.

    The Empty Child é o meu favorito da season 1. Com esse episódio que comecei a me apaixonar mesmo pela série. Mas Father’s Day foi emocionante, concordo.

    "E será que eu vou me apaixonar pelo 10th Doctor?" TODAS AMA O 10TH, não tenha dúvidas. A questão é se você vai estar entre os que gostam da Martha or not.

    • Essy Says:

      Acabei cometendo esse crime então.
      Tmbm gosto da cara de bobo do 9th Doctor. Agora estou me preparando para encarar o Tennant.
      Mas ainda não comecei a Season 2, que vai ter que ficar para Fevereiro (que está logo ai)
      Jura que vc acha isso do Matt? Pra mim ele parece tão perfeito.
      Mas o que eu mais gosto mesmo é que todos eles tem alguma coisa de maluco, o que no meu caso já é um apelo a mais para eu acabar me apaixonando pelo personagem, rs. Realmente, um personagem muito maior do que qualquer ator.
      E já vou preparando o meu coração para o 10th Doctor então, rs

      ps: já me alertaram sobre a Martha. #TENSO

  2. Fernanda Says:

    Se bem que Martha é season 3, então você não tem que se “preocupar” com ela ainda haha

  3. Agora não tem desculpa para não assistir Doctor Who. YEI! « The Modern Guilt Says:

    […] 9th Doctor (Season 1) […]

  4. The 10th Doctor (parte 1) « The Modern Guilt Says:

    […] que é mais ou menos o que tem acontecido na série atualmente, como eu disse no post sobre a Season 1. E como na primeira temporada, essa Season 2 foi marcada apenas pela repetição do nome […]

  5. The 10th Doctor (parte 2) « The Modern Guilt Says:

    […] o fundamento das Seasons 5 e 6, assim como também ela tem um pouco da minha impressão sobre as Seasons 1 e 2, que são temporadas sem um grande plot central de destaque que reúna toda história ao […]

  6. The 10th Doctor (parte 3 – final) « The Modern Guilt Says:

    […] série, ainda mais contando nesse caso com uma trajetória muito maior do que a do Doutor anterior (9th Doctor), onde David Tennant acabou dando vida a esse personagem icônico por três temporadas, com três […]

  7. Essy Says:

    Reblogged this on The Modern Guilt.

  8. The Angels Take Manhattan (Goodbye Ponds!) « The Modern Guilt Says:

    […] dentro da série, assim como foi para ele e depois de ter acompanhado a sua mitologia desde 2005 (Season 1, Season 2, Season 3, Season 4, Season 5 e Season 6), eu não poderia dizer algo diferente a não […]

  9. 49 = Höy! « The Modern Guilt Says:

    […] 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 1/2 […]

  10. Marlucci Says:

    É tudo questão de costume mesmo, o 11th foi o seu primeiro então você acabou se apegando a ele. Devo confessar que não assisti ainda a nenhum episódio com o Matt Smith, mas tô chegando lá. Também comecei a acompanhar a série à pouco tempo, e comecei de maneira totalmente random, com um episódio da 4ª temporada. Foi um especial de natal, e sim, eu me encantei pela série logo de cara, daí senti vontade de assistir pra valer, acompanhar desde o começo (pelo menos o começo da nova série) e comecei a ver a 1ª temporada. Me apaixonei pelo 9th e hoje ele é o meu favorito.
    Ah, e o meu episódio preferido da 1ª temporada também é o “Father’s Day”. Não tem como não ser, é lindo.

    • Essy Says:

      O bacana é isso mesmo, o fato de que de qualquer forma, não importa nem a ordem ou o Doutor, mas todo mundo acaba se apaixonando por Doctor Who, não tem jeito.

      Comecei pelo Matt porque eu tinha uma coisa com a imagem dele com a Amy Pond na Season 5 que me perseguia em todos os lugares, era como a “minha rachadura na parede” e por isso resolvi assistir a temporada. E foi mesmo amor a primeira vista, gostei de tudo na série e desde então, construí um carinho enorme pelos dois personagens, Amy + Doctor.

      A maratona da série desde 2005 super valeu a pena e eu bem recomendo para todo mundo que ficar encantado com esse universo. A essa altura, já consigo gostar de todos os Doutores, cada um por um motivo diferente, mas o meu preferido continua mesmo sendo o 11th, que foi o meu primeiro Doutor, assim como a Amy Pond, minha primeira companion, rs.

      Sei que eu vou ter a maior implicância quando chegar a hora da regeneração do 11th (além de não estar nada preparado para esse momento), mas a essa altura eu já estou tão comprometido com a série, que aceito quem vier! rs

      ps: “Father’s Day” é mesmo muito especial! (♥ + ♥)

  11. Maratonas que todos deveriam ter feito em 2012 « The Modern Guilt Says:

    […] Season 1 […]

  12. Run you clever boy and remember – A segunda metade da Season 7 de Doctor Who e o começo de uma triste despedida… | The Modern Guilt Says:

    […] relembrar alguma coisa, temos posts bem especiais para cada uma das demais temporadas também: Season 1, Season 2, Season 3, Season 4, Season 5 ,  Season 6 e a primeira parte da Season […]

  13. The Time Of The Doctor – a inevitável hora da despedida do nosso 11th Doctor | The Modern Guilt Says:

    […] que também aconteceu comigo quando experimentei a despedida do David Tennant e até mesmo do Christopher Eccleston (esse segundo menos, porque também passamos menos tempo em sua companhia) com seus respectivos […]

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