Nós realmente deveriámos ter falado mais sobre o Kevin

Mas será que teria adiantado? Ou melhor, teria mudado alguma coisa?

E essas são algumas perguntas que ficaram na minha cabeça após assistir “We Need To Talk About Kevin”, um filme forte, tenso, vermelho, porém de emoções frias, da diretora Lynne Ramsay.

Primeiro, vamos começar falando sobre dois mitos que somos praticamente forçados a acreditar e que o filme faz questão de derrubar.

O primeiro deles é o que “toda mulher nasceu para ser mãe”, o que a essa altura da vida, depois de conhecer várias histórias diferentes e sermos pessoas que conseguem enxergar o mundo em que vivemos e realmente ver alguma coisa, nós já sabemos que isso não é verdade. O segundo mito é o de que “crianças são anjos”. Longe disso, crianças são seres humanos comuns, descobrindo a sua personalidade, formando o seu caráter, experimentando sentimentos dos mais variados possíveis, sejam eles bons ou ruins. Embora seja politicamente correto acreditar no contrário e até socialmente aceito com mais facilidade, basta olhar com cuidado para meia dúzia de crianças brincando na praça, ou observá-las na escola para entender que eles não são tão angelicais assim e quanto antes vc perceber isso pode ser melhor, ainda mais se vc já for pai.

E o filme fala exatamente desses dois aspectos. De uma lado temos Eva (Tilda Swinton, gélida, tentando ser simpática, profundamente magoada e ótima por sinal!) uma mulher que se encontra encarando a maternidade da forma mais real possível. Nada de grávidas confortáveis com aquela barriga pesada e gigante de fora, no meio de uma aula de lamaze qualquer. Ao contrário disso, do perfil da “mulher grávida com uma luz especial”, Eva se encontra incomodada com a sua atual situação, como se talvez ela não estivesse exatamente pronta naquele momento para encarar ter que se transformar em mãe, um pouco além do desconforto natural que já se é esperado.

Um momento que querendo ou não, acaba mudando a sua vida. As prioridades acabam mudando e os sonhos em alguns casos acabam ficando para depois ou vão virando apenas parte da decoração da sua casa, para te lembrar de vez em quando do que vc costumava desejar antes dessa transformação.

Com o nascimento do bebê, podemos observar que o seu desconforto continua, mesmo com ela tentando ao máximo agradar a criança e tratá-la bem, tentando também ignorar a exaustão, onde em um determinado momento do filme, ela chega ao ponto de preferir o barulho de uma britadeira em uma obra local, ao invés do choro constante do seu próprio filho. Uma momento tão honesto, de sinceridade tão difícil de ser visto, principalmente retratado no cinema ou relatado em uma roda qualquer de mães de primeira viagem, que certamente não vão ser tão sinceras assim, porque no mínimo parece errado diante dos olhos da sociedade.

Cansada, incomodada, suada, tentando descansar em casa nos poucos momentos livres que acabam sobrando quando se é mãe, ela ainda tem que lidar com o marido conformista, Franklin (John C. Reilly, que tem conseguido entregar bons papéis recentemente não?) que não parece entender exatamente pelo que ela está passando naquele momento da sua vida ou sequer consegue enxergar o estado de exaustão em que ela se encontra, considerando tudo aquilo muito natural para todo mundo. Talvez porque ele seja do tipo de pessoa que acredita no modelo contrário ao que eu começo descrevendo no início desse post, quando falamos dos mitos que o filme faz questão de derrubar.

Assim, ambos vão construindo uma relação familiar, pai, mãe e filho (e mais tarde uma nova filha), mas não parece que as coisas vão indo muito bem. Kevin (Rock Duer, Jasper Newell e Ezra Miller) é uma criança apática, indiferente e parece completamente distante, como se não tivesse o menor interesse em nada ao seu redor dentro daquele cenário familiar. A mãe, assustada com esse tipo de comportamento, começa a encarar os problemas do filho de forma diferente, como se fosse algo pessoal, diretamente ligado a ela.

O bacana também é que aparentemente, não existe uma coisa concreta que possa ser ligada a esse tipo de comportamento. Sem grandes traumas, sinais de maus tratos dos mais violentos ou qualquer coisa do tipo que pudesse justificar o comportamento do garoto em relação a mãe. Ele apenas se sente assim em relação a ela, simples assim. (talvez aqui caiba aquele teoria de que os bebês sentem o que a mãe está passando durante a gravidez. Mas esse é só um palpite)

Como quando ela o leva ao médico para verificar se está tudo certo com o atraso do filho em desenvolver a fala e acaba ficando visivelmente decepcionada quando ouve do próprio médico que o seu filho é uma criança normal, talvez apenas preguiçoso. E esse tipo de comportamento vai sendo repetido ao longo do filme, em diversos momentos, com o garoto se recusando a comer, ou aprender a ler, contar, como se fizesse questão de colocar a mãe de lado e não deixá-la participar do seu desenvolvimento de propósito.

Ambos na verdade parecem muito distantes um do outro, como se não tivessem vínculo algum além do grau de parentesco. Ela até tenta disfarçar no começo, mas depois chega até a ser pega pelo marido falando para o filho que ela costumava ser mais feliz antes de tê-lo fazendo parte da sua vida. Coisas que a gente ouve quando criança, dentro ou fora de um contexto e que acabam marcando a nossa vida.

Mas tudo muda com a chegada do pai em casa, onde o menino se demonstra animado, disposto, exatamente o contrário do que  quando ele está apenas com a sua mãe, o que dificulta ainda mais para que aquele pai consiga enxergar o ponto de vista da sua mulher em relação ao filho. Uma mudança de humor repentina, exagerada, pouco real, que ela começa a perceber que não se trata de uma simples preferência pelo pai e sim algo que vai muito além disso, mesmo com o garoto sendo ainda apenas uma criança. (“Mas ele é só uma criança” – detesto quando pessoas preguiça dizem isso como argumento)

E crianças podem sim ser malvadas, mentirosas, ou vc nunca perguntou para uma criança algo que ela negou de pés juntos ter feito, mesmo vc tendo certeza de que foi ela quem fez? Por isso vamos deixar a hipocrisia de lado, porque talvez isso te deixe ainda mais distante da mensagem que “We Need To Talk Abou Kevin” gostaria de passar.

Ao meu ver, o marco desse código entre os dois (mãe e filho), onde ambos passaram a se enxergar exatamente como são, foi quando em um momento de descontrole por mais uma de suas inúmeras malcriações (nem sei se essa é bem a palavra, porque no filme parece mais como uma afronta ou desaforo), ela acabou quebrando o braço do garoto, o que o levou a ganhar uma cicatriz para o resto da vida, uma espécie de simbologia para aquele momento que mais tarde,  marcaria a história dos dois.

Quando eles chegaram em casa e o garoto assumiu a total culpa do acidente e a mãe, diante do marido acabou concordando com a mentira (porque o marido já achava que ela não gostava muito do garoto, logo seria um drama), eu senti que foi o momento em que eles mais se aproximaram de se entender na vida, a ponto de se tornarem quase que a mesma pessoa, ou pelo menos ficarem muito parecidos naquele momento. E como sinal de gratidão por ela ter tido o “único momento de sinceridade” aos olhos do garoto mais tarde, ele simplesmente largou as suas fraldas, utilizando pela primeira vez o banheiro sozinho.

A partir desse dia, eles estabeleceram esse código entre os dois, onde ambos sabiam e entendiam exatamente o que haviam feito de errado, apenas com um olhar dessa culpa que ambos dividiram de alguma forma nesse exato momento de suas vidas.

Um dos poucos momentos maternais entre os dois personagens se dá com o nascimento da  sua irmã e ele como qualquer outra criança, acaba disputando pelo espaço no colo da mãe. Um raro momento de afeto e proximidade entre eles que praticamente não se repete ao longo do filme.

E essa relação só vai piorando a medida em que o garoto vai crescendo e se tornando um adolescente ainda mais frio e distante do que de costume, com hábitos fora do comum para qualquer um da sua idade. Como colecionar vírus de computador, ou continuar se masturbando quando a própria mãe o pega no flagra. Certamente, um momento extremamente constrangedor para qualquer pessoa comum. Um comportamento que ela consegue enxergar, mas que acaba de certa forma não fazendo nada a respeito.

O mais interessante no filme também é a forma como ele é contado, misturando o presente da personagem da Tilda Swinton tentando refazer a sua vida em uma pequena casa, sofrendo bullying da vizinhança e até sendo agredida gratuitamente nas ruas (um momento que até assusta), cenas misturadas com as do passado da personagem, um passado cheio de imagens confusas, que parecem ser de um acidente, até que as duas histórias se encontram no tempo para chegar a conclusão do filme e tudo se encaixar perfeitamente. Uma construção muito bem feita eu diria. De certa forma, até me lembrou a edição de “Tree Of Life” em alguns momentos e não de u,a forma óbvia, que fique bem claro. Clap Clap Clap!

Engraçado que, a mesma frieza que o Kevin apresenta no longa em todas as fases da sua vida,  é possível de ser reconhecida na mãe pós o acontecido (no presente pelo menos). Um olhar confuso, distante, que não parece estar concentrado em nada ou em ninguém, apenas esperando os dias passarem. Alguém que simplesmente não se importa mais. Mas será que algum dia realmente se importou ou apenas estava acostumada com a situação? Como o próprio garoto chega a questionar em um determinado ponto da história.

Agora, sinceramente, eu acho que esse título não poderia ter sido melhor (pensando em um contexto geral). Como faltou conversa para aquela família, não?

Ainda mais tendo uma mãe escritora, uma comunicadora, que  até que tentou chamar a atenção do marido por algumas vezes, ele que considerava o comportamento do garoto normal e que de certa forma até acabou colaborando para o resultado final dessa história, não enxergando a verdadeira identidade do filho. Mas ela tentou pouco, falou pouco, não insistiu e talvez por isso a história tenha caminhado para esse triste final.

E esse silêncio da personagem a aproxima muito do perfil do seu filho, que não era muito de falar, pelo menos não com ela. Ambos na verdade, dividiam uma personalidade muito próxima ao me ver e apenar externaram isso para o mundo de formas diferentes. Talvez Eva tenha sido mais contida e controlada a vida inteira, enquanto o seu filho tenha encontrado na necessidade de demonstrar a sua “coragem”, uma muleta para externar tudo que ele guardava de pior dentro de si.

E quantos pais que vc conhece ou ouvir falar, que fazem exatamente isso com seus filhos e fingem que não estão vendo no que aquelas criaturas estão se transformando, hein? Depois eu nunca consigo entender a surpresa, quando o problema aparece. Sempre acho uma reação no mínimo  cínica.

Novamente, de uma forma bem pessoal, o ponto X dessa história no meu olhar, foi quando ele sumiu com o hamster da irmã (não entendo de animais e não sei bem se era um hamster mesmo, rs, mas enfim…). Naquele momento, aquela mulher tinha que ter saido feito uma maluca no quintal, falando alto, mostrado para aquele menino que alguém estava vendo o que ele fazia por ali (que seria o que eu teria feito, por exemplo). Como ignorar tamanho ato de crueldade? Mas não, ela preferiu permanecer em silêncio, mais uma vez.

Atitude essa que se tivesse sido tomada,  talvez tivesse evitado o desfecho da história da pequena irmã do garoto, de quem eu fiquei com uma pena que quase que não cabia dentro de mim mesmo.

A reta final do filme é absurda, com as peças do quebra-cabeças das cenas todas que nós passamos o filme inteiro vendo em flashs, finalmente se encaixando, levando o personagem do Kevin  munido do seu arco e flecha e travas de segurança que ele comprou a preço de banana na internet, a caminho da escola para a conclusão da sua vida.

E nessa hora, quando aquela mãe chega até o colégio, talvez rezando para não encontrar o seu filho no meio das vítimas e acaba se deparando com as travas amarelas que ela mesmo viu o seu próprio filho recebendo em casa como encomenda, essa foi certamente uma das cenas mais primorosas do filme, com aquela mulher completamente sem voz, quase que não acreditando no que aquele garoto foi capaz de planejar e realizar.

Eu que já estava me preparando para esse momento ao decorrer do longa, fiquei ainda mais de boca aberta, quando a personagem volta para casa e dá de cara com a cena final do crime do seu próprio filho, onde naquele momento talvez ela tenha entendido que ele seria capaz de tudo para machucá-la das piores formas possíveis. Mas porque? E essa é a pergunta que ela faz para o filho, que se encontra preso pelos crimes que acabou cometendo e que mesmo apesar dele ter sido o responsável por toda aquela desgraça envolvendo a sua família, ela não teve coragem de abandonar, talvez por sentir o peso da culpa de não ter discutido muito mais o comportamento do filho quando ainda havia tempo.

Naquele abraço final entre os dois então, é possível sentir a presença de ambos em cena, uma forte presença até, que nota-se pelo impacto dos dois corpos ao se abraçarem, mas que não vai além disso e amor mesmo não existe mais por parte daquela mãe, já ele (um excelente ator por sinal!), acaba revelando que já não tem mais a clareza do porque de ter feito aquilo tudo, talvez até por ainda ter a mãe ao seu lado, mesmo depois de tudo o que aconteceu e acaba expressando por uma única vez, alguma sinceridade que ele mesmo sempre cobrou da própria mãe.

Certamente um filme que vai te deixar incomodado, com um nó na garganta no final e que além de destruir alguns mitos que nos são vendidos diariamente por todos os lados, ainda nos deixa uma sábia sugestão de que de repente, uma boa conversa pode ser a solução para tudo. Falar, conversar, discutir, ainda pode ser a saída mais simples, mas pode ser também a salvação para diversos problemas.

Respondendo as duas perguntas que eu começo fazendo nesse texto, ter conversado mais sobre o Kevin talvez não tivesse adiantado muito, porque ele até poderia continuar sendo a mesma pessoa, mas com certeza poderia ter mudado os rumos do final dessa história, ou pelo menos parte dele.

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16 Respostas to “Nós realmente deveriámos ter falado mais sobre o Kevin”

  1. Denise Says:

    Você falou tudo! Eu li o livro e quando assisti o filme fiquei com a impressão de que eles ficaram um pouco inclinados para o Kevin, como se ele fosse resultado somente do tratamento da mãe. Para mim, Eva não foi a melhor mãe, mas o Kevin também não foi um filho muito agradável. Havia algo nele desde pequeno… Concordo com vc (e quando digo isso algumas pessoas arregalam os olhos) que crianças não são anjos inocentes o tempo todo, elas tem momentos de maldade e algumas tem mais desses momentos que outras. Acho que era o caso do Kevin. E o pai era completamente alheio ao comportamento do filho! Para ele o filho era perfeito e se a Eva dizia que nenhuma criança queria brincar com o Kevin, era porque os outros tinham problemas.
    A cena que ela chega na escola e vê os cadeados realmente é bárbara, a expressão dela… Caiu a ficha!
    Só um detalhe que tem no livro e não apareceu no filme (ou não me lembro de ter mostrado). Qdo ela vê o que aconteceu em casa, ela procura o olho de vidro da Celia e não acha. No dia da visita que eles se abraçam, o Kevin devolve a ela… Perverso!
    Procure assistir Beautiful Boy, ele mostra os pais de um garoto que comete um massacre, nos dias que se seguem ao acontecido. É diferente, mas também muito bom (eu adorei os dois!).
    Enfim… Já escrevi demais!

    • Essy Says:

      Então, também senti que tinha uma parcela de responsabilidade em todos os envolvidos naquela história, apesar do Kevin ser o Kevin desde sempre.
      Tenho uma preguiça enorme dessa gente que acha que criança é um “anjo”, sempre. Tem criança bem malvada por ai, e todos nós que frequentamos a escola podemos dar o nosso próprio depoimento, rs.
      O mesmo vale para quem só fala do lado bom de ficar grávida, de criar um filho. E a parte ruim, a gente ignora?
      O pai foi tão alheio, que acabou entregando uma arma nas mãos daquela criança, que já demonstrava um comportamento violento (não esqueço da cena dele jogando video game). O mesmo que fazem os pais que a gente vê todo dia por ai, comprando por exemplo, carros para os seus filhos despreparados e irresponsáveis saírem fazendo absurdos por ai, sempre prejudicando a vida de outros inocentes, que nada tinham em relação a essa história. Triste.
      Achei esse detalhe que eles deixaram de fora bem fundamental hein?
      Acho que muda todo o tom do final do filme por exemplo. Com esse detalhe, eu nem acho que caberia alguma dúvida sobre ele não ter mais tanta certeza assim do porque que ele cometeu o crime que fez hein?
      Uma pena não terem seguido com o desfecho final dessa forma.

      ps: estava tentando lembrar o nome de “Beautiful Boy” ainda por esses dias e já pedi para o Paolo (enquanto ele ainda tem vida, rs). Thnks!

    • Essy Says:

      Ops, faltou dizer no meu post que é um verdadeiro absurdo a Tilda ter sido ignorada pelo Oscar com um trabalho tão sensacional como esse.
      Praticamente um crime!

      • Denise Says:

        Sim, temos alguns mitos. Sobre as crianças, a maternidade e mesmo sobre o amor entre pais e filhos. Eu tenho um filho de 3 anos, que é o amor da minha vida, a pessoa mais importante do mundo pra mim, mas tem momentos que eu quero sumir. É bom ficar com ele, mas também é muito bom ter meus momentos sozinha ou só com meu marido. Isso não quer dizer que eu o ame menos, mas que ser mãe não é viver no paraíso. Tem hora que a criança te irrita, te testa, te deixa esgotada, faz parte, mas ele também me deixa muito feliz (hj de manhã eu escovava os dentes dele e ele pediu para eu parar, pq tinha algo pra me dizer. Eu parei e ele me falou “Eu te amo, mamãe”. Chase chorei!).
        O amor entre pais e filhos é esperado que aconteça, e acredito que acontece na grande maioria das famílias, mas não em todas. É esquisito de imaginar, qdo temos uma família unida e carinhosa, mas conheço pessoas que simplesmente não se dão com o pai ou com a mãe, não há afinidade, nem vínculo. E se tornaram bons pais e mães. Somos seres complicados!! Almodóvar sabe bem mostrar as bizarrices das pessoas…
        E quanto ao Oscar, sem comentários! Realmente um crime!

        ps: também estou baixando tudo o que posso, enquanto posso!

      • Essy Says:

        Mas que foufo esse momento com o seu filho hein? Awwwnnn!
        Então, acho que ser mãe ou pai é isso mesmo, tem várias camadas e não dá para achar tudo lindo e mágico o tempo todo.
        Sempre tive uma relação ótima com crianças, elas sempre me adoram.Meus amigos dizem que eu deveria até ter um programa infantil, rs.

        Acho que eu até já contei isso, mas não tem muito tempo, um afilhado da minha mãe veio dormir aqui em casa. Depois de me fazer arrumar a cama dele de todos os jeitos possíveis e me pedir um monte de coisas, ele olhou pra mim e disse “acho que vc vai ser um ótimo pai”. Pronto, também quase chorei.
        Ele tem uma irmã mais nova, que também me adora (vive mexendo no meu cabelo, fica me pedindo para desenhar mil coisas para ela) e disse esses dias que eu sou um moço chic e elegante. Rolei de rir.
        Quando ele era menor e ficava na minha casa de vez em quando, a noite, quando eu resolvia sair, ele me olhava e dizia “nossa, vc está horrível! Se fosse vc eu ficava em casa, brincando comigo”, pode?

        Crianças são mesmo uma delícia, mas isso não é uma regra e tem gente que não dá essa sorte, por isso acho importante que esse outro lado também seja retratado de vez em quando.

        Só espero que quando eu resolver formar a minha própria família, que os meus filhos também me achem pelo menos divertido.(dedos cruzados!)

        ps: Paolo trabalhando como nunca, em um plantão sem fim, rs

      • Denise Says:

        Ah, e o amor entre irmãos também nem sempre aparece. Ou aparece de maneira, digamos, mais quente… Bom tema para Almodóvar!

      • Essy Says:

        Sim, bem lembrado e ótima sugestão de diretor para o tema.
        Tivemos no Brasil uma tentativa ousada, mas que pra mim não funcionou muito naquele “Do começo ao fim”, que eu achei pouco real.
        Melhor se tivessem deixado para quem certamente trataria o assunto da melhor forma…

  2. Anna Carolina Valente Says:

    Também li o livro e achei esse lance do olho da Celia fundamental e deixaram de fora. Vale muito a pena ler o livro. Muitas pessoas não absorvem na mesma profundidade que seria com tudo que é contado no livro.

    • Essy Says:

      Depois que a Denise me contou aqui nos comments, eu tmbm achei. Humpf!
      Achei até que foi um detalhe que não poderia ser ignorado.
      Será que foi pressão? Por ser considerado “pesado demais”?
      E mais pesado do que essa história toda?
      Não sei, acho que eles deveria ter repensado esse assunto e se a cena chegar como extra no DVD eu vou ficar bem irritado, porque parece quase que um final alternativo.Humpf!

  3. Dani Sá Says:

    Assisti ontem …muuuito tenso! ee òtemo!

  4. The Perks of Being a Wallflower, o trailer « The Modern Guilt Says:

    […] Jackson e o Ladrão de Raios” – para vc, G.!) e o excelentíssimo Ezra Miller de “We Need To Talk About Kevin” (que deu uma entrevista ótima recentemente para a Out magazine falando sobre o fato de ser gay e […]

  5. And in that moment, I swear we were infinite « The Modern Guilt Says:

    […] pelo ator Ezra Miller, que todos nós lembramos pelo seu excelente e inesquecível papel em “We Need To Talk About Kevin”, que nesse caso nem chega a ser uma grande surpresa, pelo talento que nós já conhecemos do ator. […]

  6. The Modern Guilt Awards 2012, a quarta edição do prêmio mais sensacional de todos os tempos « The Modern Guilt Says:

    […] conferir antes que fosse tarde demais. (“Shame” ,  “The Artist” ,  “We Need to Talk About Kevin” ,  “Carnage” ,  “The Descendants” ,  “My Week With […]

  7. Vinicius Nicolau Says:

    Eu só assisti um dia desses – alô, atrasado – e ainda do lado da minha mãe, vê se pode! #torta de climão.

    Mas pqp, a Tilda Swinton está simplesmente perfeita. Eu sempre fui fã dela (já viu “I am Love”?!), mas nesse ela está sensacional. Acredita que uma das cenas que mais me chocou foi aquela da festa de natal, que o cara do escritório dá em cima dela e depois a xinga quando ela recusa. Eu ainda tava na esperança de um finalzinho feliz com o boy (malditas séries e comédias românticas hauahauha)

    E eu tava pensando: eu assisti As Vantagens de ser Invisível antes de Precisamos Falar Sobre Kevin. Acho que se fosse o contrário, eu ficaria olhando o Patrick e odiando achando que ele vai matar todo mundo hauahauaha

    • Essy Says:

      Que difícil assistir a esse filme em família, hein?
      Eu só contei para a minha e ela já chorou, rs. (minha mãe AMA quando eu conto as histórias dos filmes que vejo para ela. Ou pelo menos ela finge muito bem, rs)

      Tilda é mesmo um super atriz (já vi sim “I am Love” e achei ótimo)
      Engraçado como ela e o filho eram praticamente a mesma pessoa, só que escolheram caminhos bem diferentes para a vida.
      Um filme lindo, importante e que faz pensar em várias coisas.

      Engraçado que vê-lo nos dois filmes, é praticamente como ver duas pessoas completamente diferentes, até fisicamente eu diria. Outro que tem boas chances de se tornar um grande ator. Veremos…

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