Zou Bisou Bisou ♪

Finalmente estamos de volta aos 60’s. Yei!

E que delícia que é poder voltar no tempo com Mad Men, hein? Quando estou assistindo a série, eu sempre sinto como se tivesse aberto uma janela para o passado, com todo aquele figurino antigo, cenários e objetos de cena que a gente pagaria uma fortuna para ter nos tempos de hoje (fato, vintage é caro, rs) e uma beleza que hoje em dia é cada vez mais difícil de se encontrar.

Sim, Mad Men voltou e diga-se de passagem, essa sua volta foi mesmo deliciosa e ainda com direito a um episódio duplo, para matar a saudade de todos os fãs da série que já estavam desesperados com esse “hiatus” de mais de 17 meses.

Nesse começo de temporada (5×01, 5×02 A Little Kiss), senti como se eles estivessem ainda se situando, colocando as coisas em seus devidos lugares, introduzindo assim a atual dinâmica da série. Mas tudo isso de forma bastante movimentada, divertida até, com um episódio (um não, dois) recheado de piadinhas super bem humoradas, que conseguiram me arrancar boas risadas.

Quase não me aguentei por exemplo, quando o Roger disse para a sua esposa com a maior cara de pau e sinceridade desse mundo “Porque é que vc não canta assim?”,  referindo-se a linda e animada apresentação de Megan Draper, que se arriscou nos vocais de “Zou Bisou Bisou” na festa surpresa de 40 anos de Don Draper e recebendo de volta da sua esposa, sem exitar por um segundo sequer,” E porque é que vc não se parece com ele?”. Sério? #TEMCOMONAOAMAR?

Antes de continuar, preciso dizer que Roger esteve afiadíssimo durante esses dois primeiros episódios, com um senso de humor brilhante e ao final deles, ainda acabou caindo em uma “pegadinha” super bem humorada, feita pelo Pete. (que continua insatisfeito com tudo e como aquele humor meio assim de sempre, mesmo estando casado com a Annie de Community, rs).

Na agência, tudo caminha lentamente como se eles ainda estivessem se acostumando com os novos rumos do negócio, porém de volta ao cenário já conhecido de todos nós, se estabelecendo aos poucos, onde eles se encontram enfrentando os problemas de sempre, como a questão dos egos, a rejeição dos clientes com medo de aceitar as novas propostas visionárias da agência e até mesmo a disputa pelo “maior espaço” dentro da empresa. Literalmente.

E como é sempre uma delícia ver a Peggy e o Draper dividindo a cena, não?

Ela que ainda tem que se acostumar com o fato de estar “dividindo” funções com a nova senhora Draper, que pouco teve que fazer para conseguir a sua nova posição no trabalho, algo bem diferente ao que aconteceu com a sua personagem no passado, dividiu apenas poucos minutos do episódio com Draper e mesmo assim foram minutos mágicos, de pura honestidade. Acho tão sensacional como sempre parece que ele está tentando ensinar algo para ela, sabe? E quem não queria ter um tutor como Don Draper?

Mas o grande nome de Mad Men é claro que é Don Draper. Höy! Ele que acabou de completar 40 anos e com isso, acabou nos mostrando o quanto a questão da idade era muito diferente naquela época.

Em uma crise existencial, Draper se encontra em uma situação inusitada, com “colegas” de trabalho dividindo a intimidade da sua lindíssima cobertura em NY, algo que certamente ele detestou. Além disso, o personagem encontra-se entregue ao peso da idade, se sentindo um idoso do alto dos seus 40 anos, o que hoje em dia, com homens de 40 se comportando cada vez mais como os homens de 20, seria um comportamento completamente fora do comum. Me pareceu até que naquela época, talvez os 40 fossem  mesmo os novos (velhos) 60, rs.

Com isso, acaba sobrando para a sua nova esposa, mais jovem, cheia de vontades e com uma visão maios moderna, completamente diferente a dele, onde talvez toda essa diferença acabe tornando o casal ainda mais interessante. Megan tem a ousadia, vontade e Draper tem o conhecimento, a experiência. E se por um lado eles andam se estranhando devido a esse probleminha da idade, do outro, basta um toque que o casal pega fogo, seja no corredor do prédio ou até mesmo no carpete branco da sala, completamente destruido pela festa surpresa da noite anterior.

Aliás, e que casal, hein? Höy!

Outro plot excelente da nova temporada foi a Joan tendo que enfrentar a sua nova realidade como mãe de primeira viagem e em um período de licença de maternidade. Ela que se encontra em um conflito interno, desejando voltar ao trabalho o quanto antes, mesmo como um bebê recém nascido em casa e por isso, se sentindo cada vez mais culpada como mãe ou mulher (ainda mais naquela época e ainda com a pressão da sua própria mãe). E toda a insegurança dela em achar que aquela agência estaria conseguindo sobreviver sem o seu comando? Até parece neam Joan? Todo mundo sabe que é a senhora quem manada naquele pedaço e mais ninguém.

E o episódio começa e termina de forma genial, definindo o período em que estamos vivendo em Mad Men , colocando a luta dos movimentos pelos direitos civis ainda mais em evidência, com mulheres e negros saindo as ruas e exigindo os seus direitos, algo que marcou a segunda metade da década de 60. E tudo isso muito bem amarrado, com bastante humor até, usando uma disputa entre eles e a agência concorrentes para ilustrar essa nova realidade da série.

E todo esse humor encontrado nesse episódio duplo da nova temporada, eu tenho pra mim que será o novo ingrediente secreto na série. Não que ele não existisse antes, mas dessa vez parece que chegou com muito mais força. Veremos…

Bacana também que em Mad Men eles conseguem demosntrar uma mesma situação por diversos ângulos diferentes. Como por exemplo, o preconceito racial aparecendo em momentos diferentes do episódio, com uma piadinha solta na festa do próprio Draper (onde também aconteceu ao mesmo tempo uma piadinha homofóbica) e depois, com o Lane se recusando a deixar a carteira perdida e encontrada por ele com o motorista do táxi, que a propósito, também era negro. E por incrível que pareça, mesmo com a história se passando em um passado distante, ainda ouvimos ou presenciamos hoje em dia, cenas tão pavorosas quanto essas. (muitas vezes até piores)

Assim chegamos ao fim desses primeiros dois episódios deliciosos da Season 5 de Mad Men, que prepararam muito bem o terreno para o que possivelmente vem por ai. Alguém tem alguma dúvida que só pode ser coisa boa?

Welcome (back) to the 60’s

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