Shame (on you)

Despindo com maestria uma patologia tão marginalizada, tratada com pouco interesse e preconceituosamente pela sociedade.

Compulsão, algo que de certa forma, eu não consigo acreditar que hoje em dia muita gente não sofra desse mal. Somos compulsivos por compras, medicamentos, informação, opinião, whatever. De certa forma, estamos sempre buscando mais e mais de alguma coisa, seja ela o que for. Mas fato é que algumas dessas compulsões são melhores aceitas pela sociedade, outras sequer são discutidas, não abertamente, não publicamente. Tira já a mão dai, menino (a). Até que essa necessidade se torna um hábito que vai crescendo, em uma proporção descontrolada, onde vc passa a adequar a sua vida para suprir aquela sua necessidade incontrolável, o seu desejo constante por algo.

E é disso que trata “Shame” um filme delicadíssimo (em quase todos os sentidos da palavra) do diretor Steve McQueen, que já havia trabalhado com o ator Michael Fassbender anteriormente em “Hunger” e novamente, acertou na escolha quando lhe entregou esse novo papel no cinema, digno de todo e qualquer respeito.

O filme fala sobre a compulsão sexual de Brandon (Michael Fassbender), que vive em NY, que como em qualquer outra grande cidade, é um lugar onde opções é o que não falta para que vc possa saciar esse seu desejo incontrolável. Imagine essa situação para um viciado em sexo nos dias de hoje,  sendo estimulado o tempo todo em um mundo cada vez mais visual, que tem uma cidade que nunca dorme aos seus pés, podendo resolver o seu problema a qualquer hora do dia, sete dias por semana. Difícil, não?

Brandon é um homem distante, quase que como se ele estivesse escolhido a sua postura fria como álibi para esconder o seu grande segredo, que o persegue nas horas mais impróprias da sua vida. Segredo esse que é a vergonha pela sua compulsão sexual incontrolável, que faz com que ele viva uma vida metódica, adequando o seu dia a dia as práticas do seu desejo, para quando e onde ele aparecer.

Aparentemente, no começo do filme pelo menos, ele parece até que conviver bem com o seu problema, apesar da vergonha, ou até mesmo culpa que ele carrega por isso. Mas eu não sei exatamente se “bem” é a palavra certa, talvez seja melhor dizer que ele vive de forma “ajustada” à sua condição. Até que ele vai se vendo cercado de olhares, porque afinal, ninguém vive sozinho no mundo e de certa forma estamos sempre sendo observados pelos outros. Como quando ele vê o seu computador no trabalho sendo confiscado pela empresa, para o seu desespero, onde mais tarde, eles descobrem toda e qualquer tipo de pornografia. Mas é claro que a culpa sobra para o estagiário, rs.

E esse desconforto com a sua condição fica ainda mais notável quando ele recebe a visita surpresa da sua irmã, interpretada também de forma brilhante pela atriz Carey Mulligan. Ela é Sissy, uma jovem depressiva, totalmente carente afetivamente e que ainda carrega um histórico de tentativas de suicídio, além da prática da automutilação. Ambos mantém uma relação bem esquisita desde o começo do filme, onde não chega a ficar bem claro quando ela aparece pela primeira vez, se ela é realmente da sua família ou apenas alguém que faz parte da sua história, até que esse fato é esclarecido mais tarde no filme.

Com ela indo morar na sua casa por uns tempos, o personagem se vê completamente fora da sua zona de conforto, como se tivessem derrubado a muralha que ele mesmo construiu ao seu redor para se proteger. De certa forma, ele acaba se vendo exposto a todo tipo de vulnerabilidade que ele tenta esconder o tempo todo, como quando a irmã recebe o chefe dele em seu apartamento para dormirem juntos, algo que se transforma em um grande tormento para ele, que parece estar tentando lutar contra os seus próprios instintos, quase como se estivesse sofrendo uma crise de abstinência por exemplo.

Nessa hora, vale a pena ressaltar o excelente trabalho de ator do Michael Fassbender no papel principal, que consegue transparecer todo o desconforto da patologia do personagem de forma muito real e até impressionante, caminhando muito bem entre a boa relação com a sua doença do começo do filme, até o surto total mais próximo do final, com o ator mudando quase que fisicamente por conta do que talvez tenha sido um dos picos do seu total descontrole físico e emocional. Talvez aquele momento tenha sido uma de suas overdoses.

Um trabalho de ator realmente impressionante e digo isso por dois motivos. O primeiro, por ele se desprender de qualquer pudor em relação ao seu corpo (maravileeeandro, diga-se de passagem, do tipo de bailarino. Höy!), encarando já na abertura do filme uma cena de nudez que para qualquer outro trabalho poderia parecer totalmente desnecessária, o que não foi o caso em “Shame”. E segundo, pela coragem de interpretar um personagem facilmente “marginalizado”, que poderia ganhar uma outra conotação totalmente diferente, se não fosse por sua brilhante interpretação, além da direção que é realmente uma obra de arte, vindo de alguém que tem essa bagagem e soube aproveitá-la muito bem. Clap Clap Clap para os dois, Fassbender e McQueen)

E essa “marginalização” do personagem e até mesmo da história, poderia facilmente acontecer se o filme não fosse tratado com a dignidade que lhe foi emprestada pelo olhar e cuidado do diretor. Mesmo com um alto teor sexual, o que não poderia ser diferente no caso de um assunto como esse, tudo é tratado da forma certa, com uma grande sensibilidade, mesmo quando algo é mostrado explicitamente por exemplo, mostrando a todo momento o quanto aquele personagem sofre por sua compulsão, apesar do conflito desse sofrimento estar entre o prazer e a satisfação de atender ao seu desejo. Não me lembro de ter visto o assunto ser tocado de forma tão correta no cinema, sem transformar o personagem em uma caricatura e sem deixá-lo com ares de “narcisista egocêntrico e insensível” ou apenas uma pessoa livre que gosta de viver todas as possibilidades da vida sexual moderna.

O longa também consegue mostrar muito bem esse estimulo constante de hoje em dia, com o personagem encontrando a oferta para a sua procura nos mais diversos formatos e variaçoes. Uma cena que eu achei lindíssima apesar de ser totalmente explícita, foi quando ele começa a jogar toda a pornografia que ele encontra em seu apartamento (e tem de tudo, mesmo), e ganhamos um take em close das páginas mais variadas das revistas sendo folheadas rapidamente.

Em um tentativa de mostrar que o personagem não se encontra completamente satisfeito com a sua situação e que ele até tenta fazer algo a respeito, no longa ganhamos um momento importante com Brandon tentando se relacionar de forma comum com uma colega de trabalho. O que obviamente não dá muito certo, chegando a ser frustrante para o próprio, mesmo com ele visitando um cenário que já foi estimulante para ele no passado, onde fica claro que o sexo com compromisso é algo que não funciona para ele, o que explica um pouco da sua dificuldade em se relacionar ou acreditar em um relacionamento estável ou até mesmo em um casamento, onde para ele essa ideia de monogamia e comprometimento para ser algo inalcançável e talvez por isso seja também algo inexplicável para o personagem.

Além disso, o filme é recheado de takes bem interessantes, pouco óbvios e que transpassam um grande nível de intimidade, como se a audiência fizesse parte também daquela sensação de invasão que o personagem passa a sentir em um determinado ponto do longa. O minúsculo apartamento do personagem por exemplo, nos é apresentado de diversos ângulos diferentes, com diversas perspectivas de um mesmo ambiente. E esteticamente o filme também é sensacional, com um beleza organizada e um contraste lindo do tom azulado com respingos de amarelo. Adorei por exemplo, uma cena em que eles estão no táxi a caminho de casa e os logos da avenida se refletem no rosto maravileeeandro da magia ruiva do Michael Fassbender. Höy!

Após assistir ao filme, fiquei pensando que despir o desejo do sexo e apresentá-lo como uma doença, não deve ter sido uma tarefa fácil, apesar do diretor ter conseguido a medida certa para esse feito. Ao contrário de decidir ignorar a “pornografia” que o assunto exigia, o que poderia ser um caminho até mais fácil, na intenção de deixar o longa mais “delicado”, a escolha em “Shame” é a de simplesmente mostrá-la de forma direta e prática, mas isso com um olhar especial, com uma plástica absurda e cheia de cuidados, que mesmo que vc se sinta em um momento de total voyeurismo naquela situação enquanto audiência, o lado sério da questão que está sendo mostrada no filme está sempre presente também, martelando na sua cabeça, como naquelas cenas lindíssimas que misturam o prazer com um sofrimento quase que insuportável do personagem principal. Algo realmente de muito impacto, além de uma beleza e sensibilidade indiscutíveis.

O legal também é que no filme, nenhuma questão foi ignorada e apesar do personagem ter suas preferências bem definidas, eles fazem questão de mostrar que para buscar a satisfação do seu desejo, uma pessoa viciada em sexo é disposta a tudo e ai está o maior perigo (pensando um pouco na prevenção até…), onde para se satisfazer ele não mede esforços e também não faz diferença entre gêneros. Aliás, muito boa a cena do personagem entrando naquele inferninho gay ao final do filme, um prato cheio para uma pessoa altamente estimulada como Brandon, não?

Como o filme escolheu tratar a patologia em si no presente e não as causas dela, não fica muito claro do porque de tudo aquilo, o que de certa forma não faz a menor diferença, mostrando apenas que a doença existe e ponto. Mas em um dos telefonemas depressivos da irmã dele perto do final do filme, fica implícito que eles vieram de um lar que talvez possa ser a fonte disso tudo. Mas não estamos aqui para apontar dedos e nem o filme, então…

O final é realmente desesperador, até que por um instante vc chega a ganhar um momento para respirar em meio a aquela tragédia anunciada, mas que ele logo se passa com o grito e o choro de desespero do personagem naquela cena “final”, mostrando toda a sua dificuldade encarando a realidade de que talvez agora, além de ainda ter que lidar com a irmã completamente carente e com um comportamento altamente perigoso fazendo parte da sua vida de forma presente (o que também pode ser uma tortura para quem sofre desse tipo de problema, gerando ainda mais conflitos dentro de uma cabeça já bem confusa), ele  tenha também a certeza  de que a sua forte necessidade (que na verdade nada mais é do que uma dependência) ainda habita dentro dele e de uma forma ou de outra, ele vai ter que lidar com o problema, ao contrário de apenas acalmá-lo momentaneamente, que vem sendo a sua fuga.

Uma discussão importante, levada na medida certa, que não nos apresenta uma solução, mas que nos faz pensar sobre o problema, que muitas vezes e em diversas sociedades, ainda não é tratado propriamente como um problema, permanecendo apenas como uma descontrole mal visto e tratado até de forma marginalizada, não sendo nunca encarado como doença, como deveria ser. Um grande filme, com grandes atuações e que vale a pena um lugar especial na nossa coleção.

ps: espero que depois dessa atuação, chova bons papéis para o Michael Fassbender. Höy! (Clap Clap Clap)

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11 Respostas to “Shame (on you)”

  1. Denise Says:

    Eu gostei bastante do filme. Achei maravilhosas as atuações do Michael Fassbender e da Carey Mulligan. Mas também acho que não é pra todo mundo esse filme.
    Muita gente vê esse tipo de vício e acha que é safadeza, mas o filme mostra o quanto Brandon sofre com isso. Ele não sente prazer com isso (no sentido de não curtir o momento), para ele é apenas busca da satisfação sexual e pronto. Por esse motivo que o sexo está totalmente desvinculado do sentimento, como vemos na cena dele com a colega de trabalho. E tanto ele se culpa, que ele próprio procura uma maneira de se castigar, que foi o que aconteceu no bar, antes de ele ir ao inferninho gay.
    Eu não assisti Hunger, mas li que é muito bom.
    Tantas caras bonitas que aparecem todos os dias, ainda bem que de vez em quando aparecem alguns que, além da cara bonita, tem talento de sobra!

    • Essy Says:

      É, realmente nem todo mundo vai conseguir digerir o filme como deveria e nesse caso, a conversa certamente vai percorrer caminhos obscuros. Uma pena…
      E o constrangimento do filme está mesmo nisso tudo que vc falou no seu comment, nas dificuldades do Brandon em apenas se relacionar (o que por si só já é bem complicado), na carência absurda da irmã, ou seja, em todos os exageros.
      Se Brandon era um compulsivo por sexo, sua irmã, Sissy, era uma compulsiva por afeto e atenção.
      Fiquei com o coração pequeno quando ele no alto da sua “overdose” no quarto com as duas mulheres, no momento X da questão, ele faz uma cara quase de como se ele estivesse sendo torturado, carregando um peso absurdo por mais uma vez ter satisfeito o seu desejo. Muito bom mesmo!
      E que ator não? Michael Fassbender vem roubando a cena em todos os seus últimos trabalhos (AMEI ele como o jovem Magneto) e acho que ele é um dos bonitões (bonitão com fundamento, nesse caso) que merece ficar. Höy!

      • Denise Says:

        Sabe que cena me deixou angustiada? Aquela que ele está jantando com a colega do trabalho e ele mal consegue manter uma conversa. Parece que tem uma trava, que não o deixa se entregar, mesmo que seja um bate papo só. A irmã dele é o oposto. Mal conhece, já se entrega e busca algo mais.
        A cena da “overdose” é boa mesmo! Daí a gente vê que não há envolvimento e que ele sofre com isso.

      • Essy Says:

        E aquele silêncio no meio das conversas no jantar, ou até mesmo as várias interrupções do garçom quando ele finalmente estava se esforçando um pouco mais para manter um diálogo, são mesmo constrangedoras. O que mostra também que além do esforço dele, a vida não colabora, não é mesmo?
        Pelo menos esses desconforto a principio poderia ser confundido com timidez, o que seria uma boa saída para o Brandon. Nesse caso, até achei que ele se saiu bem, se manteve encantador, mesmo fora da sua zona de conforto. Isso até antes da sequência do encontro naquele outro dia, naquele hotel maravileeeandro, que ilustrou muito bem como as coisas funcionam na sua cabeça.

        Aquela cara que ele faz ao final da cena da overdose, é de um sofrimento absurdo. Vc até se esquece do cenário da sequência toda até esse ponto do filme e só consegue sentir pena do personagem nessa hora.

  2. Dani Z Says:

    É verdade, é um desses pequenos grandes filmes. Há planos em que a câmera está por trás dos atores, e assim nos sentimos dentro da cena, o que por vezes, é constrangedor. Mas o maior constrangimento, pelo menos para mim, nem teve nada a ver com sexo compulsivo e sim com a incapacidade do Brandon de ter laços de intimidade. Assim como também é constrangedora a carência da irmã, que poderia amar um poste de luz se esse lhe desse amor. Há muito da cultura e dos hábitos protestantes e caretésimos dos norteamericanos também. Parece que pra eles, sexo é sempre sujo, motivo de culpa ou de arrependimento. Vide as estórias de escândalo de seus políticos por exemplo, O filme tem uma narrativa levada com perfeição e é clap clap mesmo para o diretor. Uma das falas finais da irmã diz: ” Não somos pessoas ruins, mas viemos de um lugar ruim” e foi nisso que fiquei pensando. Não no comportamento dessa dupla, mas que maldita criação devem ter tido. Que coisas horrendas teriam acontecido para causar tanto dano. O momento que mais me comoveu foi na cena em que estão no bar aonde ela canta aquela versão estranhíssima de New York, New York, e o irmão chora, discretamente. Do que foi que ele lembrou? Isso ainda me intriga…Adoro filmes que fazem isso comigo. Afinal, não é essa a maior e melhor função da arte? Nos perturbar?

    • Essy Says:

      E esses planos deixam tudo muito mais intimo não? Como se a gente fizesse parte daquele constrangimento todo do personagem, daquela invasão que de repente ele vê a sua vida sendo tomada.

      Acho até que o filme usou dois argumentos para discutir o constrangimento ou a vergonha, tratando dois pontos distintos, um bem comum e o outro totalmente tratado da forma errada pela sociedade, que é exatamente essa carência exagerada da irmã dele (e quem é que não conhece uma Sissy?), assim como a patologia do Brandon. (e quem é que não desconfia conhecer pelo menos alguém assim? E só “desconfia”, porque o assunto quase nunca é bem vindo)
      Sexo tem um relação com a culpa, com a vergonha, desde cedo na vida de quase todo mundo. Quando a mãe diz “tira já a mão dai criança”, pode ser a nossa memória mais antiga sobre o assunto sendo tratado dessa forma.Errada. (gostaria de saber o que dizer nessa hora, no caso de ter um filho um dia…Vou até pesquisar sobre, rs)

      Também fiquei curioso para entender a relação familiar daqueles dois e para isso ficou mesmo faltando o histórico daquela família, ainda mais depois daquele último telefonema da sua irmã. Mas senti que o filme optou por mostrar a existência do problema e não suas raízes, que podem e devem variar para quem se encontra nesse mesmo tipo de situação.
      Agora, aquela cena de “New York, New York”, muito bem executada pela atriz por sinal, foi mesmo para pensar. Um constrangimento absurdo, com uma cena demorada, longa, onde parecia que o hit não teria mais fima, para tortura do Brandon.

      Pessoalmente, eu acho que aquelas lágrimas no momento dessa cena e todo aquele desconforto de ter a irmã vivendo com ele, além do fato dele não estar preparado para ter mais um “problema incontrolável” na sua vida, deve ter a ver com o fato dela ser uma mulher, adulta, bonita, o que por si só já poderia ser um estimulo para uma pessoa com problemas como ele e talvez essa dor toda que ele passou durante esses momentos (até mesmo na cena onde ela está com o chefe dele no seu quarto) tenha alguma relação com um conflito interno do próprio personagem, lutando para que a sua compulsão não ultrapasse outros caminhos, o que talvez fosse o limite para ele. (e nesse caso, ainda bem que ele tinha algum limite)
      Senti que aquele sofrimento e aquelas lágrimas estavam diretamente ligadas a esse conflito.

      E como é bom colocar a cabeça para pensar, não? AMO ficar perturbado pela arte, AMO!

      Pausa para uma historinha:

      Em uma das minhas primeiras visitas a uma instalação, primeira já como adulto, com alguma experiência e tudo mais, estava com o pessoal da minha sala na faculdade em uma exposição. Lá, um dos curadores acompanhava um grupo e parei para obersvá-lo, porque na verdade, eu prefiro ver tudo por mim mesmo sabe? E só busco maiores informações depois de vivenciar a experiência meio que comigo mesmo.
      Até que ele perguntou o que aquela obra representava para aquelas pessoas, e todas constrangidas por trás da máscara do pseudo intelectual, preferiram se deixar a parte da situação, com uma ou outra apenas arriscando um palpite errado sobre a obra.

      Até que eu não me contive e soltei um: é um pênis, um objeto fálico (embora fosse uma escultura nada óbvia, sabe?)
      Recebi na hora os olhares mais indiscretos possíveis, de reprova, quase como se eu tivesse falado a palavra proibida, marginalizada até mesmo em um ambiente de arte. Mas para a minha sorte, era exatamente isso que a obra representava, e todos eles tiveram que ouvir a explicação “detalhada” daquilo que talvez eles estivessem tentando evitar. PÁ!

      Lembrei disso porque na hora em que assisti o filme, lembrei desse momento, que também prova que é possível sim usar um assunto tão constrangedor para fazer arte e isso não de uma forma óbvia, como estamos acostumados em algumas situações, essas sim, bastante constrangedores. (rs)

  3. Nadja Pereira Says:

    Excelente texto. Tive que fechar os olhos diante da magia ruiva do irlandês, pois o tema é muito sério. Torço por ele. Quem me surpreendeu, positivamente, foi a Carey. Sua interpretação de “NY NY” é de arrepiar.

    • Essy Says:

      Thnks! Pois é, a beleza dele nesse caso, mesmo hipnotizante (Höy!), acaba ficando em segundo plano para um assunto tão sério e quase nunca tratado dessa forma. Carey realmente executou muito bem a música, além de estar excelente na pele da também constrangedora Sissy.

  4. Maio, Höy! « The Modern Guilt Says:

    […] mais agora, que já falamos seriamente sobre “Shame” e já estamos liberados para qualquer tipo de comentário […]

  5. The Modern Guilt Awards 2012, a quarta edição do prêmio mais sensacional de todos os tempos « The Modern Guilt Says:

    […] que a gente não poderia deixar de ter visto e precisava conferir antes que fosse tarde demais. (“Shame” ,  “The Artist” ,  “We Need to Talk About Kevin” , […]

  6. 12 Years a Slave, o trailer | The Modern Guilt Says:

    […] Prontos para encarar mais uma parceria do Michael Fassbender e o diretor Steve McQueen? (“Shame”) […]

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