A temporada do caos em Greendale

Logo de cara eles já chegaram avisando em formato de musical que estavam sem grana para essa temporada, completamente cientes de que estavam também um tanto quanto desacreditados pelo seu próprio canal, mas mesmo assim, prometiam fazer uma terceira temporada sensacional. E assim fizeram e não tem como negar que a Season 3 de Community foi tão excelente como de costume, mesmo com tantos obstáculos em seu caminho atualmente.

Mas essa temporada realmente foi bastante turbulenta e também não tem como negar que todo esse clima caótico em Greendale acabou afetando a série negativamente. Sobre a mira do cancelamento eles permaneceram por boa parte dessa temporada, amargando números cada vez mais baixos na audiência da NBC, o canal que hoje mantém as melhores comédias no ar, mas que também está a um passo de perder até mesmo esse status em um futuro próximo, já tendo anunciado a última temporada de 30 Rock por exemplo, que é uma das melhores séries de comédia na TV atualmente e uma redução para 13 episódios da própria Community, que com muito esforço conseguiu garantir a sua Season 4, pelo menos pela metade. Ufa! Mas tudo indica que o famoso sonho das #SixSeasonsAndaMovie esteja bem longe de acontecer.

No meio de tudo isso ainda tivemos um hiatus forçado, praticamente no meio da temporada, onde a série chegou até a ficar sem previsão de data de retorno. Depois, ficamos sabendo da briga entre o Chevy Chase e o Dan Harmon (criador da série), algo que acabou vindo a tona no Twitter, além da NBC anunciar nos últimos dias a mudança do dia de exibição de Community, que para a próxima temporada irá ocupar uma vaga nas sextas mortas da TV americana, que todo mundo sabe que é o dia do castigo para as séries desacreditadas ou pouco lucrativas. As vezes os dois, rs. E quando a gente imaginava que estaria tudo mais calmo após a renovação, veio a última surpresa de Community, com o afastamento do Dan Harmon como o showrunner da série, que aconteceu de uma forma não muito amigável ou profissional, segundo o próprio. Uma sacanagem que com certeza ainda irá repercutir muito em Greendale, ainda mais considerando que a Season 4 provavelmente deva ser a última temporada da série. O que a essa altura parece mais do que certo. Uma mudança que logo na sua possível temporada de encerramento e depois de tantos problemas, me parece mais do que preocupante também. Será que Community nunca mais será a mesma?

Mas colocando tudo isso de lado, ainda assim tivemos uma temporada memorável, com diversos momentos sensacionais, o que pensando no passado da série, chega até a ser um hábito comum. E quando uma série como Community, mesmo com esse total clima de caos em seus bastidores, ainda consegue nos entregar uma temporada super bacana, nós que somos fãs da série ficamos ainda mais sem entender o porque deles serem pouco queridos de uma maioria.

Mas durante essa retal final da temporada, em um episódio bem específico, até que eu cheguei  a conseguir entender na prática, onde talvez esteja essa resposta…

E isso aconteceu no super elogiado episódio onde eles seguiram a estrutura de um clássico episódio de Law & Order (3×17 Basic Lupine Urology). Passei o dia seguinte lendo uma série de críticas positivas falando desse episódio e a minha sensação em relação a ele não foi das melhores. Muito provavelmente, eu acabei não gostando do mesmo porque eu não suporto o formato de Law & Order, nunca gostei na verdade, que definitivamente é o tipo de série que não é foi feita para mim. E digo mais, nunca sequer consegui assistir a um episódio inteiro da série. BOOM! E nesse momento, pela primeira vez eu acabei entendendo o que deve ser Community para alguém que não entende o seu banho de referências a cada episódio, o que pode fazer dessa uma experiência bem chata mesmo, como acabou sendo esse “aclamado” episódio para mim. Zzzz

Nessa hora eu acabei vivenciando na prática o que a série pode representar para muitas pessoas, que provavelmente é o que a distancia de uma grande audiência, por exemplo. Não que eu ache que qualquer pessoa para assistir Community tenha que ser super inteligente ou ser um poço sem fundo de referências, não é isso. Mas digamos que ter um certo repertório bem específico, acaba ajudando na compreensão da série a ponto de torná-la tão especial para quem é fã de Community. Talvez por isso ela seja uma série de tanto amor e de tanto ódio ao mesmo tempo.

Tirando isso, preciso dizer o quanto eu me diverti com o Greendale 7, que estiveram ainda mais enlouquecidos e cheios de referências durante toda essa temporada. De episódios geniais como aquele com as seis realidades alternativas do começo da temporada (3×04 Remedial Chaos Theory) , até algo muito mais simples e ainda assim sensacional, como um episódio inteiro com cara de “foto jornalismo” (3×14 Pillows And Blankets) acompanhando a guerra entre os reinos de Troy e Abed em uma clara referência a Game Of Thrones, passamos por momentos bem bacanas durante essa temporada, o que só tornaria ainda mais injusto o seu cancelamento. Ainda bem que isso não acabou acontecendo no final das contas.

O meu preferido de todos os episódios durante essa Season 3 foi aquele com o documentário do Dean (3×08 Documentary Filmmaking: Redux). Que sensacional, não? Uma ideia relativamente simples, com um dos personagens secundários da série (dos mais queridos por sinal e acho que faz tempo que ele nem é mais tão secundário assim), um episódio que realmente foi um dos mais especiais da temporada. Aliás, acho que vale a pena até dizer o quanto o próprio Dean cresceu dentro da série, se tornando hoje um dos personagens principais dentro daquele cenário. Go Dean! Go Dean!

E #TEMCOMONAOAMAR sua tara por dálmatas, ou suas 1001 fantasias, todas espremidas em um cubículo dentro da sua própria sala, que são a sua marca para distribuir boas e más (geralmente más) notícias para todo o Greendale 7, onde sempre acaba sobrando uma mão boba no corpo do Jeff? Sério, eu sempre gostei demais do personagem, mas durante essa temporada ele acabou mesmo roubando a cena.  Ainda mais quando nos foi revelado que aquele grupo de 7 estudantes é de fato o seu preferido e que ele acabava os favorecendo o tempo todo, algo que a gente no mínimo já desconfiava, vai? Clap Clap Clap!

O que eu gosto bastante em Community é que eles não se importam muito em arriscar e em toda temporada nós acabamos ganhando uma série de episódios que além das referências mil, hoje já tão comuns e até esperadas, acabam trazendo também uma nova linguagem meio que experimental para a série. Como dessa vez tivemos o episódio onde conhecemos a versão criança de cada um deles e com isso ganhamos também suas versões em anime, ou o mais do que sensacional episódio dessa reta final da temporada, todo em 8-Bit, onde todos eles ganharam vida dentro de um jogo de videogame  que tinha como objetivo final ganhar a herança do Peter e que ainda ganhou a participação do Gus de Breaking Bad (R.I.P, rs). Sério, #TEMCOMONAOAMAR?

Pior é que além de super foufos em 8-Bit, eu não consegui me conter com o personagem do Troy pulando de um lado para o outro, totalmente desgovernado, como normalmente eu mesmo costumo jogar esse tipo de game multiplayer, para desespero dos meus parceiros todos, rs (sorry!). Sem contar que o episódio inteiro além de muito especial é também recheado de piadinhas, como o formato fálico ao fundo quando eles estão passando pelo cenário gay do game, onde o Peter aproveita para dizer que o Jeff se saiu muito bem naquela fase, além da piadinha super escrota sobre a preguiça no cenário da parte mexicana do jogo, o que pra gente aqui seria o equivalente as piadinhas de preguiça sobre o povo baiano. (#SHAMEONYOU)

A referência a Game Of Thrones no episódio da batalhas dos fortes no comando do Abed vs Troy também foi sensacional e eu só fico imaginando o trabalho para construir todo aquele cenário sem que ele acabasse desabando por competo. Minhas cabanas quando criança nunca tiveram uma sustentação tão boa assim, rs. E a descoberta de que Greendale vem sendo alugada para Raves de finais de semana? Tudo isso com um corredor da escola todo em fluo e um Dean dançando freneticamente e esperando se dar bem na noite. Howcoolisthat?

E no meio disso tudo nós ainda tivemos outros momentos excelentes como o episódio meio Glee que eles tiveram a cara de pau em arriscar (eles que sempre se declararam inimigos da série), além daquela festa onde cada um deles teve que ir representando um sósia de uma celebridade/personagem, tudo isso para livrar a cara do Abed que havia gastado uma fortuna contratando o serviço de sósias para representar cenas de filmes em sua vida real, onde o próprio me apareceu na sua versão feminina, vestido de Jamie Lee Curtis, onde eu quase não consegui me conter de tanto que eu acabei dando risada naquele momento.

Mas eu preciso ser sincero e reconhecer pelo menos um ponto fraco da série que chega a me incomodar muito e esse ponto fica por conta dela: Annie. Ela sozinha até que tudo bem, eu acho menos irritante, mas o meu problema maior é mesmo quando eles insistem em forçar essa tensão sexual entre ela e o Jeff. Sinceramente? Eles não me convencem nem um pouco juntos e isso desde sempre. Gosto muito mais do Jeff com a Britta por exemplo, onde a tensão sexual deles quase não se suportarem por serem tão diferentes, poderia ser muito melhor explorada na minha opinião. Além disso, acho a Annie infantil demais, mesmo com ela sendo declaradamente a mais nova do grupo. Além do que, Britta ao lado do Jeff funcionaria muito mais também do que tentar colocá-la ao lado do Troy por exemplo, que todo mundo sabe que a sua alma gêmea é o Abed e estamos completamente satisfeitos com esse bromance entre os dois, onde qualquer outro plot do coração para ambos se torna totalmente desnecessário. (se bem que foi bem foufo o Abed 8-Bit se apaixonando pela princesa do jogo, hein? Awnnn!)

Dupla que é sempre excelente e até naquelas “tirinhas” finais de episódios conseguem nos fazer rolar de tanto rir com um simples olhar ou uma “placa” escrito “falha técnica” em uma folha de papel qualquer, rs. O que foi também os dois tentando ser normal no casamento da Shirley? Ou suas viagens no “dreamatorium” a lá Doctor Who? (e a série inglesa aparecendo mais uma vez na TV americana. WHO!)

A reta final da série também foi bem excelente, mas eu achei uma pena eles terem escolhido passar os 3 últimos episódios na mesma noite. Mais um indício de que a relação entre Community e a NBC não anda das melhores e a sensação que fica é a de que eles queriam se livrar logo de tudo aquilo que deve ter se acumulado devido ao enorme hiatus que a série sofreu na metade dessa temporada. Sem contar a cartilha que acabou “vazando” entre ontém e hoje, sobre como a NBC gostaria que os atores se comportassem depois da saída do Dan Harmon…

Mas ainda assim foram três episódios sensacionais (um deles foi exatamente esse do 8-Bit que me deixou completamente apaixonado, ♥), mas que assim como aconteceu em Fringe durante essa temporada por exemplo, poderiam ter sido os episódios finais da série e por isso tivemos um certo clima de series finale no ar, mesmo que discretamente ou até mesmo de forma bem preguiçosa. Eu até acho o penúltimo episódio (3×21 The First Chang Dynasty), que foi o que marcou o resgate do Dean das mãos da Dinastia Chang (que se encontrou como segurança do campus, cercado dos seus soldados mirins e também esteve impagável nessa reta final da temporada) e que marcava também a volta do Greendale 7 antes expulso e agora tendo a chance de  finalmente conseguir terminar suas graduações. Um episódio muito melhor do que o que realmente encerrou essa temporada (3×22  Introduction to Finality), que apesar de apresentar algumas resoluções para a maioria dos personagens, acabou sendo relativamente mais fraco.

E ainda assim, mesmo com o caos totalmente instaurado em Greendale, Community conseguiu sobreviver bravamente a essa sua turbulenta Season 3. Mas um conselho de super fã da série que eu dou para todos eles é que considerem essa Season 4 como uma possibilidade de final e cheguem derrubando tudo com força e com vontade, como se fosse a última chance. Assim, se a série conseguir sobreviver a mais um ano, ainda estaremos todos no lucro. Pensem nisso…

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