Era uma vez …

Once Upon A Time já logo de cara poderia ser considerada como uma série covarde. Digo isso porque me parecia bem fácil, pelo menos a princípio, brincar com uma memória afetiva de histórias e personagens conhecidos e que de uma forma ou de outra, todos nós compartilhamos.

Mas a série da ABC conseguiu ir além disso, onde para tal, eles tiveram que assumir o risco de inovar dentro de histórias tão familiares para uma grande maioria e por esse motivo, a série acabou supreendendo a todos com a sua proposta inovadora, que a essa altura já não me parecia mais ser covarde e sim completamente corajosa.

Tudo bem que logo de cara eu imaginei que toda essa dinâmica tinha tudo para não dar certo. Misturar histórias de contos infantis com a vida real, dividindo-as em duas realidades diferentes me parecia ter tudo para dar errado. E mais uma vez eu me precipitei nas minhas próprias opiniões pessoais antes mesmo de conhecer a proposta e acabei me deparando com uma série super foufa, que tinha tudo para se tornar mais uma história infantil com final feliz, daquelas que a gente custa a esquecer, mesmo com o tempo.

Também, brincando dentro desse universo super conhecido e dando vida a personagens já tão queridos de todos nós e ainda trazendo um algo mais para suas histórias já tão conhecidas, seria praticamente impossível que pelo menos esse layer da série não fosse bem bacana. E mesmo comprovando ao assistir a série o quanto ele conseguiram desenvolver muito bem essa proposta, eu sempre acabava me perguntando: e o que aconteceria do lado de lá, o lado da vida real? …

Mas ok, vamos por partes. Primeiro ainda precisamos falar desse universo encantado, antes de encararmos a vida real.

No lado encantado da história, quase tudo foi bem perfeito o tempo todo. Histórias super conhecidas sendo contadas com algum elemento novo, o que por si só já era o maior trunfo da série e desde já agradecemos por eles terem escolhido esse caminho mais audacioso para transformar em algo novo, uma coisa tão familiar para todos nós. Tirando a falta de qualidade dos efeitos de alguns cenários, de vez em quando um figurino ou um make meio assim, talvez até pelo alto custo que tudo isso acarretaria para uma série estreante (o que eu acho que deva ser superado na próxima temporada, com a entrada do dinheiro dos lucros dessa Season 1 + o investimento que deve ocorrer naturalmente), tirando tudo isso, foi praticamente impossível não achar sensacional as resoluções que eles acabaram encontrando para personagens que já existiam em nossas memórias afetivas e mesmo assim, contando uma história relativamente nova, totalmente baseada nessas figuras que todo nós temos o maior carinho desde muito cedo.

Dentro desse universo, fiquei super emocionado com a história do Grilo Falante, ainda no começo da temporada e também com o plot do amor de um dos Sete Anões pela Fada cor de rosa (♥), em um dos episódios mais foufos dessa primeira temporada. Mas nada foi mais surpreendente e audacioso, do que a revelação de que nessa nova versão para a TV, a Chapeuzinho Vermelho era também ninguém menos do que o próprio Lobo Mau. Howcoolisthat?

Impossível não gostar também de personagens como a nova Snow White, que enquanto personagem de contos de fadas era muito mais legal do que todas as versões que nós já vimos nos livros ou até mesmo no cinema. Uma mulher com características de heroína, lutando pelos seus objetivos e em nome de uma justiça que em terra comandada por uma Rainha Má e Bruxa, seria quase impossível de se conquistar.

Do lado negro da força ganhamos uma Rainha má do tipo beeem má, uma mulher amarga, capaz de tudo para alcançar os seus objetivos, mas que ao mesmo tempo, com o decorrer da história, fomos conhecendo um outro lado da sua personagem, onde descobrimos que nem sempre ela foi tão má assim, construindo assim aquele perfil de vilão que não é apenas vilão, do tipo que a gente adora. Muito embora toda a sua mágoa em relação a Snow White tenha sido um tanto quanto exagerada, não? Por isso considero que apesar do passado mais calminho da personagem, uma Bruxa Má já estava adormecida ali dentro, pronta para botar os seus feitiços para fora a qualquer momento.

Outro vilão que apareceu nesse novo conta de fadas foi o Rumpelstiltskin, personagem que nem é tão popular dentro desse universo (pelo menos não na nossa cultura, eu acho). Para ele sobrou o papel do vilão meio dúbio, que joga dos dois lados o tempo todo, onde nunca ficou realmente claro quais eram suas reais intenções dentro daquela história. Ele que também acabou fazendo as vezes de Fera, ganhando uma Bela para chamar de sua. (tadinha da Claire de Lost… só se dá mal)

Dentre tantas possibilidades, ganhamos diversos personagens queridíssimos, como o Grilo Falante (muito bem executado, por sinal), Gepeto e o seu Pinóquio, a Fada Azul e até mesmo os 8 anões (sim, segundo a série, eles já foram 8), onde obviamente que falar da história da Snow White sem falar dos anões, seria praticamente impossível.

Como na série nem tudo segue a risca as histórias que nós já conhecemos e sempre ganhamos um elemento novo a mais para elas, nessa versão para TV, a Snow White acabou se casando com o Príncipe Encantado (e que princípe, hein? Höy!) e tendo uma filha chamada Emma, a qual seria uma personagem bastante importante para a trama toda, principalmente no lado real da história, sendo descrita desde o início como única capaz de acabar com a maldição da cidade de Storybrooke, cenário para a vida real desses personagens todos do outro lado da história.

Mas eu não vou ficar aqui contanto os plots todos da série e descrevendo cada um dos personagens que nós conhecemos durante esses 22 episódios da sua primeira temporada, porque nesse caso eu deveria escrever um livro infantil e não esse post portanto, após essa pequena introdução aos personagens mais importantes da trama e alguns momentos, vamos logo pulando para o que interessa.

Desde que Once Upon a Time começou, fomos enfrentando uma série de detalhes técnicos meio falhos, principalmente na questão dos efeitos especiais, com cenários bem meio assim e uma plástica nem sempre muito bem cuidada/executada. Mas perdoamos tudo isso pelo apego a suas histórias, sempre tão interessantes pelo lado fantasioso, que a gente até acabava deixando passar um detalhe como uma falha técnica meio assim, aqui ou ali.

No meio dessas histórias de fantasia, não teve como não nos emocionarmos com a história do Grilo Falante, citando apenas um exemplo delas, ele que na vida real era o psicologo do Henry. Aproveitando que falamos nele, Henry era o único que sempre desconfiou que a vida em Storybrooke era baseada no seu livro de contos de fadas e que todos por ali faziam parte de suas histórias, mas por algum motivo não se lembravam desse detalhe. Ele que assim como Emma, ainda não ganharam suas versões encantadas para a série. Fico imaginando quem ele seria… (ou se eles seriam alguém mesmo)

Outro momento extremamente tocante da temporada foi a história do Pinóquio, que havia aparecido apenas no piloto, mas que depois havia sumido na vida real e a gente não sabia exatamente o porque. Até que ele surgiu maravileeeandro e teve uma importância super relevante para o desenrolar da história da própria Emma, a mocinha da trama. Episódio esse que acabou provando que eles conseguem sim tomar um pouco mais de cuidado com o visual da série, onde eles conseguiram dar vida a um boneco de madeira de forma bem digna, mesmo usando os recursos dos efeitos especiais que nem sempre funcionam na série, como eu também já disse.

Já que tocamos no assunto, como esquecer ou ignorar os fundos super falsos do episódio do Principe? Logo ele, que ainda ganhou uma peruquinha pavorosa durante o mesmo e um gêmeo magia que morreu no decorrer do episódio, para o nosso total desespero. Imaginem só, dois Charmings? Höy²! Assim como a tentativa de recriar Wonderland, que só não foi mais falha porque a sua participação/duração em cena foi curta. Eu que as vezes acho os efeitos de Doctor Who bem meio assim, acabei ficando constrangidíssmo com a versão de Once Upon a Time para a minha terra encantada preferida de todos os tempos. Mas o plot do chapeleiro foi bem bacana também então, estão perdoados.

Mas se tudo no lado encantado da história acabou funcionando muito bem, mesmo com todos os seus efeitos especiais meio assim, algo que a essa altura a gente até já deixava passar, em Storybrooke, cidade onde os personagens das histórias infantis estavam todos presos e sem memória de suas reais identidades encantadas, isso por conta de uma maldição da própria Rainha Má (que na cidade ainda mantinha a função de prefeita), do lado de cá, onde as histórias infantis davam espaço para a vida “real” de seus personagens, ou pelo menos ao que eles acreditavam ser real, tudo andava bem lentamente e quase nada de fato acontecia, o que eu acho que foi uma das maiores falhas dessa primeira temporada.

A não ser o principal, como a Prefeita Regina, mãe do Henry (Rainha Má do lado de lá), que ficou naquela disputa interminável pela guarda do garoto ao lado da Emma (que é a sua mãe biológica), mesmo sem que ambas tenham tomado qualquer medida legal a respeito da guarda do garoto. Maria Margarete, a professorinha da cidade (e Snow White do lado de lá), permaneceu sempre com os seus olhares profundos de quem sempre perdoa, mesmo levando um tapa na cara atrás do outro do David (do lado de Lá James, o Príncipe Encantado), o seu príncipe que na vida real e convenhamos que ele era bem bunda molão, vai? O que só nos prova que Príncipes Encantados realmente não existem. Desistam! (Humpf!)

Sempre com a presença do Mr Gold (Rumpel do lado de lá) no meio disso tudo, sempre oferecendo ajuda para quem estava passando por algum tipo de problema, mas não sem antes pedir alguma coisa em troca. Mas tirando tudo isso, do lado real da história, eles realmente ficaram devendo no ritmo e relevância, uma vez que quase nada de importante aconteceu para aqueles personagens. Tudo bem que a gente entende que o apelo maior da série obviamente  seria o lado encantado da história, muito mais apelativo por natureza, mas achei que ficou faltando alguma coisa nessa parte mais pé no chão da série, mesmo que tenha acontecido alguma movimentação nesse sentido também, o que eu considero que talvez não tenha sido o suficiente.

Mas como a série é uma história com um enorme apelo infantil, declaradamente feita para a família, é impossível não gostar de Once Upon a Time, a ponto dos seus defeitos todos se tornarem apenas pequenos detalhes em relação ao tamanho das suas histórias e todo o seu potencial dentro desse universo riquíssimo das histórias infantis e personagens mil. Resta saber até quando a gente consegue passar por cima de tudo isso…

E algo precisava encerrar essa temporada, trazendo assim uma resolução para que aqueles personagens enfim se livrassem do feitiço, com a Emma finalmente acreditando na teoria do Henry e a sua “Operação Cobra”, entendendo de uma vez por todas que o garoto realmente estava falando a verdade, por mais absurdo que isso pudesse parecer. Tudo bem que isso também aconteceu de forma até que fácil demais, com ela apenas tocando o livro (que ela já tinha tocado e lido por diversas vezes) em um momento de desespero (que seria a justificativa para tal) e dessa vez tendo uma espécie de flash sobre o universo de faz de conta. Um start um tanto quanto fácil demais para a história, vai? Mas o episódio em si que encerrou essa primeira temporada foi bem bacana, cheio de aventura, dragões e a Emma cumprindo o seu dever, unindo o começo e o fim dessa história que passamos a acompanhar durante essa temporada, chegando assim a um ponto em comum nos dois universos, encantado e real. (confuso?)

Achei sensacional a hora em que ela se atracou com a Regina naquele quartinho do lado real, estapeando a mulher que envenenou o seu filho, na tentativa de envenenar a própria. E a forma como a maldição foi quebrada, com o verdadeiro amor aparecendo como salvação para o Henry, foi realmente muito foufo, um momento bastante especial para Once Upon A Time. E o mesmo aconteceu para o tão esperado encontro Snow + Charming no lado real dessa história, onde não só eles mas todos os personagens de Storybrooke acabaram recuperando suas memórias “encantadas”.

Só não entendi o porque de ninguém ter voado no pescoço da Regina naquele momento, ou ter pensando em pelo menos mantê-la presa em algum lugar. Outro ponto que eu achei que ficou faltando e que poderia ter aparecido nesse momento, seria o encontro do Chapeleiro com a sua filha. Uma pena isso não ter acontecido…

E ainda nessa reta final, com a maldição finalmente quebrada, algumas dúvidas surgiram no ar, como por exemplo, o porque eles terem permanecido em Storybrooke após a quebra do feitiço? Na verdade, essa era a minha grande dúvida sobre a resolução dessa história e eu não consigo muito bem arriscar alguma teoria sobre o assunto do que poderemos ver durante a próxima temporada da série.

Mas o que eu estou curiosíssimo para ver é como irá ficar a dinâmica familiar entre o casal Snow e Charming com a filha Emma (que tem praticamente a mesma idade que eles, rs) e o neto Henry. Imaginem o primeiro jantar em família desse núcleo? Super foufo! E se esse momento contar com a presença dos anões então… (rs).  Aliás, alguém mais desconfia que o pai do Henry seja o filho desaparecido do Rampel? Hmm…

Com isso, ainda tivemos um momento importante vindo diretamente do Rumpels, que encerrou o episódio devolvendo em formato de uma gigantesca fumaça roxa (o novo monstro de fumaça, rs), toda a magia para os seus devidos personagens. Agora só nos resta saber o que isso trará de novo para a história que deverá seguir a sua Season 2 na próxima Fall Season.

Mas o próximo capítulo dessa história, nós só teremos na próxima temporada. Vejo vcs em Storybrooke!

 

ps: Enquete Guilt – Quem seria vc no universo de Contos de Fadas?

Etiquetas: , , , , , , ,

4 Respostas to “Era uma vez …”

  1. Jubs Says:

    Após esse post eu vou me jogar em Once Upon A Time. Relutei para ver a série, mas depois que tive a coragem de ver o Piloto + esse post (quem liga para spoiler?), eu vou ter que ver a série, né.

  2. The 10th Doctor (parte 3 – final) « The Modern Guilt Says:

    […] começo da sua carreira, muito antes de se tornar conhecido por seu papel com o Prince Charming em Once Upon a Time, fazendo uma ponta como uma das criaturas daquela […]

  3. Once Upon A Time, a série que foi traída pelo próprio fetiço | The Modern Guilt Says:

    […] jeito ou de outro, faz parte do repertório de quase todo mundo. Mas em pouco tempo durante a sua Season 1, a série consegui provar seu valor nos mostrando o quanto eles conseguiam ser corajosos o […]

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s


%d bloggers like this: