Parks And Recreation transformando política em um dos plots mais divertidos da temporada

Leslie Knope esteve impossível durante essa Season 4, hein?

Ano passado resolvi encarar a minha maratona dentro de Parks And Recreation (Seasons 1 + 2 e Season 3) e digo hoje com orgulho que foi uma sábia decisão. Sabe aquela comédia legítima, que vc assiste com prazer e surpreendentemente não precisa do menor esforço para entender ou te fazer rir de verdade? Então…

Tudo bem que a gente também adora uma boa comédia inteligente, do tipo recheada de referências vindas diretamente da escola de 30 Rock, ou da sua prima mais nova (e mais literal) Community. Mas de vez em quando é bom também rir de situações mais tolas, escrachadas e que são genuinamente engraçadas, sem fazer o menor esforço para atingir o objetivo básico de toda comédia. E assim é Parks And Recreation para mim, uma comédia que eu assisto para me divertir e muito. Pura e simplesmente.

E dessa vez tivemos uma temporada política para a série, com a candidatura da Leslie que todo mundo sabe que nasceu para a política, não tem jeito. Dentro de Pawnee, ninguém é mais apaixonada por aquela cidade, além do que, Leslie veio se preparando para ter uma carreira política por toda a sua vida (como tivemos a chance de ver naquele seu vídeo antigo ótimo dela ainda quando criança). Tudo bem que o seu sonho era mais uma carreira política do tipo “respeitável” e o que nós acabamos ganhando foi um começo para essa carreira no mínimo bem apatralhada, para a nossa total sorte.

Dentre a maioria das comédias no ar hoje, Parks é a que mais conseguiu manter uma continuidade para a sua história (mesmo tendo abandonado plots antigos, como a construção do famoso parque das primeiras temporadas) e por isso, durante toda essa Season 4, mesmo com diversos plots mais avulsos a casa episódio, a base de toda dessa temporada foi mesmo a carreira política da Leslie Knope, passando por diversas fases, com começo, meio e fim. O que no universo da maiorias das séries de comédia hoje em dia, não é algo tão comum assim. (Community e Modern Family por exemplo, vc pode até assistir episódios soltos e mesmo assim fica tranquilo de acompanhar)

Nesse caminho, Leslie foi passando por todas as fases dessa sua trajetória política, desde o plot de ter tido a sua vida amorosa sendo julgada pelo conselho da cidade, o que acabou levando a demissão do Ben da sua posição dentro da Prefeitura (o que eu achei meio cretinice por parte do Chirs, mas que é “justificável” pelo lado profissional da coisa), que acabou nos revelando um lado mais depressivo do Ben durante o período em que ele ficou desempregado (e que foi ótimo também), passando pela fase de conseguir votos em todos os clãs da cidade, em um dos episódios mais sensacionais da temporada, com aquele seu discurso na pista de patinação onde tudo deu errado. Até a apresentação do seu principal concorrente na eleição, personagem interpretado pelo ator Paul Rudd, que mais tarde acabou nos levando a outro dos melhores episódios dessa Season 4, com aquele debate que quase me fez cair da cadeira, de tanto que eu dei risada.

E tudo isso da maneira mais divertida possível, com tudo dando errado o tempo todo, naquele típico humor loser que a gente tanto ama. O que não poderia ser diferente dentro de um plot central como a política, o que não costuma ser um dos assuntos mais divertidos do mundo para uma maioria. (apesar de que para a nova temporada, algumas séries irão se arriscar dentro desse cenário político… e até já temos Veep seguindo esse fundamento).

Uma campanha política divertídissima e boa parte dela graças ao envolvimento dos demais personagens da série, que em um momento de pura foufurice com direito a maquete de biscoito e tudo mais, declararam o seu total apoio a candidatura de uma das melhores chefes ever. Também pudera, Leslie além de ser uma pessoa ótima, faz quase todo o trabalho sozinha e ainda acerta em cheio quando resolve presentear os seus amigos. Ou seja, #TEMCOMONAOAMAR? E esse é outro ponto bastante importante que eu consigo enxergar facilmente em Parks, que é o envolvimento entre todos aqueles personagens que em nome de uma amizade e do carinho que foram construindo ao longo desses anos trabalhando juntos, acabam se arriscando uns pelos outros e o que já seria bastante engraçado por si só, acaba ganhando uma camada extra de foufurice com esse envolvimento todo. Por isso Parks and Recreation consegue alcançar a mistura na dose certa entre a comédia e a foufurice.

Engraçado também é o quanto a gente consegue se importar com a maioria os personagens da série, mesmo aqueles que praticamente só fazem figuração, como a Donna ou o Jerry por exemplo, que apesar de terem um menor destaque, sempre aparecem em momentos pontuais que acabam sendo super engraçados também. O que foi o episódio em que eles foram buscar o Jerry em casa por conta da sua festa surpresa totalmente fail? Ou a Donna revoltada porque alguém bateu no seu bebê? (e por bebê, leia-se carro)

Ainda temos o casal Andy e April, que juntos também são sempre excelente. Aliás, seguindo uma tradição que só pode ter vindo de The Office, eles também conseguem fazer os casais mais foufos da TV em Parks. Tenho reparado que cada vez mais a April anda ganhando uma alma de “Ursinho Carinhoso” agora que ela é uma senhora casada (rs), fazendo contraponto com a sua alma antiga de Emily Strange de 70 anos de idade. Até com a Ann ela conseguiu se importar durante essa temporada e olha que com a Ann, quase ninguém se importa. Andy tem ficado um pouco caricata demais, quase roubando o posto de novo “Tracy Jordan” do Tom, mas obviamente que ele não me incomoda tanto assim e continuo achando bem bacana toda a sua burrice exagerada. E o que foram aqueles apelidos que ele enquanto chefe de segurança da campanha, acabou dando para cada um dos demais personagens? Essa eu já peguei. Essa eu estaria mentindo se dissesse que nunca pensei em pegar e esse se eu fosse gay, eu pegava. GENIAL! (acho que eu fiquei rindo sem parar por uns 10 minutos depois dessa cena)

Os mais fracos realmente continuam sendo o Tom, Ann e o Chris, esses dois últimos bem mais até. Sinceramente? Eu não consigo me lembrar de um plot relevante vindo do casal Chris e Ann, além do “desejo contido” do Chris pelo corpinho roliço do Jerry, rs.  Se bem que aquele comecinho de um dos episódios, com a Leslie e a Ann se deliciando com as frescuras todas da casa do Tom, também foi bem especial. Mas foi só isso também para a Ann. Realmente eu ainda não consigo me preocupar com os dois e acho que eles deveriam aproveitar o momento para deixar ambos personagens seguirem seus rumos longe de Pawnee no próximo ano. Gosto muito mais de alguns personagens que são recorrentes na história, como qualquer uma das Tammys ou o Louie como ex da Leslie (e o que foi o Ben morrendo de medo dele e de todos os outros policiais da cidade?), do que da Ann ou o Chris, por exemplo.

Tom eu ainda acho que tem salvação e dependendo da sua dupla, eu até acho que ele acaba funcionando bem (volta Jean-Ralphio!). Mas em pequenas doses, sem exagero. O que ele teve de melhor no últimos tempos, que foi aquela empresa sensacional que ele montou em sociedade com o amigo e que seria o emprego dos sonhos de muitos (o cenário da empresa parecia umas casas que eu já construí no The Sims, rs), acabou sendo tomado do personagem, que até agora foi um dos seus poucos plots que realmente teve graça (de novo, volta Jean-Ralphio!). Agora, eu não consigo suportar ele e a sua voz de “Catatau” (do Zé Colméia, sabe?) ao lado da Ann. ZzZZZ

E o que foi a reação do Ron com a chegada da Tammy #1, sua ex que a gente ainda não conhecia? Eu sinceramente acho o Ron Swanson um dos melhores personagens da série, talvez até da TV atual. #TEMCOMONAOAMAR aquele bigodudo? Ele que é o tipo de chefe que prefere não fazer muito esforço no trabalho e odeia quando alguém tenta mudar a sua rotina, por isso mantém a April como seu “leão de chácara”, filtrando todo e qualquer aborrecimento que possa atrapalhar a sua vidinha de pouco esforço e que se viu completamente perdido com a chegada da sua ex ex esposa durante essa temporada, que para a nossa surpresa, era capaz de provocar um surto ainda maior do que a presença da Tammy #2, que também aparece de vez em quando para assombrá-lo. E nessa ainda tivemos a chance de conhecer a Tammy #0, mãe do Ron (claro!), que entrou para a história para colocar a cabeça do filho de volta no lugar e tudo isso a base de litros de licor de milho. Sério, #TEMCOMONAOAMAR?

E o desespero do personagem para manter o anonimato do seu alterego enquanto saxofonista de sucesso, no episódio onde eles foram gravar o jingle da campanha da Leslie? E preciso dizer que eu continuo AMANDO a cumplicidade entre o Ron e a April, que nesse caso, foi mais do que essencial para que ele conseguisse permanecer no anonimato.

Aliás, Ron é sempre um foufo e eu AMO as briguinhas dele com a Leslie, que sempre se transformam em plots super foufos, como aquela no episódio do acampamento de meninos e meninas, onde Leslie conseguiu destruir todo o fundamento da alma de lenhador antigo do Ron. Episódio esse que ainda contou com um excelente momento de “day care” entre o Tom e a Donna, que por piedade acabaram incluindo o Ben no grupo e graças a essa boa vontade da dupla, ganhamos um Ben vestido de Batman ainda mais depressivo do que o comum da própria morcegona, que foi mais do que especial! Sério, de novo, #TEMCOMONAOAMAR?

Agora me digam, o quanto a gente consegue amar e se importar pelo casal Beslie? Sério? Eu sou puro amor por esse casal e a essa altura nem consigo mais imaginar os dois separados e já sonho com esse casamento no parque (construído por ela para pagar a sua dívida, é claro), com direito a filhos que podem ser interpretados pelos próprios filhos adoráveis da Amy Poehler, Archie + Abel. Sério, não aceito mais Leslie sem Ben, que tem que permanecer juntos para todo o sempre! (aquele que confunde a vida real com a ficão e acredita, rs)

Juro que a única coisa que realmente me incomoda muito na série, são os inesgotáveis hiatus que a NBC insiste em forçar dentro da série. Não sei se é pelo fato de gostar demais da série e por isso eu tenha uma sensação diferente das demais (que também passam por um período ou outro de hiatus), mas só nessa temporada foram pelo menos 4, o que além de sempre nos deixar com saudade, acaba sendo bastante irritante também. Vamos melhorar isso NBC?

Tirando o episódio do boliche, que foi o primeiro com a participação do Paul Rudd na série, eu não consigo lembrar de nenhum outro episódio que eu tenha achado meio assim durante essa temporada de Parks And Recreation, sinceramente. Sabe aquela temporada redondinha e quase perfeita? E a sequência final com as resoluções da campanha política, foram realmente os melhores, reforçando toda e qualquer teoria sobre a excelente qualidade dessa Season 4 da série.

Não sei se eu acabei rindo mais com a história do ônibus da campanha, que acabou destruindo o velório do pai do oponente da Leslie, ou se eu gostei mais ainda do momento do debate, com uma candidata atriz pornô, que era praticamente uma sósia da Leslie, que não só era idêntica a personagem, como também apoiava todos os seus ideais de campanha. Sério? Tem coisa mais absurda e mais divertida do que isso?

Até chegarmos ao excelente dia da eleição, onde já no começo, Leslie teve que enfrentar urnas eletrônicas patrocinadas pelo seu oponente, que não só tentavam sabotar a sua candidatura, como ainda recompensavam quem votasse no outro candidato. Tudo isso para chegarmos ao ponto final dessa trajetória política de Leslie Knope, que se ninguém conseguir segurar, vai acabar sendo a primeira mulher presidente do USA. Escrevam o que eu estou dizendo…

Um momento final recheado de foufurices, mas que também ganhou alguns dramas, como a oferta de emprego do Ben em Washington (DRA-MA), o Jerry que não conseguiu chegar a tempo de votar na chefe e poderia acabar sendo o voto que faria toda a diferença (AMEI a culpa que ele carregou durante todo o episódio), até o momento em que descobrimos que Leslie havia perdido a eleição. Humpf! E a gente fica como em uma hora de total decepção como essa? Mas para a nossa sorte, nada como uma bela de uma recontagem para garantir a vitória da nossa candidata preferida ever: Leslie Knope!

Não sei quanto a vcs, mas eu cheguei até a ficar emocionadíssimo com a personagem pendurando a sua foto naquele mural recheado de candidatos homens, em um momento super simbólico e super importante para a série. E dessa forma vitoriosa e cheios de orgulho, mal podemos esperar para o retorno de Parks And Recreation, que não mais do que merecidamente foi renovada para a sua Season 5 completa e nada de temporada pela metade. Tá bom para vcs?

E digo mais, se algum dia eu me cansar da vida agitada da cidade e resolver me mudar para algum lugar mais calmo, pretendo revesar minha temporada interiorana entre Stars Hollows (Gilmore Girls) e Pawnee, quando eu sentir a necessidade de gargalhar um pouquinho.

#LESLIEKNOPEFORPRESIDENT

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Uma resposta to “Parks And Recreation transformando política em um dos plots mais divertidos da temporada”

  1. O “recall” de Parks And Recreation | The Modern Guilt Says:

    […] toda a genialidade da temporada anterior, com a campanha da Leslie em busca de ser eleita, acabou ficando de lado uma vez que esse seu sonho […]

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