The Big C + Nurse Jackie, porque é que continuamos assistindo mesmo?

Quer dizer, eu pelo menos continuo. Ou continuava, dependendo da nova leva de séries que ainda estão para estrear esse ano e que podem roubar fácil o espaço na minha agenda reservada para essas duas, que eu só assisto quando não tenho realmente nada para fazer. Mas eu gosto de The Big C e Nurse Jackie. Gosto tanto a ponto de conseguir admitir que ambas já renderam o suficiente e a essa altura eu não teria ficado chateado se ambas já tivessem sido encerradas, como aconteceu com United States Of Tara (do mesmo canal que as outras duas), essa até semi precocemente. Sinto até que essa é uma sensação para a maioria, ou pelo menos para quem permaneceu até hoje acompanhando essas duas histórias.

Em The Big C durante essa temporada (Season 3) tivemos menos câncer e mais crise. Nem o marido que a gente achou que teria morrido no final da temporada anterior morreu de verdade e agora se tornou um blogueiro (sim, blogayro) que dá lições de autoajuda e palestras motivacionais para quem atingiu o fundo do poço assim como ele. Isso ao lado da Susan Sarandon, que fez uma participação na série só para fazer o Paul se sentir desejado, balançar um pouco o casamento do casal (mais uma vez) e depois correr para abraçar a sua morte em um clichê daqueles bem cara de pau, que nos trouxe de volta o fantasma da vizinha morta faz tempo. Mas no final, acabou rendendo também uma separação para o casal Cathy e Paul.

Na casa que já foi da vizinha morta no passado, tivemos Sean, esse sim sempre muito bom, vivendo novas experiências com o seu novo trabalho como atendente de hotline gay, algo que ele acabou ganhando “de presente” do seu ex dono por engano. Mas vem cá, porque é que o verdadeiro dono da linha não simplesmente pediu a transferência ao contrário de ficar naquela briguinha boba com o personagem para ver quem interpretava melhor o amante virtual atendendo primeiro a ligação, hein? Para ter alguma história, é claro. Sean que até conseguiu render desse plot meio assim, uma relação deliciosa a três, mostrando um lado ainda mais liberal do personagem, mas que é claro que no final das contas não seria tão feliz ou simples assim.

Andrea agora é Ababoo, isso por conta do trauma do seu quase casamento da temporada anterior, onde ela aproveitou o momento para buscar suas raízes africanas. Ainda no plot da religião, temos também o filho mala da Cathy que ninguém aguenta mais, ele que agora virou um completo babaca religioso, apesar de ter idade e motivos aceitáveis para isso e assim, passou a se envolver com aquele tipo de menina que não libera a porta da frente, mas que pelos fundos todo mundo pode entrar (rs). Típico.

Mas ainda no meio disso tudo tivemos a Cathy tentando ser outra pessoa, assumindo uma identidade totalmente diferente, só que apenas para suas visitas a um bar de esquina comandado por um ex presidiário de OZ (rs), onde ela se refugiava para fugir da sua própria realidade. Mas a troco de que mesmo? Sem contar o plot da adoção, que contando com a sua atual condição de saúde e o recente histórico do seu marido, não parecia ser assim tão possível, provável, ou até mesmo sensato.

No final tivemos o casal meio que se separando, Cathy descobrindo que a sua doença voltou, o que a levou fugir novamente, dessa vez em um barco de pescador com o nome “Bola de Fogo”. Sério. Precisava chegar a essa ponto Big C?

Tudo bem que a temporada não chegou a ser tão ruim assim como pode parecer na review (tisc tisc), foi simplesmente boba e sem muito propósito e eu fico imaginando porque arrastar uma série que um dia já foi tão bacana, a troco de apenas isso? Realmente chegamos a um ponto onde mais uma temporada de The Big C só se faz necessária porque ainda não tivemos exatamente uma “conclusão” para essa história, seja ela positiva ou negativa. Mas nada que não pudesse ter sido resolvido durante essa temporada em formato de trilogia e não ter sido arrastada para uma possível próxima (ainda não confirmada), tornando The Big C como o tipo de série que a gente só continua assistindo por ainda manter algum carinho por seus personagens e é só. Mas tudo tem o seu limite. Tudo.

Por isso ela vai ficar em stand by na minha lista e se aparecer outra coisa mais interessante (cruzando os dedos) eu só volto para ver a conclusão dessa história quando esse momento realmente chegar. Realmente espero que a próxima temporada seja a última e se ela for muito mais objetiva, seria melhor ainda. (quem sabe mais curta, como parece ser tendência atualmente – apesar dessa já ser uma série de temporadas curtas…)

Nurse Jackie teve um ponto positivo a seu favor, que foi o fato da Jackie pela primeira vez se ver obrigada a encarar a rehab, um momento do qual ela até já chegou a rir e correr antes, mas que dessa vez não teria outra saída, uma vez que até o seu marido descobriu sobre o seu vício e o seu mundo de pílulas mil começou a desabar de vez.

E isso acabou contando a seu favor durante sua Season  4, tornando-a mais interessante do que a The Big C por exemplo, ainda mais com o seu mundo desmoronando, com o marido descobrindo sobre o seu caso com o seu colega de trabalho, entrando na justiça para ficar com a guarda das filhas e exigindo até mesmo uma pensão para sustentá-las, Jackie ter que encarar a filha mais velha se tornando uma adolescente chatinha daquelas (sensacional ela pixando o quarto da menina como resposta ao pedido rebelde da filha) além dela finalmente começar a ser perseguida no trabalho. Como se isso não fosse o suficiente para mexer com os nervos da nossa enfermeira preferida (e isso não tem como negar, porque ela é sempre ótima com os pacientes), ela ainda teve que lidar com a nova administração do hospital e ver alguns de seus colegas de trabalho sendo colocados no olho da rua por culpa do seu vício.

Tudo isso foram fatores que acabaram colaborando para que essa história ficasse um pouco mais interessante de se acompanhar, embora a sensação que fique é a de que Nurse Jackie também é uma série que já está passando do seu prazo de validade.

Ok, eu aceito que o momento atual da personagem foi aguardado por todos os fãs da série, mas nessa brincadeira, estamos a caminho de ter que encarar uma quinta temporada, que sinceramente, se tivesse sido melhor aproveitada e bem mais objetiva ao longo desses anos todos, já poderia ter tido começo, meio e fim de forma bem satisfatória. Não basta a memória de uma história que já foi bem boa e que nos convenceu a assistir a série no passado, não basta ela continuar “legalzinha” e a gente ter algum apego por seus personagens. As vezes é necessário reconhecer que chegou a hora de colocar um ponto final nessa história.

Apesar disso, a nova dinâmica da série que chegou através da administração tirana de Mike Cruz (Bobby Cannavale, Höy!), nos trouxe ótimos momentos, como a rebelião dos enfermeiros do hospital para ajudar a Jackie a não ser demitida como alguns de seus colegas de trabalho já haviam sido, em uma sequência de episódios realmente muito bons perto do final da temporada, temos que reconhecer. Aquela cena do season finale então, com o filho do chefe dando entrada no hospital no momento em que ele estava soltando os cachorros para cima da Jackie, no momento ideal para ela (que parece ser uma mulher de muita sorte e isso as vezes irrita um pouco, já até falei sobre esse assunto no passado), foi realmente muito boa e com uma carga emocional super bacana para uma série que já estava alcançando o limite do seu prazo de validade.

Sabe quando dá até aquela animada? Mas o problema são os demais personagens, que ficaram todos muito minimizados, exceto para quem tem alguma história bem ligada a Jackie. Quem se importa com a gravidez da O’Hara? Sério? E com a alma infantil e as vezes até que foufa do Coop, que teve 10 falas durante essa temporada inteira, hein? Sério, quem se importa? Até a Akalitus e o Eddie sendo demitidos do hospital e vagando pela fila do exame demissional foram plots mais interessantes para a reta final dessa temporada.

A única que consegue se sobressair de todos eles é realmente a Zoey, que tem a vantagem de estar bem próxima a Jackie, ainda mais durante essa Season 4, onde ambas passaram a dividir o mesmo teto. O que foi ela terminando o noivado com o motorista da ambulância? Awnnn! Achei foufo. Inclusive, eu acho que a Zoey de Nurse Jackie é um ótimo exemplo (na verdade, o exemplo certo) de idiota totalmente aceitável, do tipo que não chega a nos constranger ou nos insultar e seria ótimo que a Zooey Deschanel de New Girl aprendesse o limite aceitável do bocó meio assim, olhando com bastante atenção para essa personagem. Fica a dica para a sua vida cômica televisiva,  Zooey! (eu pelo menos não volto a assistir New Girl por vc…)

Dito tudo isso, das duas séries do Showtime, Nurse Jackie pelo menos teve uma temporada mais bacana e até mesmo mais interessante, o que até justifica a sua próxima, já confirmada pelo casal devido ao aumento da audiência da série. Mas digamos que nada do que nós vimos durante essa temporada já não poderia ter acontecido antes, hein? E talvez esse seja o maior problema do Showtime em si, que parece ser um canal que não sabe muito bem a hora certa de parar. Beija Dexter, Californication, Weeds.. .ZzZZZ

Agora imaginem que The Big C e Nurse Jackie cheguem a uma Season 8 por exemplo? E eu pergunto: quem aguenta? Alguém realmente acha que duas histórias como essas tem condições de chegar tão longe? Bem fez United States Of Tara, que acabou por cima e ainda conseguiu nos deixar com saudades. Por isso acho melhor reconhecer que tudo precisa de um fim e as vezes é melhor aceitar que esse momento está mais próximo do que conseguimos imaginar. Pense nisso Showtime, pense nisso.

Por esse motivo, considero Nurse Jackie como outra série a qual a gente continua assistindo por apego, mas que já está passando da hora de nos libertarmos. Mas nesse caso, estou até achando que Jackie está em mais vantagem do que a Cathy e talvez essa precise de uma substituta com um pouco mais peso para tirá-la da minha agenda na próxima temporada. Mas tudo é negociável, então não crie confiança dona enfermeira. Shiu!

 

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2 Respostas to “The Big C + Nurse Jackie, porque é que continuamos assistindo mesmo?”

  1. The FINAL C! | uebi Says:

    […] parece que as profecias de The Modern Guilt estavam certas em relação a The Big C! A série da Showtime que conta a história de Cathy […]

  2. A despedida que The Big C merecia | The Modern Guilt Says:

    […] Durante a temporada anterior, reconhecemos que The Big C estava praticamente implorando por um conclusão. Uma conclusão que a gente aguardava desde o seu começo, quando recebemos o diagnóstico da sua protagonista e que na verdade viria a ser o grande “C” da questão. Com uma Season 3 bem desgastante e bastante arrastava, vimos aqueles personagens meio perdidos em plots dramáticos demais e de pouca relevância para a história principal, alguns até repetitivos (como a questão da fidelidade dentro da relação do casal), deixando um pouco a doença de lado para discutir outras coisas naquele momento, muito embora ela nunca tenha desaparecido completamente e tenha voltando com um peso maior quando ao final da temporada (que foi bem meio assim), descobrimos que o câncer da Cathy havia voltado e de uma forma bem mais agressiva. […]

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