It Girl em crise

Sim elas estão em crise e agora que conseguiram atingir o sonho de ser uma it girl, não querem mais ser considerada como tal. (tisc tisc… isso segundo um texto que correu por aí não tem muito tempo… tisc tisc)

Mas será que esse é realmente um sentimento verdadeiro ou elas finalmente conseguiram entender que não é tão legal assim ser a garota do momento, um sonho que hoje em dia já tem quase que uma fórmula certa para ter mais chances de acontecer, tornando-se possível para cada vez mais pessoas e talvez por isso tenha perdido muito de sua graça? Será que elas cansaram mesmo de suas vidinhas de it girl ou finalmente acordaram do sonho que descobriram tardiamente que estavam compartilhando com quase todo mundo?

Segundo elas, agora o legal não é mais ganhar brinde caro de marca poder e se exibir carregada com os mimos em fotos de redes sociais, não é mais bacana entrar de graça em buatchy passando na frente de quem também só que ser divertir, ou adquirir aquele celular do momento que de tão necessário, todo mundo já tem, mesmo que diferente de vc (as vezes nem tanto) alguns tenham que parcelar em 24 vezes no cartão para pagar depois. E aquele aplicativo novo? Todo mundo já descobriu também e daqui a pouco até a filha da sua empregada pode ter o mesmo. It agora é ser normal, cafona é ser mainstream. É isso mesmo? (e quando foi diferente, me diga?)

Mas desde quando ser normal virou apenas isso? Desde quando ser normal não é mais só ser vc mesma e não se interessar entusiasmadamente por tudo aquilo que todo mundo está falando em tudo quanto é blog e vc que se acha muito bem informada, acabou descobrindo primeiro, mesmo tendo caído como presa fácil nas armadilhas que quase todo mundo também cai diariamente, todas elas escondidas no “tem que ter”, “tem que ver” ou “tem que saber”?

Normal não é ser desinformada, não é ignorar as novidades ou ter menos grana para poder bancar isso ou aquilo. Ser normal é simplesmente ser e não tentar parecer ser, é não se importar se vc tem ou não aquilo que todo mundo está comentando em tudo quanto é lugar. Ser normal é achar bacana que até a filha da empregada tem o mesmo app que vc e sabe usar ainda melhor e por isso pode te dar aquela aula de graça. Ser normal é pagar entrada em buathy porque vc sabe que ninguém trabalha de graça, é esperar na fila por vc ser apenas uma pessoa educada, como a gente sonha que todo mundo seja um dia. Ser normal é agradecer quando se ganha um presente qualquer de alguém que não tinha a menor obrigação de lembrar de vc, mesmo que esse alguém seja uma empresa cheia de segunda intenções.

Nesse caso, acho que existe um equívoco enorme em relação a “ser normal” e não ser uma pessoa muito bacana.

Soa quase como um “agora que todo mundo pode brincar, eu não quero mais”, como se a sua boneca poder que ninguém da turma tinha ainda já estivesse a venda na lojinha da esquina para quem quiser comprar, ou como se todos os seus amiguinhos também tivessem uma bola e por isso não adianta mais fazer bico e ameaçar de levar a sua para casa só porque vc está perdendo no jogo. Como se a exclusividade fosse a alma do negócio e algo só fosse interessante enquanto caro, assinado ou inatingível para uma maioria. Uma grande bobagem, além de ser um tanto quanto contraditório, onde nesse mundo da internet em que todos nós nos encontramos o tempo todo e onde muitas dessas it girls agora em crise se criaram, esse universo só se tornou o que é hoje por conta de uma ação: compartilhar.

Compartilhe. Aceite que o outro conhece mais ou menos do mesmo assunto que vc, mesmo ele não fazendo parte dos seus 8573548 seguidores no Twitter. Desça desse Louboutin que vc só comprou porque aquela it girl do seriado de TV disse que era o must have da estação  e lembre-se que ela é paga para isso e provavelmente ganhou de presente os 687 pares que usa diariamente ou pegou emprestado e tem que devolver em até 48 horas depois daquela premiere e aceite que outras pessoas possam compartilhar desse mesmo desejo, mesmo que muitas delas não consigam sequer pronunciar direito o nome da marca dos sonhos de todas. Doe para um morador de rua aquela Chanel de corrente que vc só comprou porque todo mundo tinha e não porque vc achou por vc mesmo a bolsa mais necessária ever. Compartilhe da sensação de que outras pessoas possam chegar no mesmo it estado que vc e fique na torcida para que elas sejam pessoas it bacanas, que mereçam a nossa atenção não só pela embalagem, pelas marcas que carregam ou pelos lugares que frequentam e sim por esse ou por aquele motivo.

Elas se dizem cansadas de ter que fazer as unhas semanalmente, sendo que no passado sorteavam kit esmalte quase todos os dias em seus blogs e adoravam quando recebiam alguma amostra como mimo, que a gente bem lembra. Reclamam de ter que saber o nome da editora da Vogue francesa, sendo que se vc perguntar qual é a função dela dentro da revista, temos certeza que muitas vão tropeçar na resposta e podem responder que é ganhar roupa cara e sentar na primeira fila de desfile, chegando no escritório depois jogando casacos e bolsas mais caros ainda na cara de suas assistentes submissas. Elas dizem não aguentar mais ter que fazer visitas diárias a todos aqueles blogs fundamento que vasculham todos os dias para buscar algumas inspiração que elas repetem nos mínimos detalhes em seu próprio fundamento do dia a dia, muitas vezes ganhando crédito por isso e também dizem que não aguentam mais ter que fotografar cada passo de suas vidas no Instagram, só para fazer valer aquela permuta amiga que é sempre bem vinda e a gente também sabe que quando não tem pacote de presente certo no correio é uma tristeza só.

Cansou de brincar de ser it girl?

Abra mão, siga outros caminhos, só não seja mal agradecida. Existem caminhos mais interessantes do que a ingratidão, temos certeza disso. Nós gostamos de ler o seu blog, de assistir o seu programa na TV, de admirar o seu fundamento, mas isso não significa que o sonho de todas é ser uma it girl como vc, tão pouco ser “normal” dessa forma tão equivocada que vc imagina.

Não nos it decepcione!

 

ps: esse post não é uma resposta, ou uma provocação direta para esse ou aquele e também não tem a menor intenção de causar intriga. Sua verdadeira motivação foi a de apenas mostrar um conceito diferente do que muitos também podem considerar sobre o que é ser “it normal”. Peace! \\//

 

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7 Respostas to “It Girl em crise”

  1. tati Says:

    nossa essy senti uma mágoa ai mas adorei o texto concordo em tudo,cansa essa ditadura do que é o it e o que não é
    mas sinceramente não entendi o contexto,parece que alguém escreveu algo que te deixou #chatiado
    conta ai o que houve,tem haver com a alexa?(fofoqueira:mode on)

    • Essy Says:

      É, tinha uma mágoa mesmo escondida nesse post, que é sobre um texto que saiu tem pouco mais de duas semanas, em um site amigo cheio de “aperitivos”, falando sobre as “normal girls” (acho que esse era o título), que acabou me deixando bem meio assim a respeito do que ele dizia…
      Na verdade, fiquei bem meio assim desde um outro post que essa mesma pessoa escreveu ao encerrar um de seus blogs antigo, mas naquela época não cheguei a falar nada. Ou seja, #MAGOAANTIGA

      Alexa foi apenas uma ilustração para esse momento e ela continua sendo MUSE! (♥)

  2. Raquel Says:

    Absolutamente isso. Adoreei.

  3. Dani Z Says:

    Bandido! Sai de férias e nos deixa aqui com posts gorduchos de comments. Como vou fazer? Por partes. Eu, e parece que só eu gostei muito de Prometeus. Gosto demais das raras heroínas nos filmes de ação, e assim como a tenente Ellen Ripley foi uma, me senti bem representada com a corajosa Dra. Shaw. Gostei também das origens da espécie humana ter vindo do DNA dos homens gigantes, carecas e brilhantes e de toda a mistureba de genes que origina o bichano alien. Filhote de gente no fim das contas, o que é no mínimo irônico. E daí caímos na elegante e deliciosa Dowtown Abbey, que arrasa na classe e naquele gostoso esperar de que tudo dê certo para os casais por quem torcemos e como eu já fui até o fim da season 2, adianto que tudo vai dar certo. E que beleza é rever Walter, Jesse e cia na sempre nervosa Breaking Bad. E daí chegamos no post das It girls. Sabe quem foi a primeira it girl? Pelo menos a primeira comentada? Uma moçoila chamada Clara Bow, atriz do cinema mudo que despontou graciosa, com estilo próprio e moderno numa época em que mulheres tinham que ser comportadas. Depois dela surgiram mais algumas e creio que sumiram enquanto exemplos e ressurgiram apenas como label, já que hoje em dia precisamos rotular tudo e todos. Mas it girls ainda existem em essência e originalidade. São todas as pessoas que sabem que são especiais, desde sempre, são pessoas que encontram beleza em coisas simples e honestas, que procuram rodear-se de autenticidade, respeito aos outros, gentileza e elegância no traquejo e não só na estampa. Eu sou it, você é it e vamos em frente pois as novas temporadas estão aí. Bjo e volte logo.

    • Essy Says:

      Tudo friamente calculado antes do meu plot de férias, rs. (AMEI o bandido, rs)

      Eu queria ter gostado mais de “Prometheus”, mas não consegui, embora ele tenha seus méritos. A história da origem eu tmbm achei bacana, o fundamento todo do filme é lindo de se ver, o David do Fassbender está sensacional. Mas senti que faltou alguma coisa… (mesmo assim é um bom filme)

      Acabei de ver Downton Abbey quase agora e estou precisando de um abraço. Chorei tanto com aquele final. Aliás, xinguei bastante esse seu comment que dizia que tudo iria dar certo no final, porque eu não imaginava que isso só aconteceria no especial de Natal e ao final da Season 2 (2×08) já fiquei todo revoltado indeed. Mas esse sou eu, ansioso e sofrendo por antecedência, claro, rs. Depois me acalmei e fiquei com o coração preenchido de novo com as resoluções todas que aconteceram naquele especial (que eu adoraria ter assistido no período de Natal, para deixar tudo muito mais feliz). E que séria sensacional não? Cheia de classe, mesmo sendo um novelão daqueles!
      Fico impressionado como de tudo acontece naquele lugar…

      Breaking Bad voltou ótima e estou super intrigado com aquele flashforward do começo do ep, que eu suspeito que seja o começo da segunda metade dos 8 episódios que ficaram para o ano que vem.

      Não sabia dessa história sobre a Clara Bow, que eu achei ótima por sinal. (AMO descobrir o fundamento das coisas)
      Com essa histórias dos rótulos, fica tudo meio confuso e as pessoas acabam rotulando tudo o que parece com isso ou aquilo só porque é mais fácil. Preguiça…

      Acho que ser uma it girl ou it pessoa, é exatamente isso que vc disse. Simplicidade, honestidade, autenticidade, sem se preocupar com labels ou “tem que ter”, fora a gentileza e elegância no traquejo, que muitas que se esforçam ao máximo para ganhar o título/rótulo não tem.

      Como é bom compartilhar com quem a gente se entende, não?

      Ainda bem que eu tenho it leitores como vc neam? #SUCKITOUTROSBLOGS

      Smacks!

  4. The Modern Guilt Awards 2012, a quarta edição do prêmio mais sensacional de todos os tempos « The Modern Guilt Says:

    […] Quando a It Grill finalmente entendeu que ela não estava sendo tão exclusiva quanto imaginava ser e ao perceber que estava compartilhando de um sonho comum ao de uma grande maioria, resolveu falar a respeito, mas de forma equivocada e achei importante deixar uma opinião contrária, de quem não consegue acreditar tão fácil assim nessa nova visão da menina louca por esmaltes de graça e ou convite VIP para a festinha de logo mais que dá sacolinha de brindes patrocinados na saída. $$$ch-ching ch-ing […]

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