The Dark Knight Rises – O dia em que nos tornamos muito mais exigentes a respeito de qualquer próximo filme do gênero

O dia em que o Christopher Nolan destruiu todo e qualquer filme de super-herói que já existiu e nos tornou um público muito mais exigente dentro desse universo.

2h45 minutos de filme que se passaram sem o menor sofrimento. Pior, 2h45 minutos de um filme que a gente suportava assistir o dobro, na sequência, sem reclamar.

Saí do cinema cambaleando das pernas (provavelmente pq elas estavam dormentes por sua longa duração, rs), com a cabeça cheia de ideias sobre tudo o que eu queria dizer por aqui sobre o melhor filme do gênero que eu já havia visto na minha vida. Não, eu não sou um dos mais entusiasmados a respeito do Batman enquanto herói dos quadrinhos, embora reconheça que os seus filmes são sempre bem bacanas (até quando não são). Mas mesmo com essa vontade imensa de comentar, de falar a respeito de tudo que eu tinha acabado de assistir, fiquei lá, sentado na minha poltrona até os créditos finais, sendo a última pessoa a sair da sala. Talvez por ainda estar em estado de êxtase de como aquela história encontrou brilhantemente o final perfeito para o seu encerramento, ou talvez porque naquele momento, essa era a forma que eu tinha de agradecer a quem trabalhou naquela produção primorosa do começo ao fim. (sim, eu sou desses que muitos acham ridículos, podem me julgar que hoje eu nem ligo…)

Mas cá estou eu, ainda incrédulo sobre tudo o que eu acabei de ver na última segunda (já fui do tipo que tinha que ver tudo ainda na pré-estréia, que é sempre muito cheia, meio tumultuada e por isso, hoje já não tenho mais tanta pressa assim), meio eufórico tentando lembrar de tudo que eu achei importante nessa obra e me encontrando assim, quase que sem palavras para começar esse post.

Por isso resolvi começar agradecendo ao próprio Christopher Nolan pelo final dessa trilogia, que realmente com o tempo só melhorou, mas que agora chegava ao momento do seu aguardado encerramento, em um dos finais mais sensacionais de todos os tempos. Corajoso (talvez esse seja o maior adjetivo de TDKR), sombrio, difícil, emocionante, tudo ao mesmo tempo e no mesmo combo. Que trabalho sensacional conseguiu realizar esse diretor a frente desses três grandes filmes, sendo esse terceiro muito maior do que o que ele já havia feito antes também muito bem. “The Dark Knight Rises” não é só mais um grande filme, ele é imenso! Clap Clap Clap! (de pé, por favor)

Um filme corajoso o suficiente para enterrar o grande herói de Gotham City. Em uma discussão calorosa entre amigos no passado, cheguei a comentar que esse seria o caminho perfeito para encerrar essa história, do qual eu suspeitava que fosse a intenção do diretor, mas é óbvio que fui desacreditado logo de cara por fãs mais animados, do tipo que se enfiam de cara no meio dos quadrinhos mas que não conseguem enxergar além do que está escrito naquelas páginas de uma história já tão conhecida por todos nós. Diziam eles “Imagina, o Batman não pode morrer! Até parece…Nunca, jamais!”. Fazer o que se nem todo mundo consegue entender o que não é literal?(suck it!) E foi delicioso poder dizer que “Confirmou” de boca cheia, que a minha intuição estava certa a respeito do destino do Cavaleiro das Trevas.

Apesar disso, em nada essa intuição conseguiu prejudicar as surpresas escondidas em “The Dark Knight Rises” (não, eu não leio spoilers e os evito ao máximo), que quando não estavam na história absurdamente muito bem contada, estavam nas imagens sensacionais que o diretor nos emprestou do seu olhar para a forma como ele gostaria de enterrar essa história de uma vez por todas (para ele). A beleza do longa é inegável e vai além dos efeitos ultra modernos de filmes do gênero que temos visto por aí nos últimos anos e o que diferencia o Batman (a trilogia) dos demais heróis sem a menor dúvida é exatamente esse estilo que vem junto com o homem ao seu comando dessa vez, com a identidade do próprio Christopher Nolan, que ele empresta com gentileza para o universo do personagem e que é muito mais do que bem vinda.

Um diretor alinhadíssimo como parece ser Nolan, só poderia nos entregar um presente para os olhos como TDKR. Tudo parece perfeito (mesmo quando não tão perfeito assim, como a bomba sendo carregada pela cidade, por exemplo…) e até nas cenas grandiosas de destruição é possível encontar alguma beleza escondida em meio ao caos. Depois de “Inception”, tinha certeza de que algo por aí viria dessa vez e não deu outra. Planos do alto da cidade capazes de deixar qualquer um com vertigens, paisagens lindissimas de uma Gotham City passando por diferentes estações do ano, mas tudo com um ar “sombrio” que combina perfeitamente com o mood do herói da vez.

Mas não esqueçamos que esse é um filme de menino, feito por um menino e é claro que em algum momento isso teria que ficar mais do que evidente. E isso acontece quando ganhamos a reunião dos brinquedinhos do homem morcego, com seu batmóvel com cara de tanque de guerra voltando para a cena, ou sua moto pesadíssima, com rodas largas e habilidades que até o maior dos morcegos duvida. E para coroar a reunião desses brinquedinhos de meninos, temos a novidade que vem direto dos céus, o “The Bat”, que é a nave de batalha que Bruce Wayne ganhou de presente de despedida da sua parte herói. Tão pesado quanto a soma dos outros dois veículos que conhecemos dessa nova fase do personagem, mas sua presença é justificada porque além de ser sempre um plot certo nas rodinhas dos meninos quando o assunto é o Batman, eles que são os mais entusiasmados nesse departamento (eu sou sempre exceção), o “The Bat” ainda acabou sendo parte fundamental para a resolução dessa história e por isso até mesmo essa “grosseria” em meio a todo aquele alinhamento da direção do Nolan, a gente acaba perdoando.

E agora chegou a hora de falar dele: Bruce Wayne, também conhecido como Batman e vivido lindamente nessa trilogia pelo ator Christian Bale. Primeiro que eu achei ótima a trajetória do personagem durante o longa, que foi do bilionário depressivo depois dos acontecimentos em “The Dark Knight” (detalhe que eu achei mais do que importante e que me pareceu ter a intenção de ser mais “respeitoso” do que qualquer outra coisa, o que eu achei bem sensível por parte deles) trancado em sua mansão sem ter a menor vontade de manter contato com o mundo exterior por um bom tempo, até o seu despertar, que acaba acontecendo após o seu primeiro encontro com a talentosa e criminosa Selina (sim, ela não é chamada por seu nickname no longa), para a alegria do seu fiel amigo Alfred (Michael Caine), que não aguentava mais ver o amigo naquela situação. Alfred que ao lado de Bruce sempre manteve uma relação de pai e filho que ambos nutriram por tanto tempo, mas que acabou sendo quebrada pelo fato do empregado achar que Wayne já havia cumprido o seu papel em Gotham e que agora estava na hora dele se focar nele mesmo e para isso, quase que em um ato de desespero, descrente de que Bruce sobreviveria por muito tempo dentro daquele uniforme novamente, acabou usando a sua cartada final para tentar convencê-lo a desistir do seu ato heroico, o que talvez ele tenha feito cedo demais.

Perdendo Alfred, Bruce teve que se preocupar pela primeira vez em sua vida a atender a porta de casa, ou sair e lembrar de levar a chave de casa, coisa que antes não fazia parte da sua realidade burguesa. E logo no momento em que ele estava pronto para recomeçar, perdia aquele que sempre esteve por perto e talvez fosse o único a sua volta que ainda torcesse para o seu final feliz como um homem comum e realizado em todas as áreas. O mundo precisa de um herói, sempre vai precisar, mas será que um homem comum, sem poderes extraordinários e apenas um cofre cheio de dinheiro está preparado para ser o Batman para sempre? Chega a ser poético pensar que sim, mas talvez a ideia aqui seja a de nos colocar com os pés mais no chão, no lugar de um homem comum como eu ou vc.

Nesse meio tempo, Wayne acaba encantado e divido por duas garotas, claro. Uma delas tem traços visíveis de mocinha na trama,  Miranda, que divide uma história muito parecida com a do personagem principal e é interpretada contidamente pela atriz Marion Cottilard. Uma personagem meio “distante”, até mesmo de uma primeira impressão de menor importância e que ao longo do filme não diz muito a que veio, a não ser quando solicitada. A outra é a bandida, aquela que não segue regras e não pretende se apegar a nada, nem a ninguém. Quer dizer, não sem antes se apaixonar perdidamente por alguém ou resolver suas questões com a justiça, que segundo sua vida de ladra profissional, não devem ser poucas. Essa é a Selina (Catwoman) da Anne Hathaway, que no longa ironicamente não chega nem a receber o nome pelo qual ela se tornou mais conhecida. Uma personagem que quase rouba a cena nessa disputa de tantos grandes nomes. Uma mulher que vai da fragilidade feminina a uma loucura totalmente descontrolada em questão de segundos, que não transmite a menor confiança na sua fala doce, mas que certamente lhe faria perder as calças num piscar de olhos. Ou melhor, com um único miado. (meow!)

Uma personagem que estava merecendo essa volta por cima depois do fiasco da outra Catwoman, daquela que nós sabemos bem quem (não gosto nem de lembrar…) e ninguém melhor do que a própria Anne em parceria com Nolan para trazer de volta uma dignidade que havia se perdido em um passado recente. Ela que já disso que até encararia um spin-off para a sua personagem, mas só se ele a dirigisse novamente, o que não parece ser de seu interesse, pelo menos por enquanto. E essa é a sensação maior de TDKR, que parece mesmo ser uma grande despedida do diretor para todo esse universo, embora ele bem que tenha deixado no ar algumas possibilidades para reviver essa história e quem sabe assim matar a saudade quando ela apertar.

E o que o Batman fez de errado nessa primeira parte do filme foi exatamente depositar a sua confiança naquela mulher que o fascinava, mais que ao mesmo tempo ele pouco conhecia ou sabia das suas reais intenções. Tudo bem que nessa hora ele foi bem inocente, porque todo mundo sabe que não devemos confiar em uma mulher que já trabalhou para o diabo. Mas tudo bem, talvez o nosso herói seja mesmo um homem ocupado, sem tempo para o entretenimento (sorry, não resisti a piada). E foi assim que o herói ganhou a sua segunda queda no filme (segunda porque ele já começa no chão), sendo entregue de bandeja por sua “parceira” como presente para o seu grande inimigo da vez que enquanto tudo isso acontecia, já aterrorizava a cidade de Gotham. Bane.

Grande inimigo nada, gigantesco! É quase inacreditável o que conseguiram fazer com o Tom Hardy em TDKR, onde o cara esta quase irreconhecível. E depois de um vilão como o inesquecível The Joker do Heath Ledger (de quem a gente vai sentir saudade para sempre e talvez nunca seja possível esquecer o que ele conseguiu fazer com aquele personagem), seria impossível que a gente aceitasse qualquer coisa dessa vez e tinha que ser um novo vilão pelo menos a altura do anterior. Tudo bem que já conhecendo o trabalho do ator eu até desconfiava que viria coisa boa pela frente também nesse sentido, mas não consegui imaginar o quão bom isso acabaria sendo na prática. Bane é um vilão atípico, apesar do seu grande nível de maldade comum a quase todo vilão. Sai o maluco vestido de palhaço, aquele que escolheu o caos para viver e chega o momento da entrada do gigante mascarado, aquele que cresceu na escuridão da prisão e se tornou um idealista do tipo bem fácil de ser encontrado no mundo real de todos nós, ultrapassando as barreiras dos limites das páginas dos quadrinhos.

Sua proposta era a de causar uma revolução em Gotham e escondido na sua intenção de levar a igualdade e o seu próprio senso de justiça para os 99% da população, estava a sua intenção de aterrorizar o mundo de forma cruel e sem vergonha, exibindo corpos enforcados na TV, declarando sentenças de mortes ou o exílio para quem não se adequasse ao seu novo sistema, o que no seu mandato, era tudo praticamente a mesma coisa. E mesmo sendo um tanto quanto prejudicado por sua máscara, Tom Hardy esteve tão sensacional quanto o vilão anterior, mas isso muito mais pelo seu plano genialmente arquitetado para colocar sua revolução em prática, do que por qualquer outra coisa, isso é verdade. Uma plano perfeito e pronto para destruir aquela cidade, colocando toda a polícia presa no esgoto e impossibilitada de agir, se apoderando dos brinquedos do próprio Batman para colocar o seu plano em andamento e ainda convocando um exército de injustiçados no meio das pessoas comuns e entre os presos durante o mandado de Harvey Dent, que ele libertou da cadeia para se juntarem ao seu exército, que embora menor, era totalmente sem escrúpulos e disposto a tudo em nome de uma ideologia. Qualquer semelhança com a vida real nesse caso não deve ser mera coincidência.

Bane é o vilão possível, que saiu dos quadrinhos e chegou ao mundo real, que todos nós já vimos um dia e de forma bem semelhante, seja de perto ou de longe e morremos de medo de pensar que ele não é o único dentro dessa ou daquela ideologia disposto a tudo. Suas habilidades dependem do seu físico, seus planos dependem única e exclusivamente da sua inteligência, que foi capaz de deixar até mesmo um homem como Bruce Wayne a beira da falência, tudo com um golpe muito bem planejado e escondido em diversos outros interesses.

E era visível a diferença dele ao lado do Batman, que ficou pequeno naquela disputa de homem a homem, sem armas, gadgets ou qualquer coisa do tipo, onde observamos o herói apanhando como nunca e já não estando lá essas coisas depois de inúmeras lesões que acumulou ao longo de todo esse tempo. Por isso não foi difícil para o vilão superá-lo e bastou um primeiro encontro entre eles para que Bane praticamente quebrasse o herói ao meio, literalmente, jogando o que restou dele na pior prisão do mundo, que além de tudo, guardava uma certa semelhança com o seu trauma antigo e de onde ele ainda teria que penar para conseguir sair, enquanto assistia as barbaridades que o seu adversário da vez estava disposto a colocar em prática usando aquilo que um dia já foi seu recurso.

Nessa hora, quando vimos a queda de um dos mitos da nossa geração, foi importante ver que aquele era uma homem real, que apesar da pose e status de herói, não passava de um endinheirado cheio de gadgets de última geração e muito dinheiro no seu cofre. Mas a segurança de todo mundo está além disso e uma hora seria provável que o Batman acabasse enfrentando um inimigo mais forte do que ele, que pensasse adiante, um cara que frequentou a mesma escola que ele no passado (ligando muito bem as histórias entre os três filmes nessa hora, diga-se de passagem) e que com os aliados certos, conseguiu declarar a sentença de morte do cavaleiro das trevas sem precisar fazer muito esforço.

E foi muito bacana poder ver a Selina Kyle visivelmente arrependida assim que entregou a cabeça do Batman para o Bane, ainda sem saber que ele e o Bruce Wayne por quem ela já havia tido uma queda, eram a mesma pessoa. E foi mais bacana ainda ver o herói totalmente sem forças, precisando de tempo para se recuperar, como uma pessoa “comum”, longe dos seus recursos, sem o Alfred para cuidar dos seus ferimentos e de tudo ao seu redor, preso a uma prisão em formato de poço que rezava a lenda que apenas uma pessoa teria sido capaz de sair em toda a sua história. Naquele momento, Bruce Wayne voltou a ser um homem comum, que precisava encontrar o herói dentro dele de verdade, algo que ele havia perdido com o tempo e isso usando apenas a sua própria força, enquanto observava de longe sua cidade sendo derrubada pelo terrorismo e com o uso dos seus próprios brinquedinhos.

Naquele momento, tivemos a reconstrução de um herói realizada com maestria, onde foi preciso esquecer tudo o que aprendemos sobre um herói nunca ter medo de nada e ser um homem destemido por exemplo, que era exatamente o contrário do que ele precisava sentir naquele momento para que o fizesse ser capaz de sair daquele buraco infernal, onde era tratado com o mínimo, mas pelas pessoas certas, para a sua sorte. Ainda vivendo o seu pior pesadelo, Wayne acabou tomando conhecimento da história do Bane, conhecendo um pouco do que ele acreditava ser a sua mitologia, onde ele chegou a conclusão de que o seu adversário seria o tal único que foi capaz de sair daquele lugar como rezava a lenda, além de encontrar o que ele achou ser verdade sobre as origens do vilão, vindo diretamente de alguém que já lhe foi bem próximo lá no começo de tudo.

Amarrações perfeitas que completam essa história e que só fizeram deixá-la ainda mais interessante e muito bem explicada (sem ser muito didática e chata, sabe?), fazendo aquela conexão entre os outros dois pontos dessa nova trilogia. Nessa hora, vale até a pena reviver um pouco dessa história, que pode ser algo importante para colaborar com a nossa memória que costuma ser fraca nessas horas. Mas nada que precise de um estudo profundo sobre os dois filmes anteriores que a essa altura, nós que somos fãs do gênero já assistimos inúmeras vezes. (só o “The Dark Knight” eu devo ter assistido pelo menos umas 6 vezes. Sério.)

Entre as diversas figuras conhecidas desse universo, tivemos o comissário Gordon (Gary Oldman) completamente magoado por ter sustentado uma mentira que colaborou para a criação do mito Harvey Dent, que todos nós sabemos que de herói não teve nada no final das contas, mas que acabou ganhando fama por isso pura e simplesmente pelo fato do mundo sempre precisar de um herói para carregar essa honra. Fato que no decorrer do filme foi muito bem usado pelo Bane contra o próprio personagem, derrubando outro mito a quem aquela cidade acreditava e respeitava até então. Brilhante a forma como os mitos foram todos destruídos nesse filme. Simplesmente brilhante!

Ainda no lado da polícia, ganhamos o reforço de Blake, um jovem policial vivido pelo ator Joseph Gordom-Lewitt e que para a nossa surpresa, tinha algo mais a nos revelar perto do final do longa (juro que eu cheguei a desconfiar, embora a história contada dessa vez tenha sido meio que “outra”). Ele que era o policial que não seguia a lógica (e não as regras, como estamos acostumados a ver por ai) e que além de tudo dividia um passado bastante parecido com o do Bruce Wayne e até mesmo o do Batman, o qual ele só ainda não havia se tornando apenas por falta de recursos, porque motivação não lhe faltava. E o detalhe mais importante é que ele conhecia o Batmam e sabia da sua real identidade. Algo que pode ter passado despercebido durante o filme e talvez tenha sido pouco detalhado sobre “como e porque”, mas que já nos entregava pistas da sua verdadeira identidade, revelada próximo ao final.

Mas é claro que um verdadeiro herói não se veria rendido por muito tempo e foi sensacional a forma nada fácil como Bruce conseguiu sair daquela prisão, embora seja quase inexplicável a sequência dos seus atos, com ele aparecendo inteirão logo em seguida de todo aquele trauma, propondo um acordo com a Selina em pessoa e tudo mais. Mas tudo bem, também perdoamos esse detalhe que não é quase nada se comparada a grandiosidade desse filme. E lembrando dessa sequência, é impossível esquecer daquela trilha sonora marcante, não só nesse momento em que o herói ressurge, mas em todo o filme, onde de tão presente, ela é praticamente mais um personagem e do tipo essencial para completar a história. (vale a pena procurar depois porque ela é realmente bem especial)

E convocando todos os homens de bem que ainda restavam em Gotham City, buscando aliados na polícia, que tanto já o havia perseguido,  lá estava o nosso herói de volta, pronto para encarar o seu grande inimigo. Mas dessa vez precisando mais do que nunca de reforços contra aquele plano grandioso de destruição em massa. Nesse momento, chega a ser quase que inacreditável a forma como eles conseguiram encontrar resoluções boas o suficiente para encerrar todos aqueles plots em aberto, faltando pouco mais de 10 minutos para o seu final e chegava a hora do tudo ou nada, onde o próprio Batman chegou a anunciar que era tempo de guerra em Gotham.

Nesse curto prazo de tempo e ao lado de seus aliados, Batman conseguiu salvar inocentes por todos os lados da cidade, graça ao seu “The Bat” que nessa hora, como eles mesmo meio que disseram ironicamente, “tamanho virou documento”, rs. Ainda em meio a essa batalha final, sobrou tempo para que o Batman se revelasse para o comissário Gordon, que naquela hora reconheceu o homem que salvou a vida do seu filho e que por tanto tempo foi o seu parceiro na luta contra os piores vilões que Gotham já conheceu. E seria praticamente impossível não ficar emocionado com a polícia da cidade em peso saindo as ruas para ajudar a enfrentar o inimigo, enquanto avistavam o símbolo máximo de seu herói queimando no alto daquela ponte. Um detalhe tão forte, que é de fazer chorar de tão lindo!

Aliás, um sentimento que não é muito comum em filmes do gênero é exatamente essa emoção capaz de fazer com que a gente seja conduzido as lágrimas e isso TDKR consegue em diversos momentos, desde o seu começo e até o final. Impossível não ficar tomado com a tristeza instaurada nesse clima de despedida, que pode se manifestar em um momento simples, como a quebra da relação Bruce e Alfred lá no começo, ou quando vimos pessoas inconformadas com o terrorismo, lutando contra o medo de serem feitos de reféns por toda uma vida. Mas eu ainda credito essa emoção maior do filme a toda a sua grandiosidade que chega a ser imensurável, além de assustadora em diversos outros momentos, onde parece que estamos sendo engolidos por aquilo tudo. Uma emoção quase que de “sonho realizado”, como se a gente estivesse vivenciando o que sempre sonhamos ver de um herói de verdade. Eu sei que tudo isso pode parecer até meio cafona, mas eu me rendi e chorei em diversos momentos, que eu confesso sem vergonha nenhuma. (e vi vários marmanjos saindo com os olhos vermelhos do cinema e desviando os olhares,  hein?)

Caminhando para a conclusão épica dessa trilogia, tivemos o homem morcego travando novamente uma batalha corporal com o seu inimigo, finalmente conseguindo alguma vantagem em relação a força e a grandiosidade do seu adversário, encontrando dessa vez o ponto fraco capaz de colocar aquele gigante para dormir com maior facilidade (porque seria pouco crível que do nada, ele conseguisse ter ficado mais forte do que o Bane, mesmo tendo se passado mais de 80 dias preso). E assim ele conseguiu vencê-lo, mas não sem antes ganharmos uma última revelação, que nos trouxe a verdadeira identidade do vilão, além de uma grande surpresa que eu acho importante que seja mantida em segredo, para quem ainda não assistiu ao filme e por isso eu não vou comentar aqui.

E em nome do bem de Gotham, como ato heróico final, após ter derrotado Bane contando com uma importante ajuda nessa hora e ter conseguido salvar a cidade de sua total destruição (porque a parcial bem que aconteceu), Batman acabou entregando a sua própria vida, encerrando da melhor forma possível a sua história de amor por aquela cidade, que ele lutou por tantas vezes para manter em pé, mas que naquele momento chegava a hora de passar seu legado adiante e para isso ele sabiamente já havia despertado um certo interesse em alguém capaz de seguir com o seu trabalho adiante. (alguém que a gente também adoraria ver em um filme todo seu, inclusive com ele mesmo vivendo o personagem…)

Uma morte poética, sem o funeral que se espera para a morte de um mito, o herói que conseguiu manter a sua identidade até o fim, identidade que vai além do seu rosto ser divulgado para o mundo e está em cada detalhe do seu legado. Claro que tudo isso foi um escape que caiu como a alternativa perfeita para que Bruce Wayne tivesse alguma chance de viver a sua vida como um homem comum, realizando não só o seu, mas também o sonho do Alfred ao concretizar o desejo da projeção do seu amigo de longa data para o seu próprio futuro. E junto as flores vermelhas na lápide de Bruce Wayne, nos foi entregue o final mais corajoso possível para essa que foi um trilogia das melhores que conhecemos até hoje. E tem final mais corajoso?

Sinceramente, a cada cena que se passava de TDKR, eu conseguia enxergar um caminho que eu gostaria de ter visto para aquela história, sem tirar e nem colocar nada, sendo entregue exatamente da forma como a gente lá no fundo, mesmo que em nosso inconsciente,  torcia para que fosse feito daquele jeito. Cheguei a ficar com falta de ar, me sentindo quase engolido por aquela história tão bacana, trazendo o herói que nós conhecemos de tanto tempo das HQs que lemos ainda quando crianças, para o um lado muito mais real, que convenhamos, combina muito mais para um homem que não é dotado de super poderes. Ao mesmo tempo, essa desconstrução do personagem foi feita de forma tão extraordinária e porque não dizer espetacular (agora sim usando a palavra com propriedade e coerência, diferente de um certo contemporâneo seu…), fazendo com que o herói tivesse que buscar o seu lado humano, encontrando no seu medo mais profundo a grandeza da sua coragem, que foi o que o fez ressurgir mais forte do que nunca para continuar a sua batalha e encerrar essa história desse jeito, sem que a gente quisesse sair da sala do cinema quando o filme chegou ao seu fim.

Preciso ser sincero e reconhecer que desde sempre eu mantive uma relação meio assim com o Batman (o personagem, pq sempre AMEI os filmes e o seu universo) justamente por achar muito fácil essa saída recorrente dentro do seu universo, escondida em fontes inesgotáveis de dinheiro e muita condição. Sempre achei muito fácil mesmo a forma com que Bruce Wayne conseguia se safar de tudo tendo como base a sua grande fortuna e/ou influência, apesar de diferente de muitos, ele ter escolhido tentar fazer a diferença a seu modo. Um sentimento que sumiu completamente e foi enterrado ao final de TDKR, onde pela primeira vez vimos o herói lutando sem recursos (ou bem menos), tendo que descobrir a sua força por ele mesmo e sem o apoio do seu cofre forte como segurança para qualquer aperto. Algo que talvez jamais acontecesse se esse não fosse o final escolhido para essa história, que eu não canso de repetir que foi inacreditavelmente sensacional e perfeito.

E com esse ponto final, Christopher Nolan acabou criando um problema enorme em nossas vidas. Como aceitar um filme de super-herói não tão bom quanto TDKR daqui para frente? Como nos contentar com apenas um mix de cenas de ação as vezes muito bem realizadas (outras nem tanto), mas sem um história consistente o suficiente para ser contada em muito menos tempo de duração? Como não ficar morrendo de vergonha de todos os outros lançamentos dentro do mesmo gênero que ocorreram ao longo dos últimos tempos? Fica muito difícil. Tudo bem que não é assim também e os demais todos tem o seu mérito por esse ou por aquele motivo. Mas uma coisa é certa, ao assistir qualquer outro filme de super-herói após ter visto “The Dark Knight Rises”, vai ser difícil nos contentarmos a ponto de conseguirmos ignorar um pensamento que vai ficar ecoando na nossa mente por pelo menos um bom tempo: “Mas o Batman foi melhor”. Isso até aparecer um novo Batman, que a gente até torce para que apareça, porque sempre queremos ver coisa boa. Caso contrário, vamos ficar morrendo de saudade de uma mente brilhante como a do Christopher Nolan a frente de uma franquia tão bem realizada como essa.

Esse não foi apenas o funeral de um herói, foi o dia da morte de um gênero, que para continuar sobrevivendo vai precisar se virar para superar “The Dark Knight Rises”, que acabou nos deixando muito mais exigentes enquanto audiência. Agora se virem, porque nós não aceitamos menos.

 

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11 Respostas to “The Dark Knight Rises – O dia em que nos tornamos muito mais exigentes a respeito de qualquer próximo filme do gênero”

  1. viniciusnicolau Says:

    SPOILERS:

    Apesar de ter feito a maioria dos comentários no outros post, dois pontos:

    -O que foi a morte da Miranda? Porra Marion, parecia Chaves “páh, morri – língua pra fora” hauahauah

    -Só eu que fiquei metade do filme boiando/esperando um flashback sobre porque diabos o joelho do Bruce estava daquele jeito?

    Explicando: é porque haviam rumores (e eu que estava acreditando fortemente) que o Bane quebraria o Batman logo em seguida ao fim do segundo filme. Por ex: policia perseguindo Batman, ele foge, é encurralado e luta/perde pro Bane e ai se desenvolveria a dominação de Gotham, retorno do Batman etc. Então, eu fiquei crente que era isso que tinha acontecido ou esperando uma explicação para aquele joelho fodido…

    • Essy Says:

      Gente, estava falando exatamente isso no Twitter ontem sobre a Miranda: só faltou a língua para a fora. Puff! (porque não refazer aquela cena?)

      Então, não sabia desses rumores, mas entendi que em #TDKR eles tentaram mostrar o quanto eles já estava desgastado dessa vida dupla e o quanto ele já não era mais o mesmo e já não tinha a mesma força do começo de tudo. Acho que nesse caso, a intenção foi mais ou menos por ai. (no último filme ele apanhou bastante também…)

  2. viniciusnicolau Says:

    Gente, eu só conhecia ele por Girls (da HBO) e já achei ele foufo mil ❤

  3. Camila Says:

    Concordei muito.. só não concordei muito quando você diz que TDKR é um ótimo filme de super-herói.
    Pelo menos pra mim, TDKR é um ótimo filme PONTO
    Assim como a trilogia inteira.

    • Essy Says:

      É, TDKR funciona bem como um ótimo filme e ponto. Só não consigo ignorar aquele homem vestido de morcego todo em latex preto, por isso o “super-herói”, rs
      E com ele, essa se tornou uma das melhores trilogias ever!

  4. Florence Says:

    Gostei bastante, e achei que cumpriu com toda a propaganda, diferente do Espetacular Homem Aranha, que foi bom, mas não saiu disso. Anne Hathaway estava realmente diva no filme, sei que ela é uma atriz maravilhosa, mas achava que ela não ía dar conta do papel, tipo, nunca imaginei ela como Catwoman super sexy, sempre via ela meio delicadinha, fofinha… mas me surpreendi! E gostei da direção do Christopher Nolan, já vi criticas que falam mal da ambiguidade dos filmes dele, e que sua intenção é fazer o expectador não entender nada claramente. Mas eu super discordo, e acho que o bacana dos filmes dele é justamente esse quebra-cabeça, e finais ambiguos sao sempre mais interessantes, esse é o estilo do Nolan, assim como Tarantino gosta de sangue e cultura pop, Christopher Nolan gosta de fazer a gente ficar imaginando oque realmente aconteceu ou vai acontecer.

    • Essy Says:

      Realmente, TDKR entregou bem mais do que a gente estava esperando, diferente do novo Spider-Man, humpf! (mágoa eterna, rs)
      Vc sabe que eu também fiquei na dúvida da escolha da Anne como Catwoman e até cheguei a pensar que ela poderia parecer forçada demais fazendo a Catwoman que a gente já conhece, mesmo confiando no seu talento. Mas fiquei bem surpreso e feliz com a sua atuação excelente no fim das contas.

      Nolan foi genial, principalmente entre o segundo e o terceiro filme, que são fora de série. O primeiro é mais chatinho, mas tinha que ser daquele jeito para começar tudo de novo. Agora em TDKR ele realmente se superou e acho bacana que não seja um filme fácil e que no final das contas não entregue um caminho óbvio e com apenas uma direção. Gosto de quebra-cabeças. Assisto “Inception” e quase enlouqueço, toda vez, rs.

  5. The Modern Guilt Awards 2012, a quarta edição do prêmio mais sensacional de todos os tempos « The Modern Guilt Says:

    […] “The Dark Knight Rises” não é um filme qualquer de super-herói (esse sim foi um filme qualquer sobre um super-herói em 2012, por exemplo…). Ele na verdade se tornou a redefinição de um gênero e após passar por essa experiência que fechou de forma excelente a trilogia mais recente do homem morcego (tirando a cena da morte de uma certa atriz que só pode ter tentado sabotar o filme com aquele trabalho sujo ou ter honestamente faltado na aula de “como morrer dignamente no cinema”, porque fora isso, nada justifica o que vimos), eu diria que daqui para frente, não tem como a gente se contentar com menos quando o assunto for filmes do gênero. Que ele tenha servido de escola, porque se tudo o que estiver por vir pela frente for pelo menos inspirado em 50% do que TDKR foi, teremos uma boa leva de novos filmes de super-heróis. Stan Lee diz amém para essa esperança. (ele que fez 90 anos na última sexta, com corpinho de herói de no máximo 70, vai? Howcoolisthat?) […]

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