O novo normal

Plot de casal gay querendo ter filhos não chega a ser nenhuma novidade e a gente sabe que sempre acaba rendendo pelo menos algumas boas risadas, além da carga dramática que eles sempre tentam imprimir nesse tipo de situação, o que também é bem natural devido as circunstâncias. Mas não é que o Ryan Murphy conseguiu nos entregar mais uma série bem bacana ou pelo menos bem divertida?

Gostei tanto do piloto de The New Normal, que até assisti duas vezes, não só ele como o segundo episódio (1×02 Sofa’s Choice) que saiu logo na sequência e que conseguiu ser ainda mais divertido (embora a suas audiência tenha caído durante essa semana). Mas o que mais me deixou encantado com a série, além do fato deles seguirem uma linha meio Modern Family, sempre com ótimas risadas e aquele momentinho que te deixa bem emocionado dentro do episódio (Modern Family costuma utilizar desse recurso no final dos seus eps por exemplo), a série conta também com um texto super direto, sem freios e com aquele tipo de acidez que nós tanto adoramos.

E  o casal da vez é sensacional! Nele temos o fashionista (claro), Bryan, que tem cara de “exclamação” (sempre achei que o Andrew Rannells tinha essa cara – ele que fez o ex boyfriend gay da Hannah em Girls e que também foi o protagonista do musical do momento na Broadway, o “The Book Of Mormon”) que é extremamente caricata e nem por isso menos divertido. Sem contar que com ele ganhamos a sua assistente Rocky, que é interpretada pela Nene Leakes, que saiu de Glee (não sei se ela saiu mesmo, mas acredito que sim) para interpretar praticamente o mesmo personagem na nova série, só que com roupas melhores e mais caras, mas que nesse caso eu nem consigo lamentar qualquer coisa, porque ela é sempre ótima com sua língua afiadíssima e respostas atravessadas que são como patadas de sola vermelha de seus Louboutins diretamente na cara da sociedade puritana americana. PÁ! (inclusive, todas super merecidas)

A outra parte do casal é composta pelo típico personagem gay que não parece muito gay (claro²), David, interpretado lindamente pelo Justin Bartha (que eu AMO não é de hoje. Höy!) e seus olhos cor de caixinhas da Tiffany & Co, rs. Esse bem menos caricata, o que também é excelente, médico e um milhão de vezes mais inseguro do que o seu parceiro no crime, Bryan. Só não gosto muito dessa divisão clara que tendem a fazer com personagens gays, onde um sempre é a caricata e o outro a machona da relação (apesar de algumas “coincidências” da série com a vida real de “alguém” ter me assustado um pouco, tisc tisc). Mas esse equilíbrio que sempre faz falta quando o assunto são personagens gays, analisando apenas por esse começo da série, talvez eles tenham conseguido com o personagem do Justin Bartha que apenas por esses dois episódios, me pareceu até ter um pouco dos dois estereótipos, algo que eu acho bem mais natural. Não gosto de labels e não gosto de pensar que alguém é só isso ou aquilo, apesar de ser muito mais fácil de se definir. Não gosto muito do “fácil”. (recentemente o lindíssimo filme “Weekend” conseguiu o feito de uma forma bem bacana e natural também, bem mais próximo da realidade)

Completando a história, temos as adorkables Goldie e Shania (Georgia King e Bebe Wood), mãe e filha que acabam embarcando nessa de proporcionarem uma família para o casal gay, sendo boa parte dessa decisão tomada por conta da vida conturbada da mãe (Goldie), que se vê presa a uma relação abusiva e sem muito respeito por parte da sua outra metade (que é interpretada pelo ator Jayson Blair de The Hard Times of RJ Berger) e por esse motivo resolveu mudar a sua vida, aceitando a proposta financeira de ser a surrogate mom do casal . Ambas são adoráveis, a mãe com toda a sua ingenuidade e doçura e a filha por ser uma figura completamente foufa daquele tipo que é impossível não se apaixonar. (ela me lembrou bastante a “Little Miss Sunshine” até e não acho que isso não tenha sido proposital, rs)

O episódio piloto da série é adorável e conseguiu me emocionar já nos seus primeiros minutos, com aquele vídeo lindo do Bryan para o futuro filho e depois disso fomos presenteados com uma série de piadas sensacionais além de uma acidez precisa encontrada no texto de todos eles, mas principalmente no da personagem que faz o contraponto dessa história (Jane, a bisavó intolerante das meninas) e que pasmem, representa uma boa parte da sociedade, mesmo para os intolerantes que ainda permanecem dentro do armário, tentando esconder seus preconceitos em uma falsa tolerância ou no “politicamente correto”. Talvez por isso a série tenha irritado tanto a America antiga conservadora…

No segundo episódio, tivemos um momento impagável com a Shania (#TEMCOMONAOAMAR esse nome? – ♥)  fingindo ser a Little Edie de “Grey Gardens” (mas não o filme e sim o documentário, que é excelente!), se comportando como a personagem e nos entregando momentos de pura diversão em um comportamento que imprimia exatamente a forma como elas estavam vivendo naquele momento. Até a carater para escola ela acabou indo, #TEMCOMONAOAMAR? Oh mother darling, e nele ainda tivemos um momento flashback onde descobrimos como o casal se conheceu em uma buatchy, que foi ótimo também. (e o cabelo do Justin Bartha estava tipo o do Blane na formatura do último ano de Glee, rs)

E tudo isso faz com que The New Normal seja uma nova série bem bacana, do tipo de comédia que realmente dá vontade de continuar assistindo, mesmo que a gente já consiga ter uma ideia de onde isso tudo vai parar no futuro. (dificuldades para engravidar/perder o bebê/voltar com o ex/desistir da “adoção” porque voltou com o ex ou se apegou ao bebê/todos vivendo juntos como uma grande família). Mesmo assim, eu já me encontro apaixonado e sonho com o convite para ser padrinho do futuro filho do casal. (e quero uma Shania para mim!)

Ao contrário do que muita gente possa achar também (gente estúpida existe em tudo quanto é lugar), The New Normal não é uma série que chega dizendo que “o novo normal é ser gay” e a mensagem da série está mais para que o “novo normal é aceitar que todo mundo pode ser feliz” mesmo que o novo modelo seja um tanto quanto diferente do que o modelo mais comum. (♥)

 

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10 Respostas to “O novo normal”

  1. Monica Says:

    Só vi 3 episódios e já estou apaixonada pela série (na verdade, desde o primeiro!). Acho todos os atores bastante talentosos, amo o texto super “witty” e adoro que as falas são super rápidas (ótimo treino de inglês, já que vejo sem legendas, rs).
    Além disso, como você bem escreveu no post, gosto muito de ser uma comédia em que a gente ri, e logo em seguida faz “awwwnn”, de tanta fofura. Quase chorei numa parte do episódio de ontem… 🙂

    (spoiler: não sei se você já viu o de ontem e não quero estragar nada, mas essa quote foi demais: “It’s the Marc Jacobs test, the amnio, the birth defect thing, the redhead scare, and then we can have the joy?” – e o que eles falam dos ruivos?? ahahaha, morri!)

    • Essy Says:

      São mesmo hein? Diz que o casting também foi feito pelo Robert de #TGP, o que mostra que ele é bom mesmo.
      Esqueci de dizer isso, como eles falam rápido, neam? Desde Gilmore Girls que eu não ficava tão “acelerado” assim, rs
      Acho que estamos enfrentando uma boa safra de comédias foufas, recheadas desse momentos “Awnnn”. (Modern Family, Parks And Recreation, Raising Hope, Awkward)

      Vi o 1×03 depois de ler o comment. Que episódio ótimo neam? Lines excelentes (como essa que vc escreveu) e ao mesmo tempo ele foi muito mais dramático do os outros dois. E AMO a forma como a Shania é tratada dentro da série. Episódio lindíssimo novamente, fiquei bem emocionado até. (mas dizem que nesse a audiência caiu bastante…)
      Só não precisava desse preconceito todo com os ruivos neam? rs (acho que o Ryan gosta de escrever piadinhas sobre ruivos vide o que ele já fez em Glee, rs)

  2. Lucas Santtos Says:

    Vi os dois primeiros episódios dessa série e curti demais. O elenco está super entrosado e a trama é uma delícia, também não sei até onde a história pode nos levar, mas sei que pelo menos estou super ansioso pra ver os próximos episódios!

    • Essy Says:

      Bem boma neam? Elenco excelente, afiadíssimo, um texto acertadíssimo e sem contar o ritmo da série, que é uma delícia!
      O terceiro conseguiu ser ainda mais especial, mesmo sendo bem mais dramático. (e eu tenho repetido isso toda semana, rs)

  3. Vanessa Tourinho ઇ‍ઉ (@VanTourinho) Says:

    Esse episódio piloto, ah, meu Deus, como me fez chorar! Coisa linda aquele momento em que o futuro papai decide gravar o vídeo. *-* Me apaixonei desde o primeiro minuto.
    Assisti ao segundo episódio e meu amor só confirmou.
    E como assim o terceiro é mais especial e dramático? Ainda não assisti, estou curiosa agora, ainda mais! ^^
    Obrigada pela indicação, Essy. Só fui conhecer a série, porque você recomendou e me ganhou com esse post super bem escrito!
    Beijos.

    • Essy Says:

      Tive a mesma reação e encontrar esse tipo de emoção nos primeiros minutos de um piloto de comédia, pra mim já foi um sinal claro de que algo bom viria por aí. Ao assistir o restante do episódio e depois o segundo, só posso dizer que esse sinal se confirmou!
      O 1×03 é super dramático e bem mais pesado falando de preconceito (com uma situação super comum e pavorosa para ilustrar o drama), apesar de também ser cômico na hora certa. E acho que se continuar dessa forma, esse vai ser um bom ponto de equilíbrio para a série.

      Thnks! Coisa boa e que provoca esse tipo de reação pra gente, recomendamos com gosto neam?
      Smacks

  4. Jubs Says:

    Eu não tinha lido nada sobre a série, só vi para baixar e gostei da sinopse, então baixei. Depois vi esse post, mas “ignorei” porque não queria spoiler (hehe), então, enfim, ontem na madrugada fria eu vi e AMEI. Achei familiar até notar o nome do Ryan Murphy nos créditos e o amor só aumentou. Tem uma pegada de Glee e confesso que imaginei a série como um futuro diferenciado do nosso casal magia de Glee: Blaine + Kurt ♥ (mas não comparando).
    Assim como você, já fui me jogando em episódios seguidos da série (no caso três porque eu fui lerdinha, rs) e quero mais.
    De todas as maneiras “The New Normal” é apaixonante.

    • Essy Says:

      The New Normal é excelente mesmo, tem uma agilidade sensacional, um texto super ácido e tem sim alguma coisa aqui e ali que nos faz lembrar de Glee. Uncle Ryan parece ter acertado novamente (e o Bryan é o Ryan, ou pelo menos a projeção exagerada do que ele realmente gostaria de ser, rs)
      Acho que se Kurt e o Blaine continuassem juntos no futuro, seria mais ou menos por aí (se bem que, o Justin Bartha é mais contido que o Darren, rs)
      Essa semana saiu o quarto eo, que foi onde eu achei que eles exageraram um pouco e acabaram escorregando no tema (na questão do preconceito racial e tem uma coisa aqui e ali na Goldie que me incomoda)
      Mas nada que eles não consigam corrigir. (e a série parece que vai ser isso mesmo, tocar o dedo da ferida de uma forma inteligente e divertida)
      Apesar disso, já declarei que essa é a minha nova paixão. (♥)

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