The (un)following

the following

Uma série de suspense policial bacana, com gente de peso envolvida na sua produção (uma criação de Kevin Williamson, de Dawson’s Creek, The Vampire Diaries e “Scream” nos cinemas) e que além de uma boa ideia de trazer um serial killer com ares de poeta, Joe Carroll, um professor fã incondicional de Edgar Alan Poe e que dessa vez não está disposto a agir sozinho como na maioria dos casos mais comuns que conhecemos e conta com o que ao que tudo indica ser uma vasta gama de seguidores da sua mente literária perturbada. Um vilão excelente, diga-se de passagem, desde a ideia até a execução do ator James Purefoy, que consegue nos transmitir tudo aquilo que eles tentam nos vender sobre o perfil do assassino da vez, do tipo que você rapidamente acredita que é completamente maluco, mas já começa a entender também o porque de tanta gente se sentir tão seduzida pelo personagem.

Do lado do bem da história temos ele, Kevin Bacon (nossas tias gritam nesse momento, ele que também está ótimo nesse papel que lhe caiu muito bem) vivendo o policial Ryan Hardy que na verdade, nem é tão do bem assim e tem lá a suas falhas. Um policial bem sucedido, porém afastado da sua carreira no FBI devido as sequelas deixadas pelo seu maior inimigo, o próprio Carroll, que ele consegui colocar atrás das grades depois de ter conseguido também salvar a sua última vítima.

Afastado do trabalho, ele usa marcapasso para controlar o coração debilitado e ao que tudo indica, bebe compulsivamente (aquela bala de menta não foi oferecida por acaso) e tem uma passado meio assim com a ex esposa desse mesmo serial killer. Ou seja, motivos para odiá-lo o cara pelo menos tem, além de todo o seu nível de loucura, é claro. Sem contar que após ter sido bem sucedido na investigação que levou a prisão do agora famoso Carroll, Ryan ainda lucrou com a história, escrevendo um livro sobre como funcionava a mente daquele que foi o maior trunfo da sua carreira, algo que acabou lhe rendendo um prestígio maior ainda.

Até aqui, encontramos uma história interessante e que fica ainda melhor com a fuga do tal assassino logo no começo do piloto, ele que está disposto a finalizar o seu trabalho adiado com o momento da sua prisão, anos atrás e óbviamente está a procura da tal última vítima que Ryan conseguiu salvar no momento da sua prisão. Nessa fuga, Ryan acaba sendo convocado novamente para o caso, já que ele é quem melhor conhece o inimigo e uma série de eventos acontecem para nos levar até o plot  central da temporada. E é exatamente nessa hora que a série já começa a se perder em seu piloto, em uma avalanche de clichês de filmes do gênero que podem se tornar bem irritantes se você tiver um pouquinho menos de tolerância.

Primeiro que Ryan parece saber demais. Ok, o cara quase morreu nas mãos daquele assassino, estudou a sua história, conseguiu colocá-lo na cadeia, escreveu um livro, pegou a sua mulher, mas mesmo assim, tudo parece fácil demais para aquele que divide o mesmo conhecimento sobre a fixação do serial killer na obra de Edgar Allan Poe e pelo menos nesse piloto, essa foi a primeira impressão passada. Tudo está relacionado a sua obra e as respostas aparecem facilmente, como um passe de mágica em meio aos cenários do crime, sempre utilizando a mesma desculpa como justificativa em um momento brilhante de raciocínio do próprio policial, que se fosse tão brilhante assim e ou preparado, já teria pensado no seu próximo passo antes do próprio serial killer, ou pelo menos teria feito um mapa na parede cheio de próximas possibilidades, algo mais ou menos como a Carrie de Homeland, rs. Preguiça.

Tudo bem que esse tipo de justificativa que aparentemente pode até parecer bacana por se tratar de uma obra real, mas o mesmo detalhe que é capaz de trazer um elemento especial para a trama da série acaba perdendo a força sendo utilizado em doses cavalares (como já acontece no piloto) e pode também acabar se tornando um recurso fácil demais para aquele policial, dotado de tamanho conhecimento, ou para qualquer outra pessoa que conheça a literatura de Allan Poe. E isso somado a postura do personagem principal, o policial que não segue regras de sempre, cercado da policial irritadinha demais, do outro nerd inteligente e puxa saco demais, groupie do policial principal e o boy magia do FBI, porque tem que ter um. Todos personagens bem clichês e que encontramos aos montes em qualquer série ou filme do gênero. E Ryan apesar de ter passado por tudo isso, de carregar com ele uma marca dessa história, de estar envolvido novamente naquele rastro de sangue já conhecido do seu passado e por isso, imaginamos que seja uma lembrança no mínimo traumatizante, mesmo com toda essa vasta experiência sobre o caso, acaba sendo atraído pelo assassino para o lugar certo na hora certa, mesmo que isso tenha sido intencional por parte de ambos os envolvidos. (você não deixaria avisado para a equipe? Ainda mais considerando que o cara é um psicopata maluco que conseguiu fugir da cadeia com a maior facilidade desse mundo? Eu bem que deixaria…)

Sem contar que eu gosto de me assustar, de ficar tenso, preso no sofá, sem a menor ideia do que está por vir, só que também já no piloto, The Following mostra muito bem qual a sua fórmula para assustar nesse caso, que visivelmente pertencente a mesma escola “Scream” de antigamente, tenha sido ela proposital, em forma de homenagem, uma questão de identidade ou não. Sabe aquele susto avisado, que vem junto com a trilha sonora dramática nada sútil e totalmente proposital para aumentar ainda mais a reação? Então…

Além disso, alguns padrões se repetem dessa escola antiga de terror (que apesar de não ser tão antiga assim, já tem cara de velha), como mortes na garagem, a obsessão por facas (e o barulho do aço) e muito sangue por todos os lados. Agora, o que eu gostaria mesmo é que alguém me explicasse como é que uma mulher com cara de no mínimo perturbada por cinco gerações de ancestrais, convocada pela polícia para prestar depoimento devido a sua relação próxima ao assassino, chamada inclusive de groupie por eles mesmos, me aparece no local onde estão sendo feito os interrogatórios (que eu não tenho muita certeza, mas me pareceu ser no próprio FBI, não?), munida de uma faca gigantesca (ou punhal), em plena America antiga calejada pós atendados da sua história recente? Realmente, achei pouco convincente. Menos convincente ainda que nenhum policial dos 38 que estavam presente naquela hora, não tenha dado com um porrete na cabeça dela para evitar uma tragédia maior e ou tivesse usado a sua arma de choque naquele momento para controlar a situação. Apesar da cena ser bem bacana, com, a mulher com o corpo todo escrito (me lembrou bem a referência visual de “Memento”) com lines do próprio Edgar Allan Poe. Poético, mas lame.

Tirando tudo isso que eu acabei destacando como pontos negativos que não me fizeram ter a menor vontade de assistir e ou me apegar a The Following, é preciso reconhecer que a sua produção é bem boa e provavelmente vá encontrar seu público. Só acho também que pensando a longo prazo, fica bem difícil estender a série por muito tempo sem transformá-la em um procedural daqueles. E por exemplo, duas temporadas rondando esse mesmo plot e eu já acho que ela tem tudo para ser a nova The Killing (que vai voltar, pelo AMC mesmo e com o ótimo Peter Saarsgard agora também no elenco, mas que já deu pra gente, sorry), tirando a parte que The Killing, apesar de arrastada, sempre foi bem boa e tentava pelo menos tratar seus clichês de uma outra forma, coisa que The Following não conseguiu nem em seu piloto.

E apesar de já ter sido morta no piloto (e quem aguentaria ver mais da Shannon de Lost por mais do que um episódio?), estou até agora na dúvida se a Sarah não é ou não é a nova Sidney?

Por aqui, a série estréia na Warner no dia 21 de Fevereiro, às 22h50.

 

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3 Respostas to “The (un)following”

  1. belledebel Says:

    Essy querido, já estou no 5o. EP, no inicio achei meio clichê… Há vários plot twist , e não paro de me assustar no sofá… Asssista.

    • Essy Says:

      Bem vi que a série já estava adiantada. Pior é que eu gostei de muita coisa sobre ela, os promos, as imagens promocionais, os posters, a história. Mas não consegui me interessar pela forma como eles resolveram contá-la, sabe?
      Talvez eu assista depois, quando já tiver a primeira temporada completa…

  2. O novo Hannibal | The Modern Guilt Says:

    […] percorrido (principalmente pensando como resolução, algo que eu cheguei a reclamar pelo que vi de The Following, só que de uma outra maneira), a todo momento eles fazem questão de mostrar o quanto o personagem […]

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