Take My Picture (use my clothes, read my blog, buy my magazine)

“Take My Picture” é um documentário da revista russa Garage que chega para discutir a questão dos “peacocks”, uma espécie fashionista que tem se proliferado bastante durante as semanas de moda em todo mundo.

Uma discussão sem fim entre jornalistas e blogueiros de moda, sobre algo que a essa altura já se tornou uma verdadeira grande e nova indústria, sobretudo por tratar-se de uma nova forma de trabalho ainda em fase de entendimento, com a internet gerando bons frutos para alguns (poucos) e é claro que irritando bastante outros (muitos).

O curta tem a narração do Tim Blanks, que é editor do Style.com, que aproveita para dizer qual a sua opinião em relação a esse novo velho fenômeno (apesar de que, não é de hoje que encontramos gente animada se montando com vontade durante toda e qualquer semana de moda, inclusive a nossa). Ele que faz uma ótima analise do porque que figuras da moda acabaram ganhando atenção durante a década de 90, algo que certamente deu início ao que podemos constatar na prática atualmente (com lindas imagens da Cindy Crawford, Naomi Campbell, Linda Evangelista e aquela que todos nós gostaríamos de ser, Kate Moss, novinhas de tudo) , mas que ao mesmo tempo não parece ver com bons olhos o trabalho dos fotógrafos e blogueiros de street style de agora, que não é de hoje quem vem chamando a atenção no mundo inteiro, cobrindo as principais semanas de moda e nos trazendo um pouco do olhar de cada um sobre essa indústria (que é o que eu acho mais bacana disso tudo, olhares diferentes sobre uma mesma coisa). Algo que eles enquanto editores, produtores e jornalistas, antigamente precisavam de pelo menos o tempo de suas publicações chegarem as bancas para ganhar alguma atenção. Hoje tudo é muito rápido e praticamente só depende da velocidade da sua conexão e ou dedicação e certamente, esse também acaba sendo um dos grandes motivos dessa birra dentro desse cenário, devido ao fato de que alguns veículos como as grandes revistas de moda ainda precisam de tempo para serem entregues e no final das contas, a novidade acabar não parecendo mais tão nova assim.

Amparado no recente discurso da Suzy Menkes em relação a essa multidão de peacocks e cercado de outros nomes de peso de dentro dessa indústria de milhões, todos eles acabam concordando de certa forma que existe um número excessivo de gente interessada nesse assunto e parecem não estar conseguindo lidar muito bem com esse fato (a moda sempre sonhou em ser popular, mas sabe que quando isso acontece, acaba se tornando o seu maior pesadelo, quando não um passo para o fim certo de uma tendência qualquer, por exemplo), embora consigam destacar seus favoritos no meio da multidão, com o lendário Bill Cunningham, The Sartorialist ou o Tommy Ton, todos eles com uma identidade muito própria, apesar dos trabalhos semelhantes e todos sensacionais, diga-se de passagem. Agora eles reclamas inclusive dos espaços públicos ocupados pelos interessados no assunto, tanto por aqueles que querem ser vistos, quanto por aqueles que só querem emprestar o seu olhar.

Mas fato é que não é de hoje que a indústria editorial da moda vem se incomodando com os barulhos das ruas e isso começou a acontecer desde quando as tendências mostradas durante as semanas de moda, passaram todas a seguir o caminho inverso do qual eles estavam acostumados até então. Antigamente, a moda vista nas passarelas dos grandes desfiles acabava refletindo diretamente no comportamento das ruas, influenciando completamente a forma de se vestir de toda uma geração. Os recursos eram outros e o seu poder de alcance também. Hoje em dia, isso ainda acontece dessa forma, só que em um volume bem menor e como tudo é muito mais possível e acessível para todos atualmente, seja de uma forma ou de outra, muitas vezes esse caminho agora acaba acontecendo na contramão da antiga fórmula, onde muito do que podemos observar nas passarelas de agora acabou visivelmente sofrendo uma forte influência desse street style mais intuitivo, de gente que gosta de se expressar e encontra no vestuário a sua maior força de expressão, conscientes ou inconscientes. Sem contar que esses blogs de street style acabaram se tornando a cara da referência estética dos novos tempos não tão novos assim. (hoje tudo anda tão rápido que o velho pode ter apenas pouco mais de cinco minutos)

Sem contar que essa indústria também andou mexendo no bolso de todo mundo e isso ninguém gosta e já era de se esperar alguma cara feia a respeito. Disputar um espaço que achava-se exclusivo (alguns ainda se importam com exclusividade pelos motivos errados), ser generoso com o colega ao lado carregando uma máquina muitas vezes bem mais profissional que a sua, que é quem vive disso, também nunca foi o forte da maioria dessas pessoas, com ou sem egos inflados. Tão pouco conseguir admitir que atualmente, a maioria das coisas que observamos nas ruas, nas escolhas da vida real dos fashionistas, acabaram se tornando muito mais interessantes do que a mesmice que temos encontrado ultimamente durante as semanas de moda de qualquer lugar do mundo. Não é de hoje também que reclamamos que falta emoção nas passarelas e podemos dizer que pelo menos um mínimo friozinho na barriga, nós andamos sentindo frequentemente quando observamos pessoas muitas vezes “normais” se arriscando em produções que todos nós nos inspiramos no dia a dia, propositalmente ou não.

Também não parece justo reforçar o traço daqueles que por si só já parecem uma bela caricatura, como as editoras de moda que se renderam as tentações que elas mesmos nos vendem aos baldes em cada edição de suas revistas. E isso todas elas fazem, inclusive as mais discretas, carrancudas e pouco sorridentes. As modelos por exemplo, sempre foram vistas como cabides dentro desse mercado (algo que eu sempre achei horrível), mas todo mundo sabe também que até hoje, só conseguiram se destacar aquelas que se recusaram a ser apenas mais um cabide e nos ofereceram algo mais além da beleza, seja um jeito novo de andar, um estilo próprio que acabasse chamando a atençao e ou uma personalidade forte e mais marcante, algo que muitas vezes acabava sendo ofuscado ou escondido por trás de uma couture. E ainda quando tratava-se de uma couture que valesse mesmo a pena, até que tudo bem, mas não é o que estamos vendo atualmente na prática em red carpets, com tudo despencando e revelando imperfeições grotescas, que em outras épocas não seriam permitidas jamais. Então, porque não deixar e conseguir encontrar o humor carregado exatamente por essas editoras de moda provando do próprio veneno, exibindo suas penas cada vez mais coloridas e volumosas em meio a uma multidão de outros pavões?

Na primeira fila pode até não ter espaço para todo mundo, mas do lado de fora dos grandes desfiles, nas ruas, são bem vindos os tubinhos pretos super discretos e padronizados de sempre (apesar de não causarem mais nenhuma reação), até as formas mais exóticas com as cores mais indescritíveis, desejáveis ou apenas cômicas da temporada.

Por esse motivo, acho que o título do curta poderia ser modificado para algo mais próximo do título desses post, afinal, tudo faz parte da mesma indústria e todos querem a mesma coisa. Sobreviver.

#IWANNASEEYOURPEACOCK

 

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Uma resposta to “Take My Picture (use my clothes, read my blog, buy my magazine)”

  1. The Modern Guilt Awards 2013, o quinto ano do melhor prêmio de todos os prêmios | The Modern Guilt Says:

    […] tivemos também esse documentário aqui, que é bem bacana e pode te fazer pensar sobre o […]

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