A flechada certeira… quer dizer, não tão certeira assim e meio torta da Season 1 de Arrow

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Arrow foi uma das novas séries que nos deixou bastante empolgados em relação ao seu piloto durante essa temporada. Muito bem executado, com uma história que a principio parecia ser bem bacana, apesar dela já nos antecipar algumas dificuldades que eles provavelmente ainda iriam encontrar pelo seu caminho, alguns personagens interessantes e uma nova mitologia para conhecermos aos poucos e aprendermos a gostar com o tempo, principalmente para quem não era assim tão familiarizado com a história do personagem da HQ antiga. Isso sem falar da qualidade encontrada nesse primeiro capítulo da história, que impressionou bastante logo de cara.

É claro que a essa altura, como já somos bastante experientes no assunto sobre séries de TV e também no assunto de séries de TV sobre super heróis, ficamos com os três pés atrás (HAHA, sempre sonhei em fazer uma piada baixa sobre tripés por aqui, sorry, mas lidem com isso, rs), com aquele receio natural que nos foi tirado quando perdemos a inocência de acreditar em tudo que eles tentam nos empurrar a força com uma campanha de divulgação massiva, muito bem executada e desde cedo ficamos na desconfiança sobre até quando essa história teria força o suficiente para se sustentar por muito tempo, ou até mesmo se sustentar por pelo menos uma temporada completa.

E Arrow começou muito bem mesmo, com uma sequência de bons episódios em sua estréia (uns seis deles, talvez?), onde aos poucos fomos conhecendo um pouco mais do personagem e ao mesmo tempo fomos nos aprofundando em sua história. O ex playboy abastado, vitima de um destino que mais tarde ele acabou descobrindo ter sido “planejado”, em busca de vingança por todas as perdas que a vida o fez ter que enfrentar nesse meio tempo, além da promessa que ele fez ao próprio pai de honrar seu nome e os motivos que o levaram a sua morte trágica, com um tiro na cabeça em diagonal para baixo, mesmo estando dentro de um bote salva-vidas no meio do mar. #OCAPETAESTADEOLHO

Até então, essa parte da história do Oliver Queen (Stephen Magia Amell, Höy!), apesar de fazer parte da mitologia do herói, já denunciava que talvez a gente acabasse cansando cedo demais dessa rotina do personagem, seguindo a risca um caderno de anotações com nomes que o seu pai queria ver a sete palmos abaixo da terra, sem maiores explicações a não ser a frase de que todos eles “falharam com a cidade”. Sem explicar exatamente o porque de cada uma daquelas pessoas estarem naquela lista (e para isso eles talvez precisassem de um Moleskine muito maior), Oliver, “The Hood” ou “Vigilante” (que eu acho cafonérrimo) como acabou se tornando conhecido o herói da vez, ao seguir a risca o plano sem maiores explicações do pai, parecia ser apenas um executor habilidoso e competente (além de incrivelmente resistente. Höy!), apesar de todas aquelas pessoas não serem exatamente “inocentes” nessa história toda e a gente ir descobrindo aos poucos seus crimes, ao lado do herói.

Legacies

E algo que eu gosto e não gosto ao mesmo tempo nessa fase de construção do herói é exatamente esse sangue frio, onde diferente de muitos outros, matar seus inimigos não parece ser um grande questão em Arrow. Gosto porque acho real e um caminho necessário para quem se dispõe a trabalhar pelo lado heroico da força (considerando as probabilidades da carreira), mas ao mesmo tempo, como vimos o personagem desde sempre fazendo isso sem ter muito “peso na consciência”, ficamos com a sensação de que talvez ele fosse meio que “frio” demais, quase como se não tivesse o menor problema em carregar todas aquelas mortes na ponta certeira de suas flechas. Uma culpa que nós sempre gostamos de encontrar em outros heróis por exemplo, um sentimento que os tornam mais humanos e isso ficou faltando em Arrow, ou pelo menos ficou faltando na forma em como a história foi construída a princípio.  Se pelo menos em um dos primeiros episódios eles já tivessem feito algo do tipo, levantando qualquer tipo de questionamento simplesmente com o herói entrando em conflito com ele mesmo sobre o assunto, tudo já teria se resolvido melhor nesse caso, mesmo que isso tivesse aparecido em um dos flashbacks ainda na ilha.

E esse tipo de detalhe se faz importante porque se a gente parar para pensar, Oliver antes de descobrir a verdade sobre o seu acidente e consequentemente antes da gente passar a conhecer tudo o que aconteceu com ele durante aqueles cinco anos em que esteve na ilha, o personagem era mesmo basicamente alguém que matava (nem todos, mas ainda assim…) uma sequência de nomes aleatórios encontrados na lista do seu pai, que ele acreditava por algum motivo ainda não explicado que ele (o pai), pelo menos teria alguma explicação plausível para tudo aquilo, mesmo que não houvesse mais como ele contar o porque para o filho, a não ser através das coincidências e sinais da própria vida, já que a essa altura ele já se encontrava morto. Algo que soa como recurso fácil e bobo, que precisava de um questionamento maior para pelo menos ser considerado, mesmo que seja algo já pertencente a mitologia do personagem.

Talvez parte da explicação para toda essa “frieza” do personagem tenha sido encontrada quando descobrimos que Oliver se transformou naquele novo homem devido a tudo o que sofreu durante esse tempo todo em que permaneceu desaparecido, preso naquela ilha da tortura. Por lá, conhecemos alguns outros personagens que fizeram parte dessa transformação do herói, como Yao Fei (Byron Mann) e a princípio, mesmo sem entender o que de fato acontecia por lá, até que foi bacana ver o personagem fazer seu laboratório de super-herói ninja sensei da pontaria perfeita depois do trauma do seu acidente de barco. E tudo isso foi bem bacana, tirando a peruca pavorosa usada pelo Stephen Amell nesses flashbacks, mas só funcionou até quando descobrimos que a ilha na verdade escondia alguns outros mistérios (falo isso e penso em Lost, algo que automaticamente me faz bocejar, apesar da nova série não ser exatamente nada sobre isso), como aquela base militar e novos personagens que passamos a conhecer (com certa preguiça) ao longo da história.

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Nessa hora, Arrow começou a se perder, porque nessa jornada do herói, acabamos nos perdendo em uma trama meio assim, onde quase nada foi explicado direito ou de forma realmente convincente, em meio a essa nova safra de flashbacks, com Oliver tendo que se virar para sobreviver a todo custo, tendo menos treinamento e mais ação, no que teria sido a sua “parte prática” nesse estágio da linha “Survivor” de herói, enquanto os inimigos ameaçavam o mundo como mísseis e outras coisas a todo momento. Mas qual a motivação daquilo tudo? Quem, como e porque, nós pouco ficamos sabendo qualquer coisa a respeito, apesar das pistas ou pouco nos interessou no final das contas. Mas dizem que tudo isso faz parte da mitologia antiga do personagem, então deixamos passar, apesar de reconhecer que foi bem menos interessante do que o que aconteceu com ele no começo dos flashbacks na ilha, além de menos confuso também.

E como sempre, do lado da lei, a série contava com o policial clueless (Quentin Lance/Paul Blackthorne), que sempre esteve a um passo de descobrir a verdadeira identidade do “Vigilante”, mas que não deve ter sido uma criança das mais fãs de quebra-cabeças no passado, porque estava bem difícil dele chegar a alguma conclusão a respeito da identidade secreta do herói. Ele que além de tudo era o pai da ex de Oliver e da outra vítima do seu acidente de barco no passado. Sem contar que várias cartas já foram queimadas nesse lado da história, com o Oliver já tendo sido preso como suspeito da verdadeira identidade do herói, além dos acontecimentos da season finale, que de certa forma, a não ser que seja feita uma vista grossa por cima das evidências, será obrigada a reconhecer que já não é mais possível que o policial permaneça tão clueless assim quanto ao caso.

Agora, algo que sempre incomodou na série, desde o começo, foi a relação de amor do Oliver com a Laurel (Katie Cassidy), que devido ao seu histórico, não teria o menor motivo para continuar existindo. Imaginem um cenário onde seu namorado meio canastrão do tipo ex playboy inconsequente e irresponsável, acabou dando aquela saidinha sem compromisso com a sua irmã (sim, a sua IRMÃ!), ou seja, uma dupla traição nesse caso e essa mesma irmã traidora acabou sendo morta durante a tal “escapadinha” em um acidente de barco ao lado do seu até então namorado de anos. Sério, que amor é esse capaz de perdoar e esquecer uma história tão pavorosa como essa?

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Por isso, a relação de Oliver e Laurel acabou perdendo completamente a força e ficamos bem mais interessados em suas novas conquistas, como a outra heroína badass que acabou não tendo um final tão feliz assim (algo que eu achei uma pena), ou a policial que ele já conhecia do passado. Por esse motivo também, passamos a torcer muito mais para a relação da Laurel com o melhor amigo do Oliver, Tommy (Colin Donnell), que parecia ser alguém bem melhor para ela tentar uma relação daqui para frente. Sabe quando você sente que não há mais motivo para insistir em uma relação completamente furada? Então, talvez Laurel esteja precisando de uma amiga para receber esse tipo de conselho. Agora, a pergunta que não quer calar é: Laurel tem ou não um excelente plano de seguro em sua casa, hein? Porque quantas vezes aquele apartamento foi destruído e remontado como se nada tivesse acontecido? Sei…

Em casa, desde cedo conseguimos reconhecer que esse não era o melhor cenário para o personagem. Tirando a ambiguidade da mãe e a irmã chatinha de tudo desde os tempos de The O.C, Oliver pouco tinha o que desenvolver dentro daquele núcleo, além do que ainda faltava para ele descobrir em relação as ligações da sua família com todo o resto de sua história. O barco do acidente mantido guardado em segredo por todo esse tempo, o padrasto que acabou sendo sequestrado e que repareceu mais para o final da temporada, que até agora ainda não disse a que veio e a mãe sempre envolvida com os dois lados da história, foram elos que pouco foram explorados durante essa Season 1 e que até poderiam ter rendido um pouco mais se tivessem sido tratados de uma outra forma. Pelo menos sua mãe acabou ganhando uma resolução no final das contas, apesar das explicações e justificativas para os acontecimentos. Para a irmã chatinha, além do plot do estágio com a ex namorada dele (ZzZZZ), sobrou uma historinha ainda bem capenga com o boy magia do crime (Colton Haynes) agora aspirante a herói. Se estivéssemos em Gotham, certeza que o personagem (o boy magia da irmã) seria o Robin, mas como aqui o assunto é Sterling City…

E o melhor da série realmente se manteve durante as cenas e sequências de ação, todas muito bem executadas, super bem produzidas e bem bacanas de se assistir. Isso e as inúmeras sequências do Oliver se exercitando em seu QG nos porões de sua boate, que sempre nos renderam no mínimo uma sequência de alguns minutos de suspiros mais profundos e ou animados no repeat (Höy!). Isso sem contar a produção inteira da série, que era um medo que a gente matinha em relação ao quanto da qualidade do piloto que eles iriam conseguir manter no decorrer da temporada e que no final das contas eles conseguiram manter perfeitamente até a season finale. Parabéns, CW!

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Nesse cenário, o herói acabou ganhando bons reforços ao lado do seu cão de guarda, Diggle (David Ramsey) e a Felicity (Emily Bett Rickards), a nerd da equipe de TI que na verdade foi o alívio cômico perfeito para a série. Gosto que Felicity apesar de nerd e super dedicada à suas tarefas, também não é assim alguém tão fechada em seu próprio mundo, como era de se esperar de um estereotipo que estamos acostumados a encontrar em cenários semelhantes e além de lines bem humoradas sobre qualquer situação, de vez em quando ainda sobrava um suspiro para a personagem soltar aliviada, depois de apreciar de perto a vista do chefe shirtless escalando correntes ou barras de ferro de forma invejavelmente mágica. Bem que essa modalidade poderia se tornar realidade nas academias por aqui, não?

Mas além da justificativa meio assim para o plano de vingança de Arrow, outro ponto bastante fraco dessa primeira temporada foi a questão dos vilões da série, que não tiveram nenhuma força durante essa Season 1. Pouco vimos deles em ação para acreditar na força dos personagens (mesmo com participações de atores que nós gostamos, como o Seth Gabel, de Fringe fazendo uma espécie de “Joker”, bem acima do tom para a sua importância para a trama), com o herói facilmente conseguindo se livrar de cada um deles, exceto pelo maior vilão da temporada, que na verdade era uma espécie de B Side das próprias habilidades do ‘The Hood”, o poderoso Malcolm Merlyn (John Barrowman, que vai virar apresentador de TV em um reality musical com famosos chamado Sing your face off, da ABC), que além de manter uma relação estreita com a própria família Queen, ainda era o pai do seu melhor amigo, Tommy.

Para o final da temporada, tivemos a revelação do grande plano maligno de Malcolm, que planejava explodir Glades, uma parte mais pobre da cidade, mas a troco do que mesmo? E foi nessa hora que a história acabou dando mais uma escorregada, essa bem feia, com a justificativa para o plano maligno da vez estar no fato de ninguém ter ajudado sua mulher que foi ferida em Glades no passado, algo que acabou a levando a morte e se tornou o grande motivo de toda essa raiva contida no vilão cheio da grana da vez. Sério, alguém comprou esse argumento? Mas nem o filho.

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Claro que no final das contas, Oliver sairia como o grande herói da história em sua calça de couro apertada afinal, essa é a sua história (rs), conseguindo livrar todas as pessoas com quem ele se importava das consequências do caos que se instaurava na cidade no momento em que o vilão colocou seu plano em ação. Mas é claro também que esse caminho não poderia ser tão fácil assim e em um bom series finale para a sua primeira temporada, Arrow acabou nos entregando mais uma vítima possivelmente fatal para a história, com o herói encontrando seu amigo Tommy, muito provavelmente encarando seus últimos minutos de vida, mas com tempo o suficiente para reconhecer que esteve errado esse tempo todo em relação a percepção e verdadeiras intenções do amigo, o herói do momento.

Encontrando Sterling City em um verdadeiro caos e conseguindo deter apenas parte dos planos do vilão da vez, Arrow encerrou essa sua primeira temporada até que muito bem, apesar de todos os deslizes e fraquezas que encontramos nesse história ao longo de toda essa Season 1, que começou muito bem, mas foi visivelmente perdendo a força a medida em que a história foi avançando e se aprofundando “rasamente”, nos fazendo sentir cada vez mais preguiça na expectativa de ter que aguardar por seus novos episódios, seja pelos argumentos todos bastante questionáveis encontrados nessa primeira parte da história ou até mesmo pela mesmice que por boa parte da temporada se tornou a missão do ato heroico de Oliver Queen.

Por esse motivo, apesar de reconhecer o mérito da CW em conseguir nos entregar um produto até que bem bacana, confesso que não consigo encontrar motivação o suficiente para voltar a assistir a série durante a sua próxima temporada, já confirmada tem algum tempo e isso mesmo com as promessas de novos vilões da HQ aparecendo e um possível encontro do herói com o Lanterna Verde, que foi o que andou saindo na imprensa nos últimos dias como novidades certas para a próxima temporada. Pra mim, Arrow conseguiu provar o seu valor durante essa Season 1, mostrando não ser o suficiente para alguns, mas também não nos fazendo não conseguir entender o porque de muita gente sentir vontade de continuar acompanhando a série, da qual prefiro me despedir agora, antes que ela se torne uma decepção muito maior, apenas por precaução e ou preguiça.

 

ps: de nada pela sequência de imagens inspiradoras, rs. Höy!

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2 Respostas to “A flechada certeira… quer dizer, não tão certeira assim e meio torta da Season 1 de Arrow”

  1. Cris Says:

    Stephen é sempre uma visão, assistiria 50 tons sem pestanejar, agora acho q a Katie foi prejudicada pela personagem q é chata e coitadinha. Adorava ver aquela loirona bancando a bitch nos outros seriados, mas agora ela tá bem apagadinha. Felicity é uma fofa e completamente sem filtro. Acho uma serie bacana e sem muita pretensão, se resolverem as falhas q ainda existem no roteiro a segunda temporada será bem melhor.

    • Essy Says:

      Sempre mesmo. Já tinha gostado da visão em Hung, série na qual ele aparecia em estada mais interessante (não tão interessante assim, para não dar falsas esperanças, rs) mas nada se compara com seus exercícios todos em Arrow. Höy!
      Então, a atriz parece mesmo ser bem querida pela CW segundo eu ouço falar, mas o papel ao lado dele, com todo esse histórico, não convence. Não consigo comprar aquela história de amor. Não consigo.
      Mas a série é boa sim, sem pretensão como vc mesma disse. Não sinto motivação para continuar acompanhando semanalmente, mas se estiver passando, acho que até assisto, rs

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