A incansável Nurse Jackie

Nurse-Jackie-Season-5-Poster

Constantemente, algumas séries nos deixam com a sensação de que estão durando muito mais do que deveriam, principalmente se a gente pensar no longevidade de algumas delas chegando a alcançar a inexplicável marca de uma quinta ou sexta temporada por exemplo, com tantas outras (algumas inclusive bem melhores) sendo canceladas bem antes disso. De sétima para oitava então, nem se fale e só reza brava explica. Alguns canais tendem a repetir esse erro comum, que é o de estender suas produções por qualquer tipo de motivo obscuro que normalmente nós não conseguimos aceitar muito bem (porque entender a gente até entende… Cha-Ching Cha-Ching $$$), deixando suas histórias cansadas e extremamente arrastadas ao longo do tempo. E o Showtime mesmo é um bom exemplo desse tipo de comportamento meio assim, com Dexter por exemplo, uma série que já foi tão bacana no passado, chegando cambaleando das pernas trêmulas de serial killer a sua Season 8, finalmente anunciada como a temporada de encerramento da série.

Mas surpreendentemente, entre todas elas, podemos dizer que Nurse Jackie, que também é do Showtime, é uma grande sobrevivente em meio a uma programação cada vez mais cansada e repetitiva que encontramos na TV atual. Recém encerrando a sua Season 5, a série da sempre excelente Edie Falco nos provou que não há regras quando podemos contar com uma boa história, ótimos personagens que nos apegamos pelos motivos mais variados possíveis e as novas possibilidades ainda não exploradas de cada um deles, que foram os motivos principais que mantiveram a série médica que não é uma série médica como as outras, viva e com alguma dignidade até hoje.

Durante essa quinta temporada encontramos Jackie aprendendo a lidar praticamente a força com o fato do seu vício e passado nebuloso ter se tornado público, com todos a sua volta agora cientes de sua condição de viciada. Sentindo como se estivesse sempre tendo que provar para todo mundo que ela era uma viciada em recuperação, embora estivesse conseguindo se manter sóbria durante todo esse tempo, encontramos Jackie demonstrando um certo incômodo em relação a sua nova realidade, se sentindo sob a constante vigilância de todos a sua volta o tempo todo. Jackie que sempre preferiu manter sua vida distante dos olhares dos colegas de trabalho e amigos, alguns inclusive que sequer sabiam que ela era casada ou que tivesse duas filhas, mas agora com suas duas realidades se fundindo, já não havia mais como manter privada qualquer uma de suas duas relações, seja ela a profissional ou a pessoal.

Suas filhas cresceram bastante (gosto de série honesta que não tenta esconder o crescimento dos atores mirins) e um dos plots centrais dessa nova fase sóbria da personagem foi a relação conturbada que ela acabou criando com a Grace, agora adolescente e totalmente fora de controle, inclusive com ela começando a fazer uso de certas substancias. Algo que já havia começado durante a temporada anterior (como esquecer aquela cena com ela respondendo com uma pichação o recado malcriado da filha na parede do seu próprio quarto?), mas que acabou ganhando uma força ainda maior com a Grace agora matando aula para namorar escondido o namorado meio cretino e músico, mentindo sobre o seu paradeiro constantemente e quando perdida em meio a uma situação que inevitavelmente acabou saindo do seu controle adolescente, se viu tendo que enfrentar a mãe naquela típica carona do socorro constrangedora, que todo mundo já foi obrigado a pedir um dia. Até o momento em que ela admitiu que não estava fazendo um bom trabalho com as filhas e concedeu a guarda das duas para o marido naquele momento, que foi quando surgiu uma breve desconfiança de que talvez essa fase sóbria da personagem estivesse com os dias contados.

NURSE JACKIE (Season 5)

Na tarefa de criar as filhas, Jackie continuou contando com a ajuda do ex marido, Kevin, ainda extremamente magoado com todas as mentiras do seu passado, dificultando bastante todas as negociações envolvendo qualquer coisa que eles ainda dividiam e um dos melhores plots dessa temporada foi o momento em que eles finalmente conseguiram se acertar em relação a custódia das meninas e na sequência, Jackie batendo sem querer no carro novo do ex, que achou que foi de propósito e eles todos indo parar no hospital, que por uma acaso, é onde ela trabalha, para seu total desespero. Na verdade, principalmente no começo da temporada, Kevin ainda parecia estar amargo demais, embora tivesse motivos para isso e aquele episódio onde ele proibiu as meninas de passarem a noite na casa da mãe no dia do aniversário dela, mas que depois a Zoey conseguiu reverter a situação, garantindo inclusive a participação virtual da O’Hara, foi outro momento bem bacana dessa temporada, embora tenha começado de uma cretinice dele. Mas ainda faltava a Jackie colocar um ponto final na sua história com o ex e em uma conversa super honesta e reconhecendo a sua culpa no problema em questão, Jackie acabou conquistando o respeito do ex marido de volta, embora a gente saiba que esse tipo de mágoa não tem como se esquecer.

Passando muito bem pela sua fase sóbria, embora de vez em quando a personagem tenha se encontrado em situações de total provação (aquela cena com a farmácia do hospital de cabeça para baixo foi ótima!), Jackie até que estava se saindo muito bem durante essa nova fase da vida, mesmo sem poder contar com o apoio da O’Hara, personagem que se despediu da série com a desculpa de se afastar para cuidar do filho, mas que recentemente a gente acabou descobrindo que a atriz Eve Best não renovou o seu contrato para a Season 6 já garantida da série pelo Showtime, devido ao seu envolvimento com a Broadway e o cinema. Uma pena. Como “substituto” da vaga de BFF, Jackie acabou optando por um recurso bem meio assim e um tanto quanto mórbido, se comunicando através de mensagens no correio de voz do filho do Cruz, que foi com quem ela dividiu a experiencia da rehab durante a temporada anterior e que foi o gancho para a participação do Bobby Cannavale novamente na série. Cruz que nós sempre notamos que mantinha uma tensão sexual em relação a Jackie e até esse pequeno “issue” eles acabaram resolvendo ao longo da sua participação durante essa Season 5.

Mas o grande reforço dessa temporada acabou sendo mesmo a chegada do namorado policial que a Jackie acabou arrumando, Frank (Adam Ferrara), que não poderia ser mais foufo e ou italiano (um bacio para a minha colonia preferida do momento, rs #HIM).  E não tinha como Jackie resistir aos encantos do policial, que fez investidas ótimas para cima da personagem, incluindo um primeiro encontro extremamente honesto (ultimamente, tenho gostado muito desses diálogos de gente que não tem mais tempo a perder inventando desculpas sobre si mesmo) e um começo de relação dos mais adoráveis possíveis. E a partir do momento que percebemos que aquela relação era para valer, nossos corações também passaram a bater em uma outra frequência, quando ouvimos que um policial baleado estava a caminho do All Saints. Por sorte, o policial da vez não era o nosso príncipe italiano dos donuts com cobertura cor de rosa que saí para beber com os amigos e liga no meio da madrugada para um momento “Glee” com a namorada, rs.

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Apesar dos papéis relativamente bem menores, todos os coadjuvantes também tiveram seus momentos durante essa nova temporada. Cooper ganhou a nova médica egocêntrica e vazia para treinar, Akalitus ganhou um plot ótimo sobre a sua falta de memória e o quanto é difícil para uma mulher sozinha e com a sua idade se manter no mercado profissional hoje em dia e até o Thor acabou ganhando um momento super bonitinho envolvendo a história linda do paciente gay que encerrou a temporada, que foi um dos momentos mais sentimentais e delicados dessa Season 5 e aposto que todo mundo ficou bem impressionado com seus dotes vocais. Só para o Eddie é que ficou faltando espaço, ainda mais agora que Jackie arrumou um novo amor, muito embora aquela cena com a carruagem que ele contratou de presente para ela chegando no momento mais inadequado possível, ter nos feito ficar com bastante pena do personagem. Isso e ele percebendo que se tornou a sua “melhor amiga”. Triste.

De todos os coadjuvantes da série, quem sempre acaba roubando mesmo a cena é a Zoey, que com toda a sua adorável esquisitice, sempre acaba nos presenteando com momentos divertidíssimos e extremamente awkwards. Ela que com a chegada do novo chefe durante essa temporada, acabou até ganhando também uma nova tentativa de boy magia, que nós ainda teremos que aguardar para ver o quanto vai render no futuro, mas que já foi ótimo vê-la com seu uniforme de bichinhos ganhando da nova médica sem coração que não se importa muito em vestir salto e roupas desconfortáveis na emergência. Aliás, a nova médica também foi uma excelente aquisição para a série. Excelente, porém totalmente bitch.

E mesmo não sendo uma “série médica” tradicional, é impressionante a forma como compramos o trabalho daquelas pessoas de uma outra forma dentro de Nurse Jackie, algo que sempre vai além de um procedimento genial ou qualquer coisa do tipo que seria capaz de salvar uma vida e receber todo o crédito por isso e acaba ficando mesmo do lado das relações interpessoais e do envolvimento dos funcionários dos hospital com seus pacientes, que não medem esforços para que eles se sintam bem e isso vai muito além da medicina, sempre.

Como encerramento dessa Season 5, ganhamos a festa em comemoração ao 1 ano sóbria da Jackie, que reuniu todos os seus amigos e colegas de trabalho em seu grupo de apoio e que para a nossa total surpresa, acabou sendo marcada pela cena dela voltando a usar os remédios que era viciada (uma único comprimido que ela guardou por esse tempo todo), embora tenha mantido a postura de uma ex viciada em recuperação diante de todos. Uma surpresa que chegou em boa hora, ainda mais com a renovação da série para uma Season 6, onde uma recuperação assim tão fácil para alguém tão viciada como a Jackie, não poderia mesmo acontecer tão facilmente.

Bom saber que ano que vem tem mais e mesmo chegando a sua Season 6, ainda não cansamos dessa história incansável e que só tem melhorado com o passar dos tempos.

Go Jackie, Go Jackie!

 

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6 Respostas to “A incansável Nurse Jackie”

  1. Vinicius Nicolau Says:

    Nurse Jackie é uma das minhas séries preferidas, daquela que eu assisto com gosto e reclamo quando o episódio acaba. Pontos da temporada:

    -A cena da Jackie pedindo pro Kevin ficar com a guarda total das meninas foi de encher os olhos d’água

    -Mais creepy do que a Jackie deixando recados pro menino já morto, foi no dia que o celular atendeu! o_O

    -Aquele episódio do policial baleado também foi de apertar o coração

    – O plot da Akalitus e o “UFA!” que soltei quando saiu o resultado (e quase abracei a TV junto com eles <3)

    -Zoey pegando o médico gato e sambando na cara da médica chata lá

    • Essy Says:

      Do gênero, também é uma das minhas. Gosto desse lado “dramédia” da série e de suas contemporâneas, é uma das poucas que conseguiu se manter muito bem durante cada uma de suas temporadas.
      Jackie abrindo mão da guarda das filhas foi lindo. No momento da pausa na conversa com o Kevin, eu bem desconfiei que seria o que ela faria naquele momento. Achei que ela ficaria bem assustada ao descobrir o “vício” da Grace, mas as consequências da descoberta foram ainda melhores do que eu já esperava
      Quase morri quando o celular foi atendido. Mas nesse caso, os promos da série ao final de cada ep acabam denunciando o que está para acontecer…
      O policial foi um drama. Aliás, continua sendo. Quando vi a vida da Jackie se acertando, logo pensei: algo de ruim vai acontecer… e ainda bem que até agora não aconteceu. Ufa! Já fico pensando como será a relação deles daqui por diante, com a família dele (ex mulher, filhos), com ele descobrindo sobre a volta do vício dela. Veremos…
      Akalitus é uma querida e eu também torci muito para que o plot da sua doença não fosse nada demais. Sem contar que se ela fosse minha chefe, certeza que eu a acharia super profissional.
      Zoey me pegou tão de surpresa naquele momento. Saiu divona do banheiro de roupão e a médica chata ficou só nos cartões mesmo, rs. É sempre bom ver as bobinhas ganhados das megabitches, só para variar um pouco

  2. Dani Z Says:

    Que bom que você assiste a essa. Sou fã mas até agora não sabia de mais ninguém que acompanhava. Adoro a personagem da Zoey, mais doce impossível. E a Edie Falco é uma atriz excelente, gosto demais dela. Na última cena do último epi eu ria da carinha dela, bem faceira engolindo a pill pra sair, parecia que tava engolindo uma uva.

    • Essy Says:

      Super assisto faz tempo. Mas pouca gente acompanha mesmo #IHEARYOUSIS
      Zoey sempre foi uma das minhas preferidas na série. Em uma das minhas reviews até deixei a personagem como inspiração para a Zooey Deschanel e a sua desastrosa personagem em New Girl, porque Zoey é do tipo de personagem abobalhada e inocente que nós respeitamos e adoramos, diferente da Jess, que mais parece sofrer de algum tipo de problema qualquer, rs.
      Confirmou! Achei a mesma coisa dessa última cena. Glupt e pronto! Simples assim. Bem que eu estava desconfiado que essa recuperação estava acontecendo fácil demais. Veremos…

  3. Lucas Santtos Says:

    É bem isso mesmo. NJ é uma das poucas que conseguem chegar tão longe e manter essa qualidade maravilhosa!

    Eu adorei essa season 5. Cheia de episódios deliciosos e momentos que ficaram marcantes. Pena mesmo foi a grande perda em relação a O’Hara, aquela sempre vai ser uma das minhas personagens favoritas, então ainda não consegui me conformar com sua saída da série. Mesmo assim eles conseguiram de certa forma superar o acontecido, dando destaque aos outros personagens.

    Ainda mais feliz depois de ver o nome delas na lista de indicações do Emmy! ❤

    @lucas_santtos

    • Essy Says:

      E essa sequência e acertos com Nurse Jackie é praticamente um fato inédito para o Showtime, que quase sempre erra por forçar a barra e não conseguir achar a hora certa de encerrar suas histórias.
      Essas Season 5 foi muito boa mesmo e apesar das perdas como vc mesmo bem disse, acabamos ganhando alguns elementos novos bem bons para a série e que de certa forma acabaram compensando.

      Indicações mais do que merecidas. Ainda bem que ganharam esse reconhecimento. Mas o difícil é ganhar competindo como comédia, mesmo porque a série não é bem isso. Uma pena, humpf!

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