Ray Donovan, o piloto

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Sabe aquela série que você termina de assistir e na mesma hora já fica com a sensação de que até que gostaria de ter gostado mais, mas não aconteceu para você? Então, essa foi a minha reação em relação ao piloto de Ray Donovan, nova série do Showtime para essa Summer Season.

Sua história gira em torno do personagem principal que dá nome a série, Ray Donovan, interpretado pelo ator Liev Schreiber (irmão meio assim do Wolverine, ou aquele de “Scream 2”. OK, o cara já fez muito mais coisa do que isso, deixem de ser implicantes… rs), uma espécie de agente de Hollywood especializado em lidar limpando os pequenos grandes problemas que seus clientes famosos insistem em arrumar por aí, como atores em ascensão saindo “sem querer” com travestis no meio da madrugada ou esportistas do momento com grandes contratos de patrocínio que acordam na manhã seguinte com uma de suas presas da noite anterior morta por overdose. Só coisa leve desse tipo e que de certa forma, chega a nos lembrar mesmo que de longe, em um outro cenário ou com pelo menos outras intenções, algo que já vimos na falecida Dirt, da Courteney Cox. (eu sei que são duas séries bem diferentes, mas reparem nas semelhanças dessa parte da história…)

Em meio a tudo isso, Ray ainda vive uma relação conturbada com a sua família disfuncional, com um pai completamente meio assim (interpretado pelo Jon Voight), recém saído da cadeia e que de quebra o culpa por ter passado 20 anos atrás das grades (algo que ainda não descobrimos o porque) e irmãos visivelmente afetados por traumas, alguns físicos e outros psicológicos, também envolvendo o passado. Nesse momento, a série invade também o universo da igreja, colocando pelo menos os padres que passaram por aquela família na posição de aproveitadores, nada muito diferente de algumas histórias que a gente ouve por aí até hoje.

Em casa, Donovan apesar de posar de homem casado responsável e dono de uma família com mulher e filhos, nada parece ser tão simples assim e é possível perceber no piloto que esses dramas familiares carregados por sua família (e por ele mesmo, que parece ser um homem cheio de conflitos, embora pouco deles tenham sido demonstrados claramente durante o episódio), com os filhos já demonstrando alguns traços preocupantes (e tem aquela menina chatinha de Brothers & Sisters) além da sua relação com a mulher não ser a mais honesta do mundo, apesar dela parecer ciente do comportamento promíscuo do marido que resolve vir a tona de vez em quando e muito provavelmente tenha um histórico na história dos dois, mas que aparentemente, apesar de se revoltar contra as escapadas do próprio, ela ainda parece se contentar com as promessas de que o marido vai conseguir mudar algum dia. Sei…

Durante o piloto, o problema maior da série acabou sendo a falta de justificativas, porque apesar do personagem ser pintado como um homem cheio de conflitos com sua família, em casa e no trabalho, pouco descobrimos a respeito de cada um deles, exceto pela história da traição e ou a sua relação meio assim com o pai, essa segunda sem um detalhamento exato sobre o que teria separado os dois de vez, mas com algumas nuances da parcela de culpa de cada um dos personagens nesse rompimento. No trabalho por exemplo, chegamos a observar seu sócio (que também é o pai da Monica e do Ross em Friends, ou seja, estou achando que o Schreiber só pode mesmo ter alguma ligação com a Courteney Cox… ) surtando, dizendo que eles precisam parar, que já fizeram muita coisa errada, mas nenhuma delas chegou a nos ser mostrada para dar mais credibilidade a história. Se são tantas assim, pelo menos uma delas deveria ter aparecido, não?

Além disso, outra pontas acabaram soltas demais durante esse primeiro episódio, como a relação dele com a atriz mirim hoje já adulta (que provavelmente foi inspirada em muitas que nós conhecemos hoje em dia) e o porque do seu interesse em protegê-la mesmo ela não sendo sua cliente (e sim o seu ex, que já havia sido seu cliente no passado), assim como o porque que a sua mulher deixaria o seu pai entrar em sua casa depois de anos, como observamos durante a cena final do piloto, mesmo com o marido o ilustrando o tempo todo como uma das piores pessoas do mundo (também sem dizer muito o porque), a gente imagina que por praticamente todo o casamento do casal, já que o pai havia ficado preso por 20 anos e considerando a idade dos seus filhos. Isso sem contar aquela cena pra lá de constrangedora com o quadro da Marilyn…

Tirando essas falhas todas, o elenco também não consegue ser dos mais cativantes e até mesmo o personagem principal parece distante demais (ou misterioso, de poucas palavras, como alguém chega a mencionar durante o episódio de forma bem preguiçosa) e embora resolva todos os seus problemas de forma eficiente durante o piloto, com toda aquela frieza e olhar distante o tempo todo, ele pouco consegue nos convencer do quanto pode ser um profissional de respeito em sua área, ou de onde surgiu toda aquela “vocação” para resolver seus problemas daquela forma tão “prática”. (sim, imaginamos que seja algo relacionado ao seu pai, mas mesmo assim, ficou faltando alguma coisa…)

E com essa falta de informação em relação aos conflitos todos que a série tenta nos apresentar rapidamente, ou pelo menos de boa parte deles e um piloto que chega a ser bem cansativo em vários momentos, Ray Donovan não consegue convencer de cara que a sua história vale mesmo a pena ser acompanhada, apesar dos números impressionantes da sua premiere no Showtime.

Novamente, o preview da temporada ao final do episódio volta a nos amimar em relação ao que ainda estaria por vir ao longo da Season 1, mas aparentemente já caímos nesse truque quando assistimos ao trailer da série, por isso acredito que a essa altura nós já estamos mais do que familiarizados com esse recurso barato de conseguir impressionar por alguns minutos mas não se sustentar quando esses poucos minutos viram um episódio inteiro. Mas ao julgar pelo piloto, fica difícil se interessar por essa história que pouco nos entrega em seu primeiro episódio, apesar da série não ser das piores e se você achar que vale a pena continuar apesar de tudo isso, boa sorte.

 

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8 Respostas to “Ray Donovan, o piloto”

  1. Lucas Santtos Says:

    Foi mais ou menos dessa forma que eu me senti quando terminei de ver o episódio. Estava bastante empolgado com a série antes da estreia, mas ai peguei pra ver o piloto e literalmente quase dormi na maior parte. Muito lento e tals. Nem parei pra ver o próximo, foi aquela série que não me conquistou de jeito nenhum.

    • Essy Says:

      Chatinha neam? Não consegui gostar mais também e olha que eu bem tentei.
      Mas só tentei também por um episódio, porque não senti a menor vontade de voltar.
      O ritmo é lento e já logo de cara a história apresenta um monte de erros.
      Não é das piores, mas mesmo assim… não deu.

  2. Fernanda Says:

    Agora eu quero ver a série Ray Donovan, uma longa espera para a segunda temporada!

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