Under The Dome, uma série que até que começou bem, mas logo depois…

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Algumas séries nós já começamos a assistir com os dois pés atrás, principalmente quando ouvimos a palavra “adaptação” envolvida em sua produção, ainda mais quando além de tudo, a mesma a princípio havia sido anunciada pela CBS como série, mas depois, por precaução e medo de não conseguir atingir um grande público, acabou sendo tratada como minissérie pelo canal. Um projeto que a propósito, já havia pertencido ao Showtime no passado (2011), mas que desacreditado, acabou sendo vendido pouco tempo depois. E nesse caso, essa não é uma adaptação qualquer e sim algo sobre um dos trabalhos do Stephen King, o que por si só já agrega um peso ainda maior para esse receio do que estávamos prestes a encontrar na TV.

Mas apesar desse receio, o piloto de Under The Dome acabou realmente surpreendendo, contando muito com a mitologia de suspense super interessante da sua própria trama, que evidentemente é a sua maior arma, mas que ao mesmo tempo, com uma excelente produção e um cuidado importante que impressiona logo de cara, a série (ou minissérie) conseguiu chegar de forma impactante nesse marasmo da Summer Season. Algo que não é muito difícil a essa altura, mas que ao mesmo tempo não deixa de ter o seu mérito, além de ser sempre bom encontrar novas opções para se ver na TV, nessa fase do ano que costuma ser terrível para os mais viciados em séries.

Uma cidade que em um belo dia se vê cercada por uma espécie de redoma, que surge do meio do nada, partindo tudo entre seus limites e que ninguém sabe exatamente como ou o porque do surgimento daquele campo de força nos arredores da cidade, mas ao mesmo tempo, todos já sentem suas vidas modificadas por conta da sua presença, que entre outas coisas, limitas seus personagens apenas ao que se encontra do lado de dentro da tal redoma, que impossibilita a comunicação (pelo menos “ouvir”) e o contato com as pessoas de fora.

A série já começa com uma até que boa introdução de seus personagens principais, nos mostrando pouco, mas características importantes de alguns dos habitantes daquela cidade dos arredores de Maine. Aos poucos eles vão se dividindo entre vilões e mocinhos, embora alguns tenham permanecido ainda entre os dois caminhos, como o personagem principal por exemplo, Dale “Barbie” (Mike Vogel, Höy! E para quem não se lembra, ele fazia o namorado do passado da Michelle Williams no excelente “Blue Valentine”) que observamos logo no começo envolvido no ocultamento de um cadáver, que acaba reaparecendo ao final do episódio (mas podem respirar aliviados, que esse reaparecimento não aconteceu de forma sobrenatural não, rs), na casa de quem se ofereceu para acolhê-lo naquele momento.

Em meio ao caos, encontramos logo de cara a boa qualidade da série, com cenas ótimas envolvendo as consequências do tal campo de força dividindo a cidade, com vacas sendo cortadas ao meio, acidentes aéreos (no truque, mas foi legal também e vale lembrar que a série tem o roteiro do Brian K. Vaughan, de Lost ou seja, confirmou!) e o mais legal de todas elas, que foi aquela cena com a batida do caminhão na estrada contra a redoma. Tudo cuidado de forma decente e bem bacana, um mérito que é preciso reconhecer na série logo de cara, apesar desse ser um recurso recorrente de pilotos e precisamos aguardar um pouco mais para ver  o quanto dessa qualidade eles vão conseguir manter em Under The Dome daqui para frente.

Sem contar que eles conseguiram nos entregar um bom equilíbrio entre a introdução do plot central da trama e algumas particularidades de seus personagens principais como dito anteriormente, como os filhos que acabaram ficando sem pais por eles terem saído da cidade quando tudo aconteceu, ou a policial que ficou com o marido bombeiro magia preso do outro lado do campo de força (lembrando que eles não conseguem ouvir o lado de lá e só conseguem se comunicar através de sinais ou da escrita) e o drama entre a política e a policia da cidade, interpretada por dois atores conhecidos de todos, o Hank de Breaking Bad (Dean Norris, que eu assumo que foi o que me animou mais a ver a série, muito embora até uma participação na finada Whitney ele tenha feito a pouco tempo atrás e isso não deve ser muito motivo de orgulho para ninguém) e o Lapidus de Lost (Jeff Fahey) e um drama envolvendo o armazenamento de gás sem que a cidade tenha o menor conhecimento disso, além dos envolvidos, claro.

E em meio a tudo isso, sem saber exatamente do que se trata e ou o que estaria acontecendo com aquela cidade, ainda ganhamos algumas pequenas tramas bastante interessantes, como a do próprio Barbie e o seu envolvimento com a morte do marido da jornalista ruiva que o acolheu em sua casa (o tal cadáver), assim como o psicopata do Junior, prendendo a namorada no abrigo subterrâneo construindo pelo pai, que descobrimos mais tarde ser a autoridade política da cidade, Big Jim, assim como o plot das convulsões que observamos pelo menos dois personagens ter ao longo do piloto, com a repetição daquela frase em looping. Dafuck?

Confesso que todo esse suspense e a curiosidade que o piloto conseguiu despertar facilmente, somado a qualidade da série nesse seu primeiro episódio, colaboraram e muito para o despertar desse interesse em seguir adiante com a série para pelo menos ganhar uma noção maior do seu propósito, para que a gente tenha como chegar a conclusão se ela merece ou não ser seguida em sua Season 1, que teve 13 episódios encomendados. Mas essa curiosidade acabou bastante diluída durante os dois episódios seguintes, onde eles resolveram desenvolver melhor seus personagens, deixando a questão da redoma em segundo plano. Até esse momento, estava pronto para fazer apenas elogios ao piloto da série, até que resolvi assistir aos 2 episódios seguintes para chegar a uma conclusão melhor sobre o assunto.

Nessa hora, a série já começou a ser perder facilmente, nos entregando uma sequência de dois episódios bem meio assim, que chegam a funcionar como soníferos. Neles, já descobrimos a história do Barbie e o tal cadáver que ele apareceu enterrando no piloto (só não sabemos exatamente o porque ainda…), assim como começamos a observar seus personagens se debatendo em plots nada interessantes. Tipo a jornalista que ouve parte de uma conversa na frequência da rádio local e já resolve fazer uma entrada ao vivo, algo que poderia causar fácil uma situação de pânico (embora surpreendentemente ninguém tenha reagido dessa forma), mesmo sem antes ter investigado qualquer coisa e só ter ouvido praticamente uma frase do que estava sendo conversado naquele transmissão. Ela que além de tudo resolveu perseguir o psicopata da cidade em meio a túneis subterrâneos e mesmo estando a menos de 10 passos para trás do personagem, ele não conseguiu notar a sua presença. Sei. Sem contar o policial que se tornou fugitivo, tentando fugir para onde se naquele local nada consegue atravessar aquela redoma? Ahhh, e a ainda teve o policial que sabia de alguma coisa (o Lapidus) morrendo do meio do nada, sem ter tempo de nos contar os podres envolvendo a parte política da cidade que ao que tudo indica, não estava armazenando apenas gás e mantinha alguma relação com o tráfico.

Mas todos esses plots além da redoma se tornaram muito vagos, pequenos e soltos demais em meio a uma trama muito mais interessante. Algo que me lembrou um pouco da nossa experiência com Lost no passado (eu disse “um pouco”…), onde fomos distraídos com as histórias pessoais de cada um de seus personagens, no passado e no futuro, mesmo achando que a trama dentro da ilha era muito mais interessante e no final das contas, descobrimos que na verdade, nada era tão bacana assim (apesar da série ter sido bem bacana por algum tempo). Com isso, é possível até entender a queda brusca de sua audiência em relação ao piloto e os demais episódios, que em um ritmo bastante diferente e histórias menos interessantes, não tem conseguido se sustentar facilmente e isso já logo de cara. Mas talvez essa história do canal ter resolvido tratar a série como minissérie de última hora tenha sido algo positivo, porque imaginem por quanto tempo o lado mais interessante da série (o mistério da redoma) poderia se tornar arrastado e o quanto de histórias menores e pouco interessantes de seus personagens a gente ainda teria que aguentar caso ela fosse uma série realmente? (apesar de ainda existir essa possibilidade…)

De qualquer forma, esse terceiro episódio acabou sendo o meu limite claustrofóbico dentro daquela redoma. Estou fora, livre, podendo respirar por 40 minutos a mais toda semana, mas para os que ainda ficaram, por favor me contem quem foi que colocou toda aquela gente no porta bolo, OK?

 

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2 Respostas to “Under The Dome, uma série que até que começou bem, mas logo depois…”

  1. ruan Says:

    so falou bosta

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