The Bridge, o piloto

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The Bridge já chegou muito bem recomendada, sendo um remake americano (e portanto, totalmente adaptado) da série escandinava de sucesso Bron/Broen (por lá, a série está atualmente aguardando sua segunda temporada) e com uma audiência de impressionar o próprio FX para uma estreia.

Um piloto longo, com pouco mais de uma hora de duração, do tipo que confia demais na força da sua trama, que realmente parece ser bem boa logo de cara e por isso encoraja essa confiança, mas que ao mesmo tempo em um determinando momento acaba parecendo longo demais devido ao quanto de sua história realmente nos foi mostrado durante o mesmo, muito diferente de um piloto tão longo quanto o de Fringe no passado, por exemplo (desculpem, mas não consigo não fazer essa associação por conta de um dos meus casais preferidos do momento estar envolvido em ambas as produções do canal), que conseguiu gastar melhor o seu tempo nos introduzindo sua trama, que entre outras coisas era muito mais complexa, além de ter sido mais feliz com a introdução de seus personagens também, onde todos acabaram ganhando o seu destaque e isso de forma positiva, algo que não é exatamente o que acontece no piloto de The Bridge.

Seu plot central acontece na fronteira dos EUA com o Mexico (na série original, o crime acontece entre a Dinamarca e a Suécia), quando um assassino resolve desafiar a policia local provocando um blackout e deixando um corpo na ponte que divide ambos países, algo que ao longo do episódio vamos descobrindo que tem uma simbologia muito maior do que conseguimos perceber a princípio e que vai além de mais um serial killer (e muito mais bacana, um dos pontos mais positivos da nova série). Detalhe que com mais alguns minutos de episódio, acabamos descobrindo que o tal corpo estava dividido em duas partes (sim, eu disse dividido em duas partes), parte superior e inferior, cada uma apontando para um dos dois países envolvidos na questão e mais tarde, descobrimos que eles nem sequer pertenciam a mesma pessoa, com a descoberta de que a parte de baixo pertencia a uma jovem mexicana, diferente da parte superior, pertencente a uma juíza americana totalmente radical em relação a imigração de mexicanos em seu pais, do tipo que conseguia entre outras coisas, ser totalmente a favor da construção de um muro dividindo os dois países. (e não tem como não lembrar da Season 4 de Arrested Development nesse momento. Sim, é claro que eu já assisti… mas vem cá, não comentei ainda? Então aguardem…)

A partir do surgimento misterioso do tal corpo, passamos a conhecer os dois personagens principais dessa trama, com cada um deles pertencendo a um dos lados da fronteira. Do lado USA temos Sonya North (a lindíssima Diane Kruger), uma agente que não tem a menor habilidade com outras pessoas ou com qualquer situação que envolva um sentimento diferente à sua praticidade, mas que ao mesmo tempo parece ser extremamente competente e concentrada naquilo que faz. Mas talvez ela seja tão concentrada, que acabou ficando presa dentro do seu próprio universo. Do lado mexicano da história temos Marco Ruiz (com o excelente Demian Bichir), esse com muito mais carisma, do tipo policial boa praça, que consegue enxergar de longe os perigos da relação corrupta e perigosa da polícia do seu país com o lado negro da força, mas que ao mesmo tempo parece ser um dos mais competentes (a seu modo) e honestos dos policiais locais, que cedo ou tarde acabam se vendendo pelos motivos mais variados possíveis para o lado do crime.

O problema é que nessa hora fica visível que o seu personagem de bom policial mexicano acabou sendo privilegiado pelo menos nesse primeiro momento, com uma introdução bem mais humana e simpática até, com uma pequena passagem por sua casa e seus próprios problemas pessoais, algo que de certa forma acabou humanizando ainda mais o personagem, que já tem a seu favor uma personalidade bem mais fácil de lidar, assim como a sua relação que no seu caso precisa ser boa com os dois lados dessa história (polícia e ladrão), por uma questão simples de sobrevivência dentro do universo da polícia mexicana, evidenciando ainda mais os dois lados de uma mesma profissão em realidades completamente diferentes.

Algo que não aconteceu para a Diane Kruger, pelo menos não nesse piloto, mesmo sendo importante para o desenvolvimento de qualquer novo personagem (suspeito que nesse caso de propósito, porque a diferença entre a introdução dos dois foi nítida e gritante) e o que vimos da sua personagem foi uma mulher distante, visivelmente com algum tipo de problema ou vítima de uma síndrome do momento qualquer (eu voto em Asperger…), que mais tarde descobrimos que até pode ser algo do tipo devido a toda a sua estranheza ou essa personalidade completamente meio assim acabou surgindo devido a perda da irmã (algo que eu acho que só piorou o que já não era bom, porque o outro policial mais velho, seu colega de trabalho, chegou a dizer que não poderia ficar dando cobertura para a personagem para sempre), que ainda não descobrimos como foi que aconteceu, ou devido a sua relação com a mãe também, que em algum momento ela chega a mencionar como usuária de drogas. Para a sua personagem, acabou sobrando apenas esse enorme desconforto, que chegou a me incomodar em alguns momentos, confesso, porque apesar de algumas pistas meio soltas, não chegou a nos ser mostrado o porque do seu comportamento tão “diferenciado”, rs (sério, odeio essa palavra). Espero que isso não demore muito para acontecer, ou é possível sentir que a sua personagem possa acabar perdida em um limbo entre o Spock (pensando pelo lado positivo) e um Sheldon Cooper (pensando pelo lado negativo), em uma versão mais humana e feminina, claro. (rs)

Além desse detalhe não tão bacana para a introdução dos personagens e que é possível perceber logo de cara, o piloto da série ainda carrega algumas outras falhas, como a simples desculpa de que Marco Ruiz não podia sentar porque havia feito uma vasectomia recentemente, mesmo tendo passado boa parte no começo do piloto se deslocando de um lugar para o outro em sua viatura (coerência?) e um take bem meio assim que transformou o “olhar” da imagem da vítima da vez em dois faróis. Sério, não precisava disso, vai? Ou pontos mais agravantes, como a introdução das duas outras histórias simultâneas que acabaram acontecendo durante o mesmo, com o endinheirado misterioso que acabou morrendo ao longo do episódio e a sua mulher descobriu que escondia alguns segredos (mesmo que nada tenha nos sido revelado, não só em relação ao tal segredo, que até poderia ter sido mantido naturalmente para depois, mas também em relação a identidade de cada um deles, ainda mais com uma história tão paralela como essa), assim como aquele outro personagem misterioso e meio descontrolado que nos foi introduzido fazendo a travessia de uma imigrante ilegal na mala do carro e que logo depois acabou deixando a moça presa dentro daquele trailer. Em relação a essa segunda questão, até descobrimos um pouco mais sobre o assunto ao final do episódio, durante o preview da temporada, diferente da primeira delas, que ainda não dá para imaginar exatamente do que se trata. Mas levando em consideração que o piloto da série teve mais de uma hora de duração, é difícil não achar que eles deveriam ter gasto melhor esse tempo nos apresentando pelo menos uma pequena introdução sobre o assunto dessas outras tramas a parte também, que parecem ser importantes para a série, ainda mais porque o suspense em torno delas só acabou funcionando para a segunda, porque a história do endinheirado morto pareceu um plot completamente solto dentro de uma trama maior e muito mais interessante. Pelo menos por enquanto.

Apesar também do clima de suspense no ar estar presente desde o aparecimento do tal corpo da juíza na fronteira entre os dois países  (além do ótimo discurso final para a motivação do crime), a série não se sustenta apenas desse clima que querendo ou não, acaba nos prendendo de qualquer jeito simplesmente pela curiosidade. Apesar disso, essa curiosidade toda acaba voltando com mais força durante os minutos finais do episódio, com um novo personagem sendo preso dentro de um carro bomba, o qual descobrimos que tratava-se do tal carro que deixou o corpo da mulher na fronteira durante o blackout. Um novo personagem que pouco disse a que veio por enquanto, mas que acabou passando por momentos de pura tensão, com uma bomba prestes a explodir a qualquer momento e sem ter muito o que fazer para escapar daquela situação apavorante.

Confesso que a princípio, com a minha expectativa bem alta em relação a estreia, não vou negar que acabei me decepcionando um pouco em relação ao piloto de The Bridge, que realmente acabou sendo longo demais para a quantidade de informações relevantes que acabamos recebendo, sem contar suas notáveis falhas. Nele, a sensação que fica a princípio é a de mais uma história que acaba usando a nossa curiosidade para nos manter por perto, que sempre é o que inevitavelmente acaba nos fazendo insistir nesse tipo de série, um recurso bastante utilizado atualmente até. Mas com o preview na sequência após o final do piloto, dá para perceber que a série tem potencial e pode ganhar um ritmo bem mais interessante com o tempo. Basta dar força para os seus personagens e resolver falar o que de fato está acontecendo diante dos nossos olhos, porque da história nós já conseguimos gostar logo de cara. E apesar de qualquer falha em sua estreia, essa certamente não parece uma série que mereça ser descartada assim tão facilmente.

Veremos…

 

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2 Respostas to “The Bridge, o piloto”

  1. Denise Says:

    Eu gostei muito! Assisti o primeiro e já corri baixar o segundo.
    Ela tem uma síndrome, com certeza, e pensei o mesmo que você, Asperger. Muito sem noção do outro, de sentimentos…
    E o Demián Bichir é ótimo! Assisti um filme com ele (A Better Life) que gostei bastante, apesar da temática batida sobre imigrantes vivendo nos EUA sem green card.

    • Essy Says:

      Está todo mundo falando super bem, e recomendando a original também.
      E ela só pode ter alguma coisa mesmo neam? Além do trauma com a família, que me parece ter sido alguma coisa meio barra pesada. Mas o incomodo maior do piloto, além daquelas pequenas falhas, foi o papel dela mesmo. Faltou uma explicação. Ainda não vi os seguintes, mas estão na fila para hoje…
      Já ele, além de ótimo, deu muito mais sorte por ser o simpaticão. Bem vi “A Better Life” e gostei bastante, apesar da temática como vc bem disse.
      Veremos…

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