Orphan Black – o clube das clones do momento (passado, mas ainda no momento)

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Em meio a várias séries novas bem meio assim e com temáticas sempre tão repetitivas (o anti-herói, a família moderna, o novo velho procedural ou séries de época), quem diria que em uma série sobre a temática de clones humanos, a gente encontraria uma das melhores novidades da temporada, hein?

Sim, eu estou falando da excelente Orphan Black, uma das séries novas mais queridas do momento (do momento passado, mas do momento), que tem como proposta a clonagem humana e mistura muito bem os elementos de uma série de ação, com um thriller de suspense e uma dose bem bacana de Sci-Fi, quando não exagerada e é claro, o velho e bom recurso do humor que por incrível que pareça, funciona perfeitamente também dentro desse cenário.

Logo de cara, descobrimos junto com a sua protagonista, Sarah (Tatiana Maslany), a existência de uma outra mulher exatamente igual a ela, em uma estação de trem, prestes a cometer suicídio. Como estamos lidando com uma protagonista que também tem aquele perfil de anti-herói (mas vejam bem, a série não é apenas sobre isso e por esse motivo se diferencia tão bem das demais) e não tem nada a perder em sua vida bandida totalmente desregrada, ela não pensa duas vezes em assumir uma nova identidade ocupando o lugar da suicida que coincidentemente era a sua cara e que poderia facilmente livrá-la de sua atual situação.

A partir disso, Sarah (que é órfã e tem apenas um irmão adotivo) acaba descobrindo que aquela não era a única mulher com características idênticas a ela e uma série de novas mulheres exatamente iguais porém com nacionalidades e ou costumes diferentes aos dela, acabam surgindo em sua vida de uma hora para a outra, fazendo com que a mesma se veja perdida dentro da sua própria identidade, que até então, já havia se multiplicado em 9 outras mulheres, como se todas fossem irmãs (que é a sua primeira suspeita apesar da própria abertura da série e tudo o que sabemos sobre ela já ter se denunciado) ou algo parecido.

É claro que a princípio ela não chega a imaginar a possibilidade da clonagem, principalmente antes de descobrir que suas semelhantes não são uma nem duas e sim nove outras mulheres, mas logo descobrimos que algumas dessas outras personagens já haviam se dado conta dessa assustadora semelhança e já se encontravam em um estágio avançado de investigação a respeito da origem de todas elas, que é quando descobrimos que o assunto da vez realmente é a clonagem humana e todas as questões relacionadas ao tema começam a surgir rapidamente com o desenrolar da história.

Após essa pequena introdução, já dava para perceber que a série tinha um grande potencial para se tornar algo maior e muito mais interessante e isso não só pela temática em si, mas também pelo ritmo do seu roteiro, que é bem bacana, super rápido e cheio de reviravoltas inimagináveis, recheado de surpresas. Sério, quando você imagina que está desvendando a série, ela se multiplica em novas possibilidades e todas elas conseguem ser ótimas.

sarah

Mas o que impressiona mesmo na nova série logo de cara é o talento da sua protagonista, que se multiplica em várias outras personagens de forma tão convincente, que apesar de qualquer semelhança física, é quase impossível acreditar que todas elas são feitas pela mesma atriz, tanto quem em diversos momentos ao longo da temporada, cheguei a esquecer que todas elas na verdade eram a mesma pessoa. Mas são e em um trabalho sensacional e que merece ser reconhecido (Clap Clap Clap!), fomos apresentado a Tatiana Maslany, que de forma inacreditável, conseguiu o feito de transformar cada uma de suas personagens em figuras completamente distintas, seja em um detalhe qualquer da caracterização ou no principal mesmo, que é a sua atuação e trejeitos emprestados para a construção de cada uma de suas versões. Até uma delas tentando se passar pela outra Maslany conseguiu fazer de forma totalmente crível, algo que merece ser reconhecido com um excelente trabalho de atriz.

Além da história da clonagem, que descobrimos mais tarde fazer parte de um experimento do qual ainda não ganhamos maiores informações, a série consegue se tornar inteiramente interessante, com plots sensacionais envolvendo a vida pessoal de cada uma das personagens clonadas, que vão ganhando força ao lado da protagonista , que acaba sendo o foco central da série por se tratar da ovelha desgarrada entre todas elas. Assim, Cosima, a cientista intelectual da turma, Alison, a soccer mom que poderia ter saído diretamente de Desperate Housewives se não fosse tão sensacional como descobrimos ser ao longo da temporada e Helena, a fanática religiosa que é a cara da Shakira, mas digamos que para completar a semelhança faltou um pouco da doçura, algo que ela tenta compensar com colheradas pesadas de açúcar.

Sarah que já não tem uma vida muito fácil, com um namorado meio assim e totalmente sem grana ou qualquer condição para cuidar da própria filha, a qual ela deixou por um ano com a mesma mulher que cuidou dela ainda quando criança (a misteriosa Mrs S),  achando que se daria bem assumindo uma nova personalidade de alguém que ela descobriu que além de ser idêntica a ela, já tinha aparentemente resolvido sua vida financeiramente, acabou se envolvendo em outros assuntos mais complicados (e que mais tarde descobrimos estar envolvido com o assunto do clone club), com a descoberta de que a sua nova identidade era a de uma policial que estava envolvida em um assassinato que não havia sido muito bem resolvido e que envolvia uma série de mistérios e histórias contadas pela metade. Sem contar que no pacote da sua nova persona, ainda havia um outro personagem, um namorado magia que a princípio poderia até soar como um bônus, mas que na verdade escondia algumas coisas importantes para o desenrolar dessa história.

alyson

E ao mesmo tempo que a nova vida da Sarah vai se complicando com sua nova identidade, vamos nos interessando cada vez mais pelas histórias das demais ovelhas, que aos poucos vão ganhando o destaque merecido. Alyson, que é a soccer mom toda certinha, está prestes a perder o controle a qualquer momento, principalmente quando descobre que todas elas são cuidadas por alguém de perto e começa a desconfiar da própria sombra, da melhor amiga bitch da vizinhança e até do próprio marido, o qual ela chega a torturar em um momento de insanidade deliciosamente delicioso (essa e a cena dela batendo na melhor amiga são as minhas preferidas!). Cosima, a mente mais brilhante entre todas elas, cientista e lésbica, acaba se aventurando no lado científico da coisa, conhecendo pessoas ligadas a experiências genéticas, trazendo a tona um personagem importante para o encerramento da temporada (esse que é o lado mais fraco da história, apesar da sua importância no episódio final e que provavelmente será o ponto de partida da próxima temporada) e Helena, a mais maluca de todas elas, que teve implantada em sua mente a ideia de que ela era a original entre todas elas e que por isso precisava eliminar todas as suas cópias impuras.

Aos poucos, todas elas acabam nos revelando um pouco mais de suas vidas e para cada um dos clones o nosso interesse começa a ser despertado a medida em que vamos descobrindo um pouco mais sobre suas histórias e pelos motivos mais variados possíveis, tanto que não é preciso muito tempo para nos apegarmos a cada uma delas. Sem contar a probabilidade de existirem novas ovelhas, o que por si só já gera para a série possibilidades quase que infinitas e por todas as que conhecemos até agora, é impossível não ficar pelo menos imaginando novas possibilidades de clones. Já imagino a orfã funkeira por exemplo, ou aquela que fez a troca de sexo e agora atende como Johh. Imaginem só? rs

Mas não são apenas detalhes todos que despertam facilmente o nosso interesse em relação a essa nova história, que consegue sobreviver perfeitamente com sua trama muito bem arquitetada, mas um dos grandes trunfos da série está concentrado no personagem do Felix (Jordan Gavaris), o irmão da Sarah que consegue roubar a cena facilmente como alívio cômico da série. Excêntrico, desbocado e com um senso de humor delicioso, Felix certamente é um dos melhores personagens da série e quando passou a ganhar a companhia da Alyson então, a dupla funcionou como uma das melhores da nova série. Por favor, concentrem esses dois mais juntos daqui para a frente.

Além de todos esses fatores que colaboram para que Orphan Black seja de fato uma das melhores séries novas, é preciso reconhecer também que a série é bem corajosa, se arriscando em diversos cenários que nos pegam de surpresa de vez em quando (o surto da Alyson, o atropelamento da filha da Sarah, o policial descobrindo a verdade sobre ela), colocando seus personagens principais em alguns cenários bem difíceis e que ainda assim sempre acabam ganhando as melhores resoluções possíveis para cada uma de suas questões.

felix

A única coisa irritante ao longo dessa primeira temporada realmente foi o recurso recorrente de séries do gênero de nos apresentar um personagem que aparentemente sabe das coisas, como aconteceu em Orphan Black com o surgimento da mãe da Sarah, que acabou nos revelando que ela tinha sim uma irmã gêmea (além das clones), a Helena, que pouco tempo depois acabou tirando a vida da própria mãe, fazendo com que todo o seu conhecimento sobre a verdade de todas elas acabassem morrendo junto com a personagem naquele momento. Isso e o fato da Cosima ter dado um mole gigantesco naquele apartamento com a tal ajudante do cientista super envolvido com a causa toda.

Mas tirando esses pequenos detalhes que na verdade não prejudicam em nada a nova série, com uma temática relativamente nova e um roteiro capaz de despertar a curiosidade em qualquer um, Orphan Black conseguiu rapidamente se tornar uma das melhores séries novas da atualidade, do tipo que vale super a pena de se acompanhar, apesar da season finale ter sido um tanto quanto óbvia (até nos surpreendemos, mas não tanto assim) e de não ter nos revelado muito mais do que um caminho “científico” como plot principal para a próxima temporada.

Veremos…

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