Arrested Development e a nova forma de assistir TV que nem é tão nova assim…

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Depois de muito se falar sobre o assunto, finalmente ganhamos uma nova temporada de Arrested Development (e ainda existe uma possibilidade de filme e ou nova temporada, logo, YEI!).  Para quem ainda não conhece a série (se é que existe alguém), trata-se apenas de uma das melhores comédias feitas para a TV até hoje, uma série não tão popular assim, mas com um elenco invejável, direção e desenvolvimento precisamente arrastado e deliciosamente delicioso.

Comecei a assistir a série anos atrás, em um noite de insônia, quando liguei a TV e acabei me deparando com algo diferente do habitual. Já tratava-se de uma de suas incansáveis reprises na TV e depois disso, passei a acompanhá-la, sem muita pressa, mas com a garantia de que cada novo episódio eu encontraria a diversão certa. Depois descobri que a série passava até na TV aberta, também nas madrugadas de um canal aí, onde acabei revendo um ou outro episódio, apenas para me distrair antes de dormir. Até que a série chegou ao seu final injusto, com um cancelamento precoce, como acaba acontecendo sempre com quase tudo que encontramos de realmente bom na TV. Na época, mesmo sem ter acompanhado a temporada final como deveria (só assisti depois), acabei assistindo pelo menos o series finale, porque me sentia na obrigação de me despedir da família Bluth como ela merecia.

Até que o Netflix resolveu realizar o nosso sonho e nos trouxe a história dessa família trambiqueira de volta para uma nova temporada, nos entregando os 14 novos episódio no colo, todos de uma só vez, Há quem considere essa uma nova forma de assistir TV, mas para nós que somos viciados no assunto séries de TV e acompanhamos algumas delas desde uma outra época, quando a internet não era exatamente a melhor opção (ou a mais rápida) para isso, se puxarmos na memória, vamos conseguir nos lembrar facilmente de um tempo em que acabávamos assistindo algumas séries apenas quando seus boxes eram lançados por aqui (muitos com preços absurdos), algumas com um atraso gigantesco em suas exibições na TV a cabo (que finalmente acordaram, mas ainda nem todas…) e por isso, essa sensação de “uma nova forma de assistir TV” talvez não seja tão verdadeira ou honesta assim.

A propósito, preciso reconhecer que o Netflix é uma excelente nova opção para essa tal nova forma de se ver TV, apesar da novidade não tão nova assim. Algo que acaba funcionando muito mais para suas séries originais, como foi o caso da aguardadíssima nova temporada de Arrested Development (e House Of Cards, Orange Is the New Black), do que para os demais produtos disponíveis no catálogo do serviço aqui no Brasil, que ainda não é dos mais convidativos, a não ser que você ainda seja um principiante na arte de assistir séries de TV ou filmes, porque dependendo do seu nível de interesse no assunto, você poderá se deparar com uma série de opções não tão grandes assim para a sua watchlist dos ainda não vistos. Mas de qualquer forma, vale reconhecer que o serviço funciona perfeitamente, tanto para quem assiste pela TV ou no computador (em outros meios também), além da vantagem de estar tudo disponível facilmente, sem ter que aguardar uma longa espera para que o seu programa preferido da vez seja carregado ou algo do tipo. Essa talvez seja inclusive a sua maior vantagem e com um catálogo mais completo, acredito que o serviço facilmente se tornaria um dos melhores do gênero, mas é claro que isso tudo envolve outras questões, como direito autorais e a exibição dos seus produtos na TV a cabo por aqui, que nem sempre ou quase nunca consegue acompanhar o resto do mundo.

Mas voltando a falar da nova temporada de Arrested Develpment (me sinto ridículo dizendo “nova”, sendo que ela estava disponível faz tempo e tendo visto logo que saiu, mas apenas 1 episódio por dia e só estar comentando agora #MYBAD), é sempre bom reencontrar com a família Bluth e todas as confusões que eles estão sempre envolvidos, ainda mais encontrando a história basicamente do mesmo ponto em que nos despedimos da mesma tão precocemente anos atrás. Todos juntos novamente, só que separados, tentando se adaptar a suas novas realidades e ainda tendo que se envolver com os problemas dos demais personagens dessa família, que diga-se de passagem, não são poucos.

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Michael (Jason Bateman) tentando seguir a sua vida, recomeçando após mais um fracasso, tendo que dividir a vida de universitário com o filho, George Michael (Michael Cera), que obviamente não fica nada feliz com a presença do pai. Gob (Will Arnett) perseguindo o sonho de se tornar um grande mágico, encontrando no caminho o seu pior inimigo, além dos seus problemas todos envolvendo a própria sexualidade e ou seu relacionamento anterior com uma adolescente. Tobias (David Cross) e Lindsay (Portia de Rossi) continuavam tentando viver juntos, ou separados, sempre envolvidos em novos casos amorosos nada ou pouco saudáveis para ambos e com a Maeby (Alia Shawkat) ainda perdida no meio dos dois, tentando fazer com que eles enxerguem o óbvio, algo que estava além de um peru cru e vivo servido no jantar de Thanksgiving (cena sensacional!) e nesse meio tempo, ainda encontrando tempo para ser genial e se tornar alguém bem sucedida na vida, mesmo sem ter terminado o colegial ainda e por alguns anos consecutivos, só para tentar atrair a atenção de seus pais. Isso é claro que além dos chefes dessa família, Lucille (Jessica Walter) e George Bluth (Jeffrey Tambor), com ambos envolvidos em trambiques pesados como a construção de um muro de separação do México e os USA e ainda tendo que enfrentar de perto seus respectivos irmãos do lado negro da força. E ainda tinha o Buster (Tony Hale) e a sua devoção a mãe que ele acompanhava de perto em sua prisão domiciliar, facilitando até mesmo o seu hábito proibido naquele momento de fumar (sério, não me lembro de ter tido um ataque de riso tão desesperado em muito tempo), além dos seus plots todos envolvendo o exército e o implante de uma mão gigantesca, motivo do meu segundo ataque de riso compulsivo ao longo da nova temporada.

Ou seja, toda a loucura dessa família estava reunida novamente, exceto pela forma como recebemos a nova temporada dessa vez, algo que envolvia a logística de todos os grandes nomes envolvidos em sua produção. Por se tratar de um elenco de peso, completamente envolvido com outras atividades, principalmente o cinema, a nova temporada de Arrested Development acabou tendo que ser realizada de uma forma diferente, separando seus personagens e com cada um deles ganhando um ou dois episódios ao longo da mesma, separando de vez a família Bluth, algo que sabemos que não é a melhor opção tendo um elenco tão bacana e personagens tão sensacionais nas mãos. Ainda mais com eles tendo sempre se completado tão bem, algo que acabou fazendo e muita falta ao longo dessa Season 4.

E para dar conta da demanda dos novos episódios, eles tiveram que se virar na edição, gravando inclusive utilizando o recurso do fundo verde, quando não era possível agendar os atores para a mesma data. Algo que apesar de ser prejudicial, não chegou a afetar tanto assim a produção, mesmo sendo possível perceber de longe esse tipo de montagem (o que acabou deixando tudo ainda mais engraçado), mas fato é que tudo teria sido muito melhor se a nova temporada tivesse sido gravada normalmente. Uma pena, mas é o que temos no nosso catálogo e só dela ter sido realizada, acho que nem podemos reclamar.

Separando os personagens dessa forma, alguns deles acabaram sendo bastante prejudicados, algo que deixou alguns episódios muito melhores do que os outros, por exemplo, isso é claro que levando em consideração o carisma do mesmo. Mas para nos compensar desses pequenos problemas de logística envolvendo a produção, a série acabou nos entregando junto com esses novos episódios uma série de participações mais do que especiais, mesmo que algumas delas tenham durado pouco mais de uma cena de 1 ou 2 minutos.  Isso sem contar todas as referências a mitologia da série, que foram todas sensacionais.

Assim, recebemos sim o aguardadíssimo retorno da família Bluth, que pode não ter sido como antigamente ou qualquer coisa do tipo, mas é sempre bom reencontrar com todos eles, mesmo que em um fundo verde ou acumulados em uma dose forte de episódios inéditos lançados de uma só vez, que por experiência própria, é recomendável que sejam vistos com calma, um por vez, porque apesar dessa ser uma série de comédia (que costumamos assistir em um tapa), ela não é uma série de comédia como uma qualquer. O bom de tudo isso é que além dos novos episódios e a série talvez ainda ganhar mais um pouco de sobrevida, o Netflix traz em seu catálogo as temporadas anteriores, o que chega a ser uma covardia de convite para uma maratona dessa que foi a melhor série de comédia do seu tempo.

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2 Respostas to “Arrested Development e a nova forma de assistir TV que nem é tão nova assim…”

  1. Ana Carolina Says:

    Adoro Arrested Development, a terceira temporada estava sensacional, doeu no coração quando foi cancelada. A quarta temporada achei fraca, às vezes até sofrível, mas falta uns 2 ou 3 episódios para acabar de ver, e acho que melhorou um pouco.

    • Essy Says:

      Uma série como essa merecia nunca ter sido cancelada, mesmo se só eu e vc estivéssemos assistindo, rs
      A Season 4 foi difícil. A saudade ajudou, mas a ansiedade de querer ver tudo rápido e eps que não estavam no mesmo nível, acabaram deixando tudo bem mais complicado. Tive os meus preferidos, gostei de alguma coisa de cada um deles, mas só alguns foram verdadeiramente especiais como no passado. Uma pena… espero que se tiver mais um pouco de sobrevida, que eles consigam pelo menos gravar juntos. Veremos.

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