Encontros e desencontros, mas na verdade, apenas encontros mesmo…

dates-cast

E quem é que não tem uma boa história de encontros meio assim (e os bons também) para contar, hein?

Sair para um encontro pela primeira vez é sempre um risco, porque as possibilidades são sempre assustadoras, para os dois lados. Você pode gostar muito e não sentir a hora passar, pode detestar e não ver a hora de conseguir sair daquele lugar ou pode simplesmente gostar da companhia e decidir ficar para ver no que vai dar. Basicamente, essas são as três opções mais óbvias quando o assunto são dates, mas a verdade é que essas opções podem ser infinitas e é exatamente nessa imprevisibilidade que o criador de Skins, Bryan Elsley resolveu focar as forças do seu novo trabalho, com a deliciosa Dates.

Uma série curtinha, com apenas 9 episódios com aproximadamente 22  minutos de duração com alguns primeiros encontros deliciosos, mesmo quando desastrosos. Quem assistiu True Love no passado e também se apaixonou, talvez goste bastante da nova proposta de Dates, que tem o mesmo fundamento de histórias soltas com alguns personagens em comum entre elas (ou não), com a diferença de que nesse caso, o assunto é muito mais cômico do que dramático nessa incessante busca de alguém.

Uma busca que parece não ter fim quando se está sozinho (tisc tisc… aquele falando por ele mesmo no momento… tisc tisc), cheia de erros e alguns acertos, mas que de certa forma, não deixa de ser uma grande diversão, mesmo que você não tenha motivos para voltar para casa com um sorriso largo de mamilo a mamilo. E Dates consegue brincar perfeitamente dentro desse universo de incertezas e possibilidades, nos trazendo uma série de situações que são obviamente muito fáceis de se relacionar. Assistindo a série, cheguei a conclusão que já estive em alguns daqueles dates, e poderia render material o suficiente para mais algumas temporadas, rs.

DatesWillMellor

Na série, observamos de tudo: o homem com mais de trinta anos, a procura de alguém para dividir a vida, sem muito trato (mas um foufo, vamos admitir, vai?), mas que ao mesmo tempo consegue deixar qualquer um completamente apaixonado por ele por tamanha honestidade, até mesmo a garota do seu blind date que chega mentindo o nome, o insulta de diversas maneiras, mas por algum motivo acaba ficando ali até o final da noite, como se algo naquele homem desconhecido e tão diferente do seu ideal estivesse a prendendo de alguma forma. Nessa primeira história, por exemplo, é impossível não reconhecer logo de cara que alguma coisa estava acontecendo entre aqueles dois e é mais impossível ainda não se encontrar completamente apaixonado pelo David (o tal cara de mais de trinta anos, vivido pelo ator Will Mellor. Höy!), nesse ou em seu segundo encontro ao longo da temporada, com uma menina que mentiu a idade, mas que com toda a coragem amparada na sua juventude, acabou trazendo para ele exatamente o que o personagem estava precisando naquele momento para resolver algumas questões de sua vida.

Em outro momento, encontramos uma adorável professora com tendência cleptomaníacas, que se vê em um encontro com o tipo coxinha creme, aquele que se acha o mais desejado do buffet de salgadinhos, meio arrogante e ou prepotente, mas que no fundo estava usando toda a sua agressividade para tentar esconder algumas tendências que ele talvez já não tivesse conseguindo esconder mais, a ponto de se arriscar dessa forma durante um primeiro encontro. Sem contar que essa história tem o melhor final de todos, com a finalização do date que não foi o melhor da vida daquela mulher, mas que de certa forma acabou sendo bastante compensador, mesmo que essa satisfação tenha vindo como brinde de um furto e um lucrativo “bilhete único” recém carregado, rs.

Mia (Oona Chaplin, de Game Of Thrones) também foi uma personagem bastante enigmática, apesar de extremamente irritante durante o seu primeiro encontro com o David, na premiere da temporada. Na verdade, ela representava exatamente aquela mulher (que poderia ser um homem também) bonita demais, do tipo que sempre teve as coisas muito fáceis e talvez por isso não soubesse até hoje exatamente o que queria. Mas a personagem era mais complexa do que isso e talvez a sua profissão também tenha colaborado e bastante para que ela não conseguisse se sentir segura com uma pessoa apenas. Seu segundo encontro não é dos meus preferidos. assim como toda a história do Stephen (que é o personagem oposto do mesmo), que não chegou a me convencer muito e na verdade, me parecia uma versão mais bem sucedida e exatamente com o mesmo perfil dela.

bd120dda-ca5d-40a6-bdef-f98b1e8dce69_625x352

E durante essa Season 1 ainda tivemos um delicioso primeiro encontro lésbico, com duas personagens extremamente diferentes. Uma completamente aberta, dona da própria vida e a segunda ainda presa a uma família oriental extremamente conservadora e com valores muito diferentes aos dela. Um primeiro encontro que apesar de ter passado para a próxima etapa (somos gratos quando isso acontece, sejamos honestos, vai?), acabou resultando em uma saída do armário acidental, o que nos levou ao segundo encontro de Erica com um homem completamente fora de seus padrões, algo que ia muito além do detalhe dele ser apenas um “homem”. Ele que ao perceber que não estava sendo bem visto, acabou provocando sua parceira, fazendo com que ela saísse da sua zona de conforto e enfrentasse de uma vez por todas a sua família, algo que foi divertidíssimo de se acompanhar. Aliás, achei bem bacana esse desprendimento de todos os personagens, do tipo que sabiam que já não tinham mais nada a perder e talvez por isso estivessem tão abertos a serem eles mesmos durante todos os encontros, apesar dos disfarces que acabamos inevitavelmente carregando para uma primeira vez.

Depois tivemos a professora cleptomaníaca de volta, achando que tinha se dado bem com uma cara que aparentemente era super bacana, gostava de artes e dividia alguns pontos em comum com ela. Isso até a manhã seguinte e as ideias começarem a se distanciar de forma assustadora, sem contar o detalhe da chegada da mulher do mesmo, que ela sequer sabia que existia (porque há quem se arrisque nesse campo mesmo sabendo da existência de um outro alguém). Mas nesse caso, temos que reconhecer que Jenny (a professora, vivida pela atriz Sheridan Smith), acabou sendo muito ingenua ou talvez não tenha assistido Sherlock, porque todo mundo sabia que sair com o Moriarty (Andrew Scott) himself, só poderia trazer consequências um tanto quanto perturbadoras. (só eu acho ele excelente e acho inclusive que o ator poderia ter sido muito mais explorado em Dates? Descubram logo esse boy, Hollywood!)

Como proposta de encerramento dessa temporada, tivemos David e Mia resolvendo suas pontas soltas, nos trazendo a mensagem de que um primeiro encontro apesar de ser sempre um risco, pode sim trazer a surpresa de algo mais, mesmo que dure apenas o tempo de uma boa história. A verdade é que a gente jamais saberia se não se arriscasse e talvez essa seja a maior mensagem da série. Se é bom ou ruim ou se vai dar certo ou não, realmente não importa. O importante mesmo é seguir em frente e no mínimo acumular boas histórias para contar. Sem contar que em menos de 22 minutos por episódio, a série conseguiu nos dar uma boa noção de cada um de seus personagens, basicamente como se estivéssemos em um encontro mesmo, ainda naquela fase de decisão para ver se você quer ficar ou não. Resumindo, a série vale mais do que um único date, confie.

 

♥ Já está seguindo a magia do Guilt no Twitter? Ainda não? @themodernguilt

Etiquetas: , , , ,

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s


%d bloggers like this: