Walter White, Heisenberg, Mr Lambert e o final para se lembrar de Breaking Bad

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Oito episódios finais, em uma temporada covardemente dividida em duas partes, como agora parece ser o novo costume (também covarde) do canal AMC. Damn you AMC! Oito episódios excelentes do começo ao fim, onde cada um deles poderia muito bem ter encerrado a série de forma até que bem satisfatória. Claro que alguns teriam nos deixado muito mais satisfeitos do que os outros e nenhum deles teria se comparado com o que acabou sendo o series finale de Breaking Bad, mas ainda assim, se quisessem, eles bem que poderiam. Episódios que nos deixaram completamente orgulhosos, apesar de imperfeitos em alguns detalhes mínimos que não chegaram a estragar absolutamente nada (detalhes como o fator sorte, a generosidade de alguns bandidos, o fator sorte de novo), que nos deixaram completamente aflitos, terminando de forma tão covarde quanto a divisão dessa temporada final (novamente, precisava manifestar de alguma forma a minha indignação quanto a esse detalhe, por isso a repetição da palavra “covarde” e suas variações em um mesmo parágrafo) e sempre em um momento de pura tensão, para enlouquecer ou matar qualquer um de ansiedade. Ou as duas coisas.

Desde o começo de Breaking Bad acompanhamos um pouco de tudo da trajetória do seu personagem principal, Walter White e podemos dizer que conhecemos tanto o seu melhor, quanto o seu pior (e falamos sobre o assunto por diversas vezes aqui no Guilt e para resumir, vocês podem encontrar o assunto aqui e aqui). De cara, já fomos apresentados a sua sentença de morte com o diagnóstico (nada esperançoso e por isso estamos falando em sentença de morte) do seu “irônico” câncer (um homem saudável e não fumante que do dia para a noite descobre que está com câncer no pulmão, por isso “irônico”. Notem que hoje eu estou me justificando, leitor, talvez por gostar demais da série e não querer ser mal compreendido), que foi quando descobrimos e entendemos seu plano de vida a partir daquele ponto da história e daquele momento em diante, acompanhamos os altos e baixos de sua vida conturbada e até certo ponto secreta, com a sua nova identidade de traficante de metanfetamina. E não de uma metanfetamina qualquer e apenas a melhor do mercado. Ponto. Um homem de família, professor, competente, que aos poucos foi acreditando demais no próprio personagem que criou por acaso/necessidade, o “temido” Heisenberg, que a princípio tratava-se apenas de uma espécie de lenda, que de certa forma servia para fortalecer seus negócios ilícitos, mas que em pouco tempo, acabou se tornando o recurso de defesa mais utilizado pelo seu próprio criador, que gostou tanto do gostinho do poder que acabou experimentando através dessa nova versão dele mesmo, um gostinho de ser temido por todos os cantos e acima de tudo, de ser o mais competente naquilo que se propunha a fazer, que o seu alterego acabou se tornando algo muito maior do que ele mesmo sempre foi e ou estava preparado para ser, o obrigando no final a assumir desesperadamente uma nova identidade, a terceira delas como Mr Lambert, que lhe trazia a falsa ideia de um “recomeço”, novamente e ironicamente no dia do seu aniversário.

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Mas antes de assumir essa nova terceira identidade (e acertou quem apostou que aquele flashforward que iniciou a Season 5 no passado tratava-se exatamente de uma espécie de adiantamento do final da série. Confirmou!), Walter ainda tinha alguns pontos de sua história para acertar, começando por algo que talvez fosse o maior deles (ou pelo menos o mais perigoso e ou mais complicado deles), quando chegou a hora de encarar o cunhado chefão da polícia, Hank , que havia terminado a primeira parte da temporada de encerramento finalmente chegando a conclusão de que a sigla WW que o perseguiu por todo esse tempo, só poderia corresponder ao nome do cunhado, que a propósito, ele sempre considerou um bunda molão de primeira e talvez por isso nunca tenha desconfiado do mesmo. Um momento que foi aguardado por todos nós desde muito tempo, onde ambos atores conseguiram nos transmitir exatamente o que aqueles personagens estavam sentindo naquele momento. Apesar da fúria no olhar do Hank e a sua explosão para cima do Walter, que naquela hora até tentou se beneficiar com a volta do seu câncer em um pedido desesperado de misericórdia, estava meio que na cara que não haviam muitas alternativas para toda a questão do Hank depois dele finalmente ter tomado consciência de toda a situação, isso mesmo antes de descobrirmos o desenrolar dessa história, com o plano absolutamente corajoso e nada bunda molão do próprio Walter, gravando uma fita de confissão que repassava toda a culpa para o próprio cunhado, em um golpe de gênio dissimulado e apoiado pela própria mulher (Skyler que mais uma vez nos revelou ter um caráter ainda mais duvidoso quando o assunto é o seu próprio pescoço em jogo, isso sem mencionar quando ela sugeriu e praticamente exigiu a cabeça do Jesse em troco do “bem estar e segurança” da sua família), que a essa altura estava mais do que envolvida e disposta a manter tudo aquilo que eles conquistaram com muito custo (e por custo eu quero dizer sangue, corpos de desconhecidos espalhados pela cidade, um ex boy magia inválido e noites de pânico e pura tensão dormindo apavorada ao lado do inimigo que ela achava que já não conhecia mais) até agora. Aliás, aquela cena com o encontro duplo de casais no restaurante mexicano, que marcou a entrega da tal fita de confissão do casal Walter e Skyler para os cunhados, foi sensacional, de uma tensão absurda e com o tipo de humor certo e porque não dizer até que inesperado para a ocasião. (a cada interferência do garçom, um aplauso, por favor! Clap Clap Clap!)

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Apesar de ter chegado o momento pelo qual mais aguardamos ao longo da mitologia da série (um deles, para ser mais justo, porque haviam outros, vai?) e de qualquer reviravolta que ainda poderia estar a caminho, estava mais do que na cara que para o Hank, só existiam duas possibilidades: ser ridicularizado eternamente dentro da polícia, por nunca ter sequer desconfiado do comportamento do cunhado, que esteve ao seu lado durante esse tempo todo, além do fato dele mesmo ter sido beneficiado com o dinheiro que o mesmo fazia vendendo seus preciosos cristais azuis ou, Hank teria que acabar morto, para que o desenrolar da trama pudesse se arrastar por mais algum tempo, além de consequentemente gerar uma culpa ainda maior para o próprio Walter carregar junto com o seu império. Optando por essa segunda alternativa, Breaking Bad escolheu nos entregar um tiroteio daqueles, que encerrou um dos episódios dessa temporada nos deixando a base de ansiolíticos de tamanha ansiedade por esse desfecho, que só aconteceu no episódio seguinte. Dessa forma, Hank se despediu como o herói que sempre foi e de quebra, ainda deixou para o Walter um peso na consciência bem difícil de se carregar e principalmente de se dividir com a família, a qual ele precisou encarar logo em seguida e nesse momento, é claro, encontrou sua maior barreira nesse que talvez tenha sido o momento exato em que o personagem mesmo que involuntariamente, acabou cruzando o seu próprio limite, quando em um briga doméstica com a mulher (uma briga ótima por sinal), acabou enxergando no filho toda a decepção de ter se tornado aquele homem que ele talvez nem tenha percebido exatamente que havia se tornado, mas que naquele momento, com a intervenção do Flynn e com o mesmo entregando o pai para a polícia, talvez tenha sido o momento exato do despertar do Walter para o homem monstruoso que ele havia se tornado. Tentando evitar a morte do cunhado, Walter inclusive chegou a propor dividir parte de sua fortuna com os nazistas (que voltaram para ajudar a contar o desfecho da trama, naquelas histórias menores e paralelas que também sempre fizeram parte da mitologia de Breaking Bad), seus ajudantes da vez. Mas Walter teve que se contentar em sair apenas vivo daquela situação, carregando um único barril com pouco dos vários milhões que havia acumulado ao longo desses dois anos (em uma cena pra lá de especial e divertidíssima, em um momento de pura tensão como esse portanto, entendam o quão especial é essa série, meus queridos leitores), sem receber a cabeça do seu maior inimigo a essa altura, Jesse, que por ter se tornando um aprendiz tão dedicado (e talvez melhor ainda do que o seu mestre, pelo menos na prática), acabou valendo muito mais sendo mantido como escravo pelo novo lado negro da força. (chamar os nazistas de “lado negro da força” talvez seja tão politicamente incorreto quanto dizer “lado negro da força”, embora qualquer tipo de ofensa, inclusive para o lado negro da força, não seja a nossa intenção nesse momento, rs). O único erro desse episódio, além da espantosa generosidade dos nazistas por terem permitido o Walter seguir com seu barril de dinheiro a pé e com vida pelo deserto (de novo, que cena! Me arrancou gargalhadas. Juro!), talvez tenha sido a revelação de que o Jesse estava debaixo do carro esse tempo todo e nenhum deles havia se dado conta disso. Come on, Breaking Bad! Mas ok, perdoamos. Sem ressentimentos.

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Jesse que passou boa parte desse retorno quase que em transe, desconfiando que o Walter havia propositalmente e culposamente mandando o Mike fazer aquela “viagem para Belize” (rs) e ainda tentando lidar com as consequências de todos os seus atos mais recentes além de qualquer culpa e mágoa antiga, incluindo a morte daquele garoto perto da linha do trem. Apesar de estar completamente fora de si, Jesse ainda parecia consciente da parcela de culpa do Walter em relação ao sumiço inexplicado do Mike e o personagem que até então havia passado boa parte da temporada monossilábico e atirando montes de dinheiro pela vizinhança (e mesmo mudo, o Aaron Paul sempre foi excelente com suas caras de louco psicótico maniaco depressivo, vai?), não precisou de muito tempo para ele chegar a conclusão do quanto Walter o havia manipulado durante todo esse tempo, assim como o quanto o personagem esteve envolvido em plots importantes relacionados a pessoas próximas a ele, como a ex namorada e o filho dela, que nós sabemos que foi o Walter quem envenenou para se safar de um drama antigo qualquer. E bastou despertar para a realidade, que ganhamos o velho e bom Jesse sem limites de volta (Yo, bitch!), despejando gasolina por toda a casa do Walter, com seus #CRAZYEYES em close novamente, planejando transformar o lugar em cinzas em nome do começo de sua vingança. Mas sabemos que apesar de parecer o mesmo, Jesse não era mais apenas aquele moleque inconsequente do passado que parecia usar roupas do irmão mais velho (aguardem o final desse post, e vocês verão que essa piada não é minha), ou pelo menos ele não era só mais isso e para conseguir se vingar do seu novo arqui-inimigo e ex-sócio, nada melhor do que unir forças com o lado da lei da história (além de possivelmente aliviar um pouco mais para o seu lado), que foi quando ganhamos a parceria Jesse e Hank, antes da morte do mesmo e antes do próprio Walter ter encomendado a cabeça do Jesse, influenciado inclusive pela Skyler, como já comentamos.

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E o plano dos dois para conseguir pegar o Walter foi sensacional também, do começo ao fim, com as pistas falsas sobre a localização do dinheiro (achei bem bacana a localização da fortuna do Walter ser a mesma de onde eles cozinharam pela primeira vez no deserto. Cool!), assim como quando Jesse foi acertar as contas com o Saul, ou quando o Hank deixou um de seus capangas aterrorizado com a foto falsa da morte do Jesse, deixando o cara muito que provavelmente, esperando naquela sala até hoje. Engraçado como desde o começo, nutrimos um amor especial por esses personagens, mesmo com eles persistindo em um caminho mais do que duvidoso, mas o mais engraçado disso tudo foi ver como com o passar do tempo, passamos a torcer muito mais para o Jesse do que para o próprio Walter, muito provavelmente pela transformação que vimos acontecer com ambos diante dos nossos olhos ao longo dessas cinco temporadas, quando Walter deixou de ser apenas um homem injustiçado pela vida e se tornou uma espécie de monstro (apesar de não gostar muito dessa descrição) muito maior do que ele mesmo conseguia administrar, assim como o Jesse, que deixou de ser apenas um viciado inconsequente e foi se tornando aquele por quem a gente torcia com mais força e entusiasmo para que saísse ileso dessa história toda, principalmente depois de tudo que vimos o mesmo passar (e pastar), muitas vezes as cegas (quase sempre apenas desconfiando…), sem ter o conhecimento sobre tudo aquilo que estava realmente acontecendo com ele. Mas isso não foi nada até encontrarmos o Jesse enjaulado, acorrentado e mantido como escravo nessa reta final da série (glupt = nó na garganta), vivendo apenas com a companhia da sua própria culpa e o carcereiro Todd (odioso desde sempre!) e a tarefa de continuar cozinhando perfeitamente os cristais mais puros do deserto a troco  apenas de manter os dois únicos sobreviventes com quem ele ainda se importava na vida (a ex namorada e o filho dela). Algo que ele conseguiu manter até certo ponto, quando em uma medida desesperada de tentativa de fuga, foi obrigado a assistir de longe o odioso Todd tirando a vida da sua ex namorada, apenas para provar que não adiantava ele tentar escapar.

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Mas outro momento importantíssimo dessa reta final de Breaking Bad também aconteceu no deserto, ainda no mesmo cenário da morte do Hank, antes dela acontecer, quando se sentido traído pelo fato do Jesse ter passado para o outro lado, Walter não pensou duas vezes e jogou na cara do ex parceiro Jesse, que havia assistido de perto a sua namorada morrer de overdose anos atrás e que não havia feito nada de propósito, por conveniência (que foi exatamente o que ele fez), revelando o maior segredo (e mais um deles), que ainda existia entre os dois, muito provavelmente, o mais doloroso de todos eles e aquele para o qual não se teria mais volta. Aliás, vale dizer que nesse mesmo episódio, a cena com o Walter finalmente se rendendo para o cunhado, foi outra das que merece ser lembrada por um bom tempo, com cara de series finale e tudo mais e isso foi logo no começo da temporada. (também achei excelente a cena com o Walter e o Hank no telefone com a Skyler e depois ela desesperada encontrando com o Hank, achando que estava sendo presa e surtando lindamente)

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Com todos os personagens encontrando seus respectivos destinos e se revelando a essa altura da história, onde já não havia mais uma falsa identidade para ninguém, exceto para o Walter, que havia aceitado o serviço de nova identidade oferecido pelo Saul (recusado no passado pelo Jesse e o qual o próprio Saul acabou utilizando na mesma ocasião que o professor de química, se tornando seu companheiro de confinamento – detalhe que o personagem deve mesmo ganhar seu spin-off de Breaking Bad e ainda não consegui decidir se gosto muito da ideia…) e a essa altura já havia se transformado no Mr Lambert, vivendo afastado em um lugar que não poderia ser mais frio e ou distante (em todos os sentidos, e chegou a dar pena de encontrar o Wal… o Mr Lambert naquela situação, pagando por uma partidinha de rouba monte, rs), chegava a hora do acerto de contas do personagem, que antes disso ainda tentou bancar o Heisenberg novamente (em uma cena linda, diga-se de passagem), mas que naquele momento acabou entendendo que com o estado avançado do seu câncer e a falta de opções de ainda conseguir sair ileso daquela situação, só lhe restava mesmo esperar pela hora certa de agir e encerrar de vez a sua história abraçando o que fosse necessário para isso.

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Que foi quando chegamos ao series finale de Breaking Bad, que eu arriscaria em dizer que de todos os que eu já vi até hoje, foi de longe o meu preferido. É, foi, assumo. Sorry Sopranos (sorry Fringe, sorry até para The Office, que recentemente fez um despedida daquelas. E essa não é uma “desculpa comparativa”, que fique bem claro). Em uma sequência de acertos de contas deliciosos, encontramos Walter enfrentando de frente todos os seus inimigos e questões ainda pendentes em sua vida, a começar pelos ex-sócios do negócio que ele acabou desistindo no meio do caminho e consequentemente, por mais uma ironia do destino, acabou perdendo a chance de se tornar uma milionário de forma lícita (e com uma ideia que foi dele e não desconfiamos em nenhum momento disso porque conhecemos muito bem aquela mente brilhante). Walter sentado no escuro, esperando o casal chegar em casa, despejando o dinheiro que ainda lhe restava, exigindo que os ex-sócios colaborassem com o seu plano de finalmente conseguir amparar a sua família de alguma forma, para que tudo aquilo não tivesse sido de fato em vão, foi absolutamente brilhante, ainda mais contando com dois personagens dos quais pouco ouvimos falar e ou nos importamos, ainda mais naquela altura do campeonato. Mas brilhante mesmo foram os atiradores de longe com suas miras nos corpos dos dois personagens em questão sendo ameaçados pelo Walter, atiradores “profissionais” que mais tarde descobrimos ser apenas os amigos do Jesse fazendo um freela para a malandragem (rs), aqueles dois que viviam se colocando na casa dele, que voltavam para uma despedida super bem humorada para a série.

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Depois tivemos a sequência da irmã ligando para a Skyler, que estava vivendo em um outro lugar, bem mais humilde até, avisando sobre a presença do Walter na cidade, a essa altura super temida por todos os lados depois que a sua história já havia se tornado pública, quando ao final da tal ligação, descobrimos que Walter já estava na casa, ao lado da Skyler durante o tal telefonema, ela que o havia recebido para a despedida que ambos mereciam ter, mesmo depois do plano diabólico e friamente calculado do Walter sequestrando a filha durante aquela sequência desesperadora da briga do casal em casa, que teve o Junior interferindo e entregando o pai para a polícia em um dos melhores episódios dessa reta final da série. Uma despedida que ela entendia que o marido merecia, mesmo depois de tudo o que aconteceu, principalmente em relação aos filhos, dos quais, ele teve a chance apenas de se despedir de perto da pequena Holly (e não sei como eles conseguiram fazer esse tipo de coisa, mas até a bebê acabou se revelando uma excelente atriz a essa altura. Sério!) e teve que se contentar em apenas observar o Junior voltando para casa de longe, sem arriscar nenhuma aproximação com o garoto (que ele amava, não temos a menor dúvida disso), que estava mais do que decepcionado com a revelação da verdadeira identidade do pai e acima de tudo, com o que acabou acontecendo com o próprio tio (aliás, a cena da tia e a mãe revelando a verdade sobre o Walter para o seu filho, também foi bem boa!). Uma cena dolorosa na medida certa, sem nenhum exagero ou qualquer coisa do tipo, algo que não caberia em uma série tão bacana e bem cuidada como sempre foi Breaking Bad e por isso agradecemos que esse tenha sido o caminho escolhido para encerrar essa história, que a propósito, conseguiu manter todo o seu fundamento até o fim, com as cores todas de volta (o verde, o amarelo, o roxo), cenas e sequências com olhares diferentes e sempre muito bem vindas dentro da série mesmo a essa altura, a volta do figurino antigo do Walter e diversas referências a mitologia da série que foram excelentes nessa reta final.

Até para a Lydia havia sobrado o resto do veneno que Walter manteve esse tempo todo escondido em sua própria casa, o qual ele fez questão de buscar para o acerto de contas com a mulher que havia se tornado a responsável pelos negócios. Nesse hora, poderíamos até considerar que Walter acabou sendo mais imprudente do que nunca, arriscando demais ao aparecer naquele café onde estavam Lydia e Todd (que a essa altura haviam se tornado uma espécie de casal, e por isso havíamos acompanhado tantas cenas com os dois durantes as aberturas dos episódios dessa reta final), principalmente se considerarmos a instabilidade da personagem diante de situações como essa, mas ao mesmo tempo, considerando o que Walter tinha a perder naquele momento, achamos que até que tudo bem ele ter agido daquela forma.

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Mas ainda restavam as duas últimas pontas soltas nessa história toda: os nazistas, que acabaram roubando toda a fortuna do Walter após a resolução da história com o Hank e o Jesse, o qual ele considerava seu maior inimigo/traidor/pure evil ainda vivo naquele momento. Após descobrir que os nazistas estavam com o Jesse, passamos a acompanhar algumas cenas aleatórias do Walter no deserto, construindo alguma coisa que a gente ainda não tinha muita certeza do que se tratava, mas sentíamos que aquilo tudo fazia parte de mais um de seus planos infalíveis, frutos de sua mentre calculista e sempre brilhante. E não deu outra, e antes do fim, Walter fez sua última visita para o tio do Todd (o chefe do clã nazista da série), que além dos vários milhões que havia lhe roubado, ainda lhe devia a cabeça do Jesse. E o reencontro de ambos personagens não poderia ter sido melhor, com Walter sedento pela cabeça do Jesse, o encontrando praticamente como um zombie de The Walking Dead, todo sujo e descuidado (mas ainda assim revoltado e sedento por aquele reencontro), mantido como escravo mesmo, que foi quando ele finalmente entendeu que o pior já havia acontecido com seu ex-aprendiz e a sua morte naquele momento já não se fazia mais necessária, porque Jesse já havia sido punido o suficiente pela quebra com o seu parceiro de longa data.

E foi quando descobrimos também que aquelas cenas aleatórias do Walter construindo algo no deserto, tratava-se de um plot à la Tarantino que se instaurava em Breaking Bad para encerrar essa história, com uma espécie de robô metralhadora (lembra do Jesse pedindo para o Mr White construir um robô para salvá-los de um plot dramático no passado da série? Então…), sim, eu disse um robô metralhadora e nada poderia ser mais inimaginável e ou legal para esse momento do que um robô metralhadora, que colocou fim na vida de todos aqueles nazistas, acertando de uma vez por todas a dívida que eles mantinham com o Walter. E foi lindo perceber que antes de apertar o botão para acionar o tal robô que havia sido construído com esse propósito, Walter já havia pensando rapidamente em salvar o Jesse, que apesar de qualquer coisa, a essa altura já não estava mais incluso no combo da vingança da carnificina que se transformou aquele lugar, sobrando inclusive e coincidentemente o Todd (que era o carcereiro do Jesse e eles nunca foram amigos) para o Jesse finalizar e a gente vibrar junto, sem a menor culpa. (cuspida no chão, seguida de um BITCH, em caixa alta)

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A essa altura, já não restava mais nada para Breaking Bad, a não ser a despedida entre Jesse e Walter e para isso, por mais que tenhamos torcido desde o começo para esse desfecho (sempre achei que o destino da série seria esse, não que eu tenha imaginado o caminho exatamente dessa forma, mas ainda assim…), confesso que não estávamos assim tão preparados para esse momento. E até nessa hora o Walter tentou manipular o Jesse pela última vez, oferecendo a arma que poderia acabar com a sua vida (detalhe que além do câncer em estado avançado e o personagem estar visivelmente debilitado nesse episódio final, durante o tiroteio do seu robô metralhadora – repararam que eu adorei esse conceito e não canso de repetir, não? – Walter já havia sido ferido por um das balas disparadas na ocasião), colocando o Jesse em uma posição semelhante a qual já encontramos o personagem no passado (por outros motivos, claro). Mas Jesse acabou fazendo a escolha certa dessa vez, optando por deixar o Mr Walter encarar o seu destino por ele mesmo e com um simples olhar a distância, ainda com medo e sem confiar muito um no outro, ambos se distanciaram e Jesse ganhou o seu momento “Need For Speed” (próximo projeto do ator no cinema), escapando em alta velocidade e finalmente encontrando a liberdade, além do seu final feliz, que demorou para chegar mas que precisava acontecer, pelo menos para algum deles e achamos ótimo que tenha sido para o Jesse.

Para Walter, sobrou a única opção de morrer como a grande lenda que além das circusntâncias e alguma ajuda do destino, ele acabou criando sobre ele mesmo. Despencando diante do grande  laboratório utilizado pelos nazistas a essa altura da história, Walter encarou pela última vez sua imagem distorcida e com a chegada da polícia ao local, o personagem acabou de fato assumindo toda a culpa daquela história e assim encerrou a sua trajetória, em uma cena recheada de simbolismo e a trilha sonora perfeita para a ocasião (mais uma utilização da trilha sonora com perfeição para o momento, diga-se de passagem). Um momento para se aplaudir de pé e enxugar as lágrimas na sequência. (que foi exatamente o que eu fiz, quatro dias depois do episódio ter ido ao ar, que foi apenas quando eu finalmente consegui assistir ao series finale e imaginem o meu desespero para tentar fugir de todo e qualquer spoiler sobre o assunto durante todo esse período interminável? #DRAMA)

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Dessa forma absurdamente sensacional, nos despedimos de uma vez por todas de Breaking Bad, com o final que não poderia ter sido mais perfeito, apesar de qualquer uma de suas falhas. Uma história que desde muito tempo nos apontava para esse desfecho, do qual seria bem difícil se sair completamente ileso, principalmente no que dizia a respeito a todos os principais envolvidos. Uma série que conseguiu manter seus padrões desde sempre e que como se não fosse o suficiente, conseguiu elevá-los ainda mais nessa reta final, nos deixando completamente satisfeitos com a forma com que eles escolheram para encerrar essa história. Um dos melhores finais para uma das melhores temporadas finais de uma das melhores séries de TV de todos os tempos. SÉRIE OBRIGATÓRIA PARA VOCÊ QUE ACHA QUE GOSTA DE SÉRIES DE TV E ASSIM MESMO, EM CAIXA ALTÍSSIMA.

E agora fazer o que para suprir essa necessidade de cristais azuis em nossas vidas? Encarar uma rehab e colocar tudo na conta do Vince Gilligan? (que eu queria dar um beijo na boca) Esperar para ver se aparece um novo vício bem bom? (por enquanto, está bem difícil, hein?) Ou morrer de medo de um dia receber de presente um convite para uma viagem para Belize?

Bem, por enquanto podemos ficar com esse final alternativo que acabou de sair no box de DVD com a Season 5 completa, que por lá chega no próximo dia 26 (por aqui estão vendendo um box da Season 5 dizendo “A 5ª Temporada Completa” de forma mentirosa, porque ele só contém os 8 primeiros episódios da Season 5, que está disponível também no Netflix até o 5×08), que nos insinua que tudo o que acompanhamos em Breaking Bad durante essas cinco temporadas, não passou de um sonho de um velho conhecido de  Malcolm in the Middle. Sério, #TEMCOMONAOAMAR e ou já estar morrendo de saudades?

R.I.P BrBa

 

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3 Respostas to “Walter White, Heisenberg, Mr Lambert e o final para se lembrar de Breaking Bad”

  1. Sandra Says:

    Qdo acabou, ainda anestesiada, aliás é difícil falar qquer coisa ainda (estou totalmente orfã)… a minha vontade tbem era dar um bjo na boca do Vince! Simplesmente sensacional! Achei que nada superaria a season finale de Six feet under, me enganei! Indico para todos que não conhecem e fico no aguardo das reações e comentários conforme vão assistindo! rs
    #mrwhiteforeverandever
    Adorei a review!

    • Essy Says:

      E como não ter essa vontade? Que série, não? Fiquei tão orgulhoso desse final, que até demorei para conseguir pensar em tudo o que eu gostaria de ter falado e provavelmente deixei várias outras coisas de fora.
      Hmm… realmente aqueles últimos 6 min de Six Feet Under foram históricos, pra lá de especiais. Mas Breaking Bad chegou lá e a finale foi inteira especial, tanto a temporada em si, quanto o próprio ep de encerramento.
      Eu fiquei morrendo de ciumes quando vi um monte de gente nova procurando pela série, mas depois pensei que ela e aceitei a ideia de que ela merecia mesmo ser assistida por todo mundo.
      THNKS!

  2. The Modern Guilt Awards 2013, o quinto ano do melhor prêmio de todos os prêmios | The Modern Guilt Says:

    […] Sem a menor dúvida, Breaking Bad foi a série do ano. Com um encerramento fora do comum de tão bom, a história de WW encontrou o seu ponto final com um dos melhores e mais satisfatórios episódios finais da história da TV. […]

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