A (minha) culpa moderna

bryan cranston 4 GQ

Quatro anos atrás nos conhecemos. Começamos a conversar aos poucos, ainda timidamente. Passamos a nos encontrar o tempo todo, cada vez com mais frequência e logo nos apaixonamos.

No começo, a gente fazia questão de se ver o tempo todo (e o universo conspirava a favor), não conseguia ficar longe um do outro por muito tempo, como qualquer tipo de relação clichê que estamos acostumados a encontrar por aí no cinema, ou na TV, embora eu me recuse a acreditar que vivemos uma comédia romântica. Aceito a categoria “dramédia”.

Aos poucos, nossa relação foi crescendo cada vez mais, atraindo cada vez mais as atenções, de pessoas que pareciam torcer para que a nossa história desse certo e ou tivesse algum futuro.

Pessoas que consideramos próximos de certa forma, principalmente para aqueles que se tornaram mais recorrentes e que insistiram em voltar, os quais (agradecemos!), passamos a reconhecer pelo avatar que ficou gravado em nossa memória fotográfica a cada visita (sim, eu decoro o avatar de vocês. Me aceitem e me respeitem) e assim, passamos a ter uma espécie de grupo de amigos, uma torcida, ou simplesmente algumas pessoas mais parecidas com a gente e todas reunidas em um mesmo lugar. É, formamos o nosso own book club da Oprah, sem livros, mas ainda assim, formamos. (essa sempre foi a minha meta de vida! Uma delas…)

Conversamos, descobrimos novas coisas, séries, filmes, músicas… magias (Höy!). Tanta coisa nova, algumas nem tanto assim mas sempre com fundamento. Tantos motivos para nos apaixonarmos novamente… ai ai, #TEMCOMONAOAMAR?

Reclamamos, pensamos por nós mesmos e deixamos bem claro a nossa opinião, mesmo quando ela não soava tão clara assim. Mas essencialmente e especialmente, nos divertimos muito e gastamos algumas risadas. E mesmo que sozinhos, em nossas casas, nos sentimos juntos, por algum motivo.

Logo alcançamos marcas inimagináveis (aquele do 1 milhão, lembra?) e começamos assim a incluir cada vez mais gente no nosso ciclo de amigos desconhecidos. Dividimos o que a gente adoraria poder comprar, quem a gente adoraria poder pegar (uma lista interminável, eu sei…), o que a gente gostaria de usar e algumas outras coisas de forma bem particular, que não sentimos vergonha em compartilhar. Não por aqui, sem culpa.

Mas o tempo foi passando e como todo mundo sabe que com grandes poderes adquirimos também grandes responsabilidades, a vida mudou, tudo ficou diferente do dia para a noite e nossos encontros deixaram de ser tão frequentes assim. Passamos a nos encontrar pouco, cada vez menos. Diminuímos nossa watchlist consideravelmente, não só pela falta de tempo, mas também pela falta de coisa boa de verdade na TV (e para ajudar, algumas de nossas séries preferidas morreram essa ano e ainda precisamos falar sobre isso em algum momento. R.I.P). Fomos menos ao cinema, não enfrentamos quase nenhuma maratona, não fomos ao show daquele que inspirou o próprio nome desse blog (falando por mim mesmo, até agora não acredito nisso. E não acredito que nessa, acabei perdendo o show do Travis também. Humpf!) e mentimos um para o outro dizendo que ficaríamos ausentes apenas por um tempo, quando na verdade, na prática e bem lá no fundo, a gente já podia sentir a sensação de que esse tempo poderia ser um pouco maior do que foi de verdade. (sorry!)

Ainda assim, mesmo que distantes e sem nos encontrarmos a todo instante, continuamos nos identificando, nos reconhecendo quando encontramos algo que sentíamos a necessidade de compartilhar um com  o outro, mesmo que o tempo e ou a falta de, ainda continuasse nos separando.  Enquanto isso seguimos em frente, tentando equilibrar todas as coisas que a gente gosta de fazer na vida e quase nunca consegue fazer ao mesmo tempo. Aceitamos novos desafios, pedimos boas vibrações quando nos sentimos com a corda no pescoço (e deu tudo certo, então, para quem torceu a favor, THNKS!) e mesmo de longe, sem ter notícias um do outro, continuamos voltando através da magia de um toque no F5.

Até esse ponto, esse post até poderia parecer uma triste despedida (para alguns, me incluindo), mas quem tem coragem de desistir de uma coisa que se tornou algo tão bom que facilmente se transformou em um vício diário?

E daí que o diário já não é mais a nossa realidade? Quem se importa se já não temos mais tempo para nos encontrar a todo momento?

O importante é que continuamos aqui, juntos, mesmo que agora com outra frequência, o que não significa que temos menos assunto para falar, porque isso todo mundo a essa altura já sabe que é o que não nos falta.

Por isso voltamos e estamos juntos novamente, ainda em fase de adaptação à nossa nova relação, que pode até parecer outra, agora envelhecida e com responsabilidades mais adultas (e por isso a tão falada falta de tempo), mas o importante é que continuamos aqui e isso deve ter um motivo, nem que seja só para a gente se encontrar e ainda se reconhecer e conseguir dar boas risadas com o que o outro tem para falar. Sendo assim, estamos conversados e espero que a gente tenha se acertado de uma vez por todas. Não quero passar mais tanto tempo longe, sério.

Ass (hole): Essy, cheio de culpa moderna.

 

ps: sim, achei que a melhor forma de voltar depois de um longo período (o maior deles por aqui desde então) separados, seria uma declaração de amor (tinha como alternativa um rap, se eu soubesse fazer um rap), que se não foi evidente, tenham a certeza de que foi a intenção. E sim, estou de volta. HURRAY!

ps2: talvez eu já tenha usado “Last Goodbye” do The Kills em algum outro momento de pedido de desculpas ou qualquer coisa parecida (será que me confundi com a vida real, agora? #DUVIDA), mas achei que poderia repetir a fórmula dessa vez. Gosto de pensar que ela é pra mim como “Don’t You Forget About Me” foi para o John Hughes, rs

♥ Já está seguindo a magia do Guilt no Twitter? Ainda não? @themodernguilt

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17 Respostas to “A (minha) culpa moderna”

  1. Dani Z Says:

    Ueba! Ele voltou, ele voltou. Ao ler o início do post temi que fosse uma despedida. Parecia que estavas nos preparando para um adeus. Mas não é, que bom. Imagino teu conflito já que és sempre tão caprichoso para escrever. Fico contente Essy. De verdade. Abração.

    • Essy Says:

      Voltei! Ainda sem tempo, correndo, mas voltei! Não poderia ficar longe para sempre. Nunca, JAMAIS!
      AMEI o “caprichoso para escrever” mas AMEI mais ainda a sensibilidade de ter entendido e ou imaginado o meu own conflito.
      THNKS! (♥)

  2. Maria Helena Bellini Says:

    Eu ameiiii esse texto! E quero deixar bem claro aqui que eu te amo, Essy! Bjos no seu coração!

    • Essy Says:

      Gente, Mari Bellini? THE MARI BELLINI?
      AMO! Saudades dos nossos almocinhos e risadas o dia inteiro no trabalho!
      Smacks no seu coração lindo também! #FOUFURICEPURA

  3. Denise Says:

    Ai, Essy, fiquei emocionada, acredita? Achei que você estava se despedindo e já comecei a pensar “Why? WHY???”. Apesar de sentir falta de vc diariamente, entendo que há prioridades. Você pode ficar longe uns tempos, mas não abandone o Guilt (e nós!) de vez, por favor! Eu também posso ter parecido ausente por não ter comentado seus últimos posts… Mas é que eles falavam de séries que não assisto (li, mas não comentei) ou estou começando a assistir (Before Midnight e Breaking Bad – não li para não antecipar os fatos).
    É bem como você escreveu, encontramos afinidades e mesmo não nos conhecendo, nos conhecemos. Vira e mexe cito você em uma conversa!
    E todos temos amizades assim, que não vemos sempre, mas quando encontramos, é como se tivéssemos nos visto há um dia ou dois… A distância e o tempo não tem efeito. Sem cobranças ou acusações, só felizes por estarmos juntos mais uma vez.
    E que assim seja para nós!!!
    Beijos!

    • Essy Says:

      Acredito. Fiquei super emocionado quando resolvi escrever também.
      Gostaria muito que a vida não tivesse tantas “prioridades” e que tudo pudesse ser feito da mesma forma. Mas sabemos que as coisas não funcionam assim para ninguém.
      Pior que eu sofro quando passo muito tempo longe, sabia? Tanta coisa que eu gostaria de dividir, comentar…

      Engraçado como a gente se conhece, mesmo dessa forma neam? Também sempre lembro das histórias que vcs me contam por aqui e acabo comentando com amigos e pessoas próximas, como se vcs também fizessem parte deles.
      Aí, vou ficar emocionado tudo de novo, já estou até vendo…
      Gosto muito desse tipo de amizade. São sempre as melhores!

      Que assim seja! Smacks! (♥)

  4. Maay Says:

    Encontrei uma biografia da Kate Moss que todo mundo deveria ter. Daí, quando a Kate estava começando a modelar, Mario Testino falou pra ela ”Sabe, na vida há perfume e há colônia. Colônia você tem que pulverizar a cada 15 minutos. Perfume você passa uma gota e ela dura uma semana. Você é perfume”.
    Faço das palavras dele as minhas.

    Essy s2

    • Essy Says:

      Ganhei a vida com essa proximidade em que vc me colocou com a Kate Moss no seu comentário. Só falta sair na Palyboy quando chegar os meus 40. (mas que demore pelo menos umas 5 décadas ainda, por favor! rs)
      AMEI a referência. Tá vendo porque eu não posso ficar longe disso aqui?
      THNKS (♥)

  5. Sandra Says:

    Vc me enganou direitinho, tbém achei que era uma despedida e já estava pensando o que escrever aqui, para a posteridade…😦
    A vida é assim, entendemos perfeitamente! Fico felicíssima por vc voltar! Eu fui uma das pessoas que passou por aqui por estes dias, tentando saber mais sobre a sua ausência.
    E que venham mais indicações, listas, reviews… fora que sei que vira e mexe sempre vai aparecerá por aqui alguma referência as nossas magias mágicas ruivas, vide foto! VC É ÓTIMO! Isso mesmo, falando bem alto, pois o momento é de emoção, não contida!🙂

    • Essy Says:

      Sorry pelo truque, rs
      AMO a compreensão de vcs e pelos números, percebi que realmente eu não fui abandonado.
      Mas o mais legal disso tudo são as coisas soltas que a gente conversa por aqui mesmo. Continuo amando fazer tudo isso, com menos tempo, mas ainda com bastante coisa para falar e já pensando em coisa novas.
      O duro é achar tempo, mas quem sabe ele não me acha?
      THNKS (♥)

      ps: tenho um compromisso com a magia mágica ruiva. Que ela nunca nos falte. AMEM!
      ps2: AMO comoção em CAIXA ALTA!

  6. GabiC Says:

    Quase me pegou, hein? Já estava quase chorando.
    Mas tudo bem, seja como for, mas que seja.
    Você nunca sairia dos meus favoritos. E eu nunca deixei de vir aqui dar uma olhada.
    Todo sucesso, Essy!
    Aprendo pra caramba aqui e os seus bordões eu levo pra vida. HOY!

    • Essy Says:

      Sabe que uma das minhas maiores diversões na vida sempre foi criar dialetos? rs
      Primeiro: AMO a ideia de ser um dos favoritos de alguém em qualquer coisa, rs
      E THNKS por não ter me abandonado também.
      (♥)

  7. Victoria Says:

    OMG!!! Que susto Essy! Já estava achando que era um GOODBYE (assim mesmo, em caixa alta),estava com o coração na mão e “tears on my face” (com se fosse Queen B), mas ainda bem está tudo certo.Mtos Bjs!!!!!

    PS: Nunca escrevo nenhum comentário,mas amo o blog❤ (Foi amor a primeira vista).

    • Essy Says:

      Entendo completamente porque sou dramaticamente dramático igual, vide o post, rs
      Ó, acho ótimo conhecer leitor novo. (novo querendo dizer que se manifestou pela primeira vez). AMO
      Agora está tudo certo mesmo. Só preciso acertar o ritmo de novo, mas continuamos juntos!

      ps: AMEI o “amor a primeira vista”

  8. Cleo Says:

    Fez falta, mas eu entendo… vida adulta, trabalho. Temos que mudar as prioridades. Mas. bom que está de volta. Eu me contento om um resumão semanal.

    • Essy Says:

      Vida adulta é muito injusta, não?
      Queria ter o tempo e a pele de anos atrás, com a experiência e o meu own dinheiro de hoje em dia, rs. Será que eu consigo? rs
      Vou tentar melhorar o meu ritmo por aqui. Juro!

  9. The Modern Guilt Awards 2013, o quinto ano do melhor prêmio de todos os prêmios | The Modern Guilt Says:

    […] aqui iria me fazer, incluindo conversar com vocês nos comentários, resolvi ser honesto e fazer esse post fazendo uma mea culpa […]

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