A temporada menos política e mais comédia romântica de The Newsroom

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No passado, com uma história política bacana que conseguia brincar com fatos reais e importantes para o mundo todo (alguns mais, outros menos), The Newsroom chegava para se firmar rapidamente como uma das melhores novidades da temporada. Apesar de séria, ela também conseguia brincar com o lado “comédia romântica” da coisa, algo que algumas vezes até nos fez torcer bastante o nariz, mas logo conseguimos reconhecer que a nova série tinha um potencial que ia além desse detalhe muitas vezes irritante. Mas acima de qualquer coisa, The Newsroom ainda chegava com a assinatura do Aaron Sorkin (gostaria de saber como anda o projeto dele com o John Krasinski a respeito do Chateau Marmont, do qual nunca mais se ouvir falar nada…), o que por si só já nos fazia ter algum interesse e ou esperança em relação a nova série.

Entre altos e baixos em sua Season 1, eles até conseguiram um saldo bastante positivo em relação ao que não foi tão bacana assim durante a temporada, conseguiram brincar lindamente entre o campo dos fatos reais que se mesclavam com a história do mundo e ainda conseguiram manter um nível bem bacana mesmo na parte “cômica romântica” da questão. Apesar de qualquer coisa, era fácil conseguir reconhecer que a força maior da série estava mesmo no lado político da história, tanto pela crítica em relação a qualquer assunto delicado do passado (a série começa em alguns anos atrás e ainda não chegou aos dias atuais, mas agora já está bem perto disso, algo que eu acho preocupante…), quanto pela postura adotada pelo seu texto impiedoso e recheado de argumentos prontos para defender o seu ponto de vista ferozmente (mesmo colocando o seu protagonista como pertencente ao grupo do outro lado da força). E assim eles fizeram ao longo de sua temporada de estreia, onde em diversos momentos, apesar de nos sentirmos um tanto quanto perdidos de vez em quando na questão política quando o assunto em questão era algo mais voltado a realidade do povo americano e não em relação a assuntos que faziam de alguma forma parte do resto do mundo, The Newsroom conseguiu inclusive nos emocionar por diversas vezes, mostrando principalmente um lado quase que poético de se fazer jornalismo na TV, algo que certamente deve ter sido inspirador para quem divide a mesma profissão, apesar de pouco real e talvez um tanto quanto distante demais da realidade.

Pois nessa segunda temporada, acabamos esperando um pouco mais do mesmo, pelo menos da parte boa que conseguimos encontrar ao longo do começo dessa história, mas parece que eles resolveram inovar e a proposta para essa segunda temporada acabou sendo um tanto quanto diferente. Talvez por terem queimado cartuchos importantíssimos ao longo da primeira temporada em relação a notícias de importância mundial (pensando no volume de assunto que foram tocados durante a Season 1, é fácil reconhecer que na atual temporada, tivemos um volume bem menor de histórias e ou fatos políticos relacionados a série), ou apenas para realmente tentar algo novo, The Newsroom resolveu manter apenas um plot central em evidência ao longo da temporada, mantendo a maior parte de sua Season 2 centrada em um caso baseasdo em um erro jornalístico, uma entrevista incriminadora forjada, pela qual a equipe de McAvoy acabou sendo julgada como responsável. Um plot também bastante atual de certa forma, envolvendo questões políticas fictícias mas não tanto assim, como o uso de gás sarin em civis a favor do exército americano em batalha.

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Nesse caso, eles acabaram presos durante muito tempo dentro de uma única questão, deixando um pouco mais de lado os assuntos políticos diversos que foram tão bem explorados ao longo da Season 1 e que nós reconhecemos logo de cara como o grande forte da série. Mesmo deixando tudo isso de lado, The Newsroom conseguiu se manter como uma série interessante, até que o assunto acabou se tornando massante demais, mesmo porque, apesar de só terem nos revelado o que realmente havia acontecido com a tal reportagem forjada bem próximo do final da temporada, havia uma desconfiança geral de que o novato na equipe (sim o irmão magia nerd da Old Christine), aquele que estava de olho no cargo do Jim, estava mais do que envolvido na questão toda e não os demais membros antigos da equipe, ou alguém realmente ficou surpreso com a revelação? Por favor, me respeitem.

Apesar de ter menor espaço, as questões políticas ainda fizeram parte da nova temporada da série da HBO, com o tea party ainda revoltado com os insultos ao vivo do Will e a campanha política da reeleição do presidente Obama, que também foi bem presente ao longo dessa nova temporada. Nessa segunda opção, tivemos o Jim sendo mantido um tanto quanto afastado demais da redação, algo que não pode ser deixado de se apontar como mais um dos pontos negativos da temporada, uma vez que nos apaixonamos completamente por ele desde o seu primeiro tropeção dentro daquele ambiente de trabalho e por esse motivo, lamentamos a sua ausência dentro daquele cenário.

Acompanhando a campanha do oponente do Obama (Romney) naquela época apenas para ficar longe da Maggie (que usou a pior peruca da história das piores perucas da TV nos últimos 150 anos luz), Jim acabou se envolvendo em histórias menos interessantes e de quebra ainda trouxe uma nova personagem para a trama (chatinha…), algo que a essa altura não se fazia necessário, uma vez que a questão toda envolvendo a Maggie, sua melhor amiga (que para quem não ligava muito para a situação no começo até que está apaixonada e ou rancorosa demais, não?) e ex do Jim, ainda não havia sido totalmente resolvida. Outro ponto fraco da história foi toda a questão envolvendo a justificativa para o novo corte pavoroso da Maggie pós ida a Africa (sério, o que era aquela peruca e porque ela não foi no salão dar um jeito naquele corte feito a foice por ela mesmo?), que mais tarde acabou sendo explicada com uma historinha até que bem bonitinha, mas que acabou bem perdida em meio ao foco central da temporada.

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E se o lado político em questão acabou ficando realmente um tanto quanto de lado ao longo dessa Season 2 e em compensação, o lado “comédia romântica”  nunca esteve tão presente na série e confesso que acabou sendo um dos atrativos a parte para essa temporada visivelmente mais fraca em termos de assuntos realmente interessantes para The Newsroom. Teve toda a questão da Sloan com o Don (quem eu acabei vendo com outros olhos durante essa Season 2. Ele, e não ela, que fique bem claro), que foi bonitinha mas foi só isso também, a própria história inacabada do Jim com a Maggie (que parece que não vai ter fim tão cedo, nem com outra excursão no ônibus de Sex And The City) e é claro que o grande plot central dentro desse gênero na série, que sempre foi a história mal resolvida entre Will e MacKenzie, que a essa altura parecia também não ter mais fim, mas que finalmente chegou a um ponto pelo qual esperamos desde a Season 1, com Will finalmente conseguindo ter coragem de pedir a mulher da sua vida em casamento, o que de fato aconteceu e foi um momento bastante especial para a série política.

Mas é claro que até chegarmos a essa ponto, fomos enrolados com uma série de pormenores, com encontros e desencontros envolvendo o casal, além do despejo de mais algumas mágoas dessa relação conturbada e novos affairs que na verdade, pouco nos despertaram qualquer tipo de interesse. E novamente tivemos a questão do Will ser o chefe da MacKenzie e ela estar a frente do caso da matéria forjada, o que de certa forma só foi mesmo uma distração não muito eficaz em relação as nossas suspeitas para o que aconteceria até o final dessa segunda temporada, ou alguém achou mesmo que a MacKenzie seria deemitida ou que pior, Will, Chartlie (sempre excelente) e a própria MacKenzie fossem bancar aquela história da demissão em grupo? (também achei meio repetitivo o plot dos demais da redação oferecendo suas próprias cabeças nessa hora, algo que lembrou demais aquela metáfora do filme antigo da Sessão da Tarde utilizada pelo próprio Will no começo da primeira temporada)

Por todos esses motivos, podemos dizer que a Season 2 de The Newsroom acabou sendo bastante problemática e isso aconteceu principalmente porque eles resolveram tentar algo novo, distante da fórmula que já havia dado bastante certo ao longo da primeira temporada. Um risco que eles decidiram tomar e que não foram tão felizes assim com a sua execução. Conseguiram consertar o lado comédia romântica da coisa, que tanto nos incomodava no passado? Até que conseguiram, porque essa talvez tenha sido a parte menos chatinha da Season 2, mas em relação as questões políticas que encontramos ao longo da temporada de estreia e aquela emoção toda que eles conseguiram nos despertar facilmente naquela época, realmente ficaram a desejar e faltou um pouco mais de variedade nessa área para que a gente conseguisse reconhecer e identificar a série com o que já havíamos visto anteriormente. Me lembro de no passado ficar confuso, buscar informações sobre o que eles estavam falando ao longo do plot do episódio e dessa vez, não foi necessário o menor esforço para conseguir acompanhar aquelas miseras questões que apareceram. Uma pena, porque nós que gostamos desse tipo de série, gostamos de pensar também.

De qualquer forma, The Newsroom continua sendo uma grande série. Pode não ter sido a melhor, mas continua valendo a pena.

 

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