Sherlock, parte 3

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Quase dois anos de espera (sim, o terceiro episódio da Season 2 foi ao ar em 15/01/12), apenas mais três episódios de uma hora e meia de duração cada e mais uma temporada sensacional de Sherlock. SENSACIONAL! Com a desculpa da agenda concorridíssima de suas duas maiores estrelas (Cumberbatch + Freeman), que agora também parecem que foram finalmente reconhecidos em Hollywood, tivemos uma longa espera para o retorno de uma das melhores séries britânica. Eu diria até que a melhor série indeed no ar hoje, mesmo ficando com os meus dois corações apertados por conta do meu amor incondicional por Doctor Who. Mas podemos dizer que valeu a pena, não esperar, porque essa espera longa demais é sempre uma covardia covarde, mas o fato de aguardarmos tanto tempo para receber de presente três episódios como esses, acaba compensando qualquer coisa. Mas que a gente gostaria que fossem mais (não 22 como na America antiga, mas uns 6 pelo menos?), a gente bem que gostaria.

Para essa temporada, começamos com a notícia velha de que “#SHERLOCKLIVES”. Velha porque para a sua audiência, no final da Season 2, o próprio já havia aparecido e com isso, a dúvida da sua morte já não mais existia e o que a gente gostaria mesmo de saber era como isso foi possível, uma vez que vimos o próprio pulando do telhado de um prédio, de frente com o Dr Watson, para o seu (e nosso) total desespero. Mas restava esclarecer esse pequeno detalhe e nessa hora, ganhamos um episódio cheio de possibilidades, que brincou com a mente de sua audiência mostrando diferentes cenários para o mesmo crime, nos dando algumas opções para o ocorrido, todas muito bem pensadas por sinal, meio exageradas até e algumas com um toque de humor inglês que é sempre bem vindo, como a possibilidade criada por uma de suas fãs (a Ray de My Mad Fat Diary), imaginando uma história de amor entre Sherlock e Moriarty, que foi divertidíssimo e totalmente inesperado. (com direito a uma quase beijo, olha só!)

Mas além desse esclarecimento, restava ao Sherlock a tarefa de enfrentar o grande amor da sua vida (sejamos sinceros, eles se amam, de uma outra forma, mas todo mundo sabe disso), seu amigo e companheiro que havia passado esse tempo todo de luto, Watson, acreditando na morte do parceiro e obviamente, sofrendo e muito por isso. E quando finalmente chegamos ao momento do confronto, novamente recebemos de presente o alívio cômico da série, com uma briga no melhor estilo dramalhão mexicano, com o Sherlock recorrendo ao humor para surpreender o amigo com a notícia de que estava vivo e Watson enlouquecendo, partindo para cima dele por mais de uma vez, em cenários diferentes, em um misto de drama e pastelão muito bem executado, com espaço para diversas piadinhas a respeito da nova tentativa de estilo do próprio Watson, que a essa altura havia adotado um bigode bem do meio assim durante esse período de luto.

Como novidade, ganhamos uma personagem a mais para essa relação já tão conturbada entre os dois, Mary (Amanda Abbington), que havia roubado o coração do Watson, de quem ela estava noiva e Holmes teve que amargar ter perdido esse momento da vida do amigo. Claro que para aguentar um Sherlock presente em boa parte de sua vida por conta da sua relação com Watson, Mary precisava ser uma mulher bem humorada e que tivesse coragem de dizer algumas verdades para o Sherlock que pouca gente teria, além de uma petulância natural em enfrentá-lo de vez em quando, discordando do seu ponto de vista e ou acrescentando detalhes perdidos pelo detetive. Apesar de extremamente doce e de ter uma relação com aparentemente zero problemas com Watson, já nesse primeiro encontro entre os três, quando o detetive fez sua primeira leitura sobre a Mary, uma série de palavras pipocaram na tela e entre elas estava “liar”, que coincidentemente foi o que me chamou a atenção e me fez voltar a cena para ver se eu tinha visto direito. Além disso, um olhar mais demorado e de leve desconfiança do próprio Sherlock em relação a escolhida do seu amigo em um determinado momento chegou a chamar a atenção para quem assim como eu, é mais apegado a esse tipo de detalhe. Mas nada que nos denunciasse qualquer outra coisa. Pelo menos por enquanto.

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O bacana desse primeiro episódio da Season 3 é que fomos muito bem representados pelo fandom do Sherlock na própria série, que inconformados com a sua “morte’, se mobilizaram para imaginar as tais possibilidades para o que de fato pudesse ter acontecido no telhado daquele prédio, com a diferença de que na série, eles foram mais fundo e acabaram sendo os próprios responsáveis pelo caso da vez, em uma tentativa desesperada porém bastante inteligente para despertar a curiosidade do detetive do “mundo dos mortos”

Seguindo com a temporada, ganhamos o episódio mais divertido da série até hoje, ele que foi também responsável pela confirmação de que essa seria a temporada mais bem humorada da série e isso ficou por conta do dia em que o Dr Watson se casou com a Mary e resolveu chamar o Sherlock para ser o seu padrinho. Muito provavelmente em uma tentativa de humanizar um pouco mais o personagem, ganhamos um Sherlock visivelmente mais leve ao longo dessa Season 3, talvez pela culpa de ter forjado sua própria morte e ter permanecido tanto tempo longe do seu amigo (e consequentemente de todos nós). Amigo que ao escolhê-lo como padrinho, acabou assumindo que ele era sim o seu melhor amigo, para total desespero do personagem, que não é tão genial quanto parece quando o assunto são sentimentos de verdade e não um detalhe prático qualquer.

Aqui, ganhamos um Sherlock talvez pela primeira vez se dando conta da importância da sua relação com aquele homem, se sentindo realmente querido por alguém e nesse hora, o mesmo não pensou duas vezes ao assumir o posto de melhor amigo (quer dizer, até pensou duas vezes sim e ficou tão surpreso com o convite que chegou até a tomar um “chá de olho”. Sério), entrevistando severamente alguns dos convidados principais da festa e fazendo um breve levantamento sobre todos eles, com direito a mapa na parede do tipo Homeland e um Sherlock fofíssimo e comportado sentado no chão, dobrando guardanapos no formato do Sydney Opera Hall, confessando que alguns de seus talentos descobertos recentemente (como dobrar guardanapos em formatos exóticos) vieram de suas também recentes excursões a tutoriais no Youtube.

Além de extremamente cômico e de ter assumido o volume de humor da temporada, esse também foi um episódio complexo, com algumas voltas no tempo para antes do casamento e de quebra, a inclusão de um caso sem solução que havia lhes chamado a atenção enquanto Watson tentava fugir de sua noiva e um Sherlock organizador de festas, envolvendo inclusive um personagem do passado do próprio, relembrando mais uma vez os seus tempos de guerra, além também de algumas memórias de casos divertidíssimos da trajetória dessa dupla que não tivemos a chance de acompanhar. E e tudo isso em um cenário lindo, com cara de casamento que a gente adoraria ter sido convidado e até teria comprado presentes bons.

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Mas se esse foi definitivamente o episódio que estabeleceu o humor da série para essa temporada e o assumiu como a sua maior arma nesse momento, ele também foi uma dos mais fofos para a mitologia da série. Do momento já mencionado, com o Sherlock congelado no tempo ao ouvir o convite para ser o padrinho do Watson e consequentemente, que ele era o seu melhor amigo (algo que provavelmente ele nunca imaginou conseguir ser para alguém), ao momento do discurso preparado tragicamente pelo próprio Sherlock, que no final das contas, conseguiu salvá-lo muito bem, entre esses dois momentos, tivemos as melhores declarações de amor entre ambos os personagens, do tipo que consegue te deixar com aquele nó na garganta, mesmo vindo na sequência de uma série de verdades e ofensas ditas pelo Sherlock himself, claro.

É claro também que como Sherlock apesar de ter se assumido um pouco mais como uma séria também cômica, basicamente sobrevive (além de todas as suas qualidades, que não são poucas) do suspense, como resolução para essa primeira e provavelmente única vez do Sherlock como padrinho, ganhamos uma espécie de jogo como “detetive” em pleno casamento, com um Sherlock enlouquecido tentando resolver o crime da vez, eliminando possibilidades e mais uma vez utilizando do recurso da tipografia, que a essa altura, já faz mais do que parte da identidade da série.

Identidade essa que continua sendo fielmente mantida, com todo o fundamento que aprendemos a admirar e reconhecer na série desde suas primeiras temporadas (Season 1 e Season 2), com uma fotografia excelente, recursos tipográficos que nos ajudam a compreender  o que está acontecendo em cena e ou na cabeça do próprio Sherlock (em seu “palácio mental”), além daquele olhar super bacana que eles sempre escolhem para nos ilustrar uma cena. E tudo isso pertencendo muito bem dentro desse universo, sem nos deixar com a impressão de que eles estão apenas se “exibindo”, como é bem possível reconhecer a quilômetros de distância em séries do tipo procedural mais endinheiradas.

Detalhe que nesse episódio, antes de se dar conta que apesar do amor que conseguiu sentir naquele momento, ele continuava sozinho (a cena dele reconhecendo essa fato na pista de dança é linda e a prova de que Sherlock jamais ficaria sozinho em uma pista de dança veio logo depois, com o Cumberbatch dançando animadamente ao lado do Fassbender. Confirmou!), antes de deixar a festa e a sua valsa como presente para os noivos (um detalhe lindíssimo por sinal), tivemos um momento clássico com mais uma vez o Sherlock sendo sincero demais e falando o que não deveria, revelando ao casal que eles além de recém casados, estavam também grávidos e nesse momento, por mais uma vez ganhamos um olhar um tanto quanto demorado demais em relação ao próprio e a Mary, algo que de certa forma me despertou a possibilidade de que ele tivesse enxergado algo mais nela naquele momento. Mas até aqui, tudo isso poderia ter sido apenas uma impressão minha.

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Até que partimos para o grande final dessa temporada, que apesar de ter nos apresentado um novo vilão (Magnussen), sem ter nos demonstrado exatamente qual era a sua magnitude, tivemos uma perfeita amarração entre as histórias dos outros dois episódios, que de alguma forma, estavam todas atreladas para o desenrolar dessa terceira temporada da série inglesa. Um episódio absolutamente sensacional para uma temporada que havia começado pela morte ficticia do prório Sherlock e que voltava para o seu encerramento nos propondo o personagem de fato enfrentando algo bem próximo da morte de forma real, nos fazendo passar boa parte dele dentro do seu próprio palácio mental, onde descobrimos até a sua zona de conforto, que atendia pelo nome de barba ruiva . (Confirmou! Sherlock é dos nossos)

Sim, nele e corajosamente bem antes da sua metade, tivemos Holmes enfrentando a morte de perto, ao ser baleado no peito por ninguém menos do que a própria Mary do seu Watson, ela que também tinha alguma relação mal resolvida com o vilão da vez que parecia saber de tudo por uma espécie de Google Glass (mas que na verdade, não era exatamente isso), para a surpresa de todos, mas acho que podemos afirmar nesse momento que ninguém ficou mais surpreso do que o próprio Sherlock nesse caso. (eu pelo menos matei na hora em que eles mencionaram o perfume. E que propaganda hein? Dior, Chanel, Prada…)

E mais uma vez, foi lindo ver como a relação desses dois personagens principais é baseada na lealdade (palavra importantíssima na minha own vida ultimamente… tisc tisc), com a Mary ameaçando o Sherlock em relação a ele revelar para o Watson que ela havia atirado no mesmo e ele imediatamente arquitetando uma instalação artística com direito a projeções gigantescas e alguns truques para arrancar a sua confissão diante do agora marido Watson, para o total desespero da personagem.

Nesse hora, eu só não gostei muito dos mind games envolvendo a parcela de culpa do Watson por sempre escolher “o errado” para se aproximar em sua vida, tão pouco a questão daqueles petelecos todos na cara envolvendo o vilão da vez na cena final. Achei que para o personagem, esse detalhe não coube tão perfeitamente, algo que caberia muito melhor para alguém com um nível de arrogância tão avançado quanto o Sherlock, por exemplo. Mas ainda assim, temos que aceitar que de vez em quando, a gente é quem realmente atraí esse tipo de coisa para nossas vidas, infelizmente, algo que todos nós sabemos que é uma verdade e talvez por isso deixamos passar na série.

Apesar de ter desmascarado a Mary, não ficou claro suas verdadeiras intenções naquele momento em relação ao crime, tão pouco o que o tal Magnussen sabia a seu respeito a ponto de colocá-la naquela posição de assassina. Algo que a própria resolveu tentar esclarecer mais tarde, deixando um pen drive com o próprio Watson, contendo a sua verdeira identidade e história. E novamente, apesar também de ter encontrado algumas falhas nessa relação de amor, onde acabou ficando muito mais claro o grau de envolvimento do Watson com essa relação, quando ele resolveu jogar o pen drive no fogo e esquecer o passado da futura mãe de sua filha (sim, a chance maior segundo ele mesmo é que seja menina) do que em relação a própria Mary e o seu envolvimento com o atual marido. Mas ainda assim, foi bem bonitinho o Sherlock promovendo uma excursão no natal  até a casa dos seus pais (que haviam aparecido em um outro momento da temporada), na tentativa de demonstrar para o casal em crise do momento um outro tipo de relação que eles poderiam se inspirar em ter e tudo isso com direito a um Mycroft amargo de companhia e odiando o natal, além do novo protegê do próprio Sherlock, um viciado que ele acabou conhecendo na “cracolândia”, onde o personagem passou a viver por uns tempos logo depois do casamento do seu melhor amigo (fazendo uma piada ótima em relação ao seu vício em drogas, que estava um tanto quanto adormecido), e talvez esse detalhe tenha nos dado uma pista de que ele não estava se sujeitando a drogas naquele lugar apenas pelo caso da vez e sim para tentar se livrar da dor de ter perdido o homem da sua vida, não? rs

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Mycroft também apareceu em momentos importantes ao longo dessa Season 3, dentro do tal “palácio mental” do Sherlock, dando dicas importantes em relação ao seu comportamento e além disso, dividiu também um momento super fofo com o irmão, com ambos tentando esconder da mãe o fato de que estavam fumando do lado de fora da casa e o próprio Sherlock tentando incriminá-lo na maior cara de pau, como duas pessoas absolutamente comuns (que é bom lembrar de vez em quando que eles são). Outro ponto de extrema doçura ao longo da nova temporada aconteceu quando acabamos dando de cara com a memória do Sherlock criança, revelando um pouco mais da fragilidade do personagem, assim como aquela cena fortíssima (e linda) que encerrou o episódio, com ele criança se rendendo em meio a todos aqueles homens armados.

Em termos de crítica, podemos dizer que a atenção dada ao lado cômico da série não foi a mesma para a questão do suspense, que apesar de também ter sido muito bem executada como sempre, acabou ficando um tanto quanto mais fraca em relação as grandes resoluções (as maiores delas, tipo o caso da Mary e o que fazer com um vilão como o Magnussen), que foram um pouco mais óbvias ao longo dessa temporada. Não sei se foi a saudade da série e o longo tempo que tivemos que aguardar para o seu retorno, mas digamos que dessa vez, as pistas deixadas ao longo dos episódios foram mais óbvias ou pelo menos mais fáceis de se perceber. Será que é porque a essa altura, já estamos muito mais bem treinados?

Dessa vez, não tivemos uma grande revelação e ou grande plot dramático para encerrar a temporada e sim um Sherlock assumindo o posto de vilão para se afirmar como o grande herói da vez. E tudo isso baseado no sentimento que ele tem em relação ao melhor amigo Watson, que agora se estende para a sua “executora”. Uma resolução sentimental, que ainda nos trouxe uma despedida linda e novamente muito bem humorada entre os dois melhores amigos, com direito a um Sherlock tentando a qualquer custo que o amigo batizasse seu filho com o seu nome, inclusive se fosse uma garota. Mas essa despedida ainda trazia um gostinho muito mais amargo, com o detetive seguindo para uma espécie de exílio, onde segundo o próprio irmão database Mycroft, ele não duraria muito.

Até que no último momento, fomos surpreendidos com uma imagem que ecoava em todas as TVs da terra da rainha, com alguém importante perguntando se estávamos com saudades. Alguém que era ninguém menos do que o próprio Moriarty, a princípio apenas como uma espécie de GIF animado, mas quem aguardou até o final dos créditos como bem fez questão de lembrar o locutor, pode conferir a sua versão em carne e osso. Agora não me perguntem como é que eles vão conseguir explicar como Moriarty não morreu (e a gente sabe que eles vão conseguir), porque isso nós só saberemos durante a próxima temporada da série, que já faz tempo que tem feito por merecer cair no gosto do público, hein?

E eu sinceramente não consigo acreditar em como é que uma série com todas as qualidades de Sherlock, consegue passar tão batido em toda e qualquer premiação de TV fora da terra da rainha. Suspeito que esse mistério nem o próprio Sherlock consiga explicar. Mas que merecia ser reconhecida também por isso, merecia…

 

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