Por favor gostem de mim, mas gostem dele também

Please-Like-Me

Assistimos séries americanas o tempo todo, somos apaixonados por várias maravilhas inglesas e de vez em quando, do meio do nada, nos deparamos com algumas surpresas vindas daqui e dali: dinamarquesas, francesas, séries que com o tempo também acabam garantindo espaço em nossos corações e em nossas agendas televisivas.

Dessa vez, a surpresa veio no formato de uma comédia australiana, praticamente um canguru (rs), mas daquelas que tem muito mais cara de dramédia do que qualquer outra coisa. Ela é Please Like Me, criada e estrelada por Josh Thomas, uma série baseada em suas próprias experiências do cotidiano de um jovem adulto que descobre ser gay após se ver interrompendo um relacionamento de longa data com a antiga namorada, que a propósito, é quem acaba lhe abrindo os olhos para a aceitação da sua realidade, de forma bem madura e sem grandes dramas, conseguindo manter uma relação de amizade com o personagem mesmo depois dessa descoberta.

Até esse ponto, a série poderia facilmente estacionar em um lugar comum frequentado por diversas outras do gênero (tisc tisc… Looking… tisc tisc), mas a trama vai ganhando novas camadas e vai ficando cada vez mais adorável e interessante a medida em que vamos conhecendo um pouco mais da vida de Josh e sua família que encontra-se passando por uma crise devido ao divórcio de seus pais, algo que acabou não ficando muito bem resolvido para sua mãe e ao mesmo tempo em que o personagem se encontra diante de um novo mundo de possibilidades sendo um homem gay e finalmente livre para experimentar o novo e ainda inexplorado, ele também se encontra tendo que se aproximar mais da mãe e cuidar da mesma, uma vez que ela acabou tentando o suicídio por conta do seu drama pessoal com o divórcio.

Com isso, ganhamos uma série de outras possibilidades para Please Like Me e ao mesmo tempo em que vamos descobrindo junto com o personagem principal a sensação de finalmente poder ser quem ele é, acabamos também tendo que voltar a sua raízes, assistindo de perto todo o drama que se instaurou em sua família devido ao problema de sua mãe. E apesar do assunto recorrente em sua casa ser o “suicídio” e o medo de que sua mãe acabe atentando contra a própria vida novamente, tudo é tratado de forma muito natural também dentro desse cenário muito mais dramático do que o seu outing, o que torna a série ainda mais especial em todos os aspectos.

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Tentando restabelecer alguns laços perdidos ou distantes com sua família, Josh se vê obrigado a ter que se aproximar bastante dos pais, acompanhando de perto a forma como sua mãe (Debra Lawrance) decidiu encarar a sua atual situação enquanto uma mulher divorciada e até então sem ninguém a vista para tentar algo novo e seu pai (David Roberts), que está visivelmente passando por uma crise de meia idade, embora esteja um passo a frente no quesito evolução, já com sua nova companhia que para a nossa sorte, além de tudo, é também uma personagem bem querida e que consegue entender o seu lugar dentro dessa situação tão delicada para aquela família naquele momento. Que bom seria se fosse assim para todo mundo, não? (#aproveitandooespaçopararesolverseusprópriosissues)

Mas todo esse drama da questão mal resolvida entre seus pais acaba quando sua mãe decide também dar uma passo a frente, resolvendo começar a namorar pela internet, e tudo isso com a supervisão do filho que tenta ajudá-la a escolher o melhor modelo para um primeiro encontro ou coisas do tipo. Com seu pai tudo também é bastante tranquilo e de vez em quando pegamos Josh tentando fazer a ponte de comunicação entre os dois, que nem sempre conseguem entender quais são os limites para essa nova situação familiar na qual eles todos inevitavelmente se encontram e continuam envolvendo o filho nas mais embaraçosas situações.

Ainda falando em relações familiares, outra que acaba roubando a cena de certa forma é a relação Josh e sua tia Peg (Judi Farr), que é uma mulher mais velha e com uma cabeça um tanto quanto “diferente” para algumas questões, incluindo a homossexualidade do sobrinho, mas que uma vez que consegue entender e enxergar de perto a forma como os gays ainda são tratados por parte da sociedade hoje em dia, mesmo em um cenário tão importante para a personagem que é a igreja a qual ela frequentava, Peg não pensa duas vezes antes de defender o sobrinho diante dos “olhos de Deus”, em uma cena super clichê e nem por isso menos comovente e ou bem bacana para a história.

E o que torna a série verdadeiramente adorável é a honestidade da sua abordagem (algo que nós sempre preferimos), que é facilmente encontrada em todos os episódios dessa curta primeira temporada (são apenas 6 episódios e se até eu com a minha atual agenda consegui assistir facilmente, você também irá conseguir). Todos os assuntos, inclusive os mais constrangedores, como ficar pelado na frente de alguém pela primeira vez ou decidir as preferências no caso de uma relação gay, tudo isso acaba soando bastante natural e porque não dizer familiar em diversas ocasiões (mesmo que você não seja gay, porque amor é amor e todos nós enfrentamos algumas primeiras vezes na vida quando o assunto é qualquer tipo de relação a dois), onde é possível se identificar com os pequenos problemas do dia a dia da vida do Josh.

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É importante dizer que a série, apesar de tratar um clichê já bastante discutido na TV e no cinema, tem um tratamento bastante especial para todas essas questões, tanto as familiares quanto em relação a sexualidade do Josh, que é o plot central da série mas não é o mais importante dela e não chega a roubar a cena, apesar de estar presente em toda ela. Talvez essa sensação seja estabelecida justamente pela naturalidade com que essas situações todas nos são apresentadas ao longo da temporada, sempre de forma direta, sem muitas voltas, mas ao mesmo tempo de forma doce, conseguindo deixar bastante convincente que aquele personagem realmente ainda seja completamente inexperiente diante de todos aqueles assuntos e questões.

O personagem principal ainda divide seu espaço com o melhor amigo, Tom (Thomas Ward), que morando juntos e dividindo quase tudo e juntos, eles acabam criando uma espécie de relação de irmãos que é algo notável e adorável. Josh aproveita a vantagem de pensar rápido e amparado nessa sua facilidade, vive atacando o roommate, demonstrando logo de cara que não existe a menor tensão sexual entre os dois e a questão entre eles não se trata de um bromance (que nós também adoramos quando aparece em um cenário heterossexual), provando mais uma vez que ninguém precisa viver em pequenos nichos para se sentir compreendido e amado. Tom por sua vez, se vê absolutamente surpreso ao descobrir que seu hommie é gay e logo de cara, é quem mais quer conversar sobre o assunto com o Josh e não pela surpresa e sim, muito mais pela curiosidade e questões que o próprio acaba levantando sobre o assunto.

Através de seu melhor amigo Tom, Josh acaba conhecendo também seu primeiro namorado, Geofrey (Wade Brigs) o qual ele reluta um pouco em assumir como tal, mas logo não consegue esconder que está se apaixonando, mesmo porque, além da magia, Geofrey é super foufo e de certa forma, impulsiona Josh a se assumir diante da sua família, uma passo bastante importante e que na série, também aparece com bastante naturalidade, apesar de acontecer quase que por acaso e ou de surpresa, em uma outra circunstância.

O bacana é que dessa forma, colocando o personagem principal se descobrindo gay a essa altura da vida, conseguimos acreditar em toda aquela estranheza que ele sente ao se deparar com algumas situações pela primeira vez, dando uma maior credibilidade para o personagem, ao contrário de Looking por exemplo, que já começou com personagens completamente fora do armário, com mais ou menos 24 anos e ainda assim um tanto quando inexperientes em alguns assuntos, mesmo com eles comentando que já estão na estrada tem tempo. Mas sobre esse assunto conversaremos melhor em breve…

 

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Uma resposta to “Por favor gostem de mim, mas gostem dele também”

  1. Keep looking | The Modern Guilt Says:

    […] ainda em fase de descobrimento e experimentação, como acompanhamos recentemente na deliciosa Please Like Me, que consegue te conquistar logo de cara, sem fazer muito esforço e meio que pela […]

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