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The Bridge, o piloto

Julho 15, 2013

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The Bridge já chegou muito bem recomendada, sendo um remake americano (e portanto, totalmente adaptado) da série escandinava de sucesso Bron/Broen (por lá, a série está atualmente aguardando sua segunda temporada) e com uma audiência de impressionar o próprio FX para uma estreia.

Um piloto longo, com pouco mais de uma hora de duração, do tipo que confia demais na força da sua trama, que realmente parece ser bem boa logo de cara e por isso encoraja essa confiança, mas que ao mesmo tempo em um determinando momento acaba parecendo longo demais devido ao quanto de sua história realmente nos foi mostrado durante o mesmo, muito diferente de um piloto tão longo quanto o de Fringe no passado, por exemplo (desculpem, mas não consigo não fazer essa associação por conta de um dos meus casais preferidos do momento estar envolvido em ambas as produções do canal), que conseguiu gastar melhor o seu tempo nos introduzindo sua trama, que entre outras coisas era muito mais complexa, além de ter sido mais feliz com a introdução de seus personagens também, onde todos acabaram ganhando o seu destaque e isso de forma positiva, algo que não é exatamente o que acontece no piloto de The Bridge.

Seu plot central acontece na fronteira dos EUA com o Mexico (na série original, o crime acontece entre a Dinamarca e a Suécia), quando um assassino resolve desafiar a policia local provocando um blackout e deixando um corpo na ponte que divide ambos países, algo que ao longo do episódio vamos descobrindo que tem uma simbologia muito maior do que conseguimos perceber a princípio e que vai além de mais um serial killer (e muito mais bacana, um dos pontos mais positivos da nova série). Detalhe que com mais alguns minutos de episódio, acabamos descobrindo que o tal corpo estava dividido em duas partes (sim, eu disse dividido em duas partes), parte superior e inferior, cada uma apontando para um dos dois países envolvidos na questão e mais tarde, descobrimos que eles nem sequer pertenciam a mesma pessoa, com a descoberta de que a parte de baixo pertencia a uma jovem mexicana, diferente da parte superior, pertencente a uma juíza americana totalmente radical em relação a imigração de mexicanos em seu pais, do tipo que conseguia entre outras coisas, ser totalmente a favor da construção de um muro dividindo os dois países. (e não tem como não lembrar da Season 4 de Arrested Development nesse momento. Sim, é claro que eu já assisti… mas vem cá, não comentei ainda? Então aguardem…)

A partir do surgimento misterioso do tal corpo, passamos a conhecer os dois personagens principais dessa trama, com cada um deles pertencendo a um dos lados da fronteira. Do lado USA temos Sonya North (a lindíssima Diane Kruger), uma agente que não tem a menor habilidade com outras pessoas ou com qualquer situação que envolva um sentimento diferente à sua praticidade, mas que ao mesmo tempo parece ser extremamente competente e concentrada naquilo que faz. Mas talvez ela seja tão concentrada, que acabou ficando presa dentro do seu próprio universo. Do lado mexicano da história temos Marco Ruiz (com o excelente Demian Bichir), esse com muito mais carisma, do tipo policial boa praça, que consegue enxergar de longe os perigos da relação corrupta e perigosa da polícia do seu país com o lado negro da força, mas que ao mesmo tempo parece ser um dos mais competentes (a seu modo) e honestos dos policiais locais, que cedo ou tarde acabam se vendendo pelos motivos mais variados possíveis para o lado do crime.

O problema é que nessa hora fica visível que o seu personagem de bom policial mexicano acabou sendo privilegiado pelo menos nesse primeiro momento, com uma introdução bem mais humana e simpática até, com uma pequena passagem por sua casa e seus próprios problemas pessoais, algo que de certa forma acabou humanizando ainda mais o personagem, que já tem a seu favor uma personalidade bem mais fácil de lidar, assim como a sua relação que no seu caso precisa ser boa com os dois lados dessa história (polícia e ladrão), por uma questão simples de sobrevivência dentro do universo da polícia mexicana, evidenciando ainda mais os dois lados de uma mesma profissão em realidades completamente diferentes.

Algo que não aconteceu para a Diane Kruger, pelo menos não nesse piloto, mesmo sendo importante para o desenvolvimento de qualquer novo personagem (suspeito que nesse caso de propósito, porque a diferença entre a introdução dos dois foi nítida e gritante) e o que vimos da sua personagem foi uma mulher distante, visivelmente com algum tipo de problema ou vítima de uma síndrome do momento qualquer (eu voto em Asperger…), que mais tarde descobrimos que até pode ser algo do tipo devido a toda a sua estranheza ou essa personalidade completamente meio assim acabou surgindo devido a perda da irmã (algo que eu acho que só piorou o que já não era bom, porque o outro policial mais velho, seu colega de trabalho, chegou a dizer que não poderia ficar dando cobertura para a personagem para sempre), que ainda não descobrimos como foi que aconteceu, ou devido a sua relação com a mãe também, que em algum momento ela chega a mencionar como usuária de drogas. Para a sua personagem, acabou sobrando apenas esse enorme desconforto, que chegou a me incomodar em alguns momentos, confesso, porque apesar de algumas pistas meio soltas, não chegou a nos ser mostrado o porque do seu comportamento tão “diferenciado”, rs (sério, odeio essa palavra). Espero que isso não demore muito para acontecer, ou é possível sentir que a sua personagem possa acabar perdida em um limbo entre o Spock (pensando pelo lado positivo) e um Sheldon Cooper (pensando pelo lado negativo), em uma versão mais humana e feminina, claro. (rs)

Além desse detalhe não tão bacana para a introdução dos personagens e que é possível perceber logo de cara, o piloto da série ainda carrega algumas outras falhas, como a simples desculpa de que Marco Ruiz não podia sentar porque havia feito uma vasectomia recentemente, mesmo tendo passado boa parte no começo do piloto se deslocando de um lugar para o outro em sua viatura (coerência?) e um take bem meio assim que transformou o “olhar” da imagem da vítima da vez em dois faróis. Sério, não precisava disso, vai? Ou pontos mais agravantes, como a introdução das duas outras histórias simultâneas que acabaram acontecendo durante o mesmo, com o endinheirado misterioso que acabou morrendo ao longo do episódio e a sua mulher descobriu que escondia alguns segredos (mesmo que nada tenha nos sido revelado, não só em relação ao tal segredo, que até poderia ter sido mantido naturalmente para depois, mas também em relação a identidade de cada um deles, ainda mais com uma história tão paralela como essa), assim como aquele outro personagem misterioso e meio descontrolado que nos foi introduzido fazendo a travessia de uma imigrante ilegal na mala do carro e que logo depois acabou deixando a moça presa dentro daquele trailer. Em relação a essa segunda questão, até descobrimos um pouco mais sobre o assunto ao final do episódio, durante o preview da temporada, diferente da primeira delas, que ainda não dá para imaginar exatamente do que se trata. Mas levando em consideração que o piloto da série teve mais de uma hora de duração, é difícil não achar que eles deveriam ter gasto melhor esse tempo nos apresentando pelo menos uma pequena introdução sobre o assunto dessas outras tramas a parte também, que parecem ser importantes para a série, ainda mais porque o suspense em torno delas só acabou funcionando para a segunda, porque a história do endinheirado morto pareceu um plot completamente solto dentro de uma trama maior e muito mais interessante. Pelo menos por enquanto.

Apesar também do clima de suspense no ar estar presente desde o aparecimento do tal corpo da juíza na fronteira entre os dois países  (além do ótimo discurso final para a motivação do crime), a série não se sustenta apenas desse clima que querendo ou não, acaba nos prendendo de qualquer jeito simplesmente pela curiosidade. Apesar disso, essa curiosidade toda acaba voltando com mais força durante os minutos finais do episódio, com um novo personagem sendo preso dentro de um carro bomba, o qual descobrimos que tratava-se do tal carro que deixou o corpo da mulher na fronteira durante o blackout. Um novo personagem que pouco disse a que veio por enquanto, mas que acabou passando por momentos de pura tensão, com uma bomba prestes a explodir a qualquer momento e sem ter muito o que fazer para escapar daquela situação apavorante.

Confesso que a princípio, com a minha expectativa bem alta em relação a estreia, não vou negar que acabei me decepcionando um pouco em relação ao piloto de The Bridge, que realmente acabou sendo longo demais para a quantidade de informações relevantes que acabamos recebendo, sem contar suas notáveis falhas. Nele, a sensação que fica a princípio é a de mais uma história que acaba usando a nossa curiosidade para nos manter por perto, que sempre é o que inevitavelmente acaba nos fazendo insistir nesse tipo de série, um recurso bastante utilizado atualmente até. Mas com o preview na sequência após o final do piloto, dá para perceber que a série tem potencial e pode ganhar um ritmo bem mais interessante com o tempo. Basta dar força para os seus personagens e resolver falar o que de fato está acontecendo diante dos nossos olhos, porque da história nós já conseguimos gostar logo de cara. E apesar de qualquer falha em sua estreia, essa certamente não parece uma série que mereça ser descartada assim tão facilmente.

Veremos…

 

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Under The Dome, uma série que até que começou bem, mas logo depois…

Julho 11, 2013

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Algumas séries nós já começamos a assistir com os dois pés atrás, principalmente quando ouvimos a palavra “adaptação” envolvida em sua produção, ainda mais quando além de tudo, a mesma a princípio havia sido anunciada pela CBS como série, mas depois, por precaução e medo de não conseguir atingir um grande público, acabou sendo tratada como minissérie pelo canal. Um projeto que a propósito, já havia pertencido ao Showtime no passado (2011), mas que desacreditado, acabou sendo vendido pouco tempo depois. E nesse caso, essa não é uma adaptação qualquer e sim algo sobre um dos trabalhos do Stephen King, o que por si só já agrega um peso ainda maior para esse receio do que estávamos prestes a encontrar na TV.

Mas apesar desse receio, o piloto de Under The Dome acabou realmente surpreendendo, contando muito com a mitologia de suspense super interessante da sua própria trama, que evidentemente é a sua maior arma, mas que ao mesmo tempo, com uma excelente produção e um cuidado importante que impressiona logo de cara, a série (ou minissérie) conseguiu chegar de forma impactante nesse marasmo da Summer Season. Algo que não é muito difícil a essa altura, mas que ao mesmo tempo não deixa de ter o seu mérito, além de ser sempre bom encontrar novas opções para se ver na TV, nessa fase do ano que costuma ser terrível para os mais viciados em séries.

Uma cidade que em um belo dia se vê cercada por uma espécie de redoma, que surge do meio do nada, partindo tudo entre seus limites e que ninguém sabe exatamente como ou o porque do surgimento daquele campo de força nos arredores da cidade, mas ao mesmo tempo, todos já sentem suas vidas modificadas por conta da sua presença, que entre outas coisas, limitas seus personagens apenas ao que se encontra do lado de dentro da tal redoma, que impossibilita a comunicação (pelo menos “ouvir”) e o contato com as pessoas de fora.

A série já começa com uma até que boa introdução de seus personagens principais, nos mostrando pouco, mas características importantes de alguns dos habitantes daquela cidade dos arredores de Maine. Aos poucos eles vão se dividindo entre vilões e mocinhos, embora alguns tenham permanecido ainda entre os dois caminhos, como o personagem principal por exemplo, Dale “Barbie” (Mike Vogel, Höy! E para quem não se lembra, ele fazia o namorado do passado da Michelle Williams no excelente “Blue Valentine”) que observamos logo no começo envolvido no ocultamento de um cadáver, que acaba reaparecendo ao final do episódio (mas podem respirar aliviados, que esse reaparecimento não aconteceu de forma sobrenatural não, rs), na casa de quem se ofereceu para acolhê-lo naquele momento.

Em meio ao caos, encontramos logo de cara a boa qualidade da série, com cenas ótimas envolvendo as consequências do tal campo de força dividindo a cidade, com vacas sendo cortadas ao meio, acidentes aéreos (no truque, mas foi legal também e vale lembrar que a série tem o roteiro do Brian K. Vaughan, de Lost ou seja, confirmou!) e o mais legal de todas elas, que foi aquela cena com a batida do caminhão na estrada contra a redoma. Tudo cuidado de forma decente e bem bacana, um mérito que é preciso reconhecer na série logo de cara, apesar desse ser um recurso recorrente de pilotos e precisamos aguardar um pouco mais para ver  o quanto dessa qualidade eles vão conseguir manter em Under The Dome daqui para frente.

Sem contar que eles conseguiram nos entregar um bom equilíbrio entre a introdução do plot central da trama e algumas particularidades de seus personagens principais como dito anteriormente, como os filhos que acabaram ficando sem pais por eles terem saído da cidade quando tudo aconteceu, ou a policial que ficou com o marido bombeiro magia preso do outro lado do campo de força (lembrando que eles não conseguem ouvir o lado de lá e só conseguem se comunicar através de sinais ou da escrita) e o drama entre a política e a policia da cidade, interpretada por dois atores conhecidos de todos, o Hank de Breaking Bad (Dean Norris, que eu assumo que foi o que me animou mais a ver a série, muito embora até uma participação na finada Whitney ele tenha feito a pouco tempo atrás e isso não deve ser muito motivo de orgulho para ninguém) e o Lapidus de Lost (Jeff Fahey) e um drama envolvendo o armazenamento de gás sem que a cidade tenha o menor conhecimento disso, além dos envolvidos, claro.

E em meio a tudo isso, sem saber exatamente do que se trata e ou o que estaria acontecendo com aquela cidade, ainda ganhamos algumas pequenas tramas bastante interessantes, como a do próprio Barbie e o seu envolvimento com a morte do marido da jornalista ruiva que o acolheu em sua casa (o tal cadáver), assim como o psicopata do Junior, prendendo a namorada no abrigo subterrâneo construindo pelo pai, que descobrimos mais tarde ser a autoridade política da cidade, Big Jim, assim como o plot das convulsões que observamos pelo menos dois personagens ter ao longo do piloto, com a repetição daquela frase em looping. Dafuck?

Confesso que todo esse suspense e a curiosidade que o piloto conseguiu despertar facilmente, somado a qualidade da série nesse seu primeiro episódio, colaboraram e muito para o despertar desse interesse em seguir adiante com a série para pelo menos ganhar uma noção maior do seu propósito, para que a gente tenha como chegar a conclusão se ela merece ou não ser seguida em sua Season 1, que teve 13 episódios encomendados. Mas essa curiosidade acabou bastante diluída durante os dois episódios seguintes, onde eles resolveram desenvolver melhor seus personagens, deixando a questão da redoma em segundo plano. Até esse momento, estava pronto para fazer apenas elogios ao piloto da série, até que resolvi assistir aos 2 episódios seguintes para chegar a uma conclusão melhor sobre o assunto.

Nessa hora, a série já começou a ser perder facilmente, nos entregando uma sequência de dois episódios bem meio assim, que chegam a funcionar como soníferos. Neles, já descobrimos a história do Barbie e o tal cadáver que ele apareceu enterrando no piloto (só não sabemos exatamente o porque ainda…), assim como começamos a observar seus personagens se debatendo em plots nada interessantes. Tipo a jornalista que ouve parte de uma conversa na frequência da rádio local e já resolve fazer uma entrada ao vivo, algo que poderia causar fácil uma situação de pânico (embora surpreendentemente ninguém tenha reagido dessa forma), mesmo sem antes ter investigado qualquer coisa e só ter ouvido praticamente uma frase do que estava sendo conversado naquele transmissão. Ela que além de tudo resolveu perseguir o psicopata da cidade em meio a túneis subterrâneos e mesmo estando a menos de 10 passos para trás do personagem, ele não conseguiu notar a sua presença. Sei. Sem contar o policial que se tornou fugitivo, tentando fugir para onde se naquele local nada consegue atravessar aquela redoma? Ahhh, e a ainda teve o policial que sabia de alguma coisa (o Lapidus) morrendo do meio do nada, sem ter tempo de nos contar os podres envolvendo a parte política da cidade que ao que tudo indica, não estava armazenando apenas gás e mantinha alguma relação com o tráfico.

Mas todos esses plots além da redoma se tornaram muito vagos, pequenos e soltos demais em meio a uma trama muito mais interessante. Algo que me lembrou um pouco da nossa experiência com Lost no passado (eu disse “um pouco”…), onde fomos distraídos com as histórias pessoais de cada um de seus personagens, no passado e no futuro, mesmo achando que a trama dentro da ilha era muito mais interessante e no final das contas, descobrimos que na verdade, nada era tão bacana assim (apesar da série ter sido bem bacana por algum tempo). Com isso, é possível até entender a queda brusca de sua audiência em relação ao piloto e os demais episódios, que em um ritmo bastante diferente e histórias menos interessantes, não tem conseguido se sustentar facilmente e isso já logo de cara. Mas talvez essa história do canal ter resolvido tratar a série como minissérie de última hora tenha sido algo positivo, porque imaginem por quanto tempo o lado mais interessante da série (o mistério da redoma) poderia se tornar arrastado e o quanto de histórias menores e pouco interessantes de seus personagens a gente ainda teria que aguentar caso ela fosse uma série realmente? (apesar de ainda existir essa possibilidade…)

De qualquer forma, esse terceiro episódio acabou sendo o meu limite claustrofóbico dentro daquela redoma. Estou fora, livre, podendo respirar por 40 minutos a mais toda semana, mas para os que ainda ficaram, por favor me contem quem foi que colocou toda aquela gente no porta bolo, OK?

 

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Ray Donovan, o piloto

Julho 10, 2013

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Sabe aquela série que você termina de assistir e na mesma hora já fica com a sensação de que até que gostaria de ter gostado mais, mas não aconteceu para você? Então, essa foi a minha reação em relação ao piloto de Ray Donovan, nova série do Showtime para essa Summer Season.

Sua história gira em torno do personagem principal que dá nome a série, Ray Donovan, interpretado pelo ator Liev Schreiber (irmão meio assim do Wolverine, ou aquele de “Scream 2”. OK, o cara já fez muito mais coisa do que isso, deixem de ser implicantes… rs), uma espécie de agente de Hollywood especializado em lidar limpando os pequenos grandes problemas que seus clientes famosos insistem em arrumar por aí, como atores em ascensão saindo “sem querer” com travestis no meio da madrugada ou esportistas do momento com grandes contratos de patrocínio que acordam na manhã seguinte com uma de suas presas da noite anterior morta por overdose. Só coisa leve desse tipo e que de certa forma, chega a nos lembrar mesmo que de longe, em um outro cenário ou com pelo menos outras intenções, algo que já vimos na falecida Dirt, da Courteney Cox. (eu sei que são duas séries bem diferentes, mas reparem nas semelhanças dessa parte da história…)

Em meio a tudo isso, Ray ainda vive uma relação conturbada com a sua família disfuncional, com um pai completamente meio assim (interpretado pelo Jon Voight), recém saído da cadeia e que de quebra o culpa por ter passado 20 anos atrás das grades (algo que ainda não descobrimos o porque) e irmãos visivelmente afetados por traumas, alguns físicos e outros psicológicos, também envolvendo o passado. Nesse momento, a série invade também o universo da igreja, colocando pelo menos os padres que passaram por aquela família na posição de aproveitadores, nada muito diferente de algumas histórias que a gente ouve por aí até hoje.

Em casa, Donovan apesar de posar de homem casado responsável e dono de uma família com mulher e filhos, nada parece ser tão simples assim e é possível perceber no piloto que esses dramas familiares carregados por sua família (e por ele mesmo, que parece ser um homem cheio de conflitos, embora pouco deles tenham sido demonstrados claramente durante o episódio), com os filhos já demonstrando alguns traços preocupantes (e tem aquela menina chatinha de Brothers & Sisters) além da sua relação com a mulher não ser a mais honesta do mundo, apesar dela parecer ciente do comportamento promíscuo do marido que resolve vir a tona de vez em quando e muito provavelmente tenha um histórico na história dos dois, mas que aparentemente, apesar de se revoltar contra as escapadas do próprio, ela ainda parece se contentar com as promessas de que o marido vai conseguir mudar algum dia. Sei…

Durante o piloto, o problema maior da série acabou sendo a falta de justificativas, porque apesar do personagem ser pintado como um homem cheio de conflitos com sua família, em casa e no trabalho, pouco descobrimos a respeito de cada um deles, exceto pela história da traição e ou a sua relação meio assim com o pai, essa segunda sem um detalhamento exato sobre o que teria separado os dois de vez, mas com algumas nuances da parcela de culpa de cada um dos personagens nesse rompimento. No trabalho por exemplo, chegamos a observar seu sócio (que também é o pai da Monica e do Ross em Friends, ou seja, estou achando que o Schreiber só pode mesmo ter alguma ligação com a Courteney Cox… ) surtando, dizendo que eles precisam parar, que já fizeram muita coisa errada, mas nenhuma delas chegou a nos ser mostrada para dar mais credibilidade a história. Se são tantas assim, pelo menos uma delas deveria ter aparecido, não?

Além disso, outra pontas acabaram soltas demais durante esse primeiro episódio, como a relação dele com a atriz mirim hoje já adulta (que provavelmente foi inspirada em muitas que nós conhecemos hoje em dia) e o porque do seu interesse em protegê-la mesmo ela não sendo sua cliente (e sim o seu ex, que já havia sido seu cliente no passado), assim como o porque que a sua mulher deixaria o seu pai entrar em sua casa depois de anos, como observamos durante a cena final do piloto, mesmo com o marido o ilustrando o tempo todo como uma das piores pessoas do mundo (também sem dizer muito o porque), a gente imagina que por praticamente todo o casamento do casal, já que o pai havia ficado preso por 20 anos e considerando a idade dos seus filhos. Isso sem contar aquela cena pra lá de constrangedora com o quadro da Marilyn…

Tirando essas falhas todas, o elenco também não consegue ser dos mais cativantes e até mesmo o personagem principal parece distante demais (ou misterioso, de poucas palavras, como alguém chega a mencionar durante o episódio de forma bem preguiçosa) e embora resolva todos os seus problemas de forma eficiente durante o piloto, com toda aquela frieza e olhar distante o tempo todo, ele pouco consegue nos convencer do quanto pode ser um profissional de respeito em sua área, ou de onde surgiu toda aquela “vocação” para resolver seus problemas daquela forma tão “prática”. (sim, imaginamos que seja algo relacionado ao seu pai, mas mesmo assim, ficou faltando alguma coisa…)

E com essa falta de informação em relação aos conflitos todos que a série tenta nos apresentar rapidamente, ou pelo menos de boa parte deles e um piloto que chega a ser bem cansativo em vários momentos, Ray Donovan não consegue convencer de cara que a sua história vale mesmo a pena ser acompanhada, apesar dos números impressionantes da sua premiere no Showtime.

Novamente, o preview da temporada ao final do episódio volta a nos amimar em relação ao que ainda estaria por vir ao longo da Season 1, mas aparentemente já caímos nesse truque quando assistimos ao trailer da série, por isso acredito que a essa altura nós já estamos mais do que familiarizados com esse recurso barato de conseguir impressionar por alguns minutos mas não se sustentar quando esses poucos minutos viram um episódio inteiro. Mas ao julgar pelo piloto, fica difícil se interessar por essa história que pouco nos entrega em seu primeiro episódio, apesar da série não ser das piores e se você achar que vale a pena continuar apesar de tudo isso, boa sorte.

 

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Vicious – ainda não parece genial, mas pode realmente se tornar viciante

Maio 7, 2013

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Um casal gay vivendo na terra da rainha. Um deles é um ator decadente, Freddie Thornhill (Ian McKellen) que se recusa a se comportar como um aposentado e se vangloria dos pequenos papéis que fez durante a sua carreira, como uma participação em Doctor Who por exemplo. O outro é Stuart Bixby (Derek Jacobi), esse bem mais sensível, delicado, cheio de trejeitos e afetações, mas que mesmo assim ainda não conseguiu se assumir para a mãe e diz que mora com um “amigo” com quem divide as contas, naquele velho truque da irmandade (rs). Em um apartamento antigo, super datado, com cara de museu e as cortinas sempre fechadas, ambos vivem naquele eterno atraque de elogios deselegantes, uma arte que se adquire facilmente com o tempo e com a convivência (e que também faz bastante parte da cultura gay), além de uma vida quase que inteira compartilhada nessa relação de amor, que todo mundo sabe que nem só desse sentimento sobrevive. (mas principalmente por ele)

Assim é Vicious, a nova série inglesa que conta a história desse adorável e rabugento casal gay envelhecendo juntos em meio as memórias de uma vida inteira. Além do sotaque que nós amamos e não cansamos nunca de ouvir, a série tem tudo o que nós gostamos das produções do gênero da terra da rainha, além de ser uma deliciosa comédia de situação sobre o nada, onde aparentemente tudo pode acontecer dentro daquele apartamento que mais parece a catacumba que esconde dois vampiros antigos. (que isso não soe como preconceito, porque em um determinado momento ambos demonstram uma forte rejeição a luz do sol, rs)

Um apartamento com cara de antigo, com aquele mobília pesada, escuro, onde aparentemente se é proibido sequer abrir as janelas (não falei?), cacarecos por todos os lados em um ambiente que quase nos transporta imediatamente para uma outra época. Cenário perfeito para esse tipo de história, que não precisa de uma grande movimentação ou grandes acontecimentos para se desenvolver perfeitamente ou nos fazer rir.

Claro que boa parte da história, além da língua afiadíssima de ambos os personagens que trocam ofensas daquela forma cínica que nós sempre adoramos (gay or straight), conta e muito com o carisma e talento de seus atores principais McKellen + Jacobi, que são grandes lendas da TV e do cinema, que conseguem carregar os papéis de ambos os personagens com maestria, apesar de todo o caricatismo estampado na série, que parece ter assumidamente escolhido esse caminho para percorrer.

Durante o piloto já enfrentamos uma história de luto (algo que deve ser especialmente assustador nessa altura da vida e uma vez minha avó me disse algo do tipo que me fez imaginar bem essa situação), que eles acabam aproveitando para fazer piada sobre o assunto, sendo o morto da vez um interesse em comum do passado de ambos. Nessa hora, eles acabam recebendo também a visita de velhos amigos, todos bem divertidos apesar da menor participação, assim como a amiga de longa data do casal, Violet Crosby (Frances de la Tour) que parece não saber muito bem se Zac Efron é uma pessoa ou um lugar. Sério, #TEMCOMONAOAMAR?

A série conta também com a participação de um vizinho magia que se muda ainda no piloto para o andar de cima do flat do casal, Ash Weston (Iwan Rheon, que atualmente também está em GOT) bem mais jovem e ainda sem preferências definida, algo que acaba despertando o interesse e a curiosidade de todos. Só achei que o plot sobre ele ser gay ou não poderia ter rendido mais e talvez até porque não ter virado uma espécie de mitologia para o personagem dentro da série, pelo menos por um tempo, claro.

Apesar de não ser genial em nenhum momento, nessa simplicidade da série e no talento dos seus atores principais está o maior trunfo da mesma, que em diversos momentos, dadas as devidas proporções, chega a nos lembrar de delícias como “A Gaiola das Loucas”, Will & Grace (e tem dedo dos produtores da série antiga na nova série também) e até mesmo Him & Her, para fugir de qualquer tipo de estereotipo. De qualquer forma, apesar de qualquer coisa (inclusive proximidade e identificação com um futuro bem possível para alguns… tisc tisc, rs), é bem possível que Vicious acabe se tornando um dos nossos mais novos vícios na TV.

Veremos…

 

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The (KGB) Americans

Fevereiro 15, 2013

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Surpreendente em todos os sentidos. TO-DOS.

Ao ler a sinopse de “The Americans” (de Joe Weisberg – Falling Skies – e Graham Yost – Justified – e baseada em uma ideia de Darryl Frank e Justin Falvey), que trazia uma dupla de agentes russos da KGB infiltrados como americanos comuns, vivendo como um casal feliz nos subúrbios da America antiga da década de 80 durante o período da temida Guerra Fria, acabei não conseguindo apostar muito na nova produção do FX, que trazia no elenco a dulpa Keri Russell, fazendo a sua volta da TV depois do fracasso de Running Wilde (que era sofrível e ela dividia com o Will Arnett, uma prova clara de que ele não anda fazendo as melhores escolhas para a sua vida) e desde Felicity (♥) e o Matthew Rhys, esse sempre excelente, mesmo com o final super decadente de Brothers & Sisters. Comecei a suspeitar que dificilmente algo bacana sairia dessa nova aposta, mas depois de assistir a esse piloto, me vi completamente enganado sobre as minhas primeiras impressões sobre a série.

Um piloto longo, com pouco mais de uma hora de duração, mas que ao mesmo tempo conseguiu utilizar muito bem o seu tempo gasto nos situando em relação a história. Aquela sequência inicial já foi bem da sensacional, com um nível bacana de ação e suspense, enquanto começávamos a entender sobre o que a série tratava. Felicity já enfrentando o seu primeiro drama capilar na nova série (tenho certeza que aquela cena da peruca, apesar de fazer perfeitamente parte da cena, foi sim uma provocação ao drama antigo da atriz, quando resolveram cortar os seus longos e volumosos cachos nos primórdios de Felicity e a America antiga entrou em crise) e Kevin Walker mandando ver no corpo a corpo, mostrando que agora que ele tem alguma descendência russa, não está mais para brincadeira ou longas conversas ao telefone com seus demais irmãos e irmãs fofoqueiros e antigos. (rs)

Mas OK, deixando o meu cinismo de lado, surpreendentemente é quase impossível relacionar qualquer um dos dois ao seus grandes trabalhos de destaque do passado. Keri Russell está excelente na pele da agente infiltrada da KGB, Elizabeth Jennings, vivendo o sonho americano que ela acreditava não pertencer até então (mas devido a uma revelação envolvendo os seus ideais do passado, ela já começa a dar sinais de que pode vir a se adaptar a sua nova realidade), com marido e filhos em uma grande casa do subúrbio típico americano. Uma personagem que já começa a revelar suas camadas logo no piloto, mostrando que toda aquela sua postura de badass, meio que sem paciência ou não querendo nenhum tipo de envolvimento com o seu parceiro no crime, tinha raízes mais profundas do que a gente poderia imaginar.

Além do seu passado traumático que nos foi revelado através de um estupro nos tempos do seu treinamento na década de 60 ainda na Russia antiga, Elizabeth teve uma excelente introdução enquanto personagem, mostrando que em serviço ou na vida real, ela também não está para brincadeira. Todas as suas sequência, envolvendo plots dramáticos ou cenas de ação foram sensacionais, ainda mais para um piloto tão bem amarrado, entregando a cabeça do seu estuprador do passado, que agora era a vítima da missão da vez da dupla de agentes e que estava aguardando uma finalização no porta malas do carro do casal, estacionado na garagem.

Matthew Rhys também está sensacional no papel do agente da KGB Phillip Jennings, esse um pouco até mais fácil de lembrar o que já vimos do ator recentemente na TV devido ao seu carisma absurdo e personagem menos “bitolado” do que a sua parceira. Apesar de dividir os mesmos ideais e raízes (apesar de que, parte do passado dele ainda não nos foi revelado, como por exemplo, quem era aquela mulher da foto que ele olhava antes de conhecer Elizabeth…), Phillip começa a enxergar no american way of life que ambos estão vivendo durante tanto tempo, uma possibilidade de escapar daquele vida dupla que pode acabar levando os dois para a prisão perpetua caso sejam descobertos em território inimigo e é possível perceber que ele não consegue achar o estilo de vida americano tão ruim assim para considerar como o seu próprio futuro dentro do país.

Tão profissional quanto a sua parceira, ele também aparece com pompa de badass em campo, em cenas de luta sensacionais do começo ao fim. O que foi a briga dele com o pedófilo da região que resolveu se engraçar com a sua filha (e nem precisava disso, porque eu já tinha certeza que ao ter percebido o perfil do cara, ele certamente acabaria tomando alguma providencia a respeito), com ele saindo vitorioso mas não sem antes se servir de um cachorro quente grelhado? Com a diferença de que pelo menos o seu personagem parece mais adaptável às circunstâncias, conseguindo se divertir mais e procura até um maior envolvimento com a sua parceira, com quem embora ele viva uma vida de aparências como casal, na prática, nada estava sendo como se esperava.

E foi linda a forma como ambos acabaram criando um vínculo maior, com a revelação de que aquele cara preso no porta malas do casal era um problema antigo da sua “mulher”, que ele nem pensou duas vezes antes de finalizar, apenas quando solicitado por ela, que precisava vencer aquela luta que ela tinha em débito com aquele cara horroroso desde muito tempo, provando que agora, ela podia muito mais que ele (uma vingança ótima por sinal). Um sequência incrivelmente sensacional, densa, profunda, super bem executada e tudo isso sem o menor exagero.

Sem contar que depois disso, percebendo o grande vínculo que havia sido despertado naquele momento entre eles, Elizabeth acabou cedendo ao encantos do parceiro/marido e por incrível que pareça, eles conseguiram fazer tudo isso de forma digna, em um cenário típico dos anos 80 e com Phil Collins tocando ao fundo. Dá para acreditar? (“In the Air Tonight” que eu não consigo parar de ouvir desde então)

Aliás, os 80’s realmente voltaram com força a TV com The Carrie Diarires e agora com The Americans, que também não fez feio (e olha que as referências da década são todas tão difíceis de não tornar caricata…), trazendo um cenário extremamente convincente e de muito bom gosto até, apesar da calça semi baggy da própria Felicity em uma das cenas em sua casa, rs (sorry, mas vez ou outra, eu vou te chamar de Felicity, Elizabeth, porque é assim que funciona a minha cabeça e não por qualquer semelhança entre as duas além da mesma atriz que as interpreta, é claro. Lide com isso). Outro tipo de cuidado que eu achei bem importante na produção foram as caracterizações quando em campo de batalha do casal, com ambos aparecendo com disfarces ótimos e perucas melhores ainda, coisa não muito fácil de se encontrar na TV. (vide as peruquinhas pavorosas do Arrow quando na ilha)

Além de ter nos aprofundado bastante até em relação a parte da história dos personagens principais e sobre o porque de tudo aquilo, optando mais por começar a justificar a postura de cada um deles naquele ponto da história do que qualquer outra coisa, ainda ganhamos um vizinho recém chegado aos subúrbios que promete dar alguma trabalho para o casal. Ele que para complicar ainda mais é do FBI e está envolvido em uma tarefa que levanta suspeitas sobre o fato dos russos estarem infiltrados nos USA como cidadãos comuns, ele ainda chega com a bagagem de já ter sido um agente duplo em campo nazista e já começa a desconfiar do comportamento inofensivo demais dos novos vizinhos. (aquele final foi aflitivo, mas teve uma conclusão ótima, com o Phillip estando a uma passo a frente de tudo. Brilhante.)

O piloto, apesar da sua longa duração (lembra do piloto de Fringe? Então… longo, porém excelente), tem um ritmo bem bacana que pode variar de acordo com as preferências pessoais de cada um, com um volume equilibrado entre a quantidade de plots e acontecimentos que acabamos encontrando no primeiro capítulo dessa história, que se seguir a mesma linha desse episódio piloto, tem tudo para ser uma das boas novidades da TV americana para esse ano. (e é muito legal encontrar a Felicity e o Kevin Walker falando russo na TV, vai?)

E de qualquer forma, ficamos felizes que ambos os atores tenham encontrando personagens excelentes para voltar a TV.

Veremos…

 

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The (un)following

Fevereiro 15, 2013

the following

Uma série de suspense policial bacana, com gente de peso envolvida na sua produção (uma criação de Kevin Williamson, de Dawson’s Creek, The Vampire Diaries e “Scream” nos cinemas) e que além de uma boa ideia de trazer um serial killer com ares de poeta, Joe Carroll, um professor fã incondicional de Edgar Alan Poe e que dessa vez não está disposto a agir sozinho como na maioria dos casos mais comuns que conhecemos e conta com o que ao que tudo indica ser uma vasta gama de seguidores da sua mente literária perturbada. Um vilão excelente, diga-se de passagem, desde a ideia até a execução do ator James Purefoy, que consegue nos transmitir tudo aquilo que eles tentam nos vender sobre o perfil do assassino da vez, do tipo que você rapidamente acredita que é completamente maluco, mas já começa a entender também o porque de tanta gente se sentir tão seduzida pelo personagem.

Do lado do bem da história temos ele, Kevin Bacon (nossas tias gritam nesse momento, ele que também está ótimo nesse papel que lhe caiu muito bem) vivendo o policial Ryan Hardy que na verdade, nem é tão do bem assim e tem lá a suas falhas. Um policial bem sucedido, porém afastado da sua carreira no FBI devido as sequelas deixadas pelo seu maior inimigo, o próprio Carroll, que ele consegui colocar atrás das grades depois de ter conseguido também salvar a sua última vítima.

Afastado do trabalho, ele usa marcapasso para controlar o coração debilitado e ao que tudo indica, bebe compulsivamente (aquela bala de menta não foi oferecida por acaso) e tem uma passado meio assim com a ex esposa desse mesmo serial killer. Ou seja, motivos para odiá-lo o cara pelo menos tem, além de todo o seu nível de loucura, é claro. Sem contar que após ter sido bem sucedido na investigação que levou a prisão do agora famoso Carroll, Ryan ainda lucrou com a história, escrevendo um livro sobre como funcionava a mente daquele que foi o maior trunfo da sua carreira, algo que acabou lhe rendendo um prestígio maior ainda.

Até aqui, encontramos uma história interessante e que fica ainda melhor com a fuga do tal assassino logo no começo do piloto, ele que está disposto a finalizar o seu trabalho adiado com o momento da sua prisão, anos atrás e óbviamente está a procura da tal última vítima que Ryan conseguiu salvar no momento da sua prisão. Nessa fuga, Ryan acaba sendo convocado novamente para o caso, já que ele é quem melhor conhece o inimigo e uma série de eventos acontecem para nos levar até o plot  central da temporada. E é exatamente nessa hora que a série já começa a se perder em seu piloto, em uma avalanche de clichês de filmes do gênero que podem se tornar bem irritantes se você tiver um pouquinho menos de tolerância.

Primeiro que Ryan parece saber demais. Ok, o cara quase morreu nas mãos daquele assassino, estudou a sua história, conseguiu colocá-lo na cadeia, escreveu um livro, pegou a sua mulher, mas mesmo assim, tudo parece fácil demais para aquele que divide o mesmo conhecimento sobre a fixação do serial killer na obra de Edgar Allan Poe e pelo menos nesse piloto, essa foi a primeira impressão passada. Tudo está relacionado a sua obra e as respostas aparecem facilmente, como um passe de mágica em meio aos cenários do crime, sempre utilizando a mesma desculpa como justificativa em um momento brilhante de raciocínio do próprio policial, que se fosse tão brilhante assim e ou preparado, já teria pensado no seu próximo passo antes do próprio serial killer, ou pelo menos teria feito um mapa na parede cheio de próximas possibilidades, algo mais ou menos como a Carrie de Homeland, rs. Preguiça.

Tudo bem que esse tipo de justificativa que aparentemente pode até parecer bacana por se tratar de uma obra real, mas o mesmo detalhe que é capaz de trazer um elemento especial para a trama da série acaba perdendo a força sendo utilizado em doses cavalares (como já acontece no piloto) e pode também acabar se tornando um recurso fácil demais para aquele policial, dotado de tamanho conhecimento, ou para qualquer outra pessoa que conheça a literatura de Allan Poe. E isso somado a postura do personagem principal, o policial que não segue regras de sempre, cercado da policial irritadinha demais, do outro nerd inteligente e puxa saco demais, groupie do policial principal e o boy magia do FBI, porque tem que ter um. Todos personagens bem clichês e que encontramos aos montes em qualquer série ou filme do gênero. E Ryan apesar de ter passado por tudo isso, de carregar com ele uma marca dessa história, de estar envolvido novamente naquele rastro de sangue já conhecido do seu passado e por isso, imaginamos que seja uma lembrança no mínimo traumatizante, mesmo com toda essa vasta experiência sobre o caso, acaba sendo atraído pelo assassino para o lugar certo na hora certa, mesmo que isso tenha sido intencional por parte de ambos os envolvidos. (você não deixaria avisado para a equipe? Ainda mais considerando que o cara é um psicopata maluco que conseguiu fugir da cadeia com a maior facilidade desse mundo? Eu bem que deixaria…)

Sem contar que eu gosto de me assustar, de ficar tenso, preso no sofá, sem a menor ideia do que está por vir, só que também já no piloto, The Following mostra muito bem qual a sua fórmula para assustar nesse caso, que visivelmente pertencente a mesma escola “Scream” de antigamente, tenha sido ela proposital, em forma de homenagem, uma questão de identidade ou não. Sabe aquele susto avisado, que vem junto com a trilha sonora dramática nada sútil e totalmente proposital para aumentar ainda mais a reação? Então…

Além disso, alguns padrões se repetem dessa escola antiga de terror (que apesar de não ser tão antiga assim, já tem cara de velha), como mortes na garagem, a obsessão por facas (e o barulho do aço) e muito sangue por todos os lados. Agora, o que eu gostaria mesmo é que alguém me explicasse como é que uma mulher com cara de no mínimo perturbada por cinco gerações de ancestrais, convocada pela polícia para prestar depoimento devido a sua relação próxima ao assassino, chamada inclusive de groupie por eles mesmos, me aparece no local onde estão sendo feito os interrogatórios (que eu não tenho muita certeza, mas me pareceu ser no próprio FBI, não?), munida de uma faca gigantesca (ou punhal), em plena America antiga calejada pós atendados da sua história recente? Realmente, achei pouco convincente. Menos convincente ainda que nenhum policial dos 38 que estavam presente naquela hora, não tenha dado com um porrete na cabeça dela para evitar uma tragédia maior e ou tivesse usado a sua arma de choque naquele momento para controlar a situação. Apesar da cena ser bem bacana, com, a mulher com o corpo todo escrito (me lembrou bem a referência visual de “Memento”) com lines do próprio Edgar Allan Poe. Poético, mas lame.

Tirando tudo isso que eu acabei destacando como pontos negativos que não me fizeram ter a menor vontade de assistir e ou me apegar a The Following, é preciso reconhecer que a sua produção é bem boa e provavelmente vá encontrar seu público. Só acho também que pensando a longo prazo, fica bem difícil estender a série por muito tempo sem transformá-la em um procedural daqueles. E por exemplo, duas temporadas rondando esse mesmo plot e eu já acho que ela tem tudo para ser a nova The Killing (que vai voltar, pelo AMC mesmo e com o ótimo Peter Saarsgard agora também no elenco, mas que já deu pra gente, sorry), tirando a parte que The Killing, apesar de arrastada, sempre foi bem boa e tentava pelo menos tratar seus clichês de uma outra forma, coisa que The Following não conseguiu nem em seu piloto.

E apesar de já ter sido morta no piloto (e quem aguentaria ver mais da Shannon de Lost por mais do que um episódio?), estou até agora na dúvida se a Sarah não é ou não é a nova Sidney?

Por aqui, a série estréia na Warner no dia 21 de Fevereiro, às 22h50.

 

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Cuckoo indeed

Outubro 25, 2012

Continuando a nossa maratona dessa semana dentro das estreias na TV da terra da rainha, encontramos mais uma comédia, dessa vez estrelada por um rosto conhecido de todos nós, um dos ex boys magia do SNL, o ator Andy Samberg e a sua Cuckoo.

Cuckoo é uma série da BBC3 que tem como plot central a história de uma família inglesa que em um belo dia, tem a sua rotina virada de pernas para o ar com a chegada de um novo membro, o marido da filha que havia passado um ano fora tentando se descobrir e que para a surpresa de seus pais, acabou voltando para casa casada com uma figura um tanto quanto exótica como Cuckoo (Andy Samberg).

Ele por sua vez é um daqueles personagens totalmente sem limites (do tipo que nós já vimos antes), que se adapta facilmente a qualquer situação invadindo completamente o espaço alheio e sem perceber muito isso, de forma até que inocente. Folgado, espaçoso e ainda sem trabalho, Cuckoo chega como um pesadelo para aquela casa, principalmente para o pai da garota Ken (Greg Davies), que é quem encontra a maior dificuldade em aceitar o novo membro da família.

O piloto funciona como uma boa introdução para esse cenário, onde descobrimos rapidamente onde eles se conheceram, quem são aquelas pessoas e até temos uma tentativa de suborno do pai da garota para tentar se livrar do seu “novo filho”, o que é claro que não acaba dando muito certo e ainda acaba lhe rendendo um certo prejuízo, além de uma oportunidade de emprego para o próprio Cuckoo, que parece mesmo que veio para ficar.

Nesse caso, as piadas deixam a desejar no piloto e tudo parece meio requentado de histórias e situações que nós já vimos anteriormente no cinema ou na TV. A situação melhora no segundo episódio (a primeira temporada terá 6 eps), onde a série passa a ganhar mais corpo e as situações passam a ficar mais engraçadas, apesar de pouco originais.

E apesar disso, Cuckoo ainda pouco tem do típico humor inglês que nós gostamos tanto e parece mais um hibrido com o modelo americano de se fazer comédia. Além desse detalhe, a série apesar de contar com outros personagens (mãe, irmão, vizinhos e amigos), parece girar em função da dinâmica entre Cuckoo e o sogro Ken, o que com o tempo pode acabar cansando a audiência.

Mesmo assim, acho que vale a pena acompanhar pelo menos a primeira temporada para ver no que vai dar (só porque eu gosto do Andy), ainda mais sendo curtinha desse jeito, do tipo que a gente assiste sem fazer muito esforço. Ou seja, a série pode até não ser nenhuma novidade tão animadora assim, mas é o que temos para hoje.

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A nova má educação indeed

Outubro 23, 2012

Comédia inglesa da BBC3  com o melhor do humor da terra da Rainha, que obviamente eles melhor do que ninguém, sabem muito bem como fazer na medida certa.

Confesso que eu gosto muito desse tipo de humor inglês, que quando é ácido é ácido mesmo, sem meio termo e é exatamente isso que encontramos em Bad Education.

Seu cenário é uma escola, um high school qualquer repleto das mais diferentes figuras, mas o foco da série não são exatamente os seus alunos e sim o pior professor de todos os tempos, Alfie. Irresponsável, muitas vezes bem mais infantil e imaturo do que os próprio alunos, ele apesar de todas as suas falhas é super querido entre os estudantes (não do tipo que todos ficam o observando como se ele fosse um grande exemplo de comportamento e mais como amigo mesmo, como mais um da turma), que é claro que adoram o perfil do professor, isso até a coisa apertar e todos eles se encontrarem prestes a repetir de ano.

Apesar de título de um dos piores professores dos últimos tempos, Alfie também poderia ser considerado com um ótimo professor, pelo que ele consegue fazer com a sua sala de aula, tornando suas aulas bem mais interessantes (e elas ficam mesmo bem interessantes), mesmo que cinco minutos depois ele perca totalmente o foco. Na verdade, nunca entendi muito bem o porque que para ser considerado um bom professor, o profissional precisa ser extremamente sério. Meus melhores professores ao longo da vida (ou os que eu lembro com saudades) foram todos contadores de histórias e super bem humorados.

Claro que dentro desse cenário, todos os personagens acabam sendo umas figuras, como o diretor invejoso, a vice-diretora que fica no pé de Alfie, além da professora de biologia, interpretada pela Sarah Solemani, de Him & Her. Sem contar os alunos, que são todos caricatas e divertidíssimos. As piadinhas com o cadeirante ou o aluno gay da turma, foram todas excelentes nesse piloto.

O bacana também é que a série é uma criação do próprio Jack Whitehall (Höy!), que interpreta o professor Alfie, uma das grandes apostas do novo humor inglês. Tanto que a série mesmo com apenas dois episódios exibidos, já havia garantido a sua segunda temporada.

Uma comédia divertidinha, inglesa, o que por si só significa que é curta, objetiva e sem muita enrolação, mas que não é nada demais também,  do tipo para assistir sem muita ansiedade ou compromisso. (sabe quando nossas preferidas entram naquele hiatus e ficamos todos carentes? Então…)

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Episodes – É, não foi dessa vez Matt LeBlanc

Janeiro 6, 2011

Uma série que traz a volta de um dos astros de Friends (interpretando ele mesmo) não pode simplesmente ignorar esse fato e decidir coloca-lo no ar por apenas alguns minutos em seu episódio piloto, não é mesmo?

E é exatamente isso que acontece com a nova série do Showtime, algo que eu considero imperdoável. Ainda se a série fosse boa mesmo sem ele, ainda vai neam? Mas não é, fikdik.

O elenco é fraco, bem fraco. As piadas não funcionam e em alguns momentos chegam até a ser ofensivas. Por exemplo quando o Mark faz piada sobre um documentário com crianças com síndrome de Tourette (shameonyou), ou quando o chefe e dono do canal de tv faz piadas intermináveis e sem a menor graça com a sua mulher que é deficiente visual (shameonyou2).

E não me entendam mal, porque todos vcs sabem que eu adoro comédias de absurdos e textos politicamente incorretos, desde que sejam inteligentes, mas esse não é o caso da série, não mesmo. Em Episodes, essas piadas parecem mais de mau gosto do que qualquer outra coisa e esse tipo de humor não me agrada.

Matt LeBlanc eu achei que se arriscou demais interpretando ele mesmo na série. Porque todos nós temos aquela imagem dele como um cara divertido, bacana. O Joey neam? Mas na série ele passa longe de tudo isso e o seu personagem chega perto de se tornar um ator arrogante e medíocre qualquer de Hollywood. Mas será que ele é assim mesmo? Espero que não, porque durante os 10 anos de Friends ele me enganou direitinho, humpf!

O casal protagonista é bem fraco também. Ele ainda é melhor do que ela, um pouco mais engraçado e caricata, mas mesmo assim não cola.

E aquela abertura hein? Achei podre…

Estava ansioso para ver o Joey de novo, mas com apenas 2 eps toda essa ansiedade passou. Preguiça…

Melhor aguardar pela série do Chandler e rezar para que a decepção não se repita.

Talvez a história ainda fique melhor a partir do momento que eles começarem a filmar a tal série dentro da série (confuso, eu sei), o que ainda não aconteceu nos dois primeiros episódios, outro grande erro. Um grande risco porque talvez até lá, muita gente já tenha perdido a paciência assim como eu, que não gostei de nada do que eu vi até agora, fikdik.

O promo engana muito bem e faz a série parecer mais engraçada do que ela realmente é (ou pelo menos do que foi até agora), recomendo então à quem se interessar em ver Episodes, que pule os dois primeiros e comece a assistir a partir do próximo ainda inédito (1×03), que quem sabe fica melhor neam?

The Walking Dead esta chegando…

Setembro 27, 2010

Dia 31/10 no AMC. Vista o seu pj com estampa de caveireeenhas e prepare-se para a invasão de zombies no Halloween. Me-do!

ps: vou assistir é claro, mas agarrado no meu ursinho carinhoso purple, rs


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