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Glee resolvendo falar (e muito bem por sinal) de coisa séria

Fevereiro 23, 2012

Suicídio. Tocando em um assunto tão delicado e que sempre deixa a gente meio assim, Glee nunca foi tão a fundo em um problema e de forma tão digna e mesmo assim, ainda há quem não consiga levar a série a sério. Dá para entender?

Com um texto sensacional, músicas altamente relacionadas com o plot do episódio, a série conseguiu tratar um assunto tão delicado, da melhor forma possível, mostrando diferentes pontos de vistas e reações quando o assunto é o suicídio.

E tudo isso trazendo de volta o David Karofski como centro das atenções, arrancando o personagem de dentro do armário de forma violenta e aproveitando para mostrar que nem todo mundo está pronto para esse momento, embora todos devessem enfrentá-lo da forma mais adequada e na hora certa para cada um.

Aquela sequência inicial, com o Blaine cantando e o Karofski se preparando para o seu momento de total desespero, foi algo além do sensacional, uma das melhores sequências musicais da série até hoje (me lembrou até de certa forma, o parto da Quinn). Porém, tudo isso sem grandes espetáculos, coreografias ou algo do tipo, apenas uma boa história retratada “musicalmente” e com muita sensibilidade, transmitindo todo o peso e a dor que o personagem certamente estava sentindo naquele momento.

Os olhares de ódio dentro daquele vestiário, as provocações e todos os conflitos internos do próprio personagem em ter que aceitar a sua realidade a partir desse momento, foram tão reais, que não teve como não se emocionar ou sentir toda aquela pressão, tendo vc passado ou não por algo parecido no colégio. (been there, done that, messed around…humpf!)

Algo que chega até a ser uma covardia sem tamanho, quando vc é obrigado a enfrentar algo tão pesado e isso tão cedo em sua vida, ainda mais quando se é adolescente e vc ainda se encontra em processo de formação de tudo e normalmente não tem muita experiência e tão pouco  sabe muito bem como lidar com esse tipo de situação. E pior ainda, as vezes não tem nem com que dividir todo esse peso, como o próprio personagem na série.

Ainda bem que nesse caso, o final da história não foi trágico e foi bem bacana ver os professores e alunos tendo que lidar com a sua parcela de culpa na situação, que é como todo mundo próximo a um suicida acaba se sentindo quando ele resolve tomar tal atitude. Mas quantas histórias nós conhecemos que não terminaram tão bem assim? (…)

Bacana também ver como hoje em dia, o assunto é ainda mais delicado, com a participação efetiva dos haters anônimos em redes sociais, levando esse tipo de bullying para um outro nível. O que me dá até um certo alívio por ter vivido em uma outra época, além de sentir pena por quem tem que passar por esse tipo de situação nos dias de hoje.

Kurt com culpa por não ter conversado mais com o garoto que estava passando por uma barra que ele bem conhece (mas nesse caso, a gente até entende), os professores parando para pensar no porque não conseguiram detectar nada em seu comportamento enquanto ele foi aluno do colégio e até o bee pure evil dos Warblers (que está ganhando momentos ótimos ao lado do Santanão), repensando o seu conceito de comédia quando se trata de algo da vida real.

Tudo muito bem feito, tratado seriamente e isso em uma série que nunca é tratada a sério, como deveria ser. Fico irritado ao sentir a sensação de que é preciso ser um loser para entender Glee e acho que isso só pode revelar um preconceito velado da sociedade, que tende a tratar com pouco caso algo que eles desconhecem ou que não vivenciaram, por achar tudo simples demais de ser resolvido. Que é como a vida deve ser para aqueles que ela sorri o tempo todo, como bem lembrou o Kurt a Quinn em um outro momento excelente do episódio.

Aliás, precisamos reconhecer que o texto desse episódio estava afiadíssimo e as piadas sobre eles mesmo foram as melhores, como quando a Tina disse com a maior sinceridade desse mundo que o seu sonho era “ganhar uma música”, algo que eles estão devendo para ela já faz tempo em Glee, ou quando a Sue aproveitou para fazer piada sobre a participação da Quinn no coro ao fundo das apresentações do glee club e os seus indispensáveis  “Ohhhs” e “Ahhhs” que certamente fazem a diferença, só que ao contrário. #TEMCOMONAOAMAR?

Só continuo achando um pouco desnecessário o plot do casamento do casal Finn e Rachel, mesmo que com isso nós tenhamos ganhado a participação afetadíssima e super divertida dos pais da própria Rachel e o ator Jeff Godblum esteve impagável na platéia, todo emocionado durante a apresentação do solo da sua filha durante episódio). Também achei um pouco constrangedor a histórinha da tentativa de suicidio da professora Schue, mas entendi que eles tentaram mostrar que a motivação poderia ser qualquer uma nesse caso (mas que o motivo foi constrangedor, isso foi). E a Sue anunciando a sua gravidez? (Zzzz) Será que teremos o parto de um adulto vestindo terno e com a sua pasta de negócios como disse a excelente nova treinadora no episódio anterior?

Como já era de se esperar, considerando que esse é o último ano para alguns deles no colégio, eles venceram a competição e as apresentações foram excelentes, com espaço para todo mundo. E novamente eu repito, com um setlist super apropriado para o momento do episódio.

Detalhe que ao final do episódio, ainda ganhamos um plot que valeria como motivo de comemoração para alguns (por pior que isso posse parecer) com o acidente da Quinn na estrada, mas já foram vistas imagens dela andando de cadeira de rodas ao lado do Artie nos sets de gravção da série, portanto, parece que ainda não foi dessa vez que nós nos livramos dela. Humpf!

Agora só nos resta esperar o retorno da série, que entra em hiatus depois desse winter finale e só retornará em Abril, com o “3×15 Big Brother” que deverá contar com a participação do Matt Bomer. (Höy!)

E mesmo tirando tudo isso, a competição, os excelentes números musicais, o texto, o momento trágico e de suspense do final do episódio, nada conseguiu chamar mais a atenção do que a questão do suicídio discutida tão corajosamente e dignamente em uma série considerada como teen ou tola para alguns. Com certeza, um dos episódios mais emocionantes e especiais de Glee (♥). Clap Clap Clap!

Não sei se porque eu fui como um desses adolescentes em Glee no colégio, mas toda vez que eu ouço uma história pelo menos  parecida, eu sinto vontade de abraçar cada um deles e dizer que por pior que o presente possa parecer, no final das contas tudo acaba dando certo e existem diversos caminhos diferentes para que isso aconteça. Talvez eu nem seja um grande exemplo disso, mas eu posso dizer com um certo orgulho até, que eu sobrevivi lindamente, com todas as marcas, algumas mágoas e traumas daquela época pavorosa, mas nada melhor do que ser feliz para esquecer essas coisas todas e deixar tudo muito menor do que foi um dia. Pode parecer clichê, pode parecer cafona, mas acreditem, essa fórmula ainda funciona!

gLee!


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