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Estaríamos observando de perto a morte de Grey’s Anatomy?

Outubro 2, 2012

Sorry (e digo isso sinceramente, em um mix de raiva e pena por tudo que está acontecendo), mas essa foi a sensação que eu tive ao assistir a premiere da Season 9 de Grey’s Anatomy (9×01 Going Going Gone), que nos trouxe como proposta para o início da sua nova temporada exatamente isso, a observação da morte, onde passamos esse primeiro episódio acompanhando os últimos momentos de vida de Mark Sloan e que para mim, acabou servindo como uma espécie de metáfora para o que eu vejo que está acontecendo hoje na série.

Hoje não, porque essa sensação veio diretamente daquele final pavoroso da Season 8, que eu não gosto nem de lembrar. Desde então, senti que a série conseguiu fazer o que parecia ainda estar distante da sua história atual, que era o fato de conseguir se perder de vez. E depois de um acidente como aquele, não havia a menor possibilidade da série continuar como estava e tudo precisava mudar, infelizmente. (porque até antes disso, estava tudo bem bom)

Assim mudamos e essa mudança não foi para melhor, onde o cenário que nos foi apresentado durante esse primeiro episódio da nova temporada só me fez sentir pena e não a respeito do que era a sua proposta. Pena não de um médico moribundo vivendo seus últimos momentos de vida, mas sim por ver uma série se afundar em um tipo de drama que ela não precisava estar enfrentando a essa altura, não depois de uma temporada tão bacana como havia sido a anterior até o seu finale, que conseguiu praticamente anular tudo de bom que a série havia feito durante a Season 8.

Entendam, eu gosto de Grey’s Anatomy e sempre gostei (já disse isso até e não vou ficar me justificando). Comecei a assistir a série durante sua Season 3, mas logo me vi apegado aos personagens e fui procurar recuperar o tempo perdido com as outras duas temporadas anteriores. Nesses anos todos, nossa relação sempre foi ótima, apesar de nem sempre ter sido muito feliz, mas assim são as relações de quase todo mundo, cheias de altos e baixos. Mas realmente aquele final da Season 8 me deixou descrente de que algo de bom poderia vir de uma história como aquela e a partir disso eu só conseguia temer o que viria pela frente, sem conseguir enxergar nada de positivo vindo disso tudo. Algo que se confirmou com a premiere da semana passada, infelizmente.

Primeiro que Meredith está longe de poder ser considerada a nova Medusa, apelido carinhoso que ela acabou ganhando dos novos internos, que como nós bem sabemos, entraram na série para morrer em algum plot trágico dentro da temporada, onde muito provavelmente apenas um deles conseguirá sobreviver até o final, para se tornar a nova Kepner (nem me fale desse nome…). Mas voltando a Medusa, Meredith estava muito mais para uma vítima da Medusa do que qualquer outra coisa, porque ela parecia mais fria e distante, praticamente esculpida em pedra do que malvada e impiedosa para justificar tamanho medo dos novos internos em relação ao personagem. Digamos que se Meredith malvada é daquele jeito, ela nunca deve ter assistido “Mean Girls” ou qualquer coisa do tipo na vida. Poir isso podemos afirmar que Meredith é totalmente café com leite em termos de vilanice.

Dra Bailey sim, essa estava perfeita para o seu novo apelido, BCB (Booty Call Bailey), que é só o que ela faz agora na série e isso nem é de hoje. Já faz algum tempo que a Shonda deixou de gostar da Bailey e desde então a personagem veio ganhando uma aura tola de alívio cômico que agora beira o insuportável. O que foi ela tocando no assunto do tal novo apelido, quando todo mundo estava observando alguém morrer (alguém que importava para todos eles) a qualquer instante? Super apropriada, só que ao contrário, over e totalmente sem graça.

Yang se mudou, agora atende em outro hospital, de onde ela parece estar visivelmente arrependida de ter aceito a vaga. OK. E não sei se foi eu que não entendi, mas ao que tudo indicava através de suas conversas com a Meredith via tablet (sim, agora eles são modernos e conversam por vídeo em seus gadgets patrocinados), ela andava adiando um visita a Seattle, muito provavelmente por medo de voar devido ao trauma que os sobreviventes do desastre aéreo deveriam estar enfrentando atualmente, o que até então me parecia ser bem coerente. Mas como é que ela foi parar lá em primeiro lugar? Foi de trem, lotação, andando de joelhos para pagar uma promessa?

Apesar do episódio ter tido alguma emoção por conta da situação do Mark, que estava em coma, enfrentando seus últimos momentos para tentar voltar a vida (30 dias pós o tal acidente), achei um pouco “descabido” toda aquela situação para a despedida do personagem, que sendo extremamente sincero, nunca foi dos mais importantes dentro da série e nunca teve um plot dramático digno, a não ser durante a sua despedida com a Lexie (sorry, mas pensem bem na trajetória do personagem até aqui antes de reclamar de qualquer coisa) e por isso, talvez toda a emoção que se esperava alcançar com um episódio como esse, cheio de videos do passado com momentos dele interagindo na história dos demais (ZzZZZ), todo esse nível de emoção não conseguiu ser alcançada pelo fato do personagem sempre ter tido pouca relevância durante todos esses anos dentro da série. Sei que pode parecer coisa de gente sem coração, mas no meu caso, essa emoção teria sido alcançada facilmente se naquela cama de hospital estivesse a Bailey, o Karev e até mesmo o chato do Derek, por exemplo.

Até que chegamos ao momento que para mim foi a gota d’água do episódio, esse dividido em duas partes, com a volta de duas personagens que a gente estava torcendo para que uma delas tivesse sumido da face da terra, ou que houvesse um plot de viagens no tempo dentro da série (já que agora tudo parece possível em Greysa) e nele a personagem tivesse ganhado uma passagem de última hora para o voo da sua morte e a outra, que tivesse sido enterrada na floresta de Lost sem o direito de ter o Vincent vigiando o seu corpo e tudo isso exatamente nessa ordem, seguido de uma sequência de cinco minutos de aplausos vibrantes. Juro que eu quase não consegui me conter de tanta raiva quando o Hunt foi buscar a Kepner naquela fazenda no fim do mundo ao final do episódio e torci para que ele acabasse trazendo o porco e não a ex médica que ele mesmo havia demitido lindamente no passado. Sério, que alguém ainda aguenta aquela mulher dentro do hospital? Com quem é que ela está saindo? E qual é o problema do Owen com porcos? Ele só come comida kosher, é isso?

O mesmo aconteceu quando Callie depois de ter passado o episódio inteiro sendo tratada como viúva da forma mais cara de pau possível, chegou em casa e vimos que Arizona não havia sido excluída do mapa americano ainda, ao contrário do que tudo indicava até então e com o detalhe de que agora ela teve sua perna amputada pela própria esposa. Sim, eu não estou exagerando meu caro leitor, eu disse mesmo amputada e disse também pela própria esposa, nessa ordem, com close no corte feito no truque e tudo mais. Sério. E Callie sensível como nunca, gritando para ela levantar da cama? Dafuck? Nesse momento eu finalmente cheguei a conclusão: perdemos Grey’s Anatomy.

Não que esse detalhe não tenha acarretado uma carga dramática para a série, mas precisava mesmo? Como se o acidente já não tivesse sido lame o suficiente, como se eles todos já não estivessem reagindo muito bem para quem ficou dias na selva (1 semana se eu não me engano, sem ajuda, com uma irmã morta ali no canto, ferimentos sérios em quase todos eles e um único fósforo), isso tudo sem um revisita a aquele cenário (que eu aposto que ainda vai acontecer em flashs ou em um episódio qualquer dedicado as vítimas da parte traseira do avião… rs), ainda precisamos ter que lidar com esse tipo de drama barato daqui para frente?

Sinceramente? Achei que Shonda escolheu dar atenção para o drama errado e para os personagens errados daqui para frente. Se todo mundo tivesse ficado traumatizado pela queda, com diferentes níveis de depressão ou trauma, alguns não quisessem nem saber de voltar ao trabalho, outros pensando que poderiam ter sido eles naquele acidente (Karev), alguns voando como se não houvesse amanhã, tentando cair de avião novamente na ilha (rs), talvez por um caminho mais ou menos como esse (ou qualquer outro, porque Shonda é muito bem paga para escrever muito melhor do que qualquer uma das minhas ideias), a gente até conseguísse encarar esse retorno da série com mais dignidade apesar de tudo, mas da forma como ele aconteceu, realmente não dá.

Talvez também essa fosse a hora  perfeita de reconhecer que errou, que perdeu o limite e se Shonda tivesse dito nessa premiere que tudo não passou de um sonho, eu juro que não teria acha ruim. Disse inclusive isso para ela no Twitter, rs.

Honestamente, apesar de todo o clima do episódio, eu só consegui me emocionar verdadeiramente em dois momentos, com o Chief narrando o procedimento enquanto desligava os aparelhos, lembrando a Callie e o Derek que naquele momento, eles estavam ali como pessoas comuns e não médicos (suck it Callie!) e com o Avery (personagem por quem eu nunca me importei muito, pasmem!) se despedindo do Mark de forma muito mais adequada do que qualquer um deles que passaram muito mais tempo ao seu lado ao longo dos anos.

E realmente a minha sensação durante toda essa premiere de Grey’s Anatomy foi a de que nós enquanto audiência estávamos naquele momento fazendo as vezes dos médicos durante o episódio, observando algo que nós gostamos tanto um dia, ir perdendo totalmente a sua força e morrendo ao poucos. E ver uma série como Grey’s Anatomy morrer assim é extremamente triste porém, a essa altura, já me parece ser inevitável.

 

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