Posts Tagged ‘Aaron Sorkin’

A temporada menos política e mais comédia romântica de The Newsroom

Dezembro 26, 2013

newsroom-season-2

No passado, com uma história política bacana que conseguia brincar com fatos reais e importantes para o mundo todo (alguns mais, outros menos), The Newsroom chegava para se firmar rapidamente como uma das melhores novidades da temporada. Apesar de séria, ela também conseguia brincar com o lado “comédia romântica” da coisa, algo que algumas vezes até nos fez torcer bastante o nariz, mas logo conseguimos reconhecer que a nova série tinha um potencial que ia além desse detalhe muitas vezes irritante. Mas acima de qualquer coisa, The Newsroom ainda chegava com a assinatura do Aaron Sorkin (gostaria de saber como anda o projeto dele com o John Krasinski a respeito do Chateau Marmont, do qual nunca mais se ouvir falar nada…), o que por si só já nos fazia ter algum interesse e ou esperança em relação a nova série.

Entre altos e baixos em sua Season 1, eles até conseguiram um saldo bastante positivo em relação ao que não foi tão bacana assim durante a temporada, conseguiram brincar lindamente entre o campo dos fatos reais que se mesclavam com a história do mundo e ainda conseguiram manter um nível bem bacana mesmo na parte “cômica romântica” da questão. Apesar de qualquer coisa, era fácil conseguir reconhecer que a força maior da série estava mesmo no lado político da história, tanto pela crítica em relação a qualquer assunto delicado do passado (a série começa em alguns anos atrás e ainda não chegou aos dias atuais, mas agora já está bem perto disso, algo que eu acho preocupante…), quanto pela postura adotada pelo seu texto impiedoso e recheado de argumentos prontos para defender o seu ponto de vista ferozmente (mesmo colocando o seu protagonista como pertencente ao grupo do outro lado da força). E assim eles fizeram ao longo de sua temporada de estreia, onde em diversos momentos, apesar de nos sentirmos um tanto quanto perdidos de vez em quando na questão política quando o assunto em questão era algo mais voltado a realidade do povo americano e não em relação a assuntos que faziam de alguma forma parte do resto do mundo, The Newsroom conseguiu inclusive nos emocionar por diversas vezes, mostrando principalmente um lado quase que poético de se fazer jornalismo na TV, algo que certamente deve ter sido inspirador para quem divide a mesma profissão, apesar de pouco real e talvez um tanto quanto distante demais da realidade.

Pois nessa segunda temporada, acabamos esperando um pouco mais do mesmo, pelo menos da parte boa que conseguimos encontrar ao longo do começo dessa história, mas parece que eles resolveram inovar e a proposta para essa segunda temporada acabou sendo um tanto quanto diferente. Talvez por terem queimado cartuchos importantíssimos ao longo da primeira temporada em relação a notícias de importância mundial (pensando no volume de assunto que foram tocados durante a Season 1, é fácil reconhecer que na atual temporada, tivemos um volume bem menor de histórias e ou fatos políticos relacionados a série), ou apenas para realmente tentar algo novo, The Newsroom resolveu manter apenas um plot central em evidência ao longo da temporada, mantendo a maior parte de sua Season 2 centrada em um caso baseasdo em um erro jornalístico, uma entrevista incriminadora forjada, pela qual a equipe de McAvoy acabou sendo julgada como responsável. Um plot também bastante atual de certa forma, envolvendo questões políticas fictícias mas não tanto assim, como o uso de gás sarin em civis a favor do exército americano em batalha.

01newsroom-

Nesse caso, eles acabaram presos durante muito tempo dentro de uma única questão, deixando um pouco mais de lado os assuntos políticos diversos que foram tão bem explorados ao longo da Season 1 e que nós reconhecemos logo de cara como o grande forte da série. Mesmo deixando tudo isso de lado, The Newsroom conseguiu se manter como uma série interessante, até que o assunto acabou se tornando massante demais, mesmo porque, apesar de só terem nos revelado o que realmente havia acontecido com a tal reportagem forjada bem próximo do final da temporada, havia uma desconfiança geral de que o novato na equipe (sim o irmão magia nerd da Old Christine), aquele que estava de olho no cargo do Jim, estava mais do que envolvido na questão toda e não os demais membros antigos da equipe, ou alguém realmente ficou surpreso com a revelação? Por favor, me respeitem.

Apesar de ter menor espaço, as questões políticas ainda fizeram parte da nova temporada da série da HBO, com o tea party ainda revoltado com os insultos ao vivo do Will e a campanha política da reeleição do presidente Obama, que também foi bem presente ao longo dessa nova temporada. Nessa segunda opção, tivemos o Jim sendo mantido um tanto quanto afastado demais da redação, algo que não pode ser deixado de se apontar como mais um dos pontos negativos da temporada, uma vez que nos apaixonamos completamente por ele desde o seu primeiro tropeção dentro daquele ambiente de trabalho e por esse motivo, lamentamos a sua ausência dentro daquele cenário.

Acompanhando a campanha do oponente do Obama (Romney) naquela época apenas para ficar longe da Maggie (que usou a pior peruca da história das piores perucas da TV nos últimos 150 anos luz), Jim acabou se envolvendo em histórias menos interessantes e de quebra ainda trouxe uma nova personagem para a trama (chatinha…), algo que a essa altura não se fazia necessário, uma vez que a questão toda envolvendo a Maggie, sua melhor amiga (que para quem não ligava muito para a situação no começo até que está apaixonada e ou rancorosa demais, não?) e ex do Jim, ainda não havia sido totalmente resolvida. Outro ponto fraco da história foi toda a questão envolvendo a justificativa para o novo corte pavoroso da Maggie pós ida a Africa (sério, o que era aquela peruca e porque ela não foi no salão dar um jeito naquele corte feito a foice por ela mesmo?), que mais tarde acabou sendo explicada com uma historinha até que bem bonitinha, mas que acabou bem perdida em meio ao foco central da temporada.

jeff-daniles-emily-mortimer-the-newsroom1-ep-5-550-hbo

E se o lado político em questão acabou ficando realmente um tanto quanto de lado ao longo dessa Season 2 e em compensação, o lado “comédia romântica”  nunca esteve tão presente na série e confesso que acabou sendo um dos atrativos a parte para essa temporada visivelmente mais fraca em termos de assuntos realmente interessantes para The Newsroom. Teve toda a questão da Sloan com o Don (quem eu acabei vendo com outros olhos durante essa Season 2. Ele, e não ela, que fique bem claro), que foi bonitinha mas foi só isso também, a própria história inacabada do Jim com a Maggie (que parece que não vai ter fim tão cedo, nem com outra excursão no ônibus de Sex And The City) e é claro que o grande plot central dentro desse gênero na série, que sempre foi a história mal resolvida entre Will e MacKenzie, que a essa altura parecia também não ter mais fim, mas que finalmente chegou a um ponto pelo qual esperamos desde a Season 1, com Will finalmente conseguindo ter coragem de pedir a mulher da sua vida em casamento, o que de fato aconteceu e foi um momento bastante especial para a série política.

Mas é claro que até chegarmos a essa ponto, fomos enrolados com uma série de pormenores, com encontros e desencontros envolvendo o casal, além do despejo de mais algumas mágoas dessa relação conturbada e novos affairs que na verdade, pouco nos despertaram qualquer tipo de interesse. E novamente tivemos a questão do Will ser o chefe da MacKenzie e ela estar a frente do caso da matéria forjada, o que de certa forma só foi mesmo uma distração não muito eficaz em relação as nossas suspeitas para o que aconteceria até o final dessa segunda temporada, ou alguém achou mesmo que a MacKenzie seria deemitida ou que pior, Will, Chartlie (sempre excelente) e a própria MacKenzie fossem bancar aquela história da demissão em grupo? (também achei meio repetitivo o plot dos demais da redação oferecendo suas próprias cabeças nessa hora, algo que lembrou demais aquela metáfora do filme antigo da Sessão da Tarde utilizada pelo próprio Will no começo da primeira temporada)

Por todos esses motivos, podemos dizer que a Season 2 de The Newsroom acabou sendo bastante problemática e isso aconteceu principalmente porque eles resolveram tentar algo novo, distante da fórmula que já havia dado bastante certo ao longo da primeira temporada. Um risco que eles decidiram tomar e que não foram tão felizes assim com a sua execução. Conseguiram consertar o lado comédia romântica da coisa, que tanto nos incomodava no passado? Até que conseguiram, porque essa talvez tenha sido a parte menos chatinha da Season 2, mas em relação as questões políticas que encontramos ao longo da temporada de estreia e aquela emoção toda que eles conseguiram nos despertar facilmente naquela época, realmente ficaram a desejar e faltou um pouco mais de variedade nessa área para que a gente conseguisse reconhecer e identificar a série com o que já havíamos visto anteriormente. Me lembro de no passado ficar confuso, buscar informações sobre o que eles estavam falando ao longo do plot do episódio e dessa vez, não foi necessário o menor esforço para conseguir acompanhar aquelas miseras questões que apareceram. Uma pena, porque nós que gostamos desse tipo de série, gostamos de pensar também.

De qualquer forma, The Newsroom continua sendo uma grande série. Pode não ter sido a melhor, mas continua valendo a pena.

 

♥ Já está seguindo a magia do Guilt no Twitter? Ainda não? @themodernguilt

A temporada final de 30 Rock – Blerg!

Fevereiro 15, 2013

51otSWhz58L._SX500_

Primeiro de tudo, foi lindo poder ver uma série como 30 Rock chegando a sua sétima temporada. E chegando bem, com apenas um deslise aqui ou ali (significando uma temporada ou outra mais fraca do que as demais, mas ainda assim bem boa), mas encontrando rapidamente a boa forma de seus primórdios e chegando a sua reta final da melhor forma possível, embora obrigada a amargar uma última temporada reduzida (me recuso a dizer que foi melhor que nada, mas foi). Tina Fey afiadíssima como sempre, Alec Baldwin em seu melhor papel na vida. Até o elenco mais canastrão ou caricata da série esteve muito bem durante todos esses anos até o final da série e até mesmo os coadjuvantes mais coadjuvantes tiveram a sua vez no series finale, nem que seja apenas por um simples detalhe, como o boné do Frank onde dessa vez estava escrito “Period”, nada mais apropriado para uma conclusão encerrando o plot dos seus easter eggs escondidos nesse tipo de detalhe simples, mas que muitas vezes acabou funcionando como uma das melhores piadas do episódio para quem é mais atento a esse tipo de detalhe, por exemplo.

Apesar de não ser nada fácil aceitar que algo que gostamos tanto finalmente tenha encontrado o seu fim, acho que nesse caso não podemos nem lamentar, porque 30 Rock foi uma experiência totalmente atípica na TV, uma verdadeira exceção a regra. Em pensar que a NBC continuou apostando na série até então, mesmo com a sua baixa audiência desde sempre, podemos perceber que realmente ela foi uma exceção. Baixa para alguns, seletiva para outros, mas fato é que a série conseguiu um feito que poucas outras que seguem uma linha semelhante (Community, Parks & Rec…) terão a chance de conseguir um dia a chegar pelo menos perto do que a série alcançou. Ainda mais agora, em tempos de mudanças, quando encontramos um canal como a NBC, que sempre foi o dono das ótimas e memoráveis comédias da TV, algumas bem inovadoras e que acabaram fazendo escola (como a avalanche de single-camera como fundamento que andou se multiplicando nos últimos anos), canal que agora se encontra visivelmente enfrentando uma crise de identidade preocupante, tentando popularizar o humor, entregando novos projetos cada vez mais mastigados ou fáceis de serem digeridos e tudo isso em busca de uma maior audiência, grandes números, coisa que 30 Rock e algumas de suas colegas nunca ou nem sempre tiveram. Mas, mesmo com 30 Rock quase nunca figurando entre as séries mais vistas, eles sempre foram lembrados em quase todas as premiações de TV, o que de certa forma, sempre acabou trazendo um certo prestígio para a série e além disso ajudou muito a colocar o nome da Tina Fey entre os maiores comediantes do momento. E nesse caso, não estamos nem separando por gênero, que fique bem claro. Te amo, Tina Fey. Quer ser minha mentora na vida?

E não pensem que essa crise passaria batido na série, porque Tina Fey estava lá, pronta para criticar a própria emissora que sempre lhe deu a maior liberdade para tratar sobre qualquer assunto, inclusive apontar o dedo e mostrar os atuais defeitos da própria empresa onde ela trabalhava. E tudo isso com muito bom humor, mesmo quando optando pelo escracho, sem precisar atacar com armas pesadas demais para mostrar o seu ponto de vista, mesmo quando ela fazia críticas duras a todas essas mudanças do seu canal ou sobre um outro assunto qualquer. E não é nem uma questão de humor com classe não e está mais para um humor inteligente mesmo, do tipo que sabe rir da própria desgraça como ninguém e por isso talvez saiba fazer piada com os demais como ninguém também.

Começamos inclusive essa temporada de despedida falando sobre o atual problema do canal e toda a sua crise de identidade e talvez esse tenha sido um dos assuntos mais recorrentes dessa temporada final, propositalmente é claro. A minha crítica preferida nisso tudo foi entregue no episódio com o macaco como centro das atenções, uma crítica explicita a nova série já cancelada pelo canal e que até então era uma aposta certa (a total lame Animal Practice) do mesmo. Ainda nesse episódio, eles aproveitaram para se defender da ideia preconceituosa e sexista que ainda ecoa por aí de vez em quando, uma ideia estúpida que diz que  “mulheres não podem ser engraçadas”, algo que nesse caso, temos sete temporadas que nos provam totalmente o contrário e um recente Golden Globes comandado pela dupla Fey + Poehler que foi a melhor premiação dos últimos tempos. Inclusive, tenho certeza que ao final desse episódio, a Amy Poehler herself ligou para a Tina Fey só para dizer um “You Go Girl/Girl Power”, enquanto ambas planejavam o brunch do próximo sábado (apesar de não estarmos mais nos 90’s, rs) na companhia da Mindy Kaling e da Lena Dunham, é claro. (sério, esse seria o meu novo Sex And The City preferido ever e ou sonho de date perfeito para qualquer sábado entre a manhã e a tarde com as amigas. E se quiserem um quinto elemento daqueles, me liguem, ghols! Eu e NY estamos super disponíveis para abraçar esse projeto… rs)

30-rock-b12b63ed47df3b022

Como estávamos assistindo uma temporada de despedida, nada mais justo que alguns personagens e plots recorrentes de todas essas temporadas acabassem aparecendo para se despedir (até o Jonathan voltou! Ele que eles mesmo fizeram questão de fazer piada quando o ator saiu da série para fazer Whitney, outra grande bobagem da TV que continua rendendo mas que logo ele foi descartado do elenco), assim como algumas resoluções que ainda precisavam acontecer para os personagens principais da série, que ainda tinham alguns assuntos importantes para encerrar. Deles todos, foi excelente rever o Will Arnett fugindo daquele pesadelo que é a sua série atual (Up All Night, mais uma aposta super furada desde a sua estreia pela NBC, que acaba de perder a Christina Applegate do elenco principal e dizem que para manter a série com um novo formato de sitcom, que a propósito, é a nova aposta do canal, eles estão considerando até contratar a Lisa Kudrow de Friends antigo como sua substituta. Sério. DaFuck NBC? ), ele que acabou voltando como o grande nemesis do Jack (ele e sempre ótima Chloë Moretz), também vivendo um dos seus melhores papéis na TV, ainda mais quando comparado ao seu atual emprego (um deles, porque em Arrested Development, nós estamos esperando confiantes e ansiosamente que ele volte unfirah!). Mas nada foi mais especial do que a despedida da Colleen, mãe do Jack, que acabou fazendo a passagem em um dos melhores episódios da série, com um funeral recheado de acontecimentos dos mais absurdos possíveis.

Entre todas as resoluções da temporada, encontramos o Jack atingindo o sonho do cargo máximo dentro da emissora, depois achando que nada daquilo fazia sentido na sua vida depois de preencher o gráfico em formato de pizza de tudo aquilo que ele ainda precisava realizar para ser um homem completo e feliz (e os itens do mesmo eram todos sensacionais. O que foi ele cantando super enturmado e naturalmente no coral da igreja?), não se sentindo digno de comandar um canal de TV, ele que também parece ter sofrido um pouco daquela crise de identidade que já mencionamos anteriormente. Mas isso não a ponto de prejudicar o personagem, pelo contrário até. E quem não desconfiava que no final das contas, ele acabaria passando o seu posto para o Kenneth que desde sempre, entre eles todos, foi quem mais soube sobre o assunto? Claro que o papel caberia perfeitamente para o personagem, que foi do zelador a presidência durante essa temporada, mas não sem antes cometer alguns errinhos típicos de principiantes no poder, além de no final, a gente ter ganhado a confirmação de que sua idade realmente tratava-se de algo desconhecido e que merecia ter sido estudado. (do passado ao futuro, Kenneth esteve everywhere. EVERYWHERE!)

Jack Donaghy que esteve sensacional durante essas sete temporadas da série (olhando no relógio para ver se já não passou das seis para que eu vista o meu tux, porque afinal, eu também não sou nenhum fazendeiro, rs) e que com certeza foi o responsável pela retomada na carreira do Alec Baldwin, que estava mais do que decadente devido a suas escolhas, mas que dessa vez, conseguiu sair do limbo e nós esperamos que para nunca mais voltar. (Eu, aproveitando para fazer referência ao meu vício do momento, o game Limbo. Joguem, se viciem e depois venham dividir suas impressões comigo no GDA, gamers descaradamente anônimos). Jack descobrindo que a mãe era lésbica e as justificativas para tal foram alguns dos melhores momentos dessa reta final. O que foram todos aqueles objetos não identificados totalmente identificáveis (rs) na prateleira do quarto da mãe e sua outra metade? Ri por três gerações naquele momento. Sério.

Até que chegamos as resoluções dela, a nossa queridíssima Liz Lemon (♥) e todas elas foram mais do que especiais. Do seu casamento no melhor estilo “Star Wars”, até a chegada do seu casal de filhos adotivos, que eram exatamente como miniaturas foufas da Jenna + Tracy (claramente o seu karma e que com essa experiência de sete temporadas todos nós sabemos muito bem que ela conseguiria dar conta e que faria um excelente trabalho com aquelas crianças em sua vida e não temos a menor dúvida disso. You girl mom!), não teve como não amar cada uma delas, por um motivo ou por outro e todos eles ligados a mitologia da série e da personagem. Verdade é que durante todos esses anos, nós torcemos por aquela mulher, que poderia não ser exatamente como muita gente imagina como o perfil ideal para se alcançar o sucesso (nos colocando automaticamente fora desse grupo, porque se não somos como ela, queremos alguém parecido, logo estamos fora dessa categoria tola) mas que nem por isso não esteve no caminho certo em busca de deixar a sua vida como ela gostaria, sem romantizar demais as coisas ou estabelecer um ideal difícil demais de se alcançar.

30-rock-wedding

E Liz Lemon conseguiu, com uma lista até que invejável de ex namorados para alguém considerada como uma loser (Sudeikis, Hamm, Damon, um dos ex prisioneiros de OZ – esse menos invejável – e por último, o prince Charming em pessoa, mas não o de OUAT, rs) e que já estava até se acostumando com a ideia de ficar sozinha para o resto da sua vida (batendo três vezes de medo e pavor, não que eu tenha medo, que sei que poderia muito bem me virar sozinho, mas também não quero isso pra mim. Knoc Knoc Knoc), com uma boa parcela de ajuda de crédito para o seu mentor durante toda essa jornada (Donaghy), encontramos a personagem no final da temporada exatamente onde ela gostaria de estar, em um cenário feliz só que bem pé no chão, apesar de extremamente bem sucedido e com uma trajetória invejável em termos de programas de TV. Mesmo para os fictícios, rs.

Liz é exatamente um modelo da personagem possível, aquela que poderia muito bem ser eu ou você. Sem contar que é importante ter de vez em quando, só para variar um pouquinho, alguém como modelo de sucesso fugindo totalmente de qualquer um dos padrões pré estabelecidos e mesmo assim, conseguindo chegar lá sem se perder no caminho (e quando eu digo me perder, eu não estou querendo dizer errar e sim ir perdendo a identidade e ou fundamento durante o percurso). E como eu disse, sem romantizar o caminho difícil que é alcançar qualquer coisa que você queira muito na vida (que raramente vai acontecer facilmente), mostrando os obstáculos e as dificuldades encontradas nele e tudo isso com bom humor, aprendendo a rir da própria desgraça, mas ao mesmo tempo se levando a sério, só não a sério demais para não perder a graça. Confesso que em todas essas resoluções para a personagem, acabei derramando pelo menos uma lágrima, que saía junto com aquele 1/2 sorriso, por vê-la conseguindo atingir todos os seus objetivos. Querendo ou não, nos sentimos um pouquinho projetados e realizados pela própria personagem, achando que pelo menos estamos no caminho certo.

E o series finale da série, apesar de extremamente simples (mas dá para entender o overrated devido a tudo que ele representou para os fãs da série), foi também um grande presente para todos os fãs que acompanharam a série ao longo desses anos todos, recheado de referências a sua mitologia e revisitas deliciosas, quase como se ele fosse montando a base de piadas internas que apenas quem assistiu tudo de 30 Rock seria capaz de entender. Tracy, Jenna, Pete, Kenneth, Jack, Liz e até o Lutz, todos encontraram o seu destino, alguns inclusive no futuro e ao som de “The Rural Juror”. Sério, #TEMCOMONAOAMAR?

Ai a gente lembra que 30 Rock chegou a TV na mesma época de Studio 60, que trazia uma história com assuntos semelhantes, embora tratados de uma outra forma pelo Aaron Sorkin (que inclusive já participou de 30 Rock), série que não conseguiu durar mais do que uma temporada, mesmo sendo excelente (aliás, recomendo que todos vejam Studio 60, que tem o Matthew Perry no seu único bom papel depois de Friends). Mas 30 Rock conseguiu seguir em frente, mesmo não sendo das séries de comédia mais fáceis se assistir para alguns, com o humor mas óbvio para uma maioria, que conseguiu manter suas referências sem exagerar na dose ou se tornar pedante demais, recheada de auto crítica e dedos apontados para a própria cara, além de alguns sempre apontando para a cara dos outros também, é claro. Uma série que teve excelentes participações ao longo dos anos (só nessa última temporada, tivemos o Bryan Cranston completamente maluco e o Steve Buscemi de crossdresser, só para vocês terem uma ideia)  e todo mundo que é legal esteve por lá (menos a Mindy, a Amy Poehler, Lena Dunham ou eu, rs) e quem não é muito legal também (Kim Kardashian, Kellan Lutz interpretando de forma vergonhosa o sobrinho do próprio Lutz) e fez os melhores episódios ao vivo da TV de todos os tempos, duas vezes para cada um deles, com piadas diferentes para a costa leste e oeste, para que todos tivessem a mesma experiência e a gente pudesse comprovar o quanto eles são bons, mesmo duas vezes seguidas.

30 Rock - Liz

Assim nos despedimos de uma das melhores séries de comédia de todos os tempos, algo que talvez seja apenas o pontapé inicial para o fim de uma era na TV. Mas já estamos preparados para ver a Tina Fey em qualquer lugar, ler todos os seus livros e esperar o seu “Mean Moms” (para quem não sabe, o roteiro de “Mean Girls” é da Tina Fey), que eu aposto que ela planeja fazer depois daquele plot com as mães megabitches online criticando absurdos da postura uma da outra. Quem sabe?

De qualquer forma, foi ótimo poder comprovar que existem outros ótimos exemplos de sucesso dentro da TV e a Liz Lemon certamente está entre eles, que são poucos, mas que quando aparecem, acabam nos representando e muito bem. Série para fazer questão de se ter, rever e guardar em uma prateleira especial para sempre.

Obrigado Tina Fey. NERDS!

 

♥ Já está seguindo a magia do Guilt no Twitter? Ainda não? @themodernguilt

Keep going on, Matthew Perry, mas custa tentar um caminho diferente de vez em quando?

Outubro 4, 2012

OK, eu gosto do Matthew Perry, muito. O seu Chandler antigo é um dos meus personagens preferidos de todos os tempos, um cara com quem eu divido o mesmo senso de humor e me orgulho disso (entendam que eu já era um tipo de Chandler antes de conhecer o Chandler e quando ele surgiu a minha identificação com o personagem foi imediata) mas não é por isso que devo fingir que não estou vendo o que ela anda fazendo ultimamente…

Sua nova série por exemplo, Go On, tem um plot central bacana sobre pessoas em terapia, dividindo dramas pessoais dos mais variados possíveis (traumas, perdas e outros tipos de issues) e lidando através da terapia em grupo com cada um deles. Vários personagens ótimos inclusive, cada um já muito bem definido já no piloto (mesmo os que tiverem uma menor participação) e aparentemente, todos com chances de se tornarem bem engraçados com o tempo. Sabe quando vc consegue enxergar uma história interessante para cada um dos personagens secundários? Então…

Até que chegamos a ele, o próprio Matthew Perry e o seu personagem da vez, Ryan King e foi nesse ponto que a série me incomodou bastante. Por mais que eu AME o ator e AME mais ainda o seu personagem mais conhecido EVA, não tenho como aceitar que ele seja revivido dessa forma na TV, não em outra série, não com outros amigos. E o que eu consegui enxergar na nova série foi um ator que talvez esteja desesperado, tentando reviver um fantasma do seu passado e isso não é legal para ninguém. As dancinhas são as mesmas, a cara de tolo também (até pelo próprio poster acima isso fica evidente), mas o personagem agora é outro, os tempos são outros e realmente me incomoda muito quando um ator que nós gostamos tanto, acaba preso a um único estereotipo, só porque ele deu certo no passado e lhe rendeu bons frutos. Vamos deixar a preguiça de lado e se arriscar em novos caminhos, Matthew?

Entre o Chandler Bing tão querido de todos nós, seu atual Ryan e o seu recente antigo personagem em Mr Sunshine, temos poucas diferenças, mínimas na verdade (as mais visíveis estão apenas nas histórias de cada um deles) e isso eu acho um erro para todos os envolvidos. Tudo bem que Go On apenas pelo piloto, me pareceu ser bem melhor do que Mr Sunshine (que era horrível), mas mesmo assim, é claro que a nova série ainda está longe de ser o novo Friends, a léguas de distância, então para que apostar mais uma vez na interpretação do mesmo personagem?

E se é para fazer o mesmo personagem sempre, porque não reviver a série antiga em um retorno ou episódio especial? Isso eu não consigo entender e pelo menos o Matthew Perry, o Matt LeBlanc, a Courteney Cox e até mesmo a Jennifer Aniston em suas comédias românticas meio assim de ultimamente, todos eles já provaram que não se importam muito em repetir sempre o que parece ser o único papel de suas vidas, desde que sejam chamados por outro nome (que é sempre a impressão que eu tenho, exceto pelo Matt LeBlanc, que descaradamente aceita numa boa até ser chamado pelo mesmo nome em outras séries, rs) então, porque é que esse reencontro não acontece de uma vez por todas, ao contrário de estarem sempre tentando nos empurrar um pouco mais do mesmo e nunca nos surpreenderem com nada realmente novo?

Por esse motivo, mesmo que a série tenha um plot razoável, personagens que até poder ser bacanas e a NBC já ter até encomendado uma temporada completa de 22 episódios para Go On, não consigo me prender a uma proposta que se diz nova, mas que me apresenta um mesmo personagem ou pelo menos muito semelhante ao do passado, só que agora vivendo em um cenário diferente. A impressão que eu tive nesse caso foi que alguns anos depois do final de Friends, a Mônica morreu (sua veia na testa finalmente explodiu ou ela foi soterrada ao abrir o seu armário da bagunça, onde ainda desconfiamos que ela tenha escondido o Richard, rs) e o Chandler teve que encarar a terapia para lidar com a sua realidade agora como viúvo. Mas para quem não se incomodar tanto assim em ver o Matthew Perry revivendo um personagem que nós sabemos que ele sabe fazer bem, a série me pareceu ser uma das novatas que vale a pena.

A minha sugestão para o Matthew Perry é que ele procure algo mais para Studio 60 (excelente por sinal, a série, ele, todos os personagens e o Aaron Sorkin) e deixe um pouco de lado esse personagem que nós sabemos que ele sabe fazer e já estamos satisfeitos com o que conhecemos dele com o seu verdadeiro nome e cenário original e não aceitamos seus novos “disfarces fajutos”, tentando ser outra pessoa que nós sabemos que ele não é.

 

♥ Já está seguindo a magia do Guilt no Twitter? Ainda não? @themodernguilt

O idealismo da redação dos sonhos de The Newsroom

Setembro 28, 2012

Um surto que acabou fazendo toda a diferença, ou pelo menos “toda a diferença” em pelo menos um jornal da TV, o que já é alguma coisa. Imaginem um homem de meia idade, jornalista de prestígio, sempre tentando manter a ética, sem favorecer nenhum dos lados, sempre entregando a resposta que todos gostariam de ouvir naquele momento, sem se aprofundar demais ou surpreender a sua audiência. Morno. Isso até que um dia, em um evento comum e diante de alguns estudantes munidos de seus gadgets todos prontos para registrar o momento, esse mesmo homem perde a linha ao ser pressionado pelo mediador da discussão (coisa que ele já deveria estar mais do que acostumado ao longo de sua carreira) e resolve vomitar compulsivamente algumas verdades e mesmo assim, mantendo-se integro, ético e sem favorecer nenhum dos lados envolvidos, embora tenha sobrado umas boas verdades para todos eles. Vocês acham mesmo que a America antiga é o melhor lugar do mundo para se viver? Então ouçam que na verdade, já não somos mais tão bons assim. E quer saber porque? (mas como todo bom americano, eles fizeram questão de frisar que pelo menos já foram os melhores um dia, rs)

Esse basicamente é o plot central de The Newsroom, nova série do Aaron Sorkin, que já nasceu como promessa de ser uma das novas boas coisas da TV atual, que estava mais do que carente de algo do tipo. Uma promessa que embora tenha me animado bastante para vê-la desde cedo, acabei tendo que deixar um pouco para depois por uma questão simples de tempo ou a falta de. Enquanto isso, no decorrer da sua temporada, acabei ouvindo de tudo a seu respeito. Algumas impressões positivas, outras bem negativas e alguns fatos também, como a troca de roteiristas e uma oscilação na audiência que preocupava a HBO, embora a série já tivesse garantido a sua renovação quase logo que de cara para uma Season 2 no próximo ano.

Will McAvoy (Jeff Daniels) é o excelente protagonista da trama, o tal jornalista que um dia resolveu surtar após a uma pergunta até que simples, feita por uma estudante que ele assustou como ninguém ao ouvir tudo o que ele tinha para falar. Através do surto e da vontade de fazer algo diferente em seu próprio noticiário e devido ao seu descontrole, o personagem começa a sofrer algumas consequências já que o que aconteceu acabou tomando uma proporção gigantesca em meio a uma nova era onde escândalos surgem em minutos para quem quiser acompanhar nas redes sociais, no Youtube, sem contar todas as outras possibilidades de divulgação. Nessa hora, McAvoy percebeu também quem ele havia se tornado ao longo do tempo, um homem fechado no seu próprio ego, apático, sem fazer a menor questão de manter qualquer tipo de relação com a sua equipe, incapaz até mesmo de saber o nome dos funcionários com quem ele convive quase que diariamente. Qualquer semelhança com a vida real de muitos de nós não deve ser mera coincidência nesse caso.

Mas para um momento como aquele do seu “surto”, uma motivação maior acabou sendo necessária para tal medida, algo que ia além de uma possível frustração com os atuais rumos da sua carreira e até mesmo do jornalismo em geral e a figura misteriosa de uma mulher (segurando cartazes que instigavam o jornalista a ser sincero naquele momento) nos apresentava algo que a princípio parecia ser apenas uma miragem ou até mesmo um delírio do próprio, que parecia até estar passando por algum problema de saúde. E foi quando descobrimos Mackenzie MacHale (Emily Mortimer), a mulher que destruiu o seu coração no passado e que agora, anos depois cobrindo diversos conflitos em campos de guerra, isso depois do ocorrido com Will (uma forma que ela mesmo acabou encontrando para se punir sobre o que havia feito no passado, claro), acabou voltando para NY precisando de uma nova chance de produzir TV e que para a sabedoria do chefe de todos eles, Charlie (Sam Waterston), era a pessoa certa para a transformação que Will precisava em sua carreira naquele exato momento.

Calar a sua boca depois de todo aquele discurso libertário seria um total desperdício, além de uma atitude covarde em um tempo onde não suportamos mais tamanha covardia portanto, Charlie resolveu seguir o caminho mais arriscado e colocar seu melhor âncora de TV a frente de um novo conceito de jornal, esse muito mais voltado para os fatos e opiniões mais honestos e baseados em fatos concretos, dados confiáveis e fontes seguras (o que sabemos que hoje em dia não é mais regra), mas que para isso, para que o jornalista não perdesse o seu controle, seria necessário alguém para manter o foco dentro do seu próprio brilhantismo, função que acabou sobrando para a mulher que um dia destruiu o seu coração o traindo com o ex namorado e que além de tudo era tão brilhante quanto o mesmo.

Claro que dessa dinâmica entre os dois nasce um outro ponto da série que também chega a ser tão bacana quanto o “novo jornalismo” que eles acabam bancando dentro desse idealismo todo, que é essa tensão sexual que existe de forma evidente entre os dois personagens e que a uma certa altura da série, deixa de ser segredo até mesmo para os milhares de funcionários da empresa, devido a um erro da própria MacKenzie, que acidentalmente acaba expondo o real motivo do termino da relação dos dois para todo mundo, o que o deixa incontrolável em mais um ataque de fúria (e ele tem vários e todos ótimos por sinal). Aliás, os momentos que os dois dividem em discussões sensacionais envolvendo o trabalho e a própria relação antiga são todos sensacionais, com aquele texto primoroso que o Aaron Sorkin consegue nos entregar, despejando um ritmo desenfreado de palavras muito bem escolhidas por sua mente brilhante, diretamente na nossa cara. BOOM. E o plot dele aceitar modificar o seu próprio contrato, só para ter a possibilidade de despedi-la quando quisesse, ou pelo menos uma vez por semana como ele mesmo acabou prometendo, é de uma crueldade deliciosa, não? (e é claro que teria algum efeito colateral mais adiante…)

Mas o que me faz gostar de The Newsroom além de toda a sua inquestionável qualidade, é que ela não é uma série de um homem só, algo que nunca foi um atrativo para mim (por esse motivo, nunca suportei House). Todos os seus personagens são ótimos, assim como suas histórias, mesmo com a maioria delas partindo do mesmo princípio das relações amorosas no ambiente de trabalho. Tem a secretária apatralhada que virou assistente sem querer (Maggie/Alison Pill) e foi promovida logo em seguida pela própria Mac (que se vê muito na jovem profissional), que enfrenta problemas com a indiferença do namorado, Don (Thomas Sadoski), que também trabalha na redação como produtor mais que após o surto do McAvoy, resolveu abandoná-lo e carregar parte de sua equipe para um novo âncora e em um novo horário, fazendo as vezes de “projeto de vilão” da temporada, embora esse não seja exatamente a sua função dentro da trama. (AMO odiá-lo, olha só!)

E o que acaba restando para o apresentador é uma redação jovem, formada de jovens jornalistas que ele jura que nenhum deles tenha mais de 15 anos de idade (rs), meio inexperientes ainda, para desespero de Will, que agora além de tudo precisa lidar com mais essa dificuldade para não ter a sua carreira afundando de vez em meio ao seu novo projeto. Entre eles temos o excelente Neal (Dev Patel), que é uma espécie adorável do novo nerd, ele que cuida do blog do McAvoy (que ele nem sabia que existia e tem um mini surto toda vez que o assunto vem a tona, rs), além de outros personagens menores que também trabalham para que o jornal tenha uma nova cara, a qual todos eles acreditam ser o ideal dentro do tipo de jornalismo que eles defendem na série. (no meio dessa turma, temos até a mãe da Tara de True Blood, a atriz Adina Porter)

Com a chegada da Mackenzie, ganhamos também um novo produtor, que já chegou batendo de frente com o Don, por tomar a frente das coisas dentro da sua própria redação, quando ninguém parecia estar dando muita atenção a uma possível notícia que surgia. Ele é o adorkable Jim Harper (John Gallagher Jr, o boy magia da redação por quem eu já estou nutrindo uma #CRUSH. Höy!- ele que é ator da Broadway, canta e está no elenco do musical “American Idiot”), assistente e braço direito da Mac, que inclusive esteve ao seu lado enquanto ela cobria a guerra em campo (dizem que ambos tem marcas em seus corpos dessa cobertura. #TENSO). E Jim era a peça que faltava para que aquela redação acabasse funcionando de acordo com o que eles estavam precisando em termos de modificações, um jornalista de olho na notícia, sem vida pessoal (claro, rs), disposto a ir fundo nas informações e apesar da pouca idade, de um responsabilidade e experiência fora do comum. E ao lado da Maggie ele acaba formando a nova tensão sexual da redação, já que ela namora o Don (que já não gostou dele logo de cara por perceber um certo clima entre os dois) e que juntos formam uma espécie de Mac & McAvoy em uma versão sem o histórico da traição, algo que é reconhecido até mesmo pela versão original do casal, rs.

E apesar de personagens bem bacanas dentro da sua trama, o que chama a atenção mesmo dentro da série é a notícia e a forma como ela passa a ser tratada. Mas esse é um ponto que chegou a ser um problema pelo menos durante o começo da série e isso falando por mim. The Newsroom começa a ser retratada em meados de 2010 e aproveita de fatos reais para construir os plots de seus episódios assim como as notícias que serão a pauta da vez. Notícias reais que todos nós conhecemos, algumas com mais profundidade e outras menos, mas de certa forma, a maioria delas são de interesse comum de todo mundo e que na série são revividas e de certa forma, repensadas. Isso até eles embarcarem fundo demais na própria política americana, mais especificamente no terceiro episódio (1×03 The 112th Congress), onde o assunto chegou a ficar “difícil” de ser acompanhado.

Tudo bem que não é nada que possa ser considerado como impossível de se acompanhar e também é sempre bacana aprender algo novo (pelo menos eu sempre acho), mas quando a notícia é sobre um tipo de política muito específico e complexo, que de certa forma não faz muito parte da nossa cultura ou realidade, a série acabou perdendo o foco ao dedicar tanto tempo de um único episódio para o assunto. Mas eu não creditaria essa dificuldade apenas para as diferenças culturais ou qualquer coisa do tipo e sim para a forma massiva como essa história nos foi apresentada naquela ocasião, o que acabou deixando o episódio inteiro meio chato. Até então, a gente tinha um excelente piloto, do tipo perfeitinho, com mais de uma hora de puro entretenimento, um segundo episódio não tão bom assim, onde era possível perceber a diferença de roteiro e história a quilômetros de distância e um terceiro episódio onde eles se perderam em meio a notícia, dando foco demais para a mesma e se esquecendo do resto. E esse talvez seja o episódio barreira da série, mas que acabou funcionando também como um divisor de águas nessa Season 1 de The Newsroom, onde é necessário passar por ele (e já adianto que vale a pena o esforço) para chegar ao equilíbrio que ele conseguiram encontrar na sequência excelente de episódios, mesmo quando ainda falaram de um assunto tão específico e complexo até mesmo para os próprios americanos.

Passando por esses três primeiros episódios, passamos a enxergar uma série que definitivamente encontrou a sua fórmula. Era necessário um equilíbrio entre o volume de informação e a emoção da série e isso eles conseguiram atingir a partir do quarto episódio, que tem aquele final ao som de “Fix You” do Coldplay (1×04 I’ll Try to Fix You – música mais do que usada para momentos dramáticos em finais de episódios de séries de TV, e o primeiro que me vem a mente é aquele de The O.C) que é uma das melhores cenas da série, com toda a redação enlouquecida em busca da notícia sobre reportar ou não a morte de uma deputada (com direito a toda aquela movimentação de diálogos clássica do Aaron Sorkin), tendo que lidar com a ética que todo mundo deveria ter e a concorrência muitas vezes desleal na TV, onde o que importa são os números. Só que dessa vez, para a sorte deles, esperar acabou valendo a pena para que eles fossem os únicos a reportar ao vivo e com decência que a deputada baleada ainda estava viva e havia sido encaminhada para a mesa de cirurgia. Um momento para encher os olhos de lágrimas, entender um pouco mais sobre a tensão que deve rolar dentro de uma redação de jornal e aplaudir de pé para a forma linda como a história toda foi conduzia. Eu diria até que esse foi o momento exato onde The Newsroom conseguiu descobrir o que de fato eles tinham de novo para nos apresentar e como isso deveria acontecer daqui para frente.

E foi o que acabou acontecendo depois, com uma série de episódios excelentes, do tipo um melhor do que o outro e todos seguindo mais ou menos essa mesma linha e com notícias mais do que importantes para o mundo. Como as manifestações no Egito em nome da renúncia do governo de Mubarak (1×05 Amen), com a redação de The Newsroom tendo um de seus apresentadores em loco, sendo torturado e tendo que ser enviado de volta para casa, o que acabou tornando necessário a contratação de um “correspondente” local, conhecido do Neal, que acabou sendo sequestrado e o Will acabou pagando do próprio bolso a quantia necessária para que ele fosse solto, algo que o canal se recusou a pagar e após esse gesto, Will McAvoy acabou recebendo em retribuição a colaboração de todos da redação e ganhando da Mac o seu tão sonhado momento “Rudy“. (lindo por sinal e super emocionante, de novo!).

Até que tivemos o personagem principal encarando o seu terapeuta que ele não via a anos e que para sua surpresa, acabou sendo substituído pelo seu filho, também jovem, que acabou herdando o consultório e pacientes após a morte do pai. Nesse episódio (1×06 Bullies) tivemos Will em conflito tendo que lidar com o fato de possivelmente ter destruído a carreira da Sloan (outra apresentadora especializada em economia, interpretada pela Olivia Mumm, a qual agora eu respeito mais, embora continue não gostando dela/atriz e não a personagem, que também é muito boa), por ter sido o responsável por tê-la encorajado a ir mais a fundo na sua postura como entrevistadora e ela ter perdido o controle após os seus conselhos, além dele estar lidando com a sua recente ameaça de morte, feita por meio de um comentário anônimo em seu blog. E vejam vocês que até a internet McAvoy tenta mudar, o que obviamente acaba não dando muito certo.

Esse episódio apesar de ter uma notícia mais fraca e isso também é bem bacana, porque embora a série não siga uma linha do tempo “dia após dia”, onde na verdade encontramos alguns saltos adiante no tempo, seria pouco crível que eles vivessem apenas de grandes notícias de importância mundial por exemplo e nesse episódio, apesar disso, temos uma discussão sensacional entre o apresentador e um político negro gay que defende um candidato absolutamente intolerante e preconceituoso, o que o próprio Will não consegue entender (nem eu), mas que naquele momento ele entende que cruzou a linha da sua própria ética pessoal, se é que podemos assim dizer e passou para o lado dos bullies, do qual ele nunca se viu participando daquela forma. (e é horrível quando vc consegue se ver fazendo exatamente o mesmo que o seus maiores inimigos do passado. – Been there, done that messed around)

Outro momento sensacional e importantíssimo para a série acaba acontecendo em um cenário pouco provável, com uma espécie de “festa da firma” na casa do próprio Will (1×07 5/1), que está colocadíssimo em uma mistura perigosa de maconha e remédios e que do meio do nada, se vê no que talvez tenha sido um dos grandes dias da sua carreira (se não o maior deles), se preparando para um anúncio de última hora do Presidente, que ao que tudo indicava, apareceria em público para anunciar a morte do seu maior inimigo. Um momento fora do comum, com alguma reviravoltas importantes, além do atual estado do apresentador que poderia perder a noite da sua vida no trabalho por conta de estar colocado demais para reportar algo de tamanha importância. (e talvez se Will estivesse em seu estado normal naquela noite, ninguém conseguisse controlá-lo)

Um episódio de arrepiar mesmo, como ele quase implorando para a Mac não tirar dele essa oportunidade e com o Charlie (personagem que é impossível de não se apaixonar e todo mundo adoraria ter um chefe como ele, fato) tentando ser ético até mesmo na hora de entregar a notícia que todo o mundo estava esperando para ouvir. E isso com a outra metade da equipe presa no avião, no momento do desembarque, para total desespero do Don, que no último momento conseguiu entender que o importante naquela hora era a notícia e não quem ou quando ela seria entregue primeiro (uma cena excelente também!). Um momento realmente sensacional e extremamente comovente, com a equipe do jornal entregando a notícia no momento certo, terminando o episódio com aquela imagem do Obama que todos nós conhecemos, informando o mundo sobre a morte de Osama bin Laden. Sério, eu me arrepio até agora só de lembrar desse momento (o real e agora o da ficção), onde é praticamente impossível conseguir ignorar até mesmo os créditos da série, que foram rodados ao som do discurso do Obama naquela noite, que vai diminuindo lentamente até que não fosse mais ouvido. Sabe aquele detalhe que faz toda a diferença? Certamente, mais um momento para se aplaudir de pé dentro da série. Clap Clap Clap!

Tudo bem que em meio a tudo isso, vivemos um “idealismo” em The Newsroom que parece pouco comum na prática, onde todas aquelas pessoas estão dispostas a arriscar tudo por um mesmo ideal, caminhando todas na mesma direção, o que é bem difícil quando tratamos de qualquer equipe ou qualquer tipo de “assalariado”, por exemplo. E tudo conspira ao favor deles também, uma vez que são todos funcionários de uma mesma empresa, que por si só poderia muito bem acabar com todo esse idealismo em pouco tempo, algo que eles até tentam, mas que por ter o rabo preso com uma série de fatores políticos e criminosos, acabam se vendo entregues a aceitar a nova realidade do noticiário do canal.

E como quem está no poder não costuma gostar muito de ver a sua força sendo enfraquecida de forma nenhuma, Will ganha como adversário os próprios chefes e donos do canal (Chriss Messina odiável no papel de filho da dona, que por sua vez, ficou por conta da Jane Fonda), onde ele passa a viver uma série de fatos “forçados” que podem ajudar a emissora a finalmente conseguir um bom motivo para demití-lo, apenas para maquiar a verdadeira intenção do canal. Com isso eles até conseguem ganhar alguma vantagem, expondo o jornalista ao ridículo com escândalos sexuais e conseguindo fazer com o que o seu jornal passe a reportar assuntos menos interessantes para eles, mas que estavam no gosto do público naquele momento (o caso Casey Anthony, ou as fotos do Anthony Weiner no Twitter), que a essa altura já teria fugido naturalmente do tipo de jornalismo nada sensacionalista que eles estavam propondo. Mas a queda de Will McAvoy aconteceria por ele mesmo, com a contratação de um jornalista para escrever uma matéria sobre ele mesmo para uma revista (e ele poderia escolher até a revista, tamanho interesse do público em sua história), que por um acaso, viria a ser Brian (Paul Schneider), o tal ex da Mac com quem ela acabou traindo o Will no passado. Para nossa surpresa, porque para ele, foi tudo de propósito mesmo e isso ele chegou a declarar na terapia, rs.

Brian, passou a acompanhá-lo de perto durante os últimos episódios (repetindo a dobradinha de “Lars And The Real Girl” ao lado da Emily Mortimer) e acabou escrevendo uma matéria que não agradou nada ao Will, que ao se sentir ridicularizado em público, acabou tendo algumas complicações com a sua saúde, o que o fez ficar internado por um tempo e com isso, passou a considerar até desistir da carreira, tamanha ferida que a tal reportagem acabou causando no seu ego. Mas é óbvio também que como o clima da série apesar da carga dramática é super favorável para o bem do personagem e de todos que estão ao seu lado (preciso dizer que eu AMEI todas as referências que a série fez a Don Quijote nessa temporada, inclusive nesse momento), acabamos tendo tudo resolvido com um acerto feito pela emissora e o apresentador, isso depois deles todos terem descoberto que o canal praticava o mesmo tipo de invasão de privacidade que certo tabloide inglês fechado recentemente. Mas ainda ficou faltando um acerto de contas entre Brian e Will, que eu suspeito que tenha sido guardado para depois, embora Will agora tenha entendido melhor a reportagem a seu respeito.

Em meio a isso tudo, ainda tivemos a história com o blackout (1×08, 1×09 The Blackout Part I e II), com o surto descontrolado/controlado da Mac (ela que é a minha personagem preferida na série e que eu gosto de definir com uma Bridget Jones menos calórica só que com o mesmo sotaque, rs), que conseguiu enxergar a ironia da sua relação com Deus naquele momento, Sloan declarando que na verdade sempre teve um quedinha pelo Don (juro que eu nem suspeitava), ele que por sua vez não gosta muito da Maggie e só permanece ao seu lado porque não consegue aceitar muito bem o fato de perdê-la para o Jim, para quem ele já perdeu uma série de coisas quando decidiu sair da equipe do Will. E ainda tivemos aquele momento divertidíssimo sobre o “tour Sex And The City” pelo West Village, com a Maggie fazendo um discurso sensacional sobre como é ser de verdade uma mulher solteira em NY, sendo surpeendida pelo próprio Will, que estava no ônibus da tal tour, rs. Sério, #TEMCOMONAOAMAR. Dessa forma, chegamos ao final da temporada com os casais ainda sem se acertar, com a Maggie indo morar com o Don, que a gente agora torce para que fique com a Sloan e deixe a Maggie seguir o seu caminho com o Jim, que por sua vez está com a sua melhor amiga que trabalha com moda. Ufa! AMO plots complicados de trocas de casais do ♥, vcs não?

Mas uma resolução ainda faltava para esse final de temporada, com a Mac finalmente revelando para o Will que lá no começo de tudo (achei uma pena a gente ter descoberto isso já no piloto), no dia do seu famoso surto diante da pergunta da estudante, ele não estava delirando não e aquela mulher que Will enxergou na platéia influenciando ele a dizer a verdade era ela mesmo, para total desespero do personagem. Tudo bem que não teve beijão de reconciliação, afinal, estamos dentro de uma redação séria de jornalismo verdade (rs), mas foi um momento que serviu para encher os nossos corações com aquela história de amor que embora eles relutem bastante para ficar juntos (pelo menos com algum motivo), está na cara que eles foram feitos um para o outro e juntos, ambos são “o melhor jornalista” da TV atualmente. Sem contar a estudante da pergunta que mudou a vida do Will McAvoy aparecendo no final do episódio, para pedir um estágio na redação dele e recebendo mais uma vez a resposta para a sua simples pergunta que de certa forma motivou tudo isso, só que dessa vez com uma resposta bem diferente e mais do que especial. Sério, #TEMCOMONAOAMAR?

E mesmo que a ideia seja idealista demais para alguns, terminamos a Season 1 de The Newsroom com um gostinho delicioso de vitória, mesmo que o prêmio não tenha propriamente chegado até nós, isso porque apesar do positivismo, não tivemos resoluções felizes para os personagens e ficamos apenas com um gostinho de parte delas. Mas com esse ótimo resultado final, nem podemos reclamar e devemos dizer que o Aaron Sorkin + HBO conseguiram nos entregar uma excelente nova série de TV. Clap Clap Clap!

Para assistir e ficar com a consciência pesada por ter um blog sobre qualquer tipo de bobagem. Oh wait, como esse é um blog extremamente pessoal e que tem um compromisso com a sua própria verdade, não temos nada do que reclamar ou nos envergonhar e nos sentimos meio Will McAvoy, tá? (mostrando a língua como sinal claro de maturidade jornalísitica)

 

♥ Já está seguindo a magia do Guilt no Twitter? Ainda não? @themodernguilt

The Newsroom, o trailer

Abril 3, 2012

Aaron Sorkin + HBO + Jeff Daniels + o elenco quase inteiro de coadjuvantes (tirando a Oliva Munn) = ao que talvez seja a nova série do ano. Höy!

Pelo trailer, dá para perceber que a história mostra um âncora corretinho da TV americana Will McAvoy (Jeff Daniels) que do dia para a noite, talvez cansado desse mundo politicamente correto e cheio de hipocrisia, além de alguns issues na sua vida pessoal e profissional (que eu não vou contar quais), surta e começa a vomitar umas verdades em seu próprio programa, verdades que chocam, mas que todo mundo (ou boa parte dele) no fundo gostaria de ouvir, principalmente quando o assunto é o seu próprio país.

A primeira temporada contará com 10 episódios já produzidos e no elenco temos também Alison Pill, John Gallagher Jr, Josh Pence, Olivia Munn, Thomas Sadoski, Dev Patel e a Jane Fonda.

Só pelo trailer, já dá até para perceber a qualidade e a força desse novo roteiro do Aaron Sorkin. Que homem sensacional, não? Quer ser meu amigo? Posso ser seu assistente/stalker/BFF?

The Newsroom estreia na HBO (por enquanto deles de lá) no dia 24 de Junho.

A propósito, a HBO está com uma excelente leva de estreias, não? (Girls é outra das novatas que já me chamou a atenção)

ps: e como a gente sente falta de um personagem como esse na vida real não? Por aqui, parece que só temos dois exemplos a seguir: ou o âncora engessadinho, corretão e completamente frio. Ou o caloroso sensacionalista meia boca e sem profundidade nenhuma na informação. Humpf!

Da série casais bem humorados e foufos que nós amamos: Emily Blunt & John Krasinski

Julho 22, 2011

Emily maravileeeandra e bem humorada como sempre e o John Krasinski provando com suas expressões que ele é mesmo o Jim, foufo mil!

E eles andam frequentando bem o Chateau Marmont ultimamente, pq conta do novo projeto do Krasinski (Höy!), que vai assinar a produção de uma minissérie em parceria com o Aaron Sorkin, baseada no livro  Life at the Marmont de um dos donos do hotel. Howcoolisthat?

ps: e o Jeremy Renner no banco de trás, hein? 

 

E o Aaron Sorkin em 30 Rock, hein?

Abril 1, 2011

Participação mais do que especial do Aaron Sorkin no ep dessa semana de 30 Rock hein? (5×18 Plan-B)

Tirando um sarro da própria profissão ainda? Divertido mil!

Para quem não sabe quem é ele, o cara apenas escreveu West Wing, Studio 60, “Questão de Honra” e “The Social Network”, tá bom para vc?

E a versão gay do Jack Donaghy tmbm é sempre bem vinda neam? (AMO o Will Arnett, AMO! Ele que é o pai do Archie, awnnn!)


%d bloggers like this: