Posts Tagged ‘Andrew Rannells’

Alguém tem alguma dúvida de que o Neil Patrick Harris nasceu para apresentar o Tony Awards?

Junho 10, 2013

Bom, se alguém ainda tiver alguma dúvida, acho bom assistir a esse número de abertura do 2013 Tony Awards que aconteceu ontem em NY, com o NPH dando o sangue naquele palco, só para acabar com qualquer tipo de incerteza quanto a essa fato que ainda possa existir na cabeça de qualquer um . Sério, eu até agora não consigo acreditar em como ele conseguiu decorar tudo aquilo…

Como o musical do ano, tivemos a eleição de Kinky Boots, que tem músicas da Cyndi Lauper (que também ganhou o seu prêmio) e acabou levando os grandes prêmios da noite, incluindo o de Best Performance by a Leading Actor in a Musical para o Billy Potter. Outra grande apresentação durante a cerimônia foi a do elenco de Matilda (maravileeeandro e que você pode ver aqui!), que junto com PippinWho’s Afraid of Virginia WoolfThe Nance, além do próprio Kinky Boots, parecem ser os grandes musicais da vez na Broadway.

Mas a performance mais bem humorada da noite sem dúvida foi essa que contou com os atores Andrew Rannells (da cancelada INJUSTAMENTE The New Normal e recorrente em Girls), Megan Hilty (de Smash) e Laura Benanti (Go On e The Playboy Club), que se juntaram ao NPH para cantar sobre a troca que fizeram da Broadway para TV no passado e como todos eles acabaram com suas séries canceladas. Sensacional! (e sobrou até para o DiMaggio de Smash, sentando ao lado da sua Grace na audiência, rs)

Clap Clap Clap!

 

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A temporada deliciosa e até mesmo educativa de The New Normal

Abril 26, 2013

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The New Nornal chegou vendida como uma nova comédia sobre um casal gay encarando a chegada do primeiro filho por meio de uma mãe de aluguel. Apesar das caricaturas, com personagens deliciosamente adoráveis e um texto excelente (no melhor ritmo “Gilmore Girls” de ser no que diz respeito a velocidade de seus diálogos), mas que logo de cara eles conseguiram provar que eram muito mais do que apenas isso. Me lembro até hoje da cena de abertura da série, com o Bryan começando aquele vídeo extremamente foufo gravado para o filho, que até então não passava de uma ideia e que com poucas palavras e de forma bem simples, acabou me levando facilmente às lágrimas. Reação que não seria diferente para qualquer outro tipo de casal que estivesse passando por algo semelhante, algo que eu acho importante de se destacar.

A partir do piloto, ficou bem claro que The New Normal não seria apenas uma nova comedia comum, do tipo que estamos acostumados a ver o tempo todo, acompanhando o dia a dia de uma “clássica” família americana com condições, encarando as dificuldades encontradas no ainda desconhecido caminho quando um casal decide se tornar pais. Nesse novo cenário, a clássica família americana contava com alguns ajustes que foram necessários para levantar um pouco mais a discussão sobre as novas famílias, que de uns tempos para cá se tornaram cada vez mais comuns e precisam ser discutidas, porque na maioria das vezes o que ainda falta para entender essas novas questões são exemplos ou simplesmente uma boa discussão sobre o assunto.

Dois homens gays que decidiram ter um filho por meio de uma barriga de aluguel. Até aqui, podemos dizer que não encontramos nada de tão inovador assim no tema, que já foi discutido em diversas outras séries de TV e até mesmo no cinema. O que podemos dizer é que talvez o assunto nunca tenha sido discutido dessa forma, levantando questionamentos que quase nunca fazemos a não ser quando estamos passando por uma situação semelhante. E tudo isso de forma bem clara e objetiva, sem fantasiar demais ou ignorar aqueles que seguem na contramão fazendo cara feia para essas novas possibilidades de famílias. Não que elas também sejam tão novas assim, porque nós bem sabemos que elas sempre existiram, mas talvez agora elas tenham aparecido com mais coragem de assumir as nomenclaturas cabíveis para tal, sem se apoiar no disfarce de “tios” ou coisas do tipo e assumindo que são novas famílias compostas por dois pais ou duas mães, sem o menor problema.

E talvez nesse detalhe esteja a maior diferença da temática de The New Nornal, que durante toda essa Season 1, conseguiu nos arrancar boas risadas, mas ao mesmo tempo, sempre houve espaço para aquele aperto no coração também com os plots mais dramáticos da série, que eu prefiro acreditar que não seja necessário pertencer ao mesmo “grupo” para conseguir se emocionar com todas essas questões que eles nos mostraram de forma tão sensível e absolutamente honesta.

Impossível não se emocionar com o casal tendo que lidar com o preconceito a todo instante, seja na simples tarefa de comprar as primeiras roupinhas para o bebê ou em uma situação mais extrema qualquer, quando chega a hora de enfrentar o problema que nem sempre podemos evitar, com as famílias se envolvendo naquela situação, cada uma de sua foram e trazendo suas próprias bagagens e issues para lidar com toda aquela nova situação na vida de todas aquelas pessoas. (sem contar outros momentos memoráveis, como aquele pai se vestindo de fada para encorajar o filho a ser quem ele é. Sério, #TEMCOMONAOAMAR?

The New Normal - Season 1

Mas seria ela tão nova assim? Casais tem filhos o tempo todo e apesar de ser sempre uma preocupação para todos os envolvidos, não deixa de ser algo extremamente natural, que acontece o tempo todo e para boa parte das pessoas que conhecemos. Então, porque tanta dificuldade e obstáculos quando encontramos exatamente o mesmo cenário, só que com personagens do mesmo sexo? Realmente, fica difícil de entender e talvez a melhor forma seja mesmo encarar tudo com naturalidade, mostrando que existem sim outros tipos de família, que apesar de possuírem algumas diferenças, não deixam de ser absolutamente normais.

De qualquer forma, é bacana encontrar hoje uma série como The New Normal, que tenha encontrado um equilíbrio bacana entre o “novo normal” e os questionamentos que essas novas possibilidades ainda geram na cabeça de todo mundo. Alguns precisam lidar com suas próprias inseguranças, seus preconceitos e tudo mais e outros, os envolvidos diretamente nessa nova questão, precisam lidar com uma série de decisões a serem tomadas, como nesse caso a questão do doador de esperma e até os menores detalhes dessa questão toda. Mantendo esse equilíbrio, a nova série do Ryan Murphy (que nós por aqui AMAMOS) conseguiu além de tudo ser também extremamente educativa sem se estereotipar e só funcionar para um determinado grupo de pessoas porque essa nova educação, todo mundo precisa ter. Todo mundo mesmo.

Mas deixando um pouco de lado toda a questão política e social da série (que mesmo que pareça um assunto entediante, acreditem que foi levada até o final da melhor forma possível), The New Normal além de uma excelente história, nos trouxe também uma série de personagens adoráveis, do tipo que é impossível não se envolver e passar a torcer para que eles consigam atingir tudo aquilo que desejam. A começar pelo casal Bryan (Andrew Rannells) e David (Justin Bartha), que nada mais são do que um retrato da relação do próprio Ryan Murphy, que estava passando recentemente por exatamente essas mesmas questões ao lado do seu boy magia para a vida . Estava lendo uma matéria mostrando a casa do uncle Ryan um dia desses em uma revista e acabei percebendo que até a casa do casal dentro da série é bem fiel a sua verdadeira casa. Ou seja, nesse caso, a questão além de tudo era bem pessoal para o seu criador e talvez por isso tenha conseguido facilmente atingir esse nível de sensibilidade importante para a história, sem perder o humor ou a intenção de ser uma série de comédia.

E esse tiposde detalhe somado ao humor que sabemos que o Ryan Murphy tem, tornaram a série ainda mais especial, ainda mais para quem acompanha o seu trabalho em Glee, por exemplo. Sério, aqueles momentos do Bryan em seu ambiente de trabalho com o elenco de “Sing” (sim, Glee se chama “Sing” dentro da série, #TEMCOMONAOAMAR?) foram todos sensacionais e entregam muito dessa delícia que é o humor do criador de ambas as séries. Mas são pequenas pitadas de humor que obviamente fazem muito mais sentido para quem está mergulhado dentro desse universo, mas que ao mesmo tempo conseguem ser divertidas até mesmo para quem não costuma acompanhar nenhuma dessas referências que funcionam de forma excepcional também como piadas internas. (sério, ele declarando todo o seu ódio pela Quinn e não perdendo a chance de provocar o Cory dizendo que ele não conseguia chorar de jeito nenhum em cena, foram momentos impiedosos e ao mesmo tempo hilários. #STAYSTRONGCORY)

The New Normal - Season Pilot

Na série, é preciso reconhecer que boa parte do carisma do Bryan certamente foi emprestado pelo ator Andrew Rannells , que não poderia estar em uma melhor fase. Isso e toda a personalidade do próprio Ryan Murphy, que aproveita o personagem para se entregar dentro da série. O único problema nesse caso é que com Bryan, Ryan talvez tenha criado um monstro, porque em pouco tempo o personagem acabou ganhando uma força assustadora, sendo capaz de engolir cada um dos demais facilmente. Algo que de certa forma acabou prejudicando o David, personagem do Justin Bartha, que é aquele que sempre fica em segundo plano, funcionando na maioria das vezes apenas como escada para o lado megabitch do Bryan, que perde o marido mas não perde a piada. Mesmo assim, o personagem conseguiu se sustentar por ser extremamente adorável, doce e quase infantil, um nerd incontrolável, o certinho da turma, que tem a profissão dos sonhos e é o responsável do casal. (além de lindo)

Apesar das diferenças, juntos, ambos os atores mantiveram um química importante para os personagens, nos revelando aos poucos quem eram e quem na verdade gostariam de ser aquelas pessoas, deixando transparecer seus próprios medos e inseguranças, ainda mais agora que estavam prestes a deixar de ser uma dupla para se tornarem um trio. E nessa hora, esse enorme contraste entre os personagens acabou sendo importante para a história, com um completando perfeitamente e naturalmente o outro, revelando inclusive até mesmo alguns preconceitos encontrados dentro desse universo em particular. E todos os momentos em que ambos enfrentaram suas diferenças como tipos diferentes de gays (e por “gays” leia-se apenas uma diferença que poderia ser a mesma para qualquer tipo de casal, que nesse caso tratava-se de um casal gay) foram extremamente delicadas e tiveram resoluções super foufas, como se nossos corações tivessem ganhado cachecóis tricotados na aula de arte da Shania.

Shania (Bebe Wood) que se tivesse ganhado mais espaço durante a segunda metade dessa primeira temporada (bem mais focada no casal), teria facilmente roubado a cena. Agora falando bem sério, que menina adorkable, não? Ela que chegou àquela família por conta da sua mãe, Goldie (Georgia King), que era a mãe de aluguel do casal, na verdade, acabou se tornando um dos membros mais bacanas daquela nova família que inevitavelmente acabou surgindo entre todos eles. E tudo isso merecidamente, porque a personagem era um sonho de criatura, altamente politizada (o episódio meio “Mean Girls” onde ela virou a Queen B da escola foi excelente e teve uma das melhores resoluções EVA!), inteligente, cheia de personalidade e dona de um carisma absurdo, Shania na verdade era a filha que todo mundo gostaria de ter. OK, dizer todo mundo talvez seja injusto, mas falando por mim e pelo casal Bryan e David, com certeza ter uma filha como a Shania seria um sinal de missão cumprida, pelo menos no que diz a respeito de seus “alicerces”, rs.

The New Normal - Season 1

Além de ser praticamente impossível não amar aquela garotinha, todos os seus momentos dentro da série foram apaixonantes, desde a sua relação super próxima com a mãe, a qual ela conseguia entender perfeitamente, até suas participações na casa do casal, Shania foi uma das peças fundamentais para que The New Normal se tornasse essa série tão especial. Isso sem contar seus momentos de imitações e cosplay, onde ela conseguia assumir diferentes personalidades e personagens com talento de gente grande, como a sua Edie de “Grey Gardens” ou a sua excelente fase Maggie Smith, revelando o seu vício em Downton Abbey. Sério, #TEMCOMONAOAMAR?

Mas não só grandes personagens encontramos na série e a Goldie por exemplo, foi um dos que não conseguiu se destacar em quase nada durante essa primeira temporada. Apesar da não ser nenhuma ofensa e dela até ter ganhado seus bons momentos, a maior parte deles por conta da sua proximidade com a filha, Goldie realmente não conseguiu emplacar. Mas talvez esse não tenha sido exatamente o foco. Outra que ficou no meio do caminho foi a Nana, ela que a princípio tinha a tarefa de representar os odiosos preconceituosos que ainda encontramos infelizmente por aí, mas que com o tempo acabou se transformando em outra coisa e por esse motivo, foi também perdendo a força.

Não que essa sua transformação e ou redenção não tenha sido importante para a personagem e para a história, que começou com ela não reconhecendo uma reação simples do próprio corpo ligada ao desejo e terminou com ela sendo humilhada após ter se ariscado em um sexo casual com um homem que além da idade menos avançada que a dela, pouco tinha para se sentir tão superior assim e a partir disso, Nana precisou entender que era hora de seguir adiante e encarar que o fato do mundo estar diferente atualmente, apesar de assustador, também poderia ser algo surpreendentemente positivo para uma mulher da sua idade.

Do polêmico corte de cabelo (que ficou moderno mas não ficou nada bom) até a sua libertação enquanto mulher, ela que passou anos casada com um homem gay (o que explicava parte da sua aversão), é óbvio que tudo isso foi importante para demonstrar também que esse tipo de transformação é necessária e pode acontecer com todo mundo, tendo você carregado mais bagagem na vida ou não, mas fora isso, essa mudança radical da personagem acabou sendo prejudicial para a própria, que acabou sumindo dentro dela mesmo, como se estivesse agora muito mais ocupada em se redescobrir do que com tempo sobrando para cuidar da vida dos outros. De todos os episódios em que Nana ainda era aquela megabitch, o que mais chegou a me incomodar foi aquele com o fato do casal Bryan e David não terem nenhum amigo gay, exceto pela Rocky (NeNe Leakes), algo que eles poderiam até ter justificado pelo acaso, por nunca ter ocorrido naturalmente uma relação desse tipo e não ter caído na segregação, o que nunca é muito bacana. Algo que o Ryan Murphy inclusive já fez no passado, em Nip/Tuck, quando o Doutor Troy ao ser questionado por uma de suas namoradas o fato dele nunca ter mencionado que tinha uma filho negro (e ela também era negra), a mesma acabou ganhando como resposta uma das melhores lines da TV, com ele dizendo e surpreso pela questão, que nunca havia pesando no filho assim, dizendo que esse tipo de detalhe não fazia a menor diferença para ele e por isso nunca lhe ocorrido.

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Falando nela, Rocky que nós também já conhecemos e nos apaixonamos em Glee, foi outra das boas personagens da série. Sempre com aquele humor ácido que nós amamos, referência fantásticas para os mais diferentes assuntos e uma visão bem peculiar para determinados plots, Rocky também esteve sensacional durante essa primeira temporada, sendo o pior pesadelo na Nana enquanto ainda em sua fase extremamente preconceituosa ou até mesmo sendo a assistente linda dura e braço direito do Bryan. Ela que de quebra ainda acabou adotando uma menininha super foufa perto da reta final da série (algo que foi justificado de forma meio assim, ainda mais porque o casal também acabou demonstrando interesse naquela adoção e não foi muito bem recebido) e que inclusive teve o seu grande momento quando finalmente foi promovida pelo chefe Bryan, em reconhecimento ao seu talento, em uma das cenas mais adoráveis da temporada.

Alguns pequenos detalhes ainda me incomodam na série, como aqueles pensamentos que são meio que uma viagem na imaginação de cada um deles (David e o Ryan fantasiados de Village People na buatchy ou a Rocky interpretando os 25 membros da sua família), que bem poderiam ter sido ignorados ou talvez precisassem ser encaixados de outra forma dentro da história, assumindo ou não que aquela história seria contada daquela forma (como How I Met Your Mother, Happy Endings e Modern Family fazem), algo que acabou deixando um pouco a sensação de que eles ficaram em cima do muro nessa hora. Mas esses são pequenos detalhes que facilmente eles conseguem acertar.

Outro ponto alto da séries são os personagens recorrentes e ou rostinhos conhecidos da atual mitologia do Ryan Murphy, como o John Stamos (ele e o Rob Lowe, que nunca envelhecem) e o Matt Bomer. Personagens esses que apesar de menores, funcionam muito bem dentro da história, tendo eles alguma relevância ou não. As famílias do Bryan e do David também foram excelentes aquisições para a série, mesmo com a do Bryan só tendo aparecido no final.

Um final que não poderia ter sido mais foufo, com todos os preparativos do casamento do casal Bryan + David (o segundo casamento da temporada, porque ainda tivemos o excelente casamento de mentira da Shania com o seu little boy magia, rs), que acabou não acontecendo exatamente como eles passaram um bom tempo planejando (e brigando), mas que de certa forma acabou perdendo a sua importância devido a chegada do filho do casal, com a bolsa da Goldie se rompendo ainda no altar. Apesar de ser um grande clichê (gigantesco), todas as resoluções nessa hora foram extremamente muito bem amarrados, com todos eles ganhando suas conclusões, já que existe o risco desse ter sido o final definitivo para essa excelente história. (torcendo que não)

The New Normal - Season 1

Embora todos os clichês possíveis e reunidos nesse final, o importante mesmo foi o sentimento dele, sobre o que aquelas pessoas ainda precisavam dizer antes de seguir adiante. E foi nesse momento em que a história se tornou extremamente sensível e ainda mais especial, com a Nana agradecendo a Goldie por a ter libertado daquela mulher amarga que ela vinha sendo e a ter feito sentir vontade e coragem de enfrentar o mundo que ela ainda não conhecia e que ao mesmo tempo já não a assustava mais. O mesmo valeu para o momento de reflexão entre mãe e filha, com a Shania ilustrando para a mãe o quanto a vida delas estava diferente e melhor naquele momento e o quanto elas conseguiram alcançar de tudo aquilo que desejavam quando chegaram naquela cidade. (achei bem importante também que depois do parto, ao entrar no quarto, mãe e filha dividiram primeiro um momento juntas, para só depois interagirem com os demais, algo que eu achei bastante respeitoso e delicado om todos)

Além de fofo, esse também foi um momento importantíssimo para as novas famílias, com o discurso da Shania se posicionando contra a ideia da mãe a voltar com o pai, o namorado antigo de quem ela acabou engravidando no passado (Clay – Jayson Blair), dizendo que ela amava a sua família exatamente desse jeito, separada e que não precisava que eles estivessem juntos para ser uma menina mais feliz. Sério, #TEMCOMONAOAMAR? Um discurso lindíssimo feito por uma criança, dizendo algo que não estamos acostumados a ouvir com nenhuma frequência e que pode muito bem servir como uma reflexão importante para quem esteja ou tenha passado por algo parecido.

Para o casal Bryan e David, restava agora curtir o momento para o qual elas vieram se preparando esse tempo todo e que finalmente havia se tornado realidade com a chegada do filho. Uma resolução linda que de quebra ainda teve direito a um plot religioso sensacional (gosto tanto do ator John Benjamin Hickey pelo seu papel em The Big C e acho ele um excelente ator) e o mais alto nível de foufurice possível, deixando a mensagem de que nada poderia ser mais importante naquela hora do que todos eles juntos e felizes dividindo aquele momento que todos estavam esperando desde o começo da série.

Pode não ter sido um final surpreendente, pode ter sido inclusive o final definitivo dessa história que tinha tudo para seguir adiante e que a gente adoraria ver por mais tempo na TV (#HELLYEAH), mas podemos dizer que foi o final mais normal possível para uma série tão deliciosa e porque não dizer educativa que The New Nornal conseguiu ser em tão pouco tempo.

 

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What a girl wants? (Girls – Season 2)

Abril 5, 2013

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(para começar ouvindo essa faixa aqui, a qual responde a questão acima)

Uma garota sempre quer muitas coisas. Na verdade, todo mundo sempre quer muitas coisas. Mas o que fazer quando conseguimos atingir o nosso objetivo? E quando você descobre que o seu objeto de desejo não é mais tão desejável assim? Ou pior, continua sento altamente desejável mais uma vez que você o alcança, tudo muda e você não sabe muito bem como lidar com aquela nova situação?

Mais ou menos dessa forma, reencontramos com as nossas garotas preferidas do momento, elas que continuavam as mesmas, tentando sobreviver às incertezas de uma idade que se aproxima cada vez mais do futuro e mesmo assim, nós continuamos ainda não tendo muita certeza sobre o que vai ser dele (ou de qualquer outra coisa) e enquanto isso, vamos aproveitando um pouco mais para experimentar e tentar coisas novas enquanto ainda há tempo de não se sentir tão ridículo (algo que inclusive é importante manter, rs). NY também continuava a mesma de sempre, oferecendo o cenário perfeito para uma história como essa, cheia de possibilidades para se explorar e ao mesmo tempo engolindo sonhos na velocidade impiedosa de qualquer cidade grande, que parece nunca ter tempo a perder com ninguém. Mas Girls parecia diferente. Alguma coisa na série estava bem diferente do que já conhecemos da mesma, de sua adorável Season 1 até que recente, pela qual nos apaixonamos facilmente e nos viciamos quase que instantaneamente. Mas se os personagens e o cenário dessa história continuavam os mesmos, o que estaria tão diferente nessa Season 2 de Girls?

E essa diferença estava principalmente nas realizações de cada uma delas, que conseguiram alcançar parte do que parecia importante para cada uma durante a primeira temporada e agora chegava a hora de aprender a lidar com essas novas situações. Uma precisava conseguir um trabalho e se sustentar sozinha com a própria arte. Done (✓). A outra precisava colocar os pé nos chão e provar para ela mesmo que seria possível estabelecer uma relação com endereço fixo, pelo menos uma vez na vida. Done (✓). Havia também aquela que estava desesperada por um namorado, alguém para finalmente poder dividir seus momentos e quem sabe equilibrar a sua ansiedade e ao mesmo tempo, havia aquela outra que precisava se libertar do namorado que ela não conseguia mais aguentar porque estava sempre presente. Done (✓) e Done (✓). Claro que a vida dessas meninas não se resume apenas nisso, como a de ninguém se resume (e se isso está acontecendo com você, pode ter certeza que tem algo errado com a sua vida) e elas também tinham outros desejos além do óbvio. Alguns escondidos, algo que só fomos descobrir agora, quando passamos a conviver um pouco mais com todas elas e fomos nos tornando mais íntimos e outros estavam escancarados o tempo todo na personalidade de cada uma das personagens.

E agora que finalmente alcançaram parte dos seus sonhos, as meninas de Girls realmente pareciam não saber muito bem como lidar com toda aquela situação e essa sensação é tão honesta. Querer alguma coisa é natural para todo mundo, desejar muito algo que parece distante, quase inalcançável, todo mundo deseja. Mas as vezes fantasiamos tanto essa conquista que esquecemos da prática, de que na hora em que acontece, tudo pode ser bem diferente do que na teoria dos nossos sonhos. Sabe quando você encontra aquele artista ou pessoa que admira por algum motivo qualquer e que sempre quis estar perto e quando isso finalmente acontece, você não sabe nem o que dizer e a acaba reagindo de uma forma inesperada e provavelmente se arrependendo e ou se envergonhando disso logo depois? Então… acho que esse exemplo bobo serve bem para ilustrar o atual momento dessas garotas.

Girls recap It's Back

Talvez por esse motivo, essa Season 2 de Girls tenha sido tão recheada de momentos pouco eufóricos e muito mais profundos do que durante a anterior, apesar de se tratar de uma temporada de realizações para todas elas. A sensação foi a de que conseguimos atingir o nosso objetivo, tínhamos motivos para estarmos mais felizes do que nunca, mas não ficamos. E porque? Por isso também essa temporada pode ser considerada como uma temporada “experimental”, porque além de novas situações, experimentamos também novos sentimentos em relação àqueles personagens, que em tão pouco tempo se tornaram tão queridos, mesmo não sendo os mais engraçados da TV, ou os mais bonitos, algo que ainda parece ser relevante para alguns (o que eu acho e sempre achei uma grande bobagem, além de soar como um “preconceito velado” quase que escancarado). Dessa forma, acho que podemos dizer que a primeira temporada de Girls foi a nossa “fase inicial de namoro”, onde nos apaixonamos completamente e finalmente conseguimos conquistar o nosso alvo e essa Season 2 seria algo mais como aquela fase pós-começo de namoro, quando a realidade começa a ficar mais evidente e chega a hora de conhecer o outro mais a fundo, conviver com seus medos, falhas, defeitos e aceitar que ninguém é feito apenas de qualidades. Algo difícil para os dois lados, o de aceitar tudo isso e encarar que nem tudo é tão perfeito assim e também o de ter coragem de deixar transparecer toda essa verdade que muitas vezes preferimos deixar escondida, principalmente no começo de qualquer relacionamento.

Apesar das diferenças no tom da série, não podemos negar que esse equilíbrio entre o drama e a comédia sempre foi o seu grande atrativo, fazendo parte da sua mitologia desde o princípio. Girls pode não ser a série mais engraçada (embora tenha ganhado alguns prêmios por isso e todos merecidos por sinal), aquela que vai te fazer rolar no chão de tanto rir (algo cada vez mais raro hoje em dia), pode não ser também aquela série que vai te dar um banho de referências da cultura pop por segundos a cada novo episódio, mas mesmo assim, a série consegue ter seus momentos de pura diversão e isso explorando perfeitamente o cotidiano, o comum, o possível de acontecer na vida de todo mundo que um dia já se encontrou em alguma situação semelhante (o que é bem provável para uma maioria). Como não achar graça por exemplo, da Hannah demonstrando toda a sua teimosia em uma cena simples de higiene pessoal, com ela indo longe demais com o uso do cotonete e por consequência indo parar no médico por conta daquela situação embaraçosa, sozinha, sem ninguém para cuidar dela? (sabe quando ela quebra alguma coisa de vidro e não tem pai ou mãe para consertar o ocorrido? Um ótimo exemplo de um dos primeiros momentos onde você se dá conta de que realmente está sozinho) E a forma completamente cínica com que o médico conversava com a personagem? E toda a teimosia aparecendo novamente no final, com a personagem persistindo no erro, ilustrando perfeitamente o atual momento da sua vida? #TEMCOMONAOAMAR e ou achar graça? Sério?

Essa é a graça de Girls. Rir dos próprios problemas sem ignorá-los ou transformá-los em comédia pastelão (apesar de também se arriscar e com sucesso dentro desse universo, vide a Hannah cortando o próprio cabelo, inspiradíssima no curto da Carey Mulligan. Quem nunca?), mostrando que a gente pode até ter vontade de gargalhar depois, mas na hora, nada é tão divertido assim quanto pode até parecer. Há também quem reclame das cenas de nudez, dos excessos que a série comete dentro desse universo mais animador e muitas vezes constrangedor, mostrando os personagens em momentos bem realistas e altamente íntimos, com detalhes que normalmente a gente esconde quando resolvemos contar algo semelhante, mesmo para as nossas amigas mais intimas. Algo que a essa altura também parece tão irrelevante, porque quem ainda não entendeu que Girls é uma série da HBO, um canal a cabo que tem muito mais liberdade para mostrar o que quiser e ou ainda não se acostumou que Girls é uma série que “faz xixi de porta aberta” (sorry, não consegui encontrar uma definição politicamente correta mais adequada), hein? Realmente, não é possível entender o que uma pessoa que ainda não entendeu ou se acostumou com tudo isso continua fazendo enquanto sua audiência.

Mas agora precisamos falar de cada uma delas individualmente, elas que embora estivessem envolvidas em situações completamente diferentes, estavam todas enfrentando um momento bem parecido na questão de estarem experimentando algo novo, seja um novo sentimento, um novo amor, ou até mesmo uma droga nova. Novos sentimentos, novas possibilidades, cada uma dentro do seu próprio fundamento, tentando ou involuntariamente aprendendo algo novo. E esse é outro detalhe bacana de Girls, que consegue encontrar naturalmente essa ligação entre personagens tão diferentes, inclusive os meninos, dos quais nós falaremos depois, claro.

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De todas elas, Marnie (Allison Williams) foi quem mais surpreendeu de forma positiva durante essa temporada. A garota certinha, controlada e controladora acabou soltando os freios pelo menos uma vez e viu a sua vida despencar em uma velocidade assustadora, que ela mesmo quase que não conseguiu controlar. Com Booth Jonathan (Jorma Taccone), Marnie nos entregou um dos seus melhores momentos dentro da série, com ela finalmente perdendo totalmente o controle, se deixando levar e se entregando para alguém tão controlador e distante quanto ela estava acostumada a ser, se colocando exatamente no lugar do seu ex, Charlie (Christopher Abbott). Nesse simples detalhe, estava explicada toda a química que sempre existiu entre os dois personagens. Simples assim (e o detalhe da profundidade do Booth também foi bem importante para a história). Além disso, Marnie perdeu de vez o namorado, porque fez essa escolha durante a temporada anterior, se arrependeu logo em seguida, mas teve que amargar encontrá-lo constantemente com sua nova namorada. Tem situação mais constrangedora? Tem sim, mas certamente essa é um bom exemplo de uma delas. Outro momento importante para a personagem foi quando a sua relação de amizade com a Hannah foi confrontada de forma dura até, com ela tendo que ouvir que nunca foi uma amiga tão boa quanto imaginava ser. E isso nós sabemos que é verdade, embora ambas tenham suas falhas e complete perfeitamente a outra. E talvez essa tenha sido a grande descoberta da personagem durante essa temporada, a de que ela não era tão perfeita como imaginava ser. Aí descobrimos que Marnie não era apenas aquela cold bitch que nasceu para ser uma executiva em Wall Street mas estava se aventurando em galerias de arte em NY só porque achava “cool”, Marnie tinha sonhos, o sonho de ter uma vida incerta como artista, revelando só agora o seu desejo secreto de se tornar uma cantora. E que momento lindo foi aquela sua apresentação na empresa do boy magia agora rico por conta inclusive da relação complicadíssima dos dois? (não entendi até agora o porque que os hipsters da empresa torceram tanto o nariz naquele momento. Quer dizer, até entendi, mas não achei justo, porque a apresentação foi ótima!) E esse momento só não foi mais lindo do que a declaração de amor super sincera entre ela e o Charlie no final da temporada, com ambos sendo completamente honestos em relação aos seus sentimentos, nos entregando uma declaração de amor das mais lindas da TV. Pena que tudo isso talvez tenha sido prejudicado com a recente notícia de que por um desentendimento do ator com a Lena Dunham e os rumos de sua série, ele não estará mais no elenco da Season 3 de Girls, que começa a ser gravada em breve e está prevista para 2014. E isso logo agora (e só agora) que o seu personagem havia ficado mais legal. Humpf!

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Shoshanna (Zosia Mamet) também estava se sentindo uma garota realizada agora que não era mais a última virgem de NY e de quebra, havia descolado um boy magia para chamar de seu. Mas o seu maior sonho acabou se tornando um verdadeiro pesadelo, com a realidade da convivência e a rotina de uma vida a dois se transformando em algo muito maior ao que ela poderia suportar na atual fase da sua vida eufórica e cheia de sonhos. Para a sua personagem, sobrou o plot das grandes diferenças, com a Shoshanna sendo a euforia da juventude e o Ray (Alex Karpovsky) sendo o representante da amargura de alguém que teve os sonhos roubados pela própria idade a mais que ele carregava. E uma rotina que acabou acontecendo sem ela perceber, com o Ray ficando em sua casa sem pedir ou avisar, por se encontrar sem ter para onde ir. Se não fosse o detalhe de que ambos estavam apaixonados um pelo outro, algo que descobrimos ao mesmo tempo em que ela percebeu que ele havia ficado porque não tinha mais para onde ir, tudo seria uma grande sacanagem. Mas não foi (felizmente) e só assim percebemos que algo importante estava acontecendo entre aqueles dois. Algo realmente importante, só que na hora errada, com a Shoshanna querendo tudo e o Ray já se encontrando em um estágio da vida onde já não existe mais a fantasia de que tudo ainda é possível. Percebendo o atual rumo da relação, Shoshanna acabou se aventurando com outro e obviamente não conseguiu lidar muito bem com o peso da culpa após esse plot da infidelidade. Mas na verdade, apesar da imaturidade da personagem, ao contrário do que se poderia imaginar, ela não pareceu estar arrependida do que fez e sim “do porque fez”, algo que acabou pesando ainda mais, levando o casal ao final da relação. Apesar disso, a sensação que fica é a de que o Ray vai tentar ser aquele homem que a Shoshanna gostaria que ele fosse e que talvez ele mesmo também gostaria e só não achava que ainda seria possível. Veremos… (e #TEMCOMONAOAMAR ela saindo depois do break-up e ficando com um cara exatamente com o estereotipo que o agora ex descreveu anteriormente? Repito: quem nunca?)

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Agora, quem não tinha certeza de que o casamento da Jessa (Jemima Kirke) não duraria quase nada, que atire o primeiro bem casado congelado desde a cerimônia? Estava na cara que aquela relação, embora até que adorável (muito disso por conta do Chris O’Dowd, que é sempre ótimo. Höy!), não duraria nada. Jessa sempre teve um espirito livre demais para se apegar a alguém daquele tipo e a visão dela para os motivos que levaram o marido a se interessar por ela não poderiam ser mais claros. Óbvio que ele a enxergava como uma aventura, como se tudo que ele quis ser na vida e não conseguiu, pudesse pelo menos ser absorvido por osmose através convivência. Na verdade, ele parecia estar apenas interessado em alguém que tivesse melhores histórias para contar. Divorciada, em crise por ter que encarar a derrota de ainda não ter conseguido realizar a tarefa de se estabelecer em algum lugar, Jessa esteve visivelmente decepcionada com a própria falha, para nossa surpresa até, porque ela nunca nos pareceu ser esse tipo de pessoa. E o que a princípio poderia soar como um exagero para a mitologia da personagem, mais tarde descobrimos que vinha do exemplo que ela mesmo teve em casa, quando conhecemos o seu pai e descobrimos que Jessa, apesar de condenar o comportamento do próprio pai, nada mais fazia do que repetir o mesmo tipo de comportamento em sua própria vida. Um momento excelente, diga-se de passagem, com uma profundidade importante para a série e para o personagem, com ela se encontrando desolada ao perceber que o pai mais uma vez a havia abandonado (lindíssima aquela cena dela sentada no balanço com o pai). E como a personagem ainda não tinha maturidade o suficiente para lidar com a situação aprendendo alguma coisa com tudo aquilo (poucos adquirem esse tipo de maturidade tão cedo na vida), ela fez exatamente o mesmo que seu pai e abandonou a Hannah deixando apenas um bilhete, dizendo que foi ali comprar bagels fresquinhos e que voltava logo mais.

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Mas de todas elas, não tem como não reconhecer que quem mais “experimentou” em todos os sentidos foi mesmo a Hannah (a bola é minha e eu faço o que eu quiser, rs). Ela que até tentou emplacar um novo relacionamento, mas acabou não sendo muito bem sucedida, ainda mais tendo o Adam para cuidar, devido aos acontecimentos do final da temporada anterior e uma boa parcela de culpa da sua parte sobrando como consequência de tudo aquilo. Apesar de sozinha, Hannah parecia estar muito bem resolvida quanto a isso, se dedicando mais ao seu lado profissional, encontrando a possibilidade de escrever o seu primeiro livro. OK, um eBook, mas ainda assim, já era o seu primeiro passo literário e que além de tudo iria lhe render alguma coisa financeiramente. Mas sob pressão, Hannah acabou travando e não conseguindo realizar tudo aquilo que ela havia se comprometido a fazer e como efeito colateral dessa pressão toda, acabamos descobrindo um outro lado da personagem, que exatamente por esse motivo voltou a sofrer de um trauma antigo, trazendo a tona o seu nível de TOC avançado, que descobrimos que já havia sido tratado durante a sua adolescência, mas que dessa vez voltava para desestabilizar a coitada, em repetitivas sequências de ciclos de oito. Não sei se por sofrer de algo muito parecido (é, confesso, mas os meus vão até 10. Suck it Hannah Horvath), acabei me identificando completamente com esse plot da personagem e apesar de entender e dividir um pouco do mesmo problema (para se ter uma ideia, quando criança, eu gostava de ir ao supermercado com a minha mãe só para organizar o seu carrinho de compras. Sério, essa era a minha diversão, isso ou quando ela me “deixava” organizar a dispensa, rs), acabei achando divertidíssimas todas aquelas cenas com os surtos obsessivos compulsivos da personagem (o primeiro deles me fez dar gargalhadas compulsivas sem precisar do meu ciclo de 10 e ainda tem gente que acha que Girls não é uma grande comédia. O capeta está de olho, viu?) e nessa hora, não teve também como não achar deliciosa a relação que ela mantém com seus pais, com a mãe sendo extremamente rigorosa com ela sempre, forçando a filha a crescer a todo custo e o pai morrendo de preocupação e culpa ao perceber que a filha não estava nada bem e para ele não custava muito ajudar. (aliás, pelo pouco que conhecemos dos seus pais eu já acho que a Hannah tem muito dos dois)

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Dividindo o apartamento com o Elijah (Andrew Rannells) durante essa temporada, Hannah acabou ganhando uma dinâmica nova e adorável quando em casa, dividindo muito mais semelhanças com o antigo ex agora melhor amigo gay, do que todo o tempo em que ela passou morando com a Marnie, que  vamos combinar que mais parecia sua mãe do que amiga. Fato. E os dois viveram momentos ótimos juntos e obviamente que o melhor deles foi aquele “experimento” sugerido pelo novo chefe, para que Hannah encontrasse algum material mais interessante para escrever sobre. Uma sequência sensacional, ilustrando de forma bem real os absurdos e excessos que podemos cometer quando não estamos no nosso estado normal e aquela discussão entre os dois onde o Elijah voltou para o armário e contou que semi transou com a Marnie foi sensacional e a reação da Hannah não poderia ter sido melhor e ou mais honesta. Quem não se sentiria exatamente da mesma forma, apesar das circunstâncias e levando em consideração todo o histórico dos envolvidos, que atire o primeiro poster do George Michael, do Ricky Martin ou do Lance Bass, dependendo da sua geração. NOW! Aliás, acho que vale dizer que apesar de repetir algo bem próximo do que ele já vive adoravelmente em The New Normal (outra série que todo mundo deveria assistir), o ator Andrew Rannells foi uma excelente aquisição para a série e a boa notícia é que ele já assinou com a HBO e está garantido para retornar durante a já confirmada faz tempo Season 3. (Yei!)

Agora, o ponto alto dessa temporada foi um episódio que a princípio poderia parecer super aleatório (2×05 “One Man’s Trash”), mas que na verdade foi praticamente um desabafo da própria Lena Dunham, que nitidamente estava usando sua voz através do personagem para desabafar um pouco do que ela mesmo sentia naquele momento a respeito de todas as expectativas em torno do seu nome, que recentemente acabou se tornando algo gigantesco, com todo o destaque e reconhecimento (repito, merecido) que Girls andou recebendo da mídia e em quase todas as premiações. Episódio esse que contou com a magia mágica do Patrick Wilson (Höy!), vivendo o sonho do futuro da Hannah (e de boa parte de todos nós. Aquela casa dele então é exatamente a minha casa dos sonhos em NY e que eu sempre construo no The Sims e isso desde o The Sims 1. Sério), encontrando o homem perfeito na casa perfeita e que a fez enxergar que tudo que ela mais queria na vida na verdade era exatamente o que todo mundo quer: ser feliz e ter uma família, uma casa com a geladeira e os armários forrados com as coisas certas (rs). E forma com que a personagem chegou a essa conclusão, se sentindo desolada por ser tão comum, foi de uma honestidade absurda, algo importante para aquela situação (me lembro de sentir algo muito parecido quando cheguei a mesma conclusão de que na verdade, eu nem era tão diferente assim…). Sem contar que o episódio foi maravilhoso do começo ao fim, quase que como se ele tivesse sido inteiro inspirado nos filmes do Woody Allen, por exemplo. Aliás, acho que ele poderia ser exatamente um dos filmes do Woody Allen. (até a trilha que encerrou o episódio lembrava o seu fundamento)

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Episódio esse que ainda trouxe uma história excelente de bastidores, com várias pessoas usando o Twitter para fazer críticas no mínimo absurdas, sobretudo preconceituosas, dizendo que jamais uma menina como a Hannah (considerando seus próprios padrões de beleza) conseguiria despertar o interesse de um cara nível Patrick Wilson de magia. Um comentário preconceituoso e imbecil que não poderia ter ganhado uma resposta melhor no formato de um tapa na cara com direito a solitário de diamantes caros, com a própria esposa do Patrick Wilson se manifestando a favor da personagem e respondendo uma dessas pessoas cretinas no Twitter, dizendo que não só isso era possível, como ela que é casada com o ator, também era uma mulher que não se encaixava perfeitamente em um padrão de beleza que quem é inteligente sabe que não precisa ser regra para todo mundo. PÁ! E essa é uma crítica que vem sendo feita de forma cruel e pouco inteligente em relação a personagem na série e para essas pessoas eu só tenho a dizer que nada foi mais sexy durante essa Season 2 de Girls do que o corpo nu da Lena Dunham em meio àqueles lençóis de 180 fios egípcios na cama do personagem do Patrick Wilson, cheia de curvas e encarando lindamente uma cena de nudez, mostrando que a sorte e a beleza existe para todo mundo, basta você estar confortável com o que tem para oferecer e pronto, a mágica acontece. E a propósito, nada é mais feio do que o pensamento de que apenas corpos esculpidos em mármore a base de suplementos alimentares e outras substâncias, dietas da depressão ou gente com os dentes extremamente clareados, são as únicas pessoas que devem ocupar um espaço na TV. NA-DA. (irônico é procurar a imagem de quem diz esse tipo de bobagem e se dar conta de que em sua grande maioria, eles também não fazem parte desse padrão)

Bacana também foi ver que mesmo com a Hannah e o Adam (Adam Driver) já não sendo mais um casal, isso não acabou prejudicando o personagem dele, que durante a primeira temporada chegou com ar de sociopata, mas que perto do final acabou roubando os nossos corações todos com o seu nível adorável de foufurice. Confesso que esse era o meu grande medo em relação a essa dinâmica específica, uma vez que seria cedo demais para a Hannah se estabelecer com alguém definitivamente (considerando a sua idade e o atual momento da sua vida, seria até injusto), sem antes explorar novas possibilidades e também não seria nada justo com o Adam, se ele acabasse sendo descartado como se não fosse uma peça importante para o cenário mint (já disse que elas não são cor de rosa) dessas garotas. Aproveitando o seu personagem, ganhamos outro grande momento da temporada, com um episódio focado na perspectiva dos garotos, como se pelo menos uma vez, a visão mais importante e ou em evidência fosse apenas a deles. E foi ótimo ver o Adam e o Ray dividindo alguns momentos sozinhos, encontrando uma conexão quase que instantânea entre eles e a propósito, com uma química bem bacana também (mais até do que a do Ray ao lado do Charlie…), algo que deveria até ser mais explorado. Inclusive, esse foi um ótimo recurso que a série usou para demonstrar como pensam diferentes os meninos e as meninas, com eles resolvendo tudo de forma mais fácil, sendo apenas honestos e diretos ao ponto, sem rodeios, brigando quando achavam que tinham que brigar e se resolvendo até que facilmente e elas no final (Marnie + Hannah) optando por esconder a verdade em falsos sentimentos, não querendo dar o braço a torcer para a outra e fingindo estar tudo bem, quando todo mundo conseguia ver que não estava tudo bem. Só acho que esse episódio tinha tudo para ser mais corajoso e poderia ter ganhado uma tipografia na abertura bem de menino e ter sido inteiro focado neles, com elas apenas como figurantes ou nem aparecendo, algo que eu acho que seria bem bacana para a série. Pense nisso, Lena.

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E é impossível falar de Girls sem fazer um parágrafo inteiro para o Adam, que é um dos grandes personagens da série (Adam + Ray + Elijah + Charlie, nessa ordem para os boys). Ele que assim como elas, esteve experimentando novas possibilidades, que no seu caso poderiam ser resumidas ao momento em que ele se deu conta de que estava realmente apaixonado pela Hannah, que diferente do que aconteceu com a Marnie e o Charlie (onde ela descobriu o que queria depois de perder, naquele comportamento típico que conhecemos bem), Adam acabou ficando arrasado quando percebeu que talvez ele não representasse o mesmo que a Hannah representava para ele naquele momento da sua vida. Entre alguns momentos ótimos e alguns até assustadores que ambos dividiram durante a temporada, um dos meus preferidos foi aquele desabafo super honesto do Adam na reunião do AA, entregando o seu coração com o mesmo tom de honestidade que nós sempre encontramos em Girls, demonstrando uma vulnerabilidade que nós não imaginávamos encontrar em alguém como ele. Talvez nem a Hannah nunca tenha imaginado, visto ou conhecido esse Adam e espero que ele finalmente consiga apresentá-lo para ela.

Encerrando a temporada, tivemos todas as histórias encontrando suas resoluções e até para a Jessa, que esteve ausente nessa reta final, acabou sobrando um recado na caixa postal bem do malcriado porém super merecido da própria Hannah, no momento do ápice do seu surto, ao se encontrar prestes a ser processada por não conseguir entregar o seu livro conforme combinado e entrando em total desespero ao se dar conta disso. Um momento tragicômico para a série, que novamente foi o caminho escolhido para encerrar essa temporada experimental e muito mais profunda de Girls. Para quem aprendeu a gostar daqueles personagens, foi praticamente impossível não se emocionar com todos os acontecimentos do encerramento dessa temporada, especialmente com a declaração da Marnie para o Charlie mencionada anteriormente (e só por isso vamos conseguir lamentar a saída do Charlie da série) e principalmente com a Hannah ligando para o Adam em um momento de total desespero,  com uma cara de maluca adorável e seu cabelo picotado na tesoura sem ponta (rs) e ele não pensando duas vezes ao decidir sair correndo por NY, sem camisa, claro (e eu bem besta vibrando com o detalhe aqui em casa, de PJ e comendo sorvete, que é como normalmente eu assisto Girls e só não faço máscara de pepino porque dificultaria a experiência de assistir a série), pronto para resgatar aquela que ele descobriu que amava. Apesar do clima de comédia romântica onde já era possível prever o que estaria para acontecer, confesso que me encontrei chorando e sorrindo ao mesmo tempo, ridiculamente como vocês podem imaginar, gritando “Awww… ele correu atrás dela!”. Sim, eu fiz isso, não me envergonho e inclusive contei para a Lena Dunham no Twitter. Sério, procuram o meu histórico por lá. (rs)

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(Sorry Lena, mas tive que roubar essa imagem do seu Instagram…)

Um final até que bastante otimista para uma temporada bem mais profunda do que foi toda a Season 1. E essa profundidade pode até ter causado certo estranhamento para boa parte das pessoas que acompanham Girls, mas é como eu disse anteriormente, talvez essa temporada tenha sido realmente um teste para a nossa relação com a série, onde tivemos a chance de conhecer mais daquelas garotas e descobrimos um pouco mais dos seus defeitos, deixando o lado mais cool da história um tanto quanto de lado e mostrando que elas também ainda não estão preparadas para encarar suas derrotas, tanto quanto não estão preparadas para encarar suas realizações.

E se esse foi realmente um teste, posso dizer que apesar dos seus defeitos, continuo em um relacionamento sério e AMANDO cada vez mais Girls.

(e terminar dançando ao som da faixa acima)

ps: um sonho – trocar de camiseta com a Lena Dunham na pixxxta. Apenas. #IDONTCAREILOVEIT

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A magia dos meninos de Girls (Höy!)

Outubro 25, 2012

Adam Driver, Chris Abbott, Alex Karpovsky e o Andrew Rannells (que também está ótimo, não? #LuckyDavid em The New Normal. Aliás, sorte dos dois. Höy!) by Terry Richardson. As imagens fazem parte de um ensaio dos meninos para a GW Style de Outubro.

E agora, esse meu recado vai especialmente e diretamente para a Hannah de Girls:

#TEMCOMONAOAMAR e morrer de vontade de apertar esse seu namorado boy magia?

(♥)

 

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O novo normal

Setembro 20, 2012

Plot de casal gay querendo ter filhos não chega a ser nenhuma novidade e a gente sabe que sempre acaba rendendo pelo menos algumas boas risadas, além da carga dramática que eles sempre tentam imprimir nesse tipo de situação, o que também é bem natural devido as circunstâncias. Mas não é que o Ryan Murphy conseguiu nos entregar mais uma série bem bacana ou pelo menos bem divertida?

Gostei tanto do piloto de The New Normal, que até assisti duas vezes, não só ele como o segundo episódio (1×02 Sofa’s Choice) que saiu logo na sequência e que conseguiu ser ainda mais divertido (embora a suas audiência tenha caído durante essa semana). Mas o que mais me deixou encantado com a série, além do fato deles seguirem uma linha meio Modern Family, sempre com ótimas risadas e aquele momentinho que te deixa bem emocionado dentro do episódio (Modern Family costuma utilizar desse recurso no final dos seus eps por exemplo), a série conta também com um texto super direto, sem freios e com aquele tipo de acidez que nós tanto adoramos.

E  o casal da vez é sensacional! Nele temos o fashionista (claro), Bryan, que tem cara de “exclamação” (sempre achei que o Andrew Rannells tinha essa cara – ele que fez o ex boyfriend gay da Hannah em Girls e que também foi o protagonista do musical do momento na Broadway, o “The Book Of Mormon”) que é extremamente caricata e nem por isso menos divertido. Sem contar que com ele ganhamos a sua assistente Rocky, que é interpretada pela Nene Leakes, que saiu de Glee (não sei se ela saiu mesmo, mas acredito que sim) para interpretar praticamente o mesmo personagem na nova série, só que com roupas melhores e mais caras, mas que nesse caso eu nem consigo lamentar qualquer coisa, porque ela é sempre ótima com sua língua afiadíssima e respostas atravessadas que são como patadas de sola vermelha de seus Louboutins diretamente na cara da sociedade puritana americana. PÁ! (inclusive, todas super merecidas)

A outra parte do casal é composta pelo típico personagem gay que não parece muito gay (claro²), David, interpretado lindamente pelo Justin Bartha (que eu AMO não é de hoje. Höy!) e seus olhos cor de caixinhas da Tiffany & Co, rs. Esse bem menos caricata, o que também é excelente, médico e um milhão de vezes mais inseguro do que o seu parceiro no crime, Bryan. Só não gosto muito dessa divisão clara que tendem a fazer com personagens gays, onde um sempre é a caricata e o outro a machona da relação (apesar de algumas “coincidências” da série com a vida real de “alguém” ter me assustado um pouco, tisc tisc). Mas esse equilíbrio que sempre faz falta quando o assunto são personagens gays, analisando apenas por esse começo da série, talvez eles tenham conseguido com o personagem do Justin Bartha que apenas por esses dois episódios, me pareceu até ter um pouco dos dois estereótipos, algo que eu acho bem mais natural. Não gosto de labels e não gosto de pensar que alguém é só isso ou aquilo, apesar de ser muito mais fácil de se definir. Não gosto muito do “fácil”. (recentemente o lindíssimo filme “Weekend” conseguiu o feito de uma forma bem bacana e natural também, bem mais próximo da realidade)

Completando a história, temos as adorkables Goldie e Shania (Georgia King e Bebe Wood), mãe e filha que acabam embarcando nessa de proporcionarem uma família para o casal gay, sendo boa parte dessa decisão tomada por conta da vida conturbada da mãe (Goldie), que se vê presa a uma relação abusiva e sem muito respeito por parte da sua outra metade (que é interpretada pelo ator Jayson Blair de The Hard Times of RJ Berger) e por esse motivo resolveu mudar a sua vida, aceitando a proposta financeira de ser a surrogate mom do casal . Ambas são adoráveis, a mãe com toda a sua ingenuidade e doçura e a filha por ser uma figura completamente foufa daquele tipo que é impossível não se apaixonar. (ela me lembrou bastante a “Little Miss Sunshine” até e não acho que isso não tenha sido proposital, rs)

O episódio piloto da série é adorável e conseguiu me emocionar já nos seus primeiros minutos, com aquele vídeo lindo do Bryan para o futuro filho e depois disso fomos presenteados com uma série de piadas sensacionais além de uma acidez precisa encontrada no texto de todos eles, mas principalmente no da personagem que faz o contraponto dessa história (Jane, a bisavó intolerante das meninas) e que pasmem, representa uma boa parte da sociedade, mesmo para os intolerantes que ainda permanecem dentro do armário, tentando esconder seus preconceitos em uma falsa tolerância ou no “politicamente correto”. Talvez por isso a série tenha irritado tanto a America antiga conservadora…

No segundo episódio, tivemos um momento impagável com a Shania (#TEMCOMONAOAMAR esse nome? – ♥)  fingindo ser a Little Edie de “Grey Gardens” (mas não o filme e sim o documentário, que é excelente!), se comportando como a personagem e nos entregando momentos de pura diversão em um comportamento que imprimia exatamente a forma como elas estavam vivendo naquele momento. Até a carater para escola ela acabou indo, #TEMCOMONAOAMAR? Oh mother darling, e nele ainda tivemos um momento flashback onde descobrimos como o casal se conheceu em uma buatchy, que foi ótimo também. (e o cabelo do Justin Bartha estava tipo o do Blane na formatura do último ano de Glee, rs)

E tudo isso faz com que The New Normal seja uma nova série bem bacana, do tipo de comédia que realmente dá vontade de continuar assistindo, mesmo que a gente já consiga ter uma ideia de onde isso tudo vai parar no futuro. (dificuldades para engravidar/perder o bebê/voltar com o ex/desistir da “adoção” porque voltou com o ex ou se apegou ao bebê/todos vivendo juntos como uma grande família). Mesmo assim, eu já me encontro apaixonado e sonho com o convite para ser padrinho do futuro filho do casal. (e quero uma Shania para mim!)

Ao contrário do que muita gente possa achar também (gente estúpida existe em tudo quanto é lugar), The New Normal não é uma série que chega dizendo que “o novo normal é ser gay” e a mensagem da série está mais para que o “novo normal é aceitar que todo mundo pode ser feliz” mesmo que o novo modelo seja um tanto quanto diferente do que o modelo mais comum. (♥)

 

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