Posts Tagged ‘BBC’

Doctor Who Season 8, o trailer

Julho 18, 2014

Trailer da Seasoon 8 de Doctor Who, a primeira com o Peter Capaldi no papel do 12º Doutor, que estreia no dia 23 de agosto.

Animados? Eu prefiro não me manifestar ainda e esperar para ver…

 

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A temporada em que a série mais vagabunda e adorável de todos os tempos finalmente resolveu sair de casa

Fevereiro 7, 2014

Him and Her

Com apenas cinco episódios para a sua temporada final, Him & Her resolveu encerrar a sua história de forma inusitada, considerando a sua mitologia, é claro e completamente diferente do que já havíamos vivenciado na série. Não, nós não tivemos nenhum plot twist de revirar os olhos, nem um plot bombástico qualquer de última hora, apenas a novidade dessa temporada ter sido inteira toda realizada fora do apartamento do adorável indeed casal Steve e Becks, que pela primeira vez passaram a circular em outros cenários, tendo o casamento da Laura e do Paul como plot central para a despedida dessa deliciosa série inglesa.

Vamos combinar que para quem já estava acostumado com a rotina de vagabundices de Him & Her, foi difícil aceitar que durante essa Season 4, a gente não tenha feito nenhuma visita ao apartamento dos dois que havia sido o cenário fixo para essa história até então, concentrando tudo o que já aconteceu entre o casal dentro daqueles pequenos e bagunçados cômodos, muitas vezes imundos e cheios de restos de comida. Mesmo assim, foi uma delícia encontrar esses personagens a essa altura já tão queridos, em uma diferente situação durante essa temporada de despedia, alinhados, cheios de tarefas, dispostos e prontos para ajudar no que a irmã de Becks certamente acreditava ser o acontecimento do ano. No caso, o seu próprio casamento. Se Laura nunca nos pareceu uma mulher muito centrada, imaginem ela prestes a subir ao altar e tendo sido mãe recentemente…

A principio, eles foram discretamente deixando o casal mais a vontade fora da sua zona de conforto, mas ainda assim era possível perceber que eles não resolveram abandonar a fórmula antiga da série que sempre deu tão certo, colocando os personagens fora de casa, mas de certa forma limitando o espaço, talvez para nos acostumar aos poucos com a ideia de que existia vida além daquele apartamento. O primeiro episódio por exemplo, começou no quarto de hotel onde o casal havia se hospedado e depois disso, eles permaneceram praticamente apenas nos corredores do mesmo hotel.

Da manhã que antecedia o grande evento, à chegada dos convidados (e consequentemente toda a família da Becky, para o desespero do Steve), até o momento do baile pós cerimônia, acompanhamos momentos excelentes que foram divididos entre todos os personagens, incluindo alguns membros extras que apareceram pela primeira vez e os pais do casal, que nós já havíamos esbarrado em outras ocasiões e que voltavam para desenvolver um pouco mais dos seus plots antigos, como a crush do pai da Becky pela Shelly ou o “espírito livre e aventureiro” da mãe do Steve. Durante esses episódios finais, sobrou para Becky a difícil tarefa de tentar controlar a sua irmã descontrolada por natureza e já para o Steve, acabou sobrando a tarefa de cuidar do noivo, algo que ele não conseguiu executar com êxito já no primeiro episódio, noivo que além de tudo estava sofrendo uma crise existencial, ainda mais quando descobrimos por meio de um beijo daqueles no corredor do hotel que o seu amante homem e bem mais velho (sim, confirmou, Paul era gay, ou pelo menos bi) resolveu aparecer para tentar impedir a cerimônia.

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Além disso, sobrou para o Steve também a tarefa de ter que lidar com a desaprovação de praticamente toda a família da Becky, que nunca foi assim tão fã do rapaz, ainda mais quando ganhamos uma comparativo com a aparição do ex namorado dela, Lee, que para ajudar, além de toda a sua magia (Höy. Mas serei sempre muito mais você, Russell Tovey!) chegava com o combo da perfeição e já era super bem aceito pela família da noiva e sua irmã. De certo modo, Steve acabou levando a culpa por praticamente tudo que deu errado durante o casamento, do sumiço do noivo que voltou completamente bêbado da sua despedida de solteiro, ao seu constrangedor discurso de best man, as vezes meio que sem querer e as vezes por ele ter o talento de se meter em enrascadas sem precisar se esforçar muito.

Dos personagens já conhecidos, tivemos é claro a participação do Dan, que não poderia faltar para essa despedida, ele que acabou sendo responsável por alguns furtos e um apagão durante a festa e a sua Shelly, que além de um bronzeamento artificial dos mais artificialmente possíveis (morro de rir quando lembro que ela era a mãe da Rose em Doctor Who) precisou explodir para colocar o pai da Becky no seu devido lugar, mesmo que para isso ela possivelmente até hoje ainda acredite que foi responsável pela sua morte. (que para ficar bem claro, não aconteceu)

Laura esteve no auge do seu descontrole ao longo de sua festa de casamento que durou todos os episódios dessa temporada e continuou tratando todo mundo com aquela honestidade/grosseria que lhe é peculiar. Isso até que ela acabou descobrindo por acidente o tal caso do seu noivo com outro homem, presente no casamento e é claro que nesse momento ela surtou de vez e partiu para o tudo ou nada, procurando qualquer um para se vingar sexualmente do seu futuro marido, ali mesmo na festa, incluindo o Steve na lista. Aliás, sua vingança por mais que nos doa admitir, foi excelente vai? (#AQUELEQUESEIDENTIFICA #NAOQUEEUJATENHAFEITOAMESMACOISA)

Sempre com uma cumplicidade sem igual, apesar da insegurança do Steve com a presença persistente do ex da Becks, que além de parecer muito mais perfeito, insistia em lhe dar algumas lições de moral (e a cena do confronto deles no banheiro, depois daquele silêncio sem fim em meio a um xixi rápido foi deliciosamente sensacional!), o casal continuou dividindo momentos super fofos juntos, sempre apoiando um a outro, da maneira deles (que de vez em quando inclui colocar o outro em situações constrangedoras, rs), mas ainda assim, sendo fofos como sempre. Mas ainda assim, uma outra surpresa os rondava, ou pelo menos rondava o Steve, que ainda não sabia sobre a gravidez da Becks, que só foi revelada para ele nos minutos finais do próprio series finale. (fiquei super aflito com essa demora. Sério) Só acho que antes disso, mesmo tendo ficado com o prêmio maior, nesse caso, a mulher da sua vida, faltou o Steve ter ganhando uma bela de uma vingança para cima do ex super perfeito da sua amada, porque como todo mundo sabe, vivemos pela vingança! (#TheyLoveTheWayIWalkCauseIWalkWithAVengeance

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E mesmo que essa despedida tenha nos deixado morrendo de saudades do apartamento antigo do casal que não foi visto durante essa temporada final, foi lindo ver uma série como Him & Her, que sempre conseguiu render o improvável com diálogos sensacionais sobre qualquer coisa, além de sempre ter desenvolvido muito bem o nível de intimidade da relação desse casal e seus personagens segundários (achei bem bacana como cada um deles voltou com o seu plot em evidência para essa temporada final), conseguindo encerrar a sua história nos deixando com a sensação de que aquela etapa da vida dos dois já havia sido superada e agora, com a chegada do filho do casal, chegava a hora de começar a pensar em outras coisas, como finalmente arrumar um emprego, nem que para a ideia inicial dessa “necessidade’, essa resolução só tenha aparecido para alcançar o desejo do Steve de comprar um smartphone para baixar um app que o ensine tudo sobre bebês. Sério, #TEMCOMONAOAMAR? (isso e o cuidado dele com ela ao receber a notícia e logo após o mesmo chutando a porta instantes depois de ter descoberto que embora grávida, ainda era possível se comemorar, rs)

Nesse caso, além da saudade que ficamos depois dessas quatro curtíssimas temporadas (detalhe que pode animas quem ainda não assistiu a fazer uma maratona, hein?), ficamos com o sentimento de que baseado na relação de cumplicidade daqueles dois, embora nada convencionais ou exemplos de bons costumes, não resta a menor dúvida de que eles vão acabar se saindo muito bem agora como pais.

Mas para nos despedirmos adequadamente, nada melhor do que com essa trilha sonora aqui

#JÁCOMSAUDADES (♥)

 

ps: nossos outros posts sobre Him & Her: Season 1, Season 2, Season 3

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Sherlock, parte 3

Janeiro 22, 2014

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Quase dois anos de espera (sim, o terceiro episódio da Season 2 foi ao ar em 15/01/12), apenas mais três episódios de uma hora e meia de duração cada e mais uma temporada sensacional de Sherlock. SENSACIONAL! Com a desculpa da agenda concorridíssima de suas duas maiores estrelas (Cumberbatch + Freeman), que agora também parecem que foram finalmente reconhecidos em Hollywood, tivemos uma longa espera para o retorno de uma das melhores séries britânica. Eu diria até que a melhor série indeed no ar hoje, mesmo ficando com os meus dois corações apertados por conta do meu amor incondicional por Doctor Who. Mas podemos dizer que valeu a pena, não esperar, porque essa espera longa demais é sempre uma covardia covarde, mas o fato de aguardarmos tanto tempo para receber de presente três episódios como esses, acaba compensando qualquer coisa. Mas que a gente gostaria que fossem mais (não 22 como na America antiga, mas uns 6 pelo menos?), a gente bem que gostaria.

Para essa temporada, começamos com a notícia velha de que “#SHERLOCKLIVES”. Velha porque para a sua audiência, no final da Season 2, o próprio já havia aparecido e com isso, a dúvida da sua morte já não mais existia e o que a gente gostaria mesmo de saber era como isso foi possível, uma vez que vimos o próprio pulando do telhado de um prédio, de frente com o Dr Watson, para o seu (e nosso) total desespero. Mas restava esclarecer esse pequeno detalhe e nessa hora, ganhamos um episódio cheio de possibilidades, que brincou com a mente de sua audiência mostrando diferentes cenários para o mesmo crime, nos dando algumas opções para o ocorrido, todas muito bem pensadas por sinal, meio exageradas até e algumas com um toque de humor inglês que é sempre bem vindo, como a possibilidade criada por uma de suas fãs (a Ray de My Mad Fat Diary), imaginando uma história de amor entre Sherlock e Moriarty, que foi divertidíssimo e totalmente inesperado. (com direito a uma quase beijo, olha só!)

Mas além desse esclarecimento, restava ao Sherlock a tarefa de enfrentar o grande amor da sua vida (sejamos sinceros, eles se amam, de uma outra forma, mas todo mundo sabe disso), seu amigo e companheiro que havia passado esse tempo todo de luto, Watson, acreditando na morte do parceiro e obviamente, sofrendo e muito por isso. E quando finalmente chegamos ao momento do confronto, novamente recebemos de presente o alívio cômico da série, com uma briga no melhor estilo dramalhão mexicano, com o Sherlock recorrendo ao humor para surpreender o amigo com a notícia de que estava vivo e Watson enlouquecendo, partindo para cima dele por mais de uma vez, em cenários diferentes, em um misto de drama e pastelão muito bem executado, com espaço para diversas piadinhas a respeito da nova tentativa de estilo do próprio Watson, que a essa altura havia adotado um bigode bem do meio assim durante esse período de luto.

Como novidade, ganhamos uma personagem a mais para essa relação já tão conturbada entre os dois, Mary (Amanda Abbington), que havia roubado o coração do Watson, de quem ela estava noiva e Holmes teve que amargar ter perdido esse momento da vida do amigo. Claro que para aguentar um Sherlock presente em boa parte de sua vida por conta da sua relação com Watson, Mary precisava ser uma mulher bem humorada e que tivesse coragem de dizer algumas verdades para o Sherlock que pouca gente teria, além de uma petulância natural em enfrentá-lo de vez em quando, discordando do seu ponto de vista e ou acrescentando detalhes perdidos pelo detetive. Apesar de extremamente doce e de ter uma relação com aparentemente zero problemas com Watson, já nesse primeiro encontro entre os três, quando o detetive fez sua primeira leitura sobre a Mary, uma série de palavras pipocaram na tela e entre elas estava “liar”, que coincidentemente foi o que me chamou a atenção e me fez voltar a cena para ver se eu tinha visto direito. Além disso, um olhar mais demorado e de leve desconfiança do próprio Sherlock em relação a escolhida do seu amigo em um determinado momento chegou a chamar a atenção para quem assim como eu, é mais apegado a esse tipo de detalhe. Mas nada que nos denunciasse qualquer outra coisa. Pelo menos por enquanto.

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O bacana desse primeiro episódio da Season 3 é que fomos muito bem representados pelo fandom do Sherlock na própria série, que inconformados com a sua “morte’, se mobilizaram para imaginar as tais possibilidades para o que de fato pudesse ter acontecido no telhado daquele prédio, com a diferença de que na série, eles foram mais fundo e acabaram sendo os próprios responsáveis pelo caso da vez, em uma tentativa desesperada porém bastante inteligente para despertar a curiosidade do detetive do “mundo dos mortos”

Seguindo com a temporada, ganhamos o episódio mais divertido da série até hoje, ele que foi também responsável pela confirmação de que essa seria a temporada mais bem humorada da série e isso ficou por conta do dia em que o Dr Watson se casou com a Mary e resolveu chamar o Sherlock para ser o seu padrinho. Muito provavelmente em uma tentativa de humanizar um pouco mais o personagem, ganhamos um Sherlock visivelmente mais leve ao longo dessa Season 3, talvez pela culpa de ter forjado sua própria morte e ter permanecido tanto tempo longe do seu amigo (e consequentemente de todos nós). Amigo que ao escolhê-lo como padrinho, acabou assumindo que ele era sim o seu melhor amigo, para total desespero do personagem, que não é tão genial quanto parece quando o assunto são sentimentos de verdade e não um detalhe prático qualquer.

Aqui, ganhamos um Sherlock talvez pela primeira vez se dando conta da importância da sua relação com aquele homem, se sentindo realmente querido por alguém e nesse hora, o mesmo não pensou duas vezes ao assumir o posto de melhor amigo (quer dizer, até pensou duas vezes sim e ficou tão surpreso com o convite que chegou até a tomar um “chá de olho”. Sério), entrevistando severamente alguns dos convidados principais da festa e fazendo um breve levantamento sobre todos eles, com direito a mapa na parede do tipo Homeland e um Sherlock fofíssimo e comportado sentado no chão, dobrando guardanapos no formato do Sydney Opera Hall, confessando que alguns de seus talentos descobertos recentemente (como dobrar guardanapos em formatos exóticos) vieram de suas também recentes excursões a tutoriais no Youtube.

Além de extremamente cômico e de ter assumido o volume de humor da temporada, esse também foi um episódio complexo, com algumas voltas no tempo para antes do casamento e de quebra, a inclusão de um caso sem solução que havia lhes chamado a atenção enquanto Watson tentava fugir de sua noiva e um Sherlock organizador de festas, envolvendo inclusive um personagem do passado do próprio, relembrando mais uma vez os seus tempos de guerra, além também de algumas memórias de casos divertidíssimos da trajetória dessa dupla que não tivemos a chance de acompanhar. E e tudo isso em um cenário lindo, com cara de casamento que a gente adoraria ter sido convidado e até teria comprado presentes bons.

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Mas se esse foi definitivamente o episódio que estabeleceu o humor da série para essa temporada e o assumiu como a sua maior arma nesse momento, ele também foi uma dos mais fofos para a mitologia da série. Do momento já mencionado, com o Sherlock congelado no tempo ao ouvir o convite para ser o padrinho do Watson e consequentemente, que ele era o seu melhor amigo (algo que provavelmente ele nunca imaginou conseguir ser para alguém), ao momento do discurso preparado tragicamente pelo próprio Sherlock, que no final das contas, conseguiu salvá-lo muito bem, entre esses dois momentos, tivemos as melhores declarações de amor entre ambos os personagens, do tipo que consegue te deixar com aquele nó na garganta, mesmo vindo na sequência de uma série de verdades e ofensas ditas pelo Sherlock himself, claro.

É claro também que como Sherlock apesar de ter se assumido um pouco mais como uma séria também cômica, basicamente sobrevive (além de todas as suas qualidades, que não são poucas) do suspense, como resolução para essa primeira e provavelmente única vez do Sherlock como padrinho, ganhamos uma espécie de jogo como “detetive” em pleno casamento, com um Sherlock enlouquecido tentando resolver o crime da vez, eliminando possibilidades e mais uma vez utilizando do recurso da tipografia, que a essa altura, já faz mais do que parte da identidade da série.

Identidade essa que continua sendo fielmente mantida, com todo o fundamento que aprendemos a admirar e reconhecer na série desde suas primeiras temporadas (Season 1 e Season 2), com uma fotografia excelente, recursos tipográficos que nos ajudam a compreender  o que está acontecendo em cena e ou na cabeça do próprio Sherlock (em seu “palácio mental”), além daquele olhar super bacana que eles sempre escolhem para nos ilustrar uma cena. E tudo isso pertencendo muito bem dentro desse universo, sem nos deixar com a impressão de que eles estão apenas se “exibindo”, como é bem possível reconhecer a quilômetros de distância em séries do tipo procedural mais endinheiradas.

Detalhe que nesse episódio, antes de se dar conta que apesar do amor que conseguiu sentir naquele momento, ele continuava sozinho (a cena dele reconhecendo essa fato na pista de dança é linda e a prova de que Sherlock jamais ficaria sozinho em uma pista de dança veio logo depois, com o Cumberbatch dançando animadamente ao lado do Fassbender. Confirmou!), antes de deixar a festa e a sua valsa como presente para os noivos (um detalhe lindíssimo por sinal), tivemos um momento clássico com mais uma vez o Sherlock sendo sincero demais e falando o que não deveria, revelando ao casal que eles além de recém casados, estavam também grávidos e nesse momento, por mais uma vez ganhamos um olhar um tanto quanto demorado demais em relação ao próprio e a Mary, algo que de certa forma me despertou a possibilidade de que ele tivesse enxergado algo mais nela naquele momento. Mas até aqui, tudo isso poderia ter sido apenas uma impressão minha.

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Até que partimos para o grande final dessa temporada, que apesar de ter nos apresentado um novo vilão (Magnussen), sem ter nos demonstrado exatamente qual era a sua magnitude, tivemos uma perfeita amarração entre as histórias dos outros dois episódios, que de alguma forma, estavam todas atreladas para o desenrolar dessa terceira temporada da série inglesa. Um episódio absolutamente sensacional para uma temporada que havia começado pela morte ficticia do prório Sherlock e que voltava para o seu encerramento nos propondo o personagem de fato enfrentando algo bem próximo da morte de forma real, nos fazendo passar boa parte dele dentro do seu próprio palácio mental, onde descobrimos até a sua zona de conforto, que atendia pelo nome de barba ruiva . (Confirmou! Sherlock é dos nossos)

Sim, nele e corajosamente bem antes da sua metade, tivemos Holmes enfrentando a morte de perto, ao ser baleado no peito por ninguém menos do que a própria Mary do seu Watson, ela que também tinha alguma relação mal resolvida com o vilão da vez que parecia saber de tudo por uma espécie de Google Glass (mas que na verdade, não era exatamente isso), para a surpresa de todos, mas acho que podemos afirmar nesse momento que ninguém ficou mais surpreso do que o próprio Sherlock nesse caso. (eu pelo menos matei na hora em que eles mencionaram o perfume. E que propaganda hein? Dior, Chanel, Prada…)

E mais uma vez, foi lindo ver como a relação desses dois personagens principais é baseada na lealdade (palavra importantíssima na minha own vida ultimamente… tisc tisc), com a Mary ameaçando o Sherlock em relação a ele revelar para o Watson que ela havia atirado no mesmo e ele imediatamente arquitetando uma instalação artística com direito a projeções gigantescas e alguns truques para arrancar a sua confissão diante do agora marido Watson, para o total desespero da personagem.

Nesse hora, eu só não gostei muito dos mind games envolvendo a parcela de culpa do Watson por sempre escolher “o errado” para se aproximar em sua vida, tão pouco a questão daqueles petelecos todos na cara envolvendo o vilão da vez na cena final. Achei que para o personagem, esse detalhe não coube tão perfeitamente, algo que caberia muito melhor para alguém com um nível de arrogância tão avançado quanto o Sherlock, por exemplo. Mas ainda assim, temos que aceitar que de vez em quando, a gente é quem realmente atraí esse tipo de coisa para nossas vidas, infelizmente, algo que todos nós sabemos que é uma verdade e talvez por isso deixamos passar na série.

Apesar de ter desmascarado a Mary, não ficou claro suas verdadeiras intenções naquele momento em relação ao crime, tão pouco o que o tal Magnussen sabia a seu respeito a ponto de colocá-la naquela posição de assassina. Algo que a própria resolveu tentar esclarecer mais tarde, deixando um pen drive com o próprio Watson, contendo a sua verdeira identidade e história. E novamente, apesar também de ter encontrado algumas falhas nessa relação de amor, onde acabou ficando muito mais claro o grau de envolvimento do Watson com essa relação, quando ele resolveu jogar o pen drive no fogo e esquecer o passado da futura mãe de sua filha (sim, a chance maior segundo ele mesmo é que seja menina) do que em relação a própria Mary e o seu envolvimento com o atual marido. Mas ainda assim, foi bem bonitinho o Sherlock promovendo uma excursão no natal  até a casa dos seus pais (que haviam aparecido em um outro momento da temporada), na tentativa de demonstrar para o casal em crise do momento um outro tipo de relação que eles poderiam se inspirar em ter e tudo isso com direito a um Mycroft amargo de companhia e odiando o natal, além do novo protegê do próprio Sherlock, um viciado que ele acabou conhecendo na “cracolândia”, onde o personagem passou a viver por uns tempos logo depois do casamento do seu melhor amigo (fazendo uma piada ótima em relação ao seu vício em drogas, que estava um tanto quanto adormecido), e talvez esse detalhe tenha nos dado uma pista de que ele não estava se sujeitando a drogas naquele lugar apenas pelo caso da vez e sim para tentar se livrar da dor de ter perdido o homem da sua vida, não? rs

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Mycroft também apareceu em momentos importantes ao longo dessa Season 3, dentro do tal “palácio mental” do Sherlock, dando dicas importantes em relação ao seu comportamento e além disso, dividiu também um momento super fofo com o irmão, com ambos tentando esconder da mãe o fato de que estavam fumando do lado de fora da casa e o próprio Sherlock tentando incriminá-lo na maior cara de pau, como duas pessoas absolutamente comuns (que é bom lembrar de vez em quando que eles são). Outro ponto de extrema doçura ao longo da nova temporada aconteceu quando acabamos dando de cara com a memória do Sherlock criança, revelando um pouco mais da fragilidade do personagem, assim como aquela cena fortíssima (e linda) que encerrou o episódio, com ele criança se rendendo em meio a todos aqueles homens armados.

Em termos de crítica, podemos dizer que a atenção dada ao lado cômico da série não foi a mesma para a questão do suspense, que apesar de também ter sido muito bem executada como sempre, acabou ficando um tanto quanto mais fraca em relação as grandes resoluções (as maiores delas, tipo o caso da Mary e o que fazer com um vilão como o Magnussen), que foram um pouco mais óbvias ao longo dessa temporada. Não sei se foi a saudade da série e o longo tempo que tivemos que aguardar para o seu retorno, mas digamos que dessa vez, as pistas deixadas ao longo dos episódios foram mais óbvias ou pelo menos mais fáceis de se perceber. Será que é porque a essa altura, já estamos muito mais bem treinados?

Dessa vez, não tivemos uma grande revelação e ou grande plot dramático para encerrar a temporada e sim um Sherlock assumindo o posto de vilão para se afirmar como o grande herói da vez. E tudo isso baseado no sentimento que ele tem em relação ao melhor amigo Watson, que agora se estende para a sua “executora”. Uma resolução sentimental, que ainda nos trouxe uma despedida linda e novamente muito bem humorada entre os dois melhores amigos, com direito a um Sherlock tentando a qualquer custo que o amigo batizasse seu filho com o seu nome, inclusive se fosse uma garota. Mas essa despedida ainda trazia um gostinho muito mais amargo, com o detetive seguindo para uma espécie de exílio, onde segundo o próprio irmão database Mycroft, ele não duraria muito.

Até que no último momento, fomos surpreendidos com uma imagem que ecoava em todas as TVs da terra da rainha, com alguém importante perguntando se estávamos com saudades. Alguém que era ninguém menos do que o próprio Moriarty, a princípio apenas como uma espécie de GIF animado, mas quem aguardou até o final dos créditos como bem fez questão de lembrar o locutor, pode conferir a sua versão em carne e osso. Agora não me perguntem como é que eles vão conseguir explicar como Moriarty não morreu (e a gente sabe que eles vão conseguir), porque isso nós só saberemos durante a próxima temporada da série, que já faz tempo que tem feito por merecer cair no gosto do público, hein?

E eu sinceramente não consigo acreditar em como é que uma série com todas as qualidades de Sherlock, consegue passar tão batido em toda e qualquer premiação de TV fora da terra da rainha. Suspeito que esse mistério nem o próprio Sherlock consiga explicar. Mas que merecia ser reconhecida também por isso, merecia…

 

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The Time Of The Doctor – a inevitável hora da despedida do nosso 11th Doctor

Janeiro 6, 2014

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Desde sempre, tive consciência de que cedo ou tarde, esse momento chegaria. Aliás, ao me ver completamente apaixonado por Doctor Who desde o seu primeiro episódio (dele e o meu, 5×01 “The Eleventh Hour”), venho dizendo não estar preparado para esse momento que a própria mitologia da série já anunciava como certo. Até que ganhamos à notícia de que esse ano, o Natal tinha tudo para ser mais triste, com o anuncio da regeneração do 11th Doctor, o meu Doutor, Matt Smith, que deixaria o personagem logo após o especial de 50 anos da série, também comemorado recentemente (e lindamente) e isso aconteceria exatamente no já tradicional especial de Natal.

Despedidas são sempre muito tristes, ainda mais de quem ou do que a gente gosta. Logo, sentimos aquele nó na garganta que custa a passar, um frio no coração que parece não ter fim e uma tristeza infinita se confunde na maioria das vezes com lágrimas. Tudo bem que esse sou eu, um ser de alma dramática nível avançado falando (aliás, lendo esse pequeno paragrafo acima me dei conta do meu potencial para escrever novelas mexicanas e ou dramalhões gregos), mas ainda assim, acredito que despedidas nessas condições devam ter um gosto semelhante para todo mundo. E apesar de ter sido anunciado, do episódio em si ter nos trazido aquele gostinho esperado de Natal e de o mesmo ter parecido muito mais uma grande homenagem (e foi) ao adorável 11º Doutor que ganhou vida através do Matt Smith, a todo instante, pelo decorrer do pouco mais de uma hora de sua duração, parecia que a pergunta que ecoava a todo instante (Doctor Who?)  nada mais era do que uma constatação, a de que a qualquer momento dentro daquele período do tempo e espaço, o 11th Doctor teria o seu fim.

Até que ele de fato aconteceu, em uma sequência memorável mas completamente diferente da despedida do 10th Doctor(que também foi memorável, mas de uma forma completamente diferente e também muito especial por outros motivos, como já reconheci aqui), que certamente foi o suficiente para deixar esse Natal com um gostinho entre um misto de azedume e muito mais amargo. Mas antes disso, a despedida começou extremamente doce, com um Doutor falando sozinho, ou melhor, carregando a cabeça de um Cybermen como uma espécie de seu novo co-piloto a bordo da TARDIS (que eu finalmente consegui adquirir recentemente e fiquei feito criança quando o meu pacote finalmente chegou – e chegou na mesma semana do “The Day Of The Doctor” – . E olha que ela é minúscula, mas dizem que é muito maior por dentro, rs), seguindo em direção a casa da Clara para bancar o papel de seu namorado (sério, leiam esse post do BuzzFeed dizendo o porque que o Doutor seria o pior namorado do mundo), fazendo uma adorável visita a sua família, visita essa que havia começado com um Doutor pelado. E sim, eu disse pelado. #TEMCOMONAOAMAR?

Dividindo momentos deliciosos com sua companion da vez, ficou difícil aceitar que aquela notável química entre os dois tinha apenas mais alguns minutos de duração, uma vez que a sua regeneração se aproximava, mas mesmo assim, ambos conseguiram nos divertir com piadas ótimas e várias referencias a série, quase que em um tentativa de nos fazer esquecer o momento de pura tristeza que ainda estávamos a caminho de presenciar. Nessa hora, foi bacana com o típico humor inglês acabou ganhando ainda mais espaço em Doctor Who, com a inesperada (porém já conhecida de todos os fãs da série) assumida do próprio Doutor sobre o fato dele estar usando peruca (algo que ficou notável ao longo do episódio), com espaço para piadas sobre suas orelhas que mais pareciam duas nadadeiras ganhando como resposta um sorriso com cara de maluco de um dos mais adoráveis doutores de todos os tempos. (outro fato inegável)

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Como plot para o especial da vez, ganhamos uma fábula um tanto quanto diferente dos últimos episódios de Natal protagonizados pelo próprio Matt Smith (que tinham aquela clássica linguagem de fábulas, sabe?),  com amarrações importantes em relação ao que vimos no próprio especial de 50 anos da série, que foi quando eles de certa forma, aproveitaram para reescrever uma parte importante dessa história tão querida e de forma bem simples e coerente (na medida do possível e quando eles acharam que não havia ficado bem claro, aproveitaram o momento para fazer piada sobre o assunto), tudo isso acabou ficando bem compreensível ao longo do episódio, mesmo com alguns (me incluindo nesse momento) ainda torcendo o nariz para a “nova contagem” dos doutores.

Ameaçado pelo ressurgimento de Gallifrey (que ainda não apareceu, mas havia voltado para assombrar o Doutor naquela mesma rachadura no Universo que encontramos no primeiro episódio da Season 5), ganhamos um episódio de despedida que na verdade foi uma grande e merecida homenagem a toda a trajetória do 11th Doctor e do próprio Matt Smith, repleto de referências importantes à sua mitologia do começo ao fim. Daleks, Cybermens, Weeping Angels, Silence (achei importante eles reaparecerem nesse final de trajetória do Doutor, porque a história do vilão da vez  – daquela vez – não havia sido explicada completamente, não é mesmo?), entre outras criaturas, todos estiveram presentes nessa despedida, demonstrando claramente a importância do trabalho do Matt Smith a frente do personagem durante esse últimos anos, principalmente ultimamente contando com toda a popularidade da série pelo mundo. Um claro reconhecimento ao seu trabalho e carisma, sem a menor dúvida. Clap Clap Clap!

O bacana foi que além dessas referências e elementos todos que estiveram presentes no episódio, ele foi completamente construído para o tipo de Doutor que foi o 11th, doce, meio goofy, apatralhado, muitas vezes infantil até (de uma forma bacana), que foram detalhes que acabaram deixando essa despedida mais doce e muito mais leve até. Dedicando sua vida a salvar uma cidade chamada Christmas (que para o seu assombro ainda ficava em Trenzalore, que descobrimos recentemente que é onde fica o seu túmulo), observamos o Doutor abdicando mais uma vez de suas vontades e desejos para tentar salvar alguma coisa e obviamente para que isso de fato acontecesse, ele teria que acabar decepcionando alguém, como ele fez com a Clara, mentindo para a mesma por duas vezes ao longo do episódio (fiquei morrendo de pena dela voltando para casa com aquele peru cru e ainda tendo que explicar o sumiço do “namorado para a família”. Imaginem que drama? rs), relembrando algo que a própria River Song (que fez falta nesse momento) já havia nos alertado anteriormente, quando nos disse que o Doutor sempre mente. Ou seja, confirmou!

Ao optar por ajudar aquela cidade, que estava ameaçada por uma guerra que poderia vir a acontecer uma vez que Gallifrey surgisse novamente (e para isso contamos com um outro plot “religioso” sensacional dentro da série), tivemos a oportunidade (mais uma vez, porque de outra forma, isso já havia acontecido com o Doutor do David Tennant) de poder ver um Doutor envelhecido, finalmente demonstrando os sinais do tempo, que para ele sempre pareceu que não surtia muito efeito. Quase que assumindo o posto de “bom velhinho”, meio Geppetto e ainda se mantendo com o Xerife da cidade (relembrando seu velhos tempos na america antiga, talvez), ganhamos um adorável Matt Smith de cabeça branca, bengala, evidenciando os 300 anos que ele havia permanecido naquele lugar, longe de todos, inclusive de sua TARDIS e consequentemente, companion (achei engraçado que ele não ficou amargo dessa vez, passando tanto tempo longe de uma companion, mas talvez isso não tenha acontecido porque companhia não lhe faltava naquele lugar). Ainda falando desse novo cenário, ficou impossível também não relacionar o personagem de Barnable, aquele garotinho que ficou tomando conta da TARDIS durante o mesmo com o Rory e seus tempos antigos de centurião, esperando por sua Amy Pond do lado de fora da Caixa Pandórica. (eu pelo menos fiz essa conexão na mesma hora, ainda mais ao notar todo o ruivismo do ator. Mas talvez esse seja o meu coração saudosista falando mais alto nesse momento…)

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É claro que como esse seria mais um conto de Natal para a série, tudo seria resolvido e haveria de sobrar algum tempo para a parte mais importante dele, que seria exatamente a despedida do Doutor, mas dessa vez, os caminhos foram outros e eles decidiram aproveitar a resolução final do episódio para já provocar o começo da regeneração do (meu) Doutor, algo que ao encontrá-lo de cabeça branca e bem diferente de quando nos encontramos pela primeira vez, ao meu ver, se tivesse de fato acontecido naquele momento, teria sido totalmente injusto com o Matt Smith, por diversos motivos, apesar de tê-lo dançando de bengala no telhado também tenha se tornado um momento inesquecível para o seu icônico Doutor.

Me lembro de já estar completamente rendido as lágrimas já lá pelos 30 minutos do episódio e cada referência (tipo “Don’t Blink” ou a “dança da girafa bêbada” – a mesma do casamento dos Pons -, ou quando ele ficou gritando com as crianças “Cool is not cool!”, rs) e ou cada aparição de um ícone importante da mitologia desse que é o meu Doutor assumidamente preferido, mesmo antes de ter conhecidos os anteriores, já era motivo para me deixar completamente emocionado. Mas nada poderia se comparar com a sequência final do episódio, que diferente ao que aconteceu com o 10th Doctor (que tem uma sequência final lindíssima e recheada de momentos importantíssimos), foi muito mais simples e pontual, mas nem por isso foi menos especial. Mas não foi mesmo. Aliás, vale ressaltar o quanto o roteiro do episódio fez questão de ressaltar a importância do 11º Doutor, dizendo que naquele momento (em um link com a história do próprio episódio), aquele homem havia se tornado lenda e a essa altura era amado por todos, algo que de certa forma, não deixa de ser verdade, não é mesmo?

Apesar da regeneração já ter começado no alto daquele lugar, ao entrar na TARDIS e encontrar peças de suas roupas espalhadas por todos os lados além de alguns icones do seu surgimento como 11th Doutor, juntos com a Clara nos desesperamos ao imaginar que a qualquer momento poderíamos dar de cara com um novo Doutor, mas com uma sequência dos pés a cabeça, nos encontramos aliviados ao ainda nos depararmos com o nosso 11th novamente, lindo com o seu cabelo invejável (mesmo sendo peruca), se preparando para seus últimos momentos como “o seu próprio Doutor”.

Uma despedia para despedaçar qualquer coração por cada palavra dita pelo ator Matt Smith, que naquela hora já não dizia mais nada como o 11th e sim como ele mesmo, dizendo que nunca iria conseguir se esquecer do tempo em que foi o Doutor, tornando ainda mais difícil essa já tão sofrida despedida. Nessa hora ele até ganhou uma olhada direto para a câmera, como se estivesse falando diretamente com cada um de nós, se despedindo lindamente desse personagem que ele conseguiu desenvolver tão bem (personagem que sempre foi o maior trunfo da série), ele que certamente encontrou dificuldades ao substituir o não menos carismático 10th Doctor do David Tennat e que naquele momento, junto com a sua bow tie, deixava um de seus dois corações dentro daquela TARDIS. Sério, essa sequência, por mais simples que tenha sido do que o 10º Doutor do David Tennant se despedindo de todos aqueles que foram importantes durante a sua jornada enquanto o personagem, foi de uma sinceridade absurda, do tipo que sendo fã da série e sobretudo do 11th Doctor, ficou bem díficil conter as lágrimas.

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Ainda em seus últimos momentos na pele do Doutor, ganhamos uma participação super foufa da pequena Amy Pond (interpretada por outra atriz, por motivos óbvios do passar do anos para uma criança) correndo por dentro da TARDIS, a primeira (e mais importante) pessoa que aquele Doutor havia encontrado em sua trajetória. Nessa hora, era impossível não lamentar a ausência da própria Amy Pond, que deveria estar presente em um momento tão importante como esse. Até que, nos minutos finais do episódio, uma câmera mudou de posição e uma mão foi vista descendo as escadarias da TARDIS e nesse momento, ganhamos o que talvez tenha sido o maior carinho para os fãs da série, especialmente para os fãs do 11th Doctor, com a Amy Pond entrando em cena para se despedir do seu maltrapilho, dividindo um carinho no rosto de uma doçura sem tamanho, libertando o nosso 11th Doctor para finalmente aceitar a sua regeneração, sem se arrastar muito mais depois desse momento importantíssimo para ambos, onde rapidamente acabamos surpreendidos pelo 12th Doctor, Peter Capaldi, assumindo definitivamente o posto do novo Doutor (ele que já havia aparecido apenas com seus grandes olhos durante o especial de 50 anos da série) e ainda em fase de adaptação ao seus novos rins, rs.

Juro que antes disso, depois da aparição surpresa (mas que a gente já esperava, é claro) da Amy Pond no episódio, meu player ficou preso nos minutos finais do mesmo, com o Matt Smith ainda repetindo ininterruptamente suas últimas palavras, algo que eu acabei aceitando com uma interferência cósmica do meu assumido desejo de que ele continuasse no papel do meu Doutor preferido. Sério, isso aconteceu de verdade, eu juro. (♥ + ♥)

Após enxugar as lágrimas e tentar me recompor desse momento que eu confesso que foi dificílimo na minha longa relação com séries de TV e seus personagens, ao relembrar os momentos desse especial de Natal com gosto amargo de despedida, antes de escrever essa review, foi impossível não reconhecer que apesar de extremamente dolorosa, essa despedida do Doutor do Matt Smith não poderia ter sido diferente, em nenhum aspecto. Algumas pessoas acharam o episódio complicado de se acompanhar e outras podem ter achado essa despedia menor ao que vimos da regeneração anterior, mas a verdade é que ela provavelmente tenha sido escrita como uma grande homenagem ao 11th Doctor e pensando por esse lado, não tem como não reconhecer que eles conseguiram atingir em cheio esse objetivo.

E se você achou pouco o que assistimos no Natal desse ano, a BBC liberou esse vídeo aqui, que tem os bastidores dessa despedida e é humanamente impossível não acabar se emocionando novamente, principalmente ao presenciar a reação do ator Matt Smith lendo suas últimas palavras durante a leitura do script do episódio de Natal, se confundindo exatamente com a mesma emoção que encontramos na voz e no olhar do ator durante a cena em si, algo que apesar de triste, nos deixa completamente satisfeitos por uma papel de tamanha grandeza ter caído nas mãos de um homem que parece ser tão adorável e absolutamente carismático com o seu personagem.

Do 11th Doutor nos despedimos com lágrimas e já sustentando o peso de uma saudade absurda, repetindo um feito que eu já reconheci que também aconteceu comigo quando experimentei a despedida do David Tennant e até mesmo do Christopher Eccleston (esse segundo menos, porque também passamos menos tempo em sua companhia) com seus respectivos Doutores, mas dessa vez foi realmente muito mais especial, algo que eu preciso reconhecer em nome do meu Doutor preferido entre todos eles. E para o 12th Doutor, boa sorte! Nos encontramos em breve. E para o meu Doutor, obrigado!

Geronimo!

 

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O dia em que fomos ao cinema especialmente para encontrar o Doutor

Dezembro 22, 2013

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Que dia lindo para se comemorar, não? Primeiro de tudo, temos que começar reconhecendo a sua marca: qual outra série que você conhece que chegou aos 50 anos de idade? Então, só por esse motivo, o especial de 50 anos de Doctor Who por si só já merecia todo e qualquer respeito. Segundo que pessoalmente, eu AMO novas experiências e acompanhar uma especial como esse, nessas proporções e no cinema, com exibição simultânea em diversos países no mundo, certamente foi mais uma delas. Uma experiência para se lembrar com carinho, porque ela foi realmente muito, mas muito especial. Agora entendo (entendo, só não sei se respeito, rs #PROVOCANDO) todo e qualquer fandom apaixonado que dorme na fila para assistir a estreia de uma franquia hype qualquer.

Fiquei realmente emocionado quando cheguei na sessão de cinema, super em cima da hora como sempre e me deparei com um sala completamente cheia, abarrotada de verdade. Me arrependi amargamente de não ter comprado minha sonic screwdriver quando tive a chance, porque no escuro da sala do cinema, seria o momento perfeito para eu sacá-la do bolso e fazer um performance convencendo a todos que eu também sou um Doutor (uma praga para quem ousar em pensar que eu seria o 24th). Mas tudo bem, naquele momento entendi e aceitei que o meu papel era o de uma companion (rs) e não o principal. E essa emoção já havia começado dias antes, quando apenas algumas míseras salas de cinema no Brasil haviam incluído a exibição do especial da série inglesa e isso em pouquíssimas cidades. Mas não demorou muito para todos se mobilizarem (isso sem contar a procura, que deve ter sido bem grande) e em pouco tempo, diversas outras salas foram abertas para o especial, em muitas outras cidades, inclusive em horários diferentes, esses já fora da experiência live, mas ainda assim, uma chance para encontrar com o nosso Doutor no cinema, gigantesco e em 12D. (quer dizer, 3D, porque segundo o próprio, em 12D só no especial de 100 anos da série)

Mas essa experiência também trazia um problema: dividir o tempo e espaço com outras pessoas, tanto ou mais animadas do que você em relação a qualquer coisa em comum. Geralmente, pessoas barulhentas e ou muito participativas no cinema sempre me incomodam. E não demorou muito para que o volume daquela sala começasse a subir, quando ganhamos uma participação mais do que especial do Strax fazendo suas recomendações em relação ao comportamento em uma sala de cinema. Divertidíssimo por sinal. Mas isso não foi nada comparado ao que aconteceu quando a tela finalmente ficou completamente branca e o meu Doutor (sorry, continuo possessivo) surgiu em close, para dar suas recomendações em relação a experiência em 3D do especial. Sério, nesse momento, um gritinho fino de menina (e por menina, eu quero dizer também os meninos presentes na sala, apontando dedos para mim mesmo inclusive) tomou conta do local, que foi quando eu finalmente consegui entender que naquele momento, o meu Doutor havia se tornado o Doutor de todos eles também.

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Matt Smith e seu carisma inegável, um Doutor infantil (como bem ressaltou John Hurt em uma de suas lines), cool, que sabe carregar muito bem a ironia e o humor de um personagem tão especial. Mas se eu achava que seria difícil compartilhar o meu Doutor com o resto das pessoas naquela sala, tudo ficou ainda pior e muito mais barulhento quando de repente, o 11th Doutor se transformou no 10th, David Tennant, também ainda no fundo branco, e com os gritos ensurdecedores (mais altos do que o primeiro, mesmo porque, a nossa saudade e ansiedade por esse momento era muito maior) de uma sala visivelmente comovida (olhava para trás toda hora só para dar uma conferida nas reações e a essa altura, já queria ser amigo de todo mundo) e uma dobradinha cômica excelente com o atual responsável pelo personagem a quem ele também já deu vida (as piadas sobre o queixo do Matt ou o efeito do tempo nas rugas do Tennant foram divertidíssimas), foi quase que instantânea a percepção de que não só eu, mas todas as pessoas naquela sala estavam realmente diante de algo muito, mas muito especial. Nesse momento, finalmente consegui deixar toda a minha possessividade de lado e aceitei dividir algo tão especial com os demais presentes, barulhentos ou não.

A partir disso, ganhamos um especial que realmente não poderia ter ganhado uma outra nomenclatura, a não ser “especialíssimo”. Com uma história que permeava a queda de Gallifrey, com a aparição da UNIT entre diversas referências à série e personagens antigos, ganhamos um episódio realmente especial do começo ao fim, mesmo sem saber muito bem o quanto isso ainda poderia ser superado durante a sua duração. Ainda falando da audiência com quem dividi a experiência, cada referência, cada piada, cada aparição era motivo de algum tipo de comoção e detalhe: todas eram absolutamente pertinentes e compreensíveis. Todos pareciam estar realmente conectados com aquele mitologia e ao mesmo tempo que me senti assustado ao encontrar fisicamente pela primeira vez pessoas que dividiam o mesmo tipo de gosto em comum nesse caso, me senti completamente orgulhoso de dividir o meu tempo e espaço naquele momento tão especial com cada um deles (eu sei que parece meio cafona dizer isso, mas é verdade e levem em consideração a emoção enquanto escrevia esse post, apesar dele ter demorado quase que um m~es para sair. E me perdoem, claro, rs), tanto que desse momento em diante, nenhum barulho excessivo ou qualquer tipo de manifestação chegou a me incomodar mais. De verdade.

Obviamente que todos estavam esperando as prometidas e divulgadas participações. Rose Tyler voltou, mas em The Day Of The Doctor, ela representava o “Momento”, que apenas havia tomado a forma de alguém que é de conhecimento de todos que foi verdadeiramente especial para o nosso Doutor. Clara também estava ali, essa sim representando o papel de companion da vez, a garota impossível que conheceu todos os Doutores (segure essa inveja meu caro leitor, porque ela teve sim essa sorte) e esteve com todos eles. Todos exceto um deles, aquele que nos foi introduzido em um nível alto de suspense durante o encerramento da dolorosa Season 7 (dolorosa por motivo de “despedida dos Ponds” em sua primeira metade, glupt!), interpretado pelo excelente ator John Hurt.

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Quando introduzido pela primeira vez, não tivemos exatamente muita chance de perceber a que veio, tão pouco como iria se comportar diante da difícil tarefa de encarar uma encarnação desconhecida de um personagem tão querido e que logo de cara, havia sido descrito como a mais sombria delas e isso justamente no dia em que o Doutor encontrou o seu túmulo, ou seja, mais dramático que isso seria bem difícil. Mas com pouco tempo em tela, ainda misteriosamente e dividindo o espaço com aquela que também atende por “Bad Wolf” (sim, a Rose) em sua “nova versão”, foi possível perceber que aquela não era uma encarnação do mal do personagem e tratava-se apenas do homem que teve que encarar o maior dos desafios de sua vida, aquele que foi responsável pela extinção de Gallifrey, seu planeta de origem. A essa altura, todos nós já sabemos que na mitologia de Doctor Who, o maior arrependimento ou culpa do personagem foi ter que extinguir sua própria espécie em nome de um bem maior e para o especial de 50 anos da série, encontramos o mesmo enfrentando exatamente o dilema desse dia que até o mais esquecido de todos os doutores (que é o 11th, como eles bem lembraram), gostaria de conseguir esquecer.

Uma história corajosa e muito bem resolvida, apesar das linhas temporais diversas (mas nada do tipo super complicado, sabe), que soube brincar com a maior mitologia da série de uma forma bem bacana, apesar de ter de certa forma “reescrito” a sua história. Mas sendo bem sincero, essa não é a primeira vez que Doctor Who resolve mexer no intocável portanto, não podemos nem dizer que ficamos tão surpresos assim. Em um outro momento da série, na despedida do Tennant, eles bem tentaram trazer Gallifrey de volta, de outra forma, mas tentaram. Na época, cheguei inclusive a torcer o nariz para a ideia (digo, na época da minha own maratona da série), principalmente para a justificativa (e entendam que a minha reclamação em relação ao episódio de despedida do 10th Doutor foi apenas essa, porque todo o resto e principalmente aquela sequência final, foi absolutamente perfeito). Mas dessa vez, a justificativa para mexer com algo tão importante foi muito bem executada, amparada na tentativa de tirar o maior peso das costas do próprio Doutor e vendo um personagem tão adorável ganhando a chance de ter a sua redenção dessa forma, além de aceitável, foi muito bem vindo.

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Mas muito além de uma boa história, todo mundo estava querendo mesmo era ver o encontro dessas duas gerações mais recentes de doutores, lamentando é claro a ausência do Eccleston, o 9th Doctor, que não aceitou participar do especial. E a sincronia (em todos os sentidos) dos dois atores em cenas quando juntos foi absurda, uma química inegável. Piadinhas irresistíveis em relação as características físicas de cada um deles, incluindo comparações além do próprio físico, como quando ambos enfrentaram as diferenças de tamanho de suas “screwdrivers”, além do reconhecimento de suas semelhanças, que foi de uma doçura sem tamanho. Com os dois em cena, foi uma delícia poder perceber as sutilezas, os trejeitos e as características mais marcantes de cada um, evidenciando o quanto a identidade do Doutor depende e muito de quem o interpreta e apesar dessas características próprias de cada um dos atores, foi possível observar também o quanto o personagem é muito maior do que tudo isso, mesmo porque se não fosse assim, ele não teria se transformado em um cinquentão de sucesso. (mundialmente falando, essa talvez seja a melhor fase da série inglesa).

E como se não bastassem dois doutores reunidos, ganhamos um terceiro, com o John Hurt nos convencendo facilmente que ele também fazia parte desse grupo de figuras adoradas por todos, mesmo ainda sendo um doutor desconhecido. Tudo bem que a introdução da sua história nos ajudou e muito a mudar a impressão que ganhamos com o misterioso final da última temporada da série, mas ainda assim, um personagem com esse peso, precisava realmente de um ator a sua altura. Com os três em cena, o especial conseguiu ficar ainda melhor, principalmente em termos de alívio cômico, trazendo o humor senior para o personagem.

Como ponto negativo, preciso dizer que mesmo reconhecendo que esse não era o momento delas, Clara e Rose ficaram em segundo plano demais, a ponto de quase sumirem. E digo isso principalmente em relação a Clara, que não teve a sua presença no especial tão justificada assim (digo algo além do fato dela ser a companion da vez), mas entendemos que esse era o momento de evidenciar o Doutor e não suas companions, por isso perdoamos. O mesmo vale para os personagens secundários do episódio, como a filha do Brigadeiro Lethbridge-Stewart, ou a garota nerd do cachecol do 4th Doctor, uma lembrança que a gente não fazia a menor ideia que poderia ir além do icônico acessório.

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Muito além da própria excelente história do especial, do encontro de doutores ou de qualquer outra característica desse marco da série, tudo ficou ainda mais especial quando após a resolução do plot central do episódio, ganhamos uma série de momentos absolutamente especiais para o encerramento dessa data comemorativa, começando pelo momento em que o 10th Doctor acabou repetindo a sua inesquecível line pré regeneração, “i don’t wanna go”, que para sempre nos levará para uma triste e adorável memória da mitologia da série. Isso até chegarmos ao momento em que o nosso adorável 11th Doctor acabou nos revelando o seu sonho de talvez se aposentar um dia e viver como um curador, que foi quando eles nos reservaram uma das grandes surpresas desse especial (essa e o momento com a participação apenas dos olhos do 12th e novo Doctor foram os momentos mais barulhentos do especial, sem dúvida e os mais surpreendentes também), com o Tom Baker (o 4th Doctor, um dos mais queridos de todos os tempos e dono do icônico cachecol que já havia aparecido no próprio especial) fazendo uma pequena e adoravelmente adorável participação, dividindo momentos de uma doçura sem tamanho com o nosso atual doutor, além de tê-lo deixado com alguma esperança de talvez poder viver um dia como um homem comum.

E se a gente achava que já havia encontrando momentos especiais e ou emoções o suficiente para essa história comemoração dos 50 anos da série, ainda fomos surpreendidos com uma imagem final para ficar guardada nos dois corações de qualquer whovian, com todos os doutores enfileirados e olhando de longe para Gallifrey, algo que todos os fãs da série não vão conseguir esquecer jamais e que foi o suficiente para levar a plateia da minha sessão a loucura, em um volume do tipo copa do mundo. Sério

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Dessa forma e vivendo uma experiência que poderia se tornar um hábito para momentos televisivos tão especiais como esse, nos despedimos desse encontro no cinema com o Doutor completamente satisfeitos e com aquela lágrima de carinho ainda escorrendo no cantinho do olho, mesmo com muito homem barbado tentando esconder a emoção no banheiro do cinema logo na sequência. Agora falando bem sério, quero o contato de todas aquelas pessoas que estavam na sala de cinema comigo. Seria possível? (rs, mas sério, vamos assistir todos os episódios juntos a partir de agora? #CRAZYEYES)

O difícil agora mesmo é só aceitar que para o próximo episódio, teremos que encarar uma triste despedida, para a qual eu já confessei inúmeras vezes ainda não estar preparado… Alôr, é da Kleenex? Se eu comprar um caminhão de caixas de lenços, tem desconto?

#TheDayOfTheDoctor

ps: bem que eles poderiam fazer o mesmo com o episódio de natal, que será a despedida do Matt Smith como o 11th Doutor e que pelo menos teremos sua exibição simultânea com a terra da rainha pelo BBC HD daqui. Alguém segura a minha mão quando essa hora chegar? Porque não vai ser fácil… mas não vai mesmo…

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Começando o ano com endereço certo: 221B

Dezembro 5, 2013

S3S30

01 de Janeiro, dia da volta de Sherlock para sua aguardadíssima Season 3, com anos de atraso.

Dia 01 na terra da rainha e dia 19 na america antiga. Animados, ansiosos e ou cancelando todos os eventos da virada?

#TOMANDOANSIOLITICOSCOMCHAMPAGNE

 

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Sherlock Season 3, o trailer (#SherlockLives)

Novembro 25, 2013

Embora a gente não tenha a confirmação da BBC One (e os ingleses costumavam exibir a série antes da maioria dos outros países), a BBC America já está anunciando a aguardadíssima (e atrasadíssima) Season 3 de Sherlock para o dia 19 de janeiro.

Ansiosos?

 

ps:como vamos aguentar tanta dose de amor assim juntos com Raymundo e Sherlock juntos em um mesmo cenário?

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Orphan Black – o clube das clones do momento (passado, mas ainda no momento)

Outubro 24, 2013

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Em meio a várias séries novas bem meio assim e com temáticas sempre tão repetitivas (o anti-herói, a família moderna, o novo velho procedural ou séries de época), quem diria que em uma série sobre a temática de clones humanos, a gente encontraria uma das melhores novidades da temporada, hein?

Sim, eu estou falando da excelente Orphan Black, uma das séries novas mais queridas do momento (do momento passado, mas do momento), que tem como proposta a clonagem humana e mistura muito bem os elementos de uma série de ação, com um thriller de suspense e uma dose bem bacana de Sci-Fi, quando não exagerada e é claro, o velho e bom recurso do humor que por incrível que pareça, funciona perfeitamente também dentro desse cenário.

Logo de cara, descobrimos junto com a sua protagonista, Sarah (Tatiana Maslany), a existência de uma outra mulher exatamente igual a ela, em uma estação de trem, prestes a cometer suicídio. Como estamos lidando com uma protagonista que também tem aquele perfil de anti-herói (mas vejam bem, a série não é apenas sobre isso e por esse motivo se diferencia tão bem das demais) e não tem nada a perder em sua vida bandida totalmente desregrada, ela não pensa duas vezes em assumir uma nova identidade ocupando o lugar da suicida que coincidentemente era a sua cara e que poderia facilmente livrá-la de sua atual situação.

A partir disso, Sarah (que é órfã e tem apenas um irmão adotivo) acaba descobrindo que aquela não era a única mulher com características idênticas a ela e uma série de novas mulheres exatamente iguais porém com nacionalidades e ou costumes diferentes aos dela, acabam surgindo em sua vida de uma hora para a outra, fazendo com que a mesma se veja perdida dentro da sua própria identidade, que até então, já havia se multiplicado em 9 outras mulheres, como se todas fossem irmãs (que é a sua primeira suspeita apesar da própria abertura da série e tudo o que sabemos sobre ela já ter se denunciado) ou algo parecido.

É claro que a princípio ela não chega a imaginar a possibilidade da clonagem, principalmente antes de descobrir que suas semelhantes não são uma nem duas e sim nove outras mulheres, mas logo descobrimos que algumas dessas outras personagens já haviam se dado conta dessa assustadora semelhança e já se encontravam em um estágio avançado de investigação a respeito da origem de todas elas, que é quando descobrimos que o assunto da vez realmente é a clonagem humana e todas as questões relacionadas ao tema começam a surgir rapidamente com o desenrolar da história.

Após essa pequena introdução, já dava para perceber que a série tinha um grande potencial para se tornar algo maior e muito mais interessante e isso não só pela temática em si, mas também pelo ritmo do seu roteiro, que é bem bacana, super rápido e cheio de reviravoltas inimagináveis, recheado de surpresas. Sério, quando você imagina que está desvendando a série, ela se multiplica em novas possibilidades e todas elas conseguem ser ótimas.

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Mas o que impressiona mesmo na nova série logo de cara é o talento da sua protagonista, que se multiplica em várias outras personagens de forma tão convincente, que apesar de qualquer semelhança física, é quase impossível acreditar que todas elas são feitas pela mesma atriz, tanto quem em diversos momentos ao longo da temporada, cheguei a esquecer que todas elas na verdade eram a mesma pessoa. Mas são e em um trabalho sensacional e que merece ser reconhecido (Clap Clap Clap!), fomos apresentado a Tatiana Maslany, que de forma inacreditável, conseguiu o feito de transformar cada uma de suas personagens em figuras completamente distintas, seja em um detalhe qualquer da caracterização ou no principal mesmo, que é a sua atuação e trejeitos emprestados para a construção de cada uma de suas versões. Até uma delas tentando se passar pela outra Maslany conseguiu fazer de forma totalmente crível, algo que merece ser reconhecido com um excelente trabalho de atriz.

Além da história da clonagem, que descobrimos mais tarde fazer parte de um experimento do qual ainda não ganhamos maiores informações, a série consegue se tornar inteiramente interessante, com plots sensacionais envolvendo a vida pessoal de cada uma das personagens clonadas, que vão ganhando força ao lado da protagonista , que acaba sendo o foco central da série por se tratar da ovelha desgarrada entre todas elas. Assim, Cosima, a cientista intelectual da turma, Alison, a soccer mom que poderia ter saído diretamente de Desperate Housewives se não fosse tão sensacional como descobrimos ser ao longo da temporada e Helena, a fanática religiosa que é a cara da Shakira, mas digamos que para completar a semelhança faltou um pouco da doçura, algo que ela tenta compensar com colheradas pesadas de açúcar.

Sarah que já não tem uma vida muito fácil, com um namorado meio assim e totalmente sem grana ou qualquer condição para cuidar da própria filha, a qual ela deixou por um ano com a mesma mulher que cuidou dela ainda quando criança (a misteriosa Mrs S),  achando que se daria bem assumindo uma nova personalidade de alguém que ela descobriu que além de ser idêntica a ela, já tinha aparentemente resolvido sua vida financeiramente, acabou se envolvendo em outros assuntos mais complicados (e que mais tarde descobrimos estar envolvido com o assunto do clone club), com a descoberta de que a sua nova identidade era a de uma policial que estava envolvida em um assassinato que não havia sido muito bem resolvido e que envolvia uma série de mistérios e histórias contadas pela metade. Sem contar que no pacote da sua nova persona, ainda havia um outro personagem, um namorado magia que a princípio poderia até soar como um bônus, mas que na verdade escondia algumas coisas importantes para o desenrolar dessa história.

alyson

E ao mesmo tempo que a nova vida da Sarah vai se complicando com sua nova identidade, vamos nos interessando cada vez mais pelas histórias das demais ovelhas, que aos poucos vão ganhando o destaque merecido. Alyson, que é a soccer mom toda certinha, está prestes a perder o controle a qualquer momento, principalmente quando descobre que todas elas são cuidadas por alguém de perto e começa a desconfiar da própria sombra, da melhor amiga bitch da vizinhança e até do próprio marido, o qual ela chega a torturar em um momento de insanidade deliciosamente delicioso (essa e a cena dela batendo na melhor amiga são as minhas preferidas!). Cosima, a mente mais brilhante entre todas elas, cientista e lésbica, acaba se aventurando no lado científico da coisa, conhecendo pessoas ligadas a experiências genéticas, trazendo a tona um personagem importante para o encerramento da temporada (esse que é o lado mais fraco da história, apesar da sua importância no episódio final e que provavelmente será o ponto de partida da próxima temporada) e Helena, a mais maluca de todas elas, que teve implantada em sua mente a ideia de que ela era a original entre todas elas e que por isso precisava eliminar todas as suas cópias impuras.

Aos poucos, todas elas acabam nos revelando um pouco mais de suas vidas e para cada um dos clones o nosso interesse começa a ser despertado a medida em que vamos descobrindo um pouco mais sobre suas histórias e pelos motivos mais variados possíveis, tanto que não é preciso muito tempo para nos apegarmos a cada uma delas. Sem contar a probabilidade de existirem novas ovelhas, o que por si só já gera para a série possibilidades quase que infinitas e por todas as que conhecemos até agora, é impossível não ficar pelo menos imaginando novas possibilidades de clones. Já imagino a orfã funkeira por exemplo, ou aquela que fez a troca de sexo e agora atende como Johh. Imaginem só? rs

Mas não são apenas detalhes todos que despertam facilmente o nosso interesse em relação a essa nova história, que consegue sobreviver perfeitamente com sua trama muito bem arquitetada, mas um dos grandes trunfos da série está concentrado no personagem do Felix (Jordan Gavaris), o irmão da Sarah que consegue roubar a cena facilmente como alívio cômico da série. Excêntrico, desbocado e com um senso de humor delicioso, Felix certamente é um dos melhores personagens da série e quando passou a ganhar a companhia da Alyson então, a dupla funcionou como uma das melhores da nova série. Por favor, concentrem esses dois mais juntos daqui para a frente.

Além de todos esses fatores que colaboram para que Orphan Black seja de fato uma das melhores séries novas, é preciso reconhecer também que a série é bem corajosa, se arriscando em diversos cenários que nos pegam de surpresa de vez em quando (o surto da Alyson, o atropelamento da filha da Sarah, o policial descobrindo a verdade sobre ela), colocando seus personagens principais em alguns cenários bem difíceis e que ainda assim sempre acabam ganhando as melhores resoluções possíveis para cada uma de suas questões.

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A única coisa irritante ao longo dessa primeira temporada realmente foi o recurso recorrente de séries do gênero de nos apresentar um personagem que aparentemente sabe das coisas, como aconteceu em Orphan Black com o surgimento da mãe da Sarah, que acabou nos revelando que ela tinha sim uma irmã gêmea (além das clones), a Helena, que pouco tempo depois acabou tirando a vida da própria mãe, fazendo com que todo o seu conhecimento sobre a verdade de todas elas acabassem morrendo junto com a personagem naquele momento. Isso e o fato da Cosima ter dado um mole gigantesco naquele apartamento com a tal ajudante do cientista super envolvido com a causa toda.

Mas tirando esses pequenos detalhes que na verdade não prejudicam em nada a nova série, com uma temática relativamente nova e um roteiro capaz de despertar a curiosidade em qualquer um, Orphan Black conseguiu rapidamente se tornar uma das melhores séries novas da atualidade, do tipo que vale super a pena de se acompanhar, apesar da season finale ter sido um tanto quanto óbvia (até nos surpreendemos, mas não tanto assim) e de não ter nos revelado muito mais do que um caminho “científico” como plot principal para a próxima temporada.

Veremos…

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The Day Of The Doctor, o trailer

Outubro 20, 2013

Trailer do deliciosamente delicioso especial aguardadíssimo em comemoração aos 50 anos de Doctor Who.

23 de novembro. Dia de fazer bolo com cobertura azul TARDIS.

#CINQUENTÃO

 

ps: bato o olho no Matt Smith e o meu olho já fica cheio de lágrimas só de pensar na sua despedida (glupt)

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Sherlock Season 3, o teaser

Agosto 12, 2013

A grande sacanagem é que a Season 3 (por falar nisso, por aqui acabou de sair um box com as duas temporadas anteriores, com um precinho bem bom e que pode ficar bem melhor daqui algum tempo, viu?) da sensacional série inglesa (infinitamente superior a suas versões cinematográficas) só chega em 2014. Dois mil e fucking quatorze. Sério, não gosto nem de dizer isso.

Ansiosos ou em coma pela espera? (R: em coma, vítima da ansiedade pela longa espera)

 

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