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E valeu mesmo a pena dar aquela chance para The Mindy Project?

Junho 7, 2013

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Digamos que se não fosse a nossa amizade antiga e o carinho que sempre tivemos pela Mindy Kaling, talvez a história da sua série a essa altura não fosse a mesma. Pelo menos não com a gente. Quando assistimos o piloto, percebemos que a ideia de The Mindy Project até que parecia ser bacana (ou parecia ter alguma chance de se tornar mais bacana), nada demais também, sem nenhuma grande inovação ou ideia genial, mas ao mesmo tempo sentimos que a nova série, principalmente pela assinatura da Mindy Kaling, poderia se tornar uma boa opção de comédia desde que tivesse algum tempo a mais para se desenvolver, porque o seu piloto apesar de não ter nos ofendido em nada, não foi exatamente dos mais animadores também. Mas sabíamos que apesar de tudo, Mindy era o tipo de garota que merecia a nossa atenção, por isso resolvemos dar essa chance para ela. (sabe quando você quer gostar mais do que acabou gostando a princípio de qualquer coisa? Então… apesar da espera não ter sido um grande esforço também, algo que se tivesse acontecido, mas nem a nossa amizade imaginária com a Mindy teria resistido, rs)

Mas confiamos e continuamos seguindo a temporada, que não começou muito bem e já logo de cara foram necessários alguns ajustes para que ela seguisse em frente (alguns sugeridos pelo próprio canal) e tivesse alguma chance de permanecer na grade. O lado mais comédia romântica antiga da série teve que ser deixado mais de lado, a linguagem precisou ser ajustada e alguns personagens precisaram sair de cena (alguns até voltaram de vez em quando, como a amiga casada e com filhos…) para que a coisa toda fosse ganhando uma outra cara. E vamos combinar que essa ideia de fazer uma série com uma personagem que se baseava em sua memória afetiva de comédias românticas, apesar de ser bem bacana, poderia também acabar custando bem caro (imaginem problema em relação aos direitos autorais daquelas imagens dos filmes que apareceram na série de vez em quando? Isso considerando mesmo os que fossem da casa…), além de poder também acabar limitando seus caminhos e a própria abordagem da série com o tempo.

Mindy (Mindy Kaling) nunca foi o grande problema em questão nesse cenário, uma vez que a personagem em pouco tempo acabou sendo definida com aquela aura quase que completamente fútil, mas ao mesmo tempo foufinha, bem profissional quando necessário (sem ser chata ou pedante) e extremamente feminina, do tipo bem fácil de se identificar (mesmo que você não seja tão feminina, rs), ainda mais com o recurso do humor, assunto que nós sabemos pelo seu histórico que a Mindy Kaling entende e muito bem. E um humor gostosinho apesar de bem fácil, sem muito compromisso (principalmente no começo), do tipo bem guilty pleasure mesmo, que basicamente foi o que acabou nos segurando enquanto sua audiência por um bom tempo, algo que talvez não fosse o suficiente para uma outra série novata de comédia qualquer.

Apesar disso, os personagens mais secundários e até mesmo os mais importantes, os dois médicos sócios da Mindy na clínica, precisaram de alguns ajustes. Danny (Chris Messina) foi ficando cada vez mais carrancudo no começo da série, um homem bem a moda antiga, do tipo que as nossas mães adorariam ter como genros, mas que pra gente considerar qualquer coisa além do óbvio (sempre opcional, claro), precisava de alguns ajustes. Alguns não, vários, a começar por uma postura bem menos machista, diferente da que o personagem sustentava a princípio e que precisou também ser mais deixada de lado para que a gente criasse algum tipo de empatia com   ele.

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Jeremy (Ed Weeks) nos ganhou logo de cara pelo sotaque, mas também por ser um tipo de “Mindy de calças bem cortadas, ajustadas e europeias”, meio superficial e dono de uma alma bem mais feminina do que o Danny, por exemplo. Mas a verdade é que o personagem foi praticamente abandonado ao longo da temporada, provavelmente por não terem conseguido um par a altura para o mesmo, que ficou vagando entre alguns personagens bem menores (como a recepcionista que sobrou na série), antes de ser colocado ao lado do Morgan (Ike Barinholtz), que foi quando ele voltou a ganhar alguma força. Morgan que é meio que o Andy de Parks And Recreation dentro de The Mindy Project e tem exatamente o mesmo perfil, mudando apenas o cenário. Mas apesar das semelhanças, ele sempre acaba funcionando justamente por ser o alívio cômico da parte do humor totalmente sem limites da série, que a partir de um certo momento, resolveu recorrer a esse perfil mais pastelão, algo que poderia ser um risco enorme para a série que ainda não havia se estabelecido.

E para a nossa surpresa, foram exatamente nesses momentos mais pastelão que a série conseguiu se dar muito bem, algo que costuma funcionar ao contrário para séries do tipo. Naquele episódio de Natal por exemplo (1×09 Josh and Mindy’s Christmas Party, que contou ainda com a ótima participação da Erin de The Office), com a festa no apartamento da Mindy, com todos convidados e colegas de trabalho, que foi quando descobrimos que o seu namorado da vez, Josh, na verdade era um verdadeiro cretino (algo que na época eu achei uma pena, porque ele era ótimo) e por esse motivo tivemos um dos primeiros momentos com esse humor mais pastelão e escrachado na série, algo que quase que inexplicavelmente, acabou funcionando e muito bem para aqueles personagens e a série começou a se encontrar a partir desse ponto.

A outra parte da série, aquela com as tentativas no amor da Mindy continuou sendo bem bacana, mesmo tendo abandonado aquele estereótipo das comédias românticas das quais a personagem se dizia fã. Um abandono que não foi por completo e a certa altura ganhamos o episódio “Harry & Sally” de The Mindy Project (1×13), que além de tudo marcava o encontro da atriz com o seu parceiro de trabalho de longa data, o B.J. Novak (The Office), que é claro que na série seria mais uma das tentativas furadas de romance da personagem. Plot que acabou durando dois episódios até (1×14 Harry & Mindy) e além de ter sido super divertido e de ter contado com as participações das atrizes Allison Williams (Girls, que a Mindy fez questão de deixar “caolha” na série assumidamente para tentar sabotar a sua beleza, que mesmo assim permaneceu praticamente intacta, rs) e a Eva Amurri Martino, filha da Susan Sarandon, nos trouxe também um texto excelente e que de quebra ainda ilustrou perfeitamente a relação da própria Mindy Kaling com o B.J; Novak e a forma como todos nós nos confundimos o tempo todo em relação aos dois, rs.

Outra dinâmica bem bacana que eles conseguiram encontrar dentro da série foi a rivalidade com a outra clínica que ocupa o mesmo prédio que a deles, ela que trabalha com uma medicina completamente alternativa, algo que eles repudiam fortemente e que apesar da Mindy ter até tentando alguma coisa com um dos irmãos sócios da tal clínica (inclusive participando de um dos seus tratamentos “naturais”), acabou nos rendendo uma rivalidade ótima para a mitologia de The Mindy Project.

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A participação de todos os seus boys magia também foram excelentes para a série (assim como as participações especiais, como o Ed Helms e o Seth Rogen. Mas só eu fiquei esperando uma participação mais do que especial – e magia – do John Krasinski na série? Ouvi dizer em uma das entrevistas da Mindy que ela pediu para ele tentar convencer o Messina a participar do projeto no passado…), a começar pelo Josh, que eu achava ótimo até descobrir seus probleminhas (ela visitando ele na rehab foi outro momento excelente), assim como aquele que descobrimos ser garoto de programa, que foi outro daqueles momentos meio comédia sem limites bem bons dentro da série. Mas ao mesmo tempo em que Mindy foi se aventurando com novos personagens (inclusive tivemos uma volta excelente do personagem do Bill Hader mais perto do final), eles sempre deixavam transparecer um climão entre ela e o Danny Castellano, que apesar de nunca ter acontecido nada entre eles além de uma consulta ginecológica super detalhada com a Mindy como sua paciente, de alguma forma sempre esteva no ar. Só não entendi até agora o porque que eles trouxeram a Chloë Sevigny para interpretar a ex mulher do Danny sendo que em quase nada a atriz foi aproveitada na série. Será que não deu tempo ou na verdade a Mindy só estava tentando jogar na nossa cara o quanto ela é muito bem relacionada? Não duvido nada se algum dia a Lena Dunham não acabe aparecendo por lá, ou mais alguém do elenco de Girls, tipo a Shosh, que na verdade seria uma excelente nova melhor amiga para a Mindy.

Apesar de alguns bons momentos ao longo da temporada, The Mindy Project só foi conseguiu se afinar mesmo lá pelo episódio 19 (1×19 My Cool Christian Boyfriend) dessa Season 1 de 24 episódios, onde a partir daquele momento a série justificava e muito bem a nossa permanência enquanto sua audiência. E foi com aquela divertidíssima e totalmente fora de controle visita a uma penitenciária feminina que a série conseguiu encontrar a sua melhor fórmula, com todos eles muito bem afiados e enlouquecidos em meio ao caos que se tornou aquela visita. Sério, quando uma das detentas cortou um tufo enorme do cabelo da Mindy, eu tive praticamente um ataque de riso aqui, de verdade.

A partir disso, a sequência de episódios que encerrou a série foram todos excelentes, verdadeiramente os melhores da sua temporada de estréia, com boas piadas para todos os personagens e histórias paralelas bem bacanas, sem contar o namorado pastor/missionário/padre da Mindy (Casey/Anders Holm, que é ótimo por sinal), que é realmente excelente e aquela cena do chuveiro entre os dois, nada fantasiosa e super realista, também foi excelente! Sem contar o plot da barraca, com ele derrubando o óculos dela com uma parte do corpo no mínimo curiosa, rs.

Em determinado ponto da temporada, cheguei até a pensar se a Fox não teria apostado demais na série, com a compra de uma temporada completa logo de cara, uma vez pouco tempo depois da sua estreia, o próprio canal exigiu algumas mudanças e adaptações para que a série continuasse na grade, o que demonstrava que talvez se eles tivessem apostado em uma temporada mais curtas (13 ou 16 episódios), tudo poderia ser diferente. Mas ao julgar pela salvamento da série só ter acontecido de fato á beirando o episódio de número 20 (salvamento por parte da qualidade da série mesmo), ficamos agradecidos que eles tenham acreditado da forma certa no trabalho da Mindy Kaling, que realmente merecia esse crédito. (You go girl!)

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E The Mindy Project conseguiu encerrar a sua temporada de estreia até que muito bem, nos entregando um final todo bonitinho, com resoluções foufas para os personagens e ainda deixado no ar a possibilidade de existir algo mais entre ela e o Danny, que a essa altura a gente já tem certeza que de fato existe. Fazendo uma comparação rápida com a sua colega de canal New Girl, podemos dizer que The Mindy Project apesar dos tropeços e da demora para de fato deslanchar e encontrar o seu caminho, pelo menos nunca chegou a nos ofender como New Girl em seu passado (presente também, porque eu bem andei assistindo um ou outro episódio da série, que continua a me ofender, não tem jeito) e tendo melhorado tão consideravelmente como fez perto do final da sua Season 1, chegamos até a ficar animados com o que podermos encontrar durante a Season 2, garantida pela Fox para a próxima Fall Season. E se for para continuar assim, a série tem tudo para se tornar realmente o nosso mais novo guilty pleasure.

 

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Argo

Fevereiro 22, 2013

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Ben Affleck rises.

Irã em conflito, interno e externo (sempre), americanos em pé de guerra com o mundo, sempre envolvidos com questões relacionadas ao petróleo do lado de lá (também sempre), morrendo de medo dos soviéticos e dependendo única e exclusivamente do Canada para livrar a sua pele dessa vez. Aparentemente, “Argo” pode até parecer um filme politico como qualquer outro do gênero, mas ele vai muito além disso e caminha livremente dentro do drama, do suspense e até da comédia, surpreendentemente sem fazer feio em nenhum deles e acreditem, Ben Affleck conseguiu nos entregar uma excelente história através do seu olhar de diretor, talvez realmente a melhor delas esse ano, da forma certa e com a turma certa para contá-la.

Ben que quase nunca foi levado a sério e já apanhou muito em sua carreira desde o começo, algumas vezes merecidamente devido a suas escolhas ou entregas do passado, sejamos justos, mas outras vezes por pura implicância ou intolerância. Sim, o mundo torce o nariz para o bonitão que resolve provar que pode ser mais que apenas isso ao invés de encorajar os que aparentemente tem algum talento para isso ou frear aqueles que parecem ter perdido o controle de suas próprias limitações (rs). As portas se abrem facilmente para o rostinho bonito da vez, mas para mantê-las abertas, algumas vezes chega a ser duas ou três vezes mais difícil e apenas os mais fortes sobrevivem. Fortes no sentido de talento e isso acabamos descobrindo com o tempo que aquele jovem garoto que já ganhou um Oscar como roteirista tem de sobra, ainda mais chegando nesse ponto da sua vida, calmo, agora pai de família, uma família linda por sinal para a qual ele faz questão de dedicar o seu melhor trabalho nos créditos finais do mesmo. (#TEMCOMONAOAMAR?)

Sim, “Argo” é um filme excelente e por diversos motivos diferentes. A começar pela sua história verídica com ares de ficção, como se estivéssemos de fato assistindo apenas a mais uma criação de Hollywood para o mundo do entretenimento. Hollywood que se faz presente de um jeito importante no filme, de forma deliciosa, extremamente debochada, rindo da sua própria desgraça e é parte fundamental para o desenrolar desse plot do espião que acabou fazendo história devido ao seu talento (e muita coragem quando necessário, algo que naturalmente esperamos desse tipo de perfil, mas que nem sempre pode ser a realidade) e mais do que isso, imaginação para bolar um plano tão sensacional e ao mesmo tão fantasioso como esse.

Retirar seis reféns de um pais como o Irã, naquela época (e talvez até hoje) odiando os USA como nunca, não seria tarefa fácil para nenhum país. A princípio, surge uma ideia ridícula da força tarefa da CIA responsável pelo caso de tentar fazer com que eles cruzem a fronteira de bicicleta, como se fosse muito simples pedalar por quilômetros em um território onde rostos americanos nunca foram muito bem vistos. Até que Tony Mendez (Ben Affleck), o grande e verdadeiro herói dessa história toda, em uma simples conversa com o filho ao telefone enquanto eles assistiam a distância a “A Batalha do Planeta dos Macacos”, tem a brilhante ideia de envolver Hollywood para tornar aquele fuga possível, planejando um  filme de Sci-Fi de mentira, que serviria como o disfarce perfeito para garantir a liberdade daquelas pessoas. Claro que nessa hora, é possível pensar que o próprio Ben Affleck poderia ter deixado seu ego de lado ao optar por interpretar o grande herói da história, mas ao mesmo tempo, colocar-se naquela posição talvez seja a sua forma de dizer que ele não está querendo abandonar isso para seguir com aquilo e pretende manter os dois enquanto houver espaço. Sem contar que a sua atuação no filme está bem correta e ultimamente (talvez desde sempre), temos visto atores muito, mas muito piores, se tornando nomes de destaque em Hollywood, por isso não temos do que reclamar e talvez a crítica tenha sido megabitch demais com eles ao longo desses anos.

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Mas é claro também que um plano mirabolante como esse precisava das pessoas certas para ter alguma chance de dar certo, profissionais reais da industria do cinema que estivessem dispostos a colaborar secretamente com o plano de resgate cinematográfico, forjando toda uma produção em nome de uma tentativa super arriscada que tinha tudo para não dar certo desde o começo. E é claro que nessa hora, Hollywood se deixou ser usada para contar mais essa história sensacional, ainda mais tendo ela personagens reais que poderiam encontrar nessa a sua única chance de se verem livres novamente.

Nesse momento ganhamos dois ótimos personagens para o filme, o responsável pela criação das mascaras utilizadas em “Planetas dos Macacos”, o artista John Chambers (especialmente interpretado pelo ator John Goodman) e o produtor de sucesso Lester Siegel, que ganha vida através da interpretação deliciosa do ator Alan Arkin, que está impossível no filme, com seu texto afiadíssimo e um humor extremamente de bom gosto e exatamente na medida para o alívio cômico da trama.

E para contar essa história tão bem, Ben Affleck precisava do elenco certo, algo que ele consegui acertar em cheio, trazendo alguns rostos bem conhecidos de todos nós das séries de TV para se juntarem a esses grandes veteranos do cinema, como o Bryan Cranston (Breaking Bad), Victor Garber (participação sempre afetiva e que nós AMAMOS desde Alias e exatamente por Alias), Tate Donovan (Damages), Clea DuVall (Carnivale), Kyle Chandler (Friday Night Lights) Zeljko Ivanek (True Blood e também Damages), Titus Welliver (Lost), Chris Messina (The Newsroom, The Mindy Project e segundo o BuzzFeed, quase tudo na TV ou no cinema atual, rs) além de vários outros em participações menores.

Principalmente através desses dois personagens envolvidos com a indústria do cinema, acabamos ganhando momentos excelentes de puro cinismo, recheado com o que podemos chamar de “Hollywood talk”, com ambos debochando de um indústria que conhecem como ninguém, algo que acaba dando um certo toque especial para “Argo”, que apesar de todo o clima de suspense e tensão do filme, consegue ser leve e até mesmo bem cretino ao mesmo tempo, quando decide não se levar muito a sério e debochar de quem comanda isso tudo. #TEMCOMONAOAMAR quando em uma conversa com o personagem de Goodman, Affleck questionando se é possível transformar qualquer um em diretor do dia para a noite, temos o próprio Goodman respondendo que não só é possível, como Hollywood faz isso o tempo todo. Ou quando Affleck pede para que o seu personagem seja feito de produtor dentro do plano e Goodman responde que com aquela cara, no máximo ele passaria como um co-produtor e nada mais que isso. Sério, um cinismo sensacional!

E o equilíbrio que eles conseguiram encontrar dentro do longa para passar ambos os lados da situação, tanto quanto os absurdos de um mundo de mentiras em Hollywood até a parte séria daquela situação toda, como o conflito se agravando cada vez mais no Irã no final da década de 70 e começo de 80 (com uma caracterização bem bacana, inclusive), em um mix de imagens reais cedidas pela TV com as produzidas para filme, também acabou sendo super importante para dar maior credibilidade para aquela história, que apesar de se tratar de uma fantasia dentro de uma outra fantasia, também precisa encontrar alguma dignidade para ser contada de forma interessante.

Um ótimo exemplo de como eles conseguiram isso foi aquela cena em que uma mulher no Irã estava fazendo uma declaração para a imprensa em inglês, afirmando que eles não serão mais tolerantes em relação àqueles americanos mantidos como reféns por lá e ao mesmo tempo, em um cenário luxuoso das festas e eventos típicos de Hollywood, os envolvidos no projeto estão fazendo um grande teatro, exibindo as fantasias do tal filme Sci-Fi para atrair a imprensa em uma leitura aberta do script (que é negociado de forma brilhante pelo diretor, novamente mostrando um lado do business dessa indústria que nós não estamos acostumados a ver). Entre as fantasias encontramos de tudo, de heróis a mocinha indefesas com pouca roupa (sempre aquela preguiça que se repete mesmo quando elas não são mocinhas indefesas e sãos as heroínas  Humpf!), até um wannabe Chewbacca e um robô possivelmente inspirado no Cybermen de Doctor Who. (sério, achei igual)

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Aliás, esse lado Sci-Fi da história também é tratado de foma decente, com uma série de referências e inclusive menções aos clássicos Star Wars e Star Trek, que naquela época, estavam dominando quase que completamente a industria cinematográfica. Sem contar as action figures vintages que acabam aparecendo no filme, no quarto do filho do Tony Mendez, que são todas altamente desejáveis, além dos detalhes dos storyboards do filme dentro do filme, “Argo” (título de um dos roteiros que eles encontraram que tratava de um plot Sci-Fi em pleno Oriente Médio, que era exatamente do que eles precisavam), que são excepcionais e tem uma função bacana dentro da história acima de tudo. (e OK Tony, eu também teria guardado um deles, só não sei se seria para o meu filho, rs)

Enquanto tudo isso acontece na parte fictícia da história, os seis fugitivos que conseguiram escapar do ataque violento a embaixada (ilustrado no começo do filme com uma narração lenta, mas que lembra muito o estilo adotado na época), que resultou em uma série de vítimas feitas como reféns pelo povo local, esses seis conseguiram ganhar refúgio através de um diplomata canadense, que acaba arriscando a própria cabeça ao acolher aquelas pessoas que passaram dias na sua casa, sem poder colocar a cara para fora. Eles que até então achavam que ninguém sabia da sua existência no pais e não contavam com uma equipe gigantesca de homens e mulheres e principalmente crianças locais, montando um verdadeiro quebra cabeças de papel picado (que eles mesmos tentaram destruir antes da invasão na embaixada, para não deixar nenhum vestígio ou prova do que faziam por ali), na tentativa de identificar quem eram aquelas pessoas e quais eram as suas intenções. Sério, uma operação assustadora de tão minuciosa e simplesmente deixada nas mãos de crianças, que não poderiam ser figuras melhores para resolver aquele grande quebra cabeças.

“Argo” também conta com um ritmo interessante para contar essa história, que apesar do conflito político, não chega a ficar nada arrastado ou qualquer coisa do tipo. Isso além da praticidade com que eles resolveram explorar todos os seus plots, porque o filme tem apenas quase duas horas de duração, o que não poderia ser mais adequado, umas vez que eles conseguiram se resolver muito bem sem se complicar dentro da sua proposta. E a visão do Ben Affleck como diretor também começa a ficar mais forte, com planos mais interessantes dos cenários, principalmente quando em outras terras, como na Turquia por exemplo ou no próprio Irã, quando ele faz questão de mostrar um corpo enforcado em praça pública, além de mostrar que a questão cultural apesar de extremamente diferente, também pode ser bem próxima, mostrando pessoas locais comendo no Kentucky Fried Chicken (naquela época, ainda não era apenas KFC e teve uma piada bem boa sobre esse assunto recentemente em uma série qualquer que eu não me recordo bem qual agora…). Isso sem contar os cortes do filme, a forma de ilustrar uma conversa com frames de storyboards (simples, mas ainda eficaz e apropriada para a época em que o filme se passava), assim como as cenas de conflito, todas muito bem realizadas e ou encaixadas (no caso das cenas reais). E tudo isso somado a todos os outros atributos do filme (a história, o ritmo, o elenco certo) faz com que a sua qualidade se torne indiscutível.

Apesar de tudo isso, é preciso lembrar que “Argo” é um filme de suspense e isso eles fazem questão de refrescar a nossa memória perto do final, quando essa sensação de suspense vai se agravando, exatamente quando chega a hora de enganar o mundo com a tal equipe de filmagens fictícia e ao mesmo tempo o cerco vai se fechando em relação as suspeitas de que os seis fugitivos estavam na casa do diplomata. Aquela caminhada da equipe no grande mercado local para dar credibilidade ao plano é extremamente apavorante, principalmente quando um dos comerciantes resolve criar caso por conta de uma simples foto, algo que acaba gerando uma confusão que poderia ter tomado grandes proporções devido ao calor humano e ódio em relação aos americanos encontrados por lá.

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Claro que perto do fim, algo precisava acontecer para tentar acabar com aquele plano mirabolante e nesse caso, tudo acabou quase não acontecendo graças as ordens vindas diretamente dos USA, com medo de serem ridicularizados devido ao plano envolvendo uma grande mentira como essa e resolvendo assumir o risco de colocar aquelas 6 pessoas para morrerem como heróis, pura e simplesmente por uma história melhor para contar para o resto do mundo. Em pensar que isso deve acontecer a todo momento, não só com eles, e nós nem ficamos sabendo. (esse caso inclusive era confidencial até pouco tempo e só se tornou público através do mandato do ex presidente Bill Clinton)

Mas em termos de tensão e agonia, nada supera aquela reta final da história, com Tony Mendez contrariando suas ordens e se arriscando mesmo assim a tentar trazer os seis de volta à America antiga seguindo seu plano, algo que não teria dado certo se o seu chefe, Jack O’Donnell (Bryan Cranston), não tivesse comprado a ideia de qualquer forma, contrariando as ordens de seus superiores e assumindo o risco. Aquela sequência com todos eles encarando a inspeção no aeroporto, não sendo tratados muito bem, colocados naquela salinha de espera pavorosa, tendo que se comunicar em uma língua que muitos não conheciam (aliás, um detalhe importante no filme é que eles não fazem questão de traduzir outros idiomas, justamente para dar uma impressão mais próxima do desespero que é esse se encontrar envolvido em uma situação com esse tipo de falha de comunicação) até o momento em que finalmente todos eles conseguem embarcar, ouvindo já no avião que agora que não estavam mais em solo do Irã, as bebidas estavam liberadas. (sem contar aquela corridinha dos carros de polícia e milicia vs avião em plena pista de voo, que foi sensacionalmente aflitiva até o momento em que vimos o avião finalmente deixar de tocar o solo)

Um final espetacular, digno de Hollywood e acima de tudo, digno de toda essa atenção que o filme acabou recebendo recentemente, sendo indicado em todas as premiações (levando quase todas elas) e consagrando o Ben Affleck como o grande diretor do ano, que ele, mesmo com uma concorrência de nomes fortíssimos e consagrados como Spielberg, Ang Lee, David O. Russell vem conseguindo surpreendentemente roubar a cena de todos eles durante as últimas premiações do cinema, algo que Affleck não vai ter a chance de fazer no Oscar 2013, pelo menos não como diretor, porque acabou não sendo indicado em mais um daqueles casos de pura implicância/injustiça. É claro que no final do longa, todos eles acabaram recebendo as mais altas condecorações do serviço secreto americano, isso sem poder fazer nenhum alarde, por se tratar de uma história extremamente confidencial e tendo que amargar o Canada recebendo todas as honras de grande herói da vez, além da libertação das vitimas mantidas como reféns após 444 dias de cativeiro.

Por todos esses motivos, “Argo” pode e deve ser considerado como um grande filme, o melhor deles para esse ano, porque com uma reunião tão bacana entre elenco e uma história sensacional como essa, não temos como contestar a grandeza do filme, que consegue te prender facilmente do início ao fim, sem o menor custo. Claro que em meio a tudo isso, temos que ressaltar o trabalho de diretor do Ben Affleck, que apesar de ter o ouro nas mãos nesse caso, poderia não ter escolhido a melhor forma de retratar essa história, mas isso ele não fez e acabou assim conseguindo a sua grande redenção, entregando paro mundo do entretenimento o seu melhor trabalho, esse que talvez seja e merecidamente, o melhor trabalho do ano nessa industria que não costumava lhe tratar muito bem. E ao que tudo indica, essa situação está prestes a mudar ainda mais. Clap Clap Clap!

E por esse motivo, ficaremos todos felizes caso seja você quem suba naquele palco no próximo domingo (todos live no Twitter comigo, sim e ou com certeza), com as mãos rabiscadas pelas filhas e tudo mais. (♥)

A propósito, preciso dizer antes de encerrar que howcoolisthat que exatamente esse filme tenha sido realizado (ainda mais dessa forma) pelo marido da  Sydney Bristow, hein? Coincidência?

Argo fuck yourself! (nesse caso significando boa sorte)

 

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O idealismo da redação dos sonhos de The Newsroom

Setembro 28, 2012

Um surto que acabou fazendo toda a diferença, ou pelo menos “toda a diferença” em pelo menos um jornal da TV, o que já é alguma coisa. Imaginem um homem de meia idade, jornalista de prestígio, sempre tentando manter a ética, sem favorecer nenhum dos lados, sempre entregando a resposta que todos gostariam de ouvir naquele momento, sem se aprofundar demais ou surpreender a sua audiência. Morno. Isso até que um dia, em um evento comum e diante de alguns estudantes munidos de seus gadgets todos prontos para registrar o momento, esse mesmo homem perde a linha ao ser pressionado pelo mediador da discussão (coisa que ele já deveria estar mais do que acostumado ao longo de sua carreira) e resolve vomitar compulsivamente algumas verdades e mesmo assim, mantendo-se integro, ético e sem favorecer nenhum dos lados envolvidos, embora tenha sobrado umas boas verdades para todos eles. Vocês acham mesmo que a America antiga é o melhor lugar do mundo para se viver? Então ouçam que na verdade, já não somos mais tão bons assim. E quer saber porque? (mas como todo bom americano, eles fizeram questão de frisar que pelo menos já foram os melhores um dia, rs)

Esse basicamente é o plot central de The Newsroom, nova série do Aaron Sorkin, que já nasceu como promessa de ser uma das novas boas coisas da TV atual, que estava mais do que carente de algo do tipo. Uma promessa que embora tenha me animado bastante para vê-la desde cedo, acabei tendo que deixar um pouco para depois por uma questão simples de tempo ou a falta de. Enquanto isso, no decorrer da sua temporada, acabei ouvindo de tudo a seu respeito. Algumas impressões positivas, outras bem negativas e alguns fatos também, como a troca de roteiristas e uma oscilação na audiência que preocupava a HBO, embora a série já tivesse garantido a sua renovação quase logo que de cara para uma Season 2 no próximo ano.

Will McAvoy (Jeff Daniels) é o excelente protagonista da trama, o tal jornalista que um dia resolveu surtar após a uma pergunta até que simples, feita por uma estudante que ele assustou como ninguém ao ouvir tudo o que ele tinha para falar. Através do surto e da vontade de fazer algo diferente em seu próprio noticiário e devido ao seu descontrole, o personagem começa a sofrer algumas consequências já que o que aconteceu acabou tomando uma proporção gigantesca em meio a uma nova era onde escândalos surgem em minutos para quem quiser acompanhar nas redes sociais, no Youtube, sem contar todas as outras possibilidades de divulgação. Nessa hora, McAvoy percebeu também quem ele havia se tornado ao longo do tempo, um homem fechado no seu próprio ego, apático, sem fazer a menor questão de manter qualquer tipo de relação com a sua equipe, incapaz até mesmo de saber o nome dos funcionários com quem ele convive quase que diariamente. Qualquer semelhança com a vida real de muitos de nós não deve ser mera coincidência nesse caso.

Mas para um momento como aquele do seu “surto”, uma motivação maior acabou sendo necessária para tal medida, algo que ia além de uma possível frustração com os atuais rumos da sua carreira e até mesmo do jornalismo em geral e a figura misteriosa de uma mulher (segurando cartazes que instigavam o jornalista a ser sincero naquele momento) nos apresentava algo que a princípio parecia ser apenas uma miragem ou até mesmo um delírio do próprio, que parecia até estar passando por algum problema de saúde. E foi quando descobrimos Mackenzie MacHale (Emily Mortimer), a mulher que destruiu o seu coração no passado e que agora, anos depois cobrindo diversos conflitos em campos de guerra, isso depois do ocorrido com Will (uma forma que ela mesmo acabou encontrando para se punir sobre o que havia feito no passado, claro), acabou voltando para NY precisando de uma nova chance de produzir TV e que para a sabedoria do chefe de todos eles, Charlie (Sam Waterston), era a pessoa certa para a transformação que Will precisava em sua carreira naquele exato momento.

Calar a sua boca depois de todo aquele discurso libertário seria um total desperdício, além de uma atitude covarde em um tempo onde não suportamos mais tamanha covardia portanto, Charlie resolveu seguir o caminho mais arriscado e colocar seu melhor âncora de TV a frente de um novo conceito de jornal, esse muito mais voltado para os fatos e opiniões mais honestos e baseados em fatos concretos, dados confiáveis e fontes seguras (o que sabemos que hoje em dia não é mais regra), mas que para isso, para que o jornalista não perdesse o seu controle, seria necessário alguém para manter o foco dentro do seu próprio brilhantismo, função que acabou sobrando para a mulher que um dia destruiu o seu coração o traindo com o ex namorado e que além de tudo era tão brilhante quanto o mesmo.

Claro que dessa dinâmica entre os dois nasce um outro ponto da série que também chega a ser tão bacana quanto o “novo jornalismo” que eles acabam bancando dentro desse idealismo todo, que é essa tensão sexual que existe de forma evidente entre os dois personagens e que a uma certa altura da série, deixa de ser segredo até mesmo para os milhares de funcionários da empresa, devido a um erro da própria MacKenzie, que acidentalmente acaba expondo o real motivo do termino da relação dos dois para todo mundo, o que o deixa incontrolável em mais um ataque de fúria (e ele tem vários e todos ótimos por sinal). Aliás, os momentos que os dois dividem em discussões sensacionais envolvendo o trabalho e a própria relação antiga são todos sensacionais, com aquele texto primoroso que o Aaron Sorkin consegue nos entregar, despejando um ritmo desenfreado de palavras muito bem escolhidas por sua mente brilhante, diretamente na nossa cara. BOOM. E o plot dele aceitar modificar o seu próprio contrato, só para ter a possibilidade de despedi-la quando quisesse, ou pelo menos uma vez por semana como ele mesmo acabou prometendo, é de uma crueldade deliciosa, não? (e é claro que teria algum efeito colateral mais adiante…)

Mas o que me faz gostar de The Newsroom além de toda a sua inquestionável qualidade, é que ela não é uma série de um homem só, algo que nunca foi um atrativo para mim (por esse motivo, nunca suportei House). Todos os seus personagens são ótimos, assim como suas histórias, mesmo com a maioria delas partindo do mesmo princípio das relações amorosas no ambiente de trabalho. Tem a secretária apatralhada que virou assistente sem querer (Maggie/Alison Pill) e foi promovida logo em seguida pela própria Mac (que se vê muito na jovem profissional), que enfrenta problemas com a indiferença do namorado, Don (Thomas Sadoski), que também trabalha na redação como produtor mais que após o surto do McAvoy, resolveu abandoná-lo e carregar parte de sua equipe para um novo âncora e em um novo horário, fazendo as vezes de “projeto de vilão” da temporada, embora esse não seja exatamente a sua função dentro da trama. (AMO odiá-lo, olha só!)

E o que acaba restando para o apresentador é uma redação jovem, formada de jovens jornalistas que ele jura que nenhum deles tenha mais de 15 anos de idade (rs), meio inexperientes ainda, para desespero de Will, que agora além de tudo precisa lidar com mais essa dificuldade para não ter a sua carreira afundando de vez em meio ao seu novo projeto. Entre eles temos o excelente Neal (Dev Patel), que é uma espécie adorável do novo nerd, ele que cuida do blog do McAvoy (que ele nem sabia que existia e tem um mini surto toda vez que o assunto vem a tona, rs), além de outros personagens menores que também trabalham para que o jornal tenha uma nova cara, a qual todos eles acreditam ser o ideal dentro do tipo de jornalismo que eles defendem na série. (no meio dessa turma, temos até a mãe da Tara de True Blood, a atriz Adina Porter)

Com a chegada da Mackenzie, ganhamos também um novo produtor, que já chegou batendo de frente com o Don, por tomar a frente das coisas dentro da sua própria redação, quando ninguém parecia estar dando muita atenção a uma possível notícia que surgia. Ele é o adorkable Jim Harper (John Gallagher Jr, o boy magia da redação por quem eu já estou nutrindo uma #CRUSH. Höy!- ele que é ator da Broadway, canta e está no elenco do musical “American Idiot”), assistente e braço direito da Mac, que inclusive esteve ao seu lado enquanto ela cobria a guerra em campo (dizem que ambos tem marcas em seus corpos dessa cobertura. #TENSO). E Jim era a peça que faltava para que aquela redação acabasse funcionando de acordo com o que eles estavam precisando em termos de modificações, um jornalista de olho na notícia, sem vida pessoal (claro, rs), disposto a ir fundo nas informações e apesar da pouca idade, de um responsabilidade e experiência fora do comum. E ao lado da Maggie ele acaba formando a nova tensão sexual da redação, já que ela namora o Don (que já não gostou dele logo de cara por perceber um certo clima entre os dois) e que juntos formam uma espécie de Mac & McAvoy em uma versão sem o histórico da traição, algo que é reconhecido até mesmo pela versão original do casal, rs.

E apesar de personagens bem bacanas dentro da sua trama, o que chama a atenção mesmo dentro da série é a notícia e a forma como ela passa a ser tratada. Mas esse é um ponto que chegou a ser um problema pelo menos durante o começo da série e isso falando por mim. The Newsroom começa a ser retratada em meados de 2010 e aproveita de fatos reais para construir os plots de seus episódios assim como as notícias que serão a pauta da vez. Notícias reais que todos nós conhecemos, algumas com mais profundidade e outras menos, mas de certa forma, a maioria delas são de interesse comum de todo mundo e que na série são revividas e de certa forma, repensadas. Isso até eles embarcarem fundo demais na própria política americana, mais especificamente no terceiro episódio (1×03 The 112th Congress), onde o assunto chegou a ficar “difícil” de ser acompanhado.

Tudo bem que não é nada que possa ser considerado como impossível de se acompanhar e também é sempre bacana aprender algo novo (pelo menos eu sempre acho), mas quando a notícia é sobre um tipo de política muito específico e complexo, que de certa forma não faz muito parte da nossa cultura ou realidade, a série acabou perdendo o foco ao dedicar tanto tempo de um único episódio para o assunto. Mas eu não creditaria essa dificuldade apenas para as diferenças culturais ou qualquer coisa do tipo e sim para a forma massiva como essa história nos foi apresentada naquela ocasião, o que acabou deixando o episódio inteiro meio chato. Até então, a gente tinha um excelente piloto, do tipo perfeitinho, com mais de uma hora de puro entretenimento, um segundo episódio não tão bom assim, onde era possível perceber a diferença de roteiro e história a quilômetros de distância e um terceiro episódio onde eles se perderam em meio a notícia, dando foco demais para a mesma e se esquecendo do resto. E esse talvez seja o episódio barreira da série, mas que acabou funcionando também como um divisor de águas nessa Season 1 de The Newsroom, onde é necessário passar por ele (e já adianto que vale a pena o esforço) para chegar ao equilíbrio que ele conseguiram encontrar na sequência excelente de episódios, mesmo quando ainda falaram de um assunto tão específico e complexo até mesmo para os próprios americanos.

Passando por esses três primeiros episódios, passamos a enxergar uma série que definitivamente encontrou a sua fórmula. Era necessário um equilíbrio entre o volume de informação e a emoção da série e isso eles conseguiram atingir a partir do quarto episódio, que tem aquele final ao som de “Fix You” do Coldplay (1×04 I’ll Try to Fix You – música mais do que usada para momentos dramáticos em finais de episódios de séries de TV, e o primeiro que me vem a mente é aquele de The O.C) que é uma das melhores cenas da série, com toda a redação enlouquecida em busca da notícia sobre reportar ou não a morte de uma deputada (com direito a toda aquela movimentação de diálogos clássica do Aaron Sorkin), tendo que lidar com a ética que todo mundo deveria ter e a concorrência muitas vezes desleal na TV, onde o que importa são os números. Só que dessa vez, para a sorte deles, esperar acabou valendo a pena para que eles fossem os únicos a reportar ao vivo e com decência que a deputada baleada ainda estava viva e havia sido encaminhada para a mesa de cirurgia. Um momento para encher os olhos de lágrimas, entender um pouco mais sobre a tensão que deve rolar dentro de uma redação de jornal e aplaudir de pé para a forma linda como a história toda foi conduzia. Eu diria até que esse foi o momento exato onde The Newsroom conseguiu descobrir o que de fato eles tinham de novo para nos apresentar e como isso deveria acontecer daqui para frente.

E foi o que acabou acontecendo depois, com uma série de episódios excelentes, do tipo um melhor do que o outro e todos seguindo mais ou menos essa mesma linha e com notícias mais do que importantes para o mundo. Como as manifestações no Egito em nome da renúncia do governo de Mubarak (1×05 Amen), com a redação de The Newsroom tendo um de seus apresentadores em loco, sendo torturado e tendo que ser enviado de volta para casa, o que acabou tornando necessário a contratação de um “correspondente” local, conhecido do Neal, que acabou sendo sequestrado e o Will acabou pagando do próprio bolso a quantia necessária para que ele fosse solto, algo que o canal se recusou a pagar e após esse gesto, Will McAvoy acabou recebendo em retribuição a colaboração de todos da redação e ganhando da Mac o seu tão sonhado momento “Rudy“. (lindo por sinal e super emocionante, de novo!).

Até que tivemos o personagem principal encarando o seu terapeuta que ele não via a anos e que para sua surpresa, acabou sendo substituído pelo seu filho, também jovem, que acabou herdando o consultório e pacientes após a morte do pai. Nesse episódio (1×06 Bullies) tivemos Will em conflito tendo que lidar com o fato de possivelmente ter destruído a carreira da Sloan (outra apresentadora especializada em economia, interpretada pela Olivia Mumm, a qual agora eu respeito mais, embora continue não gostando dela/atriz e não a personagem, que também é muito boa), por ter sido o responsável por tê-la encorajado a ir mais a fundo na sua postura como entrevistadora e ela ter perdido o controle após os seus conselhos, além dele estar lidando com a sua recente ameaça de morte, feita por meio de um comentário anônimo em seu blog. E vejam vocês que até a internet McAvoy tenta mudar, o que obviamente acaba não dando muito certo.

Esse episódio apesar de ter uma notícia mais fraca e isso também é bem bacana, porque embora a série não siga uma linha do tempo “dia após dia”, onde na verdade encontramos alguns saltos adiante no tempo, seria pouco crível que eles vivessem apenas de grandes notícias de importância mundial por exemplo e nesse episódio, apesar disso, temos uma discussão sensacional entre o apresentador e um político negro gay que defende um candidato absolutamente intolerante e preconceituoso, o que o próprio Will não consegue entender (nem eu), mas que naquele momento ele entende que cruzou a linha da sua própria ética pessoal, se é que podemos assim dizer e passou para o lado dos bullies, do qual ele nunca se viu participando daquela forma. (e é horrível quando vc consegue se ver fazendo exatamente o mesmo que o seus maiores inimigos do passado. – Been there, done that messed around)

Outro momento sensacional e importantíssimo para a série acaba acontecendo em um cenário pouco provável, com uma espécie de “festa da firma” na casa do próprio Will (1×07 5/1), que está colocadíssimo em uma mistura perigosa de maconha e remédios e que do meio do nada, se vê no que talvez tenha sido um dos grandes dias da sua carreira (se não o maior deles), se preparando para um anúncio de última hora do Presidente, que ao que tudo indicava, apareceria em público para anunciar a morte do seu maior inimigo. Um momento fora do comum, com alguma reviravoltas importantes, além do atual estado do apresentador que poderia perder a noite da sua vida no trabalho por conta de estar colocado demais para reportar algo de tamanha importância. (e talvez se Will estivesse em seu estado normal naquela noite, ninguém conseguisse controlá-lo)

Um episódio de arrepiar mesmo, como ele quase implorando para a Mac não tirar dele essa oportunidade e com o Charlie (personagem que é impossível de não se apaixonar e todo mundo adoraria ter um chefe como ele, fato) tentando ser ético até mesmo na hora de entregar a notícia que todo o mundo estava esperando para ouvir. E isso com a outra metade da equipe presa no avião, no momento do desembarque, para total desespero do Don, que no último momento conseguiu entender que o importante naquela hora era a notícia e não quem ou quando ela seria entregue primeiro (uma cena excelente também!). Um momento realmente sensacional e extremamente comovente, com a equipe do jornal entregando a notícia no momento certo, terminando o episódio com aquela imagem do Obama que todos nós conhecemos, informando o mundo sobre a morte de Osama bin Laden. Sério, eu me arrepio até agora só de lembrar desse momento (o real e agora o da ficção), onde é praticamente impossível conseguir ignorar até mesmo os créditos da série, que foram rodados ao som do discurso do Obama naquela noite, que vai diminuindo lentamente até que não fosse mais ouvido. Sabe aquele detalhe que faz toda a diferença? Certamente, mais um momento para se aplaudir de pé dentro da série. Clap Clap Clap!

Tudo bem que em meio a tudo isso, vivemos um “idealismo” em The Newsroom que parece pouco comum na prática, onde todas aquelas pessoas estão dispostas a arriscar tudo por um mesmo ideal, caminhando todas na mesma direção, o que é bem difícil quando tratamos de qualquer equipe ou qualquer tipo de “assalariado”, por exemplo. E tudo conspira ao favor deles também, uma vez que são todos funcionários de uma mesma empresa, que por si só poderia muito bem acabar com todo esse idealismo em pouco tempo, algo que eles até tentam, mas que por ter o rabo preso com uma série de fatores políticos e criminosos, acabam se vendo entregues a aceitar a nova realidade do noticiário do canal.

E como quem está no poder não costuma gostar muito de ver a sua força sendo enfraquecida de forma nenhuma, Will ganha como adversário os próprios chefes e donos do canal (Chriss Messina odiável no papel de filho da dona, que por sua vez, ficou por conta da Jane Fonda), onde ele passa a viver uma série de fatos “forçados” que podem ajudar a emissora a finalmente conseguir um bom motivo para demití-lo, apenas para maquiar a verdadeira intenção do canal. Com isso eles até conseguem ganhar alguma vantagem, expondo o jornalista ao ridículo com escândalos sexuais e conseguindo fazer com o que o seu jornal passe a reportar assuntos menos interessantes para eles, mas que estavam no gosto do público naquele momento (o caso Casey Anthony, ou as fotos do Anthony Weiner no Twitter), que a essa altura já teria fugido naturalmente do tipo de jornalismo nada sensacionalista que eles estavam propondo. Mas a queda de Will McAvoy aconteceria por ele mesmo, com a contratação de um jornalista para escrever uma matéria sobre ele mesmo para uma revista (e ele poderia escolher até a revista, tamanho interesse do público em sua história), que por um acaso, viria a ser Brian (Paul Schneider), o tal ex da Mac com quem ela acabou traindo o Will no passado. Para nossa surpresa, porque para ele, foi tudo de propósito mesmo e isso ele chegou a declarar na terapia, rs.

Brian, passou a acompanhá-lo de perto durante os últimos episódios (repetindo a dobradinha de “Lars And The Real Girl” ao lado da Emily Mortimer) e acabou escrevendo uma matéria que não agradou nada ao Will, que ao se sentir ridicularizado em público, acabou tendo algumas complicações com a sua saúde, o que o fez ficar internado por um tempo e com isso, passou a considerar até desistir da carreira, tamanha ferida que a tal reportagem acabou causando no seu ego. Mas é óbvio também que como o clima da série apesar da carga dramática é super favorável para o bem do personagem e de todos que estão ao seu lado (preciso dizer que eu AMEI todas as referências que a série fez a Don Quijote nessa temporada, inclusive nesse momento), acabamos tendo tudo resolvido com um acerto feito pela emissora e o apresentador, isso depois deles todos terem descoberto que o canal praticava o mesmo tipo de invasão de privacidade que certo tabloide inglês fechado recentemente. Mas ainda ficou faltando um acerto de contas entre Brian e Will, que eu suspeito que tenha sido guardado para depois, embora Will agora tenha entendido melhor a reportagem a seu respeito.

Em meio a isso tudo, ainda tivemos a história com o blackout (1×08, 1×09 The Blackout Part I e II), com o surto descontrolado/controlado da Mac (ela que é a minha personagem preferida na série e que eu gosto de definir com uma Bridget Jones menos calórica só que com o mesmo sotaque, rs), que conseguiu enxergar a ironia da sua relação com Deus naquele momento, Sloan declarando que na verdade sempre teve um quedinha pelo Don (juro que eu nem suspeitava), ele que por sua vez não gosta muito da Maggie e só permanece ao seu lado porque não consegue aceitar muito bem o fato de perdê-la para o Jim, para quem ele já perdeu uma série de coisas quando decidiu sair da equipe do Will. E ainda tivemos aquele momento divertidíssimo sobre o “tour Sex And The City” pelo West Village, com a Maggie fazendo um discurso sensacional sobre como é ser de verdade uma mulher solteira em NY, sendo surpeendida pelo próprio Will, que estava no ônibus da tal tour, rs. Sério, #TEMCOMONAOAMAR. Dessa forma, chegamos ao final da temporada com os casais ainda sem se acertar, com a Maggie indo morar com o Don, que a gente agora torce para que fique com a Sloan e deixe a Maggie seguir o seu caminho com o Jim, que por sua vez está com a sua melhor amiga que trabalha com moda. Ufa! AMO plots complicados de trocas de casais do ♥, vcs não?

Mas uma resolução ainda faltava para esse final de temporada, com a Mac finalmente revelando para o Will que lá no começo de tudo (achei uma pena a gente ter descoberto isso já no piloto), no dia do seu famoso surto diante da pergunta da estudante, ele não estava delirando não e aquela mulher que Will enxergou na platéia influenciando ele a dizer a verdade era ela mesmo, para total desespero do personagem. Tudo bem que não teve beijão de reconciliação, afinal, estamos dentro de uma redação séria de jornalismo verdade (rs), mas foi um momento que serviu para encher os nossos corações com aquela história de amor que embora eles relutem bastante para ficar juntos (pelo menos com algum motivo), está na cara que eles foram feitos um para o outro e juntos, ambos são “o melhor jornalista” da TV atualmente. Sem contar a estudante da pergunta que mudou a vida do Will McAvoy aparecendo no final do episódio, para pedir um estágio na redação dele e recebendo mais uma vez a resposta para a sua simples pergunta que de certa forma motivou tudo isso, só que dessa vez com uma resposta bem diferente e mais do que especial. Sério, #TEMCOMONAOAMAR?

E mesmo que a ideia seja idealista demais para alguns, terminamos a Season 1 de The Newsroom com um gostinho delicioso de vitória, mesmo que o prêmio não tenha propriamente chegado até nós, isso porque apesar do positivismo, não tivemos resoluções felizes para os personagens e ficamos apenas com um gostinho de parte delas. Mas com esse ótimo resultado final, nem podemos reclamar e devemos dizer que o Aaron Sorkin + HBO conseguiram nos entregar uma excelente nova série de TV. Clap Clap Clap!

Para assistir e ficar com a consciência pesada por ter um blog sobre qualquer tipo de bobagem. Oh wait, como esse é um blog extremamente pessoal e que tem um compromisso com a sua própria verdade, não temos nada do que reclamar ou nos envergonhar e nos sentimos meio Will McAvoy, tá? (mostrando a língua como sinal claro de maturidade jornalísitica)

 

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The Mindy Project – a nova garota que devemos prestar atenção

Setembro 27, 2012

Não é de hoje que nós gostamos da Mindy Kaling, ela que já foi produtora e roteirista de The Office, publicou recentemente um livro, além de ser alguém de quem todos nós adoraríamos ser BFF. Quando a FOX anunciou a compra do seu projeto para TV, comemorei bastante, afinal torcemos por essa garota já faz tempo. (inclusive, achei super bem humorada a despedida da sua personagem em The Office também, ela que agora teve o jogo finalmente invertido a seu favor e ganhou o Ryan como seu stalker, #TEMCOMONAOAMAR)

E o piloto de The Mindy Project é bacana, apesar de muito dele ter sido entregue nas promos que surgiram antes mesmo da sua exibição, algo que não aconteceu apenas com essa série e sempre acaba prejudicando bastante a todas que entregam o jogo assim tão fácil enquanto ainda estão tentando a qualquer custo se vender.

Nela temos Mindy, uma médica residente de 31 anos, vivendo em NY, totalmente girlie, meio perua fashionista até (sim, ela também usa Louboutin), que tem a barra de ter passado anos sozinha assistindo comédias românticas (de onde ela acha que adquiriu alguma experiência de vida, rs) ou completamente entregue aos estudos e agora se vê tendo que conciliar uma vida adulta cheia de possibilidades no trabalho e também no âmbito pessoal, onde o seu futuro e a sua felicidade só dependem de suas escolhas, que nem sempre são as mais apropriadas.

Os personagens parecem ser bons, a começar por ela que tem um pouco daquela euforia que todos nós adoramos da sua Kelly Kapoor antiga, mas que dessa vez chegou sendo mais bem sucedida em NY e porque não dizer que chegou também mais segura de si, encarando as possibilidades de crescer na carreira que ela escolheu para a sua vida e de quebra ainda tendo a missão de arrumar um boy magia que a faça feliz, ou que pelo menos a distraia por um tempo.

Para essa vaga temos dois candidatos logo de cara, Danny (Chris Messina, que se fosse 50 cm mais alto eu diria que já ganhou! – no meu caso), que é o residente do tipo convencido do hospital, aquele que se acha o mais esperto do que os demais e que não mede esforços para conseguir o sucesso dentro da profissão, mas que ao que tudo indica, apesar da postura de durão que foi preso no show do Springsteen (que toda vez que eu vou escrever confundo com Springfield, rs) e também ser  do tipo que fala o que pensa, tem um histórico de coração partido e arrisco dizer que esse seu aparente “trauma” escondido nessa pose de badass deve ter vindo da relação com a ex mulher, que descobrimos que ele tem ao longo do episódio. (em um momento totalmente meio assim da personagem da Mindy) #TYPICAL

O outro fica por conta do residente estrangeiro, Jeremy (Ed Weeks) esse bem mais aberto a novas experiências e que é do tipo que sempre está por perto para dizer o que você precisa ouvir quando está mais vulnerável, o que acaba rendendo para o próprio certas “recompensas”, if you know what i mean. Apesar do perfil de devorador, ele aparentemente também parece ser bem foufo, do tipo que não conseguimos odiar facilmente, nem mesmo tendo a certeza de que se trata de um predador daqueles.

Existem ainda outros personagens secundários que não nos foram apresentados adequadamente no piloto, como a amiga que tem aquela filha criança que estava no escritório dela em um determinado momento, ou as recepcionistas do hospital, que ao que tudo indica, terão alguma função dentro da nova comédia. (uma delas é ótima e parece uma aspirante a assistente do seu ídolo, que no caso seria a própria Mindy)

O piloto ainda conta com a participação do Ed Helms, que interpreta um dos pretendentes dos sonhos de Mindy, além do excelente comediante Bill Hader do SNL, que interpreta um de seus ex namorados, o qual ela presenteia com um vexame daqueles no dia do seu próprio casamento. (algo que também vimos em todos dos promos da série)

Digamos que para um primeiro episódio, além dela ter corrido demais, literalmente (rs), estávamos esperando até que um pouco mais da série em si, em termos de histórias e de um algo mais que esperamos encontrar sempre, mesmo encontrando um texto delicioso e piadas sensacionais dentro dela. Mas confiamos no bom humor da Mindy e na parceria de sempre dela com o B.J Novak  que é um dos produtores da nova série (e eu AMO as conversas e provocações dos dois no Twitter) e temos certeza que essa sensação deverá sumir com o tempo, assim que tudo estiver no seu devido lugar. Pelo menos é o que esperamos e desejamos que aconteça nesse caso.

O que nos faz acreditar que entre tantas novas comédias como aposta da maioria das emissoras para essa Fall Seaoson que está apenas começando, The Mindy Project pode ser uma das séries que devemos pelo menos prestar mais atenção para ver no que vai dar, apesar do piloto não nos empolgar tanto assim.

 

ps: boa sorte Mindy! Go girl!

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Patty Hewes encarando a sua temporada mais fraca até agora

Setembro 20, 2011

Não tem como negar que essa foi uma temporada fraca para Patty Hewes hein?

Desde que Damages voltou para a sua Season 4, após o quase cancelamento e o salvamento de última hora da série, eu senti que eles voltariam no mínimo magoados, com vontade de provar o porque da série ser tão boa e não merecer nem de longe ser cancelada tão cedo, ainda mais depois daquela Season 3 que foi deliciosa, do começo ao fim.

Mas ai tivemos uma temporada lenta, com muita coisa menos importante acontecendo e uma trama central da história pouco interessante. É, não foi fácil…

O apelo do Afeganistão não funcionou muito bem (e também não foi muito bem executado, convenhamos), embora tenha levantado uma questão no mínimo importante, revelando um outro tipo de terrorismo que os americanos não gostam muito de falar sobre…

E sabe aquele climão de suspense, que todos nós amamos em Damages e que nos deixava enlouquecido para tentar entender o que de fato estaria acontecendo no futuro da série? Bom, nessa temporada esse clima de suspense foi fraco, bem fraco. E talvez a culpa disso tudo tenha sido o pouco envolvimento das atrizes principais com a cena de mistério. O primeiro grande erro da temporada, humpf…

Patty apareceu em apenas uma dessas cenas, bancando a vilã. Ellen aparecia chorando e sendo observada pelo garoto de olhar assustado. Mas se vc parar para pensar, todo aquele choro e o sofrimento da Ellen, não nos dava muitas opções sobre a vítima do capuz. Ou seria o Sanchez mesmo, seu amor antigo do tempo do colégio, ou alguém da sua família, que só apareceu em um momento bem cretino dessa temporada, onde Ellen de forma tola resolveu revelar detalhes do caso que estava investigando por telefone e para a sua mãe (Dãh!), que tinha como maior preocupação naquele momento a tarefa comprar uma pulseira para uma tia dela. Zzzz

Se teve uma situação que me deixou com vergonha durante toda essa temporada foi esse amadorismo da Ellen ao telefone conversando com sua mãe que do nada resolve se interessar pela vida profissional da filha, só para que o Boorman conseguisse ouvir a conversa familiar pela escuta. Lame, totalmente lame.

Sendo assim, Ellen não se envolve com muitas pessoas (porque ninguém deve aguentar essa chata, rs), até o seu atual namorado acabou dando um pé na bunda dela durante o processo (e parece que ela nem ligava tanto assim para ele), logo, não sobrava muitas opções para todo aquele seu sofrimento nas cenas sobre o futuro.

Agora, outra coisa que eu não consigo entender é: a operação DD retirava a força suspeitos para serem investigados sobre tortura a pedido dos EUA. Ok. Boorman tinha como missão salvar e levar aquele garoto para os EUA, porque no final das contas ele era mesmo seu filho (e todo mundo ja desconfiava disso desde que descobrimos que era o garoto quem estava sendo mantido como refém em sua casa em NY), mas porque ele não conversou com o grupo de operações e disse: caras, preciso de um favor. Tem como a gente ir ali salvar o meu filho? Pretty pleeease?

Simples assim, conversando com o grupo de operações tudo teria sido resolvido simplesmente, não? A vida de três soldados teriam sido poupados e toda a história dessa temporada, ok, parte dela, não precisava nem ter sido escrita. Aliás, o garoto também poderia ter sido poupado de todo esse trauma, mesmo porque ficou no ar se ele foi realmente abandonado pela mãe, se ela havia ou não morrido por lá ou se aquele era uma plano de sequestro do Boorman. Confesso que eu não me convenci de qual dessas opções seria a verdadeira situação daquele garoto…

No final Sanchez conseguiu fugir  e a Ellen de forma super inteligente (NOT) já se mostrou disponível para um relacionamento, fazendo a fácil e tomando mais uma vez um fora, o segundo dessa temporada. Euri. Isso lá era hora de se mostrar disponível Ellen? Achei de um desespero desnecessário…faltou dignidade, fikdik.

O vilão da vez, que matava em nome de Jesus e se achava o maior patriota da nação americana, foi excelente, mas eu espera que  ele tivesse sofrido um pouco mais, além de não ter conseguido terminar a sua oração antes de ir para a cadeia.

Agora vamos falar do segundo grande erro da temporada. Talvez o problema maior dessa temporada tenha mesmo sido a Patty Hewes ter ficado em segundo plano, sempre muito ocupada cuidando da neta, implicando com as babás, procurando o filho desaparecido ou trabalhando o seu ego na terapia. Achei a personagem distante durante toda essa temporada e isso não combina com o seu perfil. Queremos Patty enfurecida, enlouquecida, ameaçando com a fúria do seu olhar. Mas parece que isso ficou para depois…

Mas o que eu mais temia acabou acontecendo no final e eu fiquei torcendo para que esse não fosse o desfecho da temporada durante todo esse último episódio. Ellen mais uma vez dando as costas para Patty, que é sempre muito cretina com ela e nós sabemos disso (e adoramos!), mas também muito mais competente e disso não resta dúvidas, deixando o pior gancho possível para a próxima temporada: Ellen vai depor contra Patty Hewes no processo sobre a custódia da sua neta. Zzzz

Tem preguiça maior para uma batalha final entre essas duas?

Digo isso porque a Season 5 será a última temporada de Damages e eu até gostaria de vê-las se enfrentando no tribunal, mas de uma outra forma, por um outro motivo qualquer e não acho que essa seja a melhor opção para a grande batalha entre as duas, apesar do ódio nos olhos da Patty na cena final ter me deixado bem animado para vê-la desarrumando no tapa aquele cabelo mega escovado para dentro da Ellen.

Sem contar que, basta Patty dizer que o filho dela tentou matá-la, esteve traficando por todo esse tempo (e provas para isso ela já provou ser fácil de se conseguir) e nenhum juiz nesse mundo vai conceder a guarda daquela criança para um pai como esses. Tudo bem que para isso ela vai ter que entregar o seu filho, o que eu até acho que não seria um grande problema para ela, que sempre foi muito mais prática do que emocional, mesmo quando o assunto é a sua vida pessoal.

Como castigo, acho que o final da Ellen deveria ser como babá da neta da Patty, vestindo um uniforme bem escroto e tendo que viver eternamente submissa a sua agora (e talvez sempre) inimiga. Tudo isso sem direito a escova, fikdik Patty Hewes. Tortura nela!

De todas temporadas, essa foi de longe a mais fraca, quase amadora, ainda mais se vc lembrar do final sensacional da Season 3. Mas quem sabe elas ainda não conseguem encerrar a série como ela começou, deixando todo mundo tenso a cada episódio, criando várias teorias sobre a trama e nos surpreendendo completamente pelo fato do desfecho da temporada não ser nada daquilo que a gente tinha imaginado até então, hein?

É, quem sabe…todas torcem!

Volte a ser demônia Patty Hewes!

Damages volta amanhã…mas o que nós já sabemos sobre essa aguardada volta de Patty Hewes?

Julho 12, 2011

Essas são as fotos promocionais da Season 4 de Damages, que volta amanhã para uma temporada inédita na america antiga. Mas o que esperar dessa volta de Damages?

Espero que pelo menos uma Patty Hewes bem magoada com o cancelamento da sua série no ano passado, sendo salva de última hora por outro canal, sem contar todo o fundamento de Damages, que chega a ser até covardia para as demais séries do gênero…

Só eu fico arrepiado da cabeça aos pés com esse promo?

Além disso já temos a sinopse: dois anos após o caso Torbin, Ellen vai estar trabalhando de volta com o seu mentor do começo de tudo, aparentemente feliz com a sua nova vidinha pacata. Até que ela se encontra com um amigo do passado (Chris Messina), que ela descobre ter sofrido uma experiência traumática trabalhando para a High Star, uma empresa de segurança privada contratada pelo governo americano para tratar de “missões especiais” no Afeganistão. Enxergando que essa história pode ter algo mais, Ellen  acaba pedindo ajuda para a nossa queridíssima Patty Hewes, que percebe que esse pode ser o grande caso da vida de Ellen, mas que pode também arruinar com a sua carreira. Dra-ma

Animados?

Eu estou, ainda mais depois dessas fotos promocionais da Season 4, onde descobrimos que o vilão da vez é ninguém menos do que o Fred Flinstone (John Goodman), rs.

E se vc não se lembra muito bem de tudo de importante que já aconteceu na série, talvez esse vídeo bem humorado possa ajudar com pelo menos o que aconteceu durante as duas primeiras temporadas…(mas só assista se vc já viu as 2 hein?)

Ansioso mil!


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