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A lista bem boa e equilibrada dos vencedores do Oscar 2013

Fevereiro 25, 2013

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Sim, ontem ficamos acordados até tarde (smacks especiais para todos do Twitter), vestindo os nossos melhores PJ’s e tudo isso é claro que para acompanhar o Oscar 2013, uma premiação que chegou confirmando as  expectativas de que em 2013, parece que estamos mesmo retomando os rumos das grandes e memoráveis premiações novamente. Amém!

Primeiro foi o Golden Globes, com a impagável dupla Poehler + Fey que foi tipo a realização do nossa premiação perfeita dos sonhos, elas que estiveram sensacionais durante toda a premiação e nos fizeram nem sentir muito bem o tempo passar naquela noite. Sério, daquele jeito, a premiação poderia ter durado 7 dias e 7 noites, que todos nós resistiríamos bravamente.

Para o Oscar 2013 tivemos o Seth McFarlane como hostess da noite, algo que já me dizia que viria coisa bem boa pela frente (eu AMO e sempre AMEI o Seth, desde quando ele era outro homem e não tinha todo aquele nível de magia bem humorada – mas o bom humor ele sempre teve – Höy! Gosto tanto dele que me lembro muito bem da sua participação como ator em um dos episódios de Gilmore Girls, além de AMAR Family Guy, é claro). O meu medo era que o seu tipo de humor não fosse muito bem compreendido por uma maioria… (o que de fato pode até ter acontecido, mas não em grandes proporções)

Mas nada disso aconteceu e McFarlane esteve unfirah e afiadíssimo também (tanto quanto as meninas no GG) e ele não fez feio, falando de tudo e de todos com aquele tipo de humor mais ácido que ele tem e que mesmo assim conseguiu arrancar boas gargalhadas da platéia ali presente. A primeira piada, já trazendo à tona o assunto da não indicação do Ben Affleck ao prêmio de melhor direção desse ano foi simplesmente sensacional e quase tão debochado quanto o próprio texto de “Argo” em relação a Hollywood e suas façanhas do tipo.

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Sem contar que esse ano, tivemos uma premiação mais pop, com apresentações de tirar o fôlego e que todos gostariam de ouvir. Adele, Shirley Bassey, Barbra (♥), todas aparecendo divando, maravileeeandras e com vozes arrebatadoras, mas isso não foi quase nada se comparado aos momentos musicais que aconteceram durante a premiação, com  a Catherine Zeta-Jones deitando todas e ainda segurando perfeitamente o seu número em “Chicago” (Renée se ainda tivesse alguma expressão facial, teria demonstrado que ficou abaixo do limbo nessa hora) de forma lindíssima e isso dez anos depois, além de uma Jennifer Hudson demônia, soltando uma voz que mais parecia um tornado passando dentro daquele teatro, deixando todos completamente sem ar (e foi lindíssimo mesmo!) e para encerrar, um dos números mais emocionantes da noite, com cara de musical de verdade, com o elenco de “Les Mis” inteiro reunido e cantando suas músicas e deixando todo mundo que ousou falar de suas performances musicais no longa com a cara literalmente no chão. Juro, tudo foi perfeito, de chorar.

E a cerimônia além de ter sido muito mais bacana do que qualquer outra dos últimos tempos (leia-se qualquer outra cerimônia do Oscar) ainda nos trouxe uma lista bem boa equilibrada com os vencedores do ano (e a grande maioria deles nós AMAMOS!), confirmando quase todas as nossas impressões a respeito dos seus indicados (isso principalmente depois de ter visto parte deles no cinema, pelo menos):

 

Filme

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Indomável sonhadora

O lado bom da vida

A hora mais escura

Lincoln

Os miseráveis

As aventuras de Pi

Amor

Django livre

Argo

 

Depois de ter ignorado completamente o Ben Affleck na indicação pelo seu trabalho como diretor esse ano (e ele ter vencido na categoria em quase todos os demais prêmios), eles estavam mesmo devendo esse prêmio para ele. E não só por isso (nem por ter pego por tanto tempo no seu pé, porque em alguns momentos  reconhecemos que Ben fez por merecer), mas porque “Argo” realmente é um filme excelente, do começo ao fim, com uma história contada da forma certa e pelas pessoas certas e já estava na hora de Hollywood superar certas birras, ainda mais quando se depara com um trabalho tão bacana. Sem contar que é um filme que brinca como ninguém com Hollywood, debochando da sua cara, fazendo piada da suas falhas. Realmente um trabalho muito bom, ainda mais considerando esse ano onde tivemos excelentes performances, histórias deliciosas, mas nenhum filme chegou a ser grandioso demais, do tio épico e arrebatador, daqueles que acabam levando tudo sem dar chance para os demais, por isso achei bem justo. E o seu discurso, apesar de esbaforido, foi ótimo, falando inclusive de tudo que ele teve que engolir por tanto tempo #BenAffleckRises

ps: aqui, a nossa review sobre “Argo”

 

Diretor

Michael Haneke, “Amor”

Benh Zeitlin, “Indomável sonhadora”

Ang Lee , “As aventuras de Pi”

Steven Spielberg, “Lincoln”

David O. Russell, “O lado bom da vida”

 

Ang Lee parecia o azarão da lista, mas acabou levando. Apesar de não ter visto o seu filme ainda (e esse sim estar amargamente arrependido de não ter ido ver em 3D), acho um trabalho de imagens sensacional, do tipo que mais parece um sonho. Apesar de tudo, a minha torcida nessa hora era mesmo para o Haneke, que com uma história bem simples, conseguiu emocionar o mundo com o seu “Amour”. Mas nada nesse mundo vai conseguir pagar a cara de Coca Zero do Spielberg ao perceber que o seu épico da vez não foi tão épico assim… (embora tenha interpretações épicas sim!)

 

Ator

Denzel Washington, “Voo”

Hugh Jackman, “Os miseráveis”

Daniel Day-Lewis, “Lincoln”

Bradley Cooper, “O lado bom da vida”

Joaquin Phoenix, “O mestre”

 

Esse prêmio seria quase impossível de alguém tirar das mão do Daniel Day-Lewis, que ainda me apareceu mais maravileeeandro do que nunca para recebê-lo, das mãos da Meryl (♥), com quem ele aproveitou para fazer piadas sobre uma inversão de papéis, trazendo um humor super bacana para o seu discurso, além de uma declaração de amor linda para a sua esposa. Daniel Day-Lindo! Mesmo assim, temos que reconhecer que o Hugh Jackman também foi grandioso esse ano e merecia pelo menos um pedacinho desse prêmio pelo seu Jean Valjean. Aliás, o que foi aquela apresentação com o elenco de “Les Mis”? De arrepiar a alma e fazer ter vontade de sair cantando feito uma pessoa desequilibrada na rua segurando uma baguete, caso não tenha achado uma bandeira da França, rs

 

Atriz

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Naomi Watts, “O impossível”

Jessica Chastain, “A hora mais escura”

Jennifer Lawrence, “O lado bom da vida”

Emmanuelle Riva, “Amor”

Quvenzhané Wallis, “Indomável sonhadora”

 

OK, nessa hora, eu confesso que o meu coração estava completamente dividido. Estava torcendo para a Emmanuelle Riva, confesso, ela que estava de aniversário ontem e teria sido um acontecimento caso o prêmio fosse parar em suas mãos. Fiquei com pena dela, imas isso só durou até a J-Law subir ao palco, com seu Dior (meio assim, mas isso é assunto para depois) e se estabacar no meio do caminho. CATAPLOFT! (enérgias negátivas + afobação) Juro, sabe toda aquela vontade que a gente teve de ajudar o casal de “Amour” durante todo o filme? Tive exatamente a mesma sensação depois daquele tombo ela e a minha vontade era a de ir até lá ajudar a Katniss (fiquei impressionado como nenhum do meninos levantou imediatamente para ajudá-la. Shame on you! – apesar do Dujardin ter dado aquela forcinha depois. Aliás, Höy!). E sim, apesar da nossa torcida por uma história melhor (e que exigia muito mais de uma atriz), Jennifer Lawrence vem fazendo por merecer e por isso, também ficamos extremamente felizes com o seu momento e por aqui, nada de imagens da sua queda, porque não somos desse tipo de gente (até somos, mas só com quem não gostamos muito ou quando a piada rende mais do que qualquer outra coisa. Go Katniss! Go Katniss!

ps: aqui, a nossa review sobre “O Lado Bom da Vida”

 

Ator coadjuvante

Alan Arkin, “Argo”

Christoph Waltz, “Django livre”

Philip Seymour-Hoffman, “O mestre”

Robert De Niro, “O lado bom da vida”

Tommy Lee Jones, “Lincoln”

 

Waltz roubou “Django” para ele, quase que naturalmente e não teve para mais ninguém. E que belo ator, não? Aliás, ele, a passagem do DiCaprio (mais do que o seu personagem) e o humor especial do Tarantino, são as melhores coisas do filme. Sem contar a trilha. Sensacional!

ps: aqui, nossa review sobre “Django Livre”

 

Atriz coadjuvante

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Amy Adams, “O mestre”

Anne Hathaway, “Os miseráveis”

Helen Hunt, “The sessions”

Jacki Weaver, “O lado bom da vida”

Sally Field, “Lincoln”

 

Outro prêmio que parecia ser impossível que fosse acabar em outras mãos. Anne realmente fez algo muito especial em “Les Mis”, segurando muito bem a força do seu papel e nos emocionou com toda a fragilidade da sua personagem, mesmo aparecendo apenas nos primeiros 40 minutos do filme. Maravileeeandra!

ps: aqui, nossa review sobre “Les Mis”

 

Roteiro original

Michael Haneke, “Amor”

Quentin Tarantino, “Django livre”

John Gatins, “Voo”

Wes Anderson e Roman Coppola, “Moonrise Kingdom”

Mark Boal, “A hora mais escura”

 

Tarantino merece todos os prêmios do mundo só por ser essa figura que manda a orquestra ficar quieta que ele ainda tem o que falar. Em “Django” eu não consegui encontrar o seu melhor, apesar do seu fundamento estar todo ali e ainda assim, acho que faltaram algumas coisas. O que também não significa que seja uma filme ruim, apenas não o melhor deles. 

 

Roteiro adaptado

Lucy Alibar e Benh Zeitlin, “Indomável sonhadora”

David Magee, “As aventuras de Pi”

Chris Terrio, “Argo”

Tony Kushner, “Lincoln”

David O. Russell, “O lado bom da vida”

 

Nada mais do que justo sendo “Argo” um filme basicamente sobre um roteiro “adaptado” àquela situação, rs

 

Filme estrangeiro

“Amor” (Áustria)

“Kon-tiki” (Noruega)

“O amante da rainha” (Dinamarca)

“No” (Chile)

“War witch” (Canadá)

 

Alguma surpresa? Um filme estrangeiro com força o suficiente para chegar a concorrer entre os grandes filmes do ano merecia pelo menos esse carinho. Justo. 

ps: aqui, a nossa review sobre “Amour”

 

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Animação

“Detona Ralph”

“Frankenweenie”

“ParaNorman”

“Piratas pirados!”

“Valente”

 

Gosto muito de “Valente”, apesar de não ser dos meus preferidos da Pixar. E foi o prêmio ruivo da noite, então…

 

Curta-metragem de animação

“Adam and dog”

“Fresh guacamole”

“Head over heels”

“Maggie Simpson in ‘The Longest Daycare'”

“Paperman”

 

Alguém sabe me dizer se “Paperman” tem alguma relação com “Signs” (que eu AMO já tem alguns anos). Acho tudo muito dentro do mesmo fundamento, apesar das diferenças…

 

Edição

“As aventuras de Pi”

“Argo”

“A hora mais escura”

“O lado bom da vida”

“Lincoln”

 

E o filme tem mesmo um edição bem boa!

 

Fotografia

“007 – Operação Skyfall”

“Anna Karenina”

“As aventuras de Pi”

“Django livre”

“Lincoln”

 

E foi mesmo o filme das grandes paisagens/imagens do ano. Merecido. 

 

Efeitos visuais

“Branca de Neve e o caçador”

“O hobbit: Uma jornada inesperada”

“As aventuras de Pi”

“Prometheus”

“Os Vingadores”

 

Sério, alguma surpresa?

 

Figurino

“Branca de Neve e o caçador”

“Espelho, espelho meu”

“Anna Karenina”

“Lincoln”

“Os miseráveis”

 

Desde o trailer (que dizem que engana bem em termos de qualidade do longa), conseguimos perceber a qualidade e grandeza do figurino do filme. 

 

Maquiagem e cabelo

“Hitchcock”

“Os miseráveis”

“O hobbit: Uma jornada inesperada”

 

Tirando toda e qualquer peruca que o Hugh Jackman tenha usado no longa (todas horrorendas), acho que o prêmio já valia só pela caracterização do Sacha Baron Cohen, que está sensacional e ou aquelas mulheres das ruas. 

 

Canção original

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“Before my time”, de “Chasing ice” – J. Ralph (música e letra)

“Everybody needs a best friend”, de “Ted” – Walter Murphy (música) e Seth MacFarlane (letra)

“Pi’s lullaby”, de “As aventuras de Pi” – Mychael Danna (música) e Bombay Jayashri (letra)

“Skyfall”, de “007 – Operação Skyfall” – Adele (música e letra)

“Suddenly”, de “Os miseráveis” – Claude-Michel Schönberg (música), Herbert Kretzmer (letra) e Alain Boublil (letra)

 

“Skyfall” deve muito disso para a sua interpretação, apesar de ser uma música linda também

 

Trilha sonora original

Dario Marianelli (“Anna Karenina”)

Alexandre Desplat (“Argo”)

Mychael Danna (“As aventuras de Pi”)

John Williams (“Lincoln”)

Thomas Newman (“007 – Operação Skyfall”)

 

Mixagem de som

“007 – Operação Skyfall”

“As aventuras de Pi”

“Os miseráveis”

“Argo”

“Lincoln”

 

Edição de som

“Argo”

“As aventuras de Pi”

“A hora mais escura”

“007 – Operação Skyfall”

“Django livre”

 

Empate. Deveriam usar esse recurso em categorias mais disputadas também, como essa ano foram as de atriz e ator, por exemplo…

 

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Design de produção

“Anna Karenina”

“As aventuras de Pi”

“Lincoln”

“O hobbit: Uma jornada inesperada”

“Os miseráveis”

 

Melhor curta-metragem

“Asad”

“Buzkashi boys”

“Curfew”

“Death of a shadow (doos van een schaduw)”

“Henry”

 

Documentário em longa-metragem

“5 broken cameras”

“The gatekeepers”

“Searching for Sugar Man”

“How to survive a plague”

“The invisible war”

 

Documentário em curta-metragem

“Kings point”

“Mondays at Racine”

“Inocente”

“Open heart”

“Redemption”

 

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Django Unchained

Fevereiro 20, 2013

Django Unchained Poster Tarantino

É sempre bom encontrar com o Tarantino bem humorado e cheio de sede de vingança. Mas seria Django realmente o gatilho mais rápido do sul?

Dizem que o Tarantino está trabalhando em uma espécie de trilogia da vingança, aproveitando para revisitar e se vingar de algumas das histórias mais pavorosas do nosso passado, daquelas que ninguém deveria se orgulhar, nem mesmo quem esteve do outro lado, porque sempre resta um. Primeiro foram os nazistas que ganharam seu tratamento especial através da visão do diretor no excelente “Inglorious Basterds” e agora chegou a vez dos negros receberem a chance de vingar parte da sua história dos tempos da escravidão, antes da Guerra Civil. E isso em um território western, praticamente dominado pelo homem branco ao longo dos anos da história do cinema, como cenário de plano de fundo para essa sua nova história, dirigida e escrita pelo próprio.

Django (Jamie Foxx) é um escravo de sorte (se é que podemos assim dizer) que acabou caindo nas mãos certas, um caçador de recompensas que precisava de alguém que tivesse vivido tudo aquilo de perto e pudesse reconhecer as cabeças que ele deveria colocar sob sua mira. Sorte my ass, porque antes disso, ele que teve um passado de escravidão, além de ter sido torturado e passado por tudo aquilo que já conhecemos bem da história, também teve que amargar o gosto de ver a sua mulher sendo tratada de forma extremamente cruel, sendo inclusive retirada a força do seu lado.

Dessa forma, motivos não faltavam para que aquele homem tivesse uma sede de vingança gigantesca contra aqueles homens brancos que faziam parte dessa história sórdida de escravidão, mas com esse detalhe, tudo acabou se tornando ainda mais pessoal para esse personagem, que pela primeira vez estava experimentando também o gostinho da liberdade. Mas ele nada seria se não fosse a companhia que acabou ganhando através da chegada do Dr Schultz na sua vida, um homem que certamente acabou colaborando e muito para mudar (e roubar) a sua história.

Ele que é vivido de forma sensacional pelo sempre excelente ator Christoph Waltz, indicado ao Oscar e a todos os demais grandes prêmios (que ele vem recolhendo) por sua excelente performance no longa. Um caçador de recompensas que só vai atrás das grandes cabeças, dos culpados pelos piores crimes e que precisava de certa ajuda para concluir o que talvez fosse uma de suas maiores recompensas até então. Coincidentemente (e o filme brinca bastante nesse território perigoso da dependência da coincidência, um ponto bastante negativo por sinal) ele e Django descobrem interesses em comum, porque sua mulher se encontra nas mãos de um dos tais procurados do doutor e assim, eles acabam firmando um trato de cooperação para que ambos possam sair satisfeitos e recompensados dessa história.

Django

É preciso dizer que o personagem de Waltz acaba roubando quase que completamente a cena se não fosse por seu antagonista (chegaremos nele em breve), por puro mérito do próprio ator, que foi apresentado para o mundo em grandes proporções também pelo próprio Quentin Tarantino em seu trabalho anterior, que é um ator que vem nos entregando excelentes trabalhos desde então, um atrás do outro. Além disso, o personagem por si só já tem um carisma grandioso, além da empatia imediata que ele consegue nos transmitir e despertar por ser um dos poucos personagens não preconceituosos dessa história, que é carregada de insultos super preconceituosos cabíveis para a época (odiando ter que admitir isso, mas é o que se espera de um plot como esse), maus tratos absurdos e ou piadas bem cretinas a respeito do tema. Ironicamente (ou de forma inteligente, para tentar retirar um peso que poderia ficar sobrecarregado demais para ser carregado por qualquer um, além de trazer um lado cômico também especial para a história) boa parte desses xingamentos e insultos acabam saindo da boca do personagem do Samuel L. Jackson (que reencontra o diretor nesse trabalho, ele que em “Inglorious Basterds” fez apenas uma participação como narrador), Stephen, que aparece praticamente irreconhecível no filme como o “cotton candy”, apelidado carinhosamente por Django, rs. E logo ele, o mais preconceituoso entre todos. (recurso inteligente Quentin. Um recurso bastante inteligente)

Apesar de Django ser o grande herói dessa história, Dr Schultz acaba sendo o personagem mais significante da mesma, grande parte disso por conta do seu humor, algo que aprendemos também recentemente que o Christoph Waltz  sabe fazer muito bem desde “Carnage” (outro excelente trabalho do mesmo). Um humor bacana, quase sútil, escondido nos trejeitos e na própria personalidade característica do personagem. Enquanto Django queria se tornar um herói e estava aprendendo o que fazer para tal com o seu excelente e novo tutor, Dr Schultz já estava pronto e era exatamente esse herói disfarçado de dentista. A propósito, seu personagem é alemão. Coincidência?

Em sua trajetória, Django tem excelentes momentos, como quando ele tem a chance de escolher a sua roupa de guerra e me aparece inteiro de azul, investindo no estilo dandy em meio ao velho oeste (nesse caso, Sul) e sendo ridicularizado até mesmo pelos próprios escravos. Eles que não estavam nada acostumados a ver um homem negro naquele tipo de situação, montado em seu próprio cavalo e sendo tratado com respeito, mesmo que o seu papel naquele momento fosse o de uma espécie de mordomo. Não estavam acostumados, mas logo passavam a admirá-lo ou invejá-lo ao mesmo tempo. Da mesma forma que os escravos não estavam acostumados e pareciam incrédulos ao ver um negro naquela posição (que até então nem era tão favorável assim), os brancos se revoltavam, exigiam que o doutor colocasse o empregado em seu lugar, mas tiveram que aprender a lidar com isso rapidamente, porque a dupla acabou fazendo historia naquele lugar, mostrando que a partir daquele momento, as coisas seriam bem diferentes. BANG!

História a troco de muito sangue por todos os lados (Tarantino deve estar muito apaixonado por esse novo formato de explosão de sangue que andamos vendo por aí ultimamente), o que sempre esperamos animados dos trabalhos do Tarantino. Cabeças e corpos dilacerados por muitas balas, quando não por cachorros, tiros e mais tiros que fazem grandes buracos e deixam uma notável marca em slow, jorrando muito sangue por todos os lados, algumas vezes de forma completamente exagerada, quase como se um balde de sangue fosse arremessado no momento da morte daquelas pessoas (sabe quando morre um dos vampiros em True Blood? Então…), mas tudo de forma esteticamente interessante.

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Apesar de uma lista de vilões que aparecem brevemente no filme como vítimas da agora dupla de caçadores de recompensa, o maior deles fica mesmo por conta do ator Leonardo DiCaprio na pele do temido Calvin Candie, que só chega depois de uma hora de filme, mas vem claramente para dividir o brilho do longa com o Christoph Waltz. Ele que também tem um perfil todo carismático, apesar de seus ataques de loucura assustadores. Mas para o seu personagem sobram cenas ótimas de conflito de ideias, regadas a muito bom humor e uma performance impressionante quando o personagem finalmente percebe que estava sendo enganado durante esse tempo todo em relação as verdadeiras intenções da dupla em sua propriedade. Ele que tratava os escravos como objetos do seu próprio divertimento, promovendo lutas mortais na sala da sua casa, apenas por prazer e diversão. Se pagou $500 por um escravo, exigia pelo menos 5 lutas do mesmo, essa era a lógica da sua cabeça desequilibrada. Mas apesar da crueldade, tirando o seu acesso de loucura em determinado ponto do filme, o vilão acaba ficando mais no território de que tudo aquilo acontece sob o seu comando, mas na verdade, não temos a chance de vê-lo praticando algo odioso de verdade, a ponto de torcermos para que seu fim seja doloroso e totalmente impiedoso (apesar dessa torcida existir naturalmente pelo plot em si e ele ter um único momento “teatral” digno de um grande vilão). Tirando isso, a impressão que fica é que apesar de ser o grande vilão dessa história, Calvin é apenas aquele que autoriza a crueldade, mas não está muito acostumado a sujar suas próprias mãos e depende de gente melhor preparada para isso. O menino rico que tem o dinheiro necessário para comandar, mas falta força.

Esse que talvez seja mais um grande erro do filme (sorry Quentin!). No passado, quando vimos o Christoph Waltz nessa mesma posição de vilão da história, aprendemos a temer aquele personagem odioso logo de cara, com aquela inesquecível e agoniante cena inicial de “Inglorious Basterds”. Mas nesse caso, toda a vilanice do personagem acaba parecendo maquiada, amparada na língua solta do personagem do Samuel L. Jackson, esse sim odioso, por todos os motivos possíveis. Da boca dele saem os insultos mais pesados, talvez por seguir aquela máxima de que “é preciso pertencer a determinado clã para poder falar absurdos e não parecer tão ofensivo assim” ou apenas na tentativa de trazer o lado cômico da história (que é bem presente e um dos pontos mais positivos do longa) através de mais esse personagem. Mas fato é que sem esse aparato, o personagem de DiCaprio, apesar de grandioso, acaba perdendo a força porque não conseguimos enxergar até onde vai o nível da sua tirania ou loucura e a sua despedida no longa é breve (além da sua resolução também ser bem prática) e com ele, infelizmente acabamos perdendo também o Dr Schultz, esse sim um personagem que acabou fazendo falta no restante do filme (que tem 2h45 de duração), em um cena fantástica e que dá inicio ao grande conflito sangrento do longa, trazendo a tona uma das mais notáveis características do diretor.

Sem contar que aquele Stephen acaba ganhando um tratamento de “sábio” demais do qual eu também não sou muito fã e acredito ser um recurso fácil demais para uma justificativa qualquer, seja ela no cinema ou na TV. No filme, eles dizem perceber uma forte conexão entre Django e Hilda (Broomhilda von Schaft, que é a sua esposa e atual escrava de Calvin, interpretada pela atriz Kerry Washington, que quase passa despercebida no filme) e isso é dito pela personagem irmã de Calvin no longa e também é percebido por Stephen, quase que “magicamente”, ele que do meio do nada começa a achar que Django e Hilda escondem algum tipo de relação e não demora muito para que o personagem acabe chegando a brilhante conclusão de que eles só podem ser marido e mulher. Sério, tudo isso acontece fácil demais. Ainda se algum deles tivesse algum conhecimento da língua alemã… mas tudo bem, talvez nessa hora a gente tenha que acreditar na sabedoria dos mais velhos com cabeça de algodão doce, rs.

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Da compra da liberdade de Hilda, até o grande massacre que acaba acontecendo em Candyland, que retira os dois grandes personagens da trama do caminho (e não conseguiu convencer muito na questão da durabilidade e resistência dos escudos humanos usados pelo personagem principal, mas falar em “convencer” em um filme como esse – que diga-se de passagem, eu AMO o gênero e ainda mais o diretor – pode deixar muita gente frustrada e ou irritada, então, fingimos que engolimos mais essa), encontramos Django prestes a voltar a sua posição de escravo e mais um vez longe da sua esposa. Outra justificativa que eu acabei achando nobre demais para a personagem da irmã do DiCaprio no filme (que presenciava de perto as leis na terra da sua família, apesar dela parecer ser extremamente submissa e não ter o menor destaque), mas entendemos que essa era a sua maneira de ver o culpado pela morte do seu irmão sendo obrigado a sofrer até o resto dos seus dias. Mas esse destino acaba sendo interrompido pelo próprio Django, que enxerga uma oportunidade de ainda ter a chance da sua vingança antes de ser vendido como escravo, além de fazer o resgate da sua Hilda.

Nesse momento, o próprio Tarantino aproveita para se divertir em uma cameo e se auto explode, voando pelos ares em uma grande explosão de sangue em meio àquele cenário de camadas laranjas e azul, algo que acaba abrindo os caminhos para que Django tivesse o seu acerto de contas com os remanescentes de Candyland, além de encerrar a missão do próprio Dr Schultz, matando com seu rápido gatilho os irmãos da gangue que ele estava à procura e que havia sido o motivo do encontro dos dois personagens no começo do longa.

Um final merecido para o personagem, que teve a chance de pegar todas as cabeças que estiveram em seu caminho durante esse percurso, especialmente a do Stephen, que acabou ganhando um tratamento todo especial do herói antes de morrer, mas que nem por isso soube calar a boca (sério, faltou um tiro na boca daquele velho ou retirar a sua pele. Tarantino, você foi café com leite nessa hora…). Ele e aquele que aproveitou para pegar suas partes anteriormente no filme (e algo me diz que ele tinha gostado, rs). Em meio a uma grande explosão e uma exibição em seu cavalo de trote, encontramos Django finalizando sua tarefa e seguindo finalmente em frente com Hilda, enfrentando a sua proposta de final feliz ou missão cumprida.

Mas nessa hora, o sentimento é que a vingança da vez acabou sendo minimizada, principalmente se comparada a vingança anterior proposta pelo próprio diretor, que reunia grandes nomes conhecidos da história em um cenário perfeito, apesar de “Django Unchained” também ser muito bacana e trazer aquele mesmo sentimento de satisfação de volta, de ver uma injustiça qualquer sendo “corrigida”, mesmo que seja de forma tão particular. Além disso, senti falta de um lado feminino no longa, uma mulher forte em meio àquele cenário, algo que não vimos e pessoalmente eu acho que o Tarantino sabe trabalhar esse perfil como ninguém, por isso acabei sentindo uma enorme falta dessa presença feminina em cena. (todas elas parecem figurantes na verdade, inclusive a própria Hilda, algo que podem até tentar justificar com a história da submissão e traumas daquele período, mas ainda assim…)

De qualquer forma, “Django Unchained” é um bom filme (não o melhor), tem todas as características que se espera de um filme do Quentin Tarantino e além disso conta com o seu detalhe mais especial, que dessa vez não ficou por conta de uma referência estética ou o próprio texto do longa e sim por sua soundtrack, essa extremamente especial e muito bem pontuada durante o filme, ainda mais misturando tão bem estilos completamente diferentes.

Respondendo a pergunta do começo do texto, se Django seria mesmo o gatilho mais rápido do sul, digamos que se por lá ele encontrasse a The Bride, ou o Sgt. Donny Donowitz carregando seu bastão e até mesmo a Shosanna em seu caminho, mesmo tendo a força de quem é capaz de derrubar um homem e seu cavalo no braço (sim, os dois juntos), nossas apostas não seriam nele. Sorry Django. Contra um Mr __________ (insira aqui a sua cor preferida entre Orange, Pink, White, Blue, Brown ou Blonde) quem sabe? Nesse caso, talvez ele tivesse alguma chance…

 

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Django Unchained, o trailer novo

Outubro 11, 2012

Mais um trailer para a nova vingança do Tarantino… BANG!

E já que ele está nessa mágoa de vingar todo mundo (que eu já disse que AMO), deveriam ter dado “Os Vingadores” para ele dirigir, não? (rs)

Ansiosos?

Então contenham-se, porque o filme chegará como presente de noite de Natal na America Antiga (25/12) mas por aqui, só em 18/01/13, humpf!

 

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Django Unchained, o trailer

Junho 11, 2012

Tarantino + Western + Christoph Waltz + Leo DiCaprio como vilão = Höy!

Trailer sensacional do novo filme do Tarantino “Django Unchained”, do qual nós já falamos um pouquinho aqui e que só pelas imagens, já me pareceu bem sensacional.

E parece mesmo que o Quentin Tarantino anda com uma nova obsessão que no momento, é prover uma espécie de vingança para todos os interessados. Gosto dessa mágoa…

Ansioso mil!

Django Unchained, o poster + coisinhas

Abril 27, 2012

Filme novo do Tarantino que chegará como presente de Natal (deles) desse ano, vindo diretamente do faroeste antigo, com o Leonardo DiCaprio na pele do vilão Calvin Candie e que também conta com a dupla Jamie Foxx (Django) e o sempre excelente Christoph Waltz (Dr. King Schultz) como os mocinhos da vez.

No Brasil, diz que só chega em 18 de Janeiro de 2013, um presente de Natal um tanto quanto atrasado, não?

ps: AMEI esse primeiro poster do filme. Simples, clean, contemporâneo e maravileeeandro!


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