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I want you, I need you, I love you, I miss you…Like Crazy

Novembro 30, 2011

Quando vc sente saudades como um louco.

“Like Crazy” é um daqueles filmes de amor que vai te deixar com um nó na garganta e os olhos cheios de lágrimas em vários momentos, mesmo sem apelar em nenhum momento ou exagerar no drama, o que de cara a gente já agradece. Do tipo que vai fazer vc balançar a cabeça para o lado e dizer “Awnnnn” em diversos momentos invejáveis dessa história de amor foufa. Um filme que certamente vai fazer vc torcer como nunca por uma final feliz para esse casal e que além de tudo, vai deixar o final praticamente aberto, sem uma resolução clara, para que essa história tenha o final que vc quiser escolher que ela tenha. Howcoolisthat?

O filme conta uma história de amor do casal Jacob (Anton Yelchin) e Anna (Felicity Jones), dois jovens que se encontraram ainda na época da faculdade, ele sonhando em ser um designer de móveis e ela uma jornalista. E a partir desse encontro, eles começam a escrever essa história de amor que é daquelas que para vc assistir, é melhor até já garantir a caixa de Kleenex na mesinha do lado do sofá, só por precaução. (o que não é uma propaganda, mas poderia ser. $$$Catching!)

A história de amor entre os dois é linda e ao longo do filme podemos observar todo o seu percurso. Do começo animado como todo novo casal, experimentando coisas juntos, empolgados com a nova relação, descobrindo aos poucos a intimidade um do outro, querendo ficar grudados sem fazer nada o tempo todo, o que todo mundo faz no começo de qualquer relação do tipo boa, rs. Tudo isso de forma bem real e natural, sem grandes diálogos ou declarações de amor pedantes, sem forçar a barra, apenas uma sutileza de gestos e olhares encantadores entre os atores que fazem do filme algo ainda mais especial, além de imprimir um olhar moderno para as novas histórias de amor. Isso graças ao olhar simples e delicado do diretor Drake Doremus para o longa.

E com isso vamos ganhando cenas deliciosas do casal em momentos de intimidade, tudo de forma muito sútil, silenciosa, quase inocente até. E vai ficando cada vez mais claro pela personalidade dos dois que eles foram mesmo feitos para ficar juntos. Um dos meus momentos preferidos é a sequência com os dois dormindo na cama (algo que nós já vimos em propagandas até…), em diversos momentos diferentes, sempre demonstrando um carinho enorme um com o outro.

Jacob tem aquele ar de menino tímido, que se não fosse ela ter tomado a iniciativa de investir na relação, ele talvez nunca tivesse essa coragem. Anton Yelchin faz um ótimo trabalho interpretando o bom moço, completamente tímido e desconfortável, mas que olha para câmera com doçura, fazendo vc se apaixonar cada vez mais pelo seu personagem.

Já Anna é quase uma personagem poética. Criativa, ousada, filha de pais liberais e de origem inglesa (e a mãe dela é interpretada pela atriz Alex Kingston, a River Song de Doctor Who, o que foi um plus especial para o meu coração, rs). Ela embora seja mais animada do que ele, tem também um lado tímido e a mesma doçura ingênua no olhar. Ambos acabam se revelando ser quase a mesma pessoa até, com gostos e interesses muito parecidos. E a atriz Felicity Jones rouba a cena com os seus olhares melancólicos de saudade e a voz que quase não sai em uma conversa ao celular,  por ela estar sofrendo com a atual situação de distanciamento do casal ao longo do filme. Uma delícia de interpretação, sutil, delicada e absolutamente na medida. Clap Clap Clap!

O casal além de funcionar super bem, ainda conta com uma injeção de foufurices na história, como quando ele presenteia ela com a sua primeira peça produzida e baseada no seu design, uma cadeira de madeira, linda e fundamento, onde esta gravado “Like Crazy”, presente que se torna mais do que especial para ela. Jacob também presenteia ela com a pulseira da “paciência”, quando eles precisam ficar separados por um tempo, coisa de menino sensível que devemos preservar caso a gente consiga encontrar algum exemplar dessa espécie rara algum dia (fikdik, rs). Outro momento que também serve de exemplo desse nível de foufurices, é quando ela faz aquele diário/scrapbook no formato de um Moleskine  maravileeeandro, recheado de momentos compartilhados do casal. Uma idéia que eu estou pensando em recriar, nem que seja para mim mesmo. Porque não? (humpf…)

E o drama todo do fillme começa exatamente quando eles tem que encarar a realidade de que ela é uma estrangeira no país, com visto próximo de expirar assim que ela venha a se formar, o que acabaria dificultando e muito a relação do casal.

E quando esse dia finalmente chega e ela já esta de malas prontas para voltar para a Londres antiga, em uma atitude impensada e impulsiva, eles acabam resolvendo ficar juntos por mais um tempo, e assim ela passa a viver ilegalmente no pais, mesmo que apenas por um período curto de tempo e que naquele momento não parecia ser nada demais.

Uma atitude impensada e impulsiva daquele momento, algo que eles jamais imaginariam que implicaria em um drama no futuro, com ela tendo o seu visto negado para permanecer no país e assim, ter que voltar definitivamente para Londes e ficar longe do seu amor. Dra-ma.

A partir disso ganhamos a carga dramática do filme, onde ambos passam a tentar driblar a saudade de ter que viver separados (o que é sempre horrível e bem fácil de se imaginar naquele situação, porque sejamos sinceros: quem nunca ficou longe de quem ama ou já amou?) e vão tentando manter a relação a distância, ele na Califórnia,  onde sua vida esta começando a se estabelecer pós diploma com o seu negócio próprio como designer e ela em Londres, correndo atrás dos seus objetivos. Até que tudo vai ficando cada vez mais difícil e a relação acabe esfriando naturalmente.

Apesar de ambos tentarem seguir com suas vidas, se dedicando mais ao trabalho e ficando cada vez mais longe um do outro (de propósito ou involuntáriamente), fica evidente que ambos estão apenas tentando se enganar em relação a aquilo que eles realmente sentem um pelo outro. Até que em uma noite onde a saudade aperta mais do que Anna consegue aguentar, ela acaba o convencendo a fazer uma viagem a terra da rainha, em uma tentativa quase desesperada de estender um pouco mais aquela relação que pareceu ser tão perfeita um dia.

Mas não dura muito a boa fase de matar a saudade entre os dois e logo começam a surgir as dúvidas, inseguranças e os questinonamentos que todo mundo faz quando não deveria fazer. Como quando ambos começam a querer saber o que cada um fez quando esteve longe um do outro, com quem cada um andou se relacionando durante esse período todo, algo que a gente sempre tem a curiosidade de saber, mas que quase nunca estamos preparados para ouvir a verdade sobre a bagagem que cada um carrega. Uma conversa sempre à se evitar, por mais bem resolvida que as pessoas pareçam ser, fikdik.

E essa é a primeira vez que eles resolvem seguir com suas vidas aceitando que talvez esse não seja o modelo ideal de relação que ambos imaginaram se encontrar e com isso vão começando a se relacionar com outras pessoas, em uma tentativa de superar esse relacionamento que acabou se tornando complicado demais para continuar.

Mas sabe quando sempre parece estar faltando algo, mesmo que vc esteja seguindo com a sua vida, conseguindo conquistar os seus objetivos, mas ainda falta alguma coisa? Alguma ponta dessa história que vc deixou pendente, sem resolução, o que te faz ter a sensação de estar caminhando e não conseguir sair do lugar? Essa é a posição em que ambos se encontram a todo momento no filme quando não estão juntos, o que indica claramente que eles ainda precisam resolver esse issue.

O que acaba sendo cruel com os “novos” elementos dessa relação, que nunca serão o suficiente para eles, as vezes até sem saber do seu verdadeiro papel de total coadjuvante nessa história. O que não era bem o caso da  Sam (Jennifer Lawrence) “assistente” do Jacob no filme, mas que eu cheguei até a ficar com pena dela por duas vezes, coitada (apesar de ser Team Jacobanna desde o começo). Porque ser chutada duas vezes e ainda pelo mesmo cara e perdê-lo para a mesma pessoa, também por duas vezes, acaba sendo puxado demais para qualquer um.

O filme acaba girando entre essa história de amor geograficamente impossível por culpa da burocracia como resultado de um ato impensado no passado, quando o presente parecia ser bem mais importante do que pensar adiante, no futuro. Algo que todo mundo faz quando é jovem, que é quando a gente tem tempo e precisa passar por isso para aprender alguma coisa. (infelizmente, humpf!). Mas isso acontece não de forma massante, e mesmo que o casal volta e meia se encontre na mesma situação, acompanhar essa trajetória é realmente uma delícia.

Em um última tentativa de finalmente ficar juntos, eles acabam optando pela resolução mais simples, que seria o casamento dos dois, que acaba acontecendo em Londres, como alternativa para driblar essa burocracia toda que ambos vem enfrentando só para conseguir permanecer juntos no mesmo lugar. O que óbviamente acaba mais uma vez dando errado e passa a ser o último suspiro para esse relacionamento desabar de vez.

E essa felicidade que nunca chega é o ponto forte do filme, algo que acaba fazendo com que vc torça para que aqueles dois possam ficar juntos, porque mesmo com as dificuldades todas que eles vem enfrentando por alguns anos, eles já provaram que devem sim ter esse final feliz. Toda aquela saudade que rola entre os dois também é impossível de não se identificar, o que nos deixa mais próximos dos personagens e a história também bem mais próxima da realidade.

A relação entre os dois é linda e estando juntos ou não, eles parecem estar ligados o tempo todo. Uma relação construída nos pequenos detalhes, que acabam se tornando coisas maiores ao longo que a história é contada.

Como por exemplo quando ela acaba quebrando sem querer a pulseira que ganhou de presente dele ( a “pulseira da paciência” que eu disse antes), isso enquanto esta na cama com a sua nova tentativa de amor, ou quando ela ganha uma nova cadeira do seu novo namorado, que apesar de maravileeeandra (e maravileeeandro), não é a cadeira certa, porque aquela não é a sua cadeira. Humpf!

Caminhando para o final do filme temos finalmente a resolução do problema do visto, em um momento que ambos provavelmente nem estavam mais esperando, mas que acaba acontecendo de surpresa, como quase tudo na vida. Nessa hora, novamente eles enxergam a tão sonhada possibilidade de finalmente ficar juntos no mesmo lugar para viver essa história de amor tão burocrática.

Mas como o tempo já passou, as coisas inevitavelmente encontram-se diferentes do que já foram um dia e até o gosto de antes já não é mais o mesmo. E aquela cena final do banho, com o casal no chuveiro, finalmente juntos, serviu para lavar a alma daqueles personagens, para tirar o peso desses problemas e obstáculos todos que eles enfrentaram para ficar juntos e nada melhor do que relembrar o momento em que provavelmente um se apaxionou pelo outro, para tentar reencontrar novamente um significado para aquilo tudo. Uma pausa necessária, um respiro quase que de alívio, apesar de pouco dramático.

O filme pode não ter um final óbvio ou pelo menos claro, o que deve deixar algumas pessoas irritadas, e fica para vc a responsabilidade de dar um final para a história desses dois, como se a vida deles continuasse a partir daquele ponto onde a história acabou para a gente, mas não necessariamente para eles. Howcoolisthat?

No meu caso, para a minha interpretação do filme, mesmo que as coisas não pareçam ser como no passado naquele momento de reflexão entre os dois no chuveiro (algo inevitável e totalmente compreensível), ou com esse encontro visivelmente desconfortável depois de tanto tempo separados e com tanta bagagem acumulada durante todo esse percurso, a minha proposta é a de um final feliz, porque afinal, eles sempre pareceram ter sido feitos para ficar juntos. Resta saber qual foi ou será a interpretação de vcs…

Me contem depois, hein?

Para comprar quando sair o DVD e colocar na prateleira dos filmes cool sobre o amor, entre “Blue Valentine” e “Last Night”.


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