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Downton Abbey, parte 3

Janeiro 11, 2013

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Uma temporada de perdas para Downton Abbey, em todos os sentidos.

De todas as temporadas excelentes de Downton Abbey até agora, essa sem dúvidas foi a mais fraca de todas. Mas falar de fraqueza em uma série de época, inglesa, um dos produtos mais bem cuidados da TV atual, é falar de uma fraqueza leve, quase como se ela não conseguisse afetar efetivamente tudo o que a série conseguiu representar até hoje. Resta saber se somando essa fraqueza a quantidade de perdas que acabamos sofrendo ao longo da temporada, se Downton ainda conseguirá sobreviver de forma interessante daqui para frente.

E já começamos a temporada com a descoberta de uma grande perda, essa financeira, menos dolorosa para todos nós enquanto audiência, mas pesada para os bolsos dos Crawleys, que pela primeira vez tiveram que reavaliar seus costumes e passar a considerar um estilo de vida bem mais humilde ao que a propriedade e todos os envolvidos estão acostumados. Demonstrando um período real da economia inglesa (mundial até) em um período pós-guerra e no começo dos anos 20, vimos que assim como muitas famílias naquele período, os Crawleys também foram afetados com os efeitos da guerra, além de uma má administração ao longo dos anos e a insistência do Robert em manter-se distante das mudanças que o tempo estavam apresentando naquele momento.

Em meio a essa nova realidade da família, embora ainda sem conhecimento de todos eles, começamos a temporada já com um grande acontecimento, o casamento da Mary e Matthew (cuspida de fogo no chão), algo que para os fãs da série acabou funcionando como um presente logo de cara. Uma noiva linda, que chegava para estabelecer de uma vez por todas essa relação de amor que sempre foi a nossa preferida dentro da série. Um casamento grandioso, como era de se esperar para a filha mais velha da família, que estava aguardando por esse momento faz tempo, assim como todos nós que torcemos desde sempre pela personagem. Apesar desse ter sido o nosso primeiro casamento em Downton, Lady Mary não foi a primeira delas a se casar e dando continuidade aos acontecimentos da temporada anterior, Lady Sybil também já havia resolvido essa questão em sua vida, só que na Irlanda e sem que a gente pudesse acompanhar mais essa cerimônia. Detalhe que eu até cheguei a achar meio assim por parte da série, que poderia ter mostrado também esse casamento, mais simples e envolvendo outras tradições e diferenças religiosas (que acabaram aparecendo mais tarde), mas que devido aos rumos da história da personagem, acabou sendo justificado de certa forma.

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Claro que o fato da filha de um aristocrata ter casado com um dos ex empregados da casa, geraria algum desconforto por parte de todos os envolvidos, mas a gente só não esperava que esse desconforto maior fosse acontecer logo por parte dos próprios empregados, que achavam um absurdo tudo o que aconteceu, principalmente o Carson (que eu amo e queria que fosse o meu próprio mordomo dos sonhos. Ele e o Alfred do Batman, tomando um chá e jogando críquete de vez em aquando. Imaginem só que visão! rs), que nessa hora brilhou mais do que nunca demonstrando toda a  sua repulsa e indignação sempre ao fundo de cada cena, tendo que servir aquele que até pouco foi um dos membros da sua equipe. Uma implicância deliciosa, diga-se de passagem. Apesar desse tradicionalismo muitas vezes pouco tolerante do Carson, eu realmente AMO o personagem.

Mas essa implicância acabou tomando proporções ainda maiores quando descobrimos que Branson estava envolvido com a política irlandesa, que passava por uma grande crise/revolução naquele momento e que ele com todo o seu idealismo, estava mais do que envolvido em algumas questões relacionadas a famílias locais que viviam da mesma forma que a família daquela que agora era a sua mulher. Mulher que inclusive se encontrava grávida e teve que fugir do país pelo fato dele estar sendo procurado pela polícia, sozinha, em perigo em meio a toda essa situação de violência, para desespero dos Crawleys. Um verdadeiro drama e que poderia facilmente se transformar em um escândalo ainda maior para uma família como aquela, que digamos que já bem que andava meio que falada no chá das cinco da vizinhança, rs.

Para tentar salvar Downton da tal crise, como medida desesperada quando todos tomaram conhecimento de sua atual situação financeira, parte das mulheres da família não se intimidaram ao tentar de qualquer forma manter o que elas haviam conquistado (herdado na verdade) até então. Aliás, gosto muito dessa forma prática como eles lidam com dinheiro, sem vergonha de admitir que são bem interessados no assunto e estão dispostos a tentar de tudo (que não seja ilegal ou de caráter extremamente duvidoso) para manter tudo como sempre esteve naquela família. Nessa hora, ganhamos a presença da adorável Shirley MacLaine interpretando a avó americana mencionada por diversas vezes na série, mãe da Cora e que chegava sendo uma esperança de trazer o dinheiro que faltava para Downton. Algo que ela tratou muito bem de eliminar rapidinho, dizendo que toda a sua fortuna já estava comprometida, um recurso que é claro que foi utilizado para dificultar um pouco mais o caminho. E que delicia aquela sua proposta de jantar americano devido ao caos que se transformou a cozinha da casa, não? Aliás esse foi um dos momentos de alívio cômico mais engraçados dessa temporada.

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Mas se por um lado eles acabaram dificultando dessa forma as coisas, por outro, eles acabaram trazendo um plot recorrente a essa altura para a série, que foi o fato do Matthew novamente estar prestes a receber uma grande herança, dessa vez por parte da família da sua ex noiva, algo que salvaria Downton de tudo o que estava prestes a acontecer de forma quase que milagrosa e que viria muito a calhar naquele momento. Uma saída fácil, uma vez que isso tudo já havia acontecido com o personagem, de uma outra forma, mas que foi a sua introdução na série lá no passado. Mesmo assim, após relutar um pouco e estremecer ainda mais a sua relação com a própria Mary, que não conseguia enxergar os seus motivos para não aceitar a tal herança, ainda mais dentro daquelas circunstâncias  Matthew acabou cedendo e assim acabou se tornando também uma espécie de “sócio” da propriedade. Algo que a princípio funcionou como uma alívio para o sogro Robert, mas que em pouco tempo se tornou sua grande dor de cabeça, devido as diferenças administrativas de gerações de ambos. Nada que eles não conseguiram resolver no final e que de quebra, ainda garantiu a entrada de uma vez por todas do Branson também aos negócios da família.

Até que chegamos ao ponto que achamos que seria a maior das perdas da temporada, isso porque ainda não tínhamos uma ideia exata de tudo que ainda estaria por vir até o final. Sinceramente, eu não esperava perder um dos Crawleys tão cedo, ainda mais porque são todos uns queridos de todo o público e também porque aparentemente, não havia motivos para acontecer uma morte tão cedo na série, apesar da vida ser sempre uma surpresa e tudo mais (ZzZZZ). Mas quando a gente menos esperava, eis que eles surgiram com o plot da complicação no parto da Sybil (que apesar de doloroso, foi um ótimo plot médico para a série), que teve uma menina, mas não resistiu e acabou morrendo de forma totalmente inesperada e deixando Downton e todos nós de luto, pegando todos de surpresa.

Uma despedia inesperada, mas que acabou se fazendo necessária por vontade da própria atriz (mais uma cuspida de fogo no chão), que já havia conversado com os criadores da série e revelado a sua vontade de sair da produção inglesa para tentar uma carreira em Hollywood, algo que acabou se tornando um plot mais do que recorrente para os demais atores do elenco, que acabaram usando a mesma desculpa para negociar salários menores que justificassem a sua permanência na série e ou também acabaram se despedindo de Downton. Segunda opção que falaremos mais tarde, deixando toda essa mágoa para o momento certo. O que podemos adiantar é que todas essas saídas, apesar de vivermos em um mundo livre, acabam imprimindo uma falta de respeito pela história da série, assim como de seus personagens. Me desculpem, mas a impressão que fica nesses casos nunca é das melhores.

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Algo que apesar de extremamente triste para a história, acabou trazendo também um drama para a dinâmica dos pais da família, colocando marido e mulher em lados opostos, com Cora culpando Robert por conta da morte da filha. Observando a injustiça de Cora, estava ela que é sempre excelente e cada uma de suas lines me colocam um sorriso mais largo do que a extensão do rio Tamisa na cara, a adorável Violet (Profª Minerva! ♥), que observando tudo como sempre e usando toda a sua sabedoria, acabou aproveitando o momento para manipular um pouco a situação (algo que ela adora fazer) e encerrar de vez essa picuinha entre o casal. Aliás, ela e a avó americana dividiram momentos também bastante especias para a série, devido as diferenças culturais muito bem representadas por ambas naquela situação, sempre com uma alfinetada e ou crítica em relação ao modo de vida e costumes uma da outra.

Se do lado da família Crawley a coisa estava bastante movimentada e nada estava muito fácil ultimamente, para os empregados e lacaios de Downton Abbey, também não faltaram plots dos mais variados possíveis. Desde a entrada de vez do novo empregado, o ruivo mais alto e desengonçado que Downton já conheceu, Alfred, que pasmem, apesar da inocência e da sua vontade de se tornar um cozinheiro respeitável, ele era sobrinho de ninguém menos do que a empregada mais amarga de todos os tempos, O’Brien, que durante essa Season 3 esteve em guerra declarada com Thomas, seu antes fiel escudeiro e parceiro certo para toda e qualquer falcatrua.

Falando nele, Thomas também teve momentos ótimos e importantes durante toda essa temporada. Gosto dele amargo, sempre gostei, implicante, arrogante, mas fico comovido com todos os plots relacionados a sua sexualidade, que pela primeira vez acabou vindo a tona explicitamente, em uma época onde qualquer tipo de PDA entre duas pessoas do mesmo sexo poderia levar os envolvidos para a cadeia. Sério, dá para imaginar uma coisa dessas? (em pensar que em alguns lugares, ainda não evoluímos a esse ponto, inclusive onde achamos que evoluímos  Humpf!) Ele que acabou ganhando um candidato a boy magia, Jimmy, um também novo empregado que apesar de um comportamento bastante dúbio e manipulado pela própria O’Bryen, que como toda boa vilã, já estava imaginando a possibilidade antes mesmo dela acontecer, ele acabou se rebelando contra a atitude de Thomas, que depois de muito tempo acabou dando um passo a frente e se arriscou a tentar alguma coisa com quem ele sentia que de certa forma o correspondia. Algo que chegou a cair no conhecimento do Carson e da Mrs Hughes, que nessa hora tiveram a chance de debater o assunto e até se posicionam de uma forma bem bacana de acordo com as circunstâncias e principalmente, para a época.

Mrs Hughes também esteve ameaçada durante essa temporada devido a um câncer, que teria sido bem triste caso tivesse sido levado mais adiante. Ufa! Mas nessa temporada, ficou ainda mais evidente que ela e o Carson vivem uma história de amor, das mais foufas possíveis, embora ambos ainda não tenham coragem de admitir. Na verdade, adoro as lições de moral que ela sempre acaba dando nele, demonstrando que apesar da idade e de seus costumes, ela é uma mulher aberta e muito a frente do seu tempo, apesar de ser extremamente tradicional e porque não dizer conservadora, quando o assunto é a sua própria vida.

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Ainda falando dos menos abastados porém limpinhos na série, ainda temos o casal Anna + Bates, que para falar a verdade, eu cheguei a cansar um pouco. Adorava a dinâmica dos dois em Downton lá no começo, mas quando tudo isso foi levado aos tribunais e acabamos assistindo a Anna afastada dos demais do elenco em suas visitas a cadeia, eu sinceramente acabei perdendo o gosto e o interesse pelo casal e por suas histórias. Para mim, se Matthew é o sortudo que ganha na loteria das heranças de grandes montantes de moeda de ouro a cada nova temporada, Bates é o azarão de Downton, aquele com quem tudo de pior acontecer. E esse detalhe para ambos os personagens eu confesso que acaba me dando bastante preguiça por ser tão recorrente e uma saída fácil demais para ambas as partes. Sempre.

Agora, se teve alguém que ganhou o seu momento de redenção definitivo para a série (porque eles bem que já haviam tentando timidamente antes), essa foi a Lady Edith, que tinha tudo para se jogar da torre mais alta da propriedade, mas deu a volta por cima e hoje pode ser considerada como uma das mulheres mais fortes e interessantes de Downton. E quem poderia imaginar? Primeiro, imaginei que o mundo a odiasse, porque dentro da série, ela sempre esteve envolvida em plots meio assim ou pouco interessantes no geral. Depois comecei a achar que até quem escrevia Downton Abbey odiava a personagem, ainda mais quando ela ganhou o seu tão sonhado casamento dentro da série, também durante essa Season 3 e foi deixada no altar na frente de todo mundo. Algo que cheguei a imaginar que seria demais para ela como mulher até.

Mas que nada, Edith sacudiu os tecidos nobres e pesados da época e foi para a vida, resolveu encarar tudo aquilo de uma outra forma, apesar de bem amarga a princípio (também pudera neam? Até eu aumentaria o meu teor de cacau nessa hora para uns 95%), mas que no final das contas acabou sendo convidada para escrever uma coluna no Times e através dessa sua entrada no mundo editorial, ela acabou conhecendo seu novo pretendente. Mas como as coisas nunca são muito fáceis para a personagem, ele também está envolvido em um drama familiar com a esposa meio maluca e tudo mais. Sim, ele é casado, com uma pessoa fora de si, mas é casado e lembrando que acabamos de chegar nos 20’s. Nesse caso, ainda teremos que aguardar para ver o que vai dar, mas desde a temporada anterior, comecei a achar que a personagem finalmente estava fazendo por merecer algo mais além de se tornar a solteirona amarga da turma. Go Edith! Go Edith!

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Por fim, chegamos ao episódio especial de Natal, ele que chegaria com a notícia mais triste da série até hoje, fazendo a morte da Sybil parecer uma pequena bobagem em relação ao que estaria por vir durante a Season 4, já que o tal acontecimento foi guardado até o momento final da temporada. Quem acompanha o Guilt já sabia que a gente havia comentado sobre a insatisfação do ator Dan Stevens em se ver preso a uma produção na TV inglesa (cinco cuspidas de fogo seguidas no chão e em ordem crescente), uma vez que ele começou a enxergar uma possibilidade de carreira na America antiga, ou seja, uma vitrine com poder de alcance bem maior, mesmo considerando o atual sucesso de Downton Abbey no mundo todo. Pois bem, sua permanecia na série já era dada com incerta, até que tivemos a comprovação nesse que não teve o menor gosto de presente da Natal da série. Confirmou, perdemos Matthew! (mas não consigo nem escrever um “humpf” de lamentação nesse caso…)

Apesar da ótima história dos empregados animados com a festa local, plots casamenteiros de última hora e uma viagem meio assim dos Crawley, que provavelmente dela eles acabarão trazendo uma nova personagem (já conhecida até) para a trama, a tensão maior ficou mesmo para os acontecimentos dos minutos finais, que muito provavelmente, chegariam para mudar a série para sempre. Nele tivemos Mary prestes a dar a luz, também sofrendo algumas complicações, mas ganhando um final muito mais feliz e merecido, entregando para seus pais o segundo neto da família, o primeiro homem entre eles. Um momento aguardadíssimo por todos os fãs da série, que sabemos das frustrações do Robert por não ter tido um filho homem (e as complicações absolutamente injustas que isso acabou causando a própria Mary, sua filha mais velha em relação a herança da família), além do que, aquele momento coroava a história de amor que mais nos conquistou desde sempre dentro da série, com a chegada do primeiro filho do casal Mary e Matthew, que além de finalmente terem ficado juntos (algo que só aconteceu durante essa temporada, porque antes ficamos naquele quase interminável jogo da conquista e o tempo que não se encontrava entre os dois, isso até o especial de Natal da Season 2) estavam agora começando uma família.

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Até que, com aquela narrativa excelente, enfrentamos a triste realidade de ver o Matthew sofrendo aquele terrível acidente de carro, algo que muito provavelmente e devido a saída do ator do elenco da série já confirmada, será utilizado como recurso para justificar a sua morte. Morte essa que como fã da série eu nem consegui lamentar, uma vez que aquela acabou sendo uma medida necessária para justificar a ausência do personagem daqui por diante. Além disso, fica difícil lamentar a perda sabendo dos reais motivos e mais difícil ainda é a partir de agora conseguir torcer pela carreira do Dan Stevens longe da série. Como não gostamos de prejudicar ninguém e ou não queremos carregar esse karma indeed, que ele tenha sorte daqui por diante. Mas o que vai acontecer com a sua mãe, hein? Gosto tanto dela e passei a gostar ainda mais nessa temporada, com ela ajudando a empregada que acabou se prostituindo para conseguir cuidar do filho, esse que também foi um plot bem bacana dentro da série e eu também AMO os desentendimentos dela com a Violet. (Violet que sempre nos surpreende buscando soluções ótimas os problemas de todos, não?)

Com essa saída, ganhamos algo que talvez seja difícil de se recuperar em Downton Abbey. Matthew sempre foi um personagem cativante, desde a sua primeira entrada na série e ao lado da Lady Mary, ambos acabaram construindo uma das relações mais adoráveis e pela qual nós mais torcemos a favor ultimamente na TV. Cheguei até a declarar que eles era o meu “Ross and Rachel” preferidos e época. Uma pena essa despedida ter acontecido dessa forma, ainda mais pensando no que tudo isso pode representar para a Mary e principalmente para a série em si, que com essa morte acabou perdendo a sua melhor história de amor desde a Season 1. Lamentável.

Por esse motivo, com tantas perdas e apesar dessa talvez ter sido a temporada mais movimentada em Downton (embora sempre tenha sobrado bons plots para todo mundo desde a primeira temporada), é praticamente impossível não acabar torcendo o nariz para essa que não dá para ser considerada com uma das melhores temporadas da série. Não com tantos plots recorrentes esse que talvez, por apego e ou amor a série, a gente até conseguiria deixar passar, mas não com tantas perdas e tanta mudança que tudo isso possa acabar trazendo para o futuro da série. Nos preocupamos com aquilo que gostamos, como já diria a minha mamma.

Apesar de já ter uma Season 4 confirmada e notícias dando conta de que alguns dos principais atores já haviam renovado seus contratos até uma possível Season 5, fica difícil acreditar que Downton Abbey continuará sendo a mesma depois de tantas perdas e despedidas, embora sejamos totalmente fiéis a série e acreditamos em sua qualidade em todos os sentidos, algo que é indiscutível. Além de todo o nosso amor por cada um desses personagens, que são todos bem especiais, inclusive os menores. E logo agora que eles finalmente chegaram nos 20’s e a gente achava que seria uma era ainda mais mágica para a série (os figurinos pelo menos nunca estiveram tão lindos e variados, inclusive os da “sexta casual”, rs). Humpf!

Veremos…

 

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Downton Abbey, parte 1

Julho 16, 2012

Faz tempo que eu venho procurando uma série do tipo novelão, sabe? Do tipo que reunisse um pouco de tudo. Intriga, romance, jogos de poder, humor, vilanices, tudo em um pacote só. Até que me deparei com Downton Abbey, série inglesa que a gente tem ouvido falar muito bem atualmente, que vem ganhando diversas indicações nos mais variados prêmios e que certamente deveria ter o seu mérito. Por falta de tempo e por meu interesse em histórias de época não ser dos maiores (quando é muito histórico eu até gosto, mas não de tudo…), acabei deixando a série para assistir depois, aproveitando o marasmo da summer season, que é sempre um período entregue as moscas.

Mal sabia eu que estava prestes a me apaixonar perdidamente por mais uma série inglesa indeed. Eu sei, eu sei que eu tenho repetido isso bastante ultimamente e pode parecer até um exagero do meu sangue inglês falando mais alto (se jura?), mas acreditem, Downton Abbey merece mesmo toda a comoção em torno da riqueza e detalhes de sua produção, que chega a ser assustadora quando pensamos que essa é apenas uma série de TV e não um produto do cinema, como bem poderia ser. E o melhor de tudo, a série consegue ser tudo isso sem ser pedante, chata ou datada demais, o que já é uma grande vantagem quando falamos de algo que se passa em uma outra época.

Em Downton começamos em 1912, anos antes da Primeira Guerra Mundial, em um período marcado pela tragédia do Titanic e temos como plot central a vida de uma família nobre importante da região e sua rotina em Downton, herança que eles cuidam a todo custo para que permaneça sob os cuidados da família, que funciona dentro de uma sistema de hierarquia nos moldes antigos, por isso o drama. Dentro daquela casa de campo com um arquitetura lindíssima e de tirar o fôlego, temos muitos empregados, dos tipos mais variados possíveis. Alguns bem felizes com suas posições e agradecidos pelo oportunidade de servir, outros mais ambiciosos e cada um deles carregando uma história deliciosa, seja ela envolvendo o seu passado, que vamos descobrindo ao longo do tempo, ou até mesmo falando do momento presente de suas vidas na série.

Dentro da família Crawley, que são os donos do pedaço, também temos as mais adoráveis e diferentes criaturas, como o casal Robert (Hugh Bonneville) e Cora Crawley (Elizabeth McGovern), que são ótimos juntos, de uma foufurice absurda, apesar de não esconderem ou negarem que aquele casamento a princípio tenha sido arranjado por puro interesse (por parte dele), prática mais do que comum naquela época (só naquela época? Sei…). Juntos eles tem três filhas mulheres, o que dificulta a sucessão da herança da família, que naquela época (bem injustamente) era feita apenas através de um descendente homem, o que leva a família a se preocupar e muito com o futuro de Downton e de uma herança que eles cuidam como ninguém, que vai muito além apenas da propriedade em si.

Entre as filhas temos Lady Mary (Michelle Dockery), a mais velha delas e que estava noiva de um pretendente que acabou sendo vítima do naufrágio do Titanic (que é o acontecimento histórico que data o início dessa história). Mary é super ambiciosa, mas tem algo que vai além disso na sua personalidade conflitante. Ela não gosta de ser mandada e não aceita muito bem a ideia de ter que se casar por esse ou por aquele motivo, algo que ela vem sendo pressionada a fazer rapidamente por conta da herança da família, que é algo que ela não aceita muito bem sem que a decisão seja inteiramente dela. No começo, ela pode até parecer mais interesseira do que qualquer outra coisa, mas na verdade, no decorrer da história, vamos percebendo que Mary está mais do que certa em bater o pé e não aceitar que a sua herança acabe nas mãos erradas apenas pelo fato dela ser mulher, o que acaba nos revelando um outro lado da personagem, esse muito mais interessante e apaixonante até. Mary tem a alma de uma mulher livre, do tipo que quer ser dona do seu próprio nariz.

Com filha do meio temos Lady Edith (Laura Carmichael), que cai perfeitamente naquele velho estigma do filho do meio que acaba dividindo demais as atenções com os irmãos das pontas (rs) e sempre acaba se sentindo um pouco deixado de lado. O problema é que ela, apesar de se sentir injustiçada e até mesmo os seus pais reconhecerem que ela é prejudicada por ser a filha do meio (com aquele recurso do humor inglês que é sempre ótimo), Edith carrega também aquela competição eterna muito presente dentro do universo feminino, a qual ela nutre com todas as forças contra a irmã mais velha Mary, a quem ela julga não saber aproveitar as possibilidades que para ela nunca aparecem. Verdade é que Edith não só se sente como a filha injustiçada, como ela parece ter uma inveja imensa da felicidade alheia e está sempre torcendo para que as irmãs “mais perfeitas” se deem mal para que ela possa se sentir melhor. Edith tem a alma de uma velha amarga, que não tem forças para lutar a favor de si mesmo, buscando essa força que lhe falta na inveja, o que a leva a ser facilmente apelidada de Lady Envy, rs.

Representando os sonhos da juventude e uma visão de futuro, temos Lady  Sybil (Jessica Brown Findlay), a caçula do clã dos Crawley que é a foufurice em pessoa. Linda, ela é doce com os empregados e está sempre disposta a ajudar (AMO o plot dela tentando ajudar a empregada a perseguir o sonho de se tornar secretária). Cheia de opiniões e ideais, apesar de levar uma vida considerada fácil dentro do seu “castelo” cercado de empregados, Sybil é super politizada e uma grande ativista em prol dos direitos das mulheres, que naquela época eram tratadas como seres bastante inferiores (só naquela época? Sei…), sem direito a voto ou até mesmo uma voz mais ativa em diversas circunstâncias. E ela é a mais ousada de todas as filhas e quem tem uma visão mais adequada ao futuro, arriscando-se até a ser a primeira das três a usar calças em público em noite de jantar em família. Sybil tem a alma moderna, de uma jovem sonhadora que não se importa em lutar para alcançar aquilo que deseja para ela ou para os demais.

Ainda falando um pouco mais da família, temos uma outra personagem que não mora em Downton, mas que faz visitias constantes e sempre muito divertidas, que é a Condessa de Grantham, Violet Crawley, mãe do patriarca da família e avó de todas elas, que é deliciosamente interpretada pela excelente atriz Maggie Smith (I ♥ Professor Minerva). Sério, ela é impagável para a série. Impagável! Com uma inquietude no olhar e até nos trejeitos, sempre com aquele ar de nobreza que ela não perde por nada nesse mundo e sempre lutando para manter as tradições das coisas como ela acha que devem ser, a personagem é sempre um ganho em cena, mesmo quando intolerante e até mesmo com um olhar bem preconceituoso sobre as coisas. Mas ao contrário do que se possa imaginar, Violet apesar de ter fortes posições a respeito de tudo, as vezes bem equivocadas e questionar o tempo todo as mudanças da modernidade, a personagem se mantém bastante aberta a aceitar e entender que essas mudanças sejam inevitáveis em diversas áreas, dando um banho de jogo de cintura na terceira idade daquela família e mostrando que ela pode ser uma mulher muito mais moderna do que aparenta, desde que ela seja convencida do contrário.

E #TEMCOMONAOAMAR a reação da personagem com a novidade da energia elétrica, a qual ela acha um total desperdício e diz não estar acostumada ainda, ou quando ela experimenta pela primeira vez na sua vida a sensação de se sentar em um cadeira giratória? Fora a relação em conflito que ela mantém com a prima Isobel (Penelope Wilton), que chega trazendo o possível novo herdeiro de Downton, com a qual ela trava excelentes brigas de conhecimento, como quem é capaz de dar um diagnóstico mais preciso sobre um problema de saúde de um dos empregados, ou a batalha sobre quem manda mais no conselho do hospital local, ou até mesmo a disputa para ver quem é que tem o jardineiro capaz de criar a rosa mais bonita da região. Plots divertidíssimos que terminam com a resolução de “parte” da mágoa entre as duas no season finale, de onde eu espero que surja uma amizade em nome de um bem comum de interesse de todos, inclusive de todos nós.

E esse interesse todo fica por conta do personagem Mathew Crawley (Dan Stevens), ele que é o primo magia da família e que chega para assumir a sua parte na herança, uma vez que a família não tem nenhum filho homem. Ele que não é um nobre, mas aparentemente foi um homem muito bem educado, que recebe a proposta de ter uma grande mudança na sua vida do dia para a noite, que começa no momento em que ele aceita o convite para mudar-se para Downton. Mas Mathew tem outros interesses, ele trabalha nos dias de semana (o que eles consideram um absurdo e a Condessa chega a perguntar com um certo nível de espanto sobre o significado de “finais de semana”, rs) e que obviamente não é muito bem recebido por parte de Mary, que porque não é casada ainda, é para ele que ela vai perder a sua parte da herança.

A princípio ambos não se dão muito bem, mais por parte dela do que dele, que o considera um homem comum, impossível dela se interessar. Muito disso por conta de que existe um interesse no ar por conta de sua família, onde se ela acabar se casando com Mathew, seus problemas em relação a herança estariam todos resolvidos. Uma imposição que ela não aceita e ele até entende o porque, mas que ao mesmo tempo, começa a despertar um certo clima de romance no ar entre os dois, que é construído de uma forma linda e bem natural durante a temporada, onde acaba ficando mais do que evidente que eles foram feitos um para o outro. Mas é claro que nem tudo é tão simples assim e eles até ensaiam um começo para o final feliz dessa história, que acaba logo em seguida, com um outro momento bem importante da temporada que eu não preciso contar exatamente qual para não estragar a surpresa de quem ainda não assistiu Downton Abbey.

Mas posso falar? Estou completamente apaixonado pelo casal Mathew & Mary, que rapidamente conseguiu ganhar o status do meu novo “Ross & Rachel” de época antiga, rs. Aliás, eu acho a Mary lindíssima e super entendo a personagem (além de me indentificar e muito com ela), mas é humanamente impossível terminar pelo menos essa primeira temporada da série inglesa sem não estar pelo menos um pouquinho apaixonada pelo primo Mathew. Sério. Te amo Mathew! (rs – ♥)

Do lado dos serviçais da família Crawlie, também temos ótimas figuras que são divertidíssimas e muito bem exploradas, mesmo quando em papéis menores (que são menores não por serem serviçais, tipo a Lady Edith, por exemplo). Fato é que Dowton Abbey não é uma história apenas sobre uma família rica que tem vários empregados e sim uma grande história sobre todas as pessoas envolvidas nessa trama e suas relações, sejam elas nobres ou não. E tem de tudo naquele lugar, desde as empregadas mais especiais, que dedicam a sua vida ao trabalho e acabam abdicando do sonho de constituir uma família ou uma vida fora de Downton, como a adorável Anna (Joanne Froggatt) e a Mrs Hughes (Phyllis Logan), que são super queridas com todos eles, ou tipos mais voltados para o lado negro da força que quase não conseguem enganar ninguém, sempre muito ambiciosos e visando lucrar de alguma forma com a proximidade do seu trabalho com aquela família, como os odiosos Thomas (Rob James-Collier, que o que tem de maravileeeandro tem de megabitchness) e a Sarah O’Brien (Siobhan Finneran, feia, amarga e má, rs), que como vilões da trama as vezes parecem ser apenas pessoas amargas ou revoltadas com suas condições inferiores, mas que acabam nos revelando que são realmente pessoas de caráter bem duvidoso. (imperdoável o que a Sarah fez, mesmo se arrependendo logo em seguida…)

Mas é bem bacana ver a forma como aqueles empregados dedicam o seu tempo ao trabalho que parece nunca ter fim dentro daquele lugar gigantesco e cheio de normas e regras. Um trabalho que precisa ser impecável aos olhares dos chefes de todos eles, Mr Carson (Jim Carter, que quem diria que teria uma passado daqueles hein? rs) e da Mrs Hughes, que parece durona no comando da ala feminina, mas que é uma foufa e tem escondido no seu passado uma história linda de amor. Entre eles ainda temos o doce William (Thomas Howes), que mantém um amor platônico pela Daisy (Sophie McShera), ajudante apatralhada da excelente e estressada cozinheira Mrs Patmore (Lesley Nicol), que também passa por maus bocados durante essa temporada e que não mais do que justamente, é totalmente amparada pela família. Sem contar o motorista socialista, que já começou a dar indícios de uma paixão por Sybil, com quem divide alguns interesses em comum, assim como o misterioso Bates (Brendan Coyle), que chega como um velho conhecido do Robert, mas que ainda mantém alguns segredos que nos são revelados aos poucos durante a temporada.

E essa relação entre patrão e empregado em Downton Abbey é muito bem construída também, onde fica sempre bem claro a gratidão que aquela família tem com os seus empregados e vice versa, mesmo sem que isso fique muito evidente a todo momento. Alguns conseguem perceber isso de imediato e passam a ter uma relação linda com seus patrões, como é o caso da cumplicidade da Anna ou da Gwen com as filhas do casal, enquanto outros, preferem se distanciar dessa proximidade, sem deixar se envolver demais com a situação, a não ser para tirar algum proveito daquilo tudo, como o Thomas, que não mede esforços para sair da sua vida atual, roubando e tentando ganhar qualquer vantagem com o privilégio de informações que ele recebe em Downton, assim como a O’Brien, que se sente inferiorizada, pouco querida dentro daquele cenário e por isso resolve tomar atitudes de pura crueldade, quando em uma dessas situações (a mais cruel delas) a empregada recebe de troco um tapa na cara em formato de elogio à sua importância para aquela família, que ela não foi capaz de perceber antes e agora tem que conviver com esse grande remorso em sua vida cada vez mais amarga. (bi-a-tch)

O bom é que de tudo acontece em Downton, onde as correspondências correm solto com as fofocas mais sórdidas daquele lugar, isso até a chegada do telefone agora no season finale, que deve mudar um pouco a forma de se espalhar a informação aos quatro cantos da região. E temos tudo mesmo ali, fofoca, intriga em família, plots religiosos, políticos, romances lindos, aquela dinâmica de sempre entre empregado e patrão, amantes turcos morrendo do nada no meio da noite (sabemos que foi vc, Thomas) e empregados que se atracam com os pretendentes da filha do patrão (vimos que foi vc, Thomas). Sem contar o charme de um época que não vivemos, cheia de regras de comportamento e até mesmo de educação e respeito, coisas raríssimas de serem vistas hoje em dia.

Mas é bacana como toda a história da série na verdade é bem mais simples do que pode parecer e suas resoluções todas não poderiam ter sido melhores, pelo menos não nessa Season 1. Tudo é tratado de forma bem simples e acaba funcionando mesmo assim, o que eu não acho que seja apenas mérito do nosso interesse em um tempo que não vivemos e sim uma qualidade que se encontra naquele texto delicioso, que além de ser super bacana, é também super ágil e bem dinâmico, onde há espaço para todos se destacarem nessa que já se tornou a minha série novela do momento. E que atores sensacionais, não?

Ao final da Season 1, tivemos importantes resoluções para todos os personagens, onde nada que nos foi proposto ficou pendente, além de um plot bem triste para a família, o que acabou afetando inclusive a relação entre o casal Mathew e Mary (para meu desespero), que se não fosse pelas influências externas, já poderiam ter resolvido essa situação. No final, chegamos ao ano de 1914, dois anos após a data de início da série, onde terminamos a temporada com o anúncio da notícia da chegada da Primeira Guerra Mundial, com os ingleses se declarando em guerra contra a Alemanha em um momento que certamente deverá afetar os rumos da próxima temporada, que eu começo a assistir assim que terminar de escrever essa review, rs. E apesar de avançarmos dois anos a frente dessa história, a série inglesa tem apenas sete episódios em sua primeira temporada, onde parece até impossível eles terem conseguido desenvolver tantas histórias de forma tão completa em um espaço de tempo tão curto como esse. Mas acreditem, eles são ingleses, que não tem o costume de se atrasar ou nos enrolar com episódios medianos ou fillers e mesmo com uma temporada enxuta dessas, conseguem nos entregar essa delícia de série, que justifica toda e qualquer comoção em torno do seu nome.

E a minha maratona continua indeed, onde eu fico feliz de ter mais uma temporada já exibida para acompanhar nos próximos dias, em uma Season 2 com oito episódios + um especial de Natal e já estou super ansioso para o começo da Season 3, que estreia ainda nesse semestre do lado de lá. Lembrando que a sua primeira temporada começou a ser exibida em Maio por aqui, no canal Globosat HD (pertinho do meu niver, o que só pode ter sido um presente. Thnks Família Crawley, rs) e já foi anunciado que o DVD com a Season 1 será lançado no Brasil até o final de 2012, ou seja, mais um para a nossa coleção indeed. Mas o melhor de tudo isso é saber que Downton Abbey já tem os contratos de boa parte de seu elenco muito bem renovados e garantidos até uma Season 5, ou seja, por enquanto não precisamos nem nos preocupar com o fantasma do cancelamento. Howcool&britishisthat?

E se vc conseguir assistir a esse promo sem ficar arrepiado em partes do seu corpo que vc não havia descoberto ainda, considere-se uma pessoa desalmada indeed.

 

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