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Run you clever boy and remember – A segunda metade da Season 7 de Doctor Who e o começo de uma triste despedida…

Junho 1, 2013

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E depois de uma longa espera desde o especial de Natal de 2012 (esperar pelo que a gente realmente gosta, sempre deixa a sensação de que a espera foi muito maior, não?), finalmente continuamos a acompanhar Season 7 de Doctor Who, mas a sensação era a de que estávamos acompanhando uma nova temporada. Nova companion, nova TARDIS (pelo menos o seu interior), novo figurino (preferia o antigo…) e até uma nova abertura nós ganhamos para essa nova fase da temporada e com todas essas mudanças, não dava mesmo para sentir como se fosse a mesma coisa. Pelo menos não exatamente.

Talvez pelo sentimento de luto que ainda estava no ar pela despedida dos Ponds (glupt!), que marcou a primeira parte dessa Season 7 ou até mesmo pelo grande volume de novidades que acabamos encontrando nessa nova fase da série, essa sensação de estar acompanhando algo novo tenha sido intensificada, mas de qualquer forma, comparando suas duas metades, preciso admitir que eu ainda prefiro a primeira e não só pelo fator óbvio dela conter os últimos momentos da minha companion preferida de todos os tempos (na verdade, eu faria um time ruivo de companions, com Amy + Donna, que nós sabemos que seria uma afronta para o Doutor, que sempre sonhou ser ruivo, rs), mas também porque ela me pareceu melhor em todos os sentidos. Um pouco mais grandiosa (pensando em sua produção mesmo), com histórias mais interessantes e até mesmo divertidas, mesmo seguindo essa nova linha de Doctor Who com histórias mais “independentes”, muito mais bem cuidada também (alguns efeitos dos primeiros episódios dessa volta foram vergonhosos), isso sem contar o carisma dos personagens que a gente já conhecia de outras duas temporadas anteriores e que é sempre custoso de se desapegar.

Mas confesso que com a nova companion, Clara (Jenna-Louise Coleman), sendo um mistério desde a sua primeira aparição, ainda como a “souffle girl”, que foi como a conhecemos no excelente episódio que abriu a sétima temporada (7×01 Asylum Of The Daleks), realmente foi um recurso inteligente para fazer com que a gente se interessasse pela nova personagem logo de cara, ainda mais a encontrando pela primeira vez habitando um corpo odioso de um Dalek, que nos fez inclusive imaginar algumas teorias a seu respeito. Depois disso passamos um tempo sem vê-la, até que a reencontramos na Londres vitoriana no último Especial de Natal da série (7×06 The Snowmen, que contou como o sexto episódio da temporada), em um outro tempo, com outra função, algo que não só havia deixado todos nós bastante curiosos a seu respeito, assim como o Doutor, que mesmo sendo uma das mentes mais brilhantes do universo, não conseguia desvendar o segredo de Clara, para seu total desespero. Um recurso que parece ser uma das tendências do momento, a revelação de um grande mistério, onde várias séries da temporada tem apostado bastante nesse recurso até antigo da TV e do cinema e em alguns casos, bem preguiçosamente diga-se de passagem (porque algumas séries dependem apenas disso e é óbvio que a nossa curiosidade acaba nos prendendo a elas apenas por esse motivo também), mas não é o que encontramos no cenário de uma série como Doctor Who, que tem uma mitologia muito maior do que qualquer segredo misteriosamente misterioso do momento.

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No início dessa segunda metade da Season 7 da série inglesa prestes a se tornar uma cinquentona, depois de já termos nos despedido covardemente e aos prantos do Ponds (sim, eu sou passional mesmo) e já termos também esbarrado por pelo menos duas vezes com a Clara dentro do universo da série, voltamos a Londres dos dias atuais, onde o Doutor ainda precisava encontrar Clara e tentar descobrir o seu segredo. Doutor que para a nossa surpresa a princípio apareceu como um monge, com aquele senso de humor delicioso de sempre, mas que logo bateu a porta da Clara tentando descobrir mais sobre a garota impossível, em um novo primeiro encontro bem foufo. (apesar de que, vai ficar difícil para qualquer companion superar o primeiro encontro da Amy Pond com o Doutor. É, vai…)

Confesso que esse primeiro episódio não é dos meus preferidos (7×07 The Bells of St. John, não sei porque até agora a maioria dos sites numerou os episódios errados…), mesmo porque, um plot muito semelhante ao das pessoas sendo sugadas via Wi-Fi nós já vimos acontecer de forma parecida anteriormente na série, mas perdoamos, porque além desse ser o o nosso reencontro com o Doutor depois de uma longa espera, principalmente agora que a BBC resolveu manter uma agenda mais “americanizada” e não mais tão rigorosamente pontual como a inglesa (para nosso desespero), ainda contávamos com toda a curiosidade de finalmente descobrir quem seria a Clara. E esse acabou sendo o plot central de toda essa nova fase da temporada, com o segredo sobre a garota impossível sendo mantido até o final, algo que mesmo prometendo uma sequência de episódios mais soltos e com pouca ou nenhuma ligação entre si (os tais episódios mais independentes), mais ou menos como acontecia no começo da nova série (na Season 1 de 2005 por exemplo), acabou se tornando o nosso ponto em comum ao longo da temporada e me agrada muito perceber que apesar dessa vontade de tentar “algo novo” (de novo) na série, eles tenham mantido esse detalhe da continuidade, como se a gente tivesse pelo menos a sensação de saber para qual direção a temporada estava nos apontando naquele momento.

Um recurso que apesar de ter funcionado bem, mantendo pelo menos essa constante dentro da nova proposta da série, também poderia ter sido melhor aproveitado, uma vez que até a resolução final, poucas pistas nós recebemos em relação a identidade da Clara e isso eles poderiam ter resolvido de um outro jeito. Mas de qualquer forma é preciso reconhecer que a atriz Jenna-Louise Coleman se saiu muito bem na tarefa de substituir uma das companions mais queridas pelos fás da série (da qual a gente gostava até do seu companion na vida, Rory), enfrentando uma tarefa que não seria nada fácil, mas que com o seu carisma e perfil do personagem (que tem aquele lado mais “petulante” e “insolente” que a própria Amy tinha, não vamos negar), ela conseguiu até que se sair muito bem. Gosto também de sentir que eles não optaram por fazer o Doutor rejeitá-la, como vimos acontecer tão injustamente com a Freema Agyeman no passado – que se encontrou em The Carrie Diaries. You go girl! -, quando sua personagem veio a substituir a Rose, a primeira companion da série de 2005. Tudo bem que nesse caso temos uma série de outros fatores a se levar em consideração, como os sentimentos do Doutor em relação a Rose, mas essa abordagem nunca me pareceu justa com a personagem de Agyeman, que nesse quesito acabou sim sendo bem prejudicada. (mas acho a sua resolução enquanto companion e mulher simplesmente excelente!)

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Nessa segunda metade da temporada, já vimos que o Doutor ficou bastante recluso depois das despedida dos Ponds, que foi o que acompanhamos durante o especial de Natal da série, com o personagem se isolando entre as nuvens e de vez em quando até o pegamos usando os óculos de leitura que a própria Amy sempre usava, como um sinal claro da saudade que ele deve certamente sentir falta da personagem, mas ainda assim, ele recebeu a Clara muito bem em sua TARDIS (sem ficar mencionando o passado com o 10th fazia constantemente, tisc tisc…), com o convite irrecusável de sempre de viajar entre o tempo e espaço, que obviamente ninguém recusaria. (eu espero até hoje uma caixa azul surgir no meu jardim. Se eu tivesse um jardim, é claro, rs. Tenho vasos com plantas, serve? Sinta-se livre para destruí-los quando quiser, Doutor. Tudo em nome de um convite, claro)

Seguimos a temporada explorando o universo, chegando a um lugar onde se acreditava que ele tivesse sido criado, em mais um daqueles episódios da série onde nos deparamos com diversas criaturas bisonhas que nós amamos. Esse que também não foi dos meus episódios preferidos da temporada (7×08 The Rings of Akhaten), que além do plot da menina rainha e aquele coral, na verdade valeu mais por uma espécie de fábula que encontramos no início do mesmo episódio, com a Clara nos contando como foi que seus pais se conheceram no passado, tudo por uma simples coincidência envolvendo uma folha vagando no ar, que foi uma momento bem bacana para a série, do tipo que tricota sozinho um cachecol e luvas para o próprio coração.

Na sequência seguimos para um submarino soviético (será que eles reaproveitaram os cenários de Last Resort? rs), com Doctor Who trazendo a tona um plot também bastante recorrente do momento (7×09 Cold War), com a guerra fria (que andamos acompanhando lindamente em The Americans) também aparecendo na série inglesa, aproveitando para fazer aquela “mea culpa” americana que estamos encontrando com frequência no momento. Episódio esse que ainda nos trouxe um outro bom momento, com um de seus personagens arriscando uma das letras do Duran Duran. (ele que só eu acho que ficou bem interessado no Doutor? rs)

E a Season 7 só começou a ficar mais animada mesmo quando o assunto foram os fantasmas, em um plot meio “Ghostbusters”, quando o Doutor ao lado da sua nova companion encararam uma aventura atrás de um fantasma preso em um universo de bolso (7×10 Hide). Nessa hora, não teve como não lembrar da saudosa Fringe e o Walter seguindo para a sua verão do universo de bolso, com o Doutor inclusive usando as cores azul e vermelho para ilustrar o seu plano de ação. OK, tá certo que tudo pode ter sido uma grande coincidência (já mencionei algumas outras entre as duas séries por aqui, mas até então, sempre seguindo o caminho contrário, tendo qualquer uma delas primeiro aparecido em Doctor Who e depois em Fringe), mas não há como não suspeitar que talvez tudo não tenha passado de uma referência a série americana, uma vez que a BBC agora parece estar se empenhando um pouco mais nessa conquista da America antiga. Episódio esse que nos trouxe um elemento a mais, com Doctor Who se arriscando muito bem dentro de um território mais pertencente ao terror do que a própria fantasia (apesar de ter continuado fantasioso como sempre), nos entregando um Doutor correndo sem rumo em uma floresta para deixar os cabelos de qual um em pé.

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Exceto por esse último episódio mais assombroso da série, essa foi realmente a parte mais morna dessa segunda metade da temporada, que a essa altura já estava precisando desesperadamente de mais animação. Que foi quando ganhamos o meu episódio dos sonhos (algumas pessoas até lembraram dos meus comentários por aqui sobre esse sonho e chegaram a me avisar sobre a sua realização. Thnks!), do qual eu já havia falado em um dos meus outros textos sobre a série desse ser um dos meus maiores sonhos dentro da mitologia de Doctor Who, que foi quando ganhamos uma deliciosa excursão por dentro da TARDIS (7×11 Journey to the Centre of the TARDIS), que foi exatamente quando a série voltou a me ganhar novamente durante essa Season 7. E é claro que eu acho que esse episódio foi feito para mim (se até Fringe fez um episódio para mim em sua reta final… #Guilt), por isso desde já agradeço Moffat pelo feito! (rs, só falta aquele convite que não chega nunca. Topo companion, novo Doutor e ou figuração. Topo até ficar bem ruivo para o 12th, daqui alguns bons anos, claro, porque quero o Matt Smith exatamente onde ele está ainda por muitos anos. #AMEM – sim, esse texto foi escrito antes de qualquer notícia, por isso resolvi deixá-lo dessa forma)

Um episódio delicioso, onde embarcamos em uma mini excursão por dentro da TARDIS, onde devido a sua grandiosidade (além de outras coisas importantes que aprendemos sobre a sua mitologia nesse episódio) não seria possível que fosse mais completo. E ter a Clara explorando aqueles inúmeros corredores foi ótimo, assim como foi bem especial vê-la encontrando o berço do Doutor (que já vimos anteriormente ele presentear a Amy como o berço oficial da sua filha, Melody Pond AKA River) até que passamos pela piscina gigantesca e chegamos até a biblioteca. Mas espera aê, não tinha uma piscina dentro da biblioteca? Sim, claro que eu reparei nesse detalhe e fiquei esperando ansiosamente por esse momento, que não aconteceu (humpf!). Procurando a respeito por aí, encontrei uma teoria de que apesar deles terem dito isso na série, dizem que na verdade a intenção foi dizer que a piscina foi parar na biblioteca apenas por conta da queda da TARDIS  (sei… mas OK, pode ter sido tudo uma questão simples de interpretação mesmo), algo que eu não cheguei a imaginar na época e já tinha inclusive comprado o conceito de decoração, rs . Detalhes a parte, o importante mesmo é que durante esse episódio fomos presenteados com uma das bibliotecas mais lindas do universo, um verdadeiro sonho. Sério! Além do excelente tour pelo interior da TARDIS, o episódio também nos trouxe de volta a discussão a respeito da Clara, do porque que a própria “máquina do tempo” a rejeitava e um Doutor enfurecido, quase perdendo a paciência apenas por não conseguir desvendar o segredo da garota impossível, que mais um vez, foi a responsável pelo resgate do plot dramático da vez e talvez essa tenha sido uma das pistas a respeito da sua história.

A partir desse momento, ganhamos uma leva de excelentes episódios novamente e já era de se esperar, uma vez que até essa altura da temporada após o retorno, tudo estava bem morno mesmo. Dando continuidade a temporada, visitamos Yorkshire em 1893 e nos deparamos com a pavorosa cidade de Sweetville (7×12 The Crimson Horror), que por trás de toda a sua perfeição escondia um plot secreto de na verdade tentar descaradamente acabar com o imperfeito ao seu redor. Nesse episódio, encontramos um Doutor impossível e praticamente disfarçado de “Hellboy”, usando apenas seus trajes de baixo de inverno, vivendo como o monstrinho de estimação da herdeira do lugar. Acho que vale dizer também que o Matt Smith esteve em sua melhor forma ao longo dessa temporada (na verdade ele só vem crescendo dentro do papel, por isso seria uma pena ter que nos despedir tão cedo) e esse episódio foi um exemplo perfeito disso. Cheio de trejeitos e toda aquela loucura adorável, o 11th Doctor esteve impossível ao longo de toda essa temporada, nos conquistando cada vez mais com o seu enorme carisma e alma de criança, que é mais ou menos como eu o enxergo. Não sei porque, mas sempre achei o Doutor do Matt Smith o mais infantil de todos eles (contando os três últimos). E digo mais infantil no sentido de inocente mesmo  e todos os seus trejeitos, caras e bocas, sempre reforçaram essa minha impressão. Gosto da forma como ele fica extremamente excitado de vez em quando (ele baixando a sonic screwdriver durante um desses episódios foi ótimo, rs) e ao mesmo tempo consegue ficar extremamente tímido quando o assunto são os seus sentimentos, como quando a Clara o provoca dizendo que ele parece ser do tipo que só namoraria alguém que a mãe (referindo-se a TARDIS) aprovasse. Sério, #TEMCOMONAOAMAR?

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Como os vilões conhecidos sempre precisam retornar a série e pelo fato dos Daleks estarem de folga da sua eterna briga com o Doutor (por conta da Clara, inclusive), dessa vez nos deparamos com os Cybermens reaparecendo em um cenário que parecia ser um grande parque de diversões (7×13 Nightmare in Silver), para onde o Doutor acabou levando as crianças que a Clara tomava conta na Londres atual. Apesar do episódio ter sido muito bem feito, ele não chegou a empolgar muito, talvez pelo fato do episódio anterior ter terminado com o cliffhanger das crianças descobrindo a relação da Clara com o Doutor e na sequência isso sequer ter aparecido de forma mais adequada. Tudo bem que tratavam-se de crianças, que dentro de uma máquina do tempo e se deparando com todas aquelas possibilidades, a última coisa que elas iriam questionar naquele momento seria qualquer coisa em relação a isso, mas ainda assim, crianças são sempre tão curiosas e ter deixado esse detalhe passar sem uma explicação mínima pelo menos, foi meio preguiçoso vai? Enfim…

Até que chegamos ao episódio que encerraria a Season 7, ele que já nos trazia a maior mitologia da série em seu próprio título, anunciado como “The Name Of The Doctor” (7×14). Detalhe que no episódio onde conhecemos um pouco mais o interior da TARDIS, vimos que a Clara acabou descobrindo em um de seus livros qual seria o verdadeiro nome do Doutor, algo que desconfiamos que até poderia ter alguma relação com o plot da vez. Mas não, o episódio prometia nos trazer sim, o nome do Doutor, seu maior segredo desde sempre, revelado de uma outra forma e para isso, seria necessário uma visita até Trenzalore, que foi quando descobrimos que se tratava do lugar onde ele foi enterrado após a sua morte e como ele mesmo chegou a mencionar ao longo do episódio, um homem nunca deveria visitar o próprio túmulo. (glupt!)

Um episódio que apesar de contar com algumas falhas em relação principalmente a sua resolução (algumas fáceis demais, quase que muito convenientes para a história) e isso nós precisamos lembrar antes de dizer que foi tudo maravilhoso, foi mais do que um episódio de encerramento da temporada e acabou chegando como uma espécie primeiro presente para todos os fãs da série em comemoração aos 50 anos de Doctor Who de logo mais. Nele, além do título que já aguaçava a curiosidade de todos os seu fãs, havia também uma promessa que se anunciava desde o seu começo de que finalmente iriamos descobrir quem ou o que de fato era a Clara, algo que ainda ecoava na nossa imaginação, mas que até então não havia encontrado nenhuma explicação.

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E já começamos o episódio com a Clara circulando entre os outros doutores (sim, os clássicos! E não me perguntem como isso foi feito porque eu me recuso a criticar os efeitos especiais nesse momento) e descobrimos que ela na verdade esteve presente na vida de cada um deles, sempre tentando despertar a sua atenção, mas que o 11th foi um dos únicos que a conseguiu ouvir. Mas como isso? Bem, para ajudar a contar essa história, contamos também com outros personagens recorrentes dessa nova fase da série, que na verdade foram aqueles que deram asilo para o Doutor durante o seu período nebuloso pós Ponds, Strax, Madame Vastra e sua amada Jenny Flint (AMO o Strax muito provavelmente confuso com a relação das duas, chamando a Jenny de menino o tempo todo, rs), que ganharam também o reforço de ninguém menos do que ela, River Song, a esposa do Doutor, que finalmente voltava para a série. (só fiquei com muita pena que ela e o Doutor nem tiveram um momento daqueles para lembrar da família antiga, humpf! Mas de qualquer forma, fomos compensados…)

Assim embarcamos até o túmulo do Doutor, que não poderia ser outro a não ser a própria TARDIS, só que em uma versão gigantesca, o maior dos monumentos daquele cemitério. Em meio a um plano do vilão da vez, o Dr Simeon (o mesmo do episódio de Natal, quando reencontramos a Clara), fomos atraídos para dentro do túmulo do próprio, com a River interagindo apenas com a Clara e os demais personagens, por se tratar daquela River da qual nós conhecemos o seu destino ainda no episódio da biblioteca, ainda com o 10th Doctor do David Tennant. Nessa hora, quando estávamos prestes a descobrir o nome do Doutor (que na verdade todo mundo já desconfiava que seria algo que não aconteceria por motivos óbvios), ganhamos aquele tal recurso fácil que eu mencionei anteriormente, com a River sussurrando o seu nome para que o túmulo pudesse se abrir e a gente não precisasse ficar sabendo o seu maior segredo (sendo que nem vimos esse momento, por isso a preguiça maior…), que a essa altura, apenas ela e a Clara dizem saber. Aliás, o encontro entre as duas personagens foi ótimo nesse episódio e acabou nos rendendo alguns diálogos deliciosos de puro ciúmes que sempre acontecem quando as mulheres do Doutor se encontram.

Em seu túmulo encontramos uma “cicatriz” em forma de DNA (e não um corpo, esqueleto ou cinzas, rs), com um luz forte que na verdade reunia toda a sua timeline, que para um Time Lord, a gente não consegue sequer imaginar a sua proporção e foi bem bonita a forma com que eles através do próprio Doutor, nos introduziram àquele conceito. Claro que eu não vou ficar aqui agora explicando todas as resoluções do episódio, mas foi no momento em que a Clara se deparou com o Doutor sofrendo com o paradoxo da sua vida diante dos seus olhos e dois corações, que descobrimos quem era a garota impossível, que para salvá-lo daquela situação, precisou se jogar na tal “cicatriz” dele através do universo (que nós sabemos que é um herói que carrega uma série de culpas, por isso a “cicatriz”), que foi a forma como ela acabou sendo dividida em diversas versões, se tornando um eco na vida do Doutor e por isso ele a encontrava em diversos momentos como presenciamos ao longo da temporada, com ela tendo sempre a missão de tentar salvá-lo de alguma coisa, algumas vezes perdendo até a própria vida.

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E por esse motivo vimos Clara circulando nos cenários antigos da série, em meio aos demais Doutores, porque na verdade, ela sempre esteve ali (algo que foi bem bacana, apesar dos efeitos e de ser quase a mesma desculpa para a presença da River ainda na série. E sim, eu disse “quase”, que fique bem claro) e com o detalhe de que quando o Doutor roubou a sua TARDIS, Clara foi inclusive a responsável pela sua escolha por essa TARDIS, que viria a se tornar sua maior companheira ao longo da vida. Uma resolução super foufa e surpreendente até, apesar de qualquer semelhança com a história da River ou qualquer falha que o episódio tenha nos apresentado.

Aliás, antes da descoberta da identidade da Clara, tivemos um outro momento extremamente emocionante para a série, com o Doutor finalmente enxergando a River durante o episódio (que estava em um outro plano e não podia ser vista), dizendo que na verdade ele sempre a viu e ouviu depois dos acontecimentos todos entre eles, mas nunca teve coragem de admitir ou responder por medo do quanto poderia doer esse reencontro. Sério, apesar do beijo (é gente, teve um beijo), tenho que confessar que a essa altura do episódio eu já estava completamente entregue as lágrimas, achando tudo absolutamente foufo e carinhoso com todos os personagens. River que se despediu lembrando que ela estava “conectada” a Clara, anunciando mais um dos seus famosos “spoilers!” que na verdade não foi nada mais do que uma porta aberta que eles aproveitaram para deixar para o personagem retornar algum dia a série.

Com tudo resolvido e mantendo o mistério sobre o seu nome, restava ao Doutor a missão de resgatar Clara, que depois de ter invadido sua timeline, acabou presa dentro do fluxo temporal dele, em meio a silhuetas de todos os doutores correndo de uma lado para outro, até que o seu Doutor a encontrasse (e o recurso da folha nesse momento também não poderia ter sido mais delicado ou especial), para tirá-la de lá. Nesse momento, uma outra silhueta aparecia ao fundo, com um homem de costas, pelo qual Clara ficou interessada por não reconhecer, uma ver que descobrimos que ela conheceu todos os 11 Doutores até agora, que foi quando o Doutor apavorado e confuso, disse que aquele foi quem o traiu (?), que foi quem quebrou a promessa em relação ao nome que todos eles resolveram usar (??), completando dizendo que aquele era o seu segredo (???) e quando achamos que o episódio se encerraria por aí, o tal homem misterioso ganhou voz, dizendo que não teve escolha e aos poucos foi virando para a câmera sendo, onde nos deparamos com o ator John Hurt (antes disso eu só conseguia pensar no Leonard Nimoy ou no Ian McKellen), sendo anunciado como The Doctor. BOOM! (créditos finais)

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Sério, naquele momento eu quase tive um ataque cardíaco, pesando qualquer coisa a respeito. Na verdade eu entrei em um surto semi psicótico, onde não conseguia chegar a nenhuma conclusão em relação ao plot da vez e sobre qual seria esse segredo. Que é algo que eles prometeram revelar ao final do episódio, no especial de 50 anos de Doctor Who, no dia 23/11, que a gente já sabe que é quando temos um compromisso certo no tempo e espaço, ou talvez seja o momento ideal para sumir do próprio tempo e espaço, isso para quem quiser evitar algum spoiler antes de assisti-lo, a respeito das surpresas que o mesmo deverá nos trazer. (além da presença da Billie Piper e do David Tennant, que já foram anunciados faz tempo como presenças garantidas no especial que marca o encontro entre os dois Doutores)

E da melhor forma possível (entendam que isso foi escrito antes do que vem no parágrafo abaix0), nos despedimos da Season 7 de Doctor Who, que pensando na temporada como um todo, chegou a ser bastante completa, apesar de demonstrar certa fraqueza em alguns momentos, como eu disse anteriormente me referindo principalmente aos primeiros episódios dessa segunda fase, mas que ao mesmo tempo talvez seja a temporada que mais tenha nos despertado a curiosidade, além de ter nos entregue emoções bem variadas, com a despedida dos Ponds, as novidades com a chegada da Clara, todo o mistério sobre a sua identidade e esse final de temporada que não poderia ter sido mais especial ou enigmático, elevando ao máximo as expectativas para a grande comemoração do dia 23 de novembro, com o especial de 50 anos da série.

Para o final, ficam as informações mais tristes em relação ao futuro da série (respira fundo, Essy). Essa semana, a BBC anunciou a renovação nada surpreendente de Doctor Who para a sua Season 8 em 2014, sendo que eles ainda haviam deixado em aberto as suspeitas sobre a permanência do ator Matt Smith como o nosso adorkable e queridíssimo 11th Doctor. Uma permanência que inclusive por aqui vocês chegaram a me ver comentando por diversas vezes a respeito das minhas suspeitas de que o especial de Natal de 2013 talvez pudesse ser mesmo a despedida do ator Matt Smith a frente do personagem, algo que foi confirmado quase agora (glupt), enquanto eu ainda estava editando esse post antes de sua publicação aqui no Guilt (confirmou!), com a declaração oficial de que o Matt Smith realmente deixará a série após o especial de Natal desse ano, que vai contar com a sua regeneração para 12th Doutor, que por enquanto ainda permanece em segredo em relação a sua identidade.

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Uma notícia que não poderia ser mais triste para os fãs do ator e do 11th Doctor (que todo mundo sabe que é o meu Doutor e eu venho me preparando para essa momento desde o nosso primeiro encontro, lá no jardim da Amy Pond e confesso que foi bem sofrido ler a notícia nesse momento) mas que ao mesmo tempo chegou com essa declaração linda do ator, que está disponível no site oficial da série na BBC, para quem quiser conferir todas as informações com mais detalhes:

 

Doctor Who has been the most brilliant experience for me as an actor and a bloke, and that largely is down to the cast, crew and fans of the show. I’m incredibly grateful to all the cast and crew who work tirelessly every day, to realise all the elements of the show and deliver Doctor Who to the audience. Many of them have become good friends and I’m incredibly proud of what we have achieved over the last four years.

Having Steven Moffat as show runner write such varied, funny, mind bending and brilliant scripts has been one of the greatest and most rewarding challenges of my career. It’s been a privilege and a treat to work with Steven, he’s a good friend and will continue to shape a brilliant world for the Doctor.

The fans of Doctor Who around the world are unlike any other; they dress up, shout louder, know more about the history of the show (and speculate more about the future of the show) in a way that I’ve never seen before, your dedication is truly remarkable. Thank you so very much for supporting my incarnation of the Time Lord, number Eleven, who I might add is not done yet, I’m back for the 50th anniversary and the Christmas special!

It’s been an honour to play this part, to follow the legacy of brilliant actors, and helm the TARDIS for a spell with ‘the ginger, the nose and the impossible one’. But when ya gotta go, ya gotta go and Trenzalore calls. Thank you guys. Matt.”

 

E assim, agora mais tristes do que nunca, começamos oficialmente a nos preparar a grande despedida, contando com apenas mais 2 episódios na companhia do nosso 11th Doctor, com o especial de 50 anos da série e o especial de Natal desse ano (ambos episódios que mereciam um Confidential, não?), para os quais certamente eu já vou começar a estocar caixinhas e mais caixinhas de Kleeex, porque não vai ser fácil essa nova experiência de ter que me despedir do meu Doutor. (tears)

Aproveitando algo que eu li nessa mesma declaração a respeito da notícia, pedindo licença e utilizando uma line escrita sabiamente pelo próprio Moffat em seu texto sobre o assunto, eu não consigo pensar em um forma mais foufa de começar essa despedida do Matt Smith como o 11th, pelo menos por enquanto, a não ser repetindo as seguintes palavras:

 

Steven Moffat –  Thank you Matt – bow ties were never cooler.

 

Realmente as bow ties nunca foram tão sensacionais e muito provavelmente serão inesquecíveis para todos nós!  (tears = ♥ + ♥)

ps: para quem se animar para uma maratona  de Doctor Who, se interessar mais pela série ou quiser relembrar alguma coisa, temos posts bem especiais para cada uma das demais temporadas também: Season 1, Season 2, Season 3, Season 4, Season 5  Season 6 e a primeira parte da Season 7.

♥ Já está seguindo a magia do Guilt no Twitter? Ainda não? @themodernguilt

The Carrie Diaries – Quem diria que esse reencontro poderia ser tão adorável?

Abril 25, 2013

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A notícia de que ganharíamos uma nova oportunidade de reviver Sex And The City, mesmo que de uma outra forma, ao mesmo tempo em que parecia um sonho, poderia facilmente também se transformar em um pesadelo e digamos até que tinha tudo para isso. E um pesadelo que a gente não gostaria de ver uma personagem tão querida como a Carrie Bradshaw ter que enfrentar. Mas para nossa surpresa, o piloto da CW já empolgou, entregando com dignidade e certo entusiamo, parte da história que a gente pouco ou nada conhecia da personagem.

E quem diria que encontrar com a Carrie nos 80’s ainda sem estar propriamente vivendo em NY, tendo que encarar os dramas típicos da adolescência, poderia também ser tão bacana como foi Sex And The City? OK, dizer que The Carrie Diaries é tão boa quanto foi SATC realmente pode ser um exagero (com toda razão), mas a série teen da CW conseguiu resgatar muito do fundamento e do espírito da série, que sempre foram as suas maiores armas e isso sem criar grandes mágoas ou fazer muitas ofensas aos fãs mais xiitas da série antiga. OK de novo, porque algumas questões em relação as comparações entre as duas séries ainda precisam ser levantadas e questionadas, claro, mas chegaremos lá depois.

E em The Carrie Diaries, tivemos a prova de que Carrie (a surpreendente AnnaSophia Robb) sempre foi adorável e isso desde os seus primórdios, com ela ainda vivendo no subúrbio com o pai e a irmã, uma família que ainda estava aprendendo a lidar com a perda da mãe, que havia morrido recentemente. Perda que inclusive foi o ponto de partida para essa história, que já começou nos mostrando as dificuldades e obstáculos que todos os envolvidos precisavam aprender a superar a partir desse plot que nunca é fácil para ninguém, ainda mais tratando-se de alguém naquela idade. E a nova Carrie é realmente ótima, do tipo que fica difícil não amar logo de cara e muito disso, além da empatia emprestada da personagem que já conhecemos do futuro, se deu também por conta do talento e do próprio carisma da atriz AnnaSophia Robb, que com toda a sua doçura e a direção certa (muito importante para esse tipo de “herança”), conseguiu nos fazer aceitar facilmente essa outra fase da vida da personagem. Sem contar o quanto deve ter sido difícil para ela ter conseguido acertar o tom da personagem antes de trazê-la de volta a vida usando os seus Manolos.

Em casa, Carrie vive uma relação responsável e saudável com pai e irmã, assumindo algumas responsabilidades que ela acaba achando que agora precisavam ser delas, uma vez que sua mãe não estava mais por perto e o pai não tinha a menor experiência em como lidar com esse universo mais “feminino”. Além dele, a irma caçula Dorrit (Stefania Owen) também faz parte desse cenário, uma jovem rebelde bem diferente da Carrie, tanto em sua personalidade, bem mais profunda e de poucos sorrisos, até todo o seu fundamento na hora de se vestir, sem contar o seu excelente gosto musical entregue pelos posters do Joy Division, The Cure e The Smiths colados nas paredes do seu quarto. Para o seu pai, Tom (Matt Letscher), além da tarefa de tentar entender e estreitar a relação com suas filhas, que agora só dependem dele, sobram também alguns plots mais adultos, com ele aprendendo a retomar a sua vida amorosa depois de viúvo ou tendo que enfrentar algum tabus da época como mulheres divorciadas e coisas do tipo, inclusive sexuais.

THE CARRIE DIARIES

Apesar das diferenças, as irmãs vivem uma relação até que próxima, mesmo não sendo melhores amigas e o mesmo pode ser dizer do seu pai, que também parece ter entendido a necessidade de se aproximar mais das meninas após a morte de sua mulher. E mesmo encontrando nessa situação uma relação com uma dinâmica adorável, fica bem difícil comprar a ideia de que esse foi o passado da Carrie que já conhecemos com a sua família antes de Sex And The City, já que na série antiga isso nunca tenha aparecido. Poucas vezes Carrie citou sua vida antes da sua chegada definitiva a NY, principalmente as questões familiares (não sei porque mas acho que me lembro dela ter mencionado uma relação meio assim com o pai e já ter falado qualquer coisa sobre a perda da mãe, mas tudo bem superficialmente e sem destaque algum) e por esse motivo, fica difícil acreditar que o seu passado tenha sido tão feliz e cheio de relações próximas com a sua família, sendo que no futuro, essas memórias nunca tenham aparecido. De qualquer forma, mesmo não sendo exatamente fiel a história que já conhecemos, The Carrie Diaries faz valer a pena perdoarmos esse detalhe de tão gostosinha que ela consegue ser por diversos outros motivos que ainda vão aparecer nessa review, mesmo que o seu coração de amante de SATC antigo o faça torcer para que em algum momento essa paz no ambiente familiar seja interrompida.

Com os amigos, a relação de Carrie é exatamente a mesma que conhecemos do seu futuro. Cercada de amigos do colégio, Carrie mesmo longe de ser a mais popular ou descolada da turma, sempre manteve bons amigos por perto para dividir as experiências dessa fase da sua vida. Entre eles temos Mouse (Ellen Wong), a nerd e obviamente mais certinha da turma, apesar de ter sido quem mais se desenvolveu de uma forma bacana sexualmente falando, como uma espécie de Miranda ainda em fase de desenvolvimento, que embora até pareça bacana no começo, acabou ganhando um destaque maior do que deveria durante essa Season 1. Sério que além do namoradinho totalmente Seth Cohen dela que já fazia até faculdade, alguém conseguiu se importar com os demais plots da personagem? Enquanto ela ainda tinha dúvidas de meninas em relação ao futuro da sua relação e ou sobre o quanto ela conseguiria se aperfeiçoar nos finalmente, até foi possível se divertir com a personagem, mas depois que ela assumiu o estereotipo da asiática controlada pelos pais e obcecada com o seu futuro, tudo acabou ficando bem meio assim e por isso talvez fosse mais bacana ter menos “Mouse” daqui para frente. Ou menos dessa Mouse que ela foi na segunda metade da temporada.

Sua outra fiel amiga dessa época é Maggie (Katie Findlay, a Rosie Larsen de The Killing), ela que meio que é uma tentativa de Samantha não muito bem sucedida em termos de condição. OK, me desculpem, mas eu acho impossível não fazer esse tipo de comparação entre os personagens e para falar a verdade acho até que justo já que estamos retratando aquela Carrie que nós amamos e é impossível não lembrar de suas companheiras tão amadas quanto, portanto, lidem com isso. Maggie que a princípio parece ser aquela garota durona, a mais atirada da turma, que embora mantenha um namoro com o outro personagem que completa o quarteto da vez, mantém também um caso com um dos funcionários do seu pai. A principio, ela foi a percursora dentro da nova série no quesito das conversas francas sobre sexo, detalhe que sempre foi um dos maiores atrativos da série antiga, algo que até chegou a empolgar bastante no começo, mas que acabou desaparecendo junto com a personagem na trama, que praticamente sumiu de repente e voltou no final de uma forma nada bacana e o pior de tudo, de forma nada justificável, apenas para criar aquele climão de cliffhanger.

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Completando a nova turma de amigos para os famosos brunches da sére old school, temos ele, Walt (Brendan Dooling), que desde o começo chamou a atenção pelo fato de ser um personagem gay ainda em fase de descoberta e aceitação. Ainda em fase de descobrimento da sua sexualidade, Walt teve uma das melhores e mais interessantes tramas além da personagem principal, com todo esse seu caminho conseguindo entender quem de fato ele era, lembrando que estamos falando da década de 80, que não era exatamente como hoje em dia. Mesmo sendo namorado da Maggie, desde sempre ficamos sabendo sobre a sua orientação, algo que eles fizeram questão de deixar bem claro assim como fizeram questão também de deixar claro que naquela época, sair do armário não era nada comum para um jovem ainda no colégio, aproveitando para estabelecer uma maior realidade em relação ao período em que essa história é contada.

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De suas visitas a NY acompanhado a Carrie em suas tarefas como estagiária da Interview (#TEMCOMONAOAMAR ambos vestidos de casal real para o Halloween?), Walt teve sua primeira experiência com meninos por meio do Bennet (Jake Robinson, Höy!), que também trabalha na Interview e é outro personagem adorável da série, mas essa experiência foi algo que Walt não conseguiu lidar muito bem a princípio. E foi bem bacana a série ter conseguido ilustrar esse conflito do personagem vivendo nos anos 80, onde tudo era bem diferente de hoje em dia e esse detalhe não poderia ser ignorado.  Bacana e honesto ao mesmo tempo, sem forçar a barra e sem deixar o caminho fácil demais para isso. Aquela cena em que ele esbarra com um casal gay sendo agredido na rua e acaba sentindo na pele aquela agressão a ponto de defender o casal, foi ótima e ilustra muito bem esse conflito, que diga-se de passagem, existe até hoje, 30 anos depois. E foi bem bacana mesmo a forma como essa sua história foi carregada, com ele tentando fugir da sua realidade e aceitando ter a primeira vez com a namorada, assim como ele se desculpando mais tarde com o Bennet por sua reação depois do beijo entre os dois e mais tarde se abrindo com a Carrie, ainda não totalmente, mas que todos nós sabemos que não poderia ser pessoa melhor para ajudá-lo nessa descoberta. Por isso, por Walt torcemos da mesma forma que torcemos por Carrie. Outro detalhe importante na sua história, foi a força que ele acabou recebendo até mesmo da personagem megabitch do colégio e “rival” das meninas, Donna LaDonna (Chloe Bridges, e #TEMCOMONAOAMAR o nome Donna LaDonna?), que se sensibilizou com o drama do Walt por ter um irmão gay do qual ela disse ser melhor amiga. (♥)

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Agora, a minha personagem preferida de toda a série talvez seja mesmo a Larissa (Freema Agyeman), que foi o bilhete dourado para a chegada da Carrie ao universo que ela sempre pertenceu em NY. Uma mulher super a frente do seu tempo, visionária, independente, com um figurino ridiculamente possível até mesmo hoje em dia e invejável além de altamente desejável (eu queria tudo, nem que fosse para ficar de acervo ou exposto na minha casa), Larissa rapidamente se tornou um dos melhores personagens de The Carrie Diaires, com seus discursos inspiradores sobre a liberdade, sobre a questão da busca da identidade de cada um e da importância do novo papel feminino na sociedade, e tudo isso sem deixar a série teen pesada demais ou chata. Ela que é uma espécie de mentora para a Carrie, não só dentro do mundo da moda como no universo o qual a personagem sonha em pertencer um dia (e como é bom saber que ela conseguiu, não?). Larissa tem as melhores lines da série e atualmente as mais fiéis ao texto antigo da série que tão bem conhecemos, libertário, direto, mesmo que de vez em quando ela só apareça em pequenas cameos para jogar na nossa cara o quanto o seu figurino é sensacional dentro da série. Alguns reclamam da sua afetação, mas acho que esses exageros são totalmente cabíveis para a personagem e a completam da melhor forma possível.

Sem contar que para quem é fã de Doctor Who (e esse é um parágrafo para eles, então se você não for um whovian, talvez possa pular para o próximo), mesmo que ambas as séries não tenham a menor ou qualquer relação e tão pouco seus personagens, como é bacana ver aquela companion que optou por ela mesmo ao invés do Doutor, ter se tornado essa mulher forte e independente como a Larissa não? Acho que a Freema Agyeman se encontrou nesse papel e por isso fico bem feliz por ela. Go Martha Jones! Go Martha Jones! E como é linda, não? (isso sem mencionar o sotaque)

Entre uma ou outra investida no campo dos boys magia, algo que nessa altura da sua vida não poderia ser tão diversificado assim (é, não poderia porque acabaria levando a personagem para caminhos que ela ainda não estava preparada para transitar), já que estamos falando de um adolescente de pouco mais de 16 anos vivendo nos 80’s e dentre eles, o que mais se destacou realmente foi o Sebastian Kydd (Austin Butler), que é o sonho de qualquer garota e também de alguns garotos do high school, inclusive de hoje (rs). Apesar do personagem ser um total clichê do bad boy magia da adolescência de todo mundo, ele não deixa de ser possível e a forma como ele trata e se relaciona com a própria Carrie dentro da série também não deixa de ser bacana e especial.

E em meio a esses personagens todos temos também ela, a cidade de NY que sempre foi muito mais do que apenas um plano de fundo para Sex And The City e que dessa vez contava com um charme a mais com todo o clima dos anos 80 e quando seus cenários mais históricos aparecem dentro da série nos proporcionando essa viagem no tempo, é aquela comoção, sempre. Aliás, toda a ambientação feita nos anos 80 é bem digna, não só pelo figurino, que é absurdamente bacana e lembra muito tudo o que conhecemos da série antiga (sério, que delícia de figurino e trabalho. Estão contratando?), mas também por todos os objetos de cena e caracterizações dos personagens. #TEMCOMONAOAMAR aquele telefone “celular” do amigo do pai da Carrie, ou os computadores old school da Interview já adesivados naquela época de forma tão bacana? Gosto que esses detalhes parecem que não passam desapercebidos na série e se vocês prestarem atenção, naquele episódio com o baile, é possível perceber que os personagens estavam inclusive investindo em coreôs antigas.

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Outro detalhe importante da série é a possibilidade de brincar com o passado da personagem, a fazendo transitar por lugares que não sabíamos que ela havia visitado antes e muito menos na companhia de figuras históricas da nossa cultura pop, como o Andy Warhol (e o plot de peruca dele foi ótimo) e até mesmo a Madonna (outro episódio ótimo e todo com a trilha da própria, impossível de não cantar junto). Sério, howcoolisthat? Uma brincadeira deliciosa que seria bem bacana a série insistir em manter daqui para frente. Outra arma da nova série é a sua soundtrack, que é sempre aquela viagem deliciosa ao passado. Dos clássicos antigos de todas as áreas, o bacana é que eles também fazem questão de incluir alguns covers mais atuais de músicas da década de 80, um carinho a mais que acaba deixando a série com um fundamento ainda mais bacana.

Mas nem NY dos anos 80, nem novos amigos ou um novo Mr Big se compara com o que acontece em The Carrie Diaries quando encontramos algumas referência à série antiga. Carrie escrevendo nos diários herdados da mãe, de frente a janela (♥) , o primeiro Cosmo (♥), Carrie na cozinha, se dando conta de que no futuro, talvez ela só use o seu forno para ter onde colocar mais sapatos ou roupas (♥), o primeiro Manolo (♥),  tudo é muito especial quando se trata dessas revisitas nesse caso vindas diretamente do futuro. Até a palavra “Fabulous” estampada no interior de um dos armários de uma delas na escola chega a ser bem bacana e esse fundamento eu espero que eles consigam manter dentro da série e porque não os transformar em algo verdadeiramente especial? Por exemplo, achei um desperdício Carrie tomar o seu primeiro Cosmo no mesmo episódio em que ela ganhou de presente o seu primeiro Manolo, momentos que poderiam ter acontecidos separadamente para serem melhor aproveitados, mas que de qualquer forma foram uma delícia de acompanhar.

Até aqui estava tudo funcionando bem dentro da série, até que chegamos ao episódio que encerrou porcamente essa primeira temporada de apenas 13 episódios, ainda sem a confirmação de uma renovação ou não. Porcamente porque tudo foi resolvido de qualquer maneira, na intenção de criar um cliffhanger totalmente dispensável, colocando a Maggie em uma posição que até então, embora a sua vida pessoal até denunciasse, ela não parecia disposta a ocupar, não do lado oposto à melhor amiga. E tudo bem que uma traição com uma de suas melhores amigas é sempre aquela barra possível para todo mundo, mas a maioria dessas relações nunca mais se recuperam e sinceramente, precisava disso só para deixar um clima de tensão no ar no final da temporada?

É, Sex And The City nunca precisou de algo do tipo para se sustentar, coisa que The Carrie Diaries, mesmo sendo novata e ainda ter muito o que aprender, também não precisava tão cedo. Mas talvez tenha sido por isso mesmo, um erro honesto de principiante. Ainda assim, esse clima não foi extremamente prejudicial para série, porque ao seu final encontramos Carrie e Walt se mudando para NY, pelo menos durante o verão, onde ambos provavelmente ainda tem muito o que explorar.

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Agora só nos resta saber se The Carrie Diaries vai conseguir continuar nos contando essa história, uma vez que até agora nada foi dito em relação a uma possível renovação. De qualquer forma, com uma série de cancelamentos já anunciados para outras novatas do CW, as chances ainda existem e estamos torcendo para isso usando os nossos Manolos imaginários e segurando os nosso Cosmos nas mãos. (esses mais possíveis de serem reais, rs)

Dessa forma, encerramos essa delicinha de Season 1 de The Carrie Diaries, que embora precise de alguns ajustes aqui e ali, conseguiu nos conquistar e nos provar que a little Carrie realmente tinha tudo para se tornar a mulher de hoje que conhecemos tão bem e admiramos faz tempo.

 

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The Carrie Diaries – a primeira excelente nova página de uma história que nós AMAMOS

Janeiro 30, 2013

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Todo mundo sabe que mexer com qualquer coisa antiga, que gostamos tanto e por tanto tempo, que teve um história bem bacana até então, além de sempre ser algo bastante perigoso, sempre acaba ganhando grandes chances de se tornar um verdadeiro fracasso.

Com isso em mente e os dois pés atrás, fui conferir tardiamente (porque já até saiu o terceiro episódio) o piloto de The Carrie Diaries, série ambientada nos anos 80, que nos traz um pouco dos dias antigos de uma das nossas personagens preferidas de todos os tempos: Carrie Bradshaw, da fabulosa Sex And The City.

E não é que com os meus dois pés atrás, eu acabei perdendo totalmente o equilíbrio e caí de cara no chão?

SIM, eles conseguiram e o piloto da série é realmente excelente, do começo ao fim. Tudo parece ter sido muito bem cuidado, do figurino a história, além de toda a mitologia emprestada da série antiga, que não é de hoje que somos apaixonados e que de forma surpreendente, acabou sendo respeitada de uma forma bem especial.

Bacana encontrar Carrie (AnnaSophia Robb, bem a vontade no papel, algo a se considerar devido ao seu “tamanho”, ainda mais para uma jovem atriz) ainda sonhando em ser aquela mulher que conhecemos bem, ainda adolescente, tendo que lidar tão cedo com um perda tão importante como a de sua mãe. Um luto que é praticamente o plot central desse primeiro episódio (ou o mais importante dele), focado na dinâmica daquela família ainda se adaptando a sua nova realidade, com um pai sem saber muito bem o que fazer com suas duas filhas adolescentes e uma irmã do tipo rebelde, que resolveu lidar com a perda da mãe de outra forma.

Mas não só desse luto sobrevive o piloto e ele ainda circula muito bem entre dois outros ambientes. O primeiro deles encontrado na escola, com aquele típico cenário de high school adolescente que nós tememos desde cedo (rs), com Carrie Bradshaw tentando continuar a sua vida sem virar o centro das atenções devido a morte da sua mãe e encontrando em seus amigos o conforto necessário para seguir em frente naquele momento. E é claro que Carrie já teria olhos para os meninos a essa altura e nesse caso, um bem específico do tipo bad boy magia especial da escola, com cara de galã inconsequente, que certamente ainda irá render algum aprendizado para que ela tenha o que escrever no seu diário no futuro. Ao que tudo indica, Sebastian Kydd (e #TEMCOMONAOAMAR esse nome) tem tudo para ser um laboratório importante nesse período da vida da personagem.

Conversas soltas sobre virgindade onde apesar da pouca idade das personagens, sua linguagem não pareceu ser muito polida quando comparada a utilizada na série antiga (além da diferença das décadas em que ambas são situadas), algo que eu considero importante na busca para manter uma identidade próxima da que já conhecemos e que foi tão importante para o seu tempo, também marcaram esse primeiro episódio, mostrando que o sexo já fazia parte da vida de Carrie desde sempre. OK, pelo menos alguma curiosidade sobre o assunto, pelo menos por enquanto, rs. A narrativa também marcou a sua presença e em alguns momentos, chega a parecer natural que essa nova Carrie é exatamente a nossa Carrie. (bem bacana que a atriz conseguiu encontrar um tom próprio que pelo menos lembre a personagem antiga)

E é claro que o outro cenário ficaria por conta dela, a velha e boa NY dos anos 80, com toda a caracterização necessária para que a gente de fato acreditasse que estávamos vivendo em uma outra época, pelo menos naquele período que tem tudo para se tornar um hábito semanal (isso e a vontade de se vestir daquela forma hoje em dia). Nele encontramos uma velha conhecida de todos nós, a Martha de Doctor Who (Freema Agyeman, que por toda a sua história dentro da série inglesa, apesar dela nunca ter pertencido exatamente àquele lugar, eu não consigo não gostar ou não acabar torcendo por ela. Não consigo!), dessa vez vivendo lindamente uma personagem de nome Larissa, que acaba adotando Carrie em seu primeiro dia de trabalho na cidade e que foi o seu ticket de entrada para o lado mais fundamento de NY. Tudo isso a preço da introdução de Carrie ao mundo do crime, apenas pela aventura. Mas tudo bem, ela foi apenas cúmplice, rs.

Falando em anos 80, a moda da série obviamente foi um atrativo a parte e não poderia ter sido diferente pensando em tudo que nós já conhecemos da sua mitologia antiga e tudo me pareceu como um presente no quesito referência, revisitas e até mesmo de uma moda possível para os dias de hoje, mesmo estando 30 anos atrás (em um tipo de escola bem Patricia Field, só que de um jeito bacana, quase como uma reverência e não cópia, sabe? Se bem que eu nem acho que nesse caso poderia ser diferente…). Realmente uma delícia e tenho certeza que algumas coisas vão acabar ganhando o status de hype e facilmente serão encontradas circulando pela cidade hoje em dia. Alguém duvida? (ela customizando sua bolsa me lembrou muito em mesmo quando adolly e todo mundo amava e queria as minhas mochilas fundamento. A última delas eu guardo com carinho até hoje em algum lugar do meu armário, rs)

O piloto ainda conta com uma trilha super bacana e bem nostálgica, apesar de a sensação ser a de que eles abusaram um pouco demais desse recurso, mas para um começo, podemos dizer que eles começaram com o pé direito, embora Carrie ainda não tenha condição de bancar seus próprios Manolos, mas ela já parece estar em um bom caminho. Ufa! Além disso, ele ainda nos apresentou plots bem bacanas para o que ainda veremos pela frente, não só com a personagem principal, mas também com os demais personagens que nos foram apresentados durante esse primeiro episódio. (estava jurando que o amigo gay seria o Stan e já aguardo esse encontro em NY. Será que ele pode acontecer?)

Mas é preciso dizer que o que realmente me chamou atenção no piloto foi um texto super bacana, honesto e na medida certa, fazendo uma ótima ligação entre a Carrie de hoje e de ontem, em termos de ritmo, linguagem e até mesmo do seu fundamento. Ainda mais considerando que essa é uma série adolescente, da CW, onde não estamos acostumados a ver séries do tipo com tamanha profundidade, que foi exatamente a impressão que nos pareceu ser a intenção de The Carrie Diaries daqui por diante. Além disso, toda e qualquer cena envolvendo um símbolo da série, como aquele final com ela começando a escrever seus próprios diários (que ela acabou herdando de forma super foufa e emocionante de um velho hábito de sua mãe) e ainda em busca da sua voz como escritora, foram todas bem especiais.

Apesar de ainda parecer cedo demais para se animar com a produção, não podemos negar que esse piloto acabou deixando uma vontade enorme de seguir em frente com a série e assim, acabar matando a saudade de uma forma diferente, de quem a gente gosta tanto.

Go Little Carrie! Go Little Carrie!

 

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The Carrie (a estranha) Diaries, o trailer

Outubro 31, 2012

Se a série conseguir seguir uma linha um pouco mais “Awkward” e  conseguir se distanciar do que a CW costuma fazer em todas as suas séries adolescentes pedantes, tem chance de dar certo viu?

80’s, uma personagem que todo mundo gosta ou pelo menos tem carinho por sua mitologia. Mas talvez o problema esteja nessa “nova mitologia” que eles prometem trazer com The Carrie Diaries, com pais que nunca conhecemos e uma parte da história que também não conhecemos e ainda não sabemos se conseguimos nos interessar tanto assim.

E simplesmente olhando para a protagonista ou o clima da série pelo trailer e tudo que nós já vimos a respeito, nada parece muito com o que conhecemos da Carrie menos antiga de Sex And The City e o problema está exatamente no fato das duas acabarem parecendo personagens completamente diferentes.

Mas veremos…

 

ps: Martha Jones (Freema Agyeman) está sensacional como Larissa. Apesar dela ter sido uma das companions menos querida por quase todo mundo em Doctor Who, torço por ela sabia? Só o fato dela ter escolhido a sua felicidade e não o Doutor, já prova que ela era sim uma garota interessante. Bem mais interessante do que a Rose, por exemplo…

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The 10th Doctor (parte 3 – final)

Junho 15, 2012

Finalmente chegamos a reta final dessa matatona de Doctor Who aqui no Guilt e como toda boa despedida, ela não poderia ter sido mais emocionada e tão pouco menos especial.

Uma temporada mais do que importante, onde tivemos a despedida do 10th Doctor, vivido adoravelmente pelo ator David Tennant, trazendo a segunda regeneração do personagem nessa nova fase de Doctor Who a partir do ano de 2005. Um momento doloroso para quem é fã da série, ainda mais contando nesse caso com uma trajetória muito maior do que a do Doutor anterior (9th Doctor), onde David Tennant acabou dando vida a esse personagem icônico por três temporadas, com três companions diferentes e o seu momento de despedida do personagem não poderia ter sido nem menos e nem mais especial.

Quem já assistiu a série deve saber bem do que eu estou falando, agora quem se sentir com vontade de encarar uma maratona na série inglesa a partir dessa minha maratona, eu vou logo avisando que é importante deixar reservado uma boa caixa de Klennex a disposição, porque será necessário, acreditem. Já adianto que fiquei profundamente emocionado com essa despedida, mas falaremos melhor dela mais tarde, é claro.

Começamos essa Season 4 com um especial sensacional de Natal (4×00 Voyage of the Damned), que nos trouxe uma versão do Titanic no espaço, invertendo um pouco o espaço físico dessa história, mas colocando o famoso navio também em apuros, prestes a afundar no céu e cair sobre o solo da Londres antiga, ou melhor, quase caindo no quintal da própria rainha. Nele, contamos ainda com a participação mais do que especial do ator Russell Tovey (♥), que enquanto personagem, serviu para realizar um sonho antigo do próprio Doutor que era o de ter um Alonso para ele enfim poder falar o seu clássico “Allons-y” para a pessoa certa. No mesmo episódio e fazendo companhia para o Doutor, tivemos ninguém mendo do que a Kylie Minogue, onde a sua personagem acabou sendo de grande importância para a história do especial, com ela arriscando a sua própria vida para que o Doutor pudesse evitar uma catástrofe maior. Cool! (mas poderia ter cantado… hein Kylie?)

Em seguida tivemos a chegada da companion da vez, uma velha conhecida de todos nós, a aguardadíssima: Donna Noble (Catherine Tate – ♥). Ela que já havia participado anteriormente também em um episódio de Natal da série e que dessa vez voltava para dividir a cena com o Doutor dentro de sua famosa TARDIS durante toda essa temporada. Desde que a Donna apareceu pela primeira vez naquele especial, foi notável a grande química que acabou acontecendo entre os dois, algo que ultrapassou o limite da preguiça de sempre de um tensão sexual óbvia e esteve mais para uma parceria no crime mesmo, inclusive sendo esse o nome do seu primeiro episódio como companion.

Donna além de mais madura, também tem aquele perfil meio loser e “diminuído”, com uma autoestima um tanto quanto abalada por conta de suas decepções com a vida. Mas ao mesmo tempo, ela tem um humor bastante especial e acaba usando esse detalhe a seu favor, onde ela acaba provocando muito mais o próprio Doutor, com quem a personagem divide momentos divertidíssimos. Acho ótimo quando em um episódio qualquer, alguém assume que eles são um casal e ela faz sempre questão de esclarecer que eles são apenas amigos. Donna inclusive me lembra muito da Amy Pond, não só pelo fundamento do ruivismo, mas pela postura das duas diante as situações inusitadas a bordo da TARDIS e na troca direta com o Doutor. Eu diria até que Donna é uma Amy Pond mais magoada, do tipo que a vida ainda não lhe sorriu tanto assim, sabe?

Com uma diferença notável dentre todas as companions que estiveram ao lado do Doutor desde 2005, onde de todas elas, Donna me pareceu ser a que mais se importava com tudo o que acontecia ao seu redor. Não que as outras fossem absolutamente frias ou totalmente egoistas, mas ficou claro desde o começo, que ela não se contentava em resolver apenas o problema da vez e sempre acabava se preocupando também com as demais pessoas envolvidas indiretamente a todos eles, provocando inclusive o Doutor a ir mais além, dizendo que ele poderia fazer muito mais para aliviar a culpa que ele sempre acaba carregando, como no episódio em Pompeii por exemplo, onde ela se recusa a deixar aquela história para trás sem ao menos salvar a vida de alguém.

Quem acompanha o Guilt sabe que eu sou Team Ponds e AMO a Amy desde que ela apareceu assustada em seu quarto ainda criança, no início da Season 5, que foi quando eu comecei a assistir e me apaixonei completamente pela série. Mas tenho que reconhecer que a essa altura, Donna Noble também acabou conseguindo um lugar bem especial no meu coração, se tornando a minha segunda companion preferida ever. Gostei muito dessa postura de igual para igual dela com o Doutor, dessa troca no mesmo nível que acabou acontecendo entre os dois, assim como achei importante esse lado mais humano da personagem acabar sendo mais explorado, o que de certa forma, acabou servindo para aliviar um pouco da culpa que o próprio Doutor carrega em diversas ocasiões, como eu disse anteriormente.

E esse é outro aspecto que ficou bem claro durante essa Season 4, que é o porque da necessidade do personagem em manter uma companion sempre por perto. Ficou evidente que ele mantém esse padrão porque necessita de alguém humano por perto para lembra-lo de coisas que ele não consegue perceber por si só e até mesmo para mantê-lo no controle, para que o próprio não caia em uma espécie de “complexo de Deus”, digamos assim. Em alguns momentos inclusive dessa temporada, foi possível observar o quanto o Doutor pode ser “diferente” quando sozinho, nos revelando um outro lado da sua personalidade que a gente não costuma ver muito por trás daquela armadura de herói e grande defensor da humanidade. Mas ele pode sim ser uma pessoa pior, desde que esteja desacompanhado, como chegamos a observar em pelo menos dois momentos importantes dessa temporada e por isso descobrimos o porque da necessidade de uma companheira ao seu lado o tempo todo.

Ainda falando da Donna, seria impossível não mencionar a sua adorável relação com o avô Wilfred (Bernard Cribbins), um senhor de cabeça branca que sonhava com o espaço e adorava observar as estrelas. Fiquei torcendo para que ele fosse convidado pelo menos uma vez para visitar o tempo e o espaço a bordo da TARDIS e adorei quando a Donna fez o Doutor parar a máquina do tempo perto do seu quintal, para que ela pudesse se despedir do avô, mostrando para o mesmo que ele estava certo a respeito do espaço o tempo todo. E mal sabia eu que mais tarde, o avô da Donna ainda teria uma papel fundamental para essa história e que sim, ele teria a sua chance enquanto companion…

E como em Doctor Who é comum que algum personagem real da nossa história acabe fazendo parte da série, dessa vez ganhamos a participação de ninguém menos do que a escritora Agatha Christie, famosa por suas histórias encolvendo crimes misteriosos e que nesse caso não poderia ser diferente e a sua participação dentro da série foi marcada justamente por um desses crimes (4×07  The Unicorn and the Wasp), esse que foi um dos meus episódios preferidos da temporada. E foram ótimas as tentativas da Donna de ganhar algum crédito nos best-sellers da escritora, algo que de certa forma, chegou até a acontecer. Howcoolisthat?

Outro momento bastante importante da temporada foi a primeira aparição da misteriosa River Song (Alex Kingston), em um episódio lindo em um universo dentro de uma biblioteca fantástica (que eu imagino que seria o lugar perfeito para a minha mãe morar), em mais um dos melhores episódios dessa Season 4 (4×08 Silence in the Library + 4×09 Forest of the Dead). E esse primeiro encontro entre o Doutor e a até então ainda mais misteriosa River, deve ter sido uma verdadeira tortura para todos os fás da série que acompanharam Doctor Who naquele momento, onde nesse caso eu até acabei me sentindo bastante privilegiado por já ter visto o futuro da série anteriormente, sabendo exatamente de quem ela se tratava e qual a sua importância para a série, algo que nós  só acabamos descobrindo durante a Season 6. E na linha do tempo confusa da River Song e do Doutor, esse seria exatamente o último encontro entre os dois, antes mesmo dele ser o Doutor que ela conheceu em sua timeline. Ou seja, apesar da confusão da linha de tempo entre os dois, sabemos que esse foi o ponto final da história da personagem, o que não deixa de ser bem triste. Uma curiosidade que eu acabei observando nesse episódio é que ele contou com uma pequena participação do ator Josh Dallas, ainda na fase do começo da sua carreira, muito antes de se tornar conhecido por seu papel com o Prince Charming em Once Upon a Time, fazendo uma ponta como uma das criaturas daquela biblioteca.

Entre os meus outros episódios preferidos dessa Season 4 que eu já disse ser bem especial, estão a primeira aventura da Donna a bordo da TARDIS ao lado do Doutor, encarando a Roma antiga (4×02 Fires of Pompeii), assim como a visita ao planeta dos Oods (4×03  Planet of the Ood), que como sempre, estavam sendo tratados como escravos. Em um outro momento, acabamos ganhando uma “filha do Doutor” (4×06  The Doctor s Daughter), em outro episódio que é mais curioso do que bacana (ainda mais com aquela resolução ficando em aberto), onde temos a participação do ator Joe Dempsie, o Chris de Skins. Ainda tivemos aquela sequência super especial dos três episódios que marcaram uma grande reunião de personagens da série (4×11 Turn Left/ 4×12 The Stolen Earth/ 4×13 Journey s End) que nos trouxeram ótimos momentos, como a Donna vivendo uma espécie de realidade alternativa, caso ela tivesse escolhido um oferta de emprego ao invés do Doutor, ou o surgimento da sua versão “Doctor Donna” (que eu cheguei a torcer para que tivesse durado mais) para a conclusão dessa trilogia, assim como os os dois episódios que encerraram a temporada e que marcaram a despedida definitiva do 10th Doctor (4×17 The End of Time (Parte 1)/ 4×18 The End of Time (Parte 2), que obviamente foram muito especiais mesmo e eu não estou exagerando.

E é impossível também passar por essa quarta temporada de Doctor Who sem reconhecer o quanto a série evoluiu em relação aos seus recursos visuais, nos levando para cenários fantasiosos e grandiosos, com uma beleza notável e surpreendentemente muito bem executados, diferente do que já vimos na série durante a Season 1, por exemplo e de vez em quando em um ou outro episódio meio assim em termos visuais da atualidade (mas nada no nível de Once Upon A Time, para a nossa sorte). Mas é obvio que o grande sucesso dessa nova fase desde 2005, deve ter contribuído bastante para esse ganho, onde certamente eles devem ter passado a investir muito mais na produção da série e nós enquanto audiência, só ganhamos com isso. E #TEMCOMONAOAMAR os monstros de Doctor Who? Eu AMARIA ter uma miniatura de cada um deles. Sério. Cadê essa franquia de brinquedos que não chega logo por aqui, hein?

Essa quarta temporada de Doctor Who também é bastante especial porque além de ser marcada pela despedida do David Tennant, ela acabou revisitando diversos cenários já conhecidos de todos nós, mesmo contando uma nova história e com isso, acabamos ganhando participações mais do que especiais ao longo dela.

A começar pela Martha (Freema Agyeman), a ex companion do Doutor que preferiu encerrar suas viagens a bordo da TARDIS por não ter conseguido conquistar o amor do próprio. Obviamente que seria impossível que depois da sua jornada ao lado do Doutor, que Martha continuasse a mesma de sempre e sendo assim, acabamos ganhando uma versão da personagem com ainda mais características de heroína (como ela encerrou a sua participação na série durante a Season 3), com ela mantendo um cargo importante na UNIT e de certa forma e mesmo que de longe, continuando um trabalho que certamente um único Doutor não seria capaz de dar conta sozinho. (mais ou menos como a mesma função de Torchwood, por exemplo)

Outra que aparece em diversos momentos da temporada, tentando se comunicar com o Doutor mas não conseguindo sucesso por um longo período e para nossa total surpresa foi a Rose (Billie Piper), ela que estava em um universo paralelo alternativo e que não poderia mais manter nehnum contato com o Doutor, segundo o encerramento da sua parceria com o Doutor, ainda no final da Season 2. Dessa forma, aquilo que eu reclamei nas duas primeiras temporadas, que era o fato delas não trazerem exatamente um plot central que unisse toda a história da temporada (como estamos acostumados atualmente e que eu gosto muito, mas que eles já avisaram também que vão mudar para a Season 7, deixando os episódios com histórias mais soltas a partir da entrada da nova companion, como nesse começo da série desde 2005), acabou acontecendo nessa temporada através da participação da Rose, que achou um jeito de cruzar o universo em busca do seu (tisc tisc) Doutor.

Tudo bem que eu nunca fui muito fã assim da sua personagem, mas não consegui não me emocionar com o reencontro dos dois, que aconteceu em um episódio mais do que especial, triplo, em uma cena super clichê mas nem por isso não aceitável, onde acabamos ganhando uma reunião com boa parte do elenco de cada uma das três primeiras temporadas: Rose + sua mãe Jackie + Mickey + Martha + sua família + Capitão Jack + Torchwood + Sarah Jane Smith + K-9. Howcoolisthat?

Uma sequência de episódios que trouxe uma nova dinâmica temporária para a série, com as três últimas companions do Doutor finalmente se conhecendo e ainda com a participação mais do que especial da Sarah Jane Smith (Elisabeth Sladen) e o seu adorável K-9. Achei ótimo que não foi tão fácil assim para que a Rose conseguisse finalmente fazer algum contato com o Doutor e o modo como ela acabou sofrendo ao ver o rosto de suas substitutas ganhando uma atenção que um dia foi exclusivamente sua, foi bem emocionante. Apesar de considerar irritante essa tensão sexual que eles insistem em tentar na relação Doutor + Companion e que eu nunca fui muito fã inclusive na história da Rose, nesse caso, acabou sendo totalmente justificável a reação da personagem diante daquela situação. E #TEMCOMONAOAMAR a relação Martha vs Donna, ou o interesse da própria Donna para cima do Capitão Jack (John Barrowman)?

A conclusão desse arco da reunião de todos esses personagens também foi excelente, com todos unindo forças para ajudar o Doutor contra os Daleks (sempre eles. Argh!) e nos trazendo de volta o plot da mão cortada do Doutor, que a gente não entendia muito bem o que ainda estava fazendo dentro da TARDIS, mas que teria alguma função no final das contas. A partir dela, ganhamos um doppelganger de Doutor (nesse caso, metade humano) e uma nova Donna, a Doctor Donna (Howcoolisthat?), que acabou ganhando a sua “parte Doutor” e foi de extrema importância para a conclusão dessa história. Mas apesar do final feliz para mais esse plot, esse episódio ainda contou com uma carga dramática a parte, com uma nova despedia do Doutor para cada uma de suas companions, inclusive a Donna. (glupt)

Confesso que eu achei um tanto quanto cruel a forma como ele se despediu da Donna, com ela perdendo a memória e sem sequer poder lembrar dos seus momentos ao lado do Doutor, correndo inclusive risco de morte por isso. Logo ela ter esse destino, não me pareceu nada justo. Mas como em Doctor Who nada é definitivo, acabei nem me preocupando tanto assim (mas fiquei sentindo falta de um momento de despedida entre os dois, do tipo bem emocionado, sabe?). Mas foi bem bacana ver o Doutor deixando cada um dos seus companheiros em seu devido lugar, agradecido por saber que apesar de ser um homem sozinho no universo, ele sempre poderá contar com cada um deles, que de certa forma, são a sua família. E nesse caso, quem ainda se deu muito bem foi a Rose, que acabou ganhando o dopplelganger de Doctor para chamar de seu, que até pode estar sem poderes, sem TARDIS e sem chave sônica, mas é exatamente igual ao homem por quem ela se apaixonou no passado e dessa vez, tivemos a certeza de que ela foi a única das companions atuais que foi correspondida por ele, detalhe que no final das contas eu achei bem foufo!

Três episódios mais do que especiais, que marcaram o “encerramento” da temporada, com essa reunião pra lá de especial com todos eles a bordo da TARDIS (que segundo o próprio Doutor, foi projetada para ter 6 pilotos e por isso ele sofre para controlar sozinho a máquina do tempo mais legal de todos os tempos, rs), o que certamente foi um grande acontecimento para quem é fã de Doctor Who, eu diria até que o maior deles até então. Mas digo “encerramento”, porque após esses três episódios que de certa forma encerrariam a Season 4 com o número de costume de 13 episódios, ainda tivemos mais 5 especiais como presente, três deles com uma história mais solta, como costumam ser os episódios de Natal por exemplo e os dois últimos que foram necessários para a grande despedida do David Tennant.

O primeiro desses especias nos trouxe inclusive uma nova experiência para a série, com o Doutor encontrando um outro Doutor e sua companion (4×14 The Next Doctor), que a princípio ele acreditava ser de uma timeline futura (por ele a essa altura já estar ciente de que sua morte se aproximava), algo que nunca havia acontecido nessa nova fase da série (não sei se já aconteceu no passado, então…). Uma pena que esse plot foi abortado com a sua resolução de que na verdade, aquele novo personagem apenas achava que era um Senhor do Tempo por conta dos temidos Cybermens, mas que no final das contas não era bem verdade. Mas fiquei imaginando que isso poderia ser utilizado como recurso para promover um encontro entre os 3 Doutores dessa nova geração, Eccleston + Tennant + Smith = ♥³. Quem sabe não ganhamos algo parecido no ano que vem, quando a série irá comemorar os seus 50 anos de vida e ao que tudo indica, teremos uma temporada semelhante a essa, com pencas de especiais, hein? #SONHO!

O segundo deles é um especial de Páscoa (4×15  Planet of the Dead), que já começa com o Doutor comendo um ovo de Páscoa daqueles, capaz de te fazer sentir vontade de sair de casa no meio da madrugada para comprar (que é sempre o meu caso quando não tem chocolate em casa. #DRAMA/ I ♥ Chocolate) e que chegou com uma “tentativa de companion” do mundo do crime. Uma menina lindísisima por sinal, mas segura demais e um tanto quanto do lado negro da força, o que em nada combina no posto de companheira oficial do Doutor. Mas foi bem bacana vê-lo libertar a personagem ao final do episódio, naquele ônibus de dois andares típico inglês e nesse caso com o plus a mais dele ser voador (me lembrou ônibus em Harry Potter até). Cool!

O terceiro marca exatamente o que eu falei para vcs ainda no começo dessa review (4×16 The Waters of Mars), com um Doutor revelando o seu lado negro da força, quando ele resolveu aceitar a sua importância para o universo, onde cego por conta de sua arrogância, acabou causando um paradoxo que seria imperdoável, mesmo para um Senhor do Tempo. Um episódio bem bacana, que além de nos revelar um outro lado do Doutor, esse muito mais obscuro do que o que nós já conhecemos, justamente enquanto ele ainda viajava sem companhia nenhuma (algo que se repetiu a partir do primeiro desses três episódios em questão), ainda nos trouxe aquelas pessoas medonhas da tripulação que habitava Marte, com água saindo por todos os cantos de seus corpos. #MEDO.

Uma sequência de especias que nos trouxe para o momento da grande despedida. Ao longo da temporada, pequenas pistas foram espalhadas a respeito da morte do Doutor e nesses dois últimos episódios, chegou a hora dele encarar a sua inevitável regeneração. E nessa hora, tudo foi construído de forma brilhante, com o anúncio de que a sua morte aconteceria pelo sinal das quatro batidas (que nada mais era do que a representação do batimento do coração dos Senhores do Tempo) e que de quebra, ainda nos trouxe Gallifrey de presente, terra natal do próprio Doutor e que inclusive chegou a se aproximar (literalmente) da Terra no formato de uma grande ameaça, a qual ele teve que destruir no passado (e carrega uma culpa enorme por conta disso, se tornando o último de sua espécie) e que por diversas vezes já ouvimos parte de sua história durante esses seis últimos anos da série desde 2005.

Apesar de sempre ter morrido de vontade de conhecer um pouco mais sobre Gallifrey e toda a sua mitologia (em flashback talvez? …) , acabei não gostando muito de ver o planeta aparecer de fato e no presente da temporada, embora a forma como tudo isso acabou acontecendo tenha sido no mínimo justificável. Ainda mais que a sua presença nessa reta final acabou trazendo algumas revelações, surpresas e até mesmo a volta de um dos vilões mais temidos pelo próprio Doutor: Master (John Simm).

Ele que foi usado como ferramenta para que os demais Senhores do Tempo conseguissem a sua “liberdade” e com isso ganhassem a chance de reconstruir a sua história. Nesse momento, acabamos descobrindo um pouco mais da mitologia da espécie do próprio Doutor e descobrimos o que de fato o motivou a levar o seu povo a ser extinto. Bacana também foi ver a forma com o Master foi usado como ferramente fundamental para todo essa história, a deixando ainda mais muito bem amarrada. Só achei que a sua participação durante a temporada anterior acabou sendo muito mais impactante do que a sua presença massiva durante essa Season 4.

Nessa reta final, o que nos foi reservado como surpresa, foi a presença de uma mulher que a princípio, aparecia apenas para o avô da Donna, guiando aquele senhor a ajudar o Doutor da forma correta nesses dois últimos episódios, algo que seria fundamental nesse último momento de sua vida. E a sua presença misteriosa foi algo que acabou ficando no ar, deixando uma possibilidade de que aquela mulher na verdade seria a própria mãe do Doutor, com ela e um outro homem sendo os únicos contra o plano dos demais Senhores do Tempo ainda em Gallifrey, que como castigo, tiveram que se manter em posição de Weeping Angels. (castigo terrível, mas sensacional, não?). Nessa hora eu logo imaginei que os dois que foram contra o plano todo, só poderiam ser seus pais, mesmo sem ter tido uma pista até então. Mas foi algo que talvez eles não tiveram muita coragem de explorar (o que eu acho bacana, porque poderia acabar levando a série para uma área obscura e arriscada para uma série de quase 50 anos de sucesso) e optaram por deixar apenas no ar essa ideia. (o que pode também ter sido apenas uma sensação minha…)

Até que chegamos a fatídica hora da despedida, onde por um momento, chegamos até a nos enganar, assim como o próprio Doutor, que se encontrou surpreso por ainda estar vivo, mesmo depois de ter conseguido derrotar (com uma ajuda importantíssima do próprio Master) o povo de Gallifrey. Mas ao enfim ouvir as 4 batidas que apareceram no pedido de ajuda do avô da Donna logo em seguida desse curto momento de alivio para o personagem, ele se deu conta de que realmente aquela era a sua hora e não tinha mais por onde escapar. (glupt de novo)

Nessa hora, vale a pena lembrar que dessa vez, embora fosse totalmente justificável, o Doutor acabou novamente se revelando como um ser que como todo mundo, também mantém o seu lado obscuro, soltando palavras duras para cima do próprio senhor Wilfred, mostrando claramente e por mais uma vez, um outro lado da sua personalidade, mesmo que por questão de pouco tempo. (mas também, que não se revoltaria ao encarar a sua própria morte depois de quase conseguir escapar? Hein?)

Confesso que nessa hora, eu já estava bastante tenso com a regeneração, que poderia acontecer a qualquer momento e embora já estivesse familiarizado com essa cena, apenas da parte em que ele caminha dentro da TARDIS para o momento da regeneração em si (que eu já havia visto por curiosidade no passado, quando comecei a assisti a série), eu não poderia sequer imaginar o que viria antes disso…

E da forma mais emocional possísvel, o 10th Doctor aproveitou para viajar no tempo nos seus últimos momentos de vida antes da regeneração para reencontrar cada uma das pessoas que foram importantes para ele durante essa trajetória de três ótima temporadas, uma forma linda de retribuir com carinho o precioso trabalho que o ator David Tennant deixou com o seu legado, algo nada mais do que merecido, para aquele que também deu vida a esse personagem grandioso da melhor forma possivel, conseguindo deixar a sua forte identidade e marca em todos os fãs da série até hoje.

E foi lindo, lindo, lindo, ele se despedindo de cada uma de suas companions, aparecendo para cada uma delas de forma especial para dizer o seu adeus, mesmo que de longe, distante, sem dizer uma só palavra, apenas observando cada uma delas pela última vez e visivelmente triste. Martha foi a primeira e em campo de batalha, ele acabou salvando a sua pele mais uma vez, onde descobrimos que ela além de agora usar tranças (rs), ela também se encontrava casada com o Mickey, o ex preguiça da Rose (mas cadê o pediatrão, hein Martha?). Apesar de formarem um casal totalmente avulso, achei foufa a resolução também, vai?

Ainda em um ato heroico, tivemos o Doutor salvando o filho da Sarah Jane Smith e consequentemente se despedindo da personagem. Mas especial mesmo foi o capitão Jack Harkcness sentado em um bar repleto de criaturas exóticas e conhecidas da série, recebendo um drink do próprio Doutor, que de brinde ainda arranjou o Alonso (sim, o Tovey voltou. Yei) para o capitão Jack chamar de seu, ou pelo menos para começarem algo. Höy! Um momento excelente como despedida entre os dois, não? (eu fiquei super surpreso com a aparição do personagem novamente e AMEI a resolução. Aliás, não sei se eu já disse isso, mas adoraria ter o Russel Tovey como Doutor, o que após suas participações na série, eu nem acredito mais que seja possível, humpf!)

Encerrando as despedidas, é claro que não poderia faltar ela, Rose Tyler, a companion capaz de mexer com os dois corações do Doutor, com um detalhe de que por uma questão burocrática dentro da própria história, ele acabou a visitando no passado, antes mesmo dela ter sido a escolhida com a companheira do 9th Doctor, completando assim a etapa final da sua despedida.

Mas o meu momento preferido mesmo foi ele indo até uma sessão de autógrafos dos livros que a bisneta da mulher por quem ele se apaixonou no passado estava publicando. Aquela que ele conheceu ainda durante a Season 3, naquele episódio em que ele se torna “humano” por um certo tempo e passa a viver com um homem comum (John Smith). Ela que encontrou o diário que o Doutor deixou para a sua amada no passado e que escreveu um livro sobre a história dos dois, que acabou ganhando a confirmação de que aquela foi uma história de amor real entre a sua bisavó e o Doutor, com o próprio aparecendo de corpo presente durante uma sessão de autógrafos para lançamento do livro. Uma detalhe que eu achei mais do que foufo e totalmente inesperado. (♥)

Nessa hora, eu realmente me peguei surpreso com a caraga emocional dessa despedida, que realmente foi muito especial, ainda mais contando com a trajetória inteira do 10th Doctor ao longo dessas três últimas temporadas, com três companions diferentes e tanta mitologia da série sendo revelada durante esse percurso, que é impossível não se emocionar com a hora em que o David Tennant se despede dizendo que não quer ir (desabei, sério). A minha primeira experiência com regenerações em Doctor Who aconteceu durante essa maratona, lá atrás, no final da primeira temporada, onde eu também cheguei a ficar bastante emocionado com a saída do Christopher Eccleston para a entrada do Tennant. Mas realmente, esse tempo maior que acabamos passando na companhia do décimo Doutor, fez com que dessa vez, essa despedida fosse muito mais dolorosa e eu me peguei entregue as lágrimas ao final dessa jornada (assim como aconteceu com a experiência anterior, só que agora com muito mais intensidade), sem a menor vergonha de admitir isso em público. Chorei litros, feito criança.

Tudo bem que ter a carinha do Matt Smith logo na sequência e já ter visto o que aconteceu depois disso por duas temporadas a frente, acabou me confortando bastante sobre a troca, ainda mais com as piadinhas sobre ele ainda não ser ruivo, ou pelo 11th Doctor achar que é uma menina por conta do seu cabelo maior do que o de costume. Mas tenho que admitir que não foi nada fácil me despedir do 10th Doutor, que realmente fez um excelente trabalho vivendo esse personagem que sozinho já tem uma força absurda, mas que o trabalho sensacional do ator David Tennant na pele do nosso 10th Doctor acabou deixando ainda mais especial. Well done!

Encerro aqui a minha maratona de Doctor Who (pelo menos com vcs, porque eu pretendo rever a Season 5 e a Season 6 antes da Season 7 começar e já estou inclusive fazendo isso com a nossa velha e as vezes boa TV aberta – na Cultura, que começou a apresentar a Season 5 recentemente e tem sido a minha companhia durante os jantares semanais aqui em casa e tem opção com audio original – embora o closed caption seja um verdadeiro drama) onde antes de me despedir de vez dessa adorável e altamente recomendável maratona, eu preciso ser bem  justo em reconhecer que qualquer coisa que eu não tenha gostado no trabalho do ator David Tenntant no começo de sua trajetória enquanto esse icônico personagem, acabou se tornando absolutamente miníma em relação ao seu lindo trabalho a frente do 10th Doctor, do qual eu me despeço agora com o maior carinho desse mundo. Clap Clap Clap!

Mas antes de terminar essa review, tenho que reafirmar publicamente o quanto eu sou totalmente encantado com a série e o quanto o meu amor por Doctor Who só tem crescido desde que nos conhecemos. Sempre tive uma curiosidade enorme por esse universo (Paolo Torrento sempre me tentava a respeito), mas sempre acabava me faltando tempo. Até que finalmente eu decidi enfrentar essa maratona da série inglesa a partir de 2005, que hoje eu reconheço ter sido uma experiência maravileeeandra, em todos os sentidos e por isso recomendo para todo mundo, de verdade (♥). Sempre gostei desses universos mais fantasiosos, de Sci-Fi e coisas do gênero, mas a mitologia que Doctor Who consegue envolver em seu universo é realmente das mais especiais ever e não é a toa que a série está prestes a comemorar 50 anos (sim, 50 ANOS!), reunindo gerações e mais gerações de fãs, agora também no mundo todo. Tanto que logo eu, com anos de experiências sentado à frente da TV, acumulando uma lista de heróis preferidos desde a infância dos meus filmes ou HQs do coração, acabei assumidamente ganhando um novo representante dentro dessa categoria (embora ele não seja exatamente como os outros), que com seu sotaque inglês indeed e sua gravata borboleta (que foi como eu o conheci, portanto essa sempre será a sua imagem para mim. Bow ties are cool!), acabou deixando todos os seus concorrentes de lado, assumindo de vez o posto mais alto e importante da minha lista, que nesse momento eu declaro ser do dono da cabine azul que é muito maior por dentro e de mais ninguém. I ♥ DOCTOR WHO

Dito isso e para finalizar de verdade essa maratona (que ficou enorme e eu demorei pencas para fazer, eu sei), trago o placar final dessa disputa de Doutores no meu coração: Matt Smith 10 vs David Tennant 9,85. Onde mesmo que o 10th Doctor tenha me ganhado ao longo dessas três temporadas, o meu coração realmente ainda pertence ao Matt Smith, que foi amor a primeira vista mesmo e que vai ser para sempre o meu Doutor. Mas e quem foi que disse que eu não posso ter 2 Doutores? Se eles tem dois corações, eu posso ter dois doutores também e fim de papo. (rs)

O bom também é que agora que Doctor Who finalmente chegou ao Brasil, seja pela TV aberta ou com a recém chegada da BBC por aqui, ganhamos grandes chances de alguns produtos da franquia também acabarem chegando por aqui, com os DVDS da série por exemplo, onde a Season 1 já se encontra disponível em DVD para venda e mal posso esperar para ter essa coleção completa na minha prateleira especialíssima.

E agora, o nosso último porém bem especial:

ALLONS-Y! (♥)

ps: novamente, ganhamos um episódio animado ao final dessa Season 4 (Dreamland), que traz um diferente tipo de animação do que nós já haviamos visto durante a Season 3 e que também é bem bacana de ser visto. Assim como as Proms que por enquanto temos a de 2009 e a de 2010, que são o tipo de espetáculo dos meus sonhos, com uma apresentação lindíssima da trilha sonora da série ao vivo com sua orquestra (trilha que é bem boa por sinal) e a presença de alguns atores como apresentadores do evento, que ainda conta também com a presença dos monstros mais sensacionais da série vagando em meio ao público e causando as mais variadas reações. Só não entendi o porque do David Tennant não ter aparecido de corpo presente na dele em 2009 … o que o Matt Smith fez na sua primeira de 2010 e foi mais do que sensacional! 

ps2: agora uma bronca para a TV Cultura, que esteve apresentando a série na ordem, tudo certinho e lindamente, inclusive com os especiais de Natal de cada uma das temporadas (porque eu bem andei conferindo), mas que acabou pulando os tês últimos episódios dessa Season 4, deixando totalmente de lado a regeneração do décimo Doutor, um momento mais do que importante para quem passou a acompanhar a série através da TV aberta. Sacanagem! (depois do especial de Páscoa, eles pularam direto para o 5×01 The Eleventh Hour, que é o primeiro com o 11th Doctor. Humpf!)

ps3: talvez essa tenha sido a minha maior review aqui no Guilt. Thnks a todos que conseguiram sobreviver até o final desse post.

The 10th Doctor (parte 2)

Abril 27, 2012

Continuando a minha incansável maratona de Doctor Who, cheguei ao final da Season 3, o que marca o penúltimo capítulo dessa minha saga dentro da série de 2005. Uma temporada um tanto quanto diferente, digamos assim. Digo isso porque ela fica no meio do caminho entre o que estamos assistindo hoje em dia em Doctor Who, seguindo o fundamento das Seasons 5 e 6, assim como também ela tem um pouco da minha impressão sobre as Seasons 1 e 2, que são temporadas sem um grande plot central de destaque que reúna toda história ao final de cada uma delas, o que as tornam de certa forma até mais fáceis de se acomapanhar.

Essa Season 3, a segunda temporada com o David Tennant na pele do 10th Doctor, traz o ator ainda mais confortável no papel do último dos Senhores do Tempo, reforçando ainda mais a sua própria identidade enquanto dava vida mais uma vez a esse personagem tão icônico da história da TV.

Mas dessa vez, temos um Doutor um tanto quanto diferente e entristecido em alguns momentos da temporada, se sentindo culpado, ainda sentido com a perda da sua antiga companion, como se ainda estivesse em uma espécie de  “luto” pelo desfecho da história da Rose ainda na temporada anterior, isso embora ele saiba que ela se encontra bem, vivendo a sua vida em outro universo, apenas com o agravante de que ambos não poderão mais manter contato um com o outro, o que não deixa de ser bem triste para os dois lados da história.

A temporada começa com o especial de Natal trazendo uma noiva misteriosa, Donna (3×00 Runaway Bride), que é uma espécie de “Amy Pond” mais velha e um pouco mais amargurada pela vida, digamos assim, rs. Ela que até chega a ganhar um convite para dividir o espaço da TARDIS ao lado do Doutor, mas que naquele momento não vê como aceitar o pedido do próprio, para tristeza de todos, porque a dobradinha entre os dois personagens já nesse episódio foi realmente bem boa. Lindo ele fazendo nevar para ela ao final do mesmo, usando um recurso especial da própria TARDIS para tal. Maravileeeandro!

Na sequência, agora sim no primeiro episódio da Season 3 (3×01 Smith and Jones) e com um plot delicioso que levou um pedaço de Londres para a lua, ganhamos a entrada de Martha Jones (Freema Agyeman), uma estudante de medicina lindíssima (realmente achei ela muito bonita), que logo de cara, mesmo sem entender muito bem o que é que o hospital onde ela faz sua residência está fazendo em solo lunar, acaba se encantando por aquele homem misterioso, o qual ela pouco conhece, mas se aproxima para tentar resolver aquele probleminha que ambos estão enfrentando juntos naquele momento. Nesse episódio da entrada da nova personagem, ainda ganhamos a visita dos Judoons, que são uma espécie de polícia meio corrupta do universo e que eu também adoro.

Assim surge o convite de Martha Jones para ser a companion da vez do Doutor e mesmo com ela tendo uma vida até que estabilizada em Londres, prestes a começar uma carreira para a qual vem dedicando anos de estudo, Martha acaba não resistindo aos encantos do Doutor, que já nesse primeiro encontro, por motivos de forças maiores, acaba dando um beijo nela, algo que a deixa visivelmente balançada já logo de cara. E assim, a possibilidade de viajar entre o tempo e o espaço passa a ganhar prioridade na sua vida, roubando o lugar da Medicina, pelo menos momentaneamente. Dessa forma, o Doutor não só descola a sua nova companion, como ele ganha também uma Doutora para acompanhá-lo a bordo da TARDIS, detalhe que eu achei sensacional.

Além dessa diferença da Martha ser uma personagem bem resolvida na sua vida, mesmo colocando algumas coisas de lado para seguir viagem com o Doutor, como a sua própria profissão, existe também de certa forma uma participação maior dos membros da sua família já nesse primeiro episódio da série, o que acaba fazendo uma boa diferença na relação Doctor + Companion da vez. Eles que mais tarde acabam ganhando algum destaque e aos poucos, vão se amarrando ainda mais a história da personagem, algo que não aconteceu exatamente com a Rose Tyler por exemplo, onde sua mãe e até mesmo o seu namorado, acabaram aceitando até que facilmente que a garota seguisse viagem com um homem misterioso e desconhecido, ideia essa que não agrada em nada a mãe da Martha Jones, que chega a tomar certas providências a respeito, algo que acabaria sendo ligado ao plot do final da temporada.

E apesar de até ter gostado da nova companion, ou pelo menos tem simpatizado com ela logo de cara, fica visível que a sua posição dentro daquela jornada não seria nada fácil. A todo momento, ficava bem claro que Martha estava ocupando um lugar pertencente a alguém que ainda fazia muita falta para o Doutor e esse peso da sombra da Rose, acabou ficando pesado demais para a personagem carregar, a ponto de prendê-la no posto da “coadjuvante da coadjuvante” até o final da temporada, onde merecidamente, pelo menos eles tentaram reescrever sua história para que a nova companion terminasse a sua participação como uma grande heroína. Mas chegaremos nesse ponto ao final dessa review…

Só achei que ela desistiu de competir cedo demais, permanecendo na sombra da Rose por muito tempo e provavelmente por isso, a sensação que fica é a que ela não pertence a aquele lugar. Uma pena, ainda mais que essa competição poderia favorecê-la, uma vez que a sua oponente não esteve presente em nenhum momento até então. Mas talvez os fantasmas do passado sejam até mais fortes também… (nada como uma história mal resolvida para deixar a gente meio assim)

Dessa vez, o personagem da nossa história que entrou em Doctor Who foi ninguém menos do que o próprio Shakespeare, na primeira viagem da Martha como companion oficial do Doutor (3×02 The Shakespeare Code). Ele que se encantou completamente por ela e é pintado na série como um homem com uma sensibilidade absurda (nada mais do que justo), o único do seu tempo capaz de perceber que a dupla que está de passagem em seu teatro não faz parte do seu presente e sim do futuro. O episódio ainda é marcado por vilãs que são bruxas, onde o Doutor acaba fazendo uma menção homenageando a J.K. Rowling e a sua série de livros mais famosa em todo o mundo, Harry Potter. Achei sensacional quando em um determinado momento do episódio, Martha acabou arriscando um “Expelliarmus” com sucesso, para se livrar das bruxas que atormentavam Shakespeare, impedindo-o de escrever sua nova peça. E a piadinha sobre o bafo dele também foi sensacional, assim como a inclusão da lenda da peça perdida de Shakespeare na história.

Nessa temporada também tivemos o terceiro e último contato do Doutor com a Face de Boe, que reaparece em um episódio sensacional, cheio de figuras de outros planetas, além da companhia das gatas enfermeiras/freiras, que nós já havíamos encontrado anteriormente, também em New New York (3×03 Gridlock). Um dos meus episódios preferidos da temporada, com aquele trânsito infernal, dez milhões de vezes pior do que SP em horário de pico em véspera de feriado prolongado (tipo hoje, rs), com milhares de carros cheios de personagens dos mais diversos em busca de algo que eles sequer questionaram o porque, figuras que aceitaram manter a ordem apenas porque alguém mandou e nada mais, o que diz muito do comportamento de muitas pessoas ainda hoje em dia. Aliás, AMO essas metáforas que Doctor Who faz em seus episódios, sempre jogando na nossa cara um tipo de comportamento preguiça da sociedade contemporânea ou do próprio ser humano em geral.

Os vilões da vez que nos deram o ar da sua graça novamente foram os Daleks, que apareceram em um episódio duplo invadindo NY dos anos 40 (3×04), arriscando uma mutação com a raça humana, na esperança de criar um ser mais evoluído, além de estarem tentando a proliferação da sua própria espécie, já que existem poucos deles atualmente. Experiência essa que não deu muito certo, mas que nos revelou a face de como seria um exemplar dessa nova espécie híbrida. Esse episódio duplo (3×04 Daleks in Manhattan e 3×05 Evolution of the Daleks) também conta com a participação especial do ator Andrew Garfield, quando ele ainda não era muito conhecido. Howcoolisthat?

Dentre os meus favoritos dessa Season 3, estão a segunda parte da invasão e a evolução dos Daleks em NY (3×05 Evolution of the Daleks), tem também um outro bem bacana e que no final das contas é bem importante para que a gente possa entender parte do season finale, que é aquele em que o Doutor tem toda a sua história/memória presa a um relógio (3×08 Human Nature), onde ele passar a viver a sua vida como uma pessoa normal (um sonho impossível para ele), como professor em uma escola (e eu já bem havia dito que ele tinha cara de professor, ainda mais com aqueles óculos, sem contar toda a sabedoria do personagem), com direito até a um verdadeiro romance para o próprio, para desespero da Martha, que a essa altura já estava mais do que apaixonada por ele.

Depois disso, chegamos a um dos episódios mais elogiados da série de todos os tempos, “Blink” (3×10), que é aquele com a introdução dos Weeping Angels, que são aquelas estátuas medonhas de anjos com os rostos cobertos pelas próprias mãos, que se aproximam de suas presas quando não estão sendo observados por elas (na minha opinião, eles são as criaturas mais medonhas ever!). Um episódio brilhante, que além de ser super informativo a respeito da mitologia dessas criaturas que nós já conhecemos do presente da série (dizem até que os Ponds se despedirão de Doctor Who em um episódio com os Weeping Angels), ainda conta com a participação da atriz Carey Mulligan, onde fica visível todo o seu talento e a tremenda força da sua atuação, que chega a exigir um espaço maior do que a tela da TV naquele momento. Um episódio que tinha tudo para ser um filler qualquer, mas que no final das contas acabou funcionando surpreendentemente bem, quase como um filme a parte da série, ainda mais que ele é mais um daqueles episódios onde o próprio Doutor e a sua companion são meros coadjuvantes, aparecendo apenas em uma pequena parte dele, como aconteceu na temporada anterior em “Love & Monsters” (2×10), outro grande episódio da série.

Até aqui tudo bem, mas embora a temporada continue bastante movimentada e com uma série de episódios bons ou pelo menos interessantes, continuei achando tudo meio morno, onde mais uma vez eu senti um pouco de falta daquilo que eu venho batendo na tecla desde as duas temporadas anteriores (Seasons 1 e 2), que é a falta de um plot maior que tenha ligação com a história central da temporada, algo que a sua importância fique bem clara desde o começo. Nesse caso, ele até existe, ou melhor dizendo, uma parte dele até existe, mas ainda de forma bem tímida, apenas com a família da Martha sendo contra ela viajar com o Doutor e a sua mãe estar ligada à algumas pessoas  em busca do paradeiro da sua filha na companhia daquele homem do qual ela obteve algumas informações sobre o fato dele ser perigoso, mas isso em dois ou três momentos da temporada apenas. E fora esse detalhe, aparentemente nada mais tem uma conexão.

Digo aparentemente, até a gente chegar nos três últimos episódios da temporada (3×11 Utopia, 3×12 The Sound of Drums, 3×13 Last of the Timelords). Uma sequência sensacional, que começa com uma viagem até o final do universo, encontrando um mundo prestes ao seu fim, onde mais tarde, ganhamos um final excelente para essa Season 3, o qual eles aproveitaram para amarra-lo a alguns plots da temporada, como acontece hoje em dia na série. Um detalhe que certamente fez com que esses últimos três episódios da temporada fossem brilhantes, do tipo imperdíveis!

Nesses episódios finais, ganhamos também o retorno do capitão Jack  Harkness, interpretado por John Barrowman, um personagem que havia ficado para trás ainda na Season 1 e que finalmente teve o seu reencontro com o Doutor. Sobre ele, tivemos também uma série de novas informações da sua mitologia, como o fato dele ter reconstruído Torchwood (que nós sabemos que é o spin-off de Doctor Who) em homenagem ao Doutor, além do fato dele ter se tornado uma espécie de imortal, depois do evento do final da Season 1. Mas nada disso teve um impacto tão grande para a história, como a revelação final de que ele na verdade era ninguém menos do que a Face de Boe (CATAPLOFT). Howcoolisthat? Um personagem já conhecido e adorado por todos nós, que mais cedo na temporada, ainda aproveitou para avisar o Doutor no futuro, que ele não estava sozinho…

Assim, John Smith (AKA Doctor – eu gostava quando a Martha insistia em chamá-lo assim) acabou ganhando a esperança de encontrar um outro membro de sua espécie, que na metade desse caminho, se revelaria ser na verdade, um grande inimigo para o próprio. DRA-MA! The Master (John Simm), um outro sobrevivente do fim de Gallifrey (planeta natal do Doutor que nós tivemos a chance de ver um pouco pela primeira vez nesse final de temporada), mas que nesse caso se renderia ao lado negro da força, colocando inclusive o próprio Doutor em uma posição bastante delicada em relação a suas raízes.

Enfrentando um inimigo a sua altura, com os mesmos tipos de poderes e tecnologia que ele pela primeira vez (ele que tem uma laser screwdriver, porque segundo o próprio, quem ainda usa uma sonic screwdriver nos dias de hoje? rs), a batalha entre os dois últimos Senhores do Tempo foi algo muito sensacional, mesmo com o Doutor levando a pior por boa parte dela. Sendo rendido por seu inimigo, ele foi torturado, exposto ao mundo inteiro como uma espécie alienígena, envelhecido primeiramente por 100 anos e depois por 900 anos (que é a sua real idade), nos mostrando pela primeira vez um Doutor que a gente não sabia que existia. Achei até que aquela versão de 900 anos dele foi muito bem executada, levando em consideração que os efeitos na série nem sempre são executados com excelência (nessa temporada eles até que melhoraram bastante nesse quesito). Mas nesse caso, tudo funcionou muito bem e eu até senti que aquela versão do Doutor seria quase que uma homenagem a algumas outras criaturas do cinema recente… (me lembrei de “Harry Potter” e “Senhor dos Anéis”, por exemplo)

E foi nesse momento da finalização da temporada que eles resolveram colocar a Martha em um lugar de destaque que ela não conseguiu ocupar durante todos os outros episódios em que participou. Com a missão de ser a única esperança de salvação do mundo, Martha Jones ganhou um perfil excelente de heroína, que passou um ano inteiro viajando pelos quatro cantos do mundo a procura de uma arma poderosa o suficiente para derrotar o Master, a ameaça que mais chegou próxima até agora de derrotar o próprio Doutor. Uma resolução que foi extremamente simples até, mas de um impacto gigantesco, com pessoas do mundo inteiro chamando pelo Doutor no mesmo momento, quase que como um mantra, em uma cena linda diga-se de passagem, e bem emocionante.

E é praticamente impossível  assistir a essa temporada de Doctor Who e não encontrar fortes semelhanças com os caminhos atuais de Fringe por exemplo (semelhanças essas que eu já havia encontrado na temporada anterior, com a questão do universo paralelo), com os personagens do futuro voltando ao passado para dominar a terra e tudo mais, assim como também é praticamente impossível não encontrar alguma semelhança entre a loucura do Master com o vilão Moriarty de Sherlock. Nunca assistiram Sherlock? Vou contar até dois então: umdois!

Master tem características bem semelhantes as do vilão da outra série de Steven Moffat, em vários tons abaixo, é verdade, mas ambos são personagens realmente parecidos no perfil de psicótico carismático e bem humorado. E as cenas do Master nesse season finale que ganharam uma trilha sonora, foram simplesmente sensacionais, elevando ainda mais o grau de loucura do grande vilão da vez, além de dar um toque especial no nível de humor da série, que é sempre bem bacana também.

E todos esses detalhes somados fizeram com que esse fosse um dos sesons finales mais bacanas de Doctor Who até agora, muito bem amarrado e executado de forma brilhante, além de deixar aberto algumas possibilidades para o futuro da série. Na minha opinião, ele se compara ao season finale da quinta temporada por exemplo (que foi quando eu conheci a série), que por enquanto, continua sendo o meu preferido.

Esse final de temporada além de ser excelente, ainda marca a despedida da Martha Jones como companion da vez do Doutor, ela que durou apenas uma temporada ao seu lado (fom forom fom fom). Embora pareça precipitada a sua saída, a forma como ela acontece também é bem bacana, porque dessa vez a despedida aconteceu através da liberdade de escolha da própria, que preferiu voltar para a sua vida real, a continuar vivendo em viagens mirabolantes pelo universo, não que isso não seja tentador (e quem não adoraria embarcar na TARDIS?), mas o problema maior mesmo seria continuar nutrindo cada vez mais um amor não correspondido, que sempre foi a base da relação dela com o 10th Doctor. Quase como um término de relacionamento, ela se despediu do Doutor usando inclusive o exemplo de uma amiga que assim como ela, vivia um amor platônico que não mais a fazia feliz, mas por outro lado, ficou também evidente que esse amor não era correspondido por parte dele de forma alguma (talvez na intenção de não se apegar novamente), algo que no caso da Rose, chegou pelo menos a ficar no ar em alguns momentos do passado.

Só que dessa vez, a despedida foi  sem todo o drama de nunca poder voltar como a Rose. Martha se despediu do Doutor deixando as portas abertas para que talvez um dia ambos possam se reencontrar, algo que eu também achei interessante pesando na continuidade da série como um todo e já considerando a possibilidade de uma reunion no futuro, quem sabe? (…) Em relação a gostar ou não da personagem, embora eu já tenha dito que esse tipo de relação de amor entre Doutor + Companion não tenha um grande apelo comigo, achei bastante interessante que nesse caso, a personagem se deu conta disso tudo sozinha e não precisou ser abandonada, ou de um drama qualquer que a distanciasse do seu amor de uma vez por todas (suck it, Rose!). Nesse caso, achei bacana que a personagem tenha escolhido o seu futuro baseado em algo real, quase que como se a Martha tivesse escolhido ela mesmo ao invés de uma relação que ela finalmente enxergou não ter futuro e não ser correspondida, o que é triste, mas é importante quando a própria pessoa toma conhecimento disso por ela mesmo. E de quebra, nesse meio caminho, Martha ainda ganhou um candidato a boy magia para chamar de seu, que além de tudo, divide a mesma profissão que ela. Go girl!

Assim cheguei ao final dessa Season 3 de Doctor Who, a um passo de chegar ao final da minha maratona e finalmente alcançar a era em que eu comecei a assistir a série (Seasons 5 e 6, que eu até pretendo rever já que estou nessa…). A essa altura, ando gostando ainda mais do trabalho do David Tennant no cargo do último dos Senhores do Tempo, onde acho que ele passou a se sentir cada vez mais a vontade no papel, perdendo um pouco daquele ar de caricatura que eu mencionei no post sobre a temporada anterior. E é preciso dizer que mesmo com a postura da Martha como a garota que nunca iria conseguir substituir a ex companion, a dinâmica entre os dois também foi bem bacana durante essa temporada em que estiveram juntos a bordo da TARDIS.

Digamos que no placar, o David Tennant tenha subido após essa Season 3 e agora nos encontramos assim: Matt Smitth 10 vs  David Tennant 9,50. Mas ainda há tempo para que o 10th Doctor roube de vez o meu coração… Quem sabe um convite para companion não facilite? rs

 

Allons-y!

 

To be continued… (e o próximo será a parte final dessa maratona deliciosa. Ufa!)

ps: durante essa parte da maratona, assisti também a animação da série, com o 10th Doctor na companhia da Martha viajando para século 40 (Doctor Who – The Infinite Quest), que eu bem recomendo a todos que se animarem a acompanhar Doctor Who, além do famoso especial “Children in Need”, que no ano de encerramento dessa Season 3, nos proporcionou um encontro sensacional entre o 5th Doctor, vivido pelo ator Peter Davison e o 10th Doctor, no qual, o próprio Tennant revelou que aquele foi o seu own Doutor. Howcuteisthat? Seria demais pedir um especial desses com o encontro dos adoráveis e recentes 10th e 11th Doctors? SONHO!

ps2: sorry pelas imagens novamente com marca d’água, mas é o que temos com qualidade da série antiga para hoje. (e os créditos mais uma vez estão dados)


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