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Moone Boy, a série mais adorkable de toda a Irlanda antiga

Outubro 26, 2012

Uma série sobre uma garoto e seu melhor amigo imaginário vivendo na Irlanda antiga do final da década de 80. Apenas por essa breve descrição e com o plus da promessa de que a séria ainda traria algumas animações para suas histórias, Moone Boy já tinha boas chances de conquistar o seu espaço na minha agenda televisiva, ainda mais contando com o detalhe de que a série tratava-se de uma criação do ator Cris O’Dowd (The It Crowd, e recentemente participando também da excelente Girls), sobre a sua própria infância em terras verdes. Dito isso eu pergunto, teria como a série ser mais fofa?

E a resposta é sim, teria e dentre todas as novatas da temporada do outro lado do oceano a nova série foi a que me conquistou logo de cara, tamanha a sua foufurice. Apesar da temática aparentemente “infantil”, Moone Boy vai além disso e consegue incluir uma série de detalhes históricos e da própria cultura irlandesa daquele período para a sua história e tudo isso de uma forma leve e extremamente muito bem humorada. Sem grandes pretensões ou a intensão de fazer uma crítica a qualquer um dos assuntos que eles acabaram tocando ao longo da temporada (apesar de sempre acabar sobrando um faísca aqui ou ali), é sempre uma delícia ver uma série tão leve conseguindo alcançar um espaço importante entre o lado sério da coisa e a comédia pastelão.

Apesar de suas histórias e a forma como elas nos são contadas serem sensacionais, o grande mérito da série está mesmo no pequeno Martin Moone (David Rawle), que é uma criatura das mais adoráveis possíveis, a miniatura perfeita para o que a gente imagina que pode ter sido o próprio Chris O’Dowd quando criança (que cresceu e virou esse foufo que ele é hoje), já que a série é praticamente toda baseada nas suas próprias experiências e lembranças daquele período da sua vida. Além de adorável, Martin também é dono de uma maturidade dentro do limite, onde ele consegue manter um equilíbrio bacana entre o seu lado totalmente inocente e infantil, algo completamente adequado para a sua idade, com o seu lado quase adulto, que até surpreende de vez em quando. (não como as crianças que estamos acostumados a ver na TV com esse perfil, que tendem a parecer mini adultos)

A dinâmica entre ele e seu o melhor amigo imaginário, Sean Murphy (Chris O’Dowd) também não poderia ser mais divertida, amigo que de vez em quando aparece de salto, mas que quase sempre está alinhadíssimo em seu terno bem cortado ou está dividindo o mesmo figurino que o garoto. Ao lado dele, Martin tem ótimas conversas sobre os plots nos quais ele se vê envolvido naquele momento, seja quando ele precisa construir um buraco no muro da própria casa para chegar mais cedo na escola, ou quando ele se encontra completamente surtado no plot de fazer história na escola que ele vai deixar para trás por estar crescendo e agora estar na hora dele seguir em frente para sua nova fase. Cenas ótimas que de vez em quando nos dão a chance de serem vistas por um outro ângulo, o das pessoas normais que cercam o Martin, que já estão mais do que acostumadas de encontrar o garoto conversando “sozinho” pelas ruas do bairro.

Em casa, o menino da família Moone divide seu espaço com seus país, Liam e Debra Moone (Peter McDonald e Deirdre O’Kane), que também não poderiam ser melhores, donos de uma sinceridade e praticidade absurda na hora de educar os filhos, além das três irmãs que fazem questão de infernizar a vida do caçula da família, Fidelma (AMO esse nome, AMO), Sinead e Trisha (Clare Monnelly, Sarah White e Aoife Duffin), ele que além de tudo faz parte da minoria naquela casa e por isso acaba sofrendo como ninguém na mão de todas elas. (sendo ele e o pai os únicos meninos da casa)

Dentre todas as figuras extras dentro dessa história, o meu preferido é o melhor amigo de Martin, Padraic (Ian O’Reilly), ele que também tem o seu próprio amigo imaginário (que o próprio Sean Murphy inveja por se vestir como um lutador e ter um nome de macho de verdade, rs) e está sempre envolvido em situações ótimas. Quase morri de rir quando Martin aparece sem querer de maquiagem no colégio pela manhã e o Padraic acaba se sentindo motivado a copiar o fundamento do amigo, apostando ele também em um make pesado para a manhã e se achando o moderno da turma, ou quando ele participa  de igual para igual em uma conversa com as mulheres da vizinhança dentro do salão. Isso para citar apenas alguns dos seus momentos, que são todos ótimos e divertidíssimos.

Falando um pouco do lado adulto de Moone Boy, logo no começo da temporada temos um encontro sensacional com todos os pais da vizinhança, que assumem sem a menor culpa que de vez em quando, inventam alguma coisa para fazer só para ficar longe dos filhos, dos quais eles reconhecem que precisam de um certo espaço de distância de vez em quando para conseguir aguentar a jornada. Um detalhe importante dentro de uma série inglesa que normalmente não costuma tratar os adultos de tal forma, onde quando a temática é infantil ou adolescente, não é muito comum encontrar adultos que são tratados de forma tão digna e não parecendo apenas os alienados que não conseguem compreender mais a juventude, como quase sempre foram tratados os adultos em Skins, por exemplo.

E a série tem aquele clássico humor da derrota que nós gostamos tanto e já começamos a temporada com Martin ganhando a sua tão sonhada bicicleta, que ele acaba perdendo logo em seguida por conta dos bullies do bairro. Sem contar que o presente só se tornou realidade porque seus pais recortaram cupons e mais cupons das embalagens de Readybix, onde depois caminhamos entre vários outro plots ótimos, como quando o garoto teve que iniciar uma amizade só para garantir jantares melhores na casa do seu novo amigo e fugir dos Readbixes da sua própria casa e tudo isso sempre com um plano de fundo tentando retratar a realidade da época, como a primeira vez em que uma mulher foi eleita no governo da região (ótimo plot para todas as mulheres da cidade por sinal), além de um outro momento onde tivemos dentro da série o ato histórico da queda do muro de Berlim.

Aliás, esse foi um dos melhores episódios da temporada, porque é o mesmo onde Martin teve que destruir o próprio muro da sua casa para poder chegar a escola no horário, isso tudo para fugir das maldades de um de suas irmãs, que aproveitava o sono pesado do garoto pela manhã para cobri-lo de maquiagem e fazê-lo ir para a escola carregado de blush, sombra e batom. Plot que acabou nos rendendo uma cena ótima com os meninos “andróginos” da escola se identificando com a “coragem” de Martin, cantando Culture Club pelos corredores da escola ao vê-lo passar coberto de make, ou ganhando assobios e o apelido de Madonna dos bullies da turma.

E outro detalhe que acaba emprestando para a série um lado mais cool é a trilha sonora antiga, que embora não seja nenhuma novidade para ninguém, é recheada de um saudosismo bacana dos hits da época que nós sempre adoramos ouvir novamente. Assim como as animações (que são maravileeeandras!) em cada um dos episódios, que dão um toque todo especial para a série, ainda mais da forma como elas foram inseridas, fazendo parte de um hábito do próprio Martin de desenhar em seus cadernos. Acho que vale até dizer que a série é toda feita de pequenos detalhes, pequeno cuidados (o figurino é um deles), que acabam colaborando para que ela seja essa delícia irlandesa.

Mas os meus momentos preferidos da temporada ficaram por conta de dois episódios hilários, um por conta da descoberta da “primeira ereção” do garoto (1×04 Dark Side Of The Moone), na frente de toda a sua família, inclusive um tio que está de passagem e que jura que viajou com o U2 (outra piada ótima da temporada e é bem bacana ver uma série tocando em um assunto praticamente ignorado, mas que faz parte da vida de todo menino, assim como a primeira menstruação para as meninas, por exemplo), o que acaba afastando o seu amigo imaginário, que vai parar em uma espécie de bar para amigos imaginários esquecidos por seus “donos”. Sério, #TEMCOMONAOAMAR? Quase não me aguentei com o Martin desesperado sem entender o que estava acontecendo com o seu corpo e acordando mais cedo para enterrar os lençóis “danificados” no quintal. (rs)

O outro foi o divertidíssimo episódio com a máfia dos coroinhas da igreja local (1×05 Godfellas), onde Martin acaba se infiltrando e vai ganhando cada vez mais responsabilidades com o tempo, mas que ele acaba descobrindo ser uma barra pesada demais para a sua boa alma de jovem cristão. Sério, o treinamento dele para se tornar o melhor coroinha da paróquia é sensacional e eu duvido que alguém tenha conseguido segurar a risada naquela sequência.

A primeira temporada com apenas seis episódios acaba sendo encerrada de forma morna (já tendo uma segunda temporada garantida), muito provavelmente por focar demais o seus finale em suas irmãs, que apesar de serem todas ótimas, nenhuma delas ainda tem a força necessária para carregar a história. Apesar disso, tivemos ótimos momentos dentro do mesmo episódio, como Martin se despedindo da sexta série (o que para mim aconteceu na quinte, onde eu inclusive mudei de colégio e foi uma barra) e pensando em planos mirabolantes para deixar sua marca na escola, a qual ele acha que nunca mais vai ver novamente, mesmo com ela fazendo fundo a sua própria casa.

Uma Season 1 realmente adorkable em todos os sentidos, com um humor adorável do tipo que não tem como não se apaixonar ou pelo menos lembrar com muita saudade da própria infância. Excelente trabalho Chris O’Dowd, eu sabia que a minha #CRUSH atual por vc e seu trabalho não seria a toa. Clap Clap Clap!

 

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